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18º Fica – Crítica: Coal India e as vidas queimadas no carvão

*Por Michel Toronaga, da Cidade de Goiás – micheltoronaga@daiblog.com.br

Uma publicidade animada com um harmionoso jingle fala sobre os benefícios da energia elétrica que alimenta um país graças ao carvão. A propaganda mostra casais felizes, progresso e a ideia de uma civilização moderna. Logo em seguida, a música e as imagens mudam de tom e cor quando Coal India começa. E foi bem diferente o que pôde ser visto na telona durante a mostra competitiva do 18º Fica – Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental.

Coal India, documentário alemão da dupla Felix Röben e Ajay Koli, apresenta o trabalho nas minas de carvão perto de Dhanbad, na Índia. Mesmo com o avanço tecnológico, é uma função que só pode ser feita por seres humanos. As máquinas não sabem diferenciar o carvão da pedra, por isso são pessoas que fazem essa separação. Vários indianos enchem de carvões grandes cestas, que são carregadas e despejadas para inúmeros caminhões.

É desta forma, com um extremo trabalho físico, que inúmeros indianos levam a vida. A segunda parte filme mostra os piratas, aqueles que vivem com carvões dos caminhões. Eles pulam e surrupiam algumas pedras negras. Certos motoristas aceitam parar em troca de um suborno. E é impressionante ver adolescentes e crianças trabalhando – até mesmo de noite – numa função ingrata e perigosa.

A fotografia do média-metragem chama a atenção por ser impregnada de carvão e fuligem. Belas imagens mostram a rotina dos trabalhadores, com um sol opaco pela fumaça. Depoimentos sobre a dificuldade de vida – e o otimismo – emocionam pelas triste condições que muitos se submetem ao exercer uma atividade que explora o planeta e destrói a saúde dos envolvidos. Quase não dá para acreditar que Coal India é uma produção recente, já que mostra um trabalho muito primitivo. Uma realidade até então desconhecida por muitos, que revela o poder que o cinema tem em denunciar e apresentar novas visões para o público.
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblog

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Crítica: Coal India e as vidas queimadas no carvão

18º Fica – Crítica: Lembranças de uma infância no Irã

*Por Leonardo Resende, da Cidade de Goiás – hashtagcinema@daiblog.com.br

Não é segredo que o um diretor vive de referências visuais. Toda sua bagagem cultural pode ser refletida no filme. Este fator ganha mais evidência quando um artista realiza uma animação. Maryam Kashkoolinia se apropria perfeitamente deste quesito visual. Contado sob sua perspectiva de quando pequena, Quando Eu Era Uma Criança exemplifica que boas ideias podem ser narradas da maneira mais simples possível. O filme fez parte da mostra competitiva do 18º Fica – Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental.

A animação autobiográfica mostra a contemplação de uma mulher sobre sua infância e os pesadelos lúdicos que sua mãe contou no intuito da proteção. “Entendo a existência da superproteção dos pais e eu quis mostrar nesse filme que esses pesadelos não são a maneira mais saudável de criar uma criança”, destaca a diretora.

Diretora Maryam Kashkoolinia Foto: Aline Arruda

No início do filme, muitos espectadores terão sua curiosidade despertada devido a maneira da cineasta de animar um curta-metragem. Com tons oníricos, Quando Eu Era Uma Criança utiliza técnicas espetaculares. “Eu usei uma caixa de luz e nela coloquei os grãos de areia. Foi com esse material que eu animei a história”, explica. Presenciar uma animação que consegue trazer uma reflexão e uma nostalgia ao mesmo tempo colocando uma técnica surpreendente à favor do contexto cinematográfico é tão incrível quando lembrar dos tempos da infância.
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18º Fica – Crítica: História do ponto de vista dos índios

*Por Leonardo Resende, da Cidade de Goiás – hashtagcinema@daiblog.com.br

Um dos primeiros momentos que o cinema presenciou uma câmera objetiva foi com Tortura do Medo (1960), de Michael Powell. Essa câmera é conhecida por colocar o espectador como um personagem do longa-metragem. Aquele ângulo é o ponto de vista que o diretor quer passar para quem vê. Taego Ãwa é um longa-metragem de documentário que teve sua exibição dentro da Mostra Competitiva do 18º Fica – Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental, evento que acaba hoje (22.08) na Cidade de Goiás. Dirigido pelos irmãos Henrique e Marcela Borela, o filme mostra esse exemplo de pessoalidade dos cineastas.

Foram encontradas cinco mídias VHS na Universidade Federal de Goiás. O material, raro por si só, apresenta registros da indígena Ãwa e serviu de inspiração para que a dupla de diretores fizesse um filme. Após alguns anos, os realizadores conseguiram mais material para rodar Taego Ãwa, documentário que retrata trechos fotográficos e audiovisuais da tribo, que foi expulsa pelos homens brancos.

O material encontrado é extenso, mas esse detalhe é justamente a principal falha da produção.  Diante de tanto material, os irmãos Borela intercalaram filmagens antigas e mais recentes. É realmente incrível ter a oportunidade de acompanhar a vida de uma família indígena por meio de vídeos. O que se tem a impressão, entretanto, é que muitas imagens que aparecem não são tão contextualizadas ou explicadas. É como uma colagem de imagens.

Apesar do filme conseguir bons relatos, sua montagem não favorece um tema tão importante e delicado – índios que foram expulsos de sua terra natal por causa da construção de uma estrada. Caso Taego Ãwa mostrasse mais objetividade em sua narrativa, ele não seria tão massivo. E a denúncia de uma versão dos índios para algo que apenas a Funai tem registro, funcionaria ainda melhor.
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18º Fica – Alê Abreu fala do seu novo trabalho

*Por Michel Toronaga e Leonardo Resende, da Cidade de Goiás – redacao@daiblog.com.br

Alê Abreu é a criatividade em pessoa. Enquanto conversa com a equipe do Daiblog – Diversão * Arte * Informação durante o 18º Fica – Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental, abre um caderno e rabisca ideias, frases e conceitos. Anotar tudo faz parte do processo de construção de suas ideias. O premiado cineasta, responsável por fazer o Brasil concorrer ao Oscar de melhor animação pela primeira vez com o fantástico O Menino e O Mundo, prepara agora seu novo trabalho: Viajantes do Bosque Encantado.

Alê Abreu. Foto: Aline Arruda

“Os projetos vão surgindo na minha vida, na minha frente. É algo quase espontâneo, com uma ideia ou um rabisco, ou até um diálogo. Eu vou colecionando isso em umas pastas no meu estúdio. Chega um momento que eu abro um determinado material e tem mais ideias e anotações”, comenta sobre sua forma de criar. “A partir desse instante, eu separei uma pousada em São João da Boa Vista no interior de São Paulo, onde planejei minha reclusão por alguns dias e vou abrir tudo isso e descobrir que filme existe aqui.”

Viajantes do Bosque Encantado

A reportagem tem a oportunidade de ver, com exclusividade, alguns desenhos de Alê. E ele mostra os protagonistas, feitos com traços fofos. São duas “crianças-bicho”, como ele mesmo define. “Um urso e um lobo, que são agentes secretos dos seus reinos: do Sol e da Lua. Eles são inimigos mortais e estão em constante guerra. Esses dois seres estão perdidos em um bosque encantado”, antecipa Alê.

Garoto Cósmico

O bosque onde a trama se passa é um lugar hostil e perigoso, com gigantes e criaturas fantásticas. “A questão é que ambos se encontram em uma missão secreta que eles precisam andar juntos. Resumindo, é um filme sobre a força da amizade”, resume o artista. Os personagens, com cerca de sete e oito anos de idade, vão viver uma aventura que será diferente de O Menino e O Mundo.

O Menino e O Mundo

Viajantes terá muitos diálogos e um ritmo mais ágil. “Eu acho que ele conversa mais com o Garoto Cósmico do que com O Menino e o Mundo. Acho que está no caminho, porque tem o quê da poesia do Menino e o Mundo e tem o quê de aventura do Garoto Cósmico em outros momentos. Talvez seja um filme menos abstrato do que Menino, é uma outra linguagem e uma outra narrativa. Quanto às técnicas utilizadas, Alê disse que será um meio-termo entre a simplicidade tradicional Garoto e a exuberância eclética de Menino. Agora é esperar para ver. A pré-produção de Viajantes do Bosque Encantado deve começar no primeiro trimestre de 2017. E estão previstos 30 meses de produção. Em 2019 o longa deve começar o circuito de festivais.

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18º Fica – Roteiro gastronômico para cinéfilos

*Por Michel Toronaga, da Cidade de Goiás – micheltoronaga@daiblog.com.br

O Daiblog – Diversão * Arte * Informação é um site de cinema, mas aproveitando a cobertura do 18º Fica – Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental, evento que vai até domingo, na Cidade Goiás (a 386 km de Brasília), vale a pena falar um pouco sobre a gastronomia local por ser diferenciada. E quem quiser ir para o próximo Fica pode contar com estas dicas. A terra da poetisa Cora Coralina conta com delícias da culinária goiana em toda a cidade.

Delícias veganas do Dedo de Prosa Café e Bistrô Restaurante 

Arroz com pequi, escondidinho de mandioca com carne de panela e outros pratos bem temperados podem ser encontrados com facilidade na Cidade de Goiás. O restaurante Flor de Ipê, por exemplo, traz uma mesa de self-service a vontade. Vale não apenas pelo sabor, mas também pelo lugar. Repleto de flores e plantas, é um cantinho muito agradável para se fazer uma refeição.

A sorveteria fica dentro do Coreto. Foto: Michel Toronaga

Para dar uma aliviada no calor, uma boa pedida é tomar uma gostosura refrescante no tradicional Coreto, que fica no meio da cidade. Dentro da construção existe uma sorveteria com preços doces: R$ 2,50 a bola ou um picolé. Os sabores também chamam a atenção. Além de tradicionais opções como morango ou coco, há espaço para frutas tradicionais do cerrado. O Daiblog indica o sorvete de baru (uma espécie de amendoim) ou murici (uma fruta bem doce). Também na cidade há a sorveteria Kuka Freska, com mais variedade.

Doces tradicionais goianos

E se o assunto é doce, não faltam casinhas que vendem doces cristalizados, compotas e licores e cachaças artesanais. Ambrosia, doce de leite, figos e outros são feitos por moradores locais e vendidos por toda a cidade. O Daiblog recomenda as casquinhas de laranja cristalizadas. Das bebidas, uma das mais pedidas é a cachaça de jenipapo.

A beleza do Restaurante Flor de Ipê

Para quem quiser comer algo menos local e mais nacional, o jantar do restaurante Ouro Fino conta com mais de 50 sabores de pizzas. Com a massa fininha e muito recheio, é uma alternativa saborosa para quem quer dar um tempo nos temperos de Goiás. A de peperoni é uma delícia. Quem quiser inovar pode escolher uma com purê de batata e carne seca.

Panqueca de espinafre com recheio de carne de jaca do Dedo de Prosa Café e Bistrô Restaurante

A comida tradicional do local não é a única opção. Quem segue uma dieta rígida pode conferir o Dedo de Prosa Café e Bistrô Restaurante. O local consegue atender todos os públicos misturando tanto as refeições comuns quanto funcionais. Se você é vegetariano ou vegano, Dedo de Prosa é uma excelente opção. Sem repetir o cardápio, a chef consegue inovar todos os dias com alimentos alternativos, utilizando todas as partes dos alimentos em surpreendentes sabores.

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18º Fica – Crítica: Vozes de Chernobyl vai além da tragédia

*Por Michel Toronaga, da Cidade de Goiás – micheltoronaga@daiblog.com.br

O desastre nuclear de Chernobyl marcou a história de gerações e ficou conhecido internacionalmente, mas ainda há muito a ser contado sobre a tragédia. E é isso que  pode ser visto no maravilhoso longa-metragem Vozes de Chernobyl, dirigido com sensibilidade por Pol Cruchten. O filme fez parte da mostra competitiva do 18º Fica – Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental, evento que vai até domingo, na Cidade Goiás (a 386 km de Brasília).

O documentário foi baseado no livro da bielo-russa Svetlana Aleksiévitch, Prêmio Nobel de Literatura. O texto é formado por uma série de depoimentos de pessoas que  sobreviveram na época da catástrofe. São relatos extremamente comoventes, que ganham uma dramaticidade maior ainda por causa das imagens que acompanham os casos.  Resultado de uma bem trabalhada fotografia, cenas poéticas procuram não dramatizar o que é narrado, mas sim o sentimento de cada palavra.

O público conhece diversas histórias tocantes, como a esposa que perdeu o marido; e outras pessoas que, de uma forma ou de outra, tiveram suas vidas alteradas  drasticamente por causa da radioatividade. Vozes de Chernobyl choca e comove por mostrar que o que aconteceu em 1985 foi muito pior do que se pode imaginar. A cobertura da mídia na época não mostrou todos os detalhes do que aconteceu.

Vale ser visto por ser um exemplo de documentário que consegue emocionar mais do que uma obra de ficção. É o tipo de trabalho que continua com o público após a exibição, provocando reflexões sobre a temática. É impossível não conter as lágrimas. O filme teve sua estreia internacional no Fica, de onde seguirá para outros festivais de cinema.
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblogDaiblogDaiblog

Veja aqui o trailer do filme Vozes de Chernobyl:




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Entrevista com a cineasta Momoko Seto

18º Fica – Entrevista com a cineasta Momoko Seto

*Por Leonardo Resende, da Cidade de Goiás – hashtagcinema@daiblog.com.br

Planeta Sigma é a obra realizada pela cineasta japonesa Momoko Seto. É um curta-metragem de animação que utilizou métodos como time lapse (aceleração de frames) e foto série, além de uma elaborada sonoplastia para compor um universo totalmente imaginário. A diretora conta com exclusividade ao Daiblog – Diversão, Arte e Informação como foi a criação deste filme, que retrata o ambiente minúsculo dos insetos. Leia a crítica aqui.

Como funcionou o processo criativo do filme?
Para mostrar o avanço do crescimento do fungo, usamos o time lapse. Ele levou três semanas para crescer. Ao fotografar cada semana, fizemos uma foto série. Além das fotos, eu filmei em slow-motion (câmera lenta). Em algumas cenas, nós aceleramos os frames e outras reduzimos a velocidade. Intercalei estas duas velocidades.

Foto: Aline Arruda/Divulgação

Planeta Sigma integra uma série de vários filmes. O que eles têm em comum?
Ainda quado estudava realizei o Planeta A (2008), que é sobre a água e o gelo. Filmamos o sal que visualmente parece gelo. Em 2011, realizei outro filme chamado Planeta Z, onde também usei o fungo – assim como Planeta Sigma – e vários outros elementos ecológicos.

Um fator que deixou alguns espectadores curiosos foi a movimentação dos insetos. Você utilizou quais técnicas para as filmagens?
No princípio usamos insetos mortos. Os congelei e, no momento de descongelar, usei a mesma técnica de filmagem do fungo. Queríamos mostrar o instante do derretimento. Após isso, trocamos os insetos “mortos” por insetos vivos. Então os insetos não foram prejudicados. São apenas “atores” diferentes.

Planeta Sigma

A subjetividade é um dos pilares do seu filme. É um estilo que você adotou para todas as obras?
Meus filmes apontam a importância da natureza e dos insetos – é claro – mostrando que eles são os principais protagonistas. Não são pessoas ou animais, são abelhas, gafanhotos, formigas, dentre outros. Este fator também retrata o ponto de vista de um ser minúsculo que é contrastado com a imensidão do universo que ele vive. É um elemento que é muito intenso porque quero mostrar que nós não somos o centro do universo. Outro componente que colabora para essa subjetividade é a ausência do diálogo. A falta dele faz com que facilite o que eu quero mostrar ao público e também deixa o filme subjetivo. Eu que sou de origem japonesa, não consigo transpor todas aquelas ideias por causa da tradução e das nuances de cada cultura. Muito se perde nessa transição, ao contrário dos diálogos, este som é de linguagem universal.

Planeta Sigma


Na trilha sonora e na edição de som, todos foram compostos originalmente?
Usamos uma composição de sons com diversos objetos. Todas as cenas carecem de som originalmente. Fizemos tudo do zero, tais ruídos não existem, por exemplo: quando uma abelha voa em câmera lenta, não sabemos de fato qual foi a sonância. Outro exemplo do filme é quando o morango está apodrecendo. Também não se sabe qual é o barulho. Ao compor cada som tivemos que ter o cuidado de sermos muito realistas. Além disso, aumentamos o grave de cada ruído, para que nossa percepção fosse trapaceada ao alimentar nossa imaginação.

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A sétima arte possui muitos seguidores, porém não são todos que adoram o cinema. Por isso o Fica – Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental de 2016 separou uma programação musical eclética que inclui desde show de Daniel Jobim a Elba Ramalho e Geraldo Azevedo. O evento vai até domingo, na Cidade Goiás (a 386 km de Brasília).

A emoção da abertura dos Jogos Olímpicos pode ser reprisada na noite deste sábado (20 de agosto). Responsável por executar Garota de Ipanema no momento do desfile da modelo Gisele Bündchen, Daniel Jobim realiza um concerto especial nos jardins do Palácio Conde dos Arcos, na Cidade de Goiás. O artista se apresenta com suas músicas e do seu avô, Tom Jobim. Sua apresentação acontece às 18h.

Além do músico, o Fica 2016 marca o encontro de Elba Ramalho e Geraldo Azevedo, na Praça de Eventos Beira Rio, às 20h. Os cantores nomearam o show de Um Encontro Inesquecível para marcar a parceria de quase 40 anos. O repertório é formado por sucessos como Veja Margarida, De Volta pro Aconchego, dentre outras. O show encerra a programação do Fica 2016 no domingo (21 de agosto),

A programação musical conta ainda com show de bandas locais, como é o caso do grupo Carne Doce. Todas as atrações têm entrada franca.


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Crítica: O lado mais fraco da corda.

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*Por Michel Toronaga, da Cidade de Goiás – micheltoronaga@daiblog.com.br

A segunda noite da mostra competitiva do 18º Fica – Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental provocou diversas sensações no público. Um dos destaques exibidos no período da tarde foi documentário Vidas Flutuantes. Dirigido por Haoban Paban Kumar, filme indiano que aborda uma terrível situação: o despejo de uma série de famílias do lago Loktak.

Vivendo da pesca, comunidades inteiras foram expulsas pelo governo por causa de uma lei que culpava os moradores pela poluição do lago. A questão é: todo o lixo que contaminou o Loktak veio das grandes cidades, sendo que os moradores nunca foram os responsáveis pela contaminação das águas.

O filme mostra a luta diária de pescadores que tentam impedir que o governo derrube suas casas, que são choupanas flutuantes feitas de biomassa. E é nesse cenário de ativismo e luta por direitos que se percebe que a corda se rompe sempre pelo lado mais fraco. O Fica 2016 vai até domingo, na Cidade de Goiás (a 386 km de Brasília).
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Para quem conhece o cinema precursor, os diálogos eram intercalados com diversas imagens em preto e branco. O texto das projeções era um suporte de entendimento do espectador. Porém, existem filmes que conseguem a proeza de projetar apenas imagens sem qualquer descrição ou explicação. Planeta Sigma, de Momoko Seto, é um exemplo claro desta subjetividade cinematográfica. A animação stop-motion está na mostra competitiva do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental 2016, evento que vai até o dia 22 de agosto na Cidade de Goiás (a 386 km de Brasília).

O filme retrata um planeta desolado pelo gelo. Com uma temperatura de -50ºC, cenas de insetos gigantes e paisagens pré-históricas são fotografadas em câmeras lentas e rápidas, registrando uma sucessão ecológica. Alguns filmes necessitam de textos e explicações. Não porque subestimem o intelecto do público, mas pelo fato das imagens serem muito desconexas. Um fator que pode fazer uma obra tão belíssima quanto pretensiosa. Planeta Sigma percorre o oposto, a fotografia detalhada desperta a curiosidade e incita a imaginação de quem vê.

Em um período em que o cinema não contextualiza o significado das cenas e abraça a pretensão, Planeta Sigma consegue emergir o observador fazendo o mesmo interpretar as projeções de acordo com sua imaginação e bagagem. Caso os vanguardistas presenciassem a sublime obra de Momoko, seu objetivo de transpor quem vê a tela no filme seria realizado com sucesso.
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