Corra agora mesmo para ver Bacurau no cinema

Cineasta que se destacou desde seus primeiros curtas-metragens, Kleber Mendonça Filho mostra que está cada vez melhor em seu novo trabalho. Codirigido com Juliano Dornelles, Bacurau é um longa corajoso e audacioso, que transita entre diversos gêneros e, exatamente por isso, surpreende a cada cena. Não apenas o teaser, como também o trailer, não deixam claro a sinopse da trama. E é justamente para evitar o spoiler e aumentar as surpresas que aqui também não será comentado o principal tema da produção. O conselho é: assista e seja pego de surpresa!

É possível dizer, contudo, que trata-se de um filme repleto de influências cinematográficas (da trilha sonora excelente a movimentos da sétima arte, como o Cinema Novo e até mesmo a estética de Quentin Tarantino). E essa salada não apenas diverte, como também faz pensar. E muito. Ambientado numa pequena cidade do Nordeste, o título causa a estranheza por se passar num “futuro próximo” talvez perto demais com os dias de hoje. Há um ar de Black Mirror pela tecnologia meio futurista. Apesar de Bacurau ser uma cidade localizada bem no interior e distante de tudo, a população, por exemplo, possui acesso à internet e sabe identificar o que é um drone.

Acompanhamos o enterro de Dona Carmelita, uma senhora importante na cidadezinha. E é a partir daí que algumas mortes assombram a comunidade, até então pacífica. É como uma grande família fortalecida que os moradores, que naturalmente são próximos e engajados, precisarão compreender e revidar contra os perigos de uma ameaça externa. Não faltam elogios ao filme. É engraçado, dá medo (as sequências de suspense são impressionantes), é chocante e provoca diversas reações. É impossível ver e ficar imune. Evoca um nacionalismo urgente, visto que não tem como não reconhecer o Brasil atual na telona.

Com um grande elenco, que inclui Sônia Braga, o filme, sob a liberdade artística da ficção, toca em questões extremamente reais e contemporâneas, como a paixão por armas de fogo, o descaso com a educação, a corrupção de políticos, a ganância das pessoas e a patética noção de superioridade geográfica que existe dentro do próprio país. Várias metáforas podem ser observadas e elas versam sobre a importância dos livros, a liberdade de pensamento e, sobretudo, a valorização das nossas origens e da nossa própria História. Brasileiríssimo e orgulhosamente nordestino, Bacurau é um tiro de escopeta bem no meio da cara da ignorância de muitos. Um resultado lindo do poder da arte e da cultura para servir de inspiração de resistência em momentos sombrios.

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