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18º Fica – Entrevista com a cineasta Momoko Seto

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*Por Leonardo Resende, da Cidade de Goiás – hashtagcinema@daiblog.com.br

Planeta Sigma é a obra realizada pela cineasta japonesa Momoko Seto. É um curta-metragem de animação que utilizou métodos como time lapse (aceleração de frames) e foto série, além de uma elaborada sonoplastia para compor um universo totalmente imaginário. A diretora conta com exclusividade ao Daiblog – Diversão, Arte e Informação como foi a criação deste filme, que retrata o ambiente minúsculo dos insetos. Leia a crítica aqui.

Como funcionou o processo criativo do filme?
Para mostrar o avanço do crescimento do fungo, usamos o time lapse. Ele levou três semanas para crescer. Ao fotografar cada semana, fizemos uma foto série. Além das fotos, eu filmei em slow-motion (câmera lenta). Em algumas cenas, nós aceleramos os frames e outras reduzimos a velocidade. Intercalei estas duas velocidades.

Foto: Aline Arruda/Divulgação

Planeta Sigma integra uma série de vários filmes. O que eles têm em comum?
Ainda quado estudava realizei o Planeta A (2008), que é sobre a água e o gelo. Filmamos o sal que visualmente parece gelo. Em 2011, realizei outro filme chamado Planeta Z, onde também usei o fungo – assim como Planeta Sigma – e vários outros elementos ecológicos.

Um fator que deixou alguns espectadores curiosos foi a movimentação dos insetos. Você utilizou quais técnicas para as filmagens?
No princípio usamos insetos mortos. Os congelei e, no momento de descongelar, usei a mesma técnica de filmagem do fungo. Queríamos mostrar o instante do derretimento. Após isso, trocamos os insetos “mortos” por insetos vivos. Então os insetos não foram prejudicados. São apenas “atores” diferentes.

Planeta Sigma

A subjetividade é um dos pilares do seu filme. É um estilo que você adotou para todas as obras?
Meus filmes apontam a importância da natureza e dos insetos – é claro – mostrando que eles são os principais protagonistas. Não são pessoas ou animais, são abelhas, gafanhotos, formigas, dentre outros. Este fator também retrata o ponto de vista de um ser minúsculo que é contrastado com a imensidão do universo que ele vive. É um elemento que é muito intenso porque quero mostrar que nós não somos o centro do universo. Outro componente que colabora para essa subjetividade é a ausência do diálogo. A falta dele faz com que facilite o que eu quero mostrar ao público e também deixa o filme subjetivo. Eu que sou de origem japonesa, não consigo transpor todas aquelas ideias por causa da tradução e das nuances de cada cultura. Muito se perde nessa transição, ao contrário dos diálogos, este som é de linguagem universal.

Planeta Sigma


Na trilha sonora e na edição de som, todos foram compostos originalmente?
Usamos uma composição de sons com diversos objetos. Todas as cenas carecem de som originalmente. Fizemos tudo do zero, tais ruídos não existem, por exemplo: quando uma abelha voa em câmera lenta, não sabemos de fato qual foi a sonância. Outro exemplo do filme é quando o morango está apodrecendo. Também não se sabe qual é o barulho. Ao compor cada som tivemos que ter o cuidado de sermos muito realistas. Além disso, aumentamos o grave de cada ruído, para que nossa percepção fosse trapaceada ao alimentar nossa imaginação.

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