Continuação de Zumbilândia ainda faz rir

Após quase dez anos, o diretor Ruben Fleischer (Venom) retorna para a sequência do pós-apocalíptico Zumbilândia – Atire Duas Vezes. Reunindo novamente o elenco composto por Jesse Eisenberg (Liga da Justiça), Emma Stone (A Favorita), Woody Harrelson (Estrada Sem Lei) e Abigail Breslin (Scream Queens), o novo longa veio provar que continuações não-necessárias podem ser deliciosamente engraçadas e não agregar o suficiente para justificar a sua existência.

Em Atire Duas Vezes, os sobreviventes precisarão sobreviver aos Zs – apelido carinhoso dado aos zumbis – enquanto embarcam novamente na estrada em uma missão de “resgate”. Após todo esse tempo, é interessante notar que o dinamismo entre as personagens continua o mesmo desde o primeiro filme: a relação pai-filha entre Tallahasse (Harrelson) e Little Rock (Breslin) e a conturbada relação amorosa entre Columbus (Eisenberg) e Wichita (Stone), o que acaba soando confuso diante da quebra dramática tomada pelo enredo. Após todas as vivências do grupo no caótico mundo e o visível estreitamento entre as personagens, alguns direcionamentos e motivações das personagens soam pífias e não convincentes.

O grande trunfo do longa é o humor afiado, mas nem sempre pontual, repleto de duplo sentido e referências à cultura pop. O quarteto conseguirá arrancar várias gargalhadas desde as situações cotidianas até nas enrascadas enfrentadas, com grande destaque ao trabalho de Woody Harrelson. As adições no elenco, no entanto, podem dividir opiniões: enquanto Rosario Dawson (Luke Cage) complementa e dinamiza efetivamente bem, Zoey Deutch (The Politician) encarna a prima distante das Irmãs Wilson (As Branquelas) em uma personagem clichê saturadíssima em comédias besteirol que, mesmo de forma intencional, é um recurso fácil para fabricar risadas.

De modo geral, Zumbilândia – Atire Duas Vezes é puro entretenimento. Engraçado e nostálgico, o filme expande o universo apocalíptico. Entretanto, a sequência opta por dar maior atenção às piadas que ao próprio roteiro, quase o ignorando em boa parte do tempo ou escorando no que já havia sido construído no longa original. Com zumbis de plano de fundo e sem muita importância nos primeiros dois atos, o novo filme arranca risadas com facilidade e potencializa a comédia besteirol, mas se torna esquecível assim que as luzes do cinema se apagam.

*Igor Tarcízio, do Cine61

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