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Capitã Marvel e os desafios a serem vencidos na ficção

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Carol Danvers surgiu nas histórias em quadrinhos no ano de 1968. Criada por Roy Thomas e Gene Colan, que deu a Danvers o nome de Ms. Marvel, a opção ao “Ms.” tinha relação direta com um contexto da época. Nos anos 70 “Miss” (utilizado para mulheres solteiras) e “Mrs” (destinado às mulheres casadas) eram termos consolidados. Então, Gene Colan resolveu adotar o “Ms”, prefixo que representava a mulher independente e que elevou a super-heroína a um novo patamar, associando-a ao movimento feminista.
Durante anos, Carol Danvers ficou conhecida como Ms. Marvel, mas sua história de codinomes é bem maior. Seu início nas histórias em quadrinhos foi como Major Carol Danvers, da Força Aérea dos Estados Unidos, e que ao se tornar a super-heroína, assumiu a identidade de Ms. Marvel. Entre idas e vindas nas HQ’s, quando se transformou praticamente em uma entidade galáctica, adotou o nome de Binária e, por fim, voltou a usar Ms. Marvel que, na sequência, foi trocado pelo nome de seu mentor (Mar-Vell), adaptando a forma feminina de Capitã Marvel.

História das histórias em quadrinhos a parte, o fato é que a figura da Capitã Marvel se tornou um ícone do feminismo e se mantém até os dias de hoje. Aproveitando o embalo de protagonistas femininas no cinema e na tv é importante ressaltar que, nas histórias em quadrinhos, Carol Denvers é grande amiga de Jessica Jones (sim, a da série cancelada recentemente pela Netflix). A decisão de incluí-la na websérie foi cancelada quando os estúdios da Marvel decidiram fazer um filme solo da Capitã.
Brie Larson, a atriz que viverá a personagem nas telonas, é declaradamente uma ativista da causa feminista. Mais do que isso, Larson luta não só pela igualdade de gêneros, como também pela diversidade e a inclusão no cinema e fora dele.
Recentemente, em entrevista dada à revista Marie Claire, Larson explicou que na divulgação de seus trabalhos anteriores sempre foi entrevistada pelo mesmo tipo de pessoa – no caso homens brancos – e que ela gostaria de ver entrevistadores mais diversos. Em suma, o que ela defendia era a diversidade e não a exclusão. Tirado desse contexto e transformado em fake news pelos famosos haters, começou um movimento brutal na internet para sabotar o filme da Capitã Marvel, negativando o longa no Rotten Tomattoes e IMDb, baixando sua média de qualidade antes do filme estrear nos cinemas. O Rotten Tomattoes inclusive desativou, temporariamente, a opção de antecipação do filme aos internautas.
O filme que inaugurou a era das super-heroínas no cinema, Mulher-Maravilha, também levantou questões parecidas com grupos que pregam um discurso raivoso e que também atacaram filmes como Pantera Negra e Star Wars: O Despertar da Força, mas que foram sucesso de crítica e público.

Fato é que Capitã Marvel, de acordo com pesquisas recentes, aponta na direção de uma bilheteria de sucesso. Além de se juntar à figura icônica da Mulher-Maravilha nessa luta pelo protagonismo feminino em Hollywood, que aos poucos está aderindo a uma cultura inclusiva e diversa, a super-heroína vem com tudo para enfrentar Thanos e sacramentar mais um rompimento de paradigmas, não apenas a favor da mulher, mas a favor da humanidade na ficção e principalmente na realidade.

*Por Elton Pedroza – Possui graduação em Letras – Tradutor e Intérprete (2006). Pós-graduado Lato Sensu em Administração de Empresas pela UNIFMU/FMU (2009). Pós-graduado Stricto Sensu em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC – SP (2014). Atualmente é professor do FIAM-FAAM – Centro Universitário e ministra aulas para o curso de Rádio, TV e Vídeo (graduação) e Cinema (pós-graduação) – curso idealizado e criado pelo próprio. Foi integrante do Núcleo Docente Estruturante (NDE) do curso de graduação de Rádio, TV e Vídeo do FIAM-FAAM – Centro Universitário e um dos membros fundadores do Núcleo de Estudos de Histórias em Quadrinhos Álvaro de Moya do FIAM-FAAM – Centro Universitário. Além das atividades como professor é Crítico de Cinema e TV no programa “De Bem com a Vida” da Rede Gospel de televisão. Também é Crítico de Cinema e TV, locutor e radialista na Rádio Energia 97FM e tem um programa na webrádio BARUK FM, intitulado “CinemArte: A História do Cinema contada com toda Propriedade”. Tem uma coluna de críticas de cinema no Jornal Rodonews (tiragem: 25.000 exemplares) e Jornal do Monotrilho (tiragem: 20.000 exemplares). Tem um canal no YouTube sobre cinema e cultura pop intitulado “Raio Ômega!” que é subsidiado pela rádio Energia 97 FM (97,7).

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