18º Fica – Crítica: História do ponto de vista dos índios

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*Por Leonardo Resende, da Cidade de Goiás – hashtagcinema@daiblog.com.br

Um dos primeiros momentos que o cinema presenciou uma câmera objetiva foi com Tortura do Medo (1960), de Michael Powell. Essa câmera é conhecida por colocar o espectador como um personagem do longa-metragem. Aquele ângulo é o ponto de vista que o diretor quer passar para quem vê. Taego Ãwa é um longa-metragem de documentário que teve sua exibição dentro da Mostra Competitiva do 18º Fica – Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental, evento que acaba hoje (22.08) na Cidade de Goiás. Dirigido pelos irmãos Henrique e Marcela Borela, o filme mostra esse exemplo de pessoalidade dos cineastas.

Foram encontradas cinco mídias VHS na Universidade Federal de Goiás. O material, raro por si só, apresenta registros da indígena Ãwa e serviu de inspiração para que a dupla de diretores fizesse um filme. Após alguns anos, os realizadores conseguiram mais material para rodar Taego Ãwa, documentário que retrata trechos fotográficos e audiovisuais da tribo, que foi expulsa pelos homens brancos.

O material encontrado é extenso, mas esse detalhe é justamente a principal falha da produção.  Diante de tanto material, os irmãos Borela intercalaram filmagens antigas e mais recentes. É realmente incrível ter a oportunidade de acompanhar a vida de uma família indígena por meio de vídeos. O que se tem a impressão, entretanto, é que muitas imagens que aparecem não são tão contextualizadas ou explicadas. É como uma colagem de imagens.

Apesar do filme conseguir bons relatos, sua montagem não favorece um tema tão importante e delicado – índios que foram expulsos de sua terra natal por causa da construção de uma estrada. Caso Taego Ãwa mostrasse mais objetividade em sua narrativa, ele não seria tão massivo. E a denúncia de uma versão dos índios para algo que apenas a Funai tem registro, funcionaria ainda melhor.
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblog

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