BIFF 2016 – Crítica: Albüm escancara o preconceito turco

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*Por Clara Camarano – redacao@daiblog.com.br

O preconceito e o racismo, em suas inúmeras formas, foram destaques nos telões do Cine Brasília (106 Sul) e do Cine Cultura do shopping Liberty Mall durante o 5ª edição do Brasília International Film Festival. Um dos fortes concorrentes da mostra competitiva de ficção, Albüm lançou uma série destes temas vividos dentro da sociedade turca. O filme marcou sua estreia em longas-metragens do diretor Mehmet Can Mertoglu e arrebatou sete prêmios em festivais como Cannes, Jerusalém e Saravejo.

Antes conhecido apenas na ala dos curtas-metragens por Yokus (La Cuesta) e Fer (O Flash), Mehmet agora chegou com força no seu Albüm, uma verdadeira crítica à sociedade turca. No foco da história está  Bahar (Sebnem Bozoklu) e Cüneyt Bahtiyaroglu (Murat Kiliç), um casal de classe média que não consegue engravidar. Sem opções, eles decidem adotar às escondidas um bebê e falsificam uma suposta barriga em Cüneyt para evitar qualquer suspeita de adoção.

Para  manter o segredo, o casal falsifica ainda um álbum de fotografias e esbanja uma série de racismos no processo de escolha do filho. A negação de uma menina que parece descendente dos curdos é um dos retratos deste preconceito que choca  quem está assistindo.  Não apenas pelo fato dela ser mulher – a preferência é por um macho – , mais de possuir qualquer semelhança com os curdos, inimigos históricos da Turquia.

A frieza com que este casal se relaciona, a solidão, a rejeição e negação à própria capacidade de engravidar desaguam em um triste final. A produção é marcada ainda por cenas fortes, como a de uma vaca parindo no início do filme e de um terrível suicídio seguido do descaso da polícia e dos envolvidos. O que fica são as tristes mensagens sublimes, como a de que “mulher foi feita para reproduzir”. Merece palmas por abranger tantos preconceitos em um simples enredo. 

Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblogDaiblog

Veja aqui o trailer do filme Albüm:

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