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Festival de Cinema do Paranoá começa clamando por resistência

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Foi dada a largada! Brasília respira cinema em outubro. Em especial, a região administrativa do Paranoá que, na véspera de completar 62 anos no dia 25 de outubro de 2019, virou um polo desta arte. Oficinas, mostras competitivas e paralelas, premiações em diversas categorias, ocupação, protagonismo feminino, inclusão de pessoas em situação de rua e acessibilidade são bandeiras que o idealizador Januário Jr. pretende levantar na 3ª edição do Festival de Cinema do Paranoá.

De 21 a 27 de outubro, escolas, ruas e o Centro de Desenvolvimento e Cultura do Paranoá e Itapõa – CEDEP (Qd 9 Conjunto D área Especial 1 – Paranoá) – o grande palco do evento – serão contemplados com a sétima arte. No total, 62 curtas-metragens poderão ser assistidos na região. A abertura da mostra competitiva acontece no dia 24 do mês, às 20h30, no CEDEP. Mas o festival que, nesta edição, leva a temática Protagonismo e Diálogos Horizontais, já começou.

Imagens de Um Sonho

Quem passou no dia 15 de outubro pelo Mercadinho Esquina Preciosa (Quadra 21- do Paranoá) pôde conferir a festa de pré-lançamento. No local, três curtas-metragens de três polos de cinema do Brasil foram exibidos ao público. Imagens de Um Sonho (Santos – SP), de Leandro Olimpio; Um Café e Quatro Segundos, de Cristiano Requião; e Escola Sem Sentido, de Thiago Foresti (DF).  Os filmes calham bem com o momento político e de resistência vividos em 2019.

Escola Sem Sentido não poupa na crítica ácida à censura vivenciada em tempos de cólera. Na trama, crianças e pais se rebelam contra os professores e contra a história. Esta, censurada. O antiesquerdismo se faz presente em toda a produção, que traz um elenco fera de Brasília e dá visibilidade para a produção local. A referência direta ao nazismo, fascismo e tantos “ismos” também se faz presente no filme.

Imagens de Um Sonho é um curta composto de vídeos publicados no YouTube por terceirizados da Petrobrás. O filme explora um capítulo importante do país por meio de fragmentos da vida operária dentro e fora da fábrica. Com suas próprias mãos, a classe trabalhadora registra – ao longo de uma década (2008-2018) – as alegrias e dissabores de sua jornada.

A edição e tomadas simples não tiram a beleza deste filme, que é feito pelo e para o trabalhador. Trabalhador este que pôde comprar celular e que celebrava sua ascensão no início do século 21. Ascensão que desmoronou e desmorona nos tempos atuais. Histórias de garra, de celebração, como trabalhadores festejando e tocando pagode em um intervalo de lazer, mostram uma alegria perdida nos tempos sombrios.

Para finalizar, Café e Quatro Segundos traz dois ditadores debatendo sobre o período de chumbo que se reflete em dias atuais. Ao redor de uma mesa e em um bate-papo regado à cafés, os personagens interpretados por Osmar Prado e Samir Murad chegam à conclusões opostas sobre o período. Amor, glória, pátria amada, Brasil? As produções poderão ser conferidas ao longo do festival. Confira programação: www.festcineparanoa.com.br.

*Por Clara Camarano – Especial para o Cine61

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