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Assista ao trailer de As Verdades

O longa-metragem As Verdades, dirigido por José Eduardo Belmonte e estrelado por Lázaro Ramos e Bianca Bin, ganha seu trailer e cartaz oficiais. O filme teve sua première na 45ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, com exibição no festival no Vão Livre do MASP. O longa chega aos cinemas no dia 30 de junho com distribuição da Gullane.

O filme marca a volta de Lázaro Ramos como ator aos cinemas e a sua terra natal depois de Ó Paí, Ó. A história é contada a partir de três versões diferentes dos suspeitos de um assassinato. Em cada hipótese, um novo acusado. O crime é contra Valmir (ZéCarlos Machado), candidato a prefeito da cidade. Cabe ao policial Josué (Lázaro Ramos) investigar quem está falando a verdade.

O elenco também é composto por Drica Moraes, Thomás Aquino e Edvana Carvalho. Com roteiro de Pedro Furtado, As Verdades é uma produção da Gullane, em coprodução com Globo Filmes e Canal Brasil.

Mistério marca o trailer de Não Se Preocupe, Querida

A Warner Bros. Pictures apresenta o primeiro trailer de Não Se Preocupe, Querida, novo thriller psicológico dirigido por Olivia Wilde com estreia prevista em 22 de setembro nos cinemas brasileiros.

Estrelado por Florence Pugh, Harry Styles, Olivia Wilde, Gemma Chan, KiKi Layne e Chris Pine, o longa conta a história de Alice (Florence Pugh) e Jack (Harry Styles), um casal que tem a sorte de viver na comunidade planejada de Victory, cidade experimental que abriga os trabalhadores do ultrassecreto Projeto Victory e suas famílias na década de 1950. A vida é perfeita, com as necessidades de todos os residentes atendidas pela empresa, que apenas lhes pede em troca a discrição e o compromisso incondicional com o projeto.

Enquanto os maridos passam o dia todo na sede do Projeto Victory, ocupados com o “desenvolvimento de materiais de tecnologia de ponta”, suas esposas — incluindo a elegante parceira de Frank, Shelley (Gemma Chan) — passam seu tempo desfrutando da beleza, do luxo e da libertinagem da comunidade. A vida é perfeita, com as necessidades de todos os residentes atendidas pela empresa, que apenas lhes pede em troca a discrição e o compromisso incondicional com o Projeto Victory.

Mas quando rachaduras nessa vida idílica começam a aparecer, expondo flashes de algo muito mais sinistro à espreita, sob uma fachada sedutora, Alice não pode se furtar de questionar o que exatamente é feito no Projeto Victory e por quê. Mas quanto ela está disposta a perder para expor o que realmente acontece naquele paraíso?

Audacioso e provocante thriller psicológico, com um visual deslumbrante, Não Se Preocupe, Querida tem uma direção eletrizante de Olivia Wilde e performances inebriantes de Florence Pugh e Harry Styles, além de um elenco notável, escolhido sob medida para o filme.

Medida Provisória traz temas mais do que necessários

*Por Michel Toronaga

Adaptado da peça teatral Namíbia, Não!, de Aldri Anunciação, o longa-metragem Medida Provisória estreia nos cinemas carregado de mensagens e temas mais do que necessários para um país como o Brasil. A direção fica a cargo de Lázaro Ramos, que já dirigiu o espetáculo original em 2011. Ele assinou o roteiro ao lado de Lusa Silvestre. O resultado é uma produção provocadora e perturbadora sobre questões que estão enraizadas na sociedade até os dias de hoje.

A trama se passa em um futuro próximo, quando o governo aprova uma medida provisória para que todos os negros sejam imediatamente expulsos do país para retornarem para a África. A iniciativa surge com a hipócrita justificativa racista que seria uma reparação histórica pelos 400 anos de escravidão. E o que se segue então são episódios de truculência policial e perseguição. Algo extremamente próximo com a realidade. É por isso que o filme foi comparado com o seriado Black Mirror, que sempre apresenta histórias de futuros sombrios carregadas de um realismo assustador.

A médica Capitu (Taís Araújo) e o advogado Antonio (Alfred Enoch) são pegos de surpresa pela medida provisória, que atinge qualquer brasileiros que possa “parecer” negro – ou melanina acentuada, como são definidos no filme. A história mistura momentos de suspense e tensão com drama (elemento inevitável num roteiro assim). Há espaço também para o humor, que faz com que a película não seja tão pesada quanto poderia ser. O elenco traz nomes importantes, como Seu Jorge, no papel de um jornalista independente.

Entre os brancos, o destaque vai para Adriana Esteves, como uma funcionária do governo implacável. Renata Sorrah interpreta a típica cidadã de bem, capaz de acabar com a vida do vizinho só para garantir seus próprios interesses. A trilha sonora traz nomes conhecidos da música negra brasileira, como Liniker e os Caramelows, Baco Exu do Blues e Elza Soares. Emicida também participa no elenco, valorizando ainda mais a mensagem do filme. Em ano eleitoral, fica a reflexão sobre o tipo de políticos que podem chegar no poder. E todos sabemos que o objetivo seria representar a população , mas são pessoas capazes de tomar decisões drásticas nas vidas das outras. Uma das melhores frases do longa resume bem o momento: “Será que a gente nota quando a história está acontecendo?”.

A história real por trás de Os Olhos de Tammy Faye

Vencedor de duas estatuetas no Oscar® 2022, nas categorias de Melhor Atriz para Jessica Chastain e Melhor Maquiagem e Penteado, “Os Olhos de Tammy Faye” acaba de chegar no Star+. A nova produção da Searchlight Pictures mostra como, durante as décadas de 1970 e 1980, Tammy Faye e Jim Bakker (Andrew Garfield) saíram de origens humildes para criar a maior rede de TV religiosa do mundo e um parque temático.

Baseada no documentário homônimo, o filme conta a real trajetória de Tammy Faye. Confira abaixo mais detalhes dessa história.

Quem foi Tammy Faye?

Conhecida por seus chamativos penteados e sua maquiagem exagerada, Tamara “Tammy” Faye foi uma cantora, escritora, empresária, tele-evangelista e celebridade da televisão norte-americana. Com 4 livros publicados e 24 álbuns, ela pregava o amor e aceitação.

Amada pela comunidade LGBT, Tammy defendia aqueles que a comunidade cristã não aceitava e, no auge da epidemia do HIV, convidou um pastor gay que tinha AIDS para estar em seu programa “Tammy’s House Party”.

Foi casada com o também tele-evangelista Jim Bakker, com quem liderou a série de televisão religiosa “The PTL Club” e teve dois filhos, Tammy Sue e Jay Bakker. Depois de vários escândalos de dinheiro e sexo envolvendo o marido, pediu divórcio em 1992 e se casou em 1993 com o empresário Roe Messner.

Tammy morreu no ano de 2007 devido a um câncer de cólon. Dias antes de sua morte, ela afirmou que gostaria que seu funeral fosse um momento de alegria, onde todos pudessem rir e lembrar o quanto era maluca.

The PTL Club

O “The PTL Club”, também conhecido como “The Jim and Tammy Show”, foi um programa de televisão cristão apresentado pelo casal, de 1974 a 1989. Com um estilo de vida luxuoso da dupla, suas atividades de arrecadação de fundos geraram, supostamente, US$ 100 milhões anualmente. Esse dinheiro vinha de seu público, que – durante a programação religiosa – doavam grandes quantias ao programa de Jim e Tammy.

Polêmicas

O império do casal começou a ruir após Tammy ser internada em uma clínica de reabilitação por problemas com medicamentos prescritos. Como se isso não bastasse, o que realmente abalou a reputação de Tammy e Jim foram os escândalos sexuais e de fraude.

Jim Bakker foi acusado de assédio sexual contra uma secretária da igreja de Long Island, na cidade de Nova York. Segundo o evangelista, o encontro sexual havia sido consensual, porém o escândalo não estava sendo muito bem aceito pelo público e Bakker decidiu se afastar por um tempo de suas atividades públicas. Mais tarde foi vítima de alguns boatos que diziam que ele teria tido relacionamentos com alguns homens, o que não era bem visto na comunidade cristã.

No fim dos anos 1980, Jim foi indiciado com 23 acusações de fraude e condenado a 45 anos de prisão por se apropriar de US$ 3,7 milhões dos fundos da “PTL” e também fraudar seus fiéis em um valor estimado de US$ 158 milhões.

Festival Cine de Expressão destaca o protagonismo das juventudes periféricas

*Por Vinícius Remer

O cinema tem abordado o conceito do multiverso, onde podemos existir em diferentes realidades, em universos possíveis. A arte, assim como o cinema, se apresenta como essa possibilidade de explorar diferentes caminhos. A juventude, principalmente a periférica, que participou do projeto Cine de Expressão, decidiu seguir por essa estrada: encontraram na arte do cinema a oportunidade de protagonizarem as suas próprias histórias e viverem, ao menos por um instante, outras realidades.


Mas antes do close do tapete vermelho, onde os jovens cineastas receberam premiações e o tão desejado troféu, teve muito corre. Foram mais de 100 horas de formação em audiovisual durante os 12 meses do projeto Cine de Expressão. Um ano inteiro dedicado a produzir e contar histórias protagonizadas por jovens de várias quebradas do Distrito Federal. O resultado de tudo isso foi exibido no Festival Cine de Expressão, realizado de 15 a 19 de março, no Jovem de Expressão e na Casa do Cantador, em Ceilândia-DF, com uma intensa programação: oficinas, debates e mais de 10 filmes inéditos exibidos.


A maioria das produções exibidas durante o festival dialoga diretamente com os temas relacionados a juventude negra periférica. São obras que nos mostram detalhes de quem são as referências para esses jovens, como um quadro dos Panteras Negras, um livro de Angela Davis ou do autor Frantz Fanon, os quadrinhos do ilustrador LØAD ou o rap A Procura da Paz, do grupo Cirurgia Moral.


São diversas as referências espalhadas durante as tramas, num exercício de citar outras linguagens e autores que são a fonte de inspiração para que esses personagens ficcionais, muitas vezes baseados nas vivências de seus realizadores reais, consigam as suas reviravoltas, os seus protagonismos e as suas libertações.


Essa metalinguagem explorada nos filmes também extrapolou as telonas e está simbolicamente representada num dos momentos mais lindos do festival. A participação de Adélia Sampaio, a primeira mulher negra a dirigir um longa-metragem no Brasil, pôde, sempre atenta e generosa, receber um troféu como homenageada e conferir as produções desses jovens, os universos e as realidades por eles imaginadas no primeiro festival de cinema de Ceilândia, o Cine de Expressão.

Longa Mateína – A Erva Perdida traz a erva-mate como proibida

Em um Uruguai do futuro, a erva-mate é proibida. Para salvar a identidade de seu povo, dois vendedores ilegais iniciam uma viagem rumo ao Paraguai para contrabandear e salvar o consumo da erva.

Vencedor dos prêmios de melhor filme e ator do 12º Festival de Cinema da Fronteira exibido na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, “Mateína – A Erva Perdida” chega às salas de cinema no dia 31 de março (quinta). Coprodução entre Uruguai, Brasil e Argentina, o longa de Joaquín Peñagaricano e Pablo Abdala Richero mistura comédia e road movie.

“Mateína – A Erva Perdida” é a estreia na direção de longas da dupla de realizadores uruguaia, que também divide roteiro e produção. “O filme surge como uma busca pela ficção científica, perguntando-nos como seria o nosso ambiente se mudássemos algo fundamental no cotidiano”, explicam os diretores. O questionamento: o que aconteceria se a erva-mate fosse proibida? “Esse costume, que vem dos índios Guarani, está presente em todas as esferas da sociedade uruguaia e é algo que nos caracteriza como povo”, avaliam. Eles comparam com uma proibição da cerveja para os alemães ou do samba para os brasileiros.

A aventura de Moncho (Diego Licio) e Fico (Federico Silveira) pelas estradas logo ganha o apoio popular em todo o país. “O herói uruguaio José Artigas (1764-1850) tem um grande paralelismo com nossos protagonistas: ele não queria ser o “pai da pátria”, foi seguido e ajudado pelos habitantes do campo”, apontam os cineastas. “Terminou seus dias no Paraguai com um amigo que, segundo os livros de história, fazia mate para ele”, complementam. Com bom humor, Joaquín e Pablo também refletem sobre o absurdo das proibições e a influência das corporações internacionais nos países latino-americanos.

A zona rural de Montevidéu e as proximidades da cidade de Florida servem de locação para as peregrinações de Moncho e Fico. “Diante de uma perspectiva mais geral, nos propomos a reunir a paixão, a teimosia e a luta de duas pessoas comuns para manter um sonho”, descrevem. A jornada pela volta do chimarrão também inclui perseguições policiais e passageiros inesperados. O elenco traz ainda uma participação de César Troncoso (“O Tempo e o Vento”) no papel de um comissário de polícia.

“Mateína – A Erva Perdida” é uma produção da Montelona Cine (Uruguai), em coprodução com as empresas gaúchas Coelho Voador e Vulcana Cinema e HC Films (Argentina). A distribuição fica a cargo da Lança Filmes. Contemplado com o edital Prodecine 09 do FSA – Coprodução Brasil-Uruguai.

Mostra de Cinema Coreano agita Brasília

Co-organizada pela Embaixada da República da Coreia e Centro Cultural Coreano no Brasil, em mais uma nova parceria com o Cine Brasilia e a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do GDF, vem aí a ‘2022 Mostra de Cinema Coreano em Brasília’, com exibição de grandes sucessos de filmes coreanos durante o período até o dia 3 de abril.

A Mostra é composta por uma seleção de 10 títulos para todos os gostos, percorrendo pelos mais variados gêneros, de animação e comédias, a dramas e suspenses. Dentre os títulos, tem o ‘Sapatinho Vermelho e os Sete Anões’, um desenho animado já dublado em português para que a criançada também tenha a sua vez; filmes de época como o ‘Kundo’, através do qual será possível conhecer um pouco como era a sociedade coreana na época de reinados e dinastias nos idos do século XIX; ou o eletrizante e dramático ‘A Linha de Frente’, ambientalizado no ano em que foi assinada uma trégua para a Guerra da Coreia. Enfim, uma seleção bem variada para todos os gostos.

E, para dar um toque ainda mais coreano à Mostra, haverá também degustação de algumas comidinhas típicas. Esse preparo estará a cargo de profissionais especialistas na arte da culinária coreana. A degustação terá lugar, todos os dias, na área externa do Cine Brasília, sempre antes das sessões dos filmes.

Além disso, a Embaixada também oferecerá aulões de K-Pop. As aulas serão realizadas também na área externa do Cine Brasília (em frente ao stand de degustação de comidinhas coreanas), entre as sessões de filmes dos sábados e domingos e serão comandadas por um professor já conhecido entre os amantes do ritmo coreano.

Serão 10 dias com um cardápio completo de conteúdo cultural coreano para curtir, degustar e aproveitar. E não termina por aqui. Os espectadores ainda serão brindados com pequenos mimos, preparados pela Embaixada da Coreia e Centro Cultural Coreano.

A entrada ao cinema é franca e os ingressos estarão, em breve, disponíveis através do site www.eventbrite.com.br. Todas as demais atividades culturais também serão gratuitas. Basta apenas a sua presença. Em função da pandemia do COVID-19, protocolos de segurança vigentes no período serão seguidos.

Degustação da gastronomia coreana

– Durante todos os dias da Mostra, 40 minutos antes de cada sessão de filme.

Aulas K-Pop

– Aos sábados e domingos da Mostra, ao término da sessão das 15h00.

Animação é inspirada na obra de Tarsila do Amaral

A relevância histórica e cultural de um dos principais nomes das artes plásticas do Brasil se converte em uma lúdica aventura em Tarsilinha, animação de Celia Catunda e Kiko Mistrorigo. O longa-metragem, produzido pela Pinguim Content, explora durante a trama todo o universo visual da modernista Tarsila do Amaral (1886 – 1973). A personagem principal do filme mergulha na experiência sensorial proporcionada por obras da artista para tratar de temas como memória, amadurecimento e coragem.  

“O filme não tem uma narrativa apenas infantil. Há um segundo nível de leitura que você pode tratar e interpretar bastante sobre a assimilação de culturas diferentes para a criação de coisas novas ou sobre a memória”, explica Celia. Kiko sublinha o fato de Tarsilinha chegar ao público no mesmo ano em que é comemorado o centenário da Semana de Arte Moderna de 1922: “A coincidência de datas é uma grande oportunidade de mostrarmos a nossa grande artista para as novas gerações e como ela estava à frente do seu tempo”. 

Os diretores também são os responsáveis pelas animações infantojuvenis Peixonauta Show da LunaTarsilinha fez sua estreia internacional no Festival de Xangai (China), foi escolhido o melhor longa-metragem de animação latino-americano no Festival Chilemonos (Chile) e selecionado para o Festival de Chicago (EUA). A animação não conta a vida da artista plástica – cuja obra é reconhecida como uma das mais importantes para o Modernismo no Brasil –, mas assume como ponto de partida a paisagem rural, com a qual Tarsila do Amaral conviveu de fato, para apresentar a protagonista e sua mãe.  

A experiência dos espectadores do filme tem como base a paleta de cores, o traçado e as nuances das obras. A aventura começa quando a personagem principal, homônima ao filme, tenta recuperar os bens mais preciosos de sua mãe: as suas mais marcantes recordações. O desafio passa a ser superar os obstáculos para conseguir resgatar esse tesouro e voltar para casa. Para alcançar esse objetivo, Tarsilinha se depara com vilões perigosos.  

No entanto, ao longo da jornada, aparecerão valentes aliados, sem os quais não será possível driblar os obstáculos. Tantos os aliados quanto os oponentes de Tarsilinha nesse percurso ganham vida a partir de quadros da modernista. Da obra “A Cuca”, por exemplo, saem os vilões Lagarta e Tatu Pássaro. Daquele cenário, imaginado por Tarsila do Amaral, também surge o Sapo, fiel parceiro da protagonista diante de tamanhas adversidades. Os ambientes que compõem o longa-metragem também estão presentes em outros itens do acervo da artista. 

“O próprio roteiro foi criado em cima do passeio sobre essas obras que a gente escolheu. Então a gente estruturou o filme em macro ambientes, que eram os quadros”, comenta Celia. As vozes dos personagens também são o destaque da animação. A Lagarta é interpretada pela atriz Marisa Orth, ao passo que o funcionário da estação de trem recebe a voz do apresentador Marcelo Tas. “A locução é determinante para um personagem na animação. O nosso caminho até as escolhas foi muito intuitivo e criterioso ao mesmo tempo”, reconhece Kiko.  

O Canto do Cisne fala da melancólica despedida da vida

*Por Túlio Villafañe

Este filme inicia com uma das cenas de paixão à primeira vista mais legais e envolventes que vi em um filme recente. Com essa abertura apaixonada e marcante (que para mim entrará na memória assim como Natalie Portman atravessando a rua em Closer com a icônica peruca rosa) inicia um filme que é essencialmente triste, mas não de uma tristeza lamentável ou dramática, mas próxima a um sentimento melancólico, emoldurado em um futuro-recente em que a tecnologia médica está a um passo do fantástico.

É nesse futuro limpo, de móveis e objetos de design arredondado, que o protagonista tem que lidar com a grande questão (filosófica) do filme: o luto de seu próprio ser. Com isso, O Canto do Cisne leva ao limite a noção de amor desprendido, não-egóico, em que a única razão de amar é o bem do amado. O mais difícil desse filme é saber que, como humanos (ou mais precisamente, como humanos que cresceram em uma sociedade que acredita que o indivíduo/individualidade está acima de tudo), quem conseguiria entregar sua própria vida para o bem dos amados?

Como um filme melancólico, as situações não são explosivas, arriscadas ou urgentes. Elas se dão ao largo do tempo, a partir de profundas reflexões intimas. São lentas em sua superfície e, para aqueles que não submergirem (ou não forem capazes de criar empatia), poderão sentir-se diante de um filme chato – sendo que toda a trama se concentra em poucas decisões/ações (que incluso estão quase dadas como certas desde ao princípio).


O Canto do Cisne convida o espectador a sentir. Da fotografia à toda a construção estética despoluída, carregada pela excelente atuação de Mahershala Ali, esse filme dirigido por Benjamin Cleary é uma carta de amor à vida – ainda que para isso coloque em nossas mãos a decisão sobre quando devemos nos retirar de cena.

Últimos dias para se inscrever na 21ª Goiânia Mostra Curtas

As inscrições para a 21ª Goiânia Mostra Curtas seguem abertas até o próximo dia 6 de abril, pelo site www.goianiamostracurtas.com.br. O festival, que tem mais de duas décadas de história no cenário cultural goiano e brasileiro, acontecerá entre os dias 5 e 10 de julho de 2022, no formato online.

Podem se inscrever obras audiovisuais de todos os gêneros com duração máxima de 25 minutos, finalizadas a partir de janeiro de 2021 e que tenham cópia de exibição em formato solicitado pela plataforma digital, de acordo com as especificações técnicas previstas no regulamento disponível no site oficial do festival. Excepcionalmente, para os filmes produzidos em Goiás, poderão se inscrever curtas-metragens realizados a partir de 2020, devido à escassez de políticas públicas destinadas à produção audiovisual no estado durante o período pandêmico.

Os filmes inscritos serão analisados pelos curadores das mostras: o diretor e pesquisador Rafael de Almeida (Curta Mostra Brasil), o programador e crítico de cinema Fábio Rodrigues Filho (Curta Mostra Goiás), o diretor e realizador Cesar Cabral (Curta Mostra Animação) e a escritora e documentarista Gabriela Romeu (20ª Mostrinha). Já a curadoria dos filmes convidados para a Curta Mostra Especial será feita pelas curadoras e programadoras Talita Arruda e Melina Bomfim.

A lista de filmes selecionados está prevista para ser divulgada no site da 21ª GMC no dia 26 de abril, podendo haver prorrogação a critério da organização.