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#788-Simplesmente complicado

Nancy Meyers pode ser considerada uma especialista em comédias românticas. Constam no seu currículo títulos como Alguém tem que ceder e O amor não tira férias. O novo trabalho da cineasta é Simplesmente complicado, longa-metragem que não é apenas mais um por diversos motivos. E o principal deles é a presença da versátil Meryl Streep (O diabo veste Prada, O suspeito, Julie e Julia) no elenco.

Ela interpreta Jane, uma mulher que está divorciada há 10 anos. Ela segue a vida se dedicando ao trabalho (uma confeitaria), enquanto acompanha o crescimento dos três filhos. Enquanto isso o ex-marido Jake (Alec Baldwin, de Amigos, amigos, mulheres à parte e Madagascar 2 – A grande escapada) casou-se novamente com uma mulher mais jovem (Lake Bell, de Força policial, Nem por cima do meu cadáver, Jogo de amor em Las Vegas).

Simplesmente complicado
Começar um relacionamento do zero?

As coisas começam a mudar quando Jane conhece Adam (Steve Martin, de A pantera cor de rosa), o arquiteto que fará uma reforma em sua casa. À medida que ela vai planejando os novos cômodos, envolve-se novamente com o ex-marido. Surge aí um dilema por Jane se tornar uma amante e colaborar com a infidelidade do homem. E como existe a possibilidade de se tentar algo novo com o solteiro Adam, está formado um triângulo amoroso cheio de dúvidas.

Simplesmente complicado
Ou tentar recomeçar um amor?

O roteiro de Nancy Meyers é repleto de cenas de humor e momentos realmente divertidos. O interessante em Simplesmente complicado é que os protagonistas não são jovens como na maioria das comédias românticas que aparecem nos cinemas. Os personagens são mais experientes, mas nem por isso deixam de ser imaturos em determinados momentos. Uma trama leve que mostra que nunca é tarde para se encontrar alguém (por mais clichê que isso possa soar!).
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblog

It’s Complicated (EUA, 2009) Dirigido por Nancy Meyers. Com eryl Streep, Steve Martin, Alec Baldwin, John Krasinski, Lake Bell. Mary Kay Place. Rita Wilson. Alexandra Wentworth, Hunter Parrish, Zoe Kazan, Caitlin Fitzgerald, Emjay Anthony, Nora Dunn…

Daiblog Quer ver o filme Simplesmente complicado?

Veja aqui o trailer do filme Simplesmente complicado legendado em português:

#787-Um olhar do paraíso

O novo trabalho de Peter Jackson (O senhor dos anéis, King Kong) não é uma superprodução que conta com efeitos especiais de última geração. Ao invés de ter criaturas fantásticas como personagem, o roteiro conta a história dramática de Susie Salmon (Saoirse Ronan, de Desejo e reparação), uma adolescente que foi estuprada e assassinada pelo vizinho (interpretado por Stanley Tucci, de Julie e Julia, Space chimps – Micos no espaço, O corajoso ratinho Despereaux).

Após perder a vida, Susie observa como anda a vida no mundo dos vivos. Vê desde o sofrimento do pai (vivido por Mark Wahlberg, de Max Payne e Fim dos tempos) e da mãe (Rachel Weisz, de Um beijo roubado) até o alívio do assassino que consegue sair imune do crime mesmo com a investigação policial.

Um olhar do paraiso
Um anjo assassinado

Baseado em um best-seller, a trama tem tudo para agradar o público espírita, pois mostra a vida depois da morte. Cheio de reflexões, o longa-metragem apresenta belas imagens para mostrar o território insólito onde a protagonista se encontra. São paisagens fantásticas assim como o drama romântico Amor além da vida.

Um olhar do paraiso
O criminoso

Um olhar do paraíso é um filme bom, mas que poderia ser melhor se fosse mais curto. A resolução final não chega a surpreender, porém o longa tem o mérito de conseguir prender a atenção. Peter Jackson sabe trabalhar com dramas e o exemplo disso é o ótimo Almas gêmeas. Só que este não é um dos seus melhores. Também está no elenco Susan Sarandon (Speed Racer, Encantada).
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblog

The Lovely Bones (EUA / Reino Unido / Nova Zelândia, 2009) Dirigido por Peter Jackson. Com Rachel Weisz, Mark Wahlberg, Saoirse Ronan. Com Rachel Weisz, Mark Wahlberg, Saoirse Ronan, Stanley Tucci, Jake Abel, Susan Sarandon, Reece Ritchie, Michael Imperioli, Rose McIver, Nikki SooHoo, Amanda Michalka, Thomas McCarthy, Carolyn Dando…

Veja aqui o trailer do filme Um olhar do paraíso legendado em português:

Sugestões de locação

Sugestões de locação

Se você não gosta de Carnaval e tem dor de cabeça só de escutar samba-enredo, a equipe do Daiblog fez uma pequena lista com 6 sugestões de filmes para você alugar e aproveitar o feriado de uma forma mais tranquila! Tem sugestões para todos os gostos: de terror até clássicos. Vale a pena dar uma conferida ou assistir novamente.

Sugestões de Michel Toronaga:

DaiblogOs olhos da cidade são meus

Sinopse: John (Michael Lerner) é funcionário de uma clínica de oftalmologia, mas acaba perdendo o emprego por causa de sua incompetência profissional. Ele vive sob os domínios de sua estranha mãe, uma velha psicótica e vingativa, que o hipnotiza e ordena que saia pelas ruas coletando olhos humanos. Todos os olhos da cidade serão nossos, ela profetiza. A partir daí, mergulhamos num delirante estudo sobre o poder hipnótico do cinema, quando a violência nas telas confunde-se com acontecimentos da vida real.

Os olhos da cidade sao meus

Por que assistir? Porque é um suspense inteligente e tenso. O ideal é fosse visto no cinema para a metalinguagem funcionar ainda melhor. Mesmo assim é uma boa pedida para quem gosta de terror. No elenco está Zelda Rubinstein (a anã vidente de Poltergeist, o Fenômeno). E uma curiosidade: o filme é de Bigas Lunas, que é conhecido por dirigir produções eróticas. O filme infelizmente será refilmado e a nova versão sai em 2011. Clique aqui para ler mais.
Angustia (Espanha, 1987) Dirigido por Bigas Luna. Com Zelda Rubinstein, Michael Lerner, Talia Paul, Àngel Jové, Clara Pastor, Isabel García Lorca, Nat Baker, Edward Ledden…
Veja aqui o trailer do filme Os olhos da cidade são meus.

DaiblogEstômago

Sinopse: Na vida há os que devoram e os que são devorados. Raimundo Nonato descobre um caminho à parte: ele cozinha. É nas cozinhas de um boteco, de restaurante italiano e de uma prisão – o que ele fez para acabar ali? – que Nonato vive sua intrigante história. E também aprende as regras da sociedade dos que devoram ou são devorados. Regras que ele usa a seu favor, porque mesmo os cozinheiros têm direito a comer sua parte – e eles sabem mais do que ninguém, qual é a parte melhor.

Daiblog
Por que assistir? Estômago é um dos melhores filmes nacionais que eu já vi. É bem produzido e divertido. É o tipo de indicação que eu dou para quem ainda tem preconceito em relação a cinema brasileiro. O senso de humor negro pode não ser para todos, mas acho muito difícil alguém não simpatizar com o personagem de João Miguel. Eu recomendo! Clique aqui para ler mais.

Estômago (Brasil / Itália, 2007) Dirigido por: Marcos Jorge Com: João Miguel, Fabiula Nascimento, Babu Santana, Carlo Briani, Zeca Cenovicz, Paulo Miklos, Andrea Fumagalli…

Veja aqui o trailer do filme Estômago.

Sugestões de Daniel Sabbagh:
DaiblogColateral

Sinopse: Vincent (Tom Cruise – Missão: Impossível 3) é um frio e calculista assassino profissional no auge do negócio. Max (Jamie Foxx) é um taxista com muitos sonhos e nenhuma realização. Nesta noite fatídica, Max vai levar Vincent a seu próximo trabalho: uma noite, cinco paradas, cinco golpes e uma fuga. Seus caminhos se cruzam, suas vidas entram em colisão – nenhum dos dois jamais será o mesmo. Esta noite tudo vai mudar… “A dinâmica e ágil habilidade para filmes de ação” do diretor Michael Mann “jamais foi tão boa” (revista Film Comment) como neste suspense de primeira linha, que o Los Angeles Times chamou de “perfeito”.

colateral

Porque assistir? Provavelmente um dos melhores trabalhos do Tom Cruise nos últimos tempos. É impressionante como ele conseguiu encarnar o assassino profissional Vincent. Filme tenso e com ótimas atuações. Merece ser assistido por qualquer um que goste de bons personagens, diálogos bem feitos e ação na medida certa.

Veja aqui o trailer do filme Colateral:

DaiblogGattaca – A experiência genética
Sinopse: Sendo um dos últimos seres “naturais” nascido em um mundo geneticamente concebido, Vincent Freeman (Ethan Hawke) não possui nenhum DNA planejado que vai lhe garantir o sucesso. Desesperado para realizar o seu sonho de explorar o espaço, Vincent resolve assumir a identidade de um atleta considerado geneticamente superior (Jude Law). Para evitar de ser descoberto, Vincent se torna um dos experts da Estação Espacial Gattaca, chamando a atenção de uma atraente colega de trabalho (Uma Thurman). Mas quando um diretor do vôo é brutalmente assassinado, uma pista deixada na cena do crime ameaça acabar com os planos de Vincent.

Gattaca

Por que assistir? Gattaca é um filme que trata de um assunto que não deve demorar muito pra se tornar realidade. Com muitos momentos tensos e que prendem a atenção com maestria, é um drama/ficção científica que não é cansativo de assistir. Um exemplo perfeito de que é possível conseguir qualquer coisa com força de vontade.

Veja aqui o trailer do filme Gattaca – A experiência genética.

Sugestões de Pedro Bueno:
DaiblogDe volta para o futuro
Sinopse: Ultimamente ando numa vibe anos 80, então, minha primeira dica é um dos símbolos dos anos 80: De volta para o futuro. No trama, um inventor chamado Dr. Emmet Brown (vivido brilhantemente por Chistopher Lloyd) cria uma máquina do tempo em um DeLorean, mas o necessário para alimentar o carro é plutônio, o que faz com que ele roube de um grupo de terroristas. Durante a demonstração da máquina para o seu amigo Marty McFly (Michael J. Fox, na melhor atuação de sua carreira), os terroristas acham o Dr. Brown e o matam. Marty, ao fugir, acaba ligando acidentalmente a máquina do tempo, indo parar em 1955, o ano em que seus pais eram adolescentes e acaba mudando todo o futuro. Então Marty precisa localizar o Dr. Brown de 1955 e fazer com que ele mande-o de volta para 1985 e salvar a própria existência, uma vez que sua mãe se apaixonou por ele e não pelo seu pai.

de volta para o futuro

Por que assistir? De volta para o futuro marcou a década de 80 e a infância de muita gente. Sou de uma década a frente, mas cresci com esses filmes, e esse em especial tem um lugar muito querido no meu coração, pois é uma grande aventura com uma história inusitada, atuações inesquecíveis, uma trilha sonora espetacular e o diretor Robert Zemeckis em seu melhor. Esse é um filme que com certeza ficará sempre no coração de espectadores em muitas décadas que virão, porque mesmo tendo sido feito nos anos 80, ele permanece atual. É uma aventura que todos nós gostaríamos de participar, afinal a premissa é uma pergunta que nós nos fizemos pelo menos uma vez na adolescência: “como eram nossos pais na escola?” Simplesmente inesquecível.
Back to the Future (USA, 1985) Dirigido por Robert Zemeckis, com Michael J. Fox, Christopher Lloyd, Lea Thompson, Crispin Glover, Thomas F. Wilson, Claudia Wells, Billy Zane e Wendie Jo Sperber
Veja aqui o trailer do filme De volta para o futuro.

DaiblogET – O extraterrestre
Sinopse:
Continuando na década de 80, ET conta a história de uma garotinho filho de pais separados, que não recebe atenção da família. Um dia em seu quintal ele descobre um pequeno ET, um ser vindo de outro planeta. Ele então acolhe esse ser em sua casa e cuida dele como se fosse um bichinho. Percebe que esse pequeno extraterrestre tem mais em comum com ele do que muitos garotos de sua idade. Mas o ET precisa voltar pra casa, então começa uma corrida contra o tempo para manda-lo de volta para seu planeta antes que o exército o descubra.

ET o extra-terrestre

Por que assistir? Esse pode ser considerado um dos maiores clássicos do cinema moderno. Tendo muitos momentos conhecidos por todos, como a cena da bicicleta voando contra a lua, o ET com seu dedo brilhante encostando no dedo machucado do menino e a famosa frase “ET telefone”. Esse filme, assim como De volta para o futuro é atemporal. É um filme extremamente emocionante, que tira lágrimas de muito marmanjo em seu final. Merece ser conferido não só por sua importância para o cinema, mas também por ter um excelente roteiro difícil de se encontrar hoje em dia. Steven Spielberg é um Midas do cinema, quase tudo em que ele coloca as mãos vira um clássico instantâneo: Indiana Jones, o próprio De volta para o futuro (onde age como produtor), Jurassic Park e ET. Coloque esses filmes para seus filhos, sobrinhos, netos, junte toda a criançada para assistir ET. Eles com certeza vão gostar.

E.T.: The Extra-Terrestrial (USA, 1982) Dirigido por Steven Spielberg, com Henry Thomas, Drew Barrymore, Dee Wallace, Peter Coyote, C. Thmoa howell, K.C. Martel, Sean Frye, Robert MacNaughton, David M. O’Dell e Robert Barton

Veja aqui o trailer do filme ET – O Extraterrestre.

#785-Zumbilândia

*Por Pedro Bueno

George A. Romero pode ser considerado o pai do gênero de zumbis no cinema. Foi ele que definiu as regras do estilo, como a máxima do filme de zumbis: atire na cabeça para matar. Desde então o cinema nos presenteia com exemplares parecidos, onde de vez em quando temos algo que se destaca, como REC, Extermínio (de Danny Boyle) e Madrugada dos mortos, de Zack Snyder – sendo esse último o remake de um filme do próprio Romero.

Então, em 2010 chega aos cinemas brasileiros Zumbilândia, do estreante Ruben Fleischer. E podemos dizer que o longa traz algo novo para um gênero que começa a se desgastar. Assim como Todo mundo quase morto (de Edgar Wright), o diretor faz graça com os “desmortos”, caprichando no humor negro e na ação. Os créditos iniciais já são um espetáculo por si só, em câmera lentíssima mostrando zumbis atras de suas vítimas.

Zumbilandia
Quarteto de sobreviventesA sinopse do filme é a mesma de sempre: em um mundo tomado por zumbis, os protagonistas tem de lutar para sobreviver, sempre em busca da prometida terra livre dos mortos vivos. Parece familiar não é? Mas não é na premissa que o filme se destaca, é nos seus personagens.

Zumbilandia
“Eu quero a nova boneca da Xuxa!”Os protagonistas Columbus (Jesse Eisenberg, em seu primeiro filme) e Tallahassee (Woody Harrelson, 2012) tem uma química impressionante desde o primeiro momento em que se encontram, além de diálogos divertidíssimos. As coadjuvantes também não decepcionam, a novinha Little Rock (Abigail Breslin, Pequena Miss Sunshine, Sem reservas) e sua irmã mais velha Wichita (Emma Stone, Superbad – É hoje), que é o interesse romântico de Columbus. Vale notar que nenhum dos personagens tem nome, sendo chamados pelo nome da cidade de onde vieram.
Zumbilandia
Ação, terror e comédiaÉ difícil explicar o que faz desse filme tão bom. É aquele tipo de longa que faz você sair da sala do cinema com um sorriso no rosto. Mesmo que o longa seja sobre um apocalipse zumbi, os personagens tem esse poder. Vale também mencionar a divertidíssima participação de Bill Murray. No mais, Zumbilândia vale muito a pena assistir, recomendo.
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblogDaiblogDaiblog

Zombieland (EUA, 2009) Dirigido por Ruben Fleischer, Com Woody Harrelson, Jesse Eisenberg, Emma Stone, Abigail Breslin, Amber Heard, Bill Murray e Derek Graf

Daiblog Quer ver o filme Zumbilandia?

Veja aqui o trailer do filme Zumbilândia legendado em português:

Cinema Especial – Percy Jackson e o ladrão de raios

O escritor Rick Riordan, que deu aulas de mitologia grega durante anos em escolas na Califórnia e no Texas, teve a ideia que se tornaria o primeiro livro da série Percy Jackson (ao qual se seguiram outros quatro romances e a conquista de milhões de fãs) depois de ler para o filho Haley as sagas do heróis gregos da Antiguidade, na hora de dormir.

“Quando se esgotaram os mitos, meu filho ficou decepcionado”, relata o escritor em seu site. “Ele me perguntou se eu podia inventar mais histórias com os mesmos personagens. Eu me lembrei de um antigo projeto de redação que adotava com meus alunos do sexto ano, em que cada um podia criar seu próprio herói semideus, filho ou filha do deus que desejasse, descrevendo uma missão do herói no estilo das tragédias gregas”.

Ele continua: “Então inventei Percy Jackson e contei a Haley tudo sobre sua jornada para recuperar o raio de Zeus nos Estados Unidos dos dias de hoje. Levei três noites para contar a história inteira, e quando acabei Haley me disse que eu devia escrever um livro com a história”.

Percy Jackson e o ladrao de raios

As três noites evoluíram para uma verdadeira odisseia de um ano para Riordan concluir seu livro dirigido a jovens leitores (ele já era o autor consagrado de diversos romances, sendo o primeiro o livro de mistério da série Tres Navarre, Big Red Tequila, de 1997).

Riordan conta: “Escolhi alguns dos meus alunos do sexto, sétimo e oitavo anos e perguntei se gostariam de fazer um ‘test drive’ do romance. Eu estava nervoso! Estava acostumado a mostrar meu trabalho a adultos e não tinha a menor idéia se os garotos iam gostar de Percy. Finalmente entendi como deviam se sentir ao entregar um trabalho para mim, aguardando a nota que lhes seria atribuída! Felizmente, eles gostaram. E ainda deram boas sugestões”.

Após a publicação do livro, em 2005, levaria cinco anos até que Hollywood transformasse a primeira história da série Percy Jackson em filme. Enquanto o estúdio trabalhava nisso, Riordan deu continuidade à série, escrevendo um novo romance por ano entre 2006 e 2009.

Chris Columbus conta por que se interessou por Percy Jackson & os Olimpianos: o Ladrão de Raios: “Nunca vimos o universo da mitologia grega em um filme desse tipo. Rick Riordan realizou algo único, singular, juntando a Grécia antiga com a América contemporânea”.

Percy Jackson e o ladrao de raios

O mundo da fantasia não é novidade para Columbus. Além de ter lançado a franquia “Harry Potter”, dirigindo os dois primeiros filmes e produzindo o terceiro, também obteve imenso sucesso com três de seus primeiros roteiros originais: “Gremlins”, “Os Goonies” e “O Enigma da Pirâmide”.

Columbus descreve seu novo trabalho como um filme em que uma aventura contemporânea se encontra com a mitologia grega, em vez de um filme de época puramente baseado na Grécia antiga, com os deuses usando túnicas e sentados em nuvens. “Esta história é um épico mais centrado na realidade, ao mesmo tempo mostrando uma batalha sinistra e sobrenatural entre o Bem e o Mal”, ele descreve.

Percy Jackson e o ladrao de raios

O diretor escolheu um ex-colaborador para fazer a adaptação do livro para as telas: Craig Titley, com quem Columbus e seus sócios de produção na 1492 Pictures haviam trabalhado na comédia “Doze É Demais”. A formação acadêmica de Titley em mitologia grega era um bônus que vinha bem a calhar. “Chris sabia que eu estava obtendo um título de Ph.D. em estudos de mitologia quando me enviou o livro. Eu tinha acabado de concluir os estudos e achei que seria perfeito, pois naquele momento eu tinha a mente mergulhada nos mitos gregos de monstros e heróis. E a verdade é que era exatamente o tipo de filme que eu desejava ver desde que era criança. A mitologia sempre fez sucesso e está havendo um revival na cultura pop”.

Antes mesmo de Titley entregar o roteiro, Columbus e o produtor Michael Barnathan apresentaram suas ideias para um filme de “Percy Jackson” ao estúdio, posteriormente criando arte conceitual para melhor ilustrar tais ideias. “Essa arte conceitual refletia a abordagem de Chris e o tom que o filme teria”, ressalta Barnathan. “Era importante para o Chris desenhar alguns monstros e criaturas claramente baseados na mitologia grega, porém atualizando-os de maneira que nunca tivesse sido vista. Então, começamos com a arte conceitual no papel. O estúdio ficou empolgado e percebeu que seria muito mais do que apenas um filme para jovens”.

Percy Jackson e o ladrao de raios

Definido o visual do projeto, os realizadores se voltaram para o roteiro. “É um livro maravilhoso, mas não dá para colocar tudo que está no livro num filme”, explica Barnathan. “Tentamos manter a essência da história, dos personagens e do mundo que Rick criou, transportando-os para um contexto cinematográfico”.

Titley diz: “Uma das maiores mudanças foi aumentar a idade de Percy e seus amigos. No livro ele tem doze anos. Seria mais divertido ele ter dezessete. Nessa idade, poderíamos jogar com o relacionamento de Percy e Annabeth”.

Columbus acrescenta: “Achei a história perfeita porque tinha um mundo fantástico de mitologia grega, povoado de monstros gregos que poderíamos criar e inserir em nosso mundo. O centro da história é um rapaz que quer salvar a mãe e descobrir quem é o pai. Isso deu muita emoção à história. É o tipo de história que me estimula como diretor”.

Percy Jackson e o ladrao de raios

“O filme também trata da relação entre pais e filhos”, enfatiza Barnathan. “É o tema que permeia a história e que costuma estar presente nos filmes de Chris. No centro de seus filmes está a família. Em ‘Esqueceram de Mim’ há um menino que se perdeu dos pais. Em ‘Uma Babá Quase Perfeita’, os meninos tentam reconciliar a mãe e o pai. Aqui temos um rapaz em busca do pai e resgatando a mãe, para refazer a família”.

“O que motiva Percy a encarar essa tremenda jornada é salvar a mãe”, afirma o ator Logan Lerman, intérprete de Percy. Ele continua: “Para ele isso é mais importante do que salvar o mundo. No caminho, ele descobre que a mãe está viva e ficará refém de Hades até que Percy entregue o raio a ele. Então, o Percy tem que encontrar um jeito de ir ao Mundo dos Mortos e convencer Hades de que é inocente, tudo isso para resgatar sua mãe. É isso que o motiva a percorrer distâncias e enfrentar a Hidra e a Medusa, além de várias outras aventuras. Ele passa por essa odisséia com a companhia de dois amigos, para convencer Zeus, Hades e todos os deuses de que é inocente e não roubou o raio. Mas o principal é resgatar sua mãe”.

Percy Jackson e o ladrao de raios

Lerman foi escolhido para o papel do herói principal depois que Chris Columbus assistiu ao faroeste “Os Indomáveis”. Mas os dados já estavam lançados antes disso. Columbus recorda o processo de escalação: “Meu assistente, que trabalha comigo há anos, me disse há uns dois anos que se eu quisesse um jovem astro para um filme deveria ver o filme ‘Os Indomáveis’, com Logan Lerman. Assisti ao filme e vi que se tratava de um ótimo ator. Na escalação para ‘Percy Jackson’, lembrei de Logan. Quando o conheci, ele me conquistou imediatamente, e achei que ele tinha potencial para se tornar um astro de cinema. Ele fez um teste de vídeo e fiquei muito impressionado. Logan parece um homem de quarenta num corpo de dezessete anos. Seus instintos são notáveis. Acredito firmemente que Logan tem talento para se tornar o próximo Leonardo DiCaprio. Ele transmite realismo e intensidade, de um modo que não se encontra em muitos garotos de sua idade. Ele é fantástico”.

Percy Jackson e o ladrao de raios

Além da oportunidade de trabalhar com Columbus, Lerman ficou entusiasmado por trabalhar em uma grande produção. “É um filmaço! Eu nunca tinha participado de uma superprodução. E com Chris Columbus ligado ao projeto, esse cineasta incrível… Eu não poderia colocar minha carreira melhores mãos”, diz Lerman.

E prossegue: “Quando tudo começou, eu ainda não sabia qual seria o meu personagem. Quando soube que faria o protagonista, pensei, ‘Quem eu enganei para conseguir chegar até aqui?’ Eu não imaginava o quanto era grandioso, até chegar a Vancouver para o início das filmagens e ver aqueles cenários incríveis. Eles construíram o Partenon, o Metropolitan Museum of Art, o Monte Olimpo e o enorme Hotel e Cassino Lotus”.

Sempre tomando conta de Percy está seu melhor amigo, Grover, criatura mitológica conhecida como sátiro – metade homem, metade bode, parecido com o fauno da mitologia romana. Grover é encarregado de proteger Percy na odisseia transcontinental, e isso representa dois desafios diversos: ele é um novato nessa história de protetor, e como é típico dos sátiros, não resiste às mulheres. Este segundo aspecto não passou em branco quando Jackson fez pesquisa para o papel. O ator detalha: “São criaturas selvagens e Grover tem questões com as mulheres. Na mitologia, os sátiros estavam sempre perto das ninfas. No filme, Grover é apaixonado por Perséfone [esposa de Hades, interpretada por Rosario Dawson] e ela por ele. Mas ele não está acostumado a ter uma deusa interessada nele, já que é apenas um sátiro”.

Percy Jackson e o ladrao de raios

Jackson, que deixou crescer um cavanhaque para o papel, remetendo ao tufo de pelos dos bodes, revela: “Ele tem outros problemas, como a insegurança. É muito imaturo como protetor de Percy. É um protetor júnior, não sênior. Ele nem tem chifres ainda”. E o ator revela seu lado de comediante, ao acrescentar: “É estranho porque, quanto mais eu representava o personagem, mais me sentia como um bode. Ao chegar em casa, eu comia latas”.

Columbus conhecia e admirava o trabalho de Jackson na comédia de Ben Stiller “Trovão Tropical”, no entanto não conhecia a atriz que acabaria ajudando a escolher para desempenhar o importante papel da semideusa Annabeth, filha de Atena: Alexandra Daddario. Quem a apresentou foram suas produtoras de elenco de longa data, Jane Jenkins e Janet Hirshenson.

Percy Jackson e o ladrao de raios

O diretor conta: “Tínhamos feito testes de vídeo com várias garotas para a personagem Annabeth. Quando assisti ao teste de vídeo que Alex tinha feito em Nova York, fiquei intrigado. Resolvemos vê-la em filme e eu nunca tinha visto os olhos de ninguém fotografarem daquele jeito. Ela era hipnotizante. E percebi que tinha muita química com Logan e Brandon”.

Trata-se da primeira protagonista de Daddario no cinema, numa carreira que se iniciou na adolescência em Nova York, no seriado diário “All My Children”. Daddario explica sua visão do papel: “‘Percy Jackson e o Ladrão de Raios’ é baseado na premissa de que os deuses gregos vieram à Terra e tiveram filhos com mortais. Depois, seus filhos foram deixados vagando pela Terra, porque os semideuses são proibidos de conhecer os pais. Annabeth não conhece a mãe, Atena, mas de vez em quando a ouve falar, dando conselhos à filha. Ela tem uma ligação com a mãe, mas também ressentimento por nunca a ter visto a mãe”.

Percy Jackson e o ladrao de raios

Alexandra Daddario vê semelhanças entre ela e a personagem: “Uma das coisas que mais admiro na personagem é o fato de ela ser muito forte. Fiz a leitura de muitas personagens para mulheres da minha idade que ainda não têm a personalidade e o caráter totalmente formados. Já Annabeth é uma personagem forte, bastante complexa, plenamente formada. Tem um bom equilíbrio entre emoção e força”.

Para Jake Abel, as cenas no campo de treinamento foram um dos pontos altos da produção. Ele comenta: “O campo de treinamento é uma espécie de lar adotivo para semideuses. É lá que meu personagem, Luke, além de Percy, Grover, Annabeth e todos os semideuses são treinados. Chiron nos ensina a usar nossos melhores atributos contra o Mal. Os semideuses também aprendem a importância de manter seus poderes sob controle, pois eles poderiam dominar o mundo, o que resultaria na destruição do planeta. Então Chiron nos ensinar a controlar nossos poderes e a usá-los para o Bem”.

Percy Jackson e o ladrão de raios

Abel e seus colegas de elenco apreciaram a companhia uns dos outros ao filmar tais cenas, além de passarem um mês fazendo exercícios para entrar em forma de semideuses. “Todo dia de manhã nós treinávamos com o pessoal das cenas de ação. Começava com esgrima e voo. Isso também nos ajudou a fazer amizade bem rápido”.

A trajetória de Percy e seus amigos os leva a um contato próximo com os deuses, tanto do Bem quanto do Mal. Ao escalar o elenco que personificaria os deuses, Columbus e Barnathan descobriram que os livros da série Percy Jackson eram um grande atrativo. “Tivemos muita sorte com o elenco que conseguimos reunir para o filme”, declara Barnathan. “Bons materiais atraem bons profissionais. E desde o princípio alguns profissionais aceitavam o papel porque algum parente gostava do livro. Foi o caso de Pierce Brosnan, cujos filhos adoram o livro”.

Percy Jackson e o ladrao de raios

Brosnan, que na época colhia os louros do sucesso do musical “Mamma Mia!”, desempenha o papel de Chiron, o Centauro, o majestoso e poderoso líder do campo de treinamento especial de semideuses. “Eu interpreto o professor de Percy, Brunner, e também Chiron, que na verdade são um só. Sou o professor Brunner neste mundo, neste tempo. Ele dá aulas de mitologia grega e anda numa cadeira de rodas. Ninguém sabe o motivo de ele usar cadeira de rodas até que ele nos transporte para o mundo da mitologia grega. No decorrer da jornada de Percy, eu me torno Chiron, metade homem, metade cavalo, ou seja, um centauro”, conta Brosnan.

“Chiron está ligado à mitologia de seu tempo, o de antigamente e o de hoje”, continua o ator. “Eu intervenho para tentar impedir a guerra, que afetaria o equilíbrio da natureza. Se os deuses criarem o caos para os mortais, haverá conseqüências terríveis para todo o planeta”.

Para que o ator tivesse a verdadeira noção do peso de uma cabeça de cavalo, Brosnan andou em “painter’s stilts”, suportes semelhantes às pernas de pau, porém de metal, que mediam em torno de trinta centímetros de altura. O departamento de objetos de cena confeccionou um bastão para o personagem carregar, e a partir daí ele voltou às suas raízes no teatro. Ele conta: “Eu tinha uma companhia de teatro de rua chamada Theater Spiel, e nós costumávamos andar em pernas de pau, engolir fogo, nos apresentar como palhaços. Para trabalhar em ‘Percy Jackson’ eu visitei alguns haras no Canadá antes das filmagens. Depois, foi só fingir por conta própria”.

Percy Jackson e o ladrao de raios

Brosnan contracena bastante com os jovens atores Logan Lerman, Brandon T. Jackson, Alexandra Daddario e Jake Abel, mas não com o elenco adulto, que inclui Steve Coogan e Rosario Dawson, como o conflituoso casal do Mundo dos Mortos, Hades e Perséfone. Segundo Coogan: “Hades persegue Percy Jackson, atrás do raio de Zeus, que desapareceu. Interpretei um Hades viciado no Mal. Ele não deseja ser mau, mas não consegue evitar. Mas há também um lado cômico do personagem. O desafio e a oportunidade que o papel apresentava era encontrar o equilíbrio entre os momentos cômicos sem diminuir o peso de interpretar um deus”.

Coogan encontrou inspiração para o papel no figurino de Hades. “Os realizadores queriam que Hades parecesse um deus do rock. Então uso calça e botas de pele de cobra, camiseta rasgada, cabelo comprido e barba; um visual bem estilizado. O figurino foi parte da chave para o personagem. Ele é vaidoso, e imagino que um astro do rock pode se comportar mal com uma certa impunidade. Todos esses elementos físicos me ajudaram a encontrar o tom do personagem”.

Se Coogan personificou um deus do rock como Hades, ele teve a sorte de contracenar – além de ocupar uma mansão magnífica preparada pelo desenhista de produção Howard Cummings – com a deusa das telas Rosario Dawson, que interpreta a esposa de Hades, Perséfone. Dawson ficou particularmente intrigada com a dinâmica do casal. “É uma relação cáustica. Ela fica presa no Mundo dos Mortos. Ela odeia esse lugar e odeia Hades por isso. Eu os vejo como duas pessoas que se sentem muito à vontade odiando um ao outro”.

Percy Jackson e o ladrao de raios

“Hades e Perséfone moram no mundo dos Mortos, que fica sob Los Angeles, o que é perfeito, pois são completamente narcisistas”, prossegue a atriz. “Modernizá-los, fazendo deles um casal contemporâneo se encaixa perfeitamente. Achei interessante criarem o inferno embaixo de Los Angeles. É quase pungente ver essas duas pessoas, dois deuses, brigando e se odiando no inferno, como num casamento hollywoodiano desastroso. Talvez o inferno seja isso”.

Para o papel do pai de Perséfone, Zeus, o líder supremo do Olimpo e do universo, os realizadores escolheram o carismático ator inglês Sean Bean. Trata-se de outro retrato épico na vasta galeria de caracterizações de Bean no cinema, entre elas Odisseu (ou Ulisses, como era conhecido na mitologia romana), o líder do exército grego que derrota Tróia, na grande produção de Wolfgang Petersen “Tróia”, e o orgulhoso guerreiro Boromir na trilogia de Peter Jackson “O Senhor dos Anéis”.

“Sempre me interessei bastante por mitologia grega, os mitos e lendas. Adoro os ciúmes e conflitos de Zeus. Não é toda hora que se tem a chance de interpretar o rei dos deuses. Zeus é um deus bem carismático e perverso. Gosta de se divertir com mulheres e também de jogar com os outros. Mas é muito poderoso, majestoso”.

Percy Jackson e o ladrao de raios

Foi o público infantil que fez Kevin McKidd, que atua como Poseidon, o irmão e arquirrival de Zeus, interessar-se pelo projeto. “Nunca havia feito nada que pudesse ser visto por crianças, meus trabalhos foram sempre para adultos. E meu filho tinha acabado de ler os três primeiros livros da série Percy Jackson; ele ficou fissurado. É um especialista em Percy Jackson. Acredito que todos os públicos vão se identificar com a história e os personagens”, diz o ator.

Outro atrativo de Percy Jackson são suas criaturas, sobretudo a mortífera Medusa, que nas telas ganha vida na pele de Uma Thurman. “Achei que Uma daria uma Medusa fascinante. É uma das mulheres mais belas do mundo, e ao mesmo tempo consegue causar medo, pavor. Eu precisava dessa combinação para a Medusa, alguém capaz de atrair o olhar, por ser tão hipnótica”.

“A Medusa é uma figura tanto clássica quanto contemporânea”, diz Uma Thurman. “Tem uma atitude bem moderna, tem estilo, mas a cabeça mantém a visão tradicional da Medusa: cobras sibilando, que transformam em pedra quem olhar para ela”.

Percy Jackson e o ladrao de raios

Uma Thurman observa que a Medusa é uma personagem complexa, cujas habilidades são um poder, porém também uma maldição. “Gostei da ideia de ela ser atormentada pela solidão, que é seu castigo. Você pode viver para sempre, mas isso não serve de muita coisa se cada vez que alguém olha para você vira pedra. A Medusa é louca e solitária, vagando no museu de sua vida”.

Barnathan lembra de como foi hipnótico ouvir Thurman falar sobre a personagem. Ele relata: “Quando Uma chegou, parecia um furacão de tantas ideias. Ela tinha pensado em como ia interagir com as cobras, o ‘cabelo’ da Medusa’. Ficamos todos impressionados com ela, ouvindo-a falar de como via a Medusa e como interpretaria a personagem”.

Embora as cobras sejam criadas em computador, Columbus convocou um domador com algumas cobras de verdade para interagir com Thurman durante os ensaios. “Gostei de lidar com as cobras. Interpretei a Medusa como uma solitária, que só pode conversar com elas. As cobras de verdade me ajudaram a definir como eu me movimentaria e a acolher o lado louco e monstruoso da personagem”.

Percy Jackson e o ladrao de raios

O penteado de cobras geradas por computação gráfica é um dos muitos efeitos criados pelo supervisor de efeitos visuais Kevin Mack. Além do imponente centauro de Brosnan, o mago dos efeitos visuais premiado com o Oscar (“Amor Além da Vida”) também transformou o ator Brandon T. Jackson num sátiro, metade homem, metade bode.

Para dar vida vida ao mundo físico de “Percy Jackson”, Columbus recorreu ao veterano desenhista de produção Howard Cummings. Entre os diversos cenários que ele projetou para o épico de fantasia de Columbus (ele confirma que num dado momento tinha oito cenários diferentes sendo construídos simultaneamente) há uma réplica do Partenon de Atenas, tal qual existe no Centennial Park de Nashville, EUA, um cenário gigantesco no Mammoth Studios, onde Columbus deu início à produção. Também foram construídos vários cenários no North Shore Studios (ex-Lions Gate, no norte de Vancouver).

“O Partenon era uma réplica completa do interior daquele que foi construído em Nashville”, diz Cummings sobre o majestoso cenário. “Só as dimensões dele já o tornavam divertido. Acabamos optando por usar muita espuma e outros materiais que eram fáceis de deslocar”.

Percy Jackson e o ladrao de raios

Um dos componentes-chave do cenário era uma atraente estátua de nove metros da deusa Atena, esculpida na espuma de poliestireno styrofoam, em quatro partes separadas, unidas de maneira imperceptível, e posicionada entre as imensas colunas do Partenon. Embora composta de espuma, a escultura inteira depois de concluída chegava a pesar mais de 453 quilos.

Outro cenário significativo era o centro de treinamento especial, um enclave secreto, acessível somente aos que nasceram imortais, onde os semideuses desenvolvem suas habilidades de luta, preparando-se para suas missões. Erguido em um acampamento popular no Golden Ears Provincial Park, nas lindas e serenas margens do Lago Alouette, era composto de meia dúzia de barracas de inspiração grega, repletas de espadas, escudos e armaduras, onde os moradores da região de North Beach, a leste de Vancouver, costumam ver apenas carros com trailers e cadeiras dobráveis. À beira do lago, a equipe de Cummings construiu o prédio mais impressionante de todo o campo dos semideuses, o barco residência de Poseidon, onde Chiron revela a Percy que seu pai é o deus dos mares e um dos Três Grandes Deuses Olimpianos.

Cummings e sua equipe também criaram duas versões do Monte Olimpo para os momentos de clímax da história, quando Percy confronta os deuses em relação ao desaparecimento do raio. É o momento em que Percy mostra seu ponto de vista de um simples humano, em contraste com um par de imensas portas de dez metros que se abrem para a sala do trono dos Olimpianos, e o lado oposto do mesmo cenário, o do interior do templo de dez metros de altura dos deuses, onde as doze deidades exercem sua soberania.

Percy Jackson e o ladrao de raios

“Contar a história do Monte Olimpo envolvia grandes dimensões”, ressalta Cummings. “Parte da história é que os deuses estão dez metros acima do nosso herói, Percy. Propositalmente reduzi o tamanho do cenário dos deuses para que eles parecessem maiores. Com alguns truques, fica parecendo que tem dois andares de altura. E o contrário acontece no momento em que Percy chega. O Monte Olimpo precisava de textura, envelhecimento, e uma sensação de que estava ali há muito tempo”, ele explica.

O enorme cenário do Hotel e Cassino Lotus foi construído no Mammoth Studios, em Burnaby, nos arredores de Vancouver. “No Hotel e Cassino Lotus, igualmente baseado na mitologia grega, os garotos entram no cassino, que no início parece apenas isso, um cassino”, Columbus revela. “É como um parque de diversões gigantesco que não acaba nunca, a maior fantasia de uma criança. Nossos três heróis recebem flores comestíveis, que quando são ingeridas induzem ao esquecimento e a uma vontade de nunca mais ir embora. Portanto, se você ficar no Hotel e Cassino Lotus, nunca envelhece e pode ficar ali para sempre. Eles se dão conta de que estão aprisionados, e cinco dias passam como se fosse um minuto. Precisam escapar e encontrar o raio”.

Percy Jackson e o ladrão de raios

Cummings recorreu à fantasia ao projetar a mansão em estilo gótico, mergulhada em sombras cinza e negras, de onde Hades comanda o Mundo dos Mortos. A mansão espetacular tem uma lareira grande e um piano que vale meio milhão de dólares. Este reforçou a faceta de roqueiro envelhecido de Hades, imaginada por Columbus e pelo ator Steve Coogan.

Outro cenário fundamental era o covil da Medusa, uma estufa e loja de jardinagem (chamada de Auntie Em’s; em português, Loja da tia Em) onde ela tenta impedir Percy de procurar o raio desaparecido transformando-o em pedra com um único olhar. O covil foi erguido em uma estufa em Vancouver, à qual os realizadores acrescentaram magia com a ajuda de centenas de plantas mortas, muitas obtidas gratuitamente de cultivos locais após uma geada tardia no início da primavera; isso se encaixou muito bem no mundo da Medusa, em que, segundo a lenda, basta que um humano olhe para ela uma vez para ser transformado em pedra.

Percy Jackson e o ladrão de raios

O cenário serviu de pano de fundo para Kevin Mack operar sua magia com a computação gráfica, para melhorar a aparência de Uma Thurman como o ser demoníaco cujo cabelo é composto de um ninho de cobras sibilantes. Thurman usou um capacete de tela azul ao longo dos quatro dias em que esteve no set de filmagens, sobre o qual os magos de Mack criaram o monte de répteis. “Durante o trabalho no set, Uma tocava na cabeça e acariciava as cobras, imaginando como seriam e como estariam se mexendo”, lembra Mack. “Foi fantástico porque ela é muito imaginativa, o que contribuiu para o resultado da parte de sua personagem gerada em computador”.

Mack também criou um Minotauro de mais de três metros que ataca Percy e sua mãe quando estão a caminho do campo de treinamento. “O Minotauro não é aquele tradicional homem com cabeça de touro, e sim metade homem, metade búfalo; e tem um corpo que pode correr sobre quatro patas”, detalha Mack. E há ainda os Cães do Inferno, seres horripilantes que parecem cães pré-históricos deformados e que guardam a entrada da mansão de Hades; e a lendária Hidra de várias cabeças, que ataca o trio dentro do Museu do Partenon.

Percy Jackson e o ladrão de raios

Em meio a todos esses efeitos visuais impressionantes, Chris Columbus nunca perdeu de vista a história nem a trajetória dos personagens. “Antes de mais nada, Chris sabe como contar uma história”, enfatiza Mack. E completa: “É sempre bom ter um excelente contador de histórias como Chris na direção, pois ele coloca isso em primeiro lugar. Nosso trabalho era dar suporte à história”. E Columbus acrescenta: “O maior desafio é não exagerar nas imagens geradas por computador, e sim usá-las para deixar tudo mais emocionante. O bom do CGI e dos efeitos digitais é que estão ficando cada vez mais realistas, e o desafio está em mostrar ao público algo inédito”.

O veterano cineasta, que acaba de concluir seu 15º projeto como diretor, numa carreira estelar de mais de 25 anos, reitera que o público jamais viu algo como “Percy Jackson e o Ladrão de Raios”, e conclui: “Estou me sentindo um garotinho que adora filmes com coisas que nunca viu. E eu não vi o mundo da mitologia grega retratado desta forma. Amo esse universo, é muito emocionante. Estou muito empolgado com o filme”.

#784-Preciosa

Existem dramas que são tão tocantes que fazem qualquer um chorar, como April bride ou Sempre ao seu lado. Preciosa tem tudo para comover, mas não provoca lágrimas. Cria um nó na garganta e uma sensação preocupante por sabermos que o roteiro possui muitos elementos da vida real. Não é apenas um filme de ficção. É uma obra que realmente te da um soco no estômago e mostra uma realidade extremamente triste.

O filme conta a história de Preciosa (a estreante Gabourey Sidibe), uma jovem negra e obesa de 16 anos que está grávida do segundo filho. Como se não bastasse a complicação natural da adolescência e da responsabilidade materna, ela ainda sofre nas mãos da mãe abusiva (Mo’Nique). Além de enfrentar problemas em casa, ela sofre preconceito na escola e na rua. E se isto já é o bastante para alguém se considerar infeliz saiba que a trama guarda ainda mais surpresas.

Preciosa
AmarguradaCom direção de Lee Daniels, o longa-metragem tem como principal ponto as atuações do elenco, todas convincentes. E é uma surpresa saber que a cantora Mariah Carey se despiu de todo o glamour para interpretar uma pessoa comum. Outro nome do universo da música que participa da produção é Lenny Kravitz, que da vida a um enfermeiro. As atrizes Paula Patton (Espelhos do medo), Sherri Shepherd (Madagascar 2) são alguns dos nomes do filme.

Preciosa
Escola alternativaIndicado a 6 Oscars, Preciosa merece ser conferido. A história é ambientada na década de 80 num bairro de periferia dos Estados Unidos, mas a protagonista existe em vários países até hoje. E isso que faz com que o resultado seja tão forte, realista e brutal. (Leia mais sobre o livro que deu origem ao filme e curiosidades da produção clicando aqui)
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblogDaiblog

Precious: Based on the Novel Push by Sapphire (EUA, 2009) Dirigido por Lee Daniels. Com Gabourey Sidibe, Mo’Nique, Paula Patton, Mariah Carey, Sherri Shepherd, Lenny Kravitz, Stephanie Andujar, Chyna Layne, Amina Robinson, Xosha Roquemore…

Daiblog Quer ver o filme Preciosa?

Veja aqui o trailer do filme Preciosa legendado em português:

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Cinema Especial – Preciosa

Daiblog Especial Preciosa

O produtor e diretor Lee Daniels fez a leitura de Push, o romance de Sapphire, pela primeira vez, logo que o livro foi publicado, no ano de 1996. “Tive que respirar fundo, porque me afetou demais. Eu conhecia muitas pessoas que estavam a um passo de serem os personagens do livro – foram identificáveis para mim, em todos os níveis humanos”. Daniels também se identificou com a ambientação do livro, que é feita na década de 80. “Tenho familiaridade com a linguagem, com as palavras e termos políticos e culturais sobre os quais ela escreveu, pois aquele era o meu mundo, à época. E, é claro, eu reagi da forma como todo mundo faria, ao ler – reconheci a honestidade na forma de sua narrativa da história”.

Push foi o primeiro romance escrito por Sapphire, uma poetisa residente em Nova York, previamente conhecida por suas performances e sua poesia, com participação da coleção American Dreams (1994), que contém retratações sobre as vidas das pessoas vítimas da pobreza, violência e abuso. “Essas pessoas não são invisíveis”, conta Sapphire. “Nós ouvimos falar sobre elas todos os dias. Mas elas são muito mal interpretadas, e eu quis mostrar o que existe por trás das estatísticas”. Assim como a Srta. Rain, em seu livro, Sapphire trabalhou no Harlem, lecionando e escrevendo para adolescentes e adultos. “A inspiração para retratar Precious foi sua resignação, inteligência, e a beleza de tantas das jovens a quem lecionei, e acabaram perseverando, apesar das circunstâncias terríveis de suas vidas”, conta ela.

Preciosa

Sob todos os aspectos, Push é um livro extremamente chocante que apresenta grandes desafios aos leitores. “Eu realmente tentei forçar todos os limites, pois senti que era preciso”, conta Sapphire. “As histórias que eu contei precisavam ser contadas”. Daniels e o roteirista Geoffrey Fletcher enfrentaram uma tarefa assustadora: fazer um filme que estivesse o mais próximo possível da verdade da alma do livro sem alienar o público, devido à pungência do conteúdo. “Nós sabíamos que não poderíamos contar exatamente da forma como havia sido escrito”, conta Daniels. “Seria simplesmente pesado demais”.

Daniels encontrou seu tom para Precious ao incorporar suas próprias lembranças de infância ao personagem da moça. “Eu nunca sofri abuso sexual, mas fui sofri abuso físico”, conta Daniels. “Quando aconteciam coisas ruins comigo, eu fantasiava”. Daniels relata uma lembrança ”Quando eu tinha doze anos, vi uma pessoa ser assassinada. Eu me lembro claramente de ingressar numa bolha e me transformar num príncipe de roupa prateada. Eu simplesmente fiquei ali, para que não sentisse a dor. Minha imaginação foi a forma de Deus para me proteger e manter minha sanidade”.

Preciosa

Recorrendo à vida fantasiosa da infância de Daniels, o roteiro de Paul permitiu que Precious temporariamente escapasse de sua realidade cruel. Paul também elaborou alguns dos papéis coadjuvantes: O enfermeiro John (interpretado por Lenny Kravitz), mencionado apenas de relance no livro, foi um personagem essencial ao acrescentar compaixão ao mundo de Precious; e a recepcionista da escola alternativa, Cornrows (interpretada por Sherri Shepherd) teve seu papel incrementado por problemas com o namorado e um senso de humor insolente.

O financiamento para PRECIOSA veio através dos produtores Gary Magness e Sarah Siegel-Magness da produtora Smokewood Entertainment Group (SEG), que fizeram uma parceria com Daniels para a produção de “Tennessee”. “Eu não conhecia o livro anteriormente, mas logo descobri que se tratava de um livro importante, com forte efeito sobre vários de meus amigos que o haviam lido no Segundo Grau”, conta Sarah Siegel-Magness. “Quando eu e meu marido abrimos nossa produtora, estávamos decididos a contar grandes histórias. E isso é o que descreve Push. Realmente não importa qual é o seu nível sócio-econômico, pois o livro realmente irá prendê-lo”. Siegel Magness assumiu um papel significativo na produção e esteve presente no set de filmagens diariamente. “O apoio de Sarah foi inabalável”, conta Daniels. “Ela me dava muita força positiva, para que eu conseguisse dar o melhor de mim”.

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A seleção de elenco para PRECIOSA foi um desafio enorme. “Depois que você passa pelo pessoal inscrito através da agência, a realidade o assola”, conta Daniels. “Hollywood não produz especificamente esse tipo de garota”. Os produtores passaram a realizar testes de elenco em Los Angeles e Nova York, liderados pelo diretor de elenco Billy Hopkins. “Nós selecionamos um grupo de dez garotas de Nova York, Nova Jersey, e Maryland”, conta a produtora executiva Lisa Cortés. “Nenhuma delas havia atuando antes, mas tiveram uma postura muito forte durante os testes e retratavam Precious de forma bem apropriada”. As dez jovens foram colocadas em “treinamento coletivo”. “Foi um tipo de ‘American Idol,’” conta Daniels. “A cada semana elas iam progredindo em suas performances e eu eliminava algumas”. Ainda assim, Daniels não estava satisfeito. “Não havia ninguém que desse a impressão de estar inteiramente de acordo com o leque de emoções que o personagem abordaria”, conta Cortés. Então, apesar da proximidade da data do início das filmagens, Daniels disse a Hopkins que recomeçasse a seleção de elenco.

Gabourey “Gabby” Sidibe, uma jovem de 24 anos, residente do Harlem, não estava planejando fazer o teste, nem tinha qualquer ambição de ser atriz. “Eu não achei que conseguiria o papel”, ela relembra, “então, para que perder tempo?” Mas um amigo a incentivou e, coincidentemente, sua mãe, Alice Tan Ridley, já tinha se apresentado para interpretar a mãe, numa produção anterior, portanto, Gabby já havia lido o livro. Quando ela fez a leitura para o papel, ela o fez como um exercício de mímica, mas sua retratação física deixou os diretores sem palavras.

Preciosa

As gravações do teste de Sidibe impressionaram outros membros da equipe de produção, o que resultou em um segundo teste, no dia seguinte, quando ela conheceu o diretor, Lee Daniels. “Nós passamos algumas horas conversando sobre o personagem”, conta Daniels, “Gabby falou muitas coisas certas, o que me levou a crer que ela compreendia Precious, mesmo discordando de mim, em determinados aspectos do comportamento do personagem, baseada em suas próprias experiências, na vida real. Ela não estava puxando o saco de ninguém para conseguir o papel, ela dizia o que achava e me deixou impressionado”.

Sidibe relembra a reunião “Nós ficamos conversando e eu estava ficando meio inquieta quanto ao início do teste, foi quando ele disse, de repente, ‘eu a quero no meu filme’, e eu disse ‘mas…’ e ele disse ‘Não tem mas, quero que você interprete Precious’. E eu comecei a chorar. Foi uma reação muito clichê, mas tudo aconteceu muito rápido: o primeiro teste foi na segunda-feira e isso aconteceu na quarta”.

Preciosa

Sidibe usou uma técnica muito simples para interpretar Precious e guiá-la ao longo do teste. “Acho que Precious se sente a pessoa mais horrível da turma”, conta ela. “Essa é a sua tristeza, ela está lutando para ser outra pessoa, pois ela pensa que não é. Eu conheci muitas garotas como Precious. Ela também está em mim. Eu não sinto isso há muito tempo, porque já cresci e passei a ver que sou normal e nem existe algo como alguém ‘normal’”.

A escolha de último minuto de Sidibe significava que ela teria seis semanas para se preparar para o primeiro dia de filmagem. Apesar de seu nervosismo inicial, uma vez ambientada no set, ela logo se entrosou. “Gabby está vivendo sua própria verdade”, conta Daniels. “Mesmo um ator bem experiente não consegue aturar aquela verdade”. Sidibe concorda: “Para mim, não chega a ser tão difícil viver as emoções de Precious porque o roteiro é muito aberto. Eu sinto as emoções de Precious, por isso, eu consigo ficar triste e choro, quando é preciso fazê-lo”. Mo’Nique, que interpreta Mary, a mãe de Precious, explica: “Nós somos gordas e choramos muito! Por isso temos tanta facilidade de chorar. Somos xingadas de porcas gordas, gorduchas, bolotas! Então, algumas dessas lágrimas são bem reais”.

Preciosa

Por mais difícil que tenha sido a escolha da atriz para o papel de Precious, Daniels sentiu que a seleção para o papel de Mo’Nique foi ainda mais difícil. “Foi complicado encontrar Precious, mas depois de encontrá-la, ela se torna a heroína e tem toda a compaixão do público. Mas quem será a pessoa a interpretar um personagem tão macabro como a Mary e fazer com que ela seja convincente?” A imagem de Mo’Nique, como uma grande comediante, era uma escolha muito improvável para vivenciar a zangada e sádica Mary, mas Daniels já vira a performance dramática de Mo’Nique, quando ele teve sua estréia como diretor, no comando do longa-metragem “Shadowboxer”. “Mo’Nique deu um rosto a Mary”, conta Daniels. “No livro, não é explicado o motivo para que Mary faça as coisas do jeito que faz, mas a performance de Mo’Nique nos ajuda a entendê-la”.

Mo’Nique concorda que a maioria das pessoas poderia chamar Mary de monstro. “Ela não sabe ser de outro jeito”, explica ela. “O que ela pensa é ‘Não vou tomar banho, não vou me cuidar, nem cuidar de minha filha, não vou cuidar de nada’. Ela vai afundando cada vez mais naquele lugar horrível. Mas o que aconteceu em sua vida para que as coisas ficassem assim?” Daniels acrescenta: “Como cineasta e contador de histórias, eu sempre busco uma área neutra, e foi isso que Mo’Nique me ajudou a conseguir com Mary. Todo mundo, até mesmo a pessoa mais perversa, um dia foi o bebezinho de alguém”.

Preciosa

Os problemas de Precious se agravam ainda mais pelo fato de que ela é analfabeta. Ela se matricula numa escola alternativa, cujo programa é Cada Um Ensina Um (Each One Teach One), onde estuda leitura e escrita com um grupo de jovens, cujas vidas são tão difíceis quanto a dela. Paula Patton (“Déjà Vu”) interpreta o papel da Srta.Rain, a dedicada professora de Precious. “A Srta. Rain está lecionando o básico, mas também as ensina a respeitarem a si mesmas e aos outros”, conta Patton. “Ela é um tipo de mãe – mas é uma mãe durona. Essas garotas vêm da rua e se enxergarem algum tipo de vulnerabilidade, verão aquilo como uma fraqueza. Então, ela estabelece um limite: ou você está na turma dela para aprender, ou não fica”.

Daniels ficou surpreso com a interpretação de Patton ao retratar a Srta. Rain. “Eu sempre vi a Srta. Rain como alguém que tivesse tido uma vida semelhante à vida das garotas de sua turma”, conta ele. “Paula trouxe sofisticação e talento ao personagem da Srta. Rain e isso aumentou o contraste entre elas. A Srta. Rain é uma mulher afro-americana educada com um modo de pensar bem diferente de Precious. A Srta. Rain quer que Precious dê seu bebê para adoção, para que Precious e seu filho tenham uma vida melhor. Precious vêm do gueto e seu conceito é de que tem de cuidar do bebê, pois é de seu próprio sangue”.

Preciosa

O músico roqueiro e ganhador do Grammy Lenny Kravitz interpreta John, um enfermeiro hospitalar que se interessa por Precious. “No livro, há um personagem hispânico que diz ‘força, Prescita, força!’, quando , Precious está dando à luz”, conta Daniels. “Geoffrey Fletcher aproveitou esse momento para dar continuidade ao seu papel ao longo da história”. Uma amizade verdadeira se desenrola entre John e Precious, enquanto eles estão no hospital, e prossegue depois. É para ele que ela corre depois de deixar a casa da mãe, com seu bebê. “John tem um passado sombrio, já esteve na prisão”, conta Daniels, “mas ele realmente se preocupa com Precious. Como se fosse seu anjo da guarda na vida real e passa a protegê-la”.

Quando Precious faz sua primeira visita à escola alternativa, ela conhece a recepcionista, Cornrows, interpretada por Sherri Shepherd, atriz comediante e co-apresentadora do programa The View, da Rede ABC. “Quando Precious entra, Cornrows é meio áspera com ela”, conta Shepherd. “Precious a interrompe, no meio de uma discussão com o namorado, mas há algo na personalidade de Precious que atrai Cornrows, mais do que qualquer outra garota da escola”.

Preciosa

Assim que chegou ao set de filmagens, Shepherd percebeu que Daniels não deixaria que ela recorresse ao tipo de personalidade comum. “Eu cheguei e fui fazer maquiagem, colocar a peruca, e ele disse ‘Não quero nada de Sherri! Talvez eu tenha que colocar algo para esconder seus seios!’ E eu disse ‘Lee, eu adoro meus peitos, não os esconda! Não tire a minha peruca!’ Mas eles tiraram a peruca e fizeram trancinhas afro coladas à cabeça, colocaram ombreiras e passaram batom preto e esmalte dos anos 80. Vou lhe contar, quando você está de trancinhas afro, sua cabeça fica tão repuxada que é quase como se tivesse feito uma plástica!”

Daniels misturava o elenco inteiro, deixando todos bem à vontade. “Nós fazíamos uma cena”, conta Sidibe, “e o roteiro trazia algo bem simples, como A, B e C farão isso. Mas Lee acrescentava D e F e mais um monte de coisas! Era uma montanha russa e sempre tinha alguma surpresa”.

“Ele sai do espaço comum e vai ao inesperado”, conta Patton. “Ele me forçou além dos meus limites, para que eu fosse cada vez mais fundo”. “Ele não aceita não como resposta”, conta Mo’Nique. “É tipo ‘Nós podemos passar a noite inteira aqui, mas é isso que eu preciso que você faça’”.

Preciosa

Quando uma atriz deixou o projeto, no último minuto, a super estrela Mariah Carey, amiga de Daniels há longa data e uma das estrelas de Tennessee, seu filme anterior, entrou em cena para assumir o papel da Srta. Weiss, assistente social de Precious. “Eu insisti para que ela entrasse no set com o mínimo de antecedência”, conta Daniels. Carey teve de dividir um trailer e veio com apenas um guarda-costas, não com sua turma habitual. Ela não teve tempo de estudar o personagem e precisou interpretar cenas com Mo’Nique e Sidibe, que há haviam tido meses de preparação. “Embora Krystal, personagem de Mariah em Tennessee fosse isenta de glamour, ela era bem sexy”, explica Daniels. “A Sra. Weiss realmente não tem glamour algum. Para ela, é difícil fazer isso, mas eu também acho que é uma grande experiência de amadurecimento para ela”.

Susan L. Taylor, fundadora da Revista Essence, interpreta a fada madrinha, numa fantasia que inspira Precious. “A primeira fantasia do filme é um desfile de modas, no qual Precious se imagina como modelo”, conta Daniels. “O personagem de Susan dá a ela um lenço alaranjado. Esse lenço ganha grande ressonância na história”. A escolha de Susan Taylor não foi casual. “Susan Taylor é um ícone para muitas mulheres”, conta Cortés. “Sua inclusão diz muito a respeito de sua habilidade de transcender, de seu amor próprio”.

Preciosa

Praticamente todas as cenas do filme foram rodadas na Cidade de Nova York, no final do ano de 2007. As únicas exceções foram o apartamento de Precious e Mary e a cena da fantasia com dança, ambas feitas em estúdio. As locações foram desde Inwood, bairro ao norte de Manhattan (passando a 200th Street), até o Harlem, chegando ao Hopital de Coney Island, onde foram filmadas as cenas em que Precisous tem seu bebê. A escola alternativa foi construída num andar vazio de um prédio municipal do Brooklyn, próximo à Prefeitura.

Trabalhar nos conjuntos habitacionais lotados foi difícil para a equipe de produção, mas isso acrescentou grande autenticidade ao filme. Embora fossem longas horas de trabalho, em péssimas condições meteorológicas, todos estavam de bom astral, principalmente pela exuberância do diretor e da jovem estrela.

“Todos os dias eu aprendo algo com Gabby”, conta Daniels. “Sabe, ela incorporou essa menina e ainda a vive. As pessoas têm uma certa pré-disposição em relação às pessoas obesas. As pessoas olham para trás para espiar. Não vou fingir que não o fazem, pois fazem e eu já estive caminhando com ela e fizeram isso. Mas Gabby tem consciência de quem ela é e tem muito orgulho disso”.

Preciosa

“Eu adoro o meu visual”, diz Sidibe. “Nunca serei tamanho P. Simplesmente não sou estruturada dessa forma. Portanto, preciso trabalhar com isso, pois é o que tenho. E eu adoro! Uma coisa que acho muito empolgante nesse filme é que tive a oportunidade de conhecer Mo’Nique, que tem tudo a ver com o fato de deixar as pessoas se sentindo à vontade quanto aos seus corpos”. A voz de Sidibe falha, quando ela conta sobre seu primeiro encontro com Mo’Nique. “Eu disse a ela ‘Eu costumava assisti-la na TV e desejava poder ser como você, e fazer o que você faz’. E ela foi tão legal, ela simplesmente sorriu e disse ‘Mas você é, querida. Você está fazendo’”.

Embora Sidibe certamente nunca tenha tido de enfrentar o tipo de dificpuldade que Precious enfrenta, o caminho de Precious está bem espelhado na jornada de Gabby para sua aceitação pessoal e seu fortalecimento. “Precious mata um leão por dia”, conta Daniels. “Ela é muito imune à dor e ao ridículo e lentamente descobre que é bonita. É uma descoberta lenta, mas aconte. Nós sabemos que ela vai ficar bem. Ela aprende a amar a si mesma”.

Preciosa

A palavra ‘push’ (força) é freqüentemente associada ao despertar e ao crescimento: ela fortalece seu corpo, abre portas, é gritada no momento do parto. ‘Força!’ é um comando, mas é algo que ninguém pode fazer por você. “‘Push’ significar fazer força com a mente”, diz Sidibe. “Não se contente em ficar onde está. Se você se vê entre uma rocha e um lugar difícil, força, faça força para passar. Sempre há espaço para ir mais longe. Você é melhor do que é agora. Tudo que tem a fazer é força”.

“Todos nós temos nossa própria jornada e destino, e é uma luta diária passar ao minuto seguinte”, diz Daniels. “Mas se a Precious consegue passar pelo que ela passa, isso significa que todos nós também conseguimos”.

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#783-O último trem

Assim como Stephen King (Montado na bala, Carrie, a estranha), Clive Barker (Hellraiser – Renascido do inferno) é um conhecido autor de histórias de terror que sempre tem suas obras adaptadas para o cinema. Infelizmente são poucas as versões boas, mas O último trem está aí para provar que ainda é possível fazer bons filmes de suspense e horror.

Bradley Cooper (Se beber, não case, Ele não está tão a fim de você e Sim senhor) interpreta Leon Kaufman, um fotógrafo que se dedica a captar as mais realistas imagens depois que uma sensual curadora (vivida por Brooke Shields, da 4ª temporada de Nip/Tuck) lhe garante um espaço em sua galeria de arte. A condição é que ele consiga bons cliques.

O ultimo trem
Medo do metrô

Os caminhos de Leon se cruzam com o de um misterioso homem (Vinnie Jones, do divertidíssimo Survive Style 5+ e X-men – O confronto final), que regularmente assassina pessoas no metrô. Fascinado pelo mistério acerca dos crimes e ainda à procura da foto perfeita, o fotógrafo se aprofunda numa obsessão que preocupa sua namorada (Leslie Bibb, de Os delírios de consumo de Becky Bloom).

O ultimo trem
Marteladas fatais

O último trem prende a atenção do início ao fim, com uma trama sombria que não se apressa em mostrar a violência. Mas não pense que trata-se de um filme pouco movimentado. O suspense bem construído casa perfeitamente com as sequências de terror, super sangrentas, por sinal. Outro ponto que merece a atenção é a caprichada fotografia. Esse detalhe não tem muito destaque nas produções do gênero, mas o que se vê no filme é o oposto.

O ultimo trem
Aaaaaaaaaaarh!As cenas dividem-se em momentos amarelados (instantes de segurança e conforto) e azuis (cor mais fria, que aparece principalmente mas estações do metrô onde acontecem os crimes). A direção do japonês Ryûhei Kitamura (Azumi) é segura e ele usou e abusou da computação gráfica nos assassinatos e em sequências eletrizantes que acontecem em espaços pequenos (vagões de trem).

O ultimo trem
Ele não é apenas um pacato cidadão

Por fim, o vilão da história tem tudo para ser lembrado por um bom tempo. Usando um martelo gigante, ele abate as vítimas como gado. A carnificina rola solta no filme e a conclusão é um verdadeiro pesadelo. Integram ainda o elenco Roger Bart (O gângster, Os produtores, O albergue 2), Peter Jacobson (Transformers) e Ted Raimi (Homem aranha 3 e Arraste-me para o inferno).
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblogDaiblog

Daiblog Quer ver o filme Quanto dura o amor?

Midnight Meat Train (EUA, 2008) Dirigido por Ryûhei Kitamura. Com Bradley Cooper, Leslie Bibb, Brooke Shields, Vinnie Jones, Roger Bart, Tony Curran, Barbara Eve Harris, Peter Jacobson, Stephanie Mace, Ted Raimi, Dan Callahan…

Veja aqui o trailer do filme O último trem:

Cinema Especial – Ninja assassino

Ninja Assassino tem direção de James McTeigue, e roteiro de Matthew Sand e J. Michael Straczynski. No elenco do filme estão o astro pop coreano Rain, Naomie Harris, Ben Miles, Rick Yune e o mestre das artes marciais Sho Kosugi.
Apesar de serem considerados mitos, para as suas vítimas eles são bem concretos. Suas espadas e shuriken, as lâminas que se atiram com a mão, voam com rapidez e, num piscar de olhos, cortam os ossos, provocando um esguicho de sangue por onde passam. Esses mestres da dissimulação e agentes da morte atacam sem avisar, como fantasmas que disseminam o medo entre os inimigos. Ninguém está a salvo. Ninjas são grupos especiais no mundo das artes marciais, e o diretor James McTeigue, os produtores Joel Silver, Andy e Larry Wachowski, e Grant Hill queriam transportá-los para as telas como nunca antes se viu.

Ninja assassino


Afirma o produtor Silver: “Todos nós acreditamos que o filme puramente sobre artes marciais é um subgênero que ainda não foi valorizado nos Estados Unidos. Sempre quisemos fazer alguma coisa com a lenda dos ninjas, que remonta ao século XIV, e inserir estes assassinos misteriosos no mundo moderno”.

Os realizadores queriam utilizar a estrutura clássica do filme de ninja, na qual um mestre enigmático apanha crianças para se tornarem terríveis lutadores ou assassinos, aqueles que as pessoas do “mundo real”, no filme, acreditam ser apenas uma lenda. Isto, é claro, até que os dois mundos se encontrem e os incrédulos vejam com seus próprios olhos no que consistem as artes marciais.

“Os ninjas eram personagens obscuros, sempre saindo das trevas”, diz o diretor McTeigue, que lembra ainda a influência de sua infância na Austrália. “Tínhamos os animês do Japão e muitas séries de televisão, como Samurai e Agentes Fantasmas, com elementos folclóricos dos ninjas, nos quais os personagens cresciam em orfanatos ou coisas assim. Neste filme, falamos desses elementos clássicos, mas acrescentamos um clima de fillme noir.

Ninja assassino

“Não é segredo que todos nós, mas principalmente Larry e Andy, temos muita afinidade com a cultura japonesa e seu modo de contar histórias”, adianta o produtor Hill. “Porém, qual seria a roupagem dos ninjas no século XXI?”.
Este foi o desafio enfrentado pelos roteiristas Matthew Sand e J. Michael Straczynski, chamados para escrever o roteiro. “Frequentei aulas de caratê desde o tempo de escola, e as artes marciais fazem parte da minha vida há muito tempo”, diz Sand. “Por isso, escrever o filme ninja que sempre tive vontade de fazer foi um sonho que se tornou realidade”.

“Sempre gostei demais desse gênero, mas tinha a impressão de que há muito tempo ninguém fazia um filme ninja sério, pelo menos no Ocidente”, assinala Straczynski. “Os ninjas foram tão usados nos efeitos humorísticos… era como se ninguém mais os levasse a sério. Agarrei com o maior interesse essa oportunidade de fazer um filme em que os ninjas fossem apresentados como aterrorizantes mesmo. E trabalhar com os irmãos Wachowski é sempre gratificante, além de intelectualmente estimulante, pois a cabeça deles dois funciona a mil por hora, e você tem que ficar esperto para acompanhar”.

Ninja assassino

O roteiro começou a tomar forma. Sand conta: “É a história das origens. O orfanato – a ideia dos ninjas como uma família distorcida – e um homem, Raizo, impingido como pai substituto, ainda que fosse o pai mais terrível que se possa imaginar. O que Raizo encarna como personagem é exatamente o cerne dos ninjas. Eles o fizeram assim. A motivação de um amor perdido, a reação dele, e a não transformação no que eles pretendiam, juntamente com a história da agente que investiga os clãs, tudo isso compôs um tipo diferente de filme ninja, como eu nunca tinha visto antes”.
Para garantir que o filme saísse como eles de fato queriam, foi preciso encontrar o Raizo perfeito: alguém não apenas capaz de assumir as exigências físicas do lado guerreiro do personagem, mas que fosse um líder convincente.

Silver recorda: “No dia em que Rain fez a primeira cena de Speed Racer, os irmãos Wachowski me chamaram e disseram, ‘Esse cara é incrível. É natural. É aquilo com que sonhamos’. E começaram, de imediato, a planejar Ninja Assassino”.

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McTeigue afirma: “Mesmo sendo um papel relativamente pequeno, a adequação física de Rain era tamanha que, se fôssemos fazer o filme ninja padrão, ele seria o escolhido”. “Quando estávamos trabalhando no filme, Larry e Andy me perguntaram se eu teria interesse em fazer um ninja”, lembra Rain. “Como eu poderia recusar? Respondi: ‘Avisem quando e onde, que eu vou estar lá’”.
Embora Rain interprete Raizo, o papel principal, os realizadores sabiam que a atração principal de Ninja Assassino seriam as sequências de artes marciais e, para tanto, precisavam do que houvesse de melhor. Chamaram os conceituados coreógrafos de elenco Chad Stahelski e Dave Leitch – que já tinham trabalhado com os Wachowski, Silver e Hill desde os dias de Matrix, e que passaram a coordenadores em V de Vingança, com McTeigue –, para auxiliar na definição do estilo de luta mais adequado ao tipo de filme que queriam.

“Neste filme, não queríamos nos basear em trabalho mecânico, recursos de câmera nem efeitos visuais”, afirma Silver. E explica: “Queríamos a verossimilhança, ver e acreditar que aquilo está acontecendo na sua frente. Chad e Dave pensaram grande e trouxeram os melhores de cada especialidade: praticantes de corrida livre e enduro, acrobatas, o pessoal da equipe de Jackie Chan. Todos trabalharam em conjunto para realizar sequências fantásticas, que superaram em muito o que imaginávamos”.

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O personagem Raizo, interpretado por Rain, foi levado criança para o orfanato dirigido por Lorde Ozunu, chefe do Clã Ozunu. Ali, Raizo foi treinado para ser um assassino impiedoso, mas encontrou também sua alma gêmea, Kiriko, outra jovem em treinamento. Ocorre que o terrível destino dela marcou Raizo, e ele rejeita o clã, fazendo com que a missão de sua vida seja deter esse clã. O principal objetivo de Raizo é trilhar o caminho de volta ao lugar secreto do orfanato do Clã Ozunu, para ter certeza de que nenhuma outra criança será sequestrada, brutalizada, nem transformada em assassino. Ao mesmo tempo, deve evitar que sejam mortas.
Silver comenta: “Raizo é autêntico, procura de fato superar o destino que lhe deram, rejeitar o monstro que o treinou, e tornar-se uma pessoa melhor do que aprendeu a ser”.

“Raizo é um tremendo assassino, um dos melhores alunos que Lorde Ozunu já teve”, diz Rain. “Mas a violência está dentro dele, e disso ele precisa escapar. Ninguém pode sair dali às claras. Para tanto, precisa trair Ozunu, que não vai se deter diante de coisa alguma para destruir Raizo. Sendo assim, Raizo leva uma vida tranquila e anônima, sabendo que, um dia, Ozunu vai encontrá-lo”.

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O papel de Raizo exigia um ator de muita intensidade, que transmitisse bastante emoção de maneira sutil. “Rain é esperto e intuitivo, além de muito dedicado”, diz McTeigue. “Foi um prazer trabalhar com ele”. Silver acrescenta: “Rain tem mesmo uma personalidade marcante. Não se consegue tirar os olhos dele; ele comanda a cena”.

Vivendo no mundo exterior, Raizo tem que estar sempre um passo adiante do clã. Mas os assassinatos estão sendo apurados e uma investigadora da Europol esbarra na ideia dos nove clãs ancestrais que treinavam assassinos – os ninjas – para matar por dinheiro, ao preço de meio quilo de ouro. Ela chega muito perto, e fica marcada para morrer pelo Clã Ozunu. Raizo salva sua vida, e eles são forçados a fugir juntos.
Naomie Harris interpreta a agente Mika Coretti. “Gostei demais da personagem e me identifiquei com Mika”, conta Harris. E justifica: “Ela é diferente das personagens que vivi antes. Gosto de sua paixão e entusiasmo; ela acredita que tudo é possível, e eu sempre acreditei nisso também, que o fantástico é possível”.

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“Naomie entendeu exatamente o que pretendíamos fazer”, diz McTeigue. “A personagem Mika é muito forte, Naomie viu isso e deu vida a ela”. Sand diz: “Mika investiga esse mito estranho, essa lenda, os boatos. Sua obsessão a leva a correr sério risco, mas também a conduz no rumo da verdade”.
Naomi Harris comenta: “Para Mika, seu trabalho é tudo na vida. E assim, quando encontra algo, é como um cachorro com um osso: não o larga até o fim. Gosta de juntar peças de um quebra-cabeça. Encontrou muitas evidências para provar que os ninjas existem, e não vai deixar isso escapar”.

O primeiro desafio de Mika é convencer seu chefe, Ryan Maslow, de que procura algo que realmente existe. O ator britânico Ben Milles, que interpreta o agente cético, diz: “Faço um tipo de policial durão. Uma de suas jovens investigadoras, Mika, chega com uma intriga aparentemente sem nexo, sobre ninjas que matam gente agora, no século XXI. Ele lhe diz que ela não deve levar essa história a sério, de sujeitos vestidos de preto, circulando por aí com espadas para acabar com políticos do alto escalão. Porém, Maslow nem sempre toma as coisas ao pé da letra, adotando às vezes caminhos pouco convencionais. Pode ter seus próprios planos e, assim, deixa que ela vá em frente. O filme está cheio de suspense em vários níveis – em quem se pode confiar ou não, de que lado se deve ficar. É simultaneamente um thriller, filme noir e de artes marciais”.

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Miles, que trabalhou com McTeigue e os produtores pela primeira vez em V de Vingança, gostou de revê-los profissionalmente. “Eles têm entusiasmo e são meio imprevisíveis; foi muito divertido. Para se conseguir tanta ação, é preciso entrar no clima”.

A investigação de Mika ajuda Raizo em sua volta às origens: o orfanato e o mestre, Lorde Ozunu. Lendário artista marcial e veterano ator de cinema ninja, Sho Kosugi – que participou de mais de 300 campeonatos e diversos filmes, incluindo cinco de ninjas – assumiu o papel problemático para os realizadores.

“Quem assistiu a qualquer filme ninja a partir dos anos 1980, sabe que Sho Kosugi é o ninja”, garante McTeigue. E continua: “Era a única pessoa capaz de comunicar a disciplina de Lorde Ozunu. Ele incorporou o mestre do clã”. Com certeza, o ator não se parece nem um pouco com o personagem. “Sempre que precisava fazer algo rude ou agressivo, ele fazia, mas assim que eu dizia ‘corta’, ele falava, ‘Meu Deus, que homem mau, esse mestre do clã!’ E começava a rir”.

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Apesar de representar um homem mau, Kosugi – que estudou artes marciais desde os cinco anos de idade e pratica até hoje três horas por dia – envolveu-se realmente na criação do personagem. “Fiquei chocado quando li o roteiro, ao ver o nome Ozunu. Achei curioso, porque a maioria das pessoas não sabe que existiu um Ozunu de verdade, nascido na região de Kinki, antepassado dos Shugenja, guerreiros das montanhas que praticavam Shugendô. É o antecessor do Ninjutsu. Quer dizer que a pesquisa foi bem feita. Fazer esse papel foi uma honra para mim”.

A principal arma de Ozunu na luta contra Raizo e a Europol é seu protegido e anteriormente “irmão” de Raizo no clã, Takeshi, representado pelo ator coreano-americano Rick Yune. Ele tem algum conhecimento de artes marciais, tendo participado das seletivas para as Olimpíadas na modalidade de Taekwondo, o esporte nacional na Coreia, quando tinha 19 anos. “Ozunu é a figura do pai para Takeshi, ele quer seguir seu exemplo, ser leal”, sugere Yune. “Esta é a família de Takeshi, e para isso foi educado. Ele é tudo que Raizo não quer ser”. O ator encontrou a essência do personagem em um trecho do roteiro. “Ali diz que os ninjas matam somente dois tipos de pessoa: aquelas para as quais são pagos para matar e as que se metem no seu caminho. Tudo o que Takeshi quer é ser o melhor ninja possível e se aproximar de Ozunu, considerado seu pai. Deste modo, ele vive segundo seu próprio código, para continuar fiel à família, ao clã”.

ninja assassino

A única amiga de Raizo no orfanato é Kiriko, representada por Kylie Liya Goldstein em menina, e por Anna Sawai na adolescência. Ela tenta convencer Raizo de que existe uma vida melhor fora do dojô, onde se treinam as artes marciais, e longe do clã. Seu castigo por tentar fugir torna-se o catalisador da deserção de Raizo.

No filme, Ozunu sequestra crianças em todo o mundo – aparentemente, crianças abandonadas –, leva-as para o clã e lhes dá uma família. Revela McTeigue: “No início, o que fizemos para encontrar as crianças foi passar em vários dojôs de Berlim, onde íamos filmar. Depois, as levamos para treinar por alguns meses e elas fizeram os outros órfãos que viviam no clã, juntamente com Raizo e o jovem Takeshi, como irmãos.

Fazer parte desse tipo de família pressupõe treinamento em várias disciplinas, por muitos anos, até se tornar uma máquina de matar, um assassino que age sem hesitar.
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#782-High school musical – O desafio

Depois de se tornar hit e gerar duas continuações (a última delas para o cinema – O ano da formatura) High School Musical ganha sua versão brasileira. Com direção de César Rodrigues (da futura estreia Uma professora muito maluquinha), longa-metragem é um remake de High School Musical – El desafio, filme mexicano que também possui uma adaptação argentina.

A primeira produção da Disney no país carrega os mesmos elementos da fórmula que fez com que Zac Efron (de Hairspray – Em busca da fama) e Vanessa Anne Hudgens ficassem famosos: amor adolescente e muitas músicas entre uma cena e outra. Desta vez o casal principal é formado por Olavo e Renata, dois alunos que voltam a estudar na escola High School Brasil depois das merecidas férias. Já no primeiro dia de aula existe uma forte atração entre os dois.

High School Musical O desafio
Time de futebol do High School Brasil

E o ano escolar traz também novidades, como um concurso de música. Todos os estudantes podem concorrer com bandas, duplas, trios ou mesmo cantando ou tocando sozinhos. Quem anuncia a competição é Wanessa (vivida pela cantora Wanessa Camargo), uma ex-aluna do colégio. A atividade faz com que a patricinha Paula se anime, assim como Fellipe, seu irmão multiinstrumentista.

High School Musical – O desafio é interessante especialmente para quem acompanha os outros produtos da franquia. É bem produzido e possui bons cantores e boas músicas (apesar das letras serem limitadas e com rimas básicas como coração / emoção / paixão etc). Sem dúvidas o longa tem seus méritos por ser de um gênero pouco popular em território tupiniquim. Outro ponto positivo são os diálogos, que soam bem mais naturais e convincentes do que o de outros materiais feitos para jovens, como a eterna novela Malhação.

High School Musical O desafio
Roupas coloridíssimas do elenco

Os protagonistas são os vencedores do reality show High School Musical: A seleção e nenhum desaponta, entretanto alguns cantores se destacam dos demais, como o talentoso Fellipe Ferreira. Pela animação e euforia do público mirim na pré-estreia, é certo que o filme cumpre seu papel de entreter. O roteiro é simples e infantil, se resolvendo de uma forma igualmente descomplexa. O forte mesmo são as sequências musicais, que fizeram com que algumas crianças dançassem durante a projeção na nova sala de cinema do Shopping Boulervard (em Brasília).

High School Musical O desafio
Wanessa Camargo participa do longa

Deixado de lado algumas publicidades desnecessárias e o preconceito por ser um filme americanizado (a começar pelo nome e estilo do colégio, que serve hambúrguer e refrigerante no refeitório), é uma boa pedida para a meninada que em breve também vai voltar às aulas.
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblog

High School Musical: O Desafio (Brasil, 2010) Dirigido por César Rodrigues. Com Herbert Richers Jr., Wanessa Camargo, Ilana Kaplan, Gisele Batista, Tereza Seiblitz, Débora Olivieri, Michelle Batista, Paula Barbosa, Beatriz Machado, Fellipe Ferreira, Fábio Enriquez, Moroni Cruz, Olavo Cavalheiro, Eduardo Landim, Samuel Nascimento…

Aproveite e clique aqui para ler o Daiblog Especial – High School Musical, com informações e videos dos bastidores desta estreia.

Veja aqui o trailer do filme High School Musical: O Desafio: