Rainha de Copas é sobre desejos e consequências

Polêmico e provocador, o longa-metragem Rainha de Copas, dirigido por May el-Toukhy, tem uma trama que pode ser considerada tabu. O filme gira em torno da advogada Anne (Trine Dyrholm), que trabalha defendendo crianças e jovens de situações de abusos. Ela leva uma vida tranquila com o marido e as filhas gêmeas numa bela casa. Um dia, sua rotina é alterada com a chegada de Gustav (Gustav Lindh), resultado do primeiro casamento do marido.

O enteado é um adolescente um tanto revoltado que tem problemas na escola. Para evitar colocá-lo num internato, a última alternativa foi fazer com que ele passasse uma temporada com o pai. A entrada de um novo elemento na família gera uma mudança de ares nas pacatas relações na casa. E, aos poucos, algo começa a crescer em Anne a ponto de fazê-la tomar decisões complicadas que podem colocar sua vida em jogo.

O roteiro de Rainha de Copas tinha tudo para ser um drama erótico barato: a esposa que trai o marido com filho dele. Porém, esta coprodução da Dinamarca e Suécia tem uma narrativa muito madura e toma um rumo surpreendente. A protagonista (interpretada pela mesma atriz que fez o ótimo Em Um Mundo Melhor) é forte e preenche a tela durante todos os minutos. É uma mulher bem trabalhada, construída com todas as complexidades de um ser humano.

Um dos principais méritos do filme é causar um desconforto, principalmente na sua metade final. É quando a infidelidade deixa de ser um jogo para se tornar um verdadeiro peso na vida de Anne. Com cenas de sexo intensas e assuntos tão delicados, Rainha de Copas gera assunto para boas conversas depois que a projeção termina. Um ótimo trabalho!

Por Michel Toronaga – micheltoronaga@cine61.com.br

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