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Cobertura da pré-estreia de Bloodshot

O Melhor Está Por Vir retrata a amizade

O Melhor Está Por Vir, longa-metragem de Matthieu Delaporte e Alexandre De La Patellière, protagonizado por Patrick Bruel (de Qual É o Nome do Bebê) e Fabrice Luchini (de O Mistério de Henri Pick), chega aos cinemas brasileiros em 12 de março, com distribuição nacional Paris Filmes.

Reeditando colaborações anteriores, a dupla de diretores apresenta uma comédia dramática que se aprofunda na amizade entre Arthur (Fabrice Luchini) e César (Patrick Bruel), que veem suas vidas virar de cabeça para baixo quando descobrem que um dos amigos está com câncer. O mal-entendido entre eles é o artifício que permeia toda a trama. E, embora assuntos sérios como doença e morte possam causar desconforto, é possível observar no trailer a leveza e a descontração ao abordar a fragilidade da vida.

Na trama, vemos o personagem de César solar e energético, determinado a compartilhar momentos mágicos com aquele que ele acredita estar condenado a morte. Arthur vive apático e preso em suas neuroses. Em certo momento ambos são caricatos, e estreitam os laços de amizade e amor que se estendem sob a implacável realidade. O elenco ainda reúne Pascale Arbillot e Lilou Fogli.

O Oficial e O Espião mostra uma batalha pela verdade

Apesar das polêmicas envolvendo sua vida pessoal, o talento do cineasta Roman Polanski é inegável. Prova disso são inúmeros clássicos dirigidos por ele, como os conhecidos O Bebê de Rosemary e O Pianista. Agora o público pode apreciar nos cinemas seu mais recente trabalho: O Oficial e O Espião. Ambientado no final do século 19, o longa-metragem conta a história real do coronel francês Georges Picquart (Jean Dujardin, que já levou o Oscar de melhor ator por seu trabalho em O Artista).

Durante uma investigação, Picquart começa a desconfiar que o capitão Alfred Dreyfus (Louis Garrel, de Os Sonhadores) foi vítima de armadilha por um motivo bem específico: ser judeu. Acusado de alta traição, ele foi condenado e sentenciado à prisão perpétua numa isolada ilha. Desafiando autoridades e colocando a própria segurança e carreira militar em risco, Picquart tenta provar a verdadeira identidade do espião e anular a condenação.

Histórias sobre erros nos tribunais não são novidade. É fácil traçar um paralelo com o recente Luta por Justiça, que fala justamente sobre a história real de um negro inocente condenado à morte na cadeira elétrica. Ambos os filmes mostram que o problema não está necessariamente no sistema judiciário, e sim na corrupção daqueles que ocupam cargos capazes de definir a liberdade ou vida de uma pessoa. E derrubar membros do alto escalão não é uma tarefa fácil.

O Oficial e O Espião não procura mostrar um protagonista perfeito. Ao mesmo tempo que Picquart é um exemplo de profissionalismo e ética, ele se declara antissemita e ainda mantém uma relação com uma mulher casada (vivida por Emmanuelle Seigner, esposa do diretor). Dujardin cumpre bem o papel, com a coragem e determinação que seu papel exige. O caso Dreyfus dividiu, e divide até hoje, a França ao meio. E em tempos de polarização, o roteiro mostra a importância do papel da imprensa como quarto poder para revelar a verdade para a população; mesmo que isso signifique desconstruir mitos.

*Por Michel Toronaga – micheltoronaga@cine61.com.br

Festivais europeus selecionam Fico Te Devendo Uma Carta Sobre o Brasil

Fico te devendo uma carta sobre o Brasil
Fico te devendo uma carta sobre o Brasil

Fico Te Devendo Uma Carta Sobre o Brasil, de Carol Benjamin, foi selecionado para a mostra competitiva do FIFDH – Festival Internacional de Cinema e Fórum de Direitos Humanos, na Suíça, que acontece junto com a convenção de direitos humanos da ONU, e para a mostra competitiva do Festival Tempo de Documentário, na Suécia. O filme estreou mundialmente no 32ª IDFA – Festival Internacional de Documentários de Amsterdã e conquistou a menção especial do júri.

Em sua estreia na direção de longas, a cineasta revela a história das três gerações de sua família, que foi atravessada pela Ditadura Militar que se instalou no Brasil entre 1964 e 1985. Seu avô era coronel do Exército. Seu pai, César Benjamin, foi preso ilegalmente aos 17 anos, em 1971, e permaneceu por três anos e meio em uma cela solitária, além de mais dois anos em prisão comum. Mas a prisão e tortura do filho mais novo transformou a dona de casa Iramaya Benjamin, avó da diretora, em uma militante incansável pela anistia.

Para resgatar a história do pai, Carol inicia o filme em Estocolmo (Suécia), onde Benjamin ficou exilado por dois anos após sair da prisão. É lá também que a diretora reencontra Marianne Eyre, membro da Anistia Internacional desde 1966, com quem Iramaya trocava cartas regularmente e de quem se tornou amiga e confidente. O filme, narrado pela diretora, é entremeado, sobretudo, pelas leituras dessas cartas, depoimentos de Iramaya captados em diferentes momentos, fotografias, e imagens raras de arquivo (incluindo a emocionante chegada de César à Suécia e de seu encontro com o irmão Cid, também um exilado político).

No Festival Tempo de Documentário o filme será exibido dia 7 de março, às 12h45, no Victoria 2. A segunda sessão acontece no domingo, dia 08, às 15h00, no Filmstaden Söder. Já no Festival Internacional de Direitos Humanos o longa será exibido dia 09 de março às 19h30 no Grütli – Simon e no dia 11 às 20h45 no Grütli – Langlois. A diretora estará presente nas sessões. A produção é da Daza Filmes, com coprodução do Canal Brasil, VideoFilmes e Muiraquitã Filmes. A distribuição é da Bretz Filmes com previsão de estreia para o primeiro semestre de 2020.

Assombro: comédia está sendo rodada no Rio

Filme AssombroRita Von Hunty(Mo Nanji Manhattan), Renata Gaspar(Lara) e Gabriel Godoy(Diego)Foto: Cesar Alves

O cineasta Felipe Joffily (Muita Calma Nessa Hora e E Aí… Comeu?) está rodando no Rio seu oitavo longa-metragem: a comédia Assombro. O filme é uma coprodução 20th Century Studios e Movie&Art, em associação com o canal francês TF1 e distribuição 20th Century Studios.

Na história, três fantasmas irreverentes ficam presos em uma casa e assombram os novos moradores na tentativa de finalizarem sua missão na Terra. Quando um casal de arquitetos (Felipe Abib e Georgiana Góes) se muda para o casarão e decide fazer uma reforma, passa por uma série de mal-entendidos e cenas hilárias com os antigos proprietários “fantasmas”, interpretados por Rita Von Hunty, Gabriel Godoy e Renata Gaspar (na foto acima).

A produção está em filmagem em diferentes locações no Rio de Janeiro e tem previsão de estreia no segundo semestre de 2020 em cinemas de todo o Brasil.

Nóis Por Nóis, o novo longa de Aly Muritiba

Nóis Por Nóis acompanha a vida de jovens da Vila Sabará, comunidade da periferia de curitiba que têm seus destinos selados após uma festa. Dirigido pela dupla Aly Muritiba e Jandir Santin, o longa de ficção trabalha com atores naturais e traz no casting jovens da cidade que pertencem ao movimento negro e do RAP “Fizemos um amplo processo de casting e depois de preparação com a molecada do RAP e do movimento negro da cidade, que junto com atores e atrizes profissionais nos ajudaram a dar forma ao roteiro”, complemente Muritiba.

A ideia de fazer um filme com jovens da periferia, mais especificamente da Vila Sabará, a maior ocupação urbana da cidade de curitiba e que tem um longo histórico de luta, partiu do Jandir Santin, que atuava como educador na comunidade trabalhando com audiovisual. Como Aly Muritiba já realizava um cinema político e tinha alguma experiência com atores naturais, ele fez o convite para Muritiba pensar e escrever a história com ele. A ideia original era retratar o cotidiano de meninas e meninos que tentam sobreviver e criar naquele ambiente adverso.

Depois de falar sobre bullying virtual e no universo jovem com Ferrugem, Muritiba revisita esse universo com Nóis por Nóis, mas com diferentes questões “As questões que atravessam os jovens periféricos são de outra natureza, são mais urgentes e diretas, menos existencialistas e mais de natureza da existência física mesmo”, explica o cineasta Aly Muritiba.

“O simples fato de estar no mundo, de se locomover nas ruas, já constitui uma situação de insegurança quando se é preto, pardo ou mina.”

“Então era importante em Nóis por Nóis dar a ver esta situação, mas não apenas como diagnóstico, mas apontando caminhos de resistência também. É por isso que neste filme os corpos estão nas ruas, ocupando e reivindicando o direito à existência. Em Ferrugem os corpos juvenis estão nos condomínios, nas escolas, atrás de muros. Aqui não”, completa Muritiba. O longa tem estreia nacional programada para dia 12 de março e será distribuído pela Olhar.

Premiado Hair Love virou livro. Veja o curta!

Inspirado em curta vencedor do Oscar, o livro Amor de Cabelo será lançado pela editora Galera Record .Assim como no curta, que hoje atinge mais de 20 milhões de visualizações no Youtube, o livro reúne emoção e reflexão, tudo de uma forma leve e divertida. Na história, Zuri acorda empenhada em fazer um penteado para um dia especial, e seu pai, Stephen, vendo a dificuldade da filha em lidar com seu cabelo crespo, resolve ajudá-la.

O papel, antes desempenhado pela mãe, enfrenta problemas no início, mas nada que muito amor – e um tutorial na internet – não consigam resolver. Matthew A. Cherry, autor das duas versões, revela o cuidado com a aceitação, a importância da representatividade e do papel dos pais na criação das filhas, inclusive quando se trata de cuidados capilares.

Confira o teaser de Um Animal Amarelo

Escrito e dirigido pelo carioca Felipe Bragança, Um Animal Amarelo fez sua estreia mundial no Festival de Roterdã. Em Um Animal Amarelo, descrito como uma tragicômica e melancólica fábula tropical sobre as heranças do colonialismo português no Brasil de hoje, Bragança traz suas memórias e impressões de cidadão brasileiro e artista vivendo no conturbado Brasil atual “O filme é feito no encontro misterioso entre o pesadelo político-cultural que estamos vivendo e histórias muito pessoais e escondidas sobre as quais os brasileiros nem sempre gostam de falar”, ele explica.

Filmado no Brasil, Portugal e Moçambique, Um Animal Amarelo traz a inquietação do diretor sobre questões de identidade individual e coletiva:

“Filmar nesses países não foi como filmar no estrangeiro exatamente, mas filmar ainda mais perto de mim, nesse continente cultural instalado nas minhas vísceras, como que me vendo pela nuca, reinstalado como cineasta brasileiro. E, claro, voltei desse mergulho cheio de dúvidas, com a sensação de que a própria idéia de Brasil como harmonia construída sobre as ruínas coloniais está hoje se desfazendo por completa, e se tornando uma ainda mais nova ruína. Com a sensação de que meu lugar criativo, eu, “branco brasileiro”, mestiço de tantos medos e fantasmas, deveria estar além do silêncio diante dos dilemas raciais e culturais que me ocupam o imaginário familiar e pessoal e suas origens ibéricas, ameríndias e africanas. Porque pensar qualquer construção, ou reconstrução de um sentido de comunidade que possa enfrentar o desmonte conservador e extremista no poder agora, vamos ter de encarar de forma nova a equação da nossa antropofagia cultural para além das sínteses sonhadas no passado. E esse pensamento novo deverá passar pelo fim na crença de um futuro paraíso prometido, mas acreditar na potência de um presente sempre feito da nossa auto-destruição, demolição, numa autofagia poética urgente e necessária. Talvez um Neo-Tropicalismo possível, uma nova modernidade almejada que nos tire desse atoleiro conservador, esteja na construção de uma linguagem multi-idiomática, auto-debochada, sem síntese, e que não esteja preocupada em se, e nos, salvar”, Bragança reflete.

O longa tem produção da carioca Marina Meliande e de Luis Urbano – produtor português de filmes de diretores como Miguel Gomes e Manoel de Oliveira – e traz no elenco o protagonismo do jovem Higor Campagnaro acompanhado de nomes como Herson Capri, Thiago Lacerda, Sophie Charlotte e Tainá Medina, além de um elenco luso-africano formado por Isabel Zuaa, Lucília Raimundo e Matamba Joaquim e dos portugueses Catarina Wallenstein, Diogo Dória e Adriano Luz. O lançamento está previsto para o 2º semestre de 2020 pela Olhar Distribuição.

Documentário paraense é exibido em Berlim

O filme brasileiro O Reflexo do Lago, primeiro longa do diretor paraense Fernando Segtowick, distribuído pela Elo Company e produzido pela Clarté e Marahu Filmes, foi selecionado para a Mostra Panorama da 70ª edição do Festival de Berlim – conhecido popularmente como Berlinale -, um dos mais importantes do mundo na indústria audiovisual. O evento acontece na capital alemã, e é conhecido por revelar novos diretores e, ainda, indicar os favoritos ao Oscar.

O Reflexo do Lago é documentário que busca responder às questões da construção da hidrelétrica em Tucuruí, no Pará, realizada na década de 70, e quais impactos causam até hoje na comunidade local que vive com traços de desmatamento por décadas. Essa não é a primeira vez que a ELO Company emplaca um filme no cenário internacional. Em 2019 dois filmes tiveram importantes estreias, Aos Olhos de Ernesto no Busan International Film Festival, na Coreia do Sul, e o documentário Meu Querido Supermercado no IDFA – International Documentary Festival of Amsterdan, na Holanda. A distribuidora já contou com a animação O Menino e o Mundo indicada ao Oscar, em 2016, nos Estados Unidos.

Focada em expandir sua atuação no mercado externo, e estreitar relacionamento com importantes agentes mundiais, inclusos os festivais, a ELO acaba de abrir um escritório em Miami, nos Estados Unidos. A internacionalização da distribuidora é uma ação que contribui não só para a visibilidade de seus projetos, mas para reforçar a sua especialidade em distribuição.

Sinopse ofciial: Na década de 1980, a maior represa hidrelétrica da floresta amazônica foi construída na cidade de Tucuruí, a fim de fornecer energia para a indústria do alumínio. Quarenta anos depois, as pessoas que vivem no arquipélago do rio Caraipé, ainda não têm acesso à eletricidade em suas casas. Um cineasta e sua equipe chegam ao local para filmar os resultados da busca do homem pelo desenvolvimento refletida em uma comunidade que vive com traços de desmatamento por décadas.