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Crítica: A Chegada é mais humano que extraterrestre

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*Por Leonardo Resende – hashtagcinema@daiblog.com.br

O gênero de ficção científica apresentava uma abordagem lúdica e caricata em seu princípio, nos ano 1950. Mas alguns diretores, como Andrei Tarkovsky, de Solaris e Stanley Kubrick, de 2001 – Uma Odisseia no Espaço trouxeram características inéditas para o gênero: a humanidade e o existencialismo. Interestelar, dirigido por Christopher Nolan, resgatou certa particularidade humana. A diferença é que Nolan buscava mais pela reflexão científica do que individual. Denis Villeneuve, incorpora as características clássicas de Kubrick e Tarkovsky no filme A Chegada, a estreia da semana.

Ao redor do mundo, doze objetos voadores pairam em cidades. Nominados de conchas, as supostas naves provocam curiosidade em todos que a cercam. O primeiro questionamento é: Se tal aparição é amistosa, por que doze naves? Para investigar este ‘primeiro contato’, nações reúnem equipes de astro físicos, tradutores e soldados. Louise Banks (Amy Adams) e Ian Donnely (Jeremy Renner) integram o grupo dos norte-americanos. Ao estudar mais profundamente estes seres, Louise descobre que existe algo além do conhecimento humano.

Caso os cineastas citados não tivessem trazido essa individualidade emocional para a ficção científica, A Chegada nunca teria existido. O que mais aproxima o filme de Villeneuve de Kubrick é o apego pela trilha sonora texturizada, sonoplastia envolvente e o questionamento existencial. Em certos momentos, quanto mais o personagem de Adams adentra o conhecimento alienígena, mais ela conhece a si própria. Todo esse auto-conhecimento é mostrado por meio de visões que surgem na mente da personagem. Montadas de maneira não-linear, as cenas de certa sensibilidade emocional são intercaladas com o suspense incessante. Algumas tão complexas – dado certo momento da trama – que exigem uma segunda conferida em A Chegada.

Em suma, o novo longa-metragem de Villeneuve não é sobre invasão alienígena, é sobre quão complexo um ser humano é. Com essa edição que contrasta o drama com o suspense, A Chegada definitivamente é atípico. E toda essa força corrosiva que permeia o filme de Villeneuve só deixa os fãs e espectadores cada vez mais curiosos pelo o que ele reserva na direção de Blade Runner 2049, novo projeto do cineasta.

Cotação:  DaiblogDaiblogDaiblogDaiblogDaiblog

Veja aqui o trailer do filme A Chegada:

 

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