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#687-A mulher invisível

Depois de A muher do meu amigo, o diretor Cláudio Torres assina outra comédia: A mulher invisível. O longa-metragem conta a história de Pedro (Selton Mello, de Meu nome não é Johnny), um homem que é abandonado pela esposa Marina (Maria Luisa Mendonça, de Se eu fosse você 2). Inconsolável por causa do abandono da amada, ele acaba perdendo o emprego, o que deixa seu amigo Carlos (Vladimir Brichta, de Romance) preocupado.

Mal sabe Pedro que a sua vizinha Vitoria (Maria Manoella, de Nossa vida não cabe num opala) leva uma solitária vida e sustenta uma paixão secreta por ele. Mas depois de um período isolado em casa, Pedro recebe a misteriosa visita da sensual Amanda (Luana Piovani). Os dois logo iniciam um relacionamento que faz com que o rapaz saia da fossa e recupere a vontade de viver. Só que é uma relação no mínimo diferente, afinal apenas Pedro consegue ver Amanda.

A mulher invisível
Carlos e Pedro

Ela é o exemplo de uma mulher idealizada: adora limpar a casa, está sempre disposta a fazer sexo, não se importa se o marido a trai e ainda por cima gosta de futebol. É claro que ela não passa da imaginação do protagonista. E é essa figura caricata que vai fazer com que Pedro passe por situações constrangedoras. O roteiro usa e abusa de triângulos amorosos, com desencontros que criam situações engraçadas entre todos os personagens.

A mulher invisível
Luana Piovani. Foto de Denis Netto

Também estão no elenco: Paulo Betti (O signo da cidade), Lúcio Mauro (Bezerra de Menezes: O Diário de um Espírito e Cleópara) e a naturalmente hilária Fernanda Torres. A mulher invisível se sai bem por ser uma comédia que consegue divertir ao apresenta uma série de pontos positivos, como a beleza de Luana Piovani para atiçar o imaginário da platéia masculina e um bom ator, como o versátil Selton Mello.
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblog

A Mulher Invisível (Brasil, 2009) Dirigido por Cláudio Torres. Com Selton Mello, Luana Piovani, Maria Manoella, Maria Luisa Mendonça, Fernanda Torres, Lúcio Mauro, Marcelo Adnet, Paulo Betti, Vladimir Brichta…

Veja aqui o trailer do filme A mulher invisível:

DaiblogLeia aqui uma entrevista com Cláudio Torres, diretor do filme A mulher invisível:

Quando e como surgiu a ideia para o roteiro de “A Mulher Invisível”?

“A Mulher Invisível” nasceu da vontade de fazer um gênero: a comédia romântica. Essa definição pelo gênero aconteceu no Palácio Alvorada, em Brasília. Estava apresentando meu primeiro filme, “Redentor”, para o presidente Lula, numa tradicional sessão de cinema no Planalto. Eu conversava com o também co-produtor de “Redentor”, Daniel filho, sobre as possibilidades do filme. Diretor estreante, eu assistia ao Lula vendo uma bomba atômica destruir Brasília e sonhava que talvez o longa virasse uma mania nacional. Daniel, que torcia para o filme, mas sabia que as minhas chances eram nenhuma, sorriu e me perguntou, afirmando: “‘Redentor’ é um filme muito bom, mas não tem amor. É cerebral. Você quer público. Por que não faz um filme que tenha amor? Comédias românticas vão bem com o público”. A mulher invisível
Cena do filme A mulher invisível“Redentor” foi muito bem de crítica. Abriu a mostra Panorama em Berlim, mas fez apenas cerca de 230 mil espectadores. Aprendi que, para o mercado, filmes só existem depois de 600 mil espectadores e só dão dinheiro depois de um milhão. Aprendi que um filme não pode ter muitos gêneros e vi que não fazia sentido fazer cinema que não se comunica com o público. Lembrei da conversa com o Daniel e comecei a pensar numa comédia romântica. Pensei que solidão seria um bom assunto. Todo mundo já passou, está passando ou vai passar por uma crise de solidão na vida. Tenho 45 anos e pertenço à primeira geração que foi criada assistindo TV. “Perdidos no Espaço”, “Túnel do Tempo”, “Jeannie é um Gênio”, “A Feiticeira”, monstros de outro planeta e mulheres de outras dimensões. Acho que as coisas da infância ficam. Era natural que, na hora de pensar uma comédia romântica, ela tivesse toques do cinema fantástico. Parti, então, da seguinte premissa: um homem que acredita no casamento é abandonado pela mulher e, após enlouquecer de dor de cotovelo, se apaixona por uma mulher que não existe. Cego de amor por esta alucinação, não tem olhos para sua vizinha que secretamente o ama.
A mulher invisível– Como foi o processo de criação e desenvolvimento do roteiro?

Escrevi uma sinopse, procurei o Selton e disse que pensava na Luana Piovani como a Mulher Invisível (acredito em escrever para um ator). Ele se divertiu. Disse que se interessou por aquele solitário, falou que estava dentro e comecei o roteiro. A Warner percorria o mercado atrás de projetos para investir por meio de artigo 3°, leu a sinopse e gostou. Escrevei durante dois anos e tive três colaboradores importantes. Claudio Paiva discutiu comigo durante quase um ano a questão da mulher real x mulher irreal, Maria Luisa Mendonça solucionou a dramaturgia da mulher real (ela é a vizinha e escuta pela parece) e Adriana Falcão, na fase final, escreveu algumas das boas falas que este filme tem, como “eu posso te fazer infeliz se for pra te fazer feliz”. Luiz Noronha, produtor-executivo, foi fundamental nos cortes e últimos ajustes do roteiro já na fase de pré-produção e Daniel Filho, na hora da crítica ao primeiro corte.

– Quais referências você buscou para criar o filme “A Mulher Invisível”?

Um pouco de tudo. Cinema comercial americano – os filmes do Ben Stiller, do Woody Allen (“A Rosa Púrpura do Cairo” e “Zelig”), “Mais Estranho que a 21 Ficção”, de Marc Forster – e os de sempre – Stanley Kubrick (“2001: Uma Odisseia no Espaço” e “Laranja Mecânica”), Billy Wider (“Quanto Mais Quente Melhor”) e o Jabor (“Tudo Bem”).
A mulher invisível– Como você analisa a atuação dos atores?

Você escreve uma história, arma uma produção, mas o que realmente é filmado é a performance dos atores. A cena. Conseguimos reunir um elenco poderoso. Ensaiamos as cenas principais, ainda adaptando e reescrevendo, definindo como faríamos aquilo. O lema era: vamos levar a sério e vamos fazer todas as piadas. Selton é um monstro. Um companheiro de trabalho maravilhoso que conhece a sua profissão profundamente. Dono de um instinto de cena, um domínio miraculoso sobre arte da explosão na hora do take. Fez um Pedro humano, totalmente louco e inteligentemente engraçado. Ele é um protagonista que carrega e faz um filme. Luana é uma atriz seríssima, que sabe fazer comédia, compenetrada, que pensa e domina o que vai atuar e compreendeu Amanda, a mulher ideal, de uma forma muito real. Um espanto na tela e uma alegria no set. A mulher invisível
CarlosVladimir faz Carlos, o amigo antagonista. A consciência pragmática, porém solitária de Pedro. Precisamos de um ator que nos fizesse amar um canalha, e é impossível não amar o Vlad. Carlos tem a curva de personagem mais bonita da história e Vlad a fez magistralmente. Maria Manoela pegou o personagem mais difícil da trama. A mulher real, aquela que não brilha no contra luz. E ela fez a Vitória com sentimento, verdade, sinceridade, dando um toque meio pateta, cômico e irresistível. Fernanda Torres é minha irmã. Foi a última a entrar no elenco e estava grávida de 8 meses. Um presente de irmão. Nanda fez a Lúcia, o ingrato papel da amiga da mocinha, mas que, devido ao seu talento excepcional, garante algumas das boas risadas que o filme tem. Conseguimos um elenco de gigantes mesmo para as participações especiais. Maria Luisa deu ao filme a incrível cena da ex-mulher que vai embora, Paulo Betti fez o irresistível chefe do herói. Marcelo Adnet, a antológica ida ao cinema. Lúcio Mauro, o Governador.
A mulher invisível
Vitória – A vizinha visível– Fale um pouco das filmagens, da pós-produção e da escolha da trilha sonora.

Filmamos em cinco semanas e três dias no Rio de Janeiro, num calor escaldante, entre fevereiro e março de 2008. O clima foi o melhor possível. Foi realmente divertido, e esta diversão está impressa na tela. Contei com um incrível colaborador Ralph Strelow, o fotógrafo do filme. Nossa parceria vem desde muitos anos de publicidade, “Redentor” e, agora, o “A Mulher Invisível”. Ralph foi o grande parceiro da cinematografia deste filme. Determinou planos, marcas, sugeriu músicas e montagens, além de ter iluminado divinamente. O filme não seria o mesmo sem ele. Editamos o filme em três meses. E Sergio Mekler foi o editor. Serginho é um editor preciso, elegante e normalmente calmo, mas que editou este filme em estado de euforia, falando dos personagens muito cedo, como se eles já existissem. Foi o primeiro espectador da Mulher Invisível e determinou muito do que ela seria. A música do filme é do Luca Raele e Mauricio Tagliari, que também fizeram “Redentor” e “A Mulher do Meu Amigo”. Tinha como referência trilhas românticas com um toque de suspense dos filmes dos anos 50, Ramones e música eletrônica, além de jazz dos anos 30 e baladas contemporâneas. Uma salada musical que Luca e Mauricio temperaram com muito talento.
A mulher inivisivel– Todo homem tem uma ideia de uma mulher perfeita na cabeça?

Todo ser humano idealiza quando está apaixonado. E, geralmente, coloca si mesmo no outro. Então, no fundo, você se apaixona por você mesmo. Você começa a amar quando a paixão termina e você realmente vê o outro. A pessoa quando está apaixonada está vendo um espelho. Essa é um pouco a ideia do filme: é preciso não ficar cego pelas idealizações e amar o que é real.

– A Amanda é uma unanimidade entre os homens?

A Amanda foi construída com muito humor pra ser uma unanimidade entre os homens, mas atenção! Ela tem duas fases. Tem a fase da paixão onde tudo é maravilhoso, e ela não dá problema algum. Depois, ela tem a fase real da mulher imaginária em que começa a dar defeitos. E quando ela dá defeito, ela dá defeito pra valer (risos).
A mulher invisivel
O diretor Cláudio Torres– O que o público pode esperar de “A Mulher Invisível”?

É uma comédia que ri da solidão do ser humano. Um filme apaixonante engraçadíssimo, maravilhosamente interpretado. É um filme de mercado, voltado para o público. É uma tentativa de fazer um produto comercial com conteúdo. Todo filme é autobiográfico. Acho que a gente sempre filma a gente mesmo. Se você não consegue fazer isso, o filme fica um pouco vazio. Então, é melhor que isso aconteça. Quanto mais a gente fala da gente, melhor ficam as coisas. A arte existe pra isso: pra contar intimamente uma coisa que você sabe, descobriu ou viveu pra uma outra pessoa.

#686-Jonas Brothers 3D

Com direção de Bruce Hendricks (que trabalhou com a Disney em Hannah Montana), o filme Jonas Brothers 3D é uma espécie de documentário-show que mostra uma das apresentações do conjunto musical. A novidade no lançamento é a tecnologia em terceira dimensão, que permite que os espectadores possam experimentar a sensação de estar praticamente dentro da turnê Burning Up, de 2008.

Os irmãos Kevin, Joe e Nick Jonas apontam para a câmera, jogam coisas na platéia e interagem de forma que a apresentação fica muito interativa. Na pré-estreia do filme, que aconteceu em Brasília nesta terça-feira, o cinema estava cheio basicamente por fãs do grupo, que gritavam, aplaudiam e cantavam. O interessante é que o efeito 3D não passa apenas a idéia de coisas saindo da tela, como também uma profundidade interna.

Jonas Brothers 3D
Jonas Brothers fugindo das fãs

Definitivamente é uma produção voltada para os fãs. Quem não gostar do som do trio não irá aproveitar porque o filme consiste basicamente no trio cantando e tocando. A parte denominada documentário é curta e consiste em poucas cenas entre as músicas da filmagem ao vivo. Mostra o assédio e um pouco do cotidiano dos jovens músicos, um material necessário apenas para os fanáticos pelos Jonas Brothers.

Jonas Brothers 3D
Apresentação em terceira dimensão

Talvez se o filme reunisse video-clipes ou músicas cantadas em cenários diferentes o resultado fosse melhor. Mas infelizmente o que se vê na telona é os adolescentes sempre no mesmo palco. O que faz variar um pouco são as participações especiais (das cantoras Taylor Swift e Demi Lovato) e a canção tocada ao ar livre. Recomendado apenas para os fãs.
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblog

Jonas Brothers: The 3D Concert Experience (EUA, 2009) Dirigido por Bruce Hendricks. Com Kevin Jonas, Joe Jonas, Nick Jonas, John Lloyd Taylor, John Cahill Lawless, John Cahill Lawless, Ryan Matthew Liestman, Gregory Robert Garbowsky, Robert Feggans…

Veja aqui do trailer do filme Jonas Brothers 3D:

DaiblogVocê já ouviu falar do Edinburgh International Film Festival? O Daiblog irá oferecer para você uma cobertura deste evento, cortesia do colaborador Jonathas Soares. Para quem não se lembra, ele deu uma entrevista sobre os chavs no texto do perturbador suspense Eden Lake. Com a palavra, Jonathas:

Apesar da primeira edição de um festival de cinema ter se realizado em Veneza em 1946, dentre os festivais mais influentes da atualidade (Sundance, Berlin, Veneza, Edimburgo, Cannes, Moscow e Karlovy Vary), Edimburgo é o que leva mais edições ininterrompidamente, desde 1947.
Jonathas Edinburgh International Film Festival
O colaborador Jonathas Soares O Edinburgh International Film Festival, como é conhecido, tem início no dia 17 de junho esse ano e conta com palestras de figuras proeminentes do cinema mundial como Darren Aronofski (diretor do impressionante “Requiem para um sonho”), Sam Mendes (responsável pelo ganhador do Oscar “Beleza Americana” e diretor de “Foi apenas um sonho“) e a francesa Julie Delpy (“Antes do amanhecer”).

Como correspondente do Daiblog no Reino Unido, estarei mandando atualizações diárias e comentando a repercussão que filmes como “The maiden heist” (com Morgan Freeman) e “The september issue” (documentário sobre a verdadeira Miranda de “O Diabo Veste Prada”) têm por aqui. Até breve.

#685-Os falsários

Depois dar para a Áustria o Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira no ano passado, o longa-metragem Os falsários finalmente estreia nos cinemas brasileiros. A produção mostra as memórias de um sobrevivente do Holocausto. Mas não é mais um daqueles filmes feitos para se ter pena dos judeus ou se horrorizar pelas barbaridades cometidas durante o nazismo. A história mostra um acontecimento polêmico cuja veracidade até hoje é discutida entre os historiadores.

O protagonista é Salomon Sorowitsch, interpretado pelo ótimo ator Karl Markovics. Sally, como é conhecido entre os amigos, é um dos maiores falsificadores de dinheiro da época. Além de conseguir reproduzir cédulas, ele também possui capacidade para criar documentos falsos, como passaportes. Por isso que ele cria o próprio dinheiro ao invés de trabalhar para consegui-lo.

Os falsarios
Talentoso falsificador

A vida boêmia de Sally tem fim quando a polícia consegue rastreá-lo e ele vai parar no campo de concentração de Auschwitz. Lá ele sofre as humilhações e trabalhos forçados até que seu talento para o desenho faz com que o homem seja transferido para outro campo, onde existe um elaborado plano alemão para vencer a Segunda Guerra Mundial. Junto com outros especialistas, Sorowitsch passa a trabalhar na falsificação de dinheiro. E o principal objetivo da transação era prejudicar a economia dos países inimigos e fortalecer a Alemanha nazista, em uma operação que ficou conhecida como Bernhard.

Os falsarios
Proposta da SS

A imagem que geralmente se tem dos campos de concentração é quebrada quando conhecemos os blocos 18 de 19 do campo de Sachsenhausen. Lá os prisioneiros possuiam camas individuais e comida suficiente para trabalharem bem na falsificação. O principal conflito da trama resulta da consciência da mão de obra barata, ou seja, daqueles que trabalhavam lá – judeus, na maioria. Com medo de morrer por fuzilamento ou pela câmara de gás, eles trabalhavam no jogo sujo na esperança de viver mais. Em outras palavras: precisavam ajudar o inimigo para poupar a própria vida.

Os falsarios
Falsificar ou morrer

O filme segura o espectador pela boa narrativa, baseada em um livro de um dos trabalhadores que viveu neste campo cheio de regalias. As atuações também merecem elogio, em especial a do personagem principal, um homem que carregou a amargura de sobreviver enquanto outros morriam ao lado. Os falsários merece uma conferida por mostrar mais informações sobre um período sombrio da história mundial e fugir do comum olhar que sempre procura recontar o que já foi filmado outras vezes no cinema.
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblogDaiblog

Die Fälscher (Áustria / Alemanha, 2007) Dirigido por Stefan Ruzowitzky. com Karl Markovics, August Diehl, Devid Striesow, Martin Brambach, August Zirner, Veit Stübner, Sebastian Urzendowsky, Andreas Schmidt…

Veja aqui o trailer do filme Os falsários legendado em português:

Daiblog

Leia agora uma entrevista com Stefan Ruzowitzky, diretor do filme Os falsários:

Sr. Ruzowitzky – todos os seus filmes anteriores têm algo em comum: eles são todos bem diferentes. “OS FALSÁRIOS” é também completamente diferente dos antecessores.

Ele pode parecer, na primeira olhada, mas, na verdade, eu continuo a manter o meu foco no meu tópico favorito: idealismo. Desde o filme “TEMPO” até “OS HERDEIROS” e até o filme “ANATOMIA” – meus filmes sempre têm heróis jovens que entram num mundo cheio de idealismo, mas são forçados pelas suas perversidades a repensarem os seus conceitos de vida. O filme “OS FALSÁRIOS” tem uma forma diferente de demonstrar esse lado. Nunca antes, eu havia conseguido tratar a tensão entre o idealismo e o pragmatismo com tamanha dose dramaticidade e numa estrutura existencial.

Como surgiu o filme “OS FALSÁRIOS”? Qual é a origem do filme?

Nesse caso, posso dizer com toda sinceridade que o assunto veio atrás de mim: num espaço de duas semanas, o assunto foi proposto a mim por dois produtores de empresas independentes uma da outra. Isso era um sinal claro do destino!

Os falsarios
Adolf Burger no filme

Como foi, ou é, seu contato com Adolf Burger?

Para mim, o momento mais tocante foi sem dúvida alguma quando Burger e Plappler, os últimos sobreviventes, estavam no set e eu me dei conta de que: Meu Deus, isso não é simplesmente um filme que nós estamos fazendo – trata-se da história, isso realmente aconteceu, e esses dois homens sofreram toda essa aprovação.

Na viagem até o set de filmagem, os dois senhores de 90 anos foram discutindo se o S.S. Kommandant da oficina dos falsários eram assassinos ou salvadores. Eu pensei comigo mesmo: o filme é exatamente sobre essa discussão! Como você descreveria a situação na qual os falsários se encontravam?

Eu sinto que é essencialmente sobre os dias modernos, sobre as questões universais. E é exatamente por essa razão que eu fiquei fascinado por esse tópico: é possível jogar ping pong num campo de concentração quando alguns metros adiante existem pessoas que são torturadas e mortas? Essa não é uma pergunta muito diferente da seguinte: é possível tirar férias num lugar com todo o conforto quando existem pessoas que estão passando fome e morrendo muito próximo de você? É possível aproveitar a nossa vida de rico e protegida diante de todo os sofrimentos do mundo?

Os falsarios
O protagonista Salomon Sorowitsch

O filme “OS FALSÁRIOS” não tem a intenção de fazer com que as pessoas fiquem com a consciência pesada. Ele está relacionado à história numa maneira bem estimulante, quase que num estilo de um filme de aventura. Você teve alguma restrição para retratar um assunto como esse dessa maneira?

Para o público dos dias de hoje, uma pergunta enfurecida como “ foi dessa maneira” já não é mais o suficiente. Nós precisamos falar muito sobre o Holocausto e temos uma obrigação moral de fazer de uma maneira que possamos atingir um número cada vez maior de pessoas. Então, sim, um filme sobre o Holocausto deve ser estimulante e interessante, no melhor sentido dessas palavras. E “OS FALSÁRIOS” é também um filme de entretenimento. Mas eu gostaria de dizer que eu jamais ousaria representar o dia a dia de horror de um campo de concentração como normal.

Stefan Ruzowitzky, diretor de Os falsarios
O diretor Stefan Ruzowitzky segurando o Oscar

Como o filme acabou com essa nota de conciliação? Uma concessão para agradar o gosto do público?

É claro que Burger e Sorowitsch – ao lado de todos os sobreviventes do campo de concentração – seriam marcados por essa experiência dolorosa para o resto de suas vidas, com essa questão do por que eles sobreviveram e muitos outros tiveram que morrer, e se eles não tivessem feito o suficiente ou se não deveriam ter feito ainda mais. Como um cineasta, eu não tenho o direito de censurar o herói do meu filme Sorowitsch dizendo que ele sobreviveu num campo de concentração por seis anos – isso não seria nada menos do que imoral. Por isso que o meu filme teve de ter um final feliz.

Você tem um interesse especial pela Era Nazista?

Quando você vive num país como a Áustria, onde os partidos de direita FPÖ e BZÖ, com a sua aproximação intolerável com a ideologia nazista, que constantemente conseguem abocanhar 20% dos votos e ainda tem o direito de participar da administração do governo do país, o que já seria intolerável – você simplesmente tem necessidades urgentes de confrontar esses assuntos agora e sempre.

Clássico absoluto: A Bela da Tarde

A bela da tarde começa com uma cena que causa estranehza: um casal discute durante um passeio de carruagem. O marido leva a esposa para uma árvore, onde ela é amarrada e chicoteada pelos cocheiros. Eles rasgam a roupa da jovem e, depois de castigá-la, aproveitam de sua nudez e vulnerabilidade. O marido observa tudo sem interferir na punição. A sequência é interrompida quando a mesma mulher aparece deitada na cama, distraída. A cena se passa agora em um quarto. Tudo não passou de uma fantasia erótica.

Dirigido pelo mestre Luis Buñuel – um dos nomes obrigatórios dos cinéfilos cult – o longa-metragem aborda o tema do masoquismo de uma forma sensual e provocante. A protagonista Séverine Serizy é vivida pela Catherine Deneuve (Pele de asno), linda como nunca. Ela vive um casamento morno com Pierre e esconde seus desejos sob uma máscara comportada e convencional.

A bela da tarde
Papai e mamãe sempre
A linha entre o amor e o desejo fica próxima de ser rompida quando ela acaba conhecendo Madame Anais, uma cafetina que mantém um discreto bordel. Assim Séverine passa a atender clientes diariamente enquanto o marido médico trabalha. Usa o codinome Bela da tarde, já que é neste horário que ela faz suas atividades. O filme conta com um ritmo muito bom e é muito mais do que uma história comum sobre traição.
A bela da tarde
A bela da tarde
No ano do Brasil na França, o Daiblog recomenda aos leitores esta grande produção que, mesmo sendo do final da década de 60, teve a ousadia de falar sobre os desejos sexuais de uma mulher. Com memoráveis cenas e um final impactante, o filme merece ser visto e revisto. Ótima atuação de Deneuve, em uma complexa personagem que tem tudo para ser feliz, mas só encontra a felicidade de uma forma alternativa. Bom para analisar os conflitos causados quando o coração diz uma coisa e o corpo outra.
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblogDaiblog

Belle de jour (França / Itália, 1967) Dirigido por Luis Buñuel. Com Catherine Deneuve, Jean Sorel, Michel Piccoli, Geneviève Page, Pierre Clémenti, Françoise Fabian, Macha Méril, Muni…

Veja aqui o trailer do filme A bela da tarde:

Daiblog
Distribuidoras nacionais de olho nos filmes do Festival de Cannes!
O filme “Bak-Jwi/Thirst” do coreano Park Chan-wook, mesmo diretor de Oldboy, levou o Prêmio do Júri neste domingo, durante o encerramento do Festival de Cannes de 2009. O filme traz a história de um popular e querido padre de uma pequena cidade, que se torna voluntário de um experimento médico que dá errado, e acaba por se transformar em um vampiro. O filme será distribuído no Brasil pela Paris Filmes e os direitos foram adquiridos durante o próprio festival.

Charlotte Gainsborug, de “Anticristo”, é a melhor atriz em Cannes

A atriz que viveu as cenas mais polêmicas de Cannes no novo filme de Lars Von Trier, Charlotte Gainsborug ganhou o prêmio como melhor atriz no Festival de Cannes. “Anticristo” conta a história de um casal devastado pela morte de seu filho, que viaja para a floresta de Éden onde coisas estranhas começam a acontecer. O personagem de Gainsborug, assim como de Willem Dafoe não tem nome, são trados como “marido” e “esposa” ou “homem” e “mulher”. “Anticristo” estréia no Brasil pela California Filmes em agosto, na versão original.

Anticristo de Lars Von Trier
Cena de Anticristo
À Procura de Eric de Ken Loach recebe o prêmio do Júri Ecumênico

O filme “À Procura de Eric” recebeu no sábado (23 de maio) o prêmio do Júri Ecumênico do Festival de Cannes, o filme recebe o prêmio por “sua grande qualidade artística e seu enfoque humorístico, otimista e humanista da sociedade contemporânea em plena crise”, destacou o júri.
“À Procura de Eric” narra a história de um carteiro fanático por futebol, chamado Eric Bishop, que depois de dois casamentos fracassados, vivendo com os filhos adolescentes de sua ex-mulher e atravessando uma crise de confiança em si mesmo, começa a confessar suas angustias para um pôster de Cantona, grudado à parede, até que o astro começa a “aparecer” para o carteiro e dar conselhos sentimentais. A previsão de estréia no Brasil é em dezembro de 2009, também pela California filmes.

Confira a relação dos vencedores do Festival de Cannes 2009:

PALMA DE OURO – “The White Ribbon” (A Fita Branca) dirigido pelo austríaco Michael Haneke. Um pequeno vilarejo é atingido por uma série de crimes misteriosos e cruéis. Um grupo de crianças estão entre os principais suspeitos.

GRAND PRIX – “Un Prophète”, do diretor francês Jacques Audiard. Malik é condenado a seis anos de prisão, e precisa usar sua ingenuidade para sobreviver na perigosa rivalidade entre gangues.

PRÊMIO ESPECIAL – Para o veterano diretor francês Alain Resnais. Este ano ele apresentou “Wild Grass”. Ao encontrar a carteira de um estrangeiro em seu carro, George começa a procurar a misteriosa e fascinante Marguerite.

MELHOR ATOR – O austríaco Christopj Waltz ganhou o prêmio de melhor ator por sua interpretação como oficial nazista em “Inglourious Basterds”, de Quentin Tarantino. Um grupo de soldados norte-americanos-judeus misturam-se em uma conspiração para matar líderes do Terceiro Reich, incluindo Hitler.

MELHOR ATRIZ – Charlotte Gainsbourg por “Atichrist”, dirigo pelo dinamarquês Lars Von Trier. Ela e Willem Dafoe interpretam um casal que vivencia a morte do filho em um acidente. Eventos fora de controle acontecem quando eles vão para um cabana isolada para tentar se recuperar da perda.

MELHOR DIRETOR – “Kinatay” dirigido por Filipino Brillante Mendoza. Peping, um estudante de criminologia, acompanha seu amigo em uma missão para ganhar dinheiro, mas se arrepende de sua decisão à medida que eventos desagradáveis começam acontecer.

MELHOR ROTEIRO – Mei Feng por seu roteiro de “Spring Fever”, dirigido pelo chinês Lou Ye. Uma mulher contrata um homem para espionar uma relação homossexual apaixonada que envolve seu marido.

PRÊMIO DO JÚRI – “Fish Tank”, dirigo pela britânica Andrea Arnold. Mia, 15 anos, vê seu mundo virando de cabeça para baixo após sua mãe trazer o seu novo namorado para morar em casa.

– “Thirst” dirigido pelo sul-coreano Park Chan-Wook. Um padre se torna um vampiro durante uma experiência médica e é seduzido por uma dona de casa prestes à um assassinato.

CÂMERA DE OURO (para estréia) -“Samson and Delilah”, dirigo pelo australiano Warwick Thornton. Um romance entre dois adolescentes em estado desesperador enfrentado por muitas comunidade aborígines da Austrália.

MELHOR CURTA-METRAGEM – “Arena”, dirigido pelo português João Salvazia.

#683-Last friends

As novelas japonesas são chamadas de drama (ou dorama, como eles falam por lá) e, diferente das brasileiras, não possuem centenas de capítulos. Last friends, por exemplo, é composto por 11 episódios que foram exibidos semanalmente em 2008. Os episódios possuem cerca de 40 minutos e a série se destaca pela sensibilidade que possui ao tratar de temas polêmicos. Isso sem falar no roteiro cativante que prende do início ao fim, portanto é um daqueles produtos televisivos feitos para viciar completamente quem assiste.

A protagonista é uma jovem chamada Michiru. Apaixonada pelo namorado Sousuke, ela aceita o convite de morar com ele. Michiru deixa de lado a casa da mãe oportunista e se dedica ao amor para ter uma nova vida. No dia da mudança, o destino faz com que ela se reencontre com a amiga Ruka. As duas estudaram juntas e se separaram quando Michiru se mudou de cidade. E o reencontro mudará a vida de ambas.

Last friends
A doce MichiruA amizade das duas é o tema principal da trama, já que os sentimentos de Ruka por Michiru são mais fortes do que se pode imaginar. A história é completada por outros personagens como a aeromoça Eri – uma animada mulher que mora em uma casa compartilhada com Ruka. Sempre disposta a fazer festas, ela esconde uma solidão profunda, que pode ser preenchida por Ogurin, um indeciso homem casado.

Last friends
SousukeTakeru é o amigo de Eri, um rapaz com dificuldades em se relacionar com mulheres e que possui um segredo em relação à família. Todos os personagens são bem construidos e a série transborda sentimentos humanos, mostrando as particularidades de cada um e seus relacionamentos com os outros. O drama está presente em todos os episódios, sempre com cenas de lágrimas.
Last friends
Last friendsLast friends fala de violência doméstica, sexualidade e, principalmente, amizade. É uma novela recomendada pra quem gosta de fortes emoções. Pena que, depois do episódio 4, o ritmo diminua um pouco. Porém em momento algum a história fica chata. Quando for assistir prepare os lenços de papel.
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblogDaiblog

Rasuto furenzu (Japão, 2008) Com Eita, Asami Mizukawa, Masami Nagasawa, Ryo Nishikido, Juri Ueno…

Veja aqui a abertura de Last friends legendada em português:

DaiblogArnaldo Jabor filma “A SUPREMA FELICIDADE” no Rio de Janeiro.

Filmagens acontecerão até julho e serão feitas também em Petrópolis. Após 15 anos sem filmar, Arnaldo Jabor está de volta aos sets e já rodando seu novo longa-metragem A SUPREMA FELICIDADE, que conta com grande elenco e locações no Rio de Janeiro e em Petrópolis. O filme, que trata de temas como a afetividade, o amor, a construção da identidade e a busca da felicidade, está sendo produzido por Francisco Ramalho Jr. e Arnaldo Jabor e co-produzido pela Paramount Pictures. Eike Batista é produtor associado do filme.

A SUPREMA FELICIDADE é a historia de uma família tentando ser feliz, em torno de um garoto, Paulo, e sua história de formação entre os 10 e 18 anos, passada nos anos 1950. Eram tempos líricos e delicados do Rio de Janeiro, que vacilava entre a tristeza típica da classe média moralista e uma imensa alegria e liberdade sexual e musical que se expressava no samba, na beleza da cidade, do céu e do mar. O pai, um aviador da aeronáutica, e a mãe, uma mulher linda e romântica, se amam, mas não conseguem ser felizes. O avô, um músico do jazz brasileiro (choro), protagoniza o contraponto à tristeza, apresentando ao garoto a beleza da alegria.

O elenco conta com a participação de atores como Marco Nanini, Dan Stulbach, Elke Maravilha, Mariana Lima, Maria Flor, João Miguel, Ary Fontoura, Maria Luisa Mendonça e apresenta no papel do jovem Paulinho Jayme Matarazzo, que participou recentemente da minissérie “Maysa”.
Arnaldo Jabor, cineasta, crítico e escritor, faz o seu retorno ao cinema dirigindo A SUPREMA FELICIDADE. O documentário “A Opinião Pública” (1966) foi seu primeiro longa-metragem e recebeu o prêmio de melhor filme no Festival de Pésaro, na Itália. Depois vieram “Pindorama” (1970), que representou o Brasil no Festival de Cinema de Cannes de 1971; “Toda Nudez Será Castigada” (1973), adaptação da peça de Nelson Rodrigues, que recebeu o Urso de Prata no Festival de Cinema de Berlim de 1973 e representou o Brasil em Cannes; e “O Casamento”, também adaptado de peça homônima de Nelson Rodrigues e que representou o Brasil em Cannes e no Festival de Cinema de São Francisco, em 1976.

Também fazem parte da filmografia de Jabor: “Tudo Bem” (1978); “Eu Te Amo” (1980), que levou 4 milhões de espectadores aos cinemas brasileiros, foi distribuído nos EUA e Canadá e em mais 20 países para TV, cinema e vídeo, e representou o Brasil no Festival de Cannes, na mostra “Un Certain Regard” (1981); e “Eu Sei que vou te Amar” – Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes de 1986, com prêmio de melhor atriz para Fernanda Torres e que registrou bilheteria de 4,5 milhões de espectadores.

A SUPREMA FELICIDADE é co-produzido e será distribuído internacionalmente pela Paramount Pictures. A produção é coordenada por Francisco Ramalho Jr., através de sua empresa, a Ramalho Filmes. Ramalho foi responsável por produções como “O Beijo da Mulher Aranha”, em associação com Hector Babenco. Ramalho Jr. já realizou trabalhos com produtores internacionais como Saul Zaentz, de “O Paciente Inglês” e “Amadeus”, de quem foi produtor executivo em “Brincando nos Campos do Senhor”. Ramalho está lançando atualmente “O Contador de Histórias”, com direção de Luiz Villaça e estrelado por Maria de Medeiros.

#682-Evil – Raízes do mal

O longa-metragem Evil, Raízes do mal concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2004. A co-produção Suécia / Dinamarca foi baseada em um livro polêmico que conta a história de Erik Ponti (Andreas Wilson), um adolescente problemático. Surrado em casa pelo padrasto intolerante, ele reproduz nas ruas a violência que aprendeu dentro de casa.

Depois de ser expulso da escola por ter espancado um aluno, a mãe de Erik o transfere para um exigente e distante colégio. Trata-se do único local que aceitou o estudante, por isso Erik promete para a família que irá concluir os estudos. Porém a instituição se mostra um verdadeiro inferno, com veteranos que ditam regras e comandam os outros alunos.

Evil - Raízes do mal
Estudantes e a violência

Diante de humilhações, trotes e abusos, Erik terá que decidir se aceita tudo para conseguir se formar ou reage com violência, atitude que pode fazer com que ele perca a última oportunidade de estudar. O elenco jovem e talentoso foi bem conduzido pela direção de Mikael Håfström, cineasta sueco que depois foi trabalhar em filmes norte-americanos como Fora de rumo e 1408.

Evil - Raízes do mal
O filme concorreu ao Oscar em 2004

Evil – Raízes do mal faz pensar sobre as origens da violência. Assim como o documentário Ônibus 174, o filme revela o outro lado do agressos, contando detalhes que poucas vezes são expostos. O protagonista é um típico bad boy que poderia ser visto com um rebelde sem causa. Mesmo assim, com o decorrer da trama, conhecemos melhor seu cotidiano e uma possível explicação para o comportamento do anti-herói. E fica evidente como funciona o ciclo destrutivo da violência, que faz com que inocentes sofram as consequências.
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblogDaiblog

Ondskan (Suécia / Dinamarca, 2003) Dirigido por Mikael Håfström. Com Andreas Wilson, Henrik Lundström, Gustaf Skarsgård, Linda Zilliacus, Jesper Salén, Filip Berg, Fredrik af Trampe, Richard Danielsson…

Veja aqui o trailer do filme Evil – Raízes do mal:

DaiblogAnticristo provoca amor e ódio em Cannes

O novo filme de Lars Von Trier, Anticristo, foi exibido na noite de domingo, dia 17 de maio, para imprensa mundial, causando todos os tipos de reação. Os correspondentes brasileiros descreveram a reação da platéia como: estupefata, atônita e um filme que “leva gelo à espinha”.

Anticristo é o quarto filme do diretor Lars Von Trier que a California Filmes distribui no Brasil. Os anteriores são: Dogville, Manderley e O Grande Chefe, porém nas palavras do diretor, em coletiva de imprensa (que ocorreu hoje, 18/05) durante o Festival de Cannes, esse é o seu filme mais importante. No elenco estão Willem Dafoe (o Duende Verde de Homem-Aranha), que havia trabalho com Von Trier em Manderley e Charlotte Gainsbourg (de 21 Gramas e Lemming – Instinto animal). Anticristo de Lars Von Trier
Cena de AnticristoEles são um casal devastado que se muda para uma cabana, isolados na floresta Éden, após a morte de seu único filho. Lá, coisas estranhas e obscuras começam a acontecer. O filme é divido em quatro partes: Prólogo (descrito por alguns jornalistas como uma obra prima) e três partes já na floresta de Éden.

O filme tem previsão de estréia no Brasil entre agosto e setembro de 2009.

#681-Anjos e demônios

Alguns dogmas da igreja católica ainda causam polêmica no mundo inteiro como a proibição do uso de preservativos e o aborto sempre como uma prática pecaminosa. É no Vaticano – principal sede de toda a fé cristã – que o longa-metragem Anjos e demônios se desenvolve.

Baseado no romance homônimo de Dan Brown (O código Da Vinci), o filme possui uma história repleta de mistérios e investigações envolvendo os conflitos éticos e ideológicos entre religião e ciência. Tom Hanks volta a viver o herói Robert Langdon, um sagaz professor da Universidade de Harvard que entende de símbolos como ninguém.

Anjos e demônios
Religião x ciência em pauta

A narrativa acontece quando o Papa morre e os cardeais se reunem para realizar o Conclave, o ritual para eleger quem vai ser o novo Papa. Enquanto a decisão não é tomada, o posto fica com o Camerlengo (interpretado por Ewan McGregor, de Pecados ardentes, A ilha). O suspense entra em cena quando um poderoso ítem é roubado do CERN, centro europeu que faz pesquisas e estudos sobre física de partículas.

Some este potente artefato com o sequestro de quatro cardeais. A situação não poderia ser mais perigosa, por isso Landgon é chamado para tentar descobrir alguma pista de uma terrível ameaça que coloca em risco a vida de milhares de pessoas.

Anjos e demônios
Investigação e pesquisas

Os índicios levam a crer que todos os acontecimentos foram planejados por um grupo chamado Illuminati, organização antiga que busca vingança contra a igreja. Junto com a cientista italiana Vittoria Vetra (Ayelet Zurer, de Munique) e com a equipe da Guarda Suiça, que protege o Papa, Langdon terá acesso a preciosos manuscritos que o ajudarão a desvendar o mistério envolvendo a irmandade que procura uma revanche.

No final das contas, Anjos e demônios não passa de um bom filme superestimado por ter a adaptação de um best-seller. A produção caprichada, o protagonista premiado e a direção de Ron Howard (O jornal, Uma mente brilhante) também chamam a atenção da platéia. É melhor que O código da Vinci, com uma história mais simples e bem movimentada. A riqueza de detalhes históricos que se confundem com a ficção também continuam interessantes, mas os confrontos entre as tradições religiosas com o desenvolvimento tecnológico – tema verdadeiramente mais rico – foi deixado de lado em nome da aventura e do suspense.
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblog

Angels & Demons (EUA, 2009) Dirigido por Ron Howard. Com Tom Hanks, Ewan McGregor, Ayelet Zurer, Stellan Skarsgård, Pierfrancesco Favino, Nikolaj Lie Kaas, Armin Mueller-Stahl, Thure Lindhardt, David Pasquesi, Cosimo Fusco, Victor Alfieri…

Veja aqui o trailer do filme Anjos e demônios legendado em português:

DaiblogOs fãs do fenômeno Jonas Brothers podem comemorar. O longa estrelado por Kevin, Joe e Nick vai estrear na capital federal dia 29 de maio. No filme, o público poderá acompanhar os meninos em uma turnê que tem como convidadas especiais as cantoras Demi Lovato e Taylor Swift.

Jonas Brothers
Nick, Joe e Kevin – foto de Frank Masi

#680-Gritos mortais

O malasiano James Wan ficou internacionalmente conhecido depois de escrever e dirigir Jogos mortais, filme que se tornou depois uma das mais bem sucedidas franquias do cinema de terror. Diferente do que se pode imaginar, Gritos mortais não possui armadilhas sangrentas ou fortes cenas de violência. Pelo contrário. O roteiro de suspense chega a ser ingênua, lembrando o que poderia ser um episódio da série infanto-juvenil Goosebumps.

Agora a história: Jamie Ashen (Ryan Kwanten) é um jovem casado que se surpreende quando recebe uma misteriosa caixa em sua casa. Sem remetente, o pacote trazia um assustador boneco ventríloco. Na mesma noite que a encomenda chegou, a esposa de Jamie é assassinada. Agora, para provar a inocência ele fará uma investigação por conta própria.

Gritos mortais
O viúvo Jamie

A apuração faz com que ele regresse a sua cidade natal, onde existe a lenda sobre o fantasma de Mary Shaw, uma mulher que trabalhava com ventriloquia. Gritos mortais é uma verdadeira homenagem aos filmes de terror mais antigos. A produção teve muito cuidado em criar ambientes típicos de histórias fantasmagóricas. Sabe aquela névoa densa de noite ou as cortinas que balançam em um corredor longo? Tem tudo isso e mais.

Gritos mortais
Mary Shaw vai te pegar!

O resultado não é exatamente medonho, mas com um clima bem elaborado e bom de se ver. A trama consegue até prender a atenção, embora os personagens não sejam tão interessantes. E no final das contas o longa-metragem não consegue sair do mediano. O ponto positivo é recuperação com o final mirabolante (este sim, que lembra – e muito – Jogos mortais).
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblog

Dead Silence (EUA, 2007) Dirigido por James Wan. Com Ryan Kwanten, Amber Valletta, Donnie Wahlberg, Michael Fairman, Joan Heney, Bob Gunton, Laura Regan…

Veja aqui o trailer do filme Gritos mortais:

DaiblogVem aí… Às Margens de um Crime (In the Electric Mist)

SINOPSE: New Iberia, Louisiana. O detetive Dave Robicheaux está à caça de um serial killer cujas vítimas são mulheres jovens. Indo para casa depois de outra horrorosa cena de crime, Dave encontra o glamuroso astro de Hollywood Elrod Sykes que está na cidade gravando seu novo filme, com o apoio do chefão do crime da região Baby Feet Balboni. Ele conta a Dave que viu um corpo no pântano – o cadáver decomposto de um homem negro acorrentado. A descoberta traz à tona memórias doloridas de seu passado. Ele intui que os dois casos estão ligados. Mas quanto mais Dave se aproxima do assassino, o assassino se aproxima dele e de sua família.

A California Filmes lançará o filme na versão do diretor Bertrand Tavernier, ou seja a versão exibida no Festival de Berlim desse ano.

ELENCO: Tommy Lee Jones, John Goodman, Peter Sarsgaard, Kelly McDonald, Mary Steenburgen, Ned Beaty
DIREÇÃO: Bertrand Tavernier
GÊNERO: Thriller
ANO DE PRODUÇÃO: 2009

#679-Código 46

A primeira imagem que se tem quando o assunto é ficção científica é quase sempre a mesma: naves espaciais, computadores moderníssimos e robôs inteligentes. O longa-metragem Código 46 pertence ao gênero e se passa em um futuro próximo, mas é uma realidade muito mais próxima e fácil de ser imaginada. Por exemplo, apesar dos avanços da tecnologia, as pessoas ainda usam carros e a maior diferença com o mundo atual é a forma de organização da sociedade (ou não).

No filme existe uma gigantesca divisão social. Enquanto a maioria vive em lugares que lembram paisagens terceiro-mundistas, privilegiados habitam grandes metrópoles. Apenas quem possui um passe que permite a viagem entre os países pode transitar e viver lá. O roteiro tem início quando William Geld (Tim Robbins, de A vida secreta das palavras) tem a missão de descobrir quem está revendendo passes ilegamente.

Código 46
João William e Maria
Graças a uma habilidade especial, William consegue interpretar e descobrir pontos da personalidade das pessoas apenas fazendo algumas perguntas. Durante as investigações ele conhece Maria Gonzales (Samantha Morton, de Amor obsessivo), funcionária que trabalha na empresa que emite os cobiçados documentos. Surge entre os dois uma forte atração.
Código 46
Uma realidade não muito difícil de crer
O título da produção é o nome de uma das regras impostas pela sociedade futurista. O código 46 não permite que pessoas se relacionem afetivamente caso possuam uma certa porcentagem de semelhança no material genético, ou seja, até mesmo o amor é controlado. E é isso mesmo que acontece com os protagonistas, que não conseguem controlar os sentimetos. Dirigido por Michael Winterbottom (9 canções), o filme é um belo exemplo da possibilidade de expansão do gênero ficção cientítica. Código 46 carrega drama e romance em um futuro muito bem pensado.
Código 46
Tim sd
Alguns cuidados na realidade criada chamam a atenção, como a língua falada pelos personagens. É um inglês que incorporou diversas expressões de outras línguas, como espanhol ou francês. Algo como se a globalização tivesse criado um dialeto comum entre as nações. Nesse universo (literalmente não muito distante), a trama se desenvolve de maneira envolvente e sensual. E é impossível não elogiar a bela trilha sonora criada por Stephen Hilton e David Holmes, que assinam as músicas como The Free Association. Muito bom como entretenimento e como estopim para uma reflexão a respeito do que pode um dia se tornar verdade. Lembra o excelente Gattaca – A experiência genética.
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblogDaiblog

Code 46 (Reino Unido, 2003) Dirigido por Michael Winterbottom. Com Tim Robbins, Samantha Morton, Togo Igawa, Nabil Elouahabi, Sarah Backhouse, Jonathan Ibbotson, Om Puri, Emil Marwa, Bruno Lastra…
Veja aqui o trailer do filme Código 46:

Daiblog
Chico Anysio dubla novo filme da Disney.Pixar
O ator Chico Anysio dublará o personagem principal de “UP – Altas Aventuras” o novo longa da Disney/Pixar, que estréia em setembro no Brasil e será a primeira animação a abrir o Festival de Cannes, que começa no próximo dia 13/05.
Chico Anysio dubla Up Altas aventuras Daiblog
Chico Anysio nos estúdios de dublagem
“Up – Altas Aventuras” da Disney/Pixar é uma comédia de aventura sobre Carl Fredricksen (Voz de Anysio no Brasil) , um vendedor de balões de 78 anos que finalmente realiza o sonho de uma vida inteira partindo em uma grande aventura depois de prender milhares de balões à sua casa e voar para as florestas da América do Sul. Mas ele descobre – tarde demais – que seu pior pesadelo embarcou com ele na viagem: um menino de 8 anos, excessivamente otimista e explorador da natureza, chamado Russell.

Do diretor indicado ao prêmio da Academia®, Pete Docter (Monsters, S.A), “Up – Altas Aventuras” da Disney/Pixar convida você a embarcar em uma jornada hilariante em um mundo perdido, com a dupla mais improvável do planeta. “Up – Altas Aventuras” será apresentado em Disney Digital 3-D em cinemas selecionados.

Veja aqui o trailer do filme Up – Altas Aventuras legendado em português:

#678-Star trek

A famosa série de TV que rendeu diversos filmes ganha em 2009 mais uma produção cinematográfica. Dirigido por J.J. Abrams (de Missão impossível 3), Stark trek é lançado nos cinemas com a promessa de homenagear os fãs do enlatado e também criar uma nova legião de fãs. E agora um aviso importante para aqueles que estão com medo de não entender nada: o filme pode ser visto mesmo por quem nunca assistiu nenhum episódio sequer de Jornada nas estrelas.

A história possui começo, meio e fim e apresenta os personagens desde o princípio, na infância. Toda a trama é ambientada em um futuro (não muito próximo, já que existem muitos recursos tecnológicos que não aparecem nem em feiras de ciência, com direito a modernas naves espaciais e infinitos planetas habitados por alienígenas.

Star trek
Nero – Uma vida dedicada à vingança
O longa começa com uma eletrizante sequencia de ação, com um inesperado ataque que tira a vida de diversos tripulantes de uma espaçonave da Frota Estelar. O massacre é liderado por um vilão que possui nome de programa de computador que grava CD: Nero (vivido por Eric Bana, de Munique e Romulus, meu pai). Ao contrário do software, ele deseja apagar a vida de um certo capitão Spock e é motivado por um desejo de vingança que é explicado lá pela metade do filme.
Star trekLink
Kirk e Spock
Por outro lado, outras naves da Frota Estelar continuam viajando com uma missão pacifista. Na Terra conhecemos James Tiberius Kirk (Chris Pine, de Sorte no amor), jovem filho de um heróico membro da Frota Estelar e que vai tentar seguir os passos do pai. O caminho dele cruza com o de Spock, complexo personagem que nasceu da união entre duas raças. E é a bordo da nave USS Enterprise que a tripulação vai passar por perigos e aventuras. Principalmente quando se encontrarem com Nero, é claro.

Star trek possui um bom elenco e elementos para agradar um amplo público. Consegue ter ação, drama, comédia (Simon Pegg, de Um louco apaixonado e Maratona do amor está no elenco) e uma história interessante de ficção científica. Boa pedida.
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblog

Star Trek (EUA / Alemanha, 2009) Dirigido por: J.J. Abrams Com Chris Pine, Zachary Quinto, Leonard Nimoy, Eric Bana, Bruce Greenwood, Karl Urban, Zoe Saldana, Simon Pegg, John Cho, Anton Yelchin, Ben Cross, Winona Ryder, Jennifer Morrison…
Veja aqui o trailer do filme Star trek legendado em português: