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Claudia Abreu comenta bastidores do terror O Rastro

O sombrio hospital de O Rastro provocou calafrios ainda durante as gravações do longa-metragem. Ao entrar pela primeira vez no set de filmagem montado em um antigo hospital desativado do Rio de Janeiro, no qual o teto parecia que iria desabar a qualquer instante, a atriz Claudia Abreu, se sentiu desconfortável. “É como se você sentisse um pouco a energia daquele lugar”, conta a atriz que interpreta Olívia, a médica chefe da Unidade de Tratamento Intenso da história.

Além da sensação sinistra, Claudia Abreu revela que o roteiro original, de um filme de terror em um hospital público, foi o que a seduziu para fazer parte da produção. “Eu acho que não tem nada mais original do que um filme de terror num hospital público brasileiro. É um filme de terror com um assunto muito importante por trás”, acredita. O Rastro traz no elenco Rafael Cardoso, Leandra Leal, Claudia Abreu, Felipe Camargo, Jonas Bloch e Alice Wegmann.

A semana (1/6 a 7/6) no Espaço Itaú de Cinema

Veja a seguir os filmes que passarão esta semana no Espaço Itaú de Cinema, que fica no shopping CasaPark (Guará). A programação completa, com todos os horários, você encontra no site oficial da rede: http://www.itaucinemas.com.br/ Antes, confira os valores atualizados dos ingressos do Espaço Itaú de Cinema Brasília.

Piratas do Caribe ­ A Vingança de Salazar – O capitão Salazar (Javier Bardem) é a nova pedra no sapato do capitão Jack Sparrow (Johnny Depp). Ele lidera um exército de piratas fantasmas assassinos e está disposto a matar todos os piratas existentes na face da Terra. Para escapar, Sparrow precisa encontrar o Tridente de Poseidon, que dá ao seu dono o poder de controlar o mar.


Corra! – Chris (Daniel Kaluuya) é jovem negro que está prestes a conhecer a família de sua namorada caucasiana Rose (Allison Williams). A princípio, ele acredita que o comportamento excessivamente amoroso por parte da família dela é uma tentativa de lidar com o relacionamento de Rose com um rapaz negro, mas, com o tempo, Chris percebe que a família esconde algo muito mais perturbador.


Reset ­ O Novo Balé da Ópera de Paris – Um retrato sobre o renomado coreógrafo e dançarino Benjamin Millepied, também conhecido pelas coreografias em Cisne Negro, enquanto ele tenta rejuvenescer o balé de Paris na sua nova posição de diretor.


As Aventuras de Ozzy – Ozzy é um pacífico e amigável cão da raça Beagle que mora com os Martins. Quando a família decide fazer uma longa viagem na qual cães não são permitidos, eles decidem deixar o amado Ozzy em um spa para cachorros. Acontece que esse lugar perfeito na verdade é um fachada construída por um vilão que deseja sequestrar cachorros. Preso, Ozzy precisa evitar o perigo e encontrar força nos seus novos amigos para conseguir voltar a salvo para casa.

Amor.Com – Foto dRachel Soares/Divulgação

Amor.com – Katrina (Isis Valverde) é uma famosa blogueira de modas que dita tendências no mercado brasileiro através de seus populares vídeos na internet. Fernando (Gil Coelho), por sua vez, é um vlogueiro de um canal de videogames que ainda não é muito famoso, mas que já está fazendo certo sucesso. Quando os dois se conhecem, em uma situação complicada, acabam se apaixonando e o romance dos dois vira “febre” na internet, uma febre que eles vão precisar controlar, equilibrando o mundo real e o virtual.

O Grande Dia – Separados pela distância dos países onde vivem e com suas jornadas dificultadas pelas difíceis vidas que levam (Cuba, Índia, Mongólia e Uganda), as vidas de quatro jovens são unidas pelo desejo que eles possuem de vencer e superar obstáculos para conquistar seus sonhos e paixões em busca de uma vida melhor.

Muito Romântico – Melissa e Gustavo atravessam o oceano Atlântico em busca de uma vida nova em Berlim. Eles seguem seu caminho fazendo filmes, amizades e música, mas um segredo revelado faz o medo vir à tona. Os dois perdem o rumo, até o dia em que encontram um portal para o cosmos, expandindo a travessia para além do tempo e do espaço.

Xingu Cariri Caruaru Carioca – Em busca de suas origens musicais e as raízes das flautas, Carlos Malta é um dos músicos que se reúnem para conversar e tocar juntos os sons tradicionais das “culturas populares” e “cultura pop”. Um encontro entre mundos diversos e que se complementam, uma mostra de que tudo está sempre em movimento e um registro da capacidade criativa da música contemporânea, sempre em transformação.

Comeback
Comeback – Aposentado da antiga carreira de pistoleiro, Amador (Nelson Xavier) leva uma vida solitária que nada se compara com os dias de perigo e, principalmente, de temor por parte das pessoas. Um dia, é procurado pelo neto de um antigo amigo, que deseja trabalhar com ele devido à sua fama. Amador logo o coloca como ajudante de sua atual atividade, o transporte de máquinas caça­-níqueis para bares próximos, mas a falta de reconhecimento em relação ao que foi passa a incomodá-­lo cada vez mais.


Mulher-Maravilha – Treinada desde cedo para ser uma guerreira imbatível, Diana Prince (Gal Gadot) nunca saiu da paradisíaca ilha em que é reconhecida como princesa das Amazonas. Quando o piloto Steve Trevor (Chris Pine) se acidenta e cai numa praia do local, ela descobre que uma guerra sem precedentes está se espalhando pelo mundo e decide deixar seu lar certa de que pode parar o conflito. Lutando para acabar com todas as lutas, Diana percebe o alcance de seus poderes e sua verdadeira missão na Terra.

Real ­ O Plano por Trás da História – 1993. Arrogante e inflexível, Gustavo Franco (Emílio Orciollo Neto) é um crítico feroz da política econômica adotada pelo governo brasileiro nos últimos anos, que resultou em um cenário de hiperinflação. Opositor de políticas de cunho social, ele é adepto de um choque fiscal de forma que seja criada uma moeda forte, que devolva a dignidade aos cidadãos. Quando o presidente Itamar Franco (Bemvindo Siqueira) nomeia Fernando Henrique Cardoso (Norival Rizzo) como o novo Ministro da Fazenda, Gustavo é convidado a integrar uma verdadeira força­tarefa, cujo objetivo é criar um novo plano econômico.

Rei Arthur ­ A Lenda da Espada – Arthur (Charlie Hunnam) é um jovem das ruas que controla os becos de Londonium e desconhece sua predestinação até o momento em que entra em contato pela primeira vez com a Excalibur. Desafiado pela espada, ele precisa tomar difíceis decisões, enfrentar seus demônios e aprender a dominar o poder que possui para conseguir, enfim, unir seu povo e partir para a luta contra o tirano Vortigern, que destruiu sua família.

Faces de Uma Mulher adentra no universo feminino

*Por Clara Camarano – contato@cine61.com.br

Quatro fases e facetas de uma mesma ou, cabe bem à metáfora, de várias mulheres expostas à violência e ao preconceito. O tema pode até parecer clichê, mas o retrato e recortes são totalmente originais. Ainda mais quando se trata da direção do francês Arnaud des Pallières. Em sua nova produção,  Arnaud dá voz ao sexo feminino com todas as suas fragilidades e dramas sociais impostos. Mas sem perder o empoderamento e a vontade do grito.

Um baralho enigmático, com atuação de quatro atrizes de porte que se revezam na atuação de uma personagem  apresentada por  nomes diferentes,  mas sempre co-relacionados à mesma pessoa. A menina Kiki  (Vega Cuzytek), de seis anos; a adolescente Karine (Solène Rigot), a jovem de 20 anos Sandra (Adèle Exarchopoulos – protagonista de Azul é a Cor Mais Quente) e, finalmente, Renée (Adèle Haenel), com seus 27 anos, formam este time que dão vida à “Karine”.

A suposta Karine é retratada com todos estes nomes (todas podem ser ou são Karine), em uma ordem que não segue uma cronologia. A então Karine é a atriz Adèle Haenel, uma professora que aparentemente leva uma vida tranquila em uma escola infantil onde leciona para crianças filhas de imigrantes. O tema do preconceito contra a imigração já é aqui pincelado. Fora isto, Karine, em seu lado pessoal,  pensa em ter um filho com o namorado por meio de uma inseminação artificial.

Policiais à porta e uma prisão geram uma reviravolta rápida que deixa um questionamento sobre a história real desta mulher. Ela é órfã e teve vidas diferentes, adotando sempre outros nomes para sobreviver a um passado repleto de abusos. É quando surgem as outras atriz para revelar este passado nebuloso e cheio de dores. Mesmo com uma sinopse maravilhosa, o filme, no entanto, perde no exagero que chega a beirar  um voyeurismo ao retratar a violência e o sexo. O final também deixa a desejar com uma conclusão duvidosa.  O que vale é o destaque da mulher mediante à vida ou sua submissão? Vale a pena assistir. Inovador.

Veja aqui o trailer do filme Faces de Uma Mulher:



Orpheline (França, 2016) Dirigido por Arnaud des Pallières. Com Adèle Haenel, Adèle Exarchopoulos, Solène Rigot, Vega Cuzytek, Jalil Lespert, Gemma Arterton…

Fnac recebe linda exposição inspirada no filme Amelie Poulain

Em homenagem à personagem do longa O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, a Fnac Brasília recebe a exposição Desvendando o Universo de Amelie Poulain. Em 90 obras, 70 artistas revelam os seus olhares sobre o filme. A mostra, que já passou por Curitiba, São Paulo,Rio de janeiro e Belo Horizonte conta com entrada franca e fica em cartaz de 2 a 30 de junho, na livraria Fnac do ParkShopping de Brasília. Para conferir a exposição, basta visitar a loja de segunda a sábado, das 10h às 22h, e de domingos e feriados, das 10h às 20h. A abertura contará com bate-papo sobre o filme e as obras com o curador.
O trabalho que fizemos com os artistas foi trazer a percepção de cada um para as obras — explica o produtor cultural e curador da exposição Hugo Umberto Carmesim. Os quadros são trabalhados à tinta, lápis de cor ou com materiais como plástico e acrílico. Entre os nomes que assinam, estão Alexandre Acras (foto em destaque), Adriano Catenzaro, Marília Marques Silva, Cecília Dalcanale, Elizabeth Titton, Veronica Fukuda, Denise Nissen, Ana Isis Ribas, Patrícia Virmond, Lourdes Giglio, Bárbara Zacchi, Claudia Colnaghi, Bruna Fraga, e Ana Laura, uma criança de 4 anos, entre outros.
Exposição Desvendando o Universo de Amelie Poulain 
Abertura: dia 02 de junho, sexta-feira, às 19h30 (contará com bate-papo com o curador sobre o filme e as obras). 
Visitação: De 02 a 30 junho de 2017 
De Segunda a sexta, das 10h às 22h 
Domingos e feriados das 10h às 20h 
Fnac Brasília – ParkShopping
SAI/SO ÁREA 6580 LUC 149P – Guará Brasília – DF 
Entrada Franca e Livre para todos os públicos 
Informações: (61) 2105-2000

Terror Emelie mostra a pior babá que família pode ter

*Por Michel Toronaga – micheltoronaga@daiblog.com.br

Um casal vai comemorar o aniversário de casamento num restaurante e contrata uma jovem babá para cuidar de seus três filhos por uma noite. A jovem Anna (Sarah Bolger, de Renascida do Inferno) é a indicação de uma pessoa de confiança e apresenta-se para o trabalho. Isso não teria nenhuma relevância se não fosse um detalhe: Anna não é quem diz ser. Ela se chama Emelie. Com direção de Michael Thelin, Emelie é um suspense que funciona principalmente se você tiver filhos, sobrinhos ou adorar crianças.

Sem perder muito tempo com explicações, o roteiro possui uma tensão crescente, a medida que a babá vai revelando suas reais intenções. Despreocupada com o futuro e integridade física e psicológica dos pequenos, ela é o maior pesadelo dos pais zelosos ou da Supernanny. No longa-metragem, o elenco infantil trabalha muito bem, com uma interpretação natural. São verdadeiras crianças em vez de pequenos adultos. Isso cria um envolvimento maior. E maior agonia também.

O suspense tem uma boa construção, ainda mais porque fica difícil entender quais são os planos da protagonista. E essa imprevisibilidade prende a atenção de quem vê o filme. Não se sabe o que a vilã quer e nem do que é capaz. A razão de sua loucura e seus objetivos são explicados próximos do final. A resposta, entretanto, não soa como algo tão interessante, assim como a participação de uma figura cúmplice.

A parte final da projeção não surpreende pois vira um corre-corre genérico presente em todos os filmes do gênero. Mesmo derrapando na conclusão, Emelie é um trabalho interessante por ser descompromissado. Foca em situações agoniantes e constrangedoras, com momentos que realmente são incômodos. E é um prato cheio para quem quer cultivar medo e paranóia na hora de contratar uma babá. Afinal, elas podem fazer estragos irreversíveis na mente de crianças inocentes.

Veja aqui o trailer do filme Emelie:

Emelie (EUA, 2015) Dirigido por Michael Thelin. Com Carly Adams, Elisha Ali, Thomas Bair, Jason John Beebe, Chris Beetem, Sarah Bolger, Bob Bozek…

Cineasta Rebecca Zlotowski fala sobre Além da Ilusão

Rebecca Zlotowski nasceu em 1980 em Paris. Depois de formar-se na prestigiada École Normale Supérièure e tornar-se agrégée de língua francesa e literatura, ela entrou para a famosa escola de cinema parisiense La Fémis, onde teve encontros decisivos com outros realizadores especiais, como Teddy Lussi Modeste, Jean-Claude Brisseau, Philippe Grandrieux, Antoine d’Agata (com quem ela colaborou depois) e Lodge Kerrigan. Selecionada para a Semana dos Críticos de Cannes em 2010, sua estreia na direção Belle Épine ganhou o Prix Louis Delluc assim como o prêmio da crítica de Melhor Primeiro Longa-Metragem. Três anos depois, Grand Central foi selecionado para a mostra Um Certain Regard em Cannes. Além Da Ilusão é o terceiro longa de Zlotowski.

Como surgiu a ideia do filme?
É sempre difícil responder a essa pergunta sem falar sobre cada estímulo que fundamenta um determinado tema, o tema com o qual você vai conviver pelos próximos três ou quatro anos, como é o caso do projeto de um filme. Eu poderia citar o clima político crítico que nos cerca – nos submerge -, o desejo de filmar uma atriz estrangeira que se estabelece na França, a afirmação de personagens com destinos poderosos, uma vontade forte de acreditar na ficção…
Eu senti a necessidade de comentar sobre o mundo sombrio e escorregadio em que entramos usando a ferramenta do storybook. Eu pensei numa coisa que Duras disse que é tão perturbadora quando se para pensar: “Nós nunca sabemos o que está prestes a mudar”.
Num outro nível, eu queria me aprofundar mais no meu trabalho com atores. Meus dois primeiros filmes foram filmados em períodos curtos e me deixaram com gostinho de quero mais. Senti uma urgência de explorar esse aspecto. Queria colocar meus atores num estado próximo ao transe, explorar rituais de possessão, suas manifestações físicas – sem ir tão longe quanto Rouch em Os Mestres Loucos –, mesmo que, conforme o projeto evoluiu, essa área não teve um papel maior.

Foi isso o que a levou para o espiritualismo praticado pelas irmãs Barlow?
Sim. Rapidamente me interessei pelo destino das irmãs Fox, três norte-americanas irmãs e médiuns do fim do século XIX que tiveram um papel importante no espiritualismo, o precursor do espiritismo, e foram mitos da cultura norte-americana. O sucesso delas foi considerável e elas deram origem a uma doutrina que prosperaria com centenas de milhares de seguidores no mundo todo, chegando aos círculos intelectuais europeus… Um episódio menos conhecido me fascinou: um ano, um banqueiro rico contratou uma das irmãs para encarnar o espírito de sua falecida esposa. Eu adorei a história. Foi o ponto inicial de um suspense totalmente hitchcockiano…

Por que você trocou o mundo das finanças pelo do cinema?
Eu queria fazer um filme francês, na minha língua. Comecei a fantasiar com uma turnê europeia com as irmãs, que eram então apenas duas. Eu transformei o banqueiro num produtor de cinema porque, para mim, o mundo do cinema reverbera cem vezes mais intensamente com o espiritualismo do que o mundo das finanças.
Fantasmas, espectros, sessões… Até o vocabulário é evocativo… Mas fui dissuadida pela ambiência vitoriana do século XIX, então transportei a história para os anos 1930, usando um produtor judeu, vítima de uma campanha para manchá-lo que precipitaria sua queda… Isso foi logo depois do triste episódio de Dieudonné e seu antissemitismo, que me afetou profundamente, como todas as formas de racismo.   

Foi assim que surgiu outra inspiração histórica? O produtor Bernard Natan entregue pelo governo francês aos ocupantes nazistas em 1942?
Exatamente. Eu não tive que procurar muito para encontrar esse produtor cuja queda tinha sido programada. Ele existiu. Bernard Natan foi um rico produtor de cinema de origem romena, cidadão francês naturalizado e Croix de Guerre que começou do zero. Ele comprou a Pathé Cinéma em 1929 e foi vítima de uma campanha antissemita. Foi retirado de seu posto, destituído de sua nacionalidade francesa e enviado para Auschwitz pelas autoridades francesas via Drancy. Uma espécie de caso Dreyfus do mundo do cinema pouco conhecido.
Ainda assim, Nathan comprou e criou os estúdios na Rue Francoeur por quatro anos… Mas sem uma placa, nenhuma menção de sua existência era visível – um equívoco recentemente corrigido – e ninguém, ou praticamente ninguém sabia seu nome. Apesar disso, ele produziu filmes franceses durante uma década importante para o cinema, trouxe filmes sonoros para a França e teve uma influência duradoura na produção francesa.
Seu destino trágico me interessou e eu queria falar sobre isso, usar o cinema como uma ferramenta de justiça. Mas não com uma cinebiografia – um destino, não importa o quão excepcional, não é suficiente para contar uma história. E então, com o consentimento de sua neta, eu me libertei das restrições impostas por uma verdadeira biografia. No filme, tudo ou quase tudo é ficcional. Elementos reais (a blasfêmia pornô, trechos das reuniões com acionistas etc) são entrelaçados com elementos puramente imaginários. Eu imaginei as irmãs Fox se encontrando com Bernard Natan, renomeado Barlow e Korben (que em iídiche quer dizer “aquele que se sacrificou”) e a criação e queda dessa estranha família. A história estava lá.

Em que momento Natalie Portman entrou no projeto?
Foi muito rápido. Ela estava quase que inconscientemente ligada ao filme desde o início. Eu conheci Natalie Portman há dez anos através de amigos em comum que eram minha ligação entre Estados Unidos e França.
Nos conhecemos praticamente no dia em que descobri que tinha recebido financiamento do Centro Nacional do Cinema e da Imagem Animada (CNC) para Belle Épine. Ela incorporou uma espécie de “estrela guardiã” que se interessou pelo meu trabalho desde o início. É claro que eu queria trabalhar com ela, mas nenhum projeto parecia certo. Ela morava nos Estados Unidos e eu não queria fazer um filme americano. Não era o momento certo. Mas acho que nossas imaginações inconscientes foram inteligentes. Eu sabia que ela ia se mudar para a França e num certo sentido fiz tudo ao meu alcance – embora não tivesse consciência disso – para ter um tema pronto para apresentar para ela.
Eu ofereci o papel a ela e ela concordou antes de o roteiro estar pronto. Tudo aconteceu com uma facilidade muito impressionante, o total oposto de complicações que você pode imaginar que aconteçam envolvendo uma estrela do calibre dela. Hoje percebo o quanto fui sortuda, mas na época nossa colaboração – ela vindo para a Europa, para o mundo do cinema francês – fez tanto sentido que eu nunca imaginei que pudesse falhar.

O que muda no projeto de um filme quando se sabe desde tão cedo que uma estrela com o status de Natalie Portman irá participar?
Sempre gostei de trabalhar com atores profissionais e escolhi estrelas no passado: Tahar Rahim, Léa Seydoux, Olivier Gourmet… Então não foi assim tão diferente do que estava habituada. Mas a presença de uma estrela americana num projeto francês cria um tipo de responsabilidade muito particular. O que se exige exatamente ao trazer uma atriz americana para a França? Há questões cinematográficas. Qual língua será falada? O que isso significa para o público francês? Para os investidores franceses? Para os outros atores? Você sempre tem que considerar as emoções envolvidas quando os atores estão no set.
Quando Natalie Portman entrou para o projeto, causou um impacto no elenco, nas pessoas comprometidas com o filme. A atuação dela tem uma expressividade – ela pode interpretar qualquer emoção – que é muito diferente da atuação francesa. Há uma ideia de que as emoções têm que ser demonstradas ao invés de interiorizadas. Na França, há uma certa desconfiança com a ortodoxia do cinema americano (no qual os atores usam os corpos de uma maneira diferente, têm um preparo para grandes musicais), como se fosse uma afronta à interiorização do cinema de arte francês, no qual o ator se torna praticamente um coautor do filme. Para mim não há qualquer contradição ou oposição, apenas uma outra abordagem que é, ao mesmo tempo, estimulante e complementar.

Quando ela aceitou, como isso moldou o filme?
Natalie tem uma personalidade forte, é uma mulher que faz seu destino com as próprias mãos, e isso era uma vantagem para a personagem Laura. Eu raramente vejo as qualidades que admiro em personagens femininas: força de vontade, espontaneidade, poder de ação, uma ambição que não é materializada através da sedução mas sim do intelecto, inteligência e capacidade de adaptação. O filme também enfatiza a necessidade da heroína de renunciar a uma certa dureza e à anestesia de seus sentimentos e emoções para se soltar, através do cinema e para o cinema. Acho que costumo trabalhar com isso em meus filmes.
Além disso, estávamos levando uma grande atriz americana para falar especificamente sobre a Mitteleuropa – da Paris cosmopolita onde intelectuais de toda a Europa se encontravam – e do período pré-guerra, que é uma noção apavorante quando se para pensar. Nossas primeiras conversar sobre o filme coincidiram com a primeira onda de ataques terroristas em 2015 e eu me tornei consciente do país em que vivo através dos olhos de uma estrangeira. Eu vi a França e a Europa através dos olhos dela.

Ao dizer isso, você está tentando estabelecer uma ligação do período que estamos passando com o fim dos anos 1930?
Não, não diretamente. Não sou economista nem historiadora, traçar paralelos seria ingênuo, precoce e impreciso. Sim, há um forte aumento do populismo e estamos no meio de um grande declínio em todos os níveis – moral, religioso e político – mas as eras não podem ser comparadas. Se a concepção coletiva dos anos 30 parece contemporânea na superfície, tudo bem por mim, contanto que esse eco faça as pessoas pensarem. Em termos de ficção, os anos 30 carregam uma ameaça que é uma verdadeira característica do gênero suspense. Para simplificar, nós sabemos que uma coisa horrível vai acontecer; o desastre está próximo, pairando sobre nossas cabeças. É uma ferramenta narrativa poderosa, com significado e atmosfera, e eu precisava evocar a época presente.   

Como você pensou em Emmanuel Salinger?
Ele entrou para o projeto rapidamente, porém de uma forma indireta. Começou com os olhos de Peter Lorre em M, O Vampiro de Dusseldorf, onde um homem inocente é acusado. Para mim, os olhos de Lorre e Salinger podem ser totalmente sobrepostos. Eles sempre me acompanharam no meu mundo do cinema imaginário.
Além do mais, eu senti que, para ser legítima, essa história sobre fantasmas precisava trazer de volta um fantasma do meu próprio passado, ou pelo menos da indústria do cinema. Embora obviamente Emmanuel Salinger não tenha desaparecido depois de La Sentinelle e Como Eu Briguei (Por Minha Vida Sexual), ele sugere uma espécie de truque de aparecer e desaparecer. Nós o deixamos quanto tinha 20 anos e ele reaparece com cabelos brancos, como num filme de David Lynch.
Também pensei muito em Esther Kahn, a história de uma jovem que descobre que é capaz de sentir através do teatro. É uma obra de arte na qual pensei enquanto estava fazendo esse filme. A porosidade desses mundos imaginários (Salinger como um ator, Desplechin como diretor) naturalmente me levaram a Emmanuel e nossos primeiros testes me tiraram o chão. Ele foi o primeiro ator com quem me reuni para o papel.


Foi quando Lily-Rose Depp apareceu…
  O papel dela era essencial porque o filme é a história – quase em proporções iguais – da criação de uma família com três pessoas: duas irmãs e um produtor de cinema. Eu não só precisava de uma irmã para Natalie Portman como precisava de uma atriz jovem que fosse capaz de se colocar em estados semelhantes ao transe, de se comunicar com fantasmas e que pudesse nos fazer acreditar.
Como em Belle Épine, eu não queria sair nas ruas para escalar o elenco. Eu preferi procurar entre jovens mulheres que já soubessem que querem atuar, que se imaginariam vivendo uma vida de atriz. Há uma espécie de impressão no corpo e na mente que me conforta; não tenho a sensação de que estou roubando sua adolescência e as empurrando para o mundo do trabalho. Porque, num certo sentido, o cinema é trabalho, mesmo que também seja divertido, imprevisível e gratificante. E tinha a questão da língua também. No filme, Kate é uma falante do inglês que rapidamente pega o ritmo do francês.
Quando Natalie me mandou uma foto de Lily-Rose Depp, de uma certa forma a indicando – porque ela também ficou maravilhada com sua semelhança – tive uma de minhas intuições. Eu gostei de tudo nela. Ela tem um corpo incrivelmente esbelto e um rosto estranho, como um cisne, cheio de força de vontade, incapaz de fazer caras e bocas de menininha. Também gostei do fato de ela ter sido escolhida pela Natalie, que imediatamente a colocou debaixo da asa. Adorei que essas duas irmãs da ficção se reuniram dessa maneira.
E embora Lily-Rose Depp ainda fosse uma mulher muito jovem e com pouca experiência, seu nome evocou excitação, curiosidade e desejo. Ela não era uma desconhecida. Era lógico, ela foi moldada pelos desejos dos outros – como Natalie quando tinha a mesma idade, coincidentemente – pelo mundo das crianças celebridades. O papel que eu queria que ela interpretasse, de uma jovem espiritualista em turnê mundial, de uma criança que já possuísse um dom e soubesse seu significado, era coerente. Tudo casou bem e deu ao filme um equilíbrio maior porque, narrativamente falando, o personagem de Korben era muito poderoso e eu estava com medo de que pudesse desestabilizar o filme. Contemplar duas atrizes tão sedutoras e poderosas quanto as duas reequilibrou as forças em ação.

Como foi a reunião?
Eu me encontrei com Lily-Rose rápida e casualmente, “à la française”, sem passar por dezenas de intermediários. Ela mal tinha feito um filme e estava vivendo em Los Angeles. Foi importante para mim fazer testes sozinha com ela, depois com a Natalie, para ver se a irmandade delas funcionaria.
A escalação parou no segundo em que ela entrou na sala. Nós fomos dar uma caminhada, conversamos sobre cinema, sobre os desejos dela, sobre o comprometimento que o papel exigia, depois trabalhamos em algumas cenas, nas duas línguas. Ela tem uma cultura dupla, um léxico duplo, uma capacidade cerebral dupla de funcionar em dois continentes.
Eu queria que Kate fosse uma personagem responsável, adulta, cheia de força de vontade, que soubesse o que é sobreviver indo de cidade em cidade, de país em país. Ela conheceria a escassez e o excesso, teria experimentado álcool muito cedo e ao mesmo tempo seria capaz de ter acessos de riso como uma criança e de olhar pássaros como se fossem presentes preciosos.
Essa jovem atriz com físico frágil tem uma expressividade que evoca a época dos filmes mudos, como Lilian Gish. Isso pode explicar por que ela é uma das raras adolescentes que não precisaram ter nada modificado, nem um fio de cabelo da cabeça, para fazê-la ficar bem nos figurinos de um filme de época. Ela tinha acabado de fazer 16 anos e foi muito comovente sentir que ela vai fazer outros filmes, que vai ter um destino como atriz.

O roteiro conta a história de um produtor que está procurando dar um ímpeto de frescor ao cinema através de novas técnicas. Além Da Ilusão foi filmado numa época em que o próprio cinema está passando de uma era para outra, da película ao digital. Mais uma vez, outra sobreposição.
Sim, com o clima atual de fofocas e escândalos, onde teorias conspiratórias se tornam a matriz de todo pensamento, há uma profunda desconfiança nas imagens. Claro, isso se deve em parte ao aspecto antropológico da revolução digital. De que vale a imagem digital em comparação ao filme, se ela não garante mais que o que está acontecendo na frente da câmera realmente aconteceu? Mas tudo não pode ser um sonho, uma aparição. O formato digital reaviva fantasmas, mesmo que ele tenha nos trazido para a beira de uma crise, para as grandes teorias da conspiração e da trapaça, eu me convenci de que precisamos reinventar novas histórias com as ferramentas disponíveis. Difamação, teorias conspiratórias, homofobia, racismo e antissemitismo têm o mesmo funcionamento poderoso dentro da ficção: narrativa a serviço da náusea. O exato oposto do cinema; brilho glorioso, ficção positiva onde o falso, os artifícios criam a realidade. Por isso, acima e além da banalidade de hoje, usar tecnologias digitais nesse filme fez sentido.   

Isso explica por que você filmou com a nova câmera digital Alexa 65, conhecida por certas cenas de The Returned, mas ainda muito rara, especialmente na França?
Sim. Foi uma longa jornada, porque eu venho de uma escola de pensamento em que você não se esconde botando câmeras em todos os lugares para filmar sem parar, ao invés disso você escolhe um ponto de vista e tem um rolo de dez ou 12 minutos para filmar com uma câmera só. É a ideia de que filmar é um momento excitante, custoso, que põe os atores num estado de prontidão e empolgação. Acho que isso tem a ver com a minha intuição de que o cinema não está lá para captar o que vive, mas sim gravar o que está desaparecendo.
Então eu fui sim tentada pela tecnologia digital. Mas fiquei decepcionada porque não consegui achar a tecnologia adequada, uma que reproduzisse a mesma emoção que o filme e usasse os mesmos protocolos. Aí ouvi falar da Alexa 65, que entrega a mesma qualidade que a película graças à quantidade de dados, particularmente com pouca luz. Quando não há muita luz, ela permite que você obtenha uma quantidade máxima de realidade apesar de tudo, quase transfigurando a imagem através do excesso de realidade. Sim, você pode dizer que ela transforma a realidade em hiper-realidade. Achei que ficaria fabuloso num filme de época. Não íamos tentar reproduzir mimeticamente a época, mas sim reinventá-la com as ferramentas de hoje.
Nós fizemos testes. Logo nos primeiros testes insignificantes – um rosto contra um fundo preto – imediatamente percebemos que algo especial estava acontecendo. Mesmo que começar com essa câmera fosse uma escolha intelectual (o formato digital suspeito), no fim, nos sentimos aventureiros usando uma tecnologia de ponta. A câmera criou uma aura sexy, excitante, assim como o personagem do filme, que pensava que revolucionaria o cinema se inventasse uma câmera que pudesse filmar fantasmas. Obviamente gostamos desse ângulo metafísico e fez todo sentido.
Por uma estranha ironia do destino, os cartões de memória da Alexa 65 podem conter tantos dados que você tem que recarregá-los no tempo exato de um rolo de filme. Nós sentimos a mesma empolgação como se estivéssemos filmando com película. A cada era, os diretores têm que se fazer perguntas: “O que existe que pertence apenas a nós?” Por exemplo, é algo que eles não têm na TV. Hoje a Alexa 65 é uma ferramenta que pertence apenas ao cinema.   

O filme aborda um grande número de temas e assuntos poderosos e diversos: espiritualismo, irmandade, o retrato de uma mulher poderosa, a criação de uma família, o levante do extremismo e do nazismo na Europa, o cinema dos anos 30… Como você interligou todos esses temas? Abrir tantas portas foi intencional?
Eu tomo isso como um elogio. Reunir e retratar a complexidade e a ambiguidade de um mundo imaginário em menos de duas horas é sempre um equilíbrio difícil de alcançar. É ai que as séries de TV têm uma vantagem sobre nós, elas podem oferecer alternativas de duração mais oportunas. Com Robin Campillo, nós exploramos a diversidade, colocando o filme em primeiro lugar ao invés de seguir os manuais de roteiro. Nós trabalhamos para que fosse possível interpretar cada cena em vários níveis – racional, poético e político – sem nunca decidir para o espectador se aquilo estava crível ou não. O nível racional: como duas jovens espiritualistas americanas ajudam um produtor de cinema francês a filmar fantasmas sem ver que ele mesmo é alvo de uma conspiração que ocasionará sua queda? O nível político: o destino de uma família substituta, reunida pelo acaso e pela solidão, num mundo cada vez mais difícil face a escalada do extremismo. O nível poético: como o cinema abre uma das únicas portas possíveis em termos de crença e nos possibilita exorcizar nossos próprios fantasmas.
Fé, esperança, sentimentos entre os personagens, cinema e política estão intimamente misturados. As fantasias e os fantasmas reavivados por Korben no filme respondem a esses princípios. Acima de tudo, havia a possibilidade, assim espero, de fazer um filme estético, bonito e literário.

Se você tivesse que encaixar o filme em um gênero, qual seria?
Um filme de aventura. Acho que se pede demais de nós uma escolha, tanto no sentido crítico quanto narrativo, entre o naturalismo e a estilização. Eu não quero ter que escolher. Penso muito sobre o que Breton disse de Douanier Rousseau: realismo mágico. No fim da longa e poética trajetória dos heróis da história, a mensagem do filme é a de que não conhecemos de verdade nossos próprios segredos.

Documentário discute a questão da obesidade e da má alimentação no Brasil

No dia primeiro de junho o canal GNT irá exibir, a partir das 23h30h, o documentário Fonte da Juventude, uma iniciativa dos Novos Urbanos com produção da Pindorama e direção de Estevão Ciavatta. Exibido simultaneamente à plataforma digital Video Camp, que conecta filmes transformadores a espectadores ao redor do mundo, a produção surge como uma peça de conscientização e amplia a discussão do ambiente alimentar no Brasil.

Segundo a WHO – World Health Organization, o Brasil, assim como outros países em desenvolvimento, passa por uma transição em que, ao mesmo tempo em que se assiste à redução contínua dos casos de desnutrição, são observadas prevalências crescentes de excesso de peso, contribuindo com o aumento das doenças crônicas não transmissíveis e associadas às causas de morte mais comuns atualmente, a hipertensão arterial, as doenças cardiovasculares, diabetes e ascensão de algumas neoplasias malignas.

“Nesse cenário, o documentário vem como uma importante peça de comunicação e faz um convite para um diálogo sobre o ambiente alimentar, expande o olhar para entendermos a obesidade como uma externalidade de um encadeamento de relações. O problema é complexo, estamos descobrindo que a obesidade mata tanto quanto a fome”, explica Denise Chaer, diretora do Novos Urbanos, plataforma de diálogo para a inovação social e que reuniu mais de 40 instituições e juntos construíram um mapa do ambiente alimentar que serviu como base para o desenvolvimento do roteiro do filme que promove diálogos entre empresas, sociedade civil, academia e governo.

Por meio de entrevistas enriquecedoras como a do José Graziano, diretor-geral da ONU para Agricultura e Alimentação; Gisela Solymos, psicóloga responsável pelo Centro de Recuperação e Educação Nutricional; Maria Eduarda, nutricionista do INCA; o chefe de cozinha Alex Atala; a culinarista e apresentadora Bela Gil; entre outros; o documentário revela exemplos de como a biodiversidade aliada ao resgate da nossa identidade cultural alimentar é o melhor caminho para a longevidade. “Sem restringir dietas, ou mesmo dar receitas, a produção apresenta a biodiversidade como a chave para conhecermos os segredos da Fonte da Juventude”, diz Ciavatta.

FONTE DA JUVENTUDE – Trailer from Pindorama Filmes on Vimeo.

Comeback é a grande despedida de Nelson Xavier

*Por Clara Camarano – contato@cine61.com.br

O cinema western, também popularizado como bangue-bangue ou faroeste ganhou brilho em Hollywood no século 20 com produções que exaltam o cowboy solitário, xerifes, pistoleiros, cachaças típicas para aliviar as matanças em uma sociedade onde os riscos se sucedem diariamente e a violência é a única forma de manter a segurança. No Brasil, embora o gênero não seja tão reconhecido como nos Estados Unidos (afinal, o western foi criado naquele país), produções fortes e contextualizadas deixaram sua marca por aqui e fizeram história no cinema brasileiro. Em 1953, Lima Barreto já daria o pontapé inicial com O Cangaceiro. Em épocas de chumbo, o famoso Gregório Volta para Matar (1974), de Alex Prado, também atraiu os olhares dos espectadores.

No século 21, estas produções não foram esquecidas. Prova disto é o longa-metragem Comeback, que traz a última e brilhante atuação de Nelson Xavier como o protagonista Amador. A produção, de 1h29, é a primeira do cineasta Erico Rassi. Ele fez a a sua estreia mundial com Comeback na Première Brasil do Festival do Rio 2016. Xavier, que nos deixou no dia 10 de maio de 2017, venceu o prêmio de melhor ator. Merecidamente, afinal ele encara de forma exímia um senhor que leva uma vida solitária e que causa temor nas pessoas, mesmo sendo um matador aposentado no subúrbio de Goiânia. Afinal, sua fama de pistoleiro quando então jovem ainda repercute.

A nostalgia dos velhos tempos como assassino, um cenário bem típico dos filmes de faroeste, carros antigos, máquinas de caça-níqueis e televisões de tubo dão um tom de uma época perdida, assim como se mostra o protagonista, que sente falta de assassinar de novo, por respeito. O titulo Comeback cabe como uma luva, já que reflete exatamente esta vontade do retorno no tempo. A trilha sonora também volta ao período da era de ouro das rádios. Exemplo, a música O Fim, de Altemar Dutra, representa bem a trama.
As dores do aposentar e até uma pressuposta falta de sentido em tempos atuais traçam a narrativa também roteirizada por Rossi. O filme, no entanto, é arrastado e peca na apresentação dos demais personagens, que parecem mais um apêndice para o destaque de Xavier. O excesso do estrangeirismo também destoa, afinal, estamos falando de Goiás, do Brasil antigo. Mesmo assim, vale a pena assistir, principalmente para se encantar com a despedida de Nelson Xavier.

Veja aqui o trailer do filme Comeback:

Comeback: Um Matador Nunca se Aposenta (Brasil, 2016) Dirigido por Erico Rassi. Com Nelson Xavier, Wellington Abreu, João Antônio, Marcos de Andrade, Eucir de Souza, Salma Jô, Gê Martu, Sergio Sartorio, Cláudia Nunes…

Vídeo – cobertura do Cine61 no 6º Festival do Japão Brasília

Brasília recebeu a 6ª edição do Festival do Japão Brasília e o Cine61 deu uma passada por lá para conferir como foi, afinal o slogan do site é “Cinema fora do comum”! A filmagem conta com cosplayers e lojinhas que mostram bem como a cultura japonesa estava presente no evento.

Velozes e Furiosos 3 – Desafio em Tóquio
A repórter Clara Camarano, sempre com bom humor, entrevistou o público. A atração aconteceu no Expobrasília – Pavilhões A e B, no Parque da Cidade nos dias 5, 6 e 7 de maio de 2017. Veja a seguir o vídeo. Não deixe de se inscrever no canal do Cine61 para não perder nenhuma atualização!

 

A semana (25/5 a 31/5) no Espaço Itaú de Cinema

Veja a seguir os filmes que passarão esta semana no Espaço Itaú de Cinema, que fica no shopping CasaPark (Guará). A programação completa, com todos os horários, você encontra no site oficial da rede: http://www.itaucinemas.com.br/ Antes, confira os valores atualizados dos ingressos do Espaço Itaú de Cinema Brasília.

Punhos de Sangue – A história real de Chuck Wepner (Liev Schreiber), vendedor de bebidas na cidade de Nova Jersey e boxeador peso­pesado que inspirou a saga “Rocky” ao ir até o 15o round lutando contra o então maior pugilista do mundo, Muhammad Ali.

Corra! – Chris (Daniel Kaluuya) é jovem negro que está prestes a conhecer a família de sua namorada caucasiana Rose (Allison Williams). A princípio, ele acredita que o comportamento excessivamente amoroso por parte da família dela é uma tentativa de lidar com o relacionamento de Rose com um rapaz negro, mas, com o tempo, Chris percebe que a família esconde algo muito mais perturbador.

Más Notícias Para o Sr. Mars – Philippe Mars é um homem sensato em um mundo irracional. Ele está tentando ser um bom pai, um adorável ex-­marido, um bom colega e um compreensível irmão. Mas o planeta parece não estar alinhado ao seu favor. Com o seu filho virando um vegano extremo, sua filha uma empreendedora patológica e sua irmã vendendo pinturas de seus parentes nus, Phillipe se sente fora do controle com todos agindo de forma irregular.


Piratas do Caribe ­ A Vingança de Salazar – O capitão Salazar (Javier Bardem) é a nova pedra no sapato do capitão Jack Sparrow (Johnny Depp). Ele lidera um exército de piratas fantasmas assassinos e está disposto a matar todos os piratas existentes na face da Terra. Para escapar, Sparrow precisa encontrar o Tridente de Poseidon, que dá ao seu dono o poder de controlar o mar.

O Poderoso Chefinho – Um bebê falante que usa terno e carrega uma maleta misteriosa une forças com seu irmão mais velho invejoso para impedir que um inescrupuloso CEO acabe com o amor no mundo. A missão é salvar os pais, impedir a catástrofe e provar que o mais intenso dos sentimentos é uma poderosa força.

A Cabana – Um homem vive atormentado após perder a sua filha mais nova, cujo corpo nunca foi encontrado, mas sinais de que ela teria sido violentada e assassinada são encontrados em uma cabana nas montanhas. Anos depois da tragédia, ele recebe um chamado misterioso para retornar a esse local, onde ele vai receber uma lição de vida.

Muito Romântico – Melissa e Gustavo atravessam o oceano Atlântico em busca de uma vida nova em Berlim. Eles seguem seu caminho fazendo filmes, amizades e música, mas um segredo revelado faz o medo vir à tona. Os dois perdem o rumo, até o dia em que encontram um portal para o cosmos, expandindo a travessia para além do tempo e do espaço.

Mulher-Maravilha (pré-estreia) – Treinada desde cedo para ser uma guerreira imbatível, Diana Prince (Gal Gadot) nunca saiu da paradisíaca ilha em que é reconhecida como princesa das Amazonas. Quando o piloto Steve Trevor (Chris Pine) se acidenta e cai numa praia do local, ela descobre que uma guerra sem precedentes está se espalhando pelo mundo e decide deixar seu lar certa de que pode parar o conflito. Lutando para acabar com todas as lutas, Diana percebe o alcance de seus poderes e sua verdadeira missão na Terra.


Rei Arthur ­ A Lenda da Espada – Arthur (Charlie Hunnam) é um jovem das ruas que controla os becos de Londonium e desconhece sua predestinação até o momento em que entra em contato pela primeira vez com a Excalibur. Desafiado pela espada, ele precisa tomar difíceis decisões, enfrentar seus demônios e aprender a dominar o poder que possui para conseguir, enfim, unir seu povo e partir para a luta contra o tirano Vortigern, que destruiu sua família.

Um Homem de Família – Um implacável headhunter corporativo de Chicago está em plena guerra com seu civil para conseguir assumir o controle das contratações de equipe da empresa. Em meio a rivalidade no trabalho, uma tragédia familiar faz com que ele coloque em conflito sjuas vidas pessoais e profissionais.

A Promessa – Michael (Oscar Isaac) é um jovem armênio que sonha em estudar medicina, mas não tem dinheiro para arcar com os estudos. Por isso, ele promete se casar com uma garota de seu vilarejo, na intenção de receber o dote. Com o dinheiro em mãos, Michael viaja à Turquia e faz seus estudos durante os meses finais do Império Otomano. Neste contexto, conhece a armênia Ana (Charlotte Le Bon) e se apaixona, embora a professora namore o fotógrafo americano Chris (Christian Bale), enviado à Turquia para registrar o genocídio dos turcos contra a minoria armênia. Um triângulo amoroso se instaura em meio à guerra.

Real ­ O Plano por Trás da História – 1993. Arrogante e inflexível, Gustavo Franco (Emílio Orciollo Neto) é um crítico feroz da política econômica adotada pelo governo brasileiro nos últimos anos, que resultou em um cenário de hiperinflação. Opositor de políticas de cunho social, ele é adepto de um choque fiscal de forma que seja criada uma moeda forte, que devolva a dignidade aos cidadãos. Quando o presidente Itamar Franco (Bemvindo Siqueira) nomeia Fernando Henrique Cardoso (Norival Rizzo) como o novo Ministro da Fazenda, Gustavo é convidado a integrar uma verdadeira força­tarefa, cujo objetivo é criar um novo plano econômico.


Alien: Covenant – 2104. Viajando pela galáxia, os tripulantes da nave colonizadora Covenant encontram um planeta remoto com ares de paraíso inexplorado. Encantados, eles acreditam na sorte e ignoram a realidade do local: uma terra sombria que guarda terríveis segredos e tem o sobrevivente David (Michael Fassbender) como habitante solitário.
O Grande Dia – Separados pela distância dos países onde vivem e com suas jornadas dificultadas pelas difíceis vidas que levam (Cuba, Índia, Mongólia e Uganda), as vidas de quatro jovens são unidas pelo desejo que eles possuem de vencer e superar obstáculos para conquistar seus sonhos e paixões em busca de uma vida melhor.

Antes que eu Vá – Samantha Kingston (Zoey Deutch) é uma jovem que tem tudo o que uma jovem pode desejar da vida.. No entanto, essa vida perfeita chega a um final abrupto e repentino no dia 12 de fevereiro, um dia que seria um dia como outro qualquer se não fosse o dia de sua morte. Porém, segundos antes de realmente morrer, ela terá a oportunidade de mudar a sua última semana e, talvez, o seu destino.

Faces de Uma Mulher – Sandra é uma jovem se mudando para Paris, e que tem um leve toque para o desastre. Karine é uma adolescente que passa por infinitas sucessões de fugas, homens e percalços, porque qualquer coisa é melhor que sua família. Kiki é uma criança que vive uma tragédia após ser pega em um jogo de esconde-esconde. Renée é uma mulher estabelecida, que pensava estar livre do seu passado. Aos poucos, entendemos que essas quatro mulheres representam diferentes lados da mesma pessoa.

Comeback – Aposentado da antiga carreira de pistoleiro, Amador (Nelson Xavier) leva uma vida solitária que nada se compara com os dias de perigo e, principalmente, de temor por parte das pessoas. Um dia, é procurado pelo neto de um antigo amigo, que deseja trabalhar com ele devido à sua fama. Amador logo o coloca como ajudante de sua atual atividade, o transporte de máquinas caça­-níqueis para bares próximos, mas a falta de reconhecimento em relação ao que foi passa a incomodá-­lo cada vez mais.