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Abraccine anuncia vencedores do Prêmio Abraccine

A Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema anunciou os vencedores dos Prêmio Abraccine 2019. Num ano em que o debate político ditou o ritmo das discussões no Brasil e no mundo, três filmes que tratam de questões sociais e da luta de classes foram eleitos como os melhores do ano. Bacurau, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, e Parasita, de Bong Joon-ho, ganharam, respectivamente, os prêmios de melhor longa-metragem brasileiro e melhor longa-metragem estrangeiro do Prêmio Abraccine. Completando a lista, Sete Anos em Maio, de Affonso Uchôa, foi o escolhido da associação na categoria de melhor curta-metragem brasileiro, que engloba também os médias-metragens.

Durante quase um mês, a associação, formada por mais de 100 críticos de cinema de todo o país, analisou todos os filmes lançados em circuito nos cinemas brasileiros ao longo de 2019, além das principais estreias em streaming e VOD no mesmo período. Pela primeira vez desde que o Prêmio Abraccine foi criado, em 2011, a associação anuncia não apenas o vencedor, mas os dez filmes mais bem avaliados em cada um dos quesitos. Uma comissão formada por integrantes da associação ativos na cobertura e curadoria de festivais de cinema selecionou os finalistas à categoria de curta-metragem.

Bacurau, vencedor do Prêmio do Júri no Festival de Cannes, é o terceiro filme assinado por Kleber Mendonça Filho a vencer entre os longas brasileiros. O diretor já tinha ganho este prêmio por O Som ao Redor e Aquarius. Parasita, que venceu a Palma de Ouro em Cannes e que acaba de fazer história no Oscar, levando os prêmios de melhor filme, direção, roteiro original e filme internacional, não é apenas o primeiro longa de Bong Joon-ho premiado pela associação, como é o primeiro filme sul-coreano a vencer na categoria de longas estrangeiros. O diretor de Sete Anos em Maio, Affonso Uchôa, já havia sido premiado no ano passado pelo longa Arábia, codirigido por João Dumans.

Entre os longas brasileiros que formam o Top 10 da Abraccine está o documentário indicado ao Oscar, Democracia em Vertigem, e nosso representante na categoria de filme internacional da premiação da Academia de Hollywood, A Vida Invisível. A lista de estrangeiros inclui os novos trabalhos de Pedro Almodóvar e Martin Scorsese e os vencedores dos Festivais de Berlim, Synonymes, e Veneza, Coringa. Entre os curtas, destaques para vários títulos que tratam de questões sociais, femininas, de etnia e identidade de gênero.

Bacurau

LONGA-METRAGEM BRASILEIRO
VENCEDOR:Bacurau, Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles
COMPLETAM O TOP DEZ, EM ORDEM ALFABÉTICA:
Democracia em Vertigem, Petra Costa
Deslembro, Flávia Castro
Divino Amor, Gabriel Mascaro
Estou Me Guardando para Quando o Carnaval Chegar, Marcelo Gomes
Inferninho, Guto Parente e Pedro Diógenes
No Coração do Mundo, Gabriel Martins e Maurilio Martins
Los Silencios, Beatriz Seigner
Temporada, André Novais Oliveira
A Vida Invisível, Karim Aïnouz

LONGA-METRAGEM ESTRANGEIRO
VENCEDOR: Parasita, Bong Joon-ho
COMPLETAM O TOP DEZ, EM ORDEM ALFABÉTICA:
Assunto de Família, Hirokazu Koreeda
Coringa, Todd Phillips
Dor e Glória, Pedro Almodóvar
Em Trânsito, Christian Petzold
Era Uma Vez em Hollywood, Quentin Tarantino
O Irlandês, Martin Scorsese
Nós, Jordan Peele
O Paraíso Deve Ser Aqui, Elia Suleiman
Synonymes, Nadav Lapid

Parasita

CURTA-METRAGEM BRASILEIRO
VENCEDOR:Sete Anos em Maio, Affonso Uchôa
COMPLETAM O TOP DEZ, EM ORDEM ALFABÉTICA:
Carne, Camila Kater
Joderismo, Marcus Curvelo
A Mulher que Sou, Nathália Tereza
Negrum3, Diego Paulino
Quebramar, Cris Lyra
Swinguerra, Bárbara Wagner e Benjamin de Burca
Tea for Two, Julia Katharine
Teoria sobre um Planeta Estranho, Marco Antonio Pereira
Tudo que é Apertado Rasga, Fabio Rodrigues

Magnatas do Crime ganha primeiro trailer

Depois de Aladdin, o cineasta inglês Guy Ritchie (de Snatch: Porcos e Diamantes e Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes) retoma o gênero que o consagrou com Magnatas do Crime, seu mais novo filme que reúne Matthew McConaughey, Charlie Hunnam, Michelle Dockery, Colin Farrell, Hugh Grant, entre outros grandes nomes do cinema mundial. Com distribuição nacional Paris Filmes e estreia agendada para 16 de abril, a produção ganha seu primeiro trailer.

Ambientado em Londres, Magnatas do Crime reforça o retorno de Ritchie às raízes criminosas. No ágil trailer da trama, todos começam a fazer algo diferente, mas igualmente absurdo. Matthew McConaughey dá vida a Mickey Pearson, um expatriado americano que abre na cidade inglesa uma operação bem-sucedida de venda de maconha, carinhosamente chamada de “Maria Joana”. Quando se espalha a notícia de que ele está tentando lucrar com os negócios para sempre, isso desencadeia conspirações, esquemas, suborno e chantagem na tentativa de roubar seu império. Isso significa encontros hostis com o gângster (Henry Golding), troca de tiros e a narração expositiva de um sombrio Hugh Grant.

Confira o trailer do premiado Martin Eden

Baseado no livro homônimo de Jack London, o premiado longa Martin Eden, chega aos cinemas brasileiros dia 27 de fevereiro pela Pagu Pictures. O filme marcou presença nos maiores festivais de cinema no mundo. Luca Marinelli ganhou no Festival de Veneza o prêmio de melhor ator sendo o único a bater Joaquin Phoenix em uma grande premiação no ano de 2019. Além disso, foi premiado no Festival de Toronto e esteve presente no Festival do Rio. 

Gravado inteiramente em 16 mm, Martin Eden mescla imagens ficcionais com imagens documentais restauradas e colorizadas especialmente para o filme. Luca Marinelli, interpreta o personagem título Martin Eden, um jovem escritor de baixa renda que entra em conflito com a burguesia. Encarando um novo mundo, ele se apaixona e descobre como escritores são vistos em uma sociedade aristocrática.

Se sentindo deslocado de tudo que faz parte de sua essência, o rapaz percebe que não há como voltar para o que costumava ser. Enquanto tenta publicar alguma obra de grande sucesso, Martin se questiona sobre o mercado literário, a sociedade e sua própria natureza como criador.

Diretor e elenco falam sobre Meu Nome é Sara

Na Polônia, Sara teve sua família inteira morta pelos nazistas. Ela foge para a Ucrânia e é acolhida por um casal de fazendeiros. Só que eles possuem um segredo terrível e, para manter o seu próprio disfarce, Sara precisa lidar com toda a tensão da situação. Meu Nome é Sara, em cartaz nos cinemas, passou na 43ª Mostra Internacional de Cinema – São Paulo no ano passado. Na ocasião, Luiz Wolf entrevistou o diretor Steven Oritt e a atriz Zuzanna Sorowy sobre o filme. O material foi publicado originalmente no site do evento em 20 de outubro de 2019.

Steven, você já dirigiu um documentário e está trabalhando em outro. Meu Nome É Sara é uma ficção baseada em fatos reais. Foi por isso que você quis fazer esse projeto? A realidade é algo que te atrai como cineasta?

ORITT – Acho que geralmente sou atraído por histórias que são escritas com alguma realidade, com fatos reais. Eu não diria que quis fazer Meu Nome É Sara só porque é uma história real, mas quando eu escutei sobre a história e assisti a uma entrevista que Sara deu há dez anos, uma entrevista de uma hora, eu fiquei muito impressionado com o que ela contou como verdade.

Zuzanna, você interpreta uma personagem real. Como foi a preparação para o papel?

ZUZANNA – Antes de tudo, a história dela realmente me emocionou. Eu quis muito mostrar a história dela de um modo bem natural, como realmente foi, como ela se sentiu. Isso foi muito desafiador para mim. Mas eu me preparei com minha professora de atuação, discutimos sobre a personagem, sobre os relacionamentos de Sara… isso me ajudou muito. Todos no set também me apoiaram muito.

Vocês filmaram na Polônia. Como foi a experiência no set?

ORITT – Maravilhosa. Nós tivemos uma experiência muito especial, acho que uma família muito especial nasceu ali. Eu era praticamente o único americano na equipe. Às vezes, os produtores ficavam lá por alguns dias, mas geralmente era só eu e o elenco e equipe poloneses. No início, foi um pouco problemático para mim, porque eu não falo polonês, então precisei de um tradutor no set. Depois, aos poucos, eu comecei a entender um pouco.Mas há uma parte no filme em que a mãe de Sara fala para ela que ela precisa sobreviver para continuar levando o legado da família, e que essa seria a última vingança contra os nazistas. Esse é o espírito da sobrevivência de Sara, e todos nos juntamos para contar sobre essa sobrevivência. Acho que isso uniu as pessoas, porque sabíamos que estávamos fazendo algo bem especial ali.

O filme conta a história da sobrevivência e sobre o Holocausto, mas também há muito sobre relacionamentos. É sobre um período histórico, mas os personagens têm muitos outros níveis emocionais. Como foi trabalhar com todas essas nuances?

ORITT – Eu posso responder primeiro, mas a Zuzanna também tem sua própria experiência. Mas, sim, você está correta sobre o filme. O que me atraiu a essa história é que não é sobre o Holocausto, é mais sobre o efeito colateral dele e as relações pessoais que essa jovem precisou construir para sobreviver. No fim, é sobre a relação de Sara e as duas pessoas para quem ela trabalha. E esse triângulo é algo que era central, desde o começo, mesmo antes da escalação de Zuzanna. É um tema bem adulto e complexo, envolve casamento e infidelidade, que são problemas difíceis para um adulto entender, muito menos um adolescente. Zuzanna tinha 15 anos quando a conhecemos. Para mim, era muito importante escolher uma atriz que entendesse a profundidade emocional que os personagens têm. Por mérito de Zuzanna e de seus pais, ela é muito madura para a idade dela. Então, ela entendeu tudo. Em muitos aspectos, ela foi bem mais madura do que eu para entender tudo isso [risos].

ZUZANNA – Acho que você falou tudo. Mas eu adoro o modo que mostramos a história. Porque não foi só a dor física, mas também os relacionamentos que eram estranhos para Sara. Ela não teve tempo para ser adolescente. Ela foi uma criança e imediatamente precisou ser adulta.

Filmes históricos como Meu Nome É Sara costumam exigir mais orçamento, por causa dos figurinos, das locações… foi difícil financiar o filme?

ORITT – Vou deixar Zuzanna responder essa. Brincadeira! [risos] Bem, sim, nós sabíamos que seria difícil, porque queríamos ser muito corretos, historicamente falando. Os figurinos, a locação… mas sair dos Estados Unidos e ir para a Polônia ajudou muito, porque lá as coisas são bem mais baratas. E, obviamente, por causa da história da Polônia e da história do cinema deles, havia uma equipe muito experiente lá, que já tinham feito filmes assim. Então, para eles não foi tão difícil para conceber o projeto. O financiamento aconteceu mais facilmente do que em outros filmes, acho, principalmente por que o filho de Sara, Mickey Shapiro, foi o produtor executivo. Ele cresceu sabendo bem pouco sobre a história da mãe, porque ela escondia muitas coisas, não falava disso com a família. Só nos últimos dez anos, ela começou a falar mais. Assim que Mickey soube de sua história, e das dificuldades que ela passou para sobreviver, ele ficou muito engajado na ideia de fazer o filme e compartilhar a história com o público de vários países.

Abertas as inscrições do 9º Olhar de Cinema de Curitiba

As inscrições para o 9° Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba estão abertas até o dia 2 de março. Os interessados em enviar suas obras para a seleção devem entrar no site www.olhardecinema.com.br e seguir o passo a passo para a inscrição. O festival acontece de 3 a 11 de junho na cidade de Curitiba, Paraná.

Sobre o Festival

O Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba iniciou suas atividades como um festival de cinema independente. Desde 2012 o festival já levou mais de 130 mil pessoas para as salas de cinema e exibiu mais de 800 filmes de todo o mundo. Em 2019 completou sua oitava edição com a exibição de mais de 130 filmes, possibilitando o acesso de mais de 18 mil pessoas a essas obras. Após seis anos de experimentos, riscos e tiros certeiros, o Olhar de Cinema já faz parte do cenário cultural do cinema independente no Paraná, no Brasil e no mundo.

O evento tem como objetivo destacar e celebrar o cinema independente realizado em todo mundo por meio da seleção oficial de filmes com propostas estéticas inventivas, envolventes e com comprometimento temático, que abrange desde a abordagem de inquietações contemporâneas acerca do micro universo cotidiano de relacionamentos, até interpretações e posicionamentos sobre política e economia mundial.

Filmes que se arriscam em novas formas de linguagem cinematográfica, que estão abertos ao experimentalismo e que, não obstante, possuem um grande potencial de comunicação com o público. Em meio a esses quesitos, é possível compor uma programação de grande diversidade temática e estética, que não rejeita gêneros, formatos e durações.

Universo composto por aproximadamente 130 filmes anuais, o Olhar de Cinema sempre procura valorizar o cinema brasileiro e também paranaense, ao garimpar o que há de mais precioso e urgente nessas cinematografias, garantindo cuidado especial ao programar tais obras.

O festival busca compor mostras que mesclem filmes brasileiros e estrangeiros possibilitando o diálogo e a troca entre todos esses universos. Paralelamente às mostras que compõem a seleção oficial do evento, o festival ainda lança luz e homenageia mestres do cinema independente mundial, filmes clássicos restaurados e também novos diretores que, mesmo com uma curta filmografia, já possuem forte identidade artística.

Com essa proposta, a programação realizada pelo Olhar de Cinema conta com a grande maioria dos filmes selecionados ainda inéditos no Brasil. Dessa maneira, o evento tem a intenção não só de proporcionar ao público experiências cinematográficas singulares, mas também fomentar a reflexão acerca da linguagem e história do cinema.

Aos Olhos de Ernesto compete em Punta del Este

Premiado pela crítica na 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, Aos Olhos de Ernesto, filme da diretora e roteirista Ana Luiza Azevedo, compete no 23º Festival Internacional de Cine de Punta del Este. A sessão de estreia será realizada no dia 19 de fevereiro, com a presença da cineasta, do protagonista Jorge Bolani, da atriz Gabriela Poester, do coroteirista Jorge Furtado, da produtora executiva Nora Goulart e do montador Giba Assis Brasil. O longa, produzido pela Casa de Cinema de Porto Alegre, também já tem data de lançamento confirmada no Brasil: 2 de abril, com distribuição da Elo Company.

O longa teve sua estreia mundial em outubro no 24º Festival Internacional de Busan (Coréia do Sul), o maior festival de cinema da Ásia, na categoria “World Cinema”. Muito bem recebido em terras asiáticas, foi considerado “ao mesmo tempo, bem-humorado, poético, sério e comovente”. Um filme que, segundo a curadora do festival, “transcende facilmente a diferença de idioma e a diferença cultural”. Para a diretora Ana Luiza Azevedo, ter seu filme assistido por olhos coreanos foi especial. “Foi mágico perceber que a história escrita por mãos brasileiras, com um colorido do sul da América do Sul, se comunica tão bem com aquele país do outro lado do mundo”.

Com recepção similar por aqui, Aos Olhos de Ernesto foi laureado pela crítica da Mostra SP justamente “por tratar a solidão de maneira realista, sem abrir mão do humor” e “por apostar, com segurança, num estilo narrativo que dialoga tanto com cinéfilos, quanto com amplas plateias”. O longa também já foi exibido na Mostra Latina do Festival do Rio 2019 e no 41º Festival Del Nuevo Cine Latinoamericano de Havana.

Na trama, a solidão, a amizade, o amor e as redescobertas na terceira idade permeiam a história de Ernesto, vivido pelo ator uruguaio Jorge Bolani. Aos 78 anos, o personagem, ex-fotógrafo uruguaio, se depara com uma crescente cegueira e as limitações diversas que acompanham a avançada idade. Viúvo e pai de filho único – Ramiro (Julio Andrade), que vive longe -, Ernesto ressignifica sua vida e os padrões da velhice ao conhecer a jovem Bia (Gabriela Poester), que o ajuda, até mesmo a reencontrar um grande amor. Também no elenco, Jorge d’Elia, como Javier, o vizinho de Ernesto; Glória Demassi, que vive Lucía, o amor uruguaio do protagonista; e as participações de Mirna Spritzer, Áurea Baptista, Janaina Kremer, Celina Alcântara e Marcos Contreras.

Aos Olhos de Ernesto é um filme humanista. A melancolia, o lirismo e o humor fazem parte tanto da condução do drama como na composição das imagens e dos personagens. A mesma melancolia, lirismo e humor presentes na literatura de Mario Benedetti. A companhia fresca e afetiva de Bia faz Ernesto repensar a maneira como ele envelhece. Momentos sombrios são substituídos pelo sol e pela vida. Um filme para se defender que há muito a ser vivido, mesmo aos 78 anos”, comenta a diretora.

Escrito por Ana Luiza, em parceria com Jorge Furtado, o roteiro passou por laboratórios de desenvolvimento e teve consultoria do escritor cubano Senel Paz (autor de Morango e Chocolate). “Ganhei o prêmio MinC para desenvolvimento do roteiro em 2012. Realizei as primeiras versões com Miguel da Costa Franco e Vicente Moreno. Depois tive consultoria do escritor cubano Senel Paz e participei do Laboratório SESC de Novas Histórias. No início de 2018, eu e Jorge Furtado escrevemos o roteiro final. Este trabalho com o Jorge, que durou dois meses, foi fundamental para o filme ser o que é”, explica Ana Luiza, uma das coordenadoras do Núcleo de Roteiro Casa de Cinema de Porto Alegre.

Entre diversos aspectos e processos de criação do filme, a mescla de várias culturas e o uso do “portuñol” são marcas do projeto. A proximidade cultural entre as cidades do Sul do Brasil, Uruguai e Argentina estão presentes na obra através da música, da língua e da literatura. “É bastante comum encontrar em Porto Alegre, uruguaios e argentinos, que vieram fugidos das ditaduras em seus países e que aqui permaneceram, mas que seguem falando com forte sotaque, misturando as duas línguas e cultivando fortemente a cultura de seu país. A formação histórica do Rio Grande do Sul já é uma mistura dessas culturas do sul da terra. Por muito tempo pertencemos à Província Cisplatina e isto se reflete na cultura. Estamos mais próximos da Argentina e do Uruguai do que do centro do país. Hablamos portuñol com muita facilidade”, explica Ana Luiza.

A história de Ernesto foi inspirada na vida do fotógrafo italiano Luigi Del Re. “O personagem surgiu a partir da história dele, fotógrafo italiano que vivia em Porto Alegre, e que com a idade e avanço da cegueira já não conseguia mais se corresponder com a irmã, que morava na França”, conta a diretora e roteirista. “Em homenagem a Luigi, usamos na direção de arte as suas fotos e equipamentos de filmagem para compor o universo de Ernesto e seu apartamento. Mas Ernesto não é só Luigi: é um pouco de nossos pais, e de nós mesmos”, complementa a cineasta.

Meu Nome é Bagdá estreia no Festival de Berlim

Meu Nome é Bagdá o novo longa-metragem dirigido pela cineasta paulista Caru Alves de Souza e produzido por Rafaella Costa para a Manjericão Filmes, ganha suas primeiras exibições durante o 70° Festival de Cinema de Berlim. O evento é considerado, ao lado do Festival de Cannes, como a mais importante competição cinematográfica internacional.

O filme integra a prestigiosa mostra Generation 14plus, dedicada a retratar a realidade de jovens ao redor do mundo, e já tem contrato de distribuição internacional firmado com a Reel Suspects, empresa francesa que detém em seu catálogo produções assinadas por nomes como Jean-Luc Godard, Chris Marker e Alain Robbe-Grillet.

Caru(diretora), Grace (Bagdá), Karina Buhr (Micheline). Foto: Luciana Barreto

Bagdá, a personagem central do longa, é uma garota de 17 anos que vive na Freguesia do Ó, bairro da periferia da cidade de São Paulo. Ela anda de skate com um grupo de meninos e passa boa parte do tempo com sua família e as amigas de sua mãe. Juntas, elas formam um grupo de mulheres pouco convencionais. Quando Bagdá finalmente encontra um grupo de meninas skatistas, sua vida muda. Em seu cotidiano ela encontra apoio familiar e empoderamento feminino, mas também assédio sexual, preconceito a seus amigos homossexuais e machismo.

Segundo Caru, que também é corroteirista do longa, o roteiro nasceu do “desejo de contar uma história sobre situações cotidianas vividas por personagens oriundos de um bairro de classe média baixa da cidade de São Paulo, tentando encontrar a poesia existentes nas situações cotidianas.” Segundo ela, a intenção foi fazer um filme “com personagens mulheres que fossem fortes e fugissem dos estereótipos, e também se fortalecessem através dos laços criados entre si.” Com isso, “permitiriam ilhas de amor e afeto, num mundo que freqüentemente é hostil a elas”, conclui a diretora.

A personagem título é interpretada pela skatista Grace Orsato, que vive seu primeiro papel no cinema. No elenco estão ainda Gilda Normacce, a cantora e atriz Karina Buhr e a drag queen Paulette Pìnk. Além do elenco principal, Meu Nome é Bagdá tem também assinaturas de profissionais femininas no roteiro, direção, produção, fotografia e direção de arte.

Caru revelou-se na direção de elogiados curtas-metragens (Assunto de Família, O Mundo de Ulim e Oilut), documentários e séries. Seu primeiro longa-metragem, De Menor (2013), foi eleito como melhor filme no Festival do Rio, tendo conquistado ainda o prêmio do público para melhor atriz no Festival de Marseille (França), o Prêmio APCA de melhor fotografia e o prêmio de melhor atriz no Festival de Cuiabá.

Sonic e os melhores filmes inspirados em jogos

A nova produção Sonic: O Filme já está em cartaz. Inspirado no jogo da Sega, o porco-espinho azul (Ben Schwartz) vem parar no mundo real, onde encontra o policial Tom Wachowski (James Marsden) e, juntos, vão derrotar o vilão Dr. Ivo Robotnik (Jim Carrey). O longa será lançado depois de uma polêmica com o visual da animação do protagonista, que precisou ser completamente refeita após críticas dos fãs.

Desde os anos 90, dezenas de longas inspirados em jogos foram lançados, uma tentativa de Hollywood alcançar os gamers, um público enorme, exigente e crescente. A maioria dessas produções, porém, não foi muito bem aceita, com poucos espectadores. Obras como Super Mario Bros, Street Fighter e Mortal Kombat são alguns dos primeiros dessa leva. Confira a lista criada pelo Peixe Urbano dos filmes de videogames mais famosos:

Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos (2016)
World of Warcraft, ou WOW, é um RPG (role-playing game) online que os jogadores pagam mensalmente para ter acesso aos servidores, uma verdadeira febre desde que seu lançamento, em 2004. É o mais famoso e um dos pioneiros no estilo. O filme conquistou os fãs, que gostaram dos efeitos e adaptação. Porém, com os espectadores que não conhecem o jogo foi outra história, alcançando menos pessoas que o esperado.

Warcraft

Angry Birds (2016)
O jogo de celular desenvolvido em 2009 se tornou rapidamente um dos mais populares para smartphone. Atualmente, possui dezenas de versões e variações. O longa inspirado nos pássaros sem asas e porcos verdes também estreou em 2016, e é um dos filmes de games mais populares até o momento.

Príncipe da Pérsia (2010)
O game foi bastante cultuado nos anos 80, tendo várias sequências e remakes. A produção cinematográfica com Jake Gyllenhall no papel principal chegou várias décadas depois, em 2010. Apesar de roteiro e efeitos satisfatórios, a crítica dos espectadores foi referente ao White Washing, termo dado quando atores brancos interpretam personagens de outras nacionalidades.

Terror em Silent Hill (2006 e 2012)
Com clima de terror com monstros, sustos e muito sangue, o jogo lançado em 1999 é um dos principais do gênero, sendo referência até os dias atuais. Possui uma horda de fãs, que acompanharam seus 4 jogos. O longa, de 2006, mostra uma interpretação livre dos personagens, com algumas referências bem feitas, especialmente dos vilões. Em 2012 foi lançada a sequência, que não foi tão bem aceita quanto o primeiro.

Resident Evil

Franquia Resident Evil (de 2002 a 2016)
Falando em terror bem sucedido, o survival lançado em 1996 conta com mais de 25 jogos diferentes, entre linha principal, spin offs e remakes. Isso, sem contar com as versões mobile. A história de zumbis também fez sucesso na multiplataforma, se tornando a maior franquia do gênero já lançada nos cinemas, com seis filmes que vão de 2002 até 2016.

Lara Croft – Tomb Raider (2001, 2003 e 2018)
Falando em jogos com diversas versões, Tomb Raider teve início em 1996 e continuou com lançamentos até 2018, chegando a 17 jogos. Amada pelos fãs, as aventuras de Lara Croft passaram para as telonas em 2001. Com Angelina Jolie interpretando a heroína, o sucesso da adaptação veio bastante pela atriz, que também protagonizou a sequência de 2003. Em 2018 mais um filme surgiu, Tomb Raider: A Origem, conta com Alicia Vikander estrelando como a versão mais jovem de Lara.

Tomb Raider

Saga Pokémon (1998 – 2019)
Com mais de 70 jogos, os monstrinhos são um dos maiores da indústria, começando com um simples jogo de gameboy em 1996, e alcançando um sucesso tremendo com a versão em realidade aumentada para Smartphones, o Pokémon Go. O anime de 1997 se tornou uma sensação mundial com 22 temporadas, a última completa em 2018. São 28 longas inspirados desde 98, 27 de animação e o último, Pokémon: Detetive Pikachu é uma mistura de desenho com atores lançado ano passado.

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Remake de comédia brasileira é sucesso na Coreia do Sul

O filme mais visto nesse fim de semana na Coreia do Sul, terra do badalado Parasita, é um remake da produção brasileira O Candidato Honesto. Honest Candidate estreou em 12 de fevereiro no país de Bong Joon-ho e já vendeu 909.000 ingressos nos primeiros cinco dias, à frente de Adoráveis Mulheres com 464.000 ingressos, segundo a revista Variety.

Parasita, que foi lançado em maio do ano passado na Coreia do Sul e já vendeu mais de 10 milhões de ingressos no país, ficou apenas no quarto lugar nessa semana. Sonic – O Filme, aguardada produção inspirada na franquia de games japonesa, também estreou em 12 de fevereiro, mas ocupou apenas o quinto lugar no ranking.

Em Honest Candidate, a atriz Ra Mi-Ran faz o papel de Leandro Hassum, de uma política que, depois de receber uma repreenda da avó no leito de morte, não consegue mais mentir. A versão sul-coreana foi adaptada por roteiristas locais, mas segue a estrutura do roteiro original de Paulo Cursino.

Após liderar a bilheteria brasileira de 2014 com 2,3 milhões de ingressos vendidos, o filme dirigido por Roberto Santucci e distribuído pela Downtown Filmes e Paris Filmes chamou a atenção do mercado mundial. André Carreira, CEO da produtora do filme, Camisa Listrada, foi procurado pelo agente de vendas Cinema Republic, empresa especializada na comercialização de remakes no mercado internacional. O primeiro licenciamento foi fechado com a produtora sul-coreana Soo Film e resultou na produção de Honest Candidate.

“As comédias não costumam ‘viajar’ bem, porque nem sempre as piadas são compreendidas numa outra cultura. Mas os remakes, com algumas adaptações e atores e língua locais, podem ter êxito, como é o caso desse filme,” afirma André Carreira. “Estamos em negociações com produtoras de alguns países para outros remakes de O Candidato Honesto.”

Para Roberto Santucci, o sucesso de Honest Candidate na Coreia do Sul mostra a força criativa das comédias brasileiras: “Acho que chegou a hora das nossas comédias serem reconhecidas não só pelo desempenho comercial, mas também pela qualidade das produções. Nos últimos 30 anos formamos roteiristas, produtores, diretores… talentos capazes de disputar a ocupação do nosso mercado interno e também espaço no exterior.”

“O sucesso na Coreia reforça o que sempre defendi, que é a força de um bom conceito,” ressalta Paulo Cursino. “O cinema brasileiro ainda trabalha pouco com bons high-concepts. Está aí a prova de que dá certo. A ideia de O Candidato Honesto tem tudo para funcionar não apenas na Coreia, mas em vários países, há universalidade ali. Sempre digo que o nosso cinema pode fazer muito mais do que ganhar menção honrosa em festival. Basta realmente desejar atingir o público.”

“É muito simbólico ter um remake feito na Coreia, que ganhou visibilidade mundial com a vitória de Parasita no Oscar. O modelo coreano para o audiovisual tem como premissa principal a conquista de mercado, modelo que deveria inspirar nossa política pública para o setor”, pontua Bruno Wainer, diretor da distribuidora Downtown Filmes.

Veja o trailer de Enquanto Estivermos Juntos

A Paris Filmes divulgou primeiro trailer do longa Enquanto Estivermos Juntos, inspirado na vida do cantor norte-americano Jeremy Camp, em sua jornada de amor e perda. No país, o filme tem estreia nos cinemas agendada para 2 de abril. Protagonizado por K.J. Apa, intérprete de Archie Andrews na série Riverdale, a produção retrata a trajetória pessoal de Jeremy Camp [K.J. Apa] ao se apaixonar pela jovem Melissa Henning [Britt Robertson] e travar uma inesperada batalha contra o tempo, para vivenciar esse amor.

Dirigido pelos irmãos Andrew Erwin e Jon Erwin (de Eu Só Posso Imaginar), o longa traz uma trilha musical marcante, que exprime a jornada autobiográfica de Jeremy Camp. I Still Believe, música que dá nome ao filme, é o single que despontou em primeiro lugar nas rádios norte-americanas em 2002.

Em pouco mais de 2 minutos, o trailer apresenta o sucesso profissional do músico em meio a dramática jornada de amor e perda que revela o poder de transformação destes sentimentos. Além de K.J. Apa e Britt Robertson, o longa reúne Shania Twain, Melissa Roxburgh, Abigail Cowen e Gary Sinise.