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Mostra paralela sobre o mundo e a política

Além dos 21 filmes que integram as mostras competitivas de longas e curtas-metragens, o 49º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro está programando uma série de exibições que prometem provocar debates e reflexões sobre alguns dos temas mais pungentes da realidade brasileira. São mostras paralelas e sessões especiais que poderão ser vistas em horários alternativos no Cine Brasília e no Cine Cultura Liberty Mall, algumas delas acompanhadas de debates com os realizadores. Entrada franca!

Taego Awá será exibido

A mostra A POLÍTICA NO MUNDO E O MUNDO DA POLÍTICA vem abrir espaço para questões que estão na ordem do dia de todos os debates no Brasil. Cinco filmes registram bastidores do mundo da política como ocupação ou, em linguagem de documentário ou ficção, apresentam personagens que precisam lidar com os efeitos de decisões pessoais ou de grupo em que se veem confrontados pelas instituições. Nos dois casos, em foco está a briga por direitos universais, por se fazer reconhecer e afirmar suas identidades e crenças. De um jeito ou de outro, a política se mistura com a vida.

Taego Awá está na mostra A Política no Mundo e O Mundo na Política

A POLÍTICA NO MUNDO E O MUNDO DA POLÍTICA exibirá filmes como A cidade do futuro, documentário que revê acontecimentos ligados à construção da Hidrelétrica de Sobradinho, que soterrou cidades e vilarejos do norte da Bahia, na década de 1970. Também Entre os homens de bem, doc que registra a atuação do Deputado Jean Wyllys no Congresso Nacional, abordando questões como preconceito, democracia e polarização da política brasileira. Sexo, Pregações e Política oferece um olhar crítico sobre a decantada liberdade sexual brasileira, enquanto mostra o crescimento do conservadorismo no País. Estopô Balaio acompanha o trabalho e a atuação do coletivo teatral que atua na zona leste de São Paulo, frequentemente inundada por chuvas. E Taego Ãwa mostra a luta que o povo Ãwa trava desde 1973 contra o branco pela demarcação e restituição de suas terras.

Crítica: O drama e as cores de Julieta

*Por Clara Camarano – Especial para o Daiblog 

Após a última e instigante comédia Os Amantes Passageiros (2013), Pedro Almodóvar ousou mais uma vez em seu recente filme. O novo longa-metragem, Julieta, transformou os contos da premiada escritora canadense Alice Munro em uma obra com “as cores de Almodóvar”.

A delicadeza e mistérios do universo feminino, a sensibilidade que conduz o enredo, o elenco impecável e o típico contraste das fortes cores são traços que retratam bem o universo do cineasta espanhol. Mais uma vez eles estão presentes nesta nova produção, embora o filme inove no roteiro, muito diferente de Fale Com Ela, A Pele Que Habito, Os Amantes Passageiros, dentre tantos outros. Afinal, a cada filme de Almodóvar suas temáticas existenciais ganham novo fôlego, que mexem com o espectador e o faz sair balançado do cinema.

No novo longa-metragem, em foco está Julieta, uma mulher que vive em Madri com seu marido pescador Xoan e com sua filha Antía. Após um acidente traumático na família, estas mulheres começam a sofrer em silêncio e acabam se separando pela dor. Julieta passa boa parte de sua vida procurando a filha. Ao se encontrar com o acolhedor Lorenzo, ela começa a tentar remendar sua vida cheia de traumas.

Em uma sequência não-linear, a história começa com Julieta em sua fase mais velha relembrando de sua história, Almodóvar acerta no roteiro penetrante. Outro fator que contribui para o sucesso é a interpretação dos atores. No papel da Julieta mais nova está a bela e brilhante Adriana Ugarte, atriz que consegue passar a emoção e a complexidade exigidas pela protagonista. Em sua fase mais velha, Emma Suárez mantém o tom e também dá conta do recado.

Como o marido pescador, Xoan, Daniel Grao banca bem o galã. Na turma de rostos repetidos, o argentino Dario Grandinetti (de Fale com Ela) interpreta Lorenzo e Rossy de Palma mais uma vez arrebenta na pele de Marian, uma empregada sinistra capaz até de dar um tom de terror a trama. Um filme imperdível, que deixa um gostinho de quero mais no final.
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblogDaiblog

Veja aqui o trailer do filme Julieta:

 

Crítica: Hestórias da Psicanálise é didático como uma aula

*Por Leonardo Resende – hashtagcinema@daiblog.com.br

Filmes que retratam ou documentam a psicanálise nunca são o suficiente. Ainda mais quando o assunto é o mais complexo e curioso da humanidade: a mente humana, Hestórias da Psicanálise – Leitores de Freud, que estreia hoje nos cinemas, aumenta o acervo de documentários sobre esta área da psicologia.

Dirigido por Francisco Capoulade, o filme que é narrado por meio de capítulos que mostram diversas entrevistas com especialistas na área. Seguindo uma construção linear, o objetivo do cineasta é mostrar os contrapontos de cada entendedor. Capoulade quer levantar discussões sobre a importância da leitura freudiana nos tempos contemporâneos – vide cena em que um pesquisador responde que sua leitura psicanalista favorita é Dom Casmurro.

Pelo fato do próprio Capoulade ser psicanalista, o longa-metragem ganha tons didáticos e muitas vezes prolixos. Ao se apegar intensamente nesse mundo da psicanálise, o filme apresenta conteúdo  suficiente para debates. Entretanto, essa mesma veia energética pela área não aparece pelo cinema.

Apesar do início promissor, com diálogos em vários idiomas intercalados que representam a imensidão de opiniões sobre Sigmund Frued, o documentário perde a força devido sua montagem. Editado com muitos relatos, Hestórias da Psicanálise – Leitores de Freud se aproxima mais de uma reportagem do que um documentário.

Caso Freud pudesse ver Hestórias da Psicanálise – Leitores de Freud, sua satisfação seria plena devido às inúmeras falas saudosistas e reflexivas, porém o mesmo não pode ser dito de um espectador que tem o simples desejo de entender um documentário de psicanálise.
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblog 
Veja aqui o tralier do filme Hestórias da Psicanálise – Leitores de Freud:

 

A semana (15/9 a 21/9) no Espaço Itaú de Cinema

Veja a seguir os filmes que passarão esta semana no Espaço Itaú de Cinema, que fica no shopping CasaPark (Guará). A programação completa, com todos os horários, você encontra no site oficial da rede: http://www.itaucinemas.com.br/

Pets – A Vida Secretas dos Bichos – Max é um cachorrinho que mora em um apartamento de Manhattan. Quando seu dono traz para casa um viralata desleixado chamado Duke, Max não gosta nada, já que o seu tempo de bichinho de estimação favorito parece ter acabado. Mas logo eles vão ter que colocar as divergências de lado pois um coelhinho branco adorável chamado Snowball está construindo um exército de animais abandonados determinados a se vingar de todos os pets que tem dono.


A Conexão Escobar – Flórida, 1985. Robert Mazur é um oficial da alfândega que recebe a missão de trabalhar infiltrado, com o objetivo de eliminar um cartel de drogas cuja origem está em Pablo Escobar, chefe do tráfico em Medellín. Para tanto ele recebe a ajuda de Emir Abreu, seu colega de trabalho, e se apresenta como alguém capaz de lavar o dinheiro gerado pelas drogas nos Estados Unidos. Usando o pseudônimo Robert Musella, ele aos poucos ascende na hierarquia do tráfico, contando ainda com a ajuda da agente Kathy Ertz, que se faz passar por sua noiva.

O Homem nas Trevas

O Homem nas Trevas – Três adolescentes escapam de roubos perfeitamente planejados. Mas, quando eles estão prestes a realizar seu último crime, assaltar a casa de um senhor cego, o jogo muda. Os jovens estão encarcerados e precisam lutar por suas vidas contra um psicopata cheio de segredos.


ESPM no Cinema – Geração Milenium – A Cinelive e a ESPM transmitem para os cinemas um calendário completo de sessões ministradas por professores renomados. O projeto ESPM no Cinema é inédito e terá a duração de quatro meses – de agosto a novembro de 2016 –, com exibições agendadas para todas as terças-feiras, às 20h, em salas de cinema de diversos estados do Brasil. O evento de lançamento, programado para 16 de agosto com o tema “Comunicação que Vende”, contará com a participação de Nizan Guanaes, sócio e co-fundador do Grupo ABC de Comunicação.


Cafe Society – Anos 1930. Bobby ( é um jovem aspirante a escritor, que resolve se mudar de Nova York para Los Angeles. Lá ele deseja ingressar na indústria cinematográfica com a ajuda de seu tio Phil, um produtor que conhece a elite da sétima arte. Após um bom período de espera, Bobby consegue o emprego de entregador de mensagens dentro da empresa de Phil. Enquanto aguarda uma oportunidade melhor, ele se envolve com Vonnie, a secretária particular de seu tio. Só que ela, por mais que goste de Bobby, mantém um relacionamento secreto.

A Bruxa de Blair – Um grupo de estudantes de Milwaukee, durante uma viagem para acampar em uma das florestas da região, decide penetrar ainda mais no coração das árvores do que o previsto e acaba descobrindo que a floresta esconde seres perigosos.

Hestórias da Psicanálise

Hestórias da Psicanálise – Hestórias da Psicanálise aborda temas que estão além do campo psicanalítico. Ao falarem de Sigmund Freud, os entrevistados são levados a tratar de assuntos pertinentes, como cultura, história, traduções, identidades e língua brasileira. São abordados também os contextos históricos e culturais da Viena, fin du siècle, e do Brasil do século XX, objetos de esclarecimentos e de importantes questionamentos.

Lua Em Sagitário – Ana é uma jovem de 17 anos que vive em uma cidade fronteiriça entre o Brasil e a Argentina. Lá, ela não tem opções de lazer e nem acesso à internet. Seu único refúgio é visitar um sebo/lanhouse conhecido como “A Caverna”. É lá que, certo dia, ela acaba conhecendo Murilo, rapaz por quem vai se apaixonar perdidamente.

Star Trek: Sem Fronteiras – Após sofrerem com a ira de John Harrison, Kirk, Spock, Uhura, McCoy, Sulu, Chekov e Scotty retornam à Enterprise para uma nova e difícil aventura intergaláctica.

Os Senhores da Guerra – Julio e Carlos são irmãos. Amigos, cultos, ricos, são separados pela Revolução de 1923, que divide o Rio Grande do Sul entre chimangos e maragatos. Julio é prefeito, está com os primeiros, enquanto Carlos é revolucionário, maragato. As ideias são opostas, mas o sangue é o mesmo e a prova se dá em uma grande batalha.

Aquarius

Aquarius – Clara tem 65 anos, é jornalista aposentada, viúva e mãe de três adultos. Ela mora em um apartamento localizado na Av. Boa Viagem, no Recife, onde criou seus filhos e viveu boa parte de sua vida. Interessada em construir um novo prédio no espaço, os responsáveis por uma construtora conseguiram adquirir quase todos os apartamentos do prédio, menos o dela. Por mais que tenha deixado bem claro que não pretende vendê-lo, Clara sofre todo tipo de assédio e ameaça para que mude de ideia.

Desculpe o Transtorno – Um homem tem dupla personalidade e incorpora as diferenças entre Rio de Janeiro e São Paulo: Uma hora ele é o certinho e tímido paulistano Eduardo; em outra, se transforma em Duca, um carioca fanfarrão e folgado. Ele se envolve em um grande confusão amorosa quando, apesar de estar em um relacionamento estável com a noiva, seu alter-ego acaba se apaixonando por outra mulher, que ele acaba de conhecer.

Mate-me Por Favor – Na região da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, a rotina de Bia, uma jovem de quinze anos, e de João, seu irmão de 25 anos de idade, é alterada por uma série de assassinatos sombrios. Este caso acaba ilustrando alguns dos principais problemas enfrentados pela juventude atual.

Cães de Guerra

Cães de Guerra – Após uma experiência mal sucedida em fazer negócios com o governo, dois amigos moradores de Miami Beach, que levam uma vida tranquila e que só queriam dinheiro para sustentar seu vício em maconha, descobrem que existe um mercado ilícito em expansão com a venda de armas para o exterior. Ao fechar um contrato de 300 milhões de dólares, eles terão de ir para o Afeganistão acompanhar a explosiva transação pessoalmente.

Herança de Sangue – John Link vive em meio ao deserto na Califórnia onde seu trailer também serve como estúdio de tatuagem. Vivendo longe de drogas e violência, ele tem seu cotidiano afetado com a chegada de sua filha desaparecida que está jurada de morte por traficantes. Ele fará de tudo para protegê-la.


Últimos Dias no Deserto – Livremente baseado no Velho Testamento, Jesus Cristo viaja sozinho pelo deserto durante 40 dias de jejum e oração. Nessa jornada, ele enfrenta a personificação do Diabo, que põe em dúvida o amor de Deus, em um dramático teste de sua fé.

Crítica: Kino no Tabi é como um road movie reflexivo

*Por Diego Gonçalves, do É Só Um Desenho – Anime e Mangá – Especial para o Daiblog 

De modo geral, poucas talvez sejam as produções de ficção que efetivamente mereçam o adjetivo de “filosóficas” ou “profundas”. Mas mesmo diante disto não hesitaria em colocar a singela animação japonesa Kino no Tabi: The Beautiful World como uma destas obras. Baseada em uma série de livros escritos por Keiichi Sigsawa, o anime conta com 13 episódios, mais um episódio especial e dois filmes de aproximadamente 30 minutos cada. E definitivamente vale cada minuto.

Na obra, acompanhamos a menina Kino (Ai Maeda) e seu companheiro, a moto falante Hermes (Ryuji Aigase), conforme ambos viajam pelo mundo, visitando novos países e conhecendo novas pessoas. É uma obra episódica, e cada novo episódio apresenta Kino e Hermes chegando a um país, interagindo com os locais, e então partindo para a próxima breve aventura. Mas apesar desta estrutura simples, é bom deixar claro que a obra nada tem de simplória.

Cada país que Kino e Hermes visitam é bastante único. Desde cidades-estados que mais parecem vilas campestres até países nos quais praticamente tudo foi automatizado, tal como os personagens o espectador nunca sabe o que esperar. Mas toda essa diversidade tem um propósito: cada novo país visitado é uma forma do autor explorar um novo tema. Relações humanas, trabalho, cultura, tradição, literatura… Por conta dessa estrutura, essa é uma daquelas obras que deixam o espectador a refletir sobre os mais variados assuntos.

Em termos de personagens, Kino e Hermes são bem interessantes. Kino é uma viajante por excelência, e seu único objetivo é visitar o maior número possível de países. Exímia atiradora, ela é também uma personagem bastante humana, suscetível a medos e inseguranças, ainda que nunca recue em uma situação desfavorável. Já Hermes é sobretudo um parceiro com quem Kino pode dividir alguns pensamentos, e com a moto quase sempre tecendo alguns comentários sobre o país que visitam ou a humanidade num geral acaba que temos uma boa dinâmica entre os dois.

Num geral, Kino no Tabi é uma obra bem única, na qual o ponto central são as várias mensagens e questionamentos que o autor deseja passar. Sua dupla protagonista é bastante carismática, com Kino talvez sendo uma das mais interessantes protagonistas femininas dos animes. E é, sem sombra de dúvidas, uma obra que vale a pena ver e rever.
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblogDaiblogDaiblog

Entrevista com a atriz Samantha Schmütz

Nascida em Niterói, atriz, cantora e bailarina, Samantha Schmütz teve uma carreira meteórica até se tornar uma das maiores atrizes de comédia do país. Ela ficou famosa ao viver personagens como o menino de rua Juninho Play ou a Mulher Caxumba no programa Zorra Total da TV Globo. Depois, veio outro grande sucesso: a periguete Jéssica do humorístico Vai que Cola, do Multishow.
Para além dos programas humorísticos, Samantha também leva o seu talento para as novelas – seu último trabalho foi a Dorinha, a irmã suburbana de Carolina (Juliana Paes) em Totalmente Demais. Depois de integrar o elenco das comédias Minha Mãe é uma Peça: O Filme e Vai que Cola: O Filme, ela ganha agora a sua primeira protagonista como Selminha, a frentista que vira milionária em Tô Ryca!.

Quem é a Selminha?
A Selminha é uma brasileira, guerreira, que luta e passa por vários perrengues. É uma representante real do Brasil trabalhador, que acorda cedo e tem que pegar mil ônibus, um transporte terrível sem conforto nenhum. O filme também fala dessa situação lastimável em que o Brasil se encontra. Não é só uma comédia pra fazer rir; também é um retrato do Brasil. A Selminha levanta essa bandeira do “eu sou do povo, tô com vocês, vamos mudar isso. Não vamos nos conformar com essa situação porque não tá boa pra ninguém.”
Como Tô Ryca! apareceu na sua vida?
A Mayra Lucas, da produtora Glaz, assistiu ao filme Minha Mãe é uma Peça, gostou muito do meu trabalho e pensou em me convidar. Ela me deu total liberdade e confiança para me cercar de amigos para este trabalho, gente talentosa em quem eu confio, como o Pedro Antônio [diretor] e o Fil Braz [roteirista], que eu conheço desde a minha adolescência em Niterói, a gente estudava na mesma escola. E também amei a possibilidade de viver a minha primeira protagonista.
Você toparia esse mesmo desafio da Selminha, para ganhar 300 milhões em vez de 30?
Com certeza! Sair com 30 ou com 300? Quem não arrisca não petisca, né? “No pain, no gain” [sem dor, sem ganho].

Como foi contracenar com tantos talentos cômicos diferentes?
No Tô Ryca! estou cercada de talentos e pessoas maravilhosas. A Katiuscia Canoro é minha amiga do Zorra, a gente tem uma energia muito parecida. A gente não tem medo de trabalho, se joga mesmo. Não poderia ter sido outra pessoa pra viver a Luane. Ter Marcus Majella, Fabiana Karla, Marília Pera, Cristina Pereira, Mauro Mendonça e Adnet – foi um presente ter todas essas pessoas ao meu lado fortalecendo o time, porque ninguém faz nada sozinho. Conseguimos montar um dream team [a equipe dos sonhos].
Como é o seu trabalho com o diretor, o Pedro Antônio, com quem você já tinha trabalhado na série Não tá fácil pra ninguém, do Multishow? 
É maravilhosa a minha parceria com o Pedro. Ele sabe exatamente o que eu posso fazer, o que eu não devo fazer. Ele às vezes me irrita mas de brincadeira, eu também irrito ele… Isso provoca uma descontração muito boa. Ele é um irmão que a vida me deu através do trabalho. É uma parceria que tem dado muito certo.

Você se lembra de alguma história engraçada das filmagens?
Teve muita coisa. A que mais me marcou foi que, no meio da cena do debate político na TV, no furor da hora, no calor do momento, o Marcelo Adnet não mediu muito a distância e me deu um tapa na cara! Logo no meu primeiro filme como protagonista, eu levei um tapa na cara. (risos) São muitas primeiras vezes. Eu sei que não foi de propósito, mas na hora doeu, ficou marcado. No fim eu perdoei o Marcelo, sei que ele não foi trabalhar aquele dia pensando: “hoje vou dar um tapa na cara da Samantha”. (risos)
Como você se preparou para o filme?
Minha preparação pra todo e qualquer trabalho é contínua. Faço aula de canto duas vezes por semana, ginástica todos os dias – “ginástica” é uma palavra de velha, né? Melhor falar “treino”. (risos) Comecei a perceber o quanto é importante exercitar o corpo, até pra ter fôlego e disposição para aguentar uma jornada tão intensa como foi neste filme.

O que o público deve esperar de Tô Ryca!?
O público pode esperar muita dedicação, um trabalho honesto, com cenas engraçadas que fazem pensar, se emocionar. E pensar num lado social, do que a gente pode fazer pra mudar. O filme é muito rico. Tá ryco!

Qual foi o maior desafio do filme?
Me fizeram pular de asa-delta pela primeira vez na vida. A sorte é que tenho um amigo instrutor de asa-delta, que sempre me chamou pra voar e eu nunca quis. No fim eu pulei e amei, foi muito bom.
Quais são seus futuros projetos?
Tem a minha carreira de cantora, que eu quero seguir paralelamente à de atriz. As pessoas talvez não entendam, mas eu até amo mais cantar. Quando eu canto, me sinto uma surfista de ondas gigantes; quero persistir nisso. E vamos fazer com o estúdio Light Star o desenho animado do Juninho Play, um personagem muito forte – as pessoas sentem saudade dele como se fosse uma pessoa real. E mais o segundo filme e a terceira temporada do Vai que Cola… Realmente eu tenho que malhar, senão não dou conta! (risos)

​Clássico de Janete Clair, Pai Herói está em DVD

Janete Clair levou para a TV brasileira a história de André Cajarana (Tony Ramos), que luta para inocentar seu pai das acusações de crimes que não cometeu. Pai Herói, um dos maiores sucessos da teledramaturgia brasileira, marcou época em 1979 com um elenco estelar. E agora, em 2016, está disponível em DVD. O lançamento, da área de desenvolvimento comercial da Globo, vem num box com 13 discos, com 39 horas de duração. Paulo Autran, Carlos Zara, Glória Menezes, Elizabeth Savalla e Lima Duarte são alguns dos grandes nomes que também brilharam em Pai Herói.


O folhetim foi um dos maiores sucessos de Janete Clair na época, e teve direção de Gonzaga Blota, Walter Avancini e Roberto Talma. Paulo Autran, que era um gigante do teatro e do cinema, fez sua grande estreia nas telenovelas com o vilão Bruno Baldaracci, que conquistou a simpatia do público. Na trama, André Cajarana parte para o Rio de Janeiro em busca de justiça para a reputação de seu pai, Malta Cajarana (Lima Duarte), um bandido perigoso. Na cidade grande, o mocinho descobre quem é o responsável pelo desaparecimento de seu pai, e por sua difamação: Bruno Baldaracci, casado com sua mãe e o grande antagonista da história.

Nas idas e vindas da Cidade Maravilhosa, o personagem de Tony Ramos passa a viver um triângulo amoroso com Carina (Elizabeth Savalla) e Ana Preta (Glória Menezes). A primeira é uma bailarina conceituada, de família tradicional, neta de Januária Limeira Brandão (Lélia Abramo) e casada com César Reis (Carlos Zara), um homem sem caráter, interessado apenas no golpe do baú. Já a segunda é uma moradora do subúrbio carioca, dona de uma casa de samba, a Flor de Lyz. O DVD de Pai Herói está à venda pelo preço sugerido de R$ 169,90.

A Destruição de Bernardet no Festival de Brasília

Jean-Claude Bernardet: 80 anos de reinvenção. O belga-francês naturalizado brasileiro, um dos maiores críticos cinematográficos brasileiros, professor, autor e ator oferece lições diárias de vida. Tendo recém-completado 80 anos de idade (no último dia 2 de agosto), Jean-Claude Bernardet talvez esteja em uma de suas fases mais produtivas, atuando em cinema, sendo tema de livros e programando a direção de uma minissérie. Bernardet é tema do longa-metragem A destruição de Bernardet, que será exibido em Sessão Especial hors concours dentro da programação do 49º Festival de Brasília so Cinema Brasileiro. O filme dirigido por Claudia Priscilla e Pedro Marques poderá ser visto às 19h do dia 22 de setembro, no Cine Brasília, e às 17h30 do dia 23, no Cine Cultura Liberty Mall, com entrada franca. Os diretores e o protagonista participam de debate no dia seguinte à exibição no Cine Brasília.

Biografia pouco convencional, que mistura ficção e realidade, A destruição de Bernardet foi recentemente exibido no Festival de Locarno, dentro da Mostra Histoire(s) du Cinéma, acompanhado do curta Compêndio da Vida de um Homem Gasto e o Seu Último Desejo Perante Ela, de Eugênio Puppo e Ricardo Carioba, ficção também protagonizada por Jean-Claude Bernardet. O longa-metragem aborda o pensamento do ator/pensador e sua opção de, aos 70 anos de idade, deixar toda atividade intelectual para se dedicar ao trabalho de interpretação. Os diretores Claudia Priscilla e Pedro Marques propõem um jogo em que Jean-Claude encena passagens ficcionais e conversa com pessoas essenciais na sua trajetória, sobre a qual reflete de maneira muitas vezes irônica.

Jean-Claude Bernardet é um dos mais influentes nomes do cenário cinematográfico brasileiro. Professor Emérito da ECA-USP e autor de obras referenciais como Brasil em Tempo de Cinema e Cineastas e Imagens do Povo, o teórico, cineasta, roteirista, ator está sendo homenageado também com a exposição Bernardet em Cartaz, realizada pelo MIS – Museu da Imagem e do Som de São Paulo, reunindo 15 cartazes originais de filmes dos quais participou, seja como ator, diretor ou roteirista, ao longo de mais de 50 anos de atuação no cinema brasileiro. Bernardet ainda será tema de um livro a ser lançado pela ABRACCINE – Associação Brasileira de Críticos de Cinema -, da qual é membro ativo. E, de quebra, se prepara para dirigir uma minissérie sobre a judicialização da política brasileira. Jean-Claude Bernardet participa de conversa aberta ao público, a partir das 11h30 do dia 23 de setembro, no hotel sede do Festival, com mediação do curador Eduardo Valente.

Crítica: Cães de Guerra não é apenas comédia

*Por Clara Camarano – Especial para o Daiblog


Uma mistura de drama, fatos verídicos e algumas “pitadas” de suspense. E, como estranho seria faltar, um tom de comédia típico do diretor Todd Phillips. Para quem não conhece o cineasta, basta lembrar do longa-metragem Se Beber, Não Case. Aliás, os filmes focados mais em um público adolescente e no “besteirol” sempre foram uma marca de Phillips. No entanto, dá para se surpreender, mas sem perder as gargalhadas, no seu novo longa-metragem Cães de Guerra, que estreou esta semana nas salas dos cinemas tupiniquins.

Na cerne da sinopse estão dois amigos de 20 e poucos anos que estão em transição para a vida adulta em Miami Beach. Em busca de dinheiro para comprar maconha e se sustentarem, os companheiros de infância David (Miles Teller) e Efraim (Jonah Hill) se reencontram e veem uma possibilidade maior de ganhar dinheiro fácil para as “diversões”. David, mais maduro, ainda lida com a experiência de ser pai pela primeira vez. É neste ponto que começa a trama.

Eles descobrem e investem, ingenuamente ou não, em um negócio ilícito em expansão: o tráfico de armas e sua terceirização. Marca da época do Governo de George W. Bush e da famosa e trágica Guerra do Iraque. E é este fato que torna a produção interessante. Apesar de lembrar muito O Lobo de Wall Street, de Martin Scorsese, que também conta com Jonah Hill no elenco, Cães de Guerra revela pontos inusitados. Fala de um assunto sério, mas com quês de romance e sem perder a piada.

O filme se apoia no artigo da revista Rolling Stones Arms and the Dudes, do autor canadense Guy Lawson. Por isso, destaque para o bom embasamento. Mas, talvez, a intenção do diretor e roteirista Todd Phillips seja englobar um público maior. Além do romance de David e Iz (Ana de Armas) e a delicada situação familiar que eles passam por, ainda jovens, terem que sustentar uma filha recém-nascida, há a comédia focada na atuação de Jonah Hill. Ele vive o antagonista antiético, mas capaz de fazer qualquer um rir. Gargalhadas à parte, dá para refletir sobre as guerras externas e internas, que focam não apenas no uso de armas, mas também na lei da sobrevivência e na formação de sociedades aparentemente legais.
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblog

Veja aqui o trailer do filme Cães de Guerra:

 

Cinema Novo na abertura do Festival de Brasília

“Cinema é cachoeira”. As palavras do mestre Humberto Mauro guiaram o jovem cineasta Eryk Rocha a compor o longa Cinema Novo, um ensaio poético sobre o movimento que lançou alguns dos maiores nomes do cinema brasileiro em todos os tempos, como Glauber Rocha (pai de Eryk), Nelson Pereira dos Santos, Cacá Diegues, Ruy Guerra, Joaquim Pedro de Andrade, Leon Hirszman. O filme – recentemente premiado no 69º Festival de Cannes com o L’Oeil D’Or (Olho de Ouro), dedicado ao cinema documentário – foi o escolhido para a noite de abertura do 49º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Ele será exibido em sessão especial para convidados, no dia 20 de setembro, a partir das 20h30, no Cine Brasília.

Cinema Novo mescla imagens de arquivo e de acervos dos próprios cineastas (colhidos no Brasil e no exterior), depoimentos recentes e outros nem tanto (vários deles captados especialmente para o longa), para propor um grande passeio pelo movimento nascido nos anos 1960 e que forjou as bases do cinema brasileiro. Sem a proposta de definir o movimento ou estudá-lo, o documentário se integra ao Cinema Novo, relembrando ideias e conceitos, oferecendo a possibilidade de o espectador dos dias atuais enxergar o Cinema Novo em toda sua complexidade e procurando ver como os ideais do movimento dialogam com o Brasil contemporâneo.

Para o curador do Festival, Eduardo Valente, “Cinema Novo é o filme ideal para a abertura do Festival de Brasília, pois ao mesmo tempo que coloca o passado e o presente em conexão direta, apontando sempre para o futuro, o filme relembra e exercita um cinema onde estética e política não se separam. Essas dinâmicas todas são a cara do Festival de Brasília, então começar a edição desse ano sob a égide desse filme será marcante”.