A Vitrine Filmes lança dia 23 de janeiro nos cinemas “O Filme do Bruno Aleixo”, dirigido por João Moreira e Pedro Santo, criadores do personagem homônimo que é sucesso na internet. Inclusive, hit na web brasileira, o Sr. Aleixo já participou do programa Choque de Cultura e cobriu a Copa do Mundo no Brasil para o canal RTP, da TV portuguesa. O longa mostra o processo de criação de um outro filme, cujo protagonista pretende fazer com a ajuda de seus amigos. Para isso, Bruno convoca uma espécie de reunião de ‘brainstorming’ nonsense com os colegas, O Homem do Bussaco (espécie de monstro peludo, tipo Chewbacca), Busto (um busto de Napoleão) e Renato Alexandre (inspirado em O Monstro da Lagoa Negra).
No longa a ser produzido, o cachorro, dublado por João Moreira, é vivido pelo ator português Adriano Luz (Mistérios de Lisboa). A adaptação cinematográfica ainda traz no elenco a participação de Rogério Samora, José Neto, José Raposo, João Lagarto, Manuel Mozos, Fernando Alvim, David Chain Ribeiro e Gonçalo Waddington. “O filme continua a ter como referências as pequenas coisas do cotidiano, mas centra-se mais no imaginário comum do cinema, do que propriamente no imaginário comum popular português”, comenta João Moreira.
Com produção assinada pela O Som e a Fúria, em parceria com a SIC Radical, o filme tem ‘estreia mundial’, como brincam seus diretores, simultânea em Portugal e no Brasil, onde será distribuído pela Vitrine Filmes. Em 2019 ‘O Filme do Bruno Aleixo’ marcou presença em festivais como, a 43ª Mostra Internacional de Cinema de S. Paulo, onde teve sua primeira exibição, no Porto/Post/Doc, e mais recentemente, no 21ª Festival do Rio. Os ingressos já estão disponíveis na pré-venda: https://www.movieid.com/brunoaleixo
Numa releitura moderna do clássico conto de fadas “Branca de Neve e os sete anões”, a animação “Sapatinho Vermelho e os Sete Anões”, dos mesmos criadores de “Frozen – Uma Aventura Congelante” e “Operação Big Hero”, chega aos cinemas brasileiros durante as férias escolares, em 16 de julho, com distribuição Paris Filmes.
Mirando as famílias e o público infantil, a animação traz o encontro de sete anões amaldiçoados, que precisam do beijo da mulher mais bonita do mundo para desfazer um feitiço. Em paralelo, uma garota encontra um mágico par de sapatos vermelhos que a transforma numa linda princesa. No decorrer da trama, todos perceberão o verdadeiro significado da beleza.
Dirigido por Sungho Hong, que também escreveu o enredo original, o filme tem Jin Kim à frente da direção de animação. Jim Kim atuou em projetos como “Operação Big Hero” e “Frozen – Uma Aventura Congelante”. O compositor vencedor do Emmy Geoff Zanelli é diretor musical e assina a trilha sonora da animação. Zanelli ganhou reconhecimento por seu trabalho em “Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar” e “Liga da Justiça”.
Sinopse – Sapatinho Vermelho e os Sete Anões – Uma garota pensa ter encontrado a verdadeira beleza após achar sapatos vermelhos que dão a ela a aparência de uma princesa. Essa mágica atrairá o interesse da bruxa má, que quer roubar seus sapatos e sua beleza, e a atenção de sete anões que a levarão para viver grandes aventuras. Uma comédia familiar cheia de humor, romance e ação vai mostrar que tudo é 100% atitude e a verdadeira magia é ser você mesmo.
Estão abertas as inscrições para o 8º FRAPA – Festival de Roteiro Audiovisual de Porto Alegre. Considerado o maior evento voltado ao roteiro de cinema e TV da América Latina, o festival acontece de 14 a 17 de julho na Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre (RS). Desde 2013, o FRAPA reúne na capital gaúcha roteiristas de todo o país e convidados internacionais para atividades que incluem rodadas de negócios, debates, workshops, master classes, estudos de caso e pitchings, além de concursos de roteiro, laboratório FRAPA[LAB] e mostra de curtas. Realização da Coelho Voador e Epifania Filmes, tem direção de Leo Garcia e produção executiva de Mariana Mêmis Müller. Inscrições, valores e maiores informações estão no site https://frapa.art.br. Preços promocionais até o dia 5 de março. Vagas limitadas.
Nesta edição, a CCMQ centralizará todas as atividades do festival, além de oferecer mais espaços de convivência entre os frapeiros. Serão dois teatros, três salas de cinema, um auditório, além de salas adicionais e um espaço para as rodadas de negócios. A segunda edição do FRAPA[LAB] também é um destaque do ano. O laboratório cresceu e acontecerá durante cinco dias, com coprodução do Projeto Paradiso, em duas salas exclusivas. Assim, todos os doze finalistas das duas categorias do concurso de roteiros (seis de longa-metragem e seis de piloto de série) terão o direito de participar do laboratório e receberão consultoria especial de profissionais convidados do mercado audiovisual brasileiro e do exterior.
Pacotes
Duas opções de pacotes são oferecidas para o festival: o FRAPA Completo e o FRAPA Básico. O primeiro permite o acesso do participante às mesas de debate, workshops, master class, estudos de caso, pitchings, e a inscrição de um roteiro de longa ou piloto de série no respectivo concurso e até três projetos nas rodadas de negócios. O valor é de R$ 450,00 até o dia 5 de março (ou R$ 550,00 após a data). O pacote simples dá direito ao acesso como espectador às atividades da modalidade anterior. O FRAPA Básico tem o valor de R$ 350,00 até 5 de março (ou R$ 450,00 após a data).
Inscrições Avulsas
O concurso de roteiro – para trabalhos avulsos não produzidos de longa ou piloto de série – tem o valor por projeto de R$ 70,00 até 5 de março (R$ 100,00 após). As inscrições encerram-se no dia 16 de março. Os roteiros inscritos devem ter no máximo 121 páginas para longas e 61 para pilotos e estar em formato PDF. As rodadas de negócios custam R$ 70,00 por projeto, sem alteração de valores até o fim das inscrições, que acontecem de 2 de março a 6 de abril. O registro de filmes para a seleção da mostra competitiva de curtas custa R$ 25,00 até o final das inscrições no dia 30 de março. As produções devem ter até 30 minutos.
Prêmios
Em mais uma parceria com o Projeto Paradiso, os roteiristas vencedores de cada categoria do concurso ganharão também uma assinatura anual “All Access” e um curso do Sundance Collab, estimado no valor de mil dólares, que pode ser trocado por prêmio equivalente em valor a ser investido em formação ou consultoria. Além disso, como nas edições anteriores, as premiações para os vencedores dos concursos do FRAPA incluem valores em dinheiro, bolsa para curso de roteiro na Academia Internacional de Cinema (AIC) e licenças do software Final Draft 11.
Serviço Inscrições FRAPA 2020 - preços promocionais até 5 de março. Regulamentos e inscrições em https://frapa.art.br Associados da ABRA (Associação Brasileira de Autores Roteiristas) tem 15% de desconto para todas as inscrições.
Pacotes
• FRAPA Completo (R$ 450,00 até 5 de março | R$ 550,00 após 5 de março)
Acesso à programação completa do festival (mesas de debate, workshops, master class, estudos de caso, pitchings) + inscrição de um roteiro no Concurso de Longa-Metragem ou Piloto de Série + inscrição de três projetos na Rodada de Negócios;
• FRAPA Básico (R$ 350,00 até 5 de março | R$ 450,00 após 5 de março)
Acesso à programação completa do festival (mesas de debate, workshops, master class, estudos de caso e pitchings).
Inscrições Avulsas
• Concurso de Roteiro de Longa-Metragem ou Piloto de Série - R$ 70,00 por projeto até 5 de março | R$ 100,00 após 5 de março (inscrições abertas até 16 de março);
• Rodada de Negócios - R$ 70,00 por projeto (inscrições abertas de 2 de março a 6 de abril);
• Mostra Competitiva de Curtas - R$ 25,00 por projeto (inscrições abertas até 30 de março).
Sobre o FRAPA
O Festival de Roteiro Audiovisual de Porto Alegre é o primeiro e maior evento inteiramente voltado ao roteiro de cinema e televisão na América Latina. Inspirado em festivais do gênero consagrados no exterior, o FRAPA acontece de maneira ininterrupta desde 2013. Durante quatro dias por ano, profissionais de todo o continente se reúnem para trocas de experiência e networking. Além de apostar na qualificação profissional de roteiristas e dar visibilidade a projetos, o FRAPA é uma rara oportunidade para que criadores se aproximem de canais, produtoras e distribuidoras. A atração já trouxe à capital gaúcha nomes como James V. Hart (“Drácula de Bram Stoker”), Miguel Machalski (“América”), Carolina Kotscho (“2 Filhos de Francisco”), Braulio Mantovani (“Tropa de Elite”), Antonia Pellegrino (“Primavera das Mulheres”), Krishna Mahon (“Um contra todos”), Luiz Bolognesi (“Uma História de Amor e Fúria”), entre outros. Netflix, Fox, Amazon Prime Video, O2 Filmes, RT Features, Globo Filmes e Conspiração Filmes foram algum dos players que já participaram do FRAPA.
O filme “Minha mãe é uma peça 3” retrata com bastante humor e originalidade o relacionamento de uma mãe com seus filhos adultos. Essa mãe se chama Dona Hermínia e é interpretada pelo ator Paulo Gustavo, que também é o roteirista do filme. Paulo Gustavo inspirou-se em sua mãe para interpretar a personagem, que possui um amor incondicional por seus filhos. Mas, como ninguém é perfeito, essa mãe acaba invadindo demais a vida pessoal de seus filhos, chegando ao ponto de ouvir de sua filha que agora ela não faz mais parte de seu núcleo familiar.
Dona Hermínia fica magoada com seus filhos, sente-se rejeitada, simula um grave problema de saúde e chega ao ponto de ser internada num hospital justamente para receber a visita de seus filhos que tanto ama. Sim, a internação foi um pretexto para estar junto de seus filhos e qual foi a sua surpresa ao descobrir duas novidades: sua filha está grávida e o seu filho gay irá se casar com seu namorado.
É emocionante ver como Dona Hermínia trata com bastante naturalidade o casamento de seu filho homossexual. Ela aceita a orientação sexual de seu filho. Essa atitude acolhedora de Dona Hermínia conquista todos aqueles que estão assistindo ao filme. Dona Hermínia age como uma típica mãe que irá casar seu filho: pensa nos preparativos do casamento, começa a palpitar em tudo, até que chega o momento em que é apresentada à futura sogra de seu filho. Aí começa a cômica competição entre as sogras. No dia da cerimônia brigam, estragam o bolo, depois fazem um novo bolo mas, no final, tudo dá certo. Enfim, o casamento é celebrado!
Ao final da cerimônia, Dona Hermínia é homenageada por seu filho: “Ela disse que não tinha nenhum problema ser gay, que o problema é lá fora, com o que as pessoas poderiam fazer comigo. Ela me apoiou e ajudou a ter confiança e coragem. Mas eu sei que, infelizmente, essa não é a realidade de todas as famílias. Obrigado, mãe, por você me ajudar a ser quem eu sou”.
O objetivo desse artigo é mostrar como o apoio de uma mãe desde a infância pode ajudar o filho homossexual a vencer os preconceitos da sociedade. Segundo o psicoterapeuta alemão Bert Hellinger, criador das Constelações Familiares, a mãe é responsável pela nossa existência e tem que ser honrada. A mãe é quem nutriu seu filho desde o momento em que estava em seu útero, permitindo que o mesmo sobrevivesse no mundo exterior. Em suma, a mãe corresponde ao sucesso e, portanto, uma relação bem resolvida com a mãe será responsável pelo sucesso de seu filho.
Quando pensamos na situação de alguém que se descobre homossexual, a primeira batalha a ser vencida é dentro de sua própria família. E, nesse momento, o papel da mãe é fundamental. Ela tem que ser a primeira a acolher o seu filho e a lhe dar a bênção para ser feliz. E Dona Hermínia exerceu com bastante louvor o seu papel de mãe.
A próxima batalha a ser vencida será na sociedade. É triste o preconceito que os homossexuais sofrem no mundo afora. Esse preconceito ainda existe, mas com bastante motivação e resiliência, finalmente, muitos direitos estão sendo conquistados.
No mundo jurídico as principais conquistas dos homossexuais foram o direito ao casamento, à adoção de filhos e a criminalização da homofobia.
Primeiro, veio o reconhecimento da união estável homoafetiva pelo Supremo Tribunal Federal. Depois, o Superior Tribunal de Justiça passou a admitir a viabilidade da conversão da união estável em casamento também para os casais homossexuais. Em 2012, as corregedorias dos Tribunais Estaduais passaram a admitir esse tipo de casamento. Finalmente, em 2013 foi editada a Resolução 175 do Conselho Nacional de Justiça impedindo que os Cartórios de Registro Civil se neguem a celebrar casamentos homoafetivos.
A adoção de crianças e adolescentes por casais homossexuais somente passou a ser admitida pelo Superior Tribunal de Justiça a partir de 2010. Antes, a maioria dos juízes não permitia a adoção homoafetiva porque o casal homossexual não era considerado uma entidade familiar. O Supremo Tribunal Federal também passou a admitir a adoção por casais homoafetivos sempre em razão do melhor interesse da criança e do adolescente. Isso mostra como a família homoafetiva está sendo reconhecida pelo Direito de Família Brasileiro.
Debora Ghelman. Foto de Fred Busch
Por fim, a mais recente conquista foi a criminaização da homofobia pelo Supremo Tribunal Federal ocorrida em 13/06/2019. Como o legislativo está demorando muito para tratar do tema, o Supremo Tribunal Fedeal acabou legislando nesse caso. Dessa forma, a conduta homofóbica será punida com base na Lei do Racismo (7716/89), a qual prevê como crime a discriminação ou preconceito por raça, cor, etnia, religião e procedência nacional. Trata-se de um crime inafiançável e imprescritível, com pena de 1 a 5 anos de prisão ou multa, dependendo da gravidade do caso. Portanto, enquanto não for publicada uma lei criminalizando a homofobia, a mesma será tratada como um tipo de racismo.
Importante lembrar que o filme “Minha mãe é uma peça 3” foi criticado por não ter beijo gay na cena do casamento. Um dos atores ficou bastante chateado com tal crítica e disse o seguinte: “a gente não precisa esfregar nenhuma opinião pessoal na cara do público”.
Como se vê, o objetivo do filme não é chocar e, sim, tratar com muita naturalidade uma questão que está cada vez mais corriqueira na sociedade brasileira: o reconhecimento da família homoafetiva. Isso mostra a vitória de todos aqueles que lutaram pelo fim do preconceito. Resultado: filme campeão de vendas nas bilheterias brasileiras!
*Debora Ghelman é advogada especializada em Direito Humanizado nas áreas de Família e Sucessões, atuando na mediação de conflitos familiares a partir da Teoria dos Jogos.
Escolhido pela Holanda para concorrer ao Oscar 2020 na categoria de melhor filme estrangeiro, Instinto é um drama com tons de suspense que fala sobre a complexidade dos sentimentos e ações das pessoas. Quem protagoniza a trama é Nicoline (Carice van Houten), um psicoterapeuta que passa a trabalhar numa cadeia para substituir um funcionário que se afastou por estafa. Lá, ela assume o caso de um homem chamado Idris (Marwan Kenzari, o Jafar, do live action de Aladdin).
Idris está internado por cinco anos e prestes a conseguir a liberdade, uma vez que todos da instituição acreditam que ele melhorou o comportamento e não representa nenhum risco à sociedade. Mas Nicole pensa exatamente o oposto. Ela tem certeza que ele está fingindo e enganando a todos. E o crime de Idris é grave: ele foi responsável por uma série de crimes sexuais graves. Esse histórico faz com que Nicoline tente atrasar sua soltura.
Instinto tem uma premissa muito boa e é um filme sobre conflitos internos. Nicoline é uma personagem complexa, que quer provar que está certa e que Idris não tem boas intenções. Mas até que ponto ela está disposta a comprovar sua suspeita? Outra questão abordada é o perigoso interesse no condenado, um homem vaidoso, manipulador e com um charme que pode ser fatal. Entre a paranoia e a desconfiança, a história avança de um jeito morno, pelas entrelinhas.
Um dos pontos fortes é a atriz principal, que tem a força e a fragilidade que o papel exige. Ela consegue expressar bem a ambiguidade dos sentimentos da protagonista. Isso sem falar em alguns momentos bem incômodos sobre a perturbadora relação entre ela e a mãe. Instinto é um filme correto, mas que poderia se sair bem melhor se o roteiro optasse por aumentar o suspense e diminuir o drama. É por isso que o final, sem grandes surpresas, não empolga.
*Por Michel Toronaga – micheltoronaga@cine61.com.br
Nikolai, um matador de aluguel, utiliza o serviço de transporte por aplicativo para executar autoridades que estão com um plano de corrupção prestes a ser colocado em prática. O carro circula pelas ruas de Brasília (DF) a mando de Nikolai e os crimes vão se sucedendo durante a madrugada. A história – protagonizada pelo ator André Amaro (Capitão Astúcia, 2018) e pela atriz Alexandra Medeiros (Mauro, 2018) – é contada no filme de curta-metragem Crime Hediondo produzido este ano pela 10KMEN FILMES e dirigido por Jota Erre.
“Nosso objetivo com este curta é levantar questionamentos sobre o que podemos classificar como crime hediondo. Queremos retratar e discutir se a corrupção, que prejudica milhões de pessoas no nosso país, é um crime tão bárbaro quanto alguém que ganha dinheiro por tirar vidas”, afirma Jota Erre, diretor e roteirista da obra.
O filme tem 12 minutos de duração, classificação indicativa para maiores de 14 anos e está disponível ao público este mês no YouTube .
O protagonista André Amaro é ator e diretor formado pela Faculdade Dulcina de Moraes e têm diversos trabalhos voltados ao teatro, teatro musical, ópera, rádio e televisão. No cinema, além de interpretar personagens em longas e curtas-metragens de diretores de Brasília, escreveu roteiros e dirigiu curtas de ficção e documentários.
Alexandra Medeiros, também protagonista do filme, é atriz formada em artes cênicas pela Universidade de Brasília, atuou em espetáculos teatrais, fez dublagens e televisão, com aparição em diversas novelas da Rede Globo, entre elas Fina Estampa, Salve Jorge, Amor à Vida e I Love Paraisópolis. Alexandra também esteve no curta-metragem Mauro, em 2018, obra que venceu o prêmio de Melhor Curta do Distrito Federal, em dezembro do mesmo ano.
Crime Hediondo é um filme essencialmente brasiliense. Ariane Lamarão assina a produção executiva ao lado do diretor Jota Erre, que também escreveu o roteiro com Kenneth Viana. Ariane também é responsável pela Direção de Produção. A Preparação de Elenco é de Larissa Mauro.
‘Bacurau, 17km. Se for, vá em paz’, esta é a placa solitária à beira da rodovia indicando a chegada ao pequeno vilarejo em algum lugar distante dos grandes centros urbanos. A cidade fictícia desenvolvida pelos diretores Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, no filme Bacurau (2019), reflete a realidade de muitas comunidades do nosso Brasil. Uma sociedade simples, desprovida de políticas públicas, formada por moradores idealistas , em sua maioria personagens femininos – e resilientes que lutam, literalmente, por um futuro melhor para a cidade onde vivem e convivem em harmonia, de maneira amistosa. Compartilhar, unir-se à vida local, defender ideais em comum em um povoado do interior distópico é a metáfora de um País doente, retratado no filme brasileiro. Indivíduos encaram a violência com naturalidade e, ao mesmo tempo, sentem amor pelo outro.
Uma cidade do interior do Recife apresenta um sertão futurista, com drones, celulares e exploradores de recursos naturais – além de moradores deprimidos que são medicados por Domingas, médica interpretada por Sônia Braga. É ela quem sabe as dores e as delícias de cada indivíduo de Bacurau. Uma espécie de conselheira pessoal que representa a gestão pública de saúde da cidade.
Simples, de pés descalços, cabelos brancos aparentes, fala firme e de liderança forte: é ela quem luta e cuida dos mais diferentes personagens no decorrer da trama. Transexual, garota de programa, pessoas que andam nuas em casa são alguns dos pacientes de Domingas. A criação de vínculo nesta relação vai muito além de médico-paciente, a visão humanista e a empatia pelo indivíduo faz com que a médica não seja vista somente como uma profissional de saúde, mas sim uma parente, alguém com ar familiar.
Na narrativa retratada no filme, a personagem assemelha-se ao médico de família, que vai até a casa de seus pacientes, e que ao mesmo tempo atende à comunidade: presta atendimento de Atenção Primária, conversa com um a um de forma humanista e personalizada. Seja qual família for. Uma relação criada ao longo do tempo com quem Domingas atende normalmente. Ela cuida de todos por meio da medicina integrativa, busca entender a causa da doença e não somente o que acomete a pessoa naquele momento. A médica direciona seu diagnóstico em analisar o indivíduo e não a doença em si.
Esse retrato de um povoado também é o reflexo futurista do filme; recentemente um estudo da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) revelou que a Atenção Primária pode atender de 80% a 90% das necessidades de saúde de um pessoa ao longo de sua vida. Ou seja, a sociedade caminha para o retorno do médico de família, aquele que conhece o histórico do paciente, evita prescrever exames desnecessários, analisa a questão emocional e faz um diagnóstico baseado em um contexto social e familiar – neste último caso vai além da herança genética.
O médico de família é o responsável por trazer ressignificado à saúde para a sociedade, ensinar a ter uma vida focada no bem-estar físico e psicossocial. A evitar ou sanar doenças mudando, por exemplo, o estilo de vida. Em comunidades carentes, a importância deste profissional é inquestionável: ele é o primeiro e talvez o único contato com agentes de saúde. Já nos grandes centros urbanos, problemas como estresse, alergias, inflamações e outras complicações geradas pela alimentação irregular, vida desregrada, ansiedade, compulsão e até sinais de depressão podem ser diagnosticados sem necessidade de exames, mas com Atenção Primária.
Bacurau nos remete ao passado, mas também ao futuro. Nos mostra as mazelas, a liderança feminina na comunidade, o afeto, a convivência, a dor do outro, um mundo real e ao mesmo tempo distante. Um povoado que retrata a obscuridade da sociedade atual e expõe que as relações humanas e o conhecimento de uma médica, podem ajudar a evitar doenças mentais geradas, às vezes, por questões internas dos indivíduos – e não necessariamente por doenças. Que existem diversas maneiras de se cuidar das pessoas, e possivelmente a melhor delas é olhar para o indivíduo como um todo. Alguém que além de sintomas físicos, apresenta sintomas emocionais – vistos a olhos nus por quem sabe enxergar o ser humano e toda a sua complexidade em existir. No sentido mais profundo do termo, um profissional de saúde.
Com a estreia nesta semana de “Um Dia de Chuva em Nova York”, do cineasta Woody Allen, muitas críticas divulgadas parecem ambíguas: afinal, são sobre o profissional ou o pessoal? Aparentemente, o novo filme deixou de ser o tema central, graças ao imbróglio entre Allen e a Amazon. A película fazia parte de um acordo entre ambos, mas a parceria foi rompida com a ascensão dos movimentos #MeToo e Time’s Up, motivados pela polêmica de 1992, quando Woody Allen fora acusado de abusar sexualmente de sua filha adotiva, Dylan Farrow. É nítido que os holofotes estão mais voltados a todo esse enredo do que ao filme. Previsível? Sim. Procedente? Há controvérsias.
O fato é que, possivelmente, Dylan Farrow foi vítima não de abuso sexual, mas da síndrome de falsas memórias. Vamos relembrar: em 6 de agosto de 1992, Mia Farrow, ex-esposa de Woody Allen, o acusou de ter molestado sexualmente a filha adotiva de ambos, Dylan, que tinha sete anos de idade. A denúncia levou a uma investigação criminal por parte da polícia de Connecticut, nos Estados Unidos, e de uma equipe do Hospital Yale New Haven, especializada em abusos sexuais de crianças.
Para a surpresa de quem desconhece até hoje a informação, em abril de 1993, esta equipe apresentou um relatório com a conclusão de que a menina não havia sido molestada. De acordo com os investigadores, o depoimento de Dylan apresentava muitas inconsistências e contradições, e parecia ter sido ensaiado. Na época, o chefe da equipe, Dr. John M. Leventhal, fez o seguinte pronunciamento: “Tínhamos duas hipóteses: uma, que eram declarações feitas por uma criança emocionalmente perturbada e depois fixadas em sua mente. E a outra hipótese era a de ter sido influenciada por sua mãe. Não chegamos a uma conclusão firme. Achamos que provavelmente foi uma combinação”. Portanto, Allen foi considerado inocente.
A possível armação poderia se justificar com a separação de Woody Allen e Mia Farrow e o envolvimento dele com Soon-Yi, caso que se tornou um escândalo no mundo todo. Em 2014, Moses, outro filho adotivo de Mia Farrow e Woody Allen, de 36 anos, saiu em defesa do pai. Afirmou que ele não tinha molestado sua irmã e acusou a mãe de “envenenar” os filhos contra Allen e fazer “lavagem cerebral” nas crianças.
O fato de Dylan acreditar que foi abusada pelo pai não significa que o ato tenha mesmo ocorrido. Ao contrário do que indica o senso comum, as nossas lembranças não representam um registro fiel do passado, e mesmo pessoas normais do ponto de vista psiquiátrico podem apresentar falsas memórias. Algumas vezes, falsas memórias chegam a ser mais ricas em detalhes e mais vívidas do que memórias verdadeiras. Elas surgem espontaneamente ou são o resultado de influência externa. Alguns estudos científicos, como os conduzidos pela psicóloga cognitiva americana, Elizabeth Loftus, demonstram que falsas memórias podem ser criadas por sugestão.
Crianças pequenas são especialmente suscetíveis ao desenvolvimento de falsas memórias, pois são mais sugestionáveis do que crianças mais velhas, adolescentes ou adultos. Elas tendem a aceitar como verdade o que dizem os adultos e têm dificuldade de distinguir o que realmente vivenciaram do que apenas ouviram falar. Diversas formas de manipulação – exercidas por pais, psicoterapeutas ou outros – podem fazer com que sejam implantadas falsas memórias até mesmo de eventos traumáticos, como a de ter sofrido abuso sexual, por exemplo.
No início da década de 1990, nos Estados Unidos, muitas pessoas adultas processaram seus pais acusando-os de tê-las molestado sexualmente na infância. Em grande parte desses casos, contudo, comprovou-se que nenhum abuso havia ocorrido e que, portanto, as acusações tiveram como origem falsas memórias, as quais não raramente haviam surgido no curso de um tratamento psicoterápico. Alguns autores chamam esse fenômeno de “síndrome de falsas memórias” que, com frequência, está associada a situações de divórcio dos pais e disputa de custódia. Muito provavelmente, Dylan é vítima dessa síndrome.
Polêmicas à parte, o que podemos esperar de “Um Dia de Chuva em Nova York” é o que o cineasta faz de melhor: com Woody Allen, aprendemos a rir de nós mesmos; de falhas, medos e inseguranças. Independentemente de sua opinião sobre Allen, é inegável sua mescla de humor com lirismo, e como ele mostra que nós, seres humanos, somos tão frágeis e desamparados, mas, ao mesmo tempo, nos faz acreditar que a vida pode ser bela e romântica, cheia de música, magia e fantasia. Como um filme de Hollywood.
*Por Dr. Elie Cheniaux é psiquiatra, escritor, membro licenciado da Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro, professor de pós-graduação em Psiquiatria e Saúde Mental da UFRJ, onde coordena o laboratório de pesquisa sobre o transtorno bipolar; e professor de pós-graduação em Ciências Médicas da UERJ. É autor do livro “Woody Allen: seus filmes são mesmo autobiográficos”? Rio de Janeiro: Autografia, 2019, v.1. p.304. [Prefácios de Marcelo Janot (O Globo) e de Ana Rodrigues (JB). “Tão apaixonado por Woody Allen quanto por seu suposto alter ego das telas, Elie Cheniaux se debruça de forma minuciosa sobre a vida e obra do ator, diretor e roteirista para investigar até que ponto vão as semelhanças e diferenças. A decupagem criteriosa de seus 50 longas-metragens resultou em um trabalho revelador por parte do autor”. (Do prefácio de Marcelo Janot).
A Paramount Pictures divulgou um vídeo de bastidores de ‘Top Gun: Maverick’ em que Tom Cruise e a equipe falam sobre como foram as gravações e que o grande objetivo era o público se sentir pilotando um caça. “Estamos trabalhando com um novo sistema de filmagem que nos permite colocar 6 câmeras IMAX dentro do cockpit junto aos atores”, explica o diretor Joseph Kosinski.
Além do grande elenco com Tom Cruise, Jennifer Connelly, Miles Teller, Jon Hamm, Ed Harris e Val Kilmer, ‘Top Gun: Maverick’ contou também com um time especial… “Você não consegue criar esse tipo de experiência sem filmá-la ao vivo. E para conseguirmos fazer isso temos os melhores pilotos de caça do mundo trabalhando com a gente”, fala Tom Cruise.
“Pilotar um desses aviões de caça é emocionante e queremos que o público tenha essa experiência”, completa Kosinski.
O produtor Jerry Bruckheimer garante no vídeo que um filme de aviação nunca foi realizado dessa maneira e que o longa é uma homenagem. “Depois de 34 anos, Tom Cruise volta como Maverick. Esse é um filme sobre competição, família, amizade e sacrifícios. É uma carta de amor à aviação. Vamos mostrar o que é realmente ser um piloto Top Gun.”
‘Top Gun: Maverick’ tem estreia prevista para 09 de julho de 2020 nos cinemas do Brasil.
Sinopse:
Depois de mais de 30 anos servindo a marinha como um dos maiores pilotos de caça, Pete “Maverick” Mitchell (Tom Cruise) continua na ativa, se recusando a subir de patente e deixar de fazer o que mais gosta, que é voar. Enquanto ele treina um grupo de pilotos em formação para uma missão especial que nenhum “Top Gun” em vida jamais participou, ele encontra Bradley Bradshaw (Miles Teller), que tem o apelido de “Rooster”, o filho do falecido amigo de Maverick, o oficial Nick Bradshaw (Anthony Edwards), conhecido como “Goose”.
Enfrentando um futuro incerto e lidando com fantasmas de seu passado, Maverick confronta seus medos mais profundos em uma missão que exige sacrifícios extremos daqueles que serão escolhidos para executá-la.
Não Minta Pra Mim, nova produção da premiada atriz e cineasta Barbara Riethe, pela Ventu Filmes e dirigido por Adriana Paulini Leão, aborda os dois mais importantes princípios da humanidade: empatia e responsabilidade.
A narrativa do filme, que se passa em 2050, demonstra um mundo tóxico e inabitável, consequência da degradação acelerada da natureza. Barbara reflete claramente a importância do coletivo, da ação e reação e de como, após terríveis decisões, a única coisa que poderá nos salvar será a empatia.
A questão ambiental é exposta de uma forma muito realista e mostra o mundo catastrófico para o qual a humanidade caminha a passos largos. E que se conscientizar e se responsabilizar por nossos atos, bem como agir para muda-los são os únicos meios de frear as condições climáticas e naturais precárias que serão enfrentadas daqui 30 anos.
“Quando recebi os relatórios científicos para escrever o roteiro, percebi que os números gritam diante de nós, e o que sentimos com isso? Como agimos? Esse foi o mote do roteiro. Como sou atriz no filme, na hora de gravar as cenas e me colocar naquela situação foi ainda mais intenso. Toda a equipe do SET se envolveu, se comoveu. Já era impactante interpretar um personagem naquela situação ficcional, e mais ainda é pensar que aquilo poderia se tornar realidade para a maioria das pessoas”, diz Barbara.
O roteiro revela de forma visceral as diferentes personalidades e defeitos inerentes ao ser humano quando expostos ao pânico. Ao mesmo tempo em que declara o nascer do sentimento egoísta de preservação mostra a força do instinto coletivo. Com uma excelente construção de personagens, Barbara faz com que o público se identifique com cada um deles.
“A Júlia, minha personagem, é apaziguadora dos conflitos, a personagem Alice é tão teimosa e certa de si que não ouve ou se escuta, a personagem Louise é niilista e já perdeu as esperanças, o Fines é a paixão da ignorância e da conformidade. É possível que essa identificação possa, também, fomentar o olhar crítico do público. Acredito no poder transformador da arte, porque ela nos aproxima, ela nos humaniza, nos atravessa e desperta essa força para agir. O filme é um grito por mudança e uma lembrança de que ainda temos tempo e podemos mudar isso”.