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O drama real por trás do filme Cicatrizes

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A história de Ana, a costureira com uma vida assombrada pela suspeita de que a morte de seu bebê recém-nascido tenha sido forjada, não é um caso isolado na Sérvia do amanhecer da sangrenta Guerra Civil Iugoslava, mas é a jornada dela que acompanhamos em Cicatrizes . Dirigido por Miroslav Terzić, o filme foi o indicado da Sérvia para concorrer a uma vaga ao Oscar de melhor longa estrangeiro e foi exibido em festivais como o de Berlim, de Pequim e de Zurique.

O roteiro de Cicatrizes é baseado no testemunho de Drinka Radonjic, uma costureira de Belgrado que procurou pelo seu “filho natimorto” por quase duas décadas. Poucos dias após o parto, seu obstetra disse a ela que seu bebê recém-nascido havia morrido. Mas ela nunca recebeu o corpo do filho ou descobriu onde o hospital o enterrou. A suspeita de que a criança tenha sido na verdade raptada a conduz por uma exaustiva saga.

No filme que entra em cartaz em 16 de fevereiro, a protagonista Ana (interpretada pela veterana atriz Snezana Bogdanovic) representa Drinka. Durante anos ela entra em conflito com a administração do hospital, com médicos, com a polícia, com tribunais, com a própria família e com oficiais municipais para obter o certificado de óbito adequado que iria provar onde seu filho recém-nascido havia sido enterrado. Durante essa longa briga, Ana descobre muitas irregularidades na documentação hospitalar e governamental que provavam suas dúvidas e crença de que o bebê estava vivo. Depois de quase vinte anos, ela finalmente descobriu a verdade.

Cerca de 500 famílias da região passaram pelo mesmo que Drinka e ainda tentam encontrar seus filhos roubados durante o fim dos anos 1980 e início da década de 1990. O período marca o começo de uma guerra que partiu a antiga Iugoslávia.

“Eu percebi esses eventos como a última evidência da deterioração humana e moral da qual nós não tínhamos nos recuperado. Alguns anos atrás eu encontrei Drinka Radonjic. Ela era a costureira da minha tia. Após 20 anos, ela acreditava ter encontrado o seu filho e estava provando seu caso na justiça. Eu fui até uma alfaiataria no centro de Belgrado para entrevistar a senhora Radonjic. Ela era uma mulher firme, brava e humilde. Drinka localizou seu filho, mas ele não quis encontrá-la, já que disseram a ele que sua mãe o abandonou quando ele nasceu”, afirma o diretor Miroslav Terzić.

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