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Simonal: cinebiografia mostra o sucesso e ruína do cantor

Filme dirigido por Leonardo Domingues, Simonal conta a história do simpático cantor que fez sucesso durante as décadas 60 e 70, no auge da ditadura no país tropical. Wilson Simonal de Castro (1938-2000) é interpretado por Fabrício Boliveira. O longa-metragem retrata a ascensão e queda de um astro que exalava encantos e sorria como ninguém em uma época sombria do país. O artista ficou famoso por canções como Rei da Pilantragem e a simples Meu Limão, Meu Limoeiro, que o fez atingir notoriedade. 
O longa mostra desde seu início em um grupo chamado Dry Boys até ser notado pelo empresário Carlos Imperial (Leandro Hassum), que o lançou para as paradas de sucesso. A biografia se mostra como uma retratação histórica para o cantor, visto que não tem medo algum de colocá-lo em um pedestal, embora também mostre todos os seus lados, desde o alegre até os seus momentos de surto, ressaltando também seu desespero, ganância e um lado dormente que revela a preocupação com a luta histórica por direitos iguais. Algo que pode ser percebido na canção Tributo a Martin Luther King. A música foi vista como uma afronta pelo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), onde Simonal foi interrogado.
A partir deste momento podemos ter uma noção de que a carreira do cantor sofreu turbulências e ruiu após escândalos envolvendo tortura, supostas delações e traição. A biografia também tem participação de Isis Valverde, que interpreta Thereza, esposa de Simonal. Sua atuação está impecável, assim como Fabrício Boliveira, que entrega um Simonal à altura do artista que levou milhares de pessoas ao delírio no histórico show do Maracanãzinho. Apesar da montagem deixar a desejar (a não ser pelo belíssimo plano-sequência logo no início do longa), com cenas externas que pareciam ser retiradas de bancos de vídeos para retratar o Rio de Janeiro da época. O filme conta bem a história de um artista que teve sua história marcada pelo céu e inferno em seus extremos. Outro ponto a se destacar são alguns personagens que poderiam ter tido mais impacto na história, como seus amigos da Dry Boys, além de mais conflitos da época. Mas a biografia funciona bem em mostrar como Simonal foi manipulado pelas circunstâncias e cego pela fama e pelo dinheiro, se deixando levar por certas influências e por sua vaidade. 
O filme é necessário para entendermos melhor a história pessoal e artística de Simonal, que sempre teve sua biografia nebulosa. Além de entendermos uma época que precisa sempre ser relembrada pela população, é uma história sobre um cantor de décadas passadas, mas que perdura até hoje. É preciso trazer histórias como estas à tona para que a gente entenda melhor o passado para refletirmos sobre o presente e agirmos por um futuro menos nebuloso. 

Cotação do Cine61: Cine61Cine61Cine61Cine61

*Por Victor Almeida – Especial para o Cine61

Veja aqui o trailer do filme Simonal:


Simonal (Brasil, 2018) Dirigido por Leonardo Domingues. Com Isis Valverde, Billy Blanco Jr., Fabrício Boliveira, Caco Ciocler, Leandro Hassum, Mariana Lima, Bruce Gomlevsky…

Drama italiano faz uma épica retrospectiva familiar

O Espaço Itaú de Cinema recebe o festival 8 ½ Festa do Cinema Italiano, que exibirá uma série de filmes de 8 a 14 de agosto. Entre eles estão Lucia Cheia de Graça, de Gianni Zanasi, exibido na Quinzena dos Realizadores no Festival de Cannes 2018; Noite Mágica, o novo trabalho do consagrado Paolo Virzì; e Bangla, de Phaim Bhuiyan, que acaba de receber o prêmio de Melhor Comédia Italiana de 2019 segundo os críticos italianos.
Entre os destaques da programação está A Melhor Juventude, de Marco Tullio Giordana. O drama será projetado em cópia restaurada e chama a atenção por ser, de fato, um longa-metragem. Com mais de seis horas de duração, o épico acompanha a jornada de dois irmãos com temperamentos bem diferentes enquanto passeia pela história da Itália. No festival, a obra será exibida na quinta (8/8) e sexta-feira (9/8) em duas partes com cerca de três horas.
Vale a pena? Com certeza. A saga começa no final da década de 1960 e vai até os anos 2000, fazendo uma verdadeira retrospectiva de importantes fatos que marcaram o país, como a inundação de Florença, a luta contra a máfia e os grandes jogos de futebol da seleção nacional. O roteiro gira em torno de Nicola (Luigi Lo Cascio) e Matteo (Alessio Boni). No início ambos são estudantes, mas seguem caminhos diferentes: o primeiro, mais pacato e explorador, vira médico, enquanto o segundo, charmoso e impulsivo, trabalha no exército e vai parar na polícia.

Em comum, o fascínio pela complicada garota Giorgia (Jasmine Trinca), que é resgatada por Matteo de um hospício. Com problemas psiquiátricos, ela une os dois irmãos e surge em alguns momentos de suas trajetórias. A Melhor Juventude emociona por mostrar a passagem do tempo estampada nos personagens, que crescem e envelhecem. Alguns artifícios bem novelescos são usados no roteiro para intensificar o drama, mas nada que prejudique o resultado.

Vários temas são abordados na saga, como as torturas praticadas dentro de manicômios, as manifestações populares nas ruas e os ataques contra os policiais. Mas, se for para citar apenas um ponto, o elemento mais marcante é a família. São os laços, ou até mesmo nós, que são formados nas vidas que trazem beleza e verdade ao filme. Ao lidar com questões universais, como o amor e o perdão, o público pode se preparar para as lágrimas no final. É impossível não se envolver depois de uma imersão tão intensa na telona.

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*Por Michel Toronaga – micheltoronaga@cine61.com.br

Veja aqui o trailer do filme A Melhor Juventude:
 

La Meglio Gioventù (Itália, 2003) Dirigido por Marco Tullio Giordana. Com Luigi Lo Cascio, Alessio Boni, Jasmine Trinca, Adriana Asti… 

Projeto Luz, Câmera, Ação! apresenta produções de alunos

Desde abril, um projeto tomou conta das escolas do Ensino Médio público do Guará e de Taguatinga. A iniciativa batizada de Luz, Câmera, Ação! levou a sétima arte para estudantes por meio de oficinas que englobaram todo o processo cinematográfico. Desde a produção, roteirização, atuação, filmagem, figurino,  maquiagem e edição. Agora, o público vai poder conferir os curtas-metragens produzidos por estes alunos durante todo o processo e ainda votar no de sua preferência em enquete que poderá ser acessada em: https://bit.ly/LCAconcurso
Os filmes já podem ser assistidos no YouTube. E quem deixar o seu voto por lá vai ajudar a estimular estes futuros cineastas. Ingressos de cinema e prêmios farão parte do evento final que será realizado no dia 3 de julho, a partir das 15h, na Escola Técnica do Guará 2 (CEPAG – EQ 17/19 Lote A). No dia, todos os filmes realizados serão exibidos. Quem passar ainda pelo evento gratuito vai poder conferir a premiação e, claro, a alegria dos estudantes.

“Fico muito feliz em realizar um projeto como esse. É enriquecedor ver o entusiasmo dos alunos. O resultado foi muito bom. Quem assistir vai se impressionar”, garante a idealizadora do Luz, Câmera, Ação!, a gestora cultural Valéria Marcondes. Todos os curtas-metragens foram produzidos com telefones celulares.

Foram meses de oficinas realizadas pelas regiões administrativas do Guará e de Taguatinga. Por trás das lentes das câmeras, os diretores Tiago Esmeraldo, Fáuston da Silva, Tiago Belotti e Rodrigo Huagha orientaram e lecionaram para os alunos. As produções contaram ainda com a participação de atores reconhecidos na cidade, maquiadores de cena, dentre outros profissionais. 

O intuito do projeto foi demonstrar aos estudantes que o audiovisual pode ser visto sob uma perspectiva profissional.  O projeto Luz, Câmera, Ação! é realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal – FAC-DF.

Serviço
Luz, Câmera, Ação! exibe produções de estudantes 
Data: 3 de julho, quarta-feira
Horário: 15h
Local: Auditório da Escola Técnica do Guará II (CEPAG – EQ 17/19 Lote A)
Entrada gratuita
Classificação livre
Link com a playlist dos curtas-metragens produzidos:
https://www.youtube.com/playlist?list=PLyNYmqpLqIoiP1-5rordvmfO598JzHty-
Link para votar no filme de sua preferência: https://bit.ly/LCAconcurso

Annabelle 3 apresenta novas assombrações

Em 2013, o longa-metragem Invocação do Mal foi lançado e fez tanto sucesso que originou outras duas sequências, o Invocação do Mal 2 (2016) e ainda um terceiro, com data de estreia para 2020. O êxito da franquia também foi responsável por filmes derivados do mesmo universo sobrenatural, conhecido como spin-offs. Annabelle 3: De Volta Para Casa é um exemplo deles.
A boneca apareceu pela primeira vez em Invocação do Mal e chamou tanta atenção que ganhou dois filmes só para ela, o Annabelle (2014) e Annabelle 2: A Criação do Mal (2017). O terceiro não existe relação direta com os outros dois filmes do objeto demoníaco. O terceiro capítulo da história é uma continuação direta da cena inicial de Invocação do Mal. O longa-metragem tem direção do estreante Gary Dauberman, que também assinou os roteiros de outros filmes do universo Invocação do Mal, como A Freira e Annabelle. Já James Wan, diretor do primeiro Invocação, assina a produção de Anabelle 3: De Volta para Casa.
O filme apresenta a primeira vez em que o casal Ed (Patrick Wilson) e Lorraine Warren (Vera Farmiga) tem contato com a boneca Annabelle. Os dois levam o objeto para casa e o trancam na conhecida Sala dos Artefatos de Warren, onde ficam os objetos mais perigosos por carregarem maldições. O casal viaja e deixa a filha Judy Warren (McKenna Grace) aos cuidados da babá Madison (Mary Ellen). Junta-se às duas, Daniela, a amiga da babá, e o par romântico da babá, Bob. Os quatro vão ser perseguidos pelos mais diversos tipos de demônios. O interessante em Annabelle 3 é que existe uma explicação para cada ser maligno que aparece, o que abre brecha para mais filmes derivados.
O casal Ed e Lorraine, que aparece pela primeira vez fora da franquia Invocação do Mal, poderia ter uma participação maior em Annabelle 3. A pequena Judy, interpretada pela ótima McKenna (A Maldição da Residência Hill), tem uma ótima atuação. O longa-metragem também permite alívios cômicos entre a babá e o par romântico. Tudo funciona em Annabelle 3, sem excessos de medo ou risada. O sucesso da franquia e dos filmes derivados se dá muito pela ótima estreia que fez o primeiro Invocação do Mal. Com boas críticas e com a excelente direção de James Wan, o filme deu um novo respiro ao gênero terror. Em Annabelle 3, não existe nada de ousado, inovador ou surpreendente. Gary Dauberman entrega um filme bem dirigido.

Cotação do Cine61: Cine61Cine61Cine61

*Por Vinícius Remer – contato@cine61.com.br

Veja aqui o trailer do filme  Annabelle 3: De Volta Para Casa:



Annabelle Comes Home (EUA, 2019) Dirigido por Gary Dauberman. Com Vera Farmiga, Patrick Wilson, Mckenna Grace, Madison Iseman, Katie Sarife, Michael Cimino…

O Olho e a Faca mostra um homem em crise

O isolamento de uma plataforma petrolífera é um cenário bom para se construir uma história sobre solidão. Um exemplo é o ótimo A Vida Secreta das Palavras, de Isabel Coixet. Grande parte da ambientação de O Olho e a Faca, dirigido por Paulo Sacramento, se dá no mesmo espaço. O filme é um drama que fala sobre Roberto (Rodrigo Lombardi). Ele trabalha no meio do mar com outros colegas e, de vez em quando, volta para a cidade para rever a família. Essa rotina cheia de hiatos e distâncias se reflete em como ele se relaciona com os parentes, visto que o trabalho representa a maior parte dos seus dias.

E é justamente após uma mudança no campo profissional que acontecem as mudanças que alteram a rotina do protagonista. Após ser promovido, Roberto tem que assumir novas responsabilidades. O cargo elevado faz com que ele tenha que tomar decisões difíceis e isso repercute também em seu relacionamento com os colegas petroleiros. É possível dizer que a vida aparentemente perfeita de Roberto vira de cabeça para baixo à medida que a trama se desenrola. Além da crise no serviço, ele encontra problemas em casa.

A esposa (Maria Luísa Mendonça) exige mais atenção, principalmente porque o marido parece viver em alto mar mesmo quando está em terra firme. A presença da figura paterna se torna ainda mais necessária por causa do comportamento do filho mais velho do casal, um adolescente com tendências violentas. Enquanto o longa-metragem passa, é possível acompanhar a descrença e falta de empatia de Roberto quando tudo parece dar errado e suas estruturas mostram-se não tão sólidas quanto ele imaginava e queria.

A melhor parte é a final, quando ele vai lentamente perdendo a sanidade diante às adversidades. Isso é visto por meio de alucinações e devaneios que o fazem refletir acerca de sua própria existência como profissional, homem e pai. Paulo Sacramento, diretor de Riocorrente – exibido no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro de 2013 -, entrega uma trama que demora um pouco para engatar, mas que faz pensar sobre as decisões da vida das pessoas e a forma de cada uma em lidar em tempos difíceis.

Cotação do Cine61: Cine61Cine61

*Por Michel Toronaga – micheltoronaga@cine61.com.br

Veja aqui o trailer do filme O Olho e a Faca:





O Olho e a Faca (Brasil, 2018) Dirigido por Paulo Sacramento. Com Rodrigo Lombardi, Maria Luísa Mendonça, Caco Ciocler, Roberto Birindelli…

Veja o trailer de Pyewacket – Entidade Maligna

O longa Pyewacket – Entidade Maligna chega aos cinemas no dia 26 de setembro, com Laurie Holden (Terror em Silent Hill, séries The Walking Dead e Chicago Fire) e Nicole Muñoz (série Once Upon a Time) sob a direção e roteiro de Adam McDonald (Sobreviventes). Uma distribuição da Cinecolor Films Brasil.

Exibido no Festival de Toronto de 2017, Pyewacket – Entidade Maligna é um thriller de suspense e terror, que gira em torno da máxima “cuidado com o que você deseja”. Nele, Adam McDonald constrói uma arrepiante trama, revelando o pesadelo perturbador criado pela adolescente Leah (Nicole Muñoz), que encontra nas forças ocultas conforto para a recente perda do pai e a difícil relação com sua mãe (Laurie Holden).

A brincadeira, aparentemente inofensiva e até divertida num primeiro momento, dá voz a um desejo obscuro de Leah: a morte de sua mãe. Mesmo arrependida, ela entende que pode ser tarde demais, já que o ritual realizado no bosque próximo a sua casa trouxe à vida uma bruxa conhecida como Pyewacket, que começa a perseguir mãe e filha sem piedade.

Assista ao Curta-metragem A Ponte

Curta Metragem Animado para trabalho de sonoplastia e trilha sonora. Professora Giovanna Guimarães Corsino Rodriguez Área de Conhecimento: Linguagens, Códigos e suas Tecnologias.

Últimos dias para ajudar o doc-ficção Rumos

Os cineastas Marcus Azevedo e Bruno Victor, diretores do curta-metragem Afronte, estão produzindo o segundo curta-metragem da carreira. Desta vez, a dupla centra a narrativa cinematográfica no sistema de cotas adotado há 15 anos na Universidade de Brasília (UnB). O projeto de doc-ficção Rumo está em processo de arrecadação de crowfunding para que a produção seja finalmente viabilizada.
A UnB foi a primeira universidade federal do país a implementar a cota baseada pelo recorte de raça no Brasil a partir de 2003. A intenção era estimular a ocupação de vagas nos diversos cursos oferecidos na instituição por grande parcela da população brasileira negligenciada e afastada pelo sistema educacional de ensino superior do Brasil: os negros e pardos.  “As Cotas Raciais tiveram um impacto muito grande, no sentido de apresentar novas perspectivas para a população negra no Brasil. Quantos de nós foram os primeiros de suas famílias a entrar numa universidade? Isso é muito representativo”, refletem os realizadores.

A iniciativa proporcionou uma maior diversidade de alunos na instituição e tiveram um impacto determinante para os estudantes que ingressaram na universidade por meio do sistema. “A imagem de negros e negras se formando em diferentes cursos, tornando-se advogados, professores, cineastas e tantas outras profissões é muito importante também para a autoestima dos mais  jovens que vislumbram novas possibilidades para suas vidas”, afirmam os documentaristas.
O filme, híbrido de documentário e ficção, narra a história de Leni e Samuel (os atores Leni Ângela e Samuel Veloso). Mãe e filho vivem na periferia do Distrito Federal, na cidade satélite do Pôr do Sol e precisam trabalhar duro para garantir o sustento da casa. Em comum, os dois dividem a paixão pelos estudos e a vontade de obter um diploma universitário.

A dupla de diretores entrou no curso de comunicação da Universidade de Brasília (UnB) por meio do sistema de cotas. Azevedo e Victor sentiram pessoalmente a importância da política pública adotada no sistema educacional brasileiro para reduzir as desigualdades sociais e raciais nas universidades brasileiras. E, portanto, consideram importante levantar o debate em torno da questão das cotas raciais no momento histórico e político que o país vem enfrentando:
“Discutir sobre as cotas raciais e as mudanças que elas propiciaram é muito importante, principalmente, no momento político em que nos encontramos. Mostrar que foi uma conquista após  muitos anos de luta do movimento negro. Além de ajudar a levar mais informação sobre o que são as cotas raciais para a população porque a desinformação ajuda muita gente a ser contra as cotas raciais”, declaram. Ajude aqui.

Capitã Marvel e os desafios a serem vencidos na ficção

Carol Danvers surgiu nas histórias em quadrinhos no ano de 1968. Criada por Roy Thomas e Gene Colan, que deu a Danvers o nome de Ms. Marvel, a opção ao “Ms.” tinha relação direta com um contexto da época. Nos anos 70 “Miss” (utilizado para mulheres solteiras) e “Mrs” (destinado às mulheres casadas) eram termos consolidados. Então, Gene Colan resolveu adotar o “Ms”, prefixo que representava a mulher independente e que elevou a super-heroína a um novo patamar, associando-a ao movimento feminista.
Durante anos, Carol Danvers ficou conhecida como Ms. Marvel, mas sua história de codinomes é bem maior. Seu início nas histórias em quadrinhos foi como Major Carol Danvers, da Força Aérea dos Estados Unidos, e que ao se tornar a super-heroína, assumiu a identidade de Ms. Marvel. Entre idas e vindas nas HQ’s, quando se transformou praticamente em uma entidade galáctica, adotou o nome de Binária e, por fim, voltou a usar Ms. Marvel que, na sequência, foi trocado pelo nome de seu mentor (Mar-Vell), adaptando a forma feminina de Capitã Marvel.

História das histórias em quadrinhos a parte, o fato é que a figura da Capitã Marvel se tornou um ícone do feminismo e se mantém até os dias de hoje. Aproveitando o embalo de protagonistas femininas no cinema e na tv é importante ressaltar que, nas histórias em quadrinhos, Carol Denvers é grande amiga de Jessica Jones (sim, a da série cancelada recentemente pela Netflix). A decisão de incluí-la na websérie foi cancelada quando os estúdios da Marvel decidiram fazer um filme solo da Capitã.
Brie Larson, a atriz que viverá a personagem nas telonas, é declaradamente uma ativista da causa feminista. Mais do que isso, Larson luta não só pela igualdade de gêneros, como também pela diversidade e a inclusão no cinema e fora dele.
Recentemente, em entrevista dada à revista Marie Claire, Larson explicou que na divulgação de seus trabalhos anteriores sempre foi entrevistada pelo mesmo tipo de pessoa – no caso homens brancos – e que ela gostaria de ver entrevistadores mais diversos. Em suma, o que ela defendia era a diversidade e não a exclusão. Tirado desse contexto e transformado em fake news pelos famosos haters, começou um movimento brutal na internet para sabotar o filme da Capitã Marvel, negativando o longa no Rotten Tomattoes e IMDb, baixando sua média de qualidade antes do filme estrear nos cinemas. O Rotten Tomattoes inclusive desativou, temporariamente, a opção de antecipação do filme aos internautas.
O filme que inaugurou a era das super-heroínas no cinema, Mulher-Maravilha, também levantou questões parecidas com grupos que pregam um discurso raivoso e que também atacaram filmes como Pantera Negra e Star Wars: O Despertar da Força, mas que foram sucesso de crítica e público.

Fato é que Capitã Marvel, de acordo com pesquisas recentes, aponta na direção de uma bilheteria de sucesso. Além de se juntar à figura icônica da Mulher-Maravilha nessa luta pelo protagonismo feminino em Hollywood, que aos poucos está aderindo a uma cultura inclusiva e diversa, a super-heroína vem com tudo para enfrentar Thanos e sacramentar mais um rompimento de paradigmas, não apenas a favor da mulher, mas a favor da humanidade na ficção e principalmente na realidade.

*Por Elton Pedroza – Possui graduação em Letras – Tradutor e Intérprete (2006). Pós-graduado Lato Sensu em Administração de Empresas pela UNIFMU/FMU (2009). Pós-graduado Stricto Sensu em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC – SP (2014). Atualmente é professor do FIAM-FAAM – Centro Universitário e ministra aulas para o curso de Rádio, TV e Vídeo (graduação) e Cinema (pós-graduação) – curso idealizado e criado pelo próprio. Foi integrante do Núcleo Docente Estruturante (NDE) do curso de graduação de Rádio, TV e Vídeo do FIAM-FAAM – Centro Universitário e um dos membros fundadores do Núcleo de Estudos de Histórias em Quadrinhos Álvaro de Moya do FIAM-FAAM – Centro Universitário. Além das atividades como professor é Crítico de Cinema e TV no programa “De Bem com a Vida” da Rede Gospel de televisão. Também é Crítico de Cinema e TV, locutor e radialista na Rádio Energia 97FM e tem um programa na webrádio BARUK FM, intitulado “CinemArte: A História do Cinema contada com toda Propriedade”. Tem uma coluna de críticas de cinema no Jornal Rodonews (tiragem: 25.000 exemplares) e Jornal do Monotrilho (tiragem: 20.000 exemplares). Tem um canal no YouTube sobre cinema e cultura pop intitulado “Raio Ômega!” que é subsidiado pela rádio Energia 97 FM (97,7).

Tudo sobre a atriz e produtora Margot Robbie

Margot Robbie é uma talentosa atriz que cativou audiências no mundo todo com incríveis performances ao lado de notáveis nomes no cinema. Continuamente evoluindo sua experiência, Robbie traz envolventes narrativas para a vida em desejados papéis que dialogam com sua poderosa presença nas telas. Seu próximo trabalho será Goodbye Christopher Robin, de Simon Curtis, ao lado de Domhall Gleeson. O filme conta a história do criador do Ursinho Puff, A.A. Milne (Gleeson) e sua esposa, Daphne (Robbie).
Eu, Tonya (2017)

Robbie também estrela em Eu, Tonya, como personagem título, Tonya Harding. Ela também foi produtora do filme com sua empresa de produção LuckyChap Entertainment. O filme conta a controversa história da patinadora olímpica Tonya Harding, que conspirou de maneira infame contra sua competidora Nancy Kerrygan, ferida antes das Olimpíadas de Inverno de 1994. Craig Gillespie dirige o filme, que tem roteiro de Steven Rodgers. O filme estreou no Festival Internacional de Cinema de Toronto de 2017.

Robbie também produzirá o Queen of Scots, de Josie Rourke, no qual irá interpretar a Rainha Elizabeth, ao lado de Saoirse Ronan como Mary Stuart. O projeto da Focus Features irá mostrar a rivalidade histórica entre as primas Elizabeth e Mary, quando Mary tentou tomar o assento de Elizabeth no Trono da Inglaterra. Margot também emprestará sua voz para a animação da Sony Pictures, Peter Rabbit.   Robbie tem numerosos projetos em desenvolvimento no cinema e televisão, sob sua organização LuckyChap Entertainment, todos com o objetivo de contar histórias com fortes personagens femininos, os mais importantes sendo Bad Monkeys, Fierce Kingdom, Marian e Dreamland. Bad Monkeys, baseado no romance de mesmo nome de Matt Ruff, gira em torno de Jane Charlotte, que acaba no Centro de Detenção do Condado de Clark County, em Las Vegas, após ser presa por homicídio.

Jane alega que trabalha para uma organização secreta, o Departamento de Destino Final de Pessoas Irredimíveis, também conhecido como “Bad Monkeys”. A Universal detém os direitos desse thriller psicológico, que será adaptado por Dylan Clark, com Robbie como produtora e Josey McNamara como produtor executivo. LuckyChap também está produzindo Fierce Kingdom, junto da Warner e Di Novi Pictures.  O filme, baseado no thriller de Gin Phillips, Beautiful Things, foca em uma mãe e seu filho, presos em um zoológico com um homem armado à solta. A produtora também irá trabalhar em Marian, ao lado de Donald De Line e Amy Pascal. Robbie está escalada para estrelar como “Maid Marian”, que assume a causa para liderar o povo à uma guerra, depois que o amor de sua vida, Robin Hood, morre.

E por último, a LuckyChap se aliou a Automatik para produzir o drama dos anos 1930 Dreamland. Robbie deve estrelar o filme, que segue um garoto de 15 anos que desbanca o FBI e a polícia local ao encontrar e capturar uma ladra de bancos fugitiva (Robbie), para descobrir que ela é muito mais do que as autoridades alegam. A direção será de Miles Joris-Peyafitte, e roteiro de Nicolaas Zwart.  No ano passado, Robbie apareceu no filme da Warner Esquadrão Suicida, interpretado o interessante papel de “Harlequina”, contracenando com Jared Leto, Will Smith e Viola Davis. A interpretação de Robbie da Harlequina é a primeira aparição nas telonas de uma das vilãs preferidas dos fãs dos quadrinhos. O filme, dirigido por David Ayer, foi a 9ª maior arrecadação de 2016, com cerca de 745 milhões de dólares. Robbie também interpretou a lendária Jane Porter, no filme A Lenda de Tarzan, contracenando com Alexander Skarsgard, Samuel L. Jackson e Christoph Waltz. O filme faturou mais de 356 milhões de dólares no mundo todo.    Robbie talvez seja mais conhecida pelo seu papel no filme de Martin Scorsese O Lobo de Wall Street, no qual ela estrela no papel feminino principal, contracenando com Leonardo DiCaprio. Baseado nas memórias de mesmo nome de Jordan Belfort, o filme conta a história de um negociante da Bolsa de Valores (DiCaprio), que ficou preso por 20 meses por se recusar a cooperar com uma investigação sobre uma grande fraude nos negócios em Wall Street, o mundo corporativo banqueiro e até uma infiltração da máfia. Estrelando como esposa de DiCaprio no filme, Robbie contracena com um elenco estrelado, incluindo Matthew McConaughey, Jonah Hill, Rob Reiner, Jean Dujardin, Jon Favreau e Kyle Chandler.

Esquadrão Suicida (2016)

Outros créditos incluem Uma Repórter em Apuros, ao lado de Tina Fey, Roadside Attractions Z, com Chiwetel Ejiofor e Chris Pine, Golpe Duplo, ao lado de Will Smith, Suite Francesa, com Michelle Williams, Kristen Scott Thomas e Matthias Schoenaerts e Questão de Tempo, com Rachel McAddams e Domhall Gleeson. Robbie fez sua estreia nos EUA na série aclamada pela crítica Pan Am, em 2011. O drama de época mostrava a vida dos pilotos e comissárias de bordo que fizeram da Pan Am a maneira mais glamorosa de voar. Robbie estrelou como “Laura”, uma noiva que fugiu da chatice da vida doméstica para ir para os céus. A série foi criada por Jack Orman (O mesmo de ER e Man of a Certain Age}, e também foi estrelada por Christina Ricci.   Na Austrália, Robbie é mais reconhecida por seu papel como “Donna Freedman”, na novela Neighbours, que mostrava a vida dos residentes da rua Ramsay, nos imaginários subúrbios da cidade de Erinsborough. Esse papel lhe rendeu duas indicações ao prêmio Logie Award, de Talento Feminino mais Popular e Atriz Mais Popular. Nascida na Austrália, Robbie cresceu na Gold Coast e eventualmente se mudou para Melborne, onde começou a atuar profissionalmente aos 17 anos. Ela atualmente mora em Los Angeles.