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Romântico, Marguerite e Julien fala de relação incestuosa

*Por Clara Camarano – redacao@cine61.com.br

As loucuras de uma paixão que se transforma num puro amor idealizado, único, para a vida inteira, capaz de abstrair qualquer regra social.  É com estas premissas românticas que o longa-metragem  francês Marguerite & Julien: Um Amor Proibido estreia nos cinemas para resgatar um pouco da “idealização” do amor que ficou aparentemente velha e até ironizada em épocas de aplicativos de paqueras como Tinder e afins.  Não à toa, o filme se remete a uma história verídica vivida no início do século 17, época de ebulição para o movimento que daria origem ao Romantismo, datado exatamente do fim deste século.

Atriz francesa que virou diretora consagrada após A Guerra Está Declarada (2011), Valérie Donzelli, soube aproveitar muito bem o que o mestre do cinema François Truffaut se recusou a fazer em 1970 por não querer retratar um tema por ele considerado “da moda”: o incesto. De fato, já tivemos bons filmes com esta temática, como O Sopro No Coração (1971), de Louis Malle, La Luna (1979), do papa Bernardo  Bertolucci, o exímio representante tupiniquim Lavoura Arcaica (2001), de Luiz Fernando Carvalho, dentre tantos outros.
Mas Donzelli surpreende ao contar a história dos irmãos Marguerite  (Anaïs Demoustier) e Julien de Ravalet (Jérémie Elkaïm), que cresceram juntas e viveram desde a infância a pureza do amor e do companheirismo. Já sob suspeitas estranhas de atitudes, as duas crianças inseparáveis, no entanto, são obrigadas a viverem realidades totalmente opostas, submissas ao comportamento arcaico que dividia homens e mulheres em suas devidas funções sociais. Neste ponto, o filme é super fiel ao século, embora a cineasta não deixe de colocar um tom contemporâneo para aproximar o espectador da realidade. A trilha clássica se mescla com tons mais modernos. o que torna a adaptação plausível ao anos “21eumasdoses”.

Ela polemiza na medida certa, sem perder o foco que é o amor incondicional. Os dois irmãos se reencontram após viverem uma árdua vida, mas sem perder a essência do sentimento. É um drama lindo, sensível, com uma fotografia maravilhosa e nuances que revelam os personagens na sombra do que eles vivem. Um Romeu e Julieta atual, que nada tem de clichê por não ser mais um filme de amor. É único, como qualquer amor! Polêmicas a parte, quem gosta de romance verdadeiro, pode se preparar para chorar!

Veja aqui o trailer de Marguerite e Julien:

Marguerite e Julien (2015, França) Dirigido por Valérie Donzelli. Com Anaïs Demoustier, Jérémie Elkaïm, Frédéric Pierrot, Catherine Mouchet, Geraldine Chaplin…

Entrevista com a cineasta Valérie Donzelli, de Marguerite et Julien

Qual foi a origem de Marguerite & Julien?
Para este projeto, quis fazer um filme que não fosse inspirado pela minha própria vida, como os anteriores. Eu queria adaptar alguma coisa. Quando descobri o roteiro que Jean Gruault tinha escrito para François Truffaut ficou óbvio. Fiquei encantado com a história imediatamente e queria que ela fosse meu próximo filme. É uma adaptação de uma história verídica – havia verdade nela. Rapidamente descobri que o castelo Ravalet ainda estava de pé em Tourlaville, então eu pude adotar o processo de trabalho que me agrada: começar a partir da realidade para chegar à ficção. Só que, desta vez, comecei a partir de uma realidade que não era minha.

A história é baseada em acontecimentos verídicos, mas o filme se transforma em algo ficcional logo no início. Ele não é nada fiel à realidade histórica.
Eu queria fazer um filme com um certo distanciamento, com uma dimensão fictícia. Um filme sobre lealdade e aventura – um filme para todos. Eu senti que essa história tinha todos os elementos que tanto gosto: amor impossível, fusão, a ideia de tratar o amor como uma doença, ou como um destino. Eu queria filmar uma tragédia verdadeira.  Eu também queria criar uma coisa nova, quanto à forma do filme em si – algo que não existia -, então não tinha nenhuma referência na qual me basear. Desde o início rejeitei a ideia de reconstrução histórica, não me interessava em nada mesmo. Pelo contrário, eu queria ter liberdade para inventar um mundo, mas a partir de elementos reais: o castelo, a família Ravalet, a questão histórica… A ideia era encarnar a lenda ao invés de recontar os fatos históricos.

Como você concebeu o espírito do filme, feito de anacronismos, pegando emprestado de eras diferentes?
Foi construído depois de um processo muito longo. A escrita levou um tempo, assim como a preparação. Veio de pouco em pouco, depois de longas discussões com Charlotte Gastaut, minha colaboradora artística, Jérémie Elkaïm, meu corroteirista e codiretor, Céline Bozon, diretora de fotografia, Manu de Chauvigny, desenhista de produção, e Elisabeth Méhu, figurinista. Foi um esforço de equipe. Eu queria fazer um filme atemporal, que não estivesse ligado a nenhuma época em particular, enraizado no mundo dos “contos de fadas” sem pertencer totalmente a ele. Foi difícil porque não havia referências pré-existentes. Como a história já estava lá, eu queria fazer um filme em que a forma tivesse um lugar predominante. Minha linha de direção foi Cocteau: “A história é a realidade deformada, o mito é o falso corporificado”. Eu queria fazer uma coisa imaginária que fosse corporificada ao máximo, para que nós sentíssemos que os personagens são reais, para que estivéssemos com eles no castelo, para que sentíssemos o perfume da Madame de Ravalet e ouvíssemos o vento e o crepitar do piso. Um filme sensorial… 3D sem os óculos!

O filme certamente lida com essa tensão entre a história verídica e a forma que tende na direção do imaginário, uma vez que a história é narrada num orfanato por uma das garotas, interpretada por Esther Garrel. Não temos certeza se ela está recontando a história ou inventando-a.
Eu achei muito interessante brincar com várias formas diferentes de contar uma história. Esther Garrel, a líder órfã, reconta acontecimentos reais, mas também falsos, simplesmente para manter os outros interessados, para entretê-los contando uma história que basicamente é verdadeira, mas que ela enfeita. Cada história, a partir do momento que você conta, deforma a realidade, já que você dá sua própria interpretação dela. É a mesma coisa com o cinema: a partir do momento em que você filma, deforma a realidade, mas outra verdade surge. O filme é uma espécie de boneca russa da narrativa e do cinema.

Na sua maneira de trabalhar, há um hiato entre o que você planeja e o que você vai fazer no calor do momento.
Eu sempre questiono tudo. Às vezes é agonizante porque você sente que tudo é possível. Eu adoro ouvir o que as pessoas que trabalham comigo têm a dizer. Às vezes, quando você está fazendo um filme, falta um pouco de distância, você tem que largar de mão um pouco e deixar seu subconsciente falar. Eu sinto mesmo que pedir para as pessoas com quem trabalho me darem sua opinião ajuda no processo. Eu fico remoendo o que elas dizem e descarto o que não funciona. Filmar foi muito desafiador, em parte por causa disso. Tínhamos muitos requisitos técnicos, uma vez que era uma filmagem de 11 semanas, ainda assim quis acreditar que podíamos reinventar tudo no último momento.

Você teve alguma dificuldade na hora de editar?
Sim e não. É difícil dizer. A edição foi fascinante. O material estava bom, só precisávamos de tempo e distância para poder entender que o filme é bem cerebral, afinal.

No início do filme, as crianças estão fazendo uma peça de teatro em que dublam falas de um filme antigo. Essa cena pode ser vista como uma espécie de versão em miniatura do filme em si: uma interpretação de algo que não é seu, uma vez que não é um roteiro original, da melhor forma e com maior precisão que puder, mas à sua própria maneira.
Você tem total razão, mas ele não foi concebido dessa forma. Foi ideia do Jérémie, para início de conversa. No roteiro, as crianças estavam apresentando uma peça para seus pais. Eu estava pensando em usar uma das fábulas de La Fontaine e Jérémie sugeriu a ideia de dublar, dizendo que seria incrível ouvir as crianças falando com vozes de adultos antiquadas. A ideia ficou. Eu liguei para André Rigaut, meu engenheiro de som, e dei a ele a missão de procurar por filmes antigos. Foi um processo de inventar anacronismos e intrusões modernas. Ele encontrou vários personagens de filmes dos anos 60 chamados Margaret e Julian.   

Seja em The Queen of Hearts, A Guerra Está Declarada, Hand in Hand ou Just Love! – todos filmes muito diferentes, alguns baseados na sua própria vida, outros adaptados de histórias verídicas ou peças – sempre encontramos o mesmo tema: você não escolhe o amor, ele te escolhe, o amor cai sobre você como o destino.
Acho que um jornalista disse uma vez para Pauline Gaillard que os casais nos meus filmes são como armas de destruição em massa. Dessa vez, é verdade!

Em Marguerite & Julien, o amor de fato age como o destino. O mesmo princípio atua em seus filmes anteriores. Em Just Love!, o que surge da sua adaptação de The Game of Love and Chance são personagens destinados a amar uns aos outros, indo muito além do determinismo social que Marivaux Intencionou.
A dimensão social de The Game of Love and Chance me dava nos nervos: o fato de que os ricos acabam amando uns aos outros, assim como os pobres. Eu queria que o amor de Arlequin e Lisette fosse real, um amor de verdade à primeira vista, além de qualquer dimensão social.

Não foi coincidência Gruault ter escrito o roteiro para Grançois Truffaut, um diretor com quem você tem uma ligação forte. Há várias referências ao cinema de Truffaut em todos os seus filmes: cartas filmadas, narradores…
Eu amo Truffaut, mas isso não me impede de fazer filmes. Ele não é uma referência paralisante. Na verdade, em Marguerite & Julien, há muito mais referências a Rappeneau do que Truffaut. Eu vejo Truffaut mais como minha estrela da sorte. Por exemplo, eu nunca pensei nele quando estava escrevendo The Queen of Hearts, pensei mais em Rohmer, no sentido de fazer um filme econômico e com um “refinamento” das antigas em certas situações afetadas. Mas está claro que, inconscientemente, a ideia do narrador surgiu por ter assistido aos filmes do Truffaut. Os filmes que fazemos sempre são enriquecidos pelos filmes que amamos. Acho que foi Truffaut quem disse que um roteiro sempre uma parte de realidade, uma parte de intenção e o resto é do inconsciente. Mas, claro, eu gosto do fato de Truffaut ter se interessado por essa história. O fato de que uma pessoa que você respeita valoriza uma coisa afina seu desejo.

Mas Truffaut não quis fazer esse filme. Você sabe por quê?
Há várias teorias. Ele achou o assunto um pouco moderno demais para a época. O roteiro foi escrito em 1973, o ano em que eu nasci. Louis Malle tinha acabado de fazer Sopro no Coração, sobre o tema do incesto. Gruault também me disse recentemente que a reconstrução histórica do fim da Idade Média o afastou, o que eu entendo perfeitamente. Quando eu li o roteiro, imediatamente pensei que o filme não deveria se passar numa época em particular. Daí a ideia de tornar o filme um musical – que foi a primeira ideia – e impor um formato que me libertaria do contexto histórico.

Quando você fala em musical, pensa-se automaticamente em pele de asno, de demy, outro filme sem uma época determinada – e não só por causa do helicóptero. Não é o mesmo que acontece nesse caso: cada elemento do set ou figurino é real, mas não corresponde a apenas uma época. Não podemos nem falar em anacronismo, uma vez que não há uma era claramente definida. Por falar nisso, em que época o filme se passa?
É sim um filme de época. Uma história que se passa no passado, mas que eu imaginei como um filme de ficção científica. Porque nós não sabemos como o passado foi (mesmo que tenhamos livros), sabemos tão pouco quanto sabemos do futuro. Tinha que ser abordado como uma ficção científica, falar de sentimentos, da forma como as pessoas reagem, nós não sabemos muito… A ideia era construir um mundo: os uniformes dos policiais são uniformes de soldados da Primeira Guerra Mundial, os figurinos das babás (Catherine Mouchet e Alice de Lencquesaing) foram desenhados por Charlotte Gastaut. O figurino da Madame de Ravalet foi inventado. Para o Monsieur de Ravalet, eu tinha uma ideia razoavelmente precisa… Quando os meninos voltavam da escola, eu queria que eles estivessem com um tipo de uniforme, então os fiz vestirem kilts. Os guardas no fim usam chapéu coco e parecem com personagens de O Rei e o Pássaro. Eu queria fazer um filme estilizado.

Voltando a falar sobre Truffaut, que não quis fazer o filme em 1973. Por que era interessante filmá-lo em 2015?
Eu achei interessante esse amor ser tão proibido que não há outra solução além da morte. Quando eles conseguem resistir, preferem seguir a pulsão de vida à pulsão de morte. Mas o amor deles é tão forte que não conseguem se privar de vivê-lo, logo morrem. Vou fazer um paralelo que pode parecer estranho, mas é como ser gay numa sociedade que proíbe isso. Aqueles que vivem sua homossexualidade apesar disso o fazem com o custo de serem sujeitos a humilhação, aprisionamento e até morte. Hoje, nossa sociedade é mais permissiva, é difícil encontrar algo equivalente. Mas o incesto entre irmão e irmã ainda é proibido – sem ser punível por morte, claro. Dito isso, na época em que a história se passa, eles não foram sentenciados à morte por incesto, mas por adultério. O grande problema era ela ser casada, e uma mulher é propriedade do marido. Ainda é assim em algumas sociedades. Isso reflete na liberdade. Em que ponto você decide viver seu amor, seguir sua natureza, mesmo que termine em morte?

E ainda assim não temos a sensação de que Marguerite e Julien sejam rebeldes, ou que queiram burlar a lei.
Mas é isso o que eu acho interessante. A desobediência não necessariamente tem um rosto definido. Você pode ser o filho desobediente de uma boa família. Eles não desobedecem pelo barato da provocação, eles fazem isso quase que apesar de si mesmos. É por isso que não queria que os atores fossem jovens demais. Se tivesse sido o caso, seria fácil culpar sua inocência, imaturidade e indiferença. Eu queria que os atores fossem mais velhos para entendermos que eles sabiam muito bem o que estavam fazendo.

Particularmente no caso de Julien, temos a sensação de que ele fez tudo de caso pensado.
Ele passa por fases terríveis. Quando ele percebe o desejo que sente pela irmã, se avergonha. Tenta resistir. Eles não estão no mesmo nível na história. Marguerite mergulha mais instintivamente. Achei interessante contar uma história em que a premissa está dada: eles estão apaixonados. Não é uma história de amor do tipo “encontro, conquista, término”. É muito difícil contar uma história de amor quando o amor nunca é questionado, porque não há conflito. O conflito vem de fora. A história é contada através do olhar dos outros: da menina órfã, dos pais, do que os outros projetam neles.

Na verdade, Marguerite e Julien falam muito pouco um com o outro.
Eles quase nunca falam. É um filme no qual os heróis não falam um com o outro, porque eles são um de fato. O outro não existe. Quando eles estão juntos, eles não precisam falar porque estão sozinhos, cara a cara consigo mesmos. É uma fusão total. É uma forma de amor que me toca profundamente. Não há embaraço em não falar, não há necessidade de preencher o vazio.  

 Há um entendimento instantâneo.
Eles estão felizes juntos, simplesmente; eles se sentem bem um com o outro. É quase uma coisa animalesca.

Este é um filme que não faz nenhum julgamento moral da questão do incesto.
Sim, mas precisamos ter cuidado quanto a isso, porque nunca foi minha intenção filmar uma apologia ao incesto, de forma alguma. Ao mesmo tempo, não queria que ele fosse condenado no filme. Era muito importante para mim que houvesse oponentes. Quando assisto ao filme, é ótimo ver o pai de Marguerite a reprovando. Eu quero que a plateia fique com eles e com os outros também, indo e voltando, para que todos sejam compreendidos.

E você teve sucesso: os inimigos não são obtusos, eles são bem compreensivos, talvez até um pouco demais, quer sejam os pais ou o padre. É interessante porque não nos vemos diante de pessoas que proíbem o amor deles porque são idiotas. São eles quem estão certos. Nós ficamos divididos mesmo.
Sim, são os outros que estão com a razão. Mas, ao mesmo tempo, as vidas dos nossos filhos não nos pertencem. Podemos ficar dizendo para eles não fazerem alguma coisa e eles fazerem. Mas isso não deve ser visto com tanto capricho. É importante não desgostarmos deles. Tínhamos que sentir empatia por eles, mesmo que não seja fácil.

Você abordou a direção de Marguerite & Julien de uma forma muito diferente de seus outros filmes?
Sim, totalmente. Havia muito mais maquinário, diferente de meus outros filmes. Eu queria fazer um filme com um visual muito diferente. E queria um filme maior: havia cavalos, muitos figurantes…

O filme é visualmente bonito. Como foi o trabalho com a diretora de fotografia Céline Bozon?
Céline e eu falamos muito. Fiquei muito feliz por trabalhar de novo com ela. Eu dei umas orientações bem conflitantes para ela: queria que o filme fosse em Technicolor e moderno ao mesmo tempo, muito rock’n’ roll, mas que fosse também muito íntimo. Eu estava convencido de que o filme não deveria ser realista. Durante noites usamos um spotlight gigante como a lua; tínhamos que encontrar soluções para dia e noite. Misturamos filme com digital. Filmamos todas as internas diurnas em filme. Todo o resto foi filmado em digital. Eu queria que a carne fosse filmada de uma forma tal que fizesse você sentir que pode tocá-la. Eu queria evitar a imagem digital em alta definição. Queria fazer um filme sensorial. Era importante que o filme tivesse personalidade. Eu não queria que ele fosse apenas bem iluminado, não tinha nenhum interesse nisso. Eu queria um filme pictórico, mas cheio de vida, não congelado.

Ainda assim, às vezes, há certos quadros que ganham vida pouco a pouco…
Sim, a ideia era de um álbum de fotos. Essas cenas sempre indicavam uma mudança dramática. 

Há algo de pesado nessas cenas. Sentimos que você está tecendo um comentário sobre a sociedade. O jantar, por exemplo…
Sim, nesta cena vemos uma mentira social, pois eles querem que ela se case contra sua vontade. Ela usa seu pretendente para deixar o irmão com ciúme. O irmão fica magoado. Os pais falam por falar…

Como foi o trabalho com os atores?
Foi muito difícil, porque nenhuma cena tem diálogo. O filme é narrado, como um livro infantil. Os atores não podiam contar com o texto também, como se estivessem interpretando uma peça de Marivaux, por exemplo. Uma certa gentileza na interpretação tinha que ser mantida, não podia ser nem naturalista nem teatral. Foi difícil encontrar um meio termo. Quando você faz um filme passado no século XVIII, você joga segundo as regras; aqui nós tivemos que inventar as regras.

Como você escolheu o elenco?
Para Julien, foi rápido e fácil. Jérémie Elkaïm foi uma escolha bem óbvia para mim. Ele tem uma melancolia e uma doçura que eram necessárias para Julien, ao mesmo tempo em que ele é sensual, desejável. Julien tinha que ser sedutor, mas não um Don Juan. Tivemos que procurar por Marguerite; precisávamos de alguém compatível com Julien. Então eu organizei os testes de elenco. Fiz testes com dez atrizes. Não queria ver muitas. Sabia que a Marguerite seria uma das dez. Fizemos alguns testes filmados, ao estilo americano, mas de baixo custo. Céline Bozon filmou e André Rigaut cuidou do som. Eu arrumei uns figurinos. Foi como uma filmagem. Todas as atrizes interpretaram as mesmas cenas. Editamos os testes e depois assistimos numa tela de cinema. Anaïs Demoustier era a escolha mais óbvia. Ela era a Marguerite de Julien. Antoine Boulat e eu pensamos e conversamos muito sobre os diferentes personagens. Tínhamos que criar uma família verossímil. Frédéric Pierrot chegou desde o início; ele interpreta o pai tranquilizador perfeitamente. Eu queria que a Madame de Ravalet fosse jovem. Na vida real, é impossível Aurélia Petit ser mãe de Jérémie e Anaïs, mas funciona no filme.

Frédéric Pierrot tem uma bondade e uma doçura que fazem-no parecer muito tranquilizador; ele também tem um lado excêntrico inesperado. Ele parece um lorde meio hippie, com os cabelos e a barba longos, as gravatas-borboletas grandes…
Foi uma referência a alguns heróis do faroeste. Ele se veste um pouco como personagens de faroeste. Sami Frey foi escalado porque eu queria que o padre tivesse uma autoridade natural, um carisma incrível e uma voz real. Para a babá, eu queria alguém surpreendente. Catherine Mouchet é ótima porque você pode imaginar coisas sobre ela, há uma inteligência real. Ela não é apenas uma babá.

O personagem do irmão, interpretado por Bastien Bouillon, parece ser um papel pequeno no início. Ele até parece meio insosso, mas pouco a pouco ganhar um lugar importante.
Foi uma forma de mostrar que todos são contaminados por essa história. O irmão é o fracassado da família no início, mas acaba sendo reconhecido, demonstrando que não é tão fracassado quanto os demais da família, afinal. É ele quem segura as pontas, é ele quem sobrevive àquela família ferida. Acho interessante imaginar que o personagem do irmão, que é tido como não tão inteligente quanto os outros, acaba sendo o menor dos problemas. Estranhamente, ele se fortalece: já no final, ele se veste como o pai e sentimos que vai assumir a liderança, enquanto que Julien, que parece bem em todos os aspectos, acaba tendo um fim catastrófico. Ele desobedece quando não parece estar fazendo isso.

Quais as diferenças entre o roteiro original de Jean Gruault e o seu?
O roteiro de Jean Gruault não tem muitas semelhanças com a versão final. O dele estava muito mais enraizado numa época. Tinha uma qualidade medieval, mais realista, mais cavalheiresca. Era um filme de 20 milhões de euros, um roteiro de 140 páginas, um verdadeiro épico. Eu queria que Marguerite e Julien fossem estrelas, personagens em quem você projeta uma fascinação real. Porque eles vivem uma coisa extraordinária… Nós imaginamos que o que eles vivenciam deve ser mais intenso, mais doloroso, enquanto que, visto de dentro, é a mesma coisa. É só porque as pessoas fazem projeções sobre eles. Foi Jérémie quem pensou no filme sendo narrado por outros. Foi quando conseguimos tornar a história verdadeiramente nossa. Eles tinham que ser vistos, desde o começo, como aberrações de circo. Daí surgiu a ideia de órfãs narrando a história.

Eles são heróis míticos de seu tempo.
Sim, e o filme brinca com a ideia de fazê-los viver de novo. Durante o filme, eles voltam à vida. Desde que o filme foi feito, Marguerite e Julien nunca foram tão populares. Eles têm sua própria página na Wikipédia, enquanto que, ao escrevermos o roteiro, não havia nada, foi difícil encontrar qualquer informação sobre eles. Parece que eles reencarnaram.

A semana (16/2 a 22/2) no Espaço Itaú de Cinema

Veja a seguir os filmes que passarão esta semana no Espaço Itaú de Cinema, que fica no shopping CasaPark (Guará). A programação completa, com todos os horários, você encontra no site oficial da rede: http://www.itaucinemas.com.br/ Antes, confira os valores atualizados dos ingressos do Espaço Itaú de Cinema Brasília:


Salas convencionais (2D):
2ª e 3ª: R$ 27
4ª: R$ 25
5ª a domingo e feriados: R$ 33


Sala 3D 
2ª a 4ª: R$ 34
5ª a domingo e feriados: R$ 39

Sala VIP 
2ª a 4ª: R$ 50
5ª a domingo e feriados: R$ 64


Eu Não Sou Seu Negro – O escritor James Baldwin escreveu uma carta para o seu agente sobre o seu mais recente projeto: terminar o livro Remember This House, que relata a vida e morte de alguns dos amigos do escritor, como Medgar Evers, Malcolm X e Martin Luther King Junior. Com sua morte, em 1987, o manuscrito inacabado foi confiado ao diretor Raoul Peck. 


Ópera na Tela – O Festival Ópera na Tela é uma mostra inédita, totalmente dedicada ao gênero da ópera, com exibição do melhor da temporada europeia recente, realizada em verdadeiros templos da ópera, tornando acessível a atualidade lírica mundial ao público brasileiro. Ópera: Otello.

A Tartaruga Vermelha

A Tartaruga Vermelha – Após sobreviver a um naufrágio, um homem se vê em uma ilha completamente deserta. Lá ele consegue se manter, através da pesca, e tenta construir uma jangada que lhe permita deixar o local. Só que, sempre que ele parte com a embarcação, ela é destruída por um ser misterioso. Logo ele descobre que a causa é uma imensa tartaruga vermelha, com quem manterá uma relação inusitada.

Lion – Uma Jornada Para Casa – Quando tinha apenas cinco anos, o indiano Saroo se perdeu do irmão numa estação de trem de Calcutá e enfrentou grandes desafios para sobreviver sozinho até de ser adotado por uma família australiana. Incapaz de superar o que aconteceu, aos 25 anos ele decide buscar uma forma de reencontrar sua família biológica.


A Qualquer Custo – Dois irmãos, um ex-presidiário e um pai divorciado com dois filhos, perderam a fazenda da família em West Texas e decidem assaltar um banco como uma chance de se reestabelecerem financeiramente. Só que no caminho, a dupla se cruza com um delegado, que tudo fará para capturá-los.


Até o Último Homem – Durante a Segunda Guerra Mundial, o médico do exército Desmond T. Doss (Andrew Garfield) se recusa a pegar em uma arma e matar pessoas, porém, durante a Batalha de Okinawa ele trabalha na ala médica e salva mais de 75 homens, sendo condecorado. O que faz de Doss o primeiro Opositor Consciente da história norte-americana a receber a Medalha de Honra do Congresso.


Cinquenta Tons Mais Escuros

Cinquenta Tons Mais Escuros – Adaptação do segundo livro da trilogia de E. L. James iniciada em Cinquenta Tons de Cinza (2015). Incomodada com os hábitos e atitudes de Christian Grey, Anastasia decide terminar o relacionamento e focar no desenvolvimento de sua carreira. O desejo, porém, fala mais alto e ela logo volta aos jogos sexuais do conturbado empresário.

Toni Erdmann – Winfried é um senhor que gosta de levar a vida com bom humor, fazendo brincadeiras que proporcionem o riso nas pessoas. Seu jeito extrovertido fez com que se afastasse de sua filha, Ines, sempre sisuda e extremamente dedicada ao trabalho. Percebendo o afastameto, Winfried decide visitar a filha na cidade em que ela mora, Budapeste. A iniciativa não dá certo, resultando em vários enfrentamentos entre pai e filha, o que faz com que ele volte para casa. Tempos depois, Winfried ressurge na vida de Ines sob o alter-ego de Toni Erdmann, especialista em contar mentiras bem-intencionadas a todos que ela conhece.


Beleza Oculta – Após uma tragédia pessoal, Howard entra em depressão e passa a escrever cartas para a Morte, o Tempo e o Amor – algo que preocupa seus amigos. Mas o que parece impossível, se torna realidade quando essas três partes do universo decidem responder. Morte, Tempo e Amor vão tentar ensinar o valor da vida para o protagonista.

A Cidade Onde Envelheço – Teresa é uma jovem portuguesa que decide deixar o país para morar no Brasil. Ela vai direto para a casa de Francisca, uma amiga também portuguesa que, há quase um ano, mora em Belo Horizonte. Por mais que tenha aceitado abrigá-la, Francisca está temerosa sobre como será o convívio entre elas, já que aprecia a solidão e a independência que dispõe. Entretanto, logo o jeito descontraído e espevitado de Teresa a contagia, nascendo uma forte ligação entre elas.


Jackie

Jackie – Jacqueline Kennedy, inesperadamente viúva, lida com o trauma nos quatro dias posteriores ao assassinato de seu marido, o então presidente dos Estados Unidos John F. Kennedy.


Estrelas Além do Tempo – 1961. Em plena Guerra Fria, Estados Unidos e União Soviética disputam a supremacia na corrida espacial ao mesmo tempo em que a sociedade norte-americana lida com uma profunda cisão racial, entre brancos e negros. Tal situação é refletida também na NASA, onde um grupo de funcionárias negras é obrigada a trabalhar a parte. É lá que estão Katherine Johnson, Dorothy Vaughn e Mary Jackson, grandes amigas que, além de provar sua competência dia após dia, precisam lidar com o preconceito arraigado para que consigam ascender na hierarquia da NASA.

Minha Vida de Abobrinha – Apelidado Abobrinha, Icare, um sensível menino de nove anos, é deixado pela polícia em um orfanato depois que sua mãe falece. Deslocado neste novo universo, ele aos poucos começa a se relacionar com as outras crianças e descobre o significado de amizade e confiança.



Lego Batman – O Filme
Lego Batman: O Filme – Spin-off de Uma Aventura Lego. Batman descobre que acidentalmente adotou um garoto órfão, que se torna ninguém menos que Robin. A dupla formada pelo arrogante Homem-Morcego e o empolgado ajudante deve combater o crime e prender o Coringa.



Redemoinho – Baseado no livro “O Mundo Inimigo – Inferno Provisório Vol. II”, de Luiz Ruffato. Em Cataguases, cidade de Minas Gerais, dois amigos acabam se reencontrando após muito tempo separados. Na véspera de Natal, os dois se reúnem para uma conversa regada a muita bebida, que desperta em Luzimar e Gildo, a oportunidade de reavaliar seus caminhos e de falar sobre suas lembranças, seus remorsos e suas alegrias.


La La Land – Ao chegar em Los Angeles o pianista de jazz Sebastian conhece a atriz iniciante Mia e os dois se apaixonam perdidamente. Em busca de oportunidades para suas carreiras na competitiva cidade, os jovens tentam fazer o relacionamento amoroso dar certo enquanto perseguem fama e sucesso.

Aliados – Em uma missão para eliminar um embaixador nazista em Casablanca, no Marrocos, os espiões Max Vatan e Marianne Beausejour se apaixonam perdidamente e decidem se casar. Os problemas começam anos depois, com suspeitas sobre uma conexão entre Marianne e os alemães. Intrigado, Max decide investigar o passado da companheira e os dias de felicidade do casal vão por água abaixo.

A mulherada cai no fight e na vingança em Vale da Luta

*Por Clara Camarano – redacao@cine61.com.br

O norte-americano Rob Hawk estreou na direção com um retrato fidedigno do preconceito que acomete o seu estado: New Jersey, o quatro líder de grupos racistas radicais dos Estados Unidos. O racismo extremo de ambos os lados – negros e brancos – , o territorialismo, a ganância, os confrontos diretos e uma demarcação bem nítida de “onde você pode pisar” deram estofo para o seu primeiro longa-metragem: Vale da Luta.
O filme estreou com todos estes ganchos, mas desta vez são as mulheres que caem na porrada. Brancas X Negras. Territorialistas X Turistas. A história tem como foco a vingança. No centro está Tori Coro (Chelsea Durkalec), uma jovem de 22 anos que resolve sair da casa da mãe para morar com o pai na cidade de Camden (New Jersey). Mal sabe ela, no entanto, que terá que lutar para ganhar a vida e se proteger do racismo e da perigosa área conhecida como Vale da Luta, local onde ninguém sai sem apanhar.
Após se envolver em brigas, a jovem acaba por entrar no crime e é brutalmente assassinada. É neste momento que sua namorada, Duke (Erin O’ Brien), e a irmã mais velha de Tori, a centrada Windsor (Susie Celek), resolvem unir forças para descobrir quem matou a moça. Patricinha e desconhecedora do perigoso Vale da Luta, Windsor terá que contar também com a ajuda de uma das mais temíveis lutadoras: Jabs (interpretada pela lutadora de UFC Miesha Tate).
A trama de ação e drama é até interessante, mas peca no excesso de trilha sonora que cansa quem quer escuta o filme. Assim como as lutas que revelam movimentos sujos, não ensaiados. As atrizes também são retilíneas na interpretação, mas encaram bem o mundo que o diretor, que é famoso como dançarino de break e ainda skatista, quis mostrar. O universo do subúrbio e do preconceito, onde deve-se orar para sair vivo.

Cotação do Cine61: Cine61Cine61Cine61

Veja aqui o trailer do filme Vale da Luta:

Fight Valley (2016, EUA) Dirigido por Rob Hawk. Com Susie Celek, Miesha Tate, Erin O’Brien, Kari J. Kramer, Cabrina Collesides, Chelsea Durkalec…

CCBB apresenta A vida lá fora: O cinema de Jean Renoir

A mostra A vida lá fora: O cinema de Jean Renoir chega ao Centro Cultural Banco do Brasil Brasília de 15 de fevereiro e 13 de março de 2017. A obra de Jean Renoir ganha quatro semanas de uma rica programação sob curadoria de Júlio Bezerra. Trata-se da preciosa oportunidade de conferir uma retrospectiva dedicada, não somente a exibir as grandes obras deste cineasta superlativo, mas interessada também em ampliar e promover a discussão em torno do cinema de Jean Renoir.

A Regra do Jogo

O público vai conferir trinta filmes dirigidos pelo cineasta e mais dois documentários sobre sua vida e obra. Dezesseis títulos serão exibidos em película (35mm) e o restante dos filmes varia entre os formatos de DVD e Blu-Ray.
A mostra ainda conta com um catálogo, a realização de um debate com tradução em Libras e entrada gratuita, uma sessão para cegos e surdos e um curso intensivo gratuito em cada uma das praças do Centro Cultural Banco do Brasil.

Boudu Salvo das Águas 

“O maior cineasta do mundo? Pra mim, ele é francês e se chama Jean Renoir” – declarou ninguém menos que Charles Chaplin. Filho do pintor Auguste Renoir, Jean imprimiu uma sensibilidade visual e um apreço pela vida, tal como ela é vivida, digna de seu pai.  “Detentor de uma enorme variedade de aventuras cinematográficas, entre os primeiros experimentos com a vanguarda, os grandes e os pequenos orçamentos, entre o realismo, o cinema moderno e Hollywood. Sua carreira é tão longa e variada, estabelece um leque tão amplo de inovações estético-narrativas, impõe tamanhos desafios críticos-analíticos”, revela o curador Júlio Bezerra. “Sem Renoir, o cinema teria sido outra coisa. Filho do pintor Auguste Renoir, Jean namorou com a vanguarda e com a indústria, passou por Hollywood e filmou na Índia. Teve pequenos e grandes orçamentos, conheceu o sucesso, o fracasso e a desgraça”, conta o curador.

A Grande Ilusão

A vida lá fora: O cinema de Jean Renoir é uma retrospectiva de um dos cineastas mais importantes da história. A mostra proporciona uma oportunidade rara de ver os filmes de Renoir em película, na melhor qualidade possível, e a preços simbólicos. 



Serviço
A vida lá fora: O cinema de Jean Renoir
Data: De 15 de fevereiro a 13 de março de 2017
Local: Cinema do CCBB (SCES, Trecho 02, lote 22)
Ingressos: R$ 10,00 e 5,00 (Meia-entrada para estudantes, clientes do Banco do Brasil ou maiores de 60 anos)
Informações.: (61) 3108-7600
Funcionamento: de quarta a segunda, das 9h às 21h
Horários de exibição: Conferir a programação no site bb.com.br/cultura
Classificação indicativa: Não recomendado para menores de 12 anos.

Canção da Volta, doloroso drama sobre segredos e vidas

*Por Michel Toronaga – micheltoronaga@cine61.com.br

Marina Person já provou que é muito mais que uma apresentadora da MTV. Dirigiu o filme California e mostrou sua faceta atriz no longa-metragem Canção da Volta, dirigido por Gustavo Rosa de Moura. Na trama, ela interpreta Julia, uma mulher que tentou se matar. A atitude extrema, como já se pode esperar, abalou todas as estruturas familiares.
O marido Eduardo (João Miguel, ótimo como sempre) vive em constante alerta. Ele trabalha numa emissora de televisão e se divide entre a profissão e a tentativa de recuperar a normalidade em casa. Já os filhos lidam com a situação de uma forma diferente. O adolescente Lucas (Francisco Miguez, protagonista de As Melhores Coisas do Mundo) optou pela rebeldia. E a caçula Mari (Stella Hodge) ainda não entende a gravidade do que a mãe fez.
O drama traz elementos de suspense pela imprevisibilidade da história. Não se sabe o que se passa na cabeça de Julia e nem o que ela fará em seguida. É uma personagem sofrida, problemática, que tenta encontrar a felicidade de viver. Mas parece que nem mesmo os esforço de Eduardo bastam. Ele, outra vítima, tenta ter forças para superar o trauma e ser um marido bom.
Todo o elenco está bem, e é uma pena que Marat Descartes (Trabalhar Cansa), um excelente ator, faça apenas uma ponta. Canção da Volta é um bom filme por ser humano, realista. Os personagens são complexos como as pessoas são e suas atitudes vão além do que é certo ou errado. E indo nessa linha da subjetividade humana está um mistério que é revelado próximo do final. É quando se percebe que nem tudo é compartilhado por um casal. E que cada um tem seus segredos e seus demônios particulares.

Cotação do Cine61: DaiblogDaiblogDaiblog

Veja aqui o trailer do filme Canção da Volta:

 

O que o cineasta Robert Zemeckis falou sobre Aliados

Mais do que fazer filmes, o cineasta Robert Zemeckis confessa que ama mexer com as emoções do público. Em Aliados, que estreia no dia 16 de fevereiro, o diretor investiu em cada detalhe para que o espectador pudesse se relacionar com a história contada. Em vídeo divulgado pela Paramount Pictures, ele e a atriz Marion Cotillard falam sobre os bastidores das filmagens e da trama, que se passa durante a Segunda Guerra Mundial.

A produção gira em torno dos espiões Max Vatan (Pitt) e Marianne Beausejour (Marion Cotillard), que, em 1942, se conhecem durante uma missão para eliminar um embaixador nazista, em Casablanca, no Marrocos. Eles acabam se apaixonando e decidem se mudar para Londres e se casar. Os problemas só começam a aparecer anos depois, quando suspeitam sobre uma conexão entre Marianne e os alemães. Intrigado, Max decide investigar o passado da companheira.

Veja uma divertida entrevista comTatá Werneck no Dá Um Play

Tatá Werneck é a convidada especial no Dá um Play, canal do Telecine no YouTube. Em entrevista aos apresentadores Caio Muniz, Moisés Liporage e Klaus Schmaelter, a atriz contou curiosidades de Toc, seu mais novo filme que acaba de estrear nos cinemas. “Não é uma comédia rasgada, é muito mais drama engraçado. Um ‘drama-engraçado-romântico-não-romântico’. É um gênero novo, criamos agora pro cinema. (risos). Quis mesmo contar uma história, que tivesse a ver com a gente, que a gente acreditasse”, contou a atriz, que, apesar de ter toda a liberdade pra improvisar em suas cenas, segurou a onda: “Quem faz comédia se prostitui muito fácil pelo riso. E eu sabia que podia tornar tudo mais engraçado se colocasse o DNA da ‘Tatazisse’ ali, mas não queria fugir da história da personagem que estava sofrendo. A gente priorizou contar essa história de amor.”

No longa, ela interpreta uma estrela das novelas com dificuldade para administrar a vida pessoal e profissional por conta de seu Transtorno Obsessivo Compulsivo. Apesar de ser uma comédia, a protagonista encara momentos dramáticos na trama. “Tinha uma cena em que a rubrica era ‘chora e ri ao mesmo tempo’ e ela foi feita às quatro da manhã, quando eu não conseguia mais raciocinar. Lembro que a gente fez uma vez e foi muito legal. Foi a cena mais difícil”, explicou Tatá.

Trailer e pôster animado de Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell

Um novo cartaz animado de Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell questiona a identidade da protagonista Major (Scarlett Johansson) com as frases: “Não salvaram a sua vida. Eles a roubaram”. A versão em português do material destaca um dos maiores questionamentos da protagonista: sua verdadeira origem.

Baseado na série mangá Ghost in the Shell e no famoso anime homônimo de Mamoru Oshii, o filme acompanha Major, uma híbrida de humano e ciborgue, que lidera um esquadrão de elite especializado no combate a crimes cometidos com uso da tecnologia: a Seção 9. Ela e sua equipe precisam aniquilar um hacker, cujo objetivo é deter os avanços da cibernética. O filme é um lançamento da Paramount Pictures e estreia no Brasil em 30 de março.

 

Com direção de Rupert Sanders (Branca de Neve e o Caçador), o elenco também inclui Juliette Binoche, Pilou Asbæk, Takeshi Kitano, Michael Pitt, Kaori Momoi, Chin Han, Danusia Samal, Lasarus Rtuere, Yutaka Izumihara e Tuwanda Manyimo. Veja o trailer de Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell a seguir:
 

Cinquenta Tons Mais Escuros não tem nada de obscuro

*Por Clara Camarano – redacao@cine61.com.br

O pano de fundo privilegia o erotismo, o jogo perverso da sedução e o sadismo entre dois jovens que aparentemente nada têm em comum: a bela e recatada Anastasia Steele e o misterioso multibilionário Christian Grey, um homem indomável e insaciável. O tema atraente rendeu a trilogia Cinquenta Tons de Cinza, best-seller da inglesa E L James que vendeu mais de 40 milhões de livros. A obra atraiu a indústria cinematográfica e a consequente produção do longa-metragem do primeiro livro, Cinquenta Tons de Cinza. O filme dirigido por Sam Taylor-Johnson recebeu críticas negativas por conta da abordagem leve, que excluiu a principal pegada: o sexo sem pudor.
O segundo  livro, Cinquenta Tons Mais Escuros, estreia nas salas dos cinemas brasileiros com a expectativa de superação do primeiro. Afinal, a própria autora resolveu mudar a direção, que desta vez é assumida por James Foley. O roteiro é do marido de James, Niall Leonard.  A sinopse segue a história de Christian Grey (Jamie Dornan) e Anastasia (Dakota Johnson) após o término de ambos por causa dos comportamentos sádicos do empresário.
No entanto, uma guinada se dá. Anastasia, independente, resolve investir em sua carreira profissional, o que provoca ainda mais o amante, que não desiste nunca do seu foco e começa a aceitar uma quebra de regras. Ele opta por abrir mão dos seus desejos obscuros para ceder à sua louca paixão. Ao mesmo tempo, a jovem se sente mais livre para aceitar o jogo de perversão de Grey.
O filme traz uma leveza e mensagem de esperança aos corações dos eternos românticos, que sairão chorando do cinema. No entanto, para quem tinha expectativa de uma obra fiel ao livro, a decepção será certa. O romance “mamão com açúcar” se mantém e se soma ainda com a ideia perfeita de um relacionamento, com dinheiro, amor e reticências plausíveis. Sexo, de fato, há. E até insinuações ao uso de objetos e de desejos obscuros, assim como a sombra das ex-submissas na vida do protagonista, que é desejado por seu corpo exaltado em  tomadas de close-up. Mas quem busca uma produção visceral, como Ninfomaníaca, do dinamarquês Lars Von Trier, vai ficar na vontade.

Veja aqui o trailer de Cinquenta Tons Mais Escuros:

 

Fifty Shades Darker (2017, EUA) Dirigido por James Foley. Com Dakota Johnson, Jamie Dornan, Tyler Hoechlin, Luke Grimes, Bella Heathcote, Kim Basinger, Max Martini, Rita Ora, Eric Johnson…