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Sociedade impede mulheres de sonhar em A Vida Invisível

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“Quando eu toco, eu desapareço” é uma frase dita pela personagem Eurídice Gusmão para explicar porque deseja ser uma grande pianista. Guida, irmã de Eurídice, também sonha viver um grande amor. O novo filme de Karim Aïnouz, A Vida Invisível, apresenta essas duas protagonistas femininas que são diferentes em quase tudo, mas compartilham algo: sonham. Sonhos que são interrompidos por uma sociedade patriarcal.

Indicado brasileiro ao Oscar 2020 de Melhor Filme Estrangeiro, A Vida Invisível é baseado no romance A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, de Martha Batalha. O longa retrata um Rio de Janeiro dos anos 1950 e a história de duas irmãs fortemente ligadas. Criadas em um lar conservador, ambas almejam coisas distintas. Guida (Julia Stockler), 18 anos, decide fugir para viver um grande amor. Já a irmã, Eurídice (Carol Duarte), 20 anos, tenta conciliar o desejo de estudar piano em um conservatório com a vida protocolar da época: casamento e filhos.

O longa acompanha a vida das duas irmãs, desde a juventude até a terceira idade. Separadas desde muito cedo, as duas buscam um reencontro. O filme retrata muito bem como uma sociedade patriarcal, onde tudo é feito e decidido para e pelos homens, tornava impossível a vida das mulheres que almejavam viver outros sonhos. As irmãs vivem nessa sociedade de maneiras diferentes: Eurídice, em um casamento que a impede de se tornar uma grande pianista; Guida, mãe solo e rejeitada pelo pai.

O título original do filme era A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, assim como no romance em que foi baseado. Embora as atuações das atrizes Julia Stockler e Carol Duarte estejam impecáveis, é na história de Guida e na interpretação de Julia que o filme ganha força. Talvez, por isso, o longa tenha mudado o título para A Vida Invisível. Outro destaque para o elenco é a participação de Fernanda Montenegro, que interpreta Eurídice mais velha. O ator Gregório Duvivier interpreta Antenor, par romântico de Eurídice.

Outro ponto positivo do filme é a fotografia. O lnga foi premiado no Festival Internacional de Cinematógrafos, o Oscar dos fotógrafos. Quem assina a fotografia é a premiada francesa Hélène Louvart. Rodrigo Teixeira, produtor, ressaltou em uma entrevista para o podcast Cinema Varanda que A Vida Invisível pode se destacar em outras categorias do Oscar 2020, como fotografia. A Vida Invisível também recebeu o principal prêmio da mostra paralela “Um Certo Olhar”, no Festival de Cannes, na França.

*Por Vinícius Remer – redacao@cine61.com.br

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