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Entrevista: memórias e raízes no curta Casca de Boabá

O curta-metragem Casca De Boabá, de Mariana Luiza, foi selecionado para o 4º Cine Jardim – Festival Latino-Americano de Cinema de Belo Jardim, em Pernambuco. O Cine61 – Cinema Fora do Comum conversou com o cineasta, que falou sobre seu mais recente trabalho. Um filme que fala sobre questões atuais da sociedade brasileira.

Você tem muita experiência com roteiros e histórias. Como você resume a sinopse de Casca de Baobá
Eu estudei roteiro antes mesmo de direção. Desejava ser escritora e sempre li e escrevi muito, mas este é meu primeiro filme. Meu primeiro roteiro de ficção. Casca de Baobá conta a história de uma quilombola que vai para o Rio de Janeiro estudar na universidade e troca cartas com a mãe. É um filme sobre raízes e memórias.


Você dedica seu filme a alguém ou a algum grupo em específico? Quem? 
Dedico aos quilombolas da Machadinha (Quissamã-RJ) onde filmamos.
Como foi o edital do Ministério da Cultura que viabilizou a produção do seu curta? 
O edital Curta Afirmativo foi criado no governo da presidenta Dilma, uma ação entre o Ministério da Cultura (MinC) e a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (SEPPIR/PR) para fomentar a produção de filmes de curta-metragem dirigidos / produzidos por negros. Ele teve apenas duas edições e muita polêmica. Não sei se te recordas, mas o primeiro edital foi impugnado. A sentença afirmava que o Edital estimulava a criação de “guetos culturais”, uma vez que apenas os negros teriam direitos a criarem conteúdos audiovisuais. Mas aí eu te pergunto. E o cinema brasileiro? Ele é racista e misógino já que os homens brancos dominam a grande maioria das produções? A sentença falava de desigualdade racial, mas a gente precisa entender que não somos iguais e ninguém quer ser igual. Queremos apenas as mesmas oportunidades dentro da pluralidade. O edital teve apenas duas edições, uma pena. Editais de produções audiovisuais exclusivamente para realizadores negros, indígenas e mulheres são extremamente importantes para a pluralidade que o cinema brasileiro pode ser. Esta é a única forma de mudar nossas representações nas telas. 

Estamos em 2018 e a representatividade dos negros no audiovisual ainda se restringe a determinados tipos de papéis. Por que isso não muda? 
Os filmes narram histórias pensadas por roteiristas, diretores e/ou produtores. Se estas pessoas pertencem a uma mesma classe social, etnia e gênero veremos sempre filmes com estes pontos de vista. Por mais sensível que este homem seja, ele contará a história do ponto de vista de um homem branco de classe média. Dar oportunidades aos negros de contarem sua própria história nada mais é do que mudar o olhar do cinema. A gente começa a ver histórias diferentes daquelas mesmices que estamos acostumados. 

Seu filme foi recentemente selecionado para o 2º Festival de Cinema no Paranoá, em Brasília; e também no 4º Cine Jardim – Festival Latino-Americano de Cinema de Belo Jardim, em Pernambuco. Como tem sido a recepção do público diante seu trabalho? 
Muito legal! Conheci alguns quilombolas que se identificaram com a história da protagonista e gostaram de se ver retratados na tela. Isso é o mais gratificante de um trabalho!

*Por Michel Toronaga – micheltoronaga@cine61.com.br


O jornalista viajou a convite da organização do Cine Jardim

Cineasta fala sobre o curta-metragem Edney

O curta-metragem Edney, de João Roberto Cintra, foi selecionado para a mostra competitiva do 4º Cine Jardim – Festival Latino-Americano de Cinema de Belo Jardim, em Pernambuco. O Cine61 – Cinema Fora do Comum conversou com o cineasta, que falou sobre seu trabalho, que conta a história de um homem que trabalha de dia lavando pratos e, de noite, cantando canções de Ney Matogrosso.

Seu filme fala sobre um homem que possui uma vida dupla? E o que mais?
O filme é também sobre como o artista lida com a sua voz, sua expressão artística. Todo amor, exuberância e toda fala que existe presa naquele cotidiano e que explode nas apresentações e nas letras das músicas que ele canta. Assim como ele também não sabe lidar livremente com sua expressão sexual, uma sensibilidade de bichas de outra geração, que também tinham que lidar com uma vida dupla – ou no mínimo em se esconder, esconder quem eram.

Qual é o papel/importância da música na história?
Eu falo que o filme é um drama musical, o filme não existe sem as músicas. Edney é retraído no seu cotidiano e só consegue falar sobre sua vida através delas. A música é quase uma voz off que conduz a narrativa – e tempos e ações que vão e voltam são realinhados por elas. Todas as canções no filme são escolhas de Edney. Ou ele canta, ou ele está ouvindo.

Como chegou a Heraldo Carvalho? 
Heraldo é meu amigo de infância, ambos somos do interior de Pernambuco. Ele estava morando em São Paulo se profissionalizando como ator quando escrevi o roteiro, mas sempre pensei nele para o papel porque precisava de um ator que cantasse e confiava na sua força para o papel. O personagem na verdade nasceu de uma conversa nossa sobre uma cinebiografia de Ney Matogrosso – e daí veio esse homem que se exprime fazendo um cover com imagem de Ney, mas com repertório próprio. Esperei ele voltar porque não via mais outra pessoa fazendo. Duas semanas depois de chegar, já estávamos no set. É um filme de ator, o filme é dele.


Onde e quando aconteceram as filmagens de Edney?
Foi todo filmado em Recife, em julho de 2015. Foram só quatro dias muito corridos, porque havia diferentes locações. Passamos um bom tempo editando, vendo como as coisas fluíam. Deixei quieto e depois voltei com João Maria, que montou o filme, e batemos o martelo na versão final só ano passado.

Você está trabalhando em Love Songs, certo? Essa série tem previsão de lançamento?
Filmamos o episódio piloto e fizemos um corte de apresentação para conseguir viabilizar a produção de mais episódios para uma temporada – que é geralmente como os canais de TV negociam a compra e a exibição. Antes disso, acho que iremos fazer um corte livre para ser exibido em festivais, como curta ou média metragem. É a vontade de mostrar ao público.

*Por Michel Toronaga – micheltoronaga@cine61.com.br

O jornalista viajou a convite da produção do Cine Jardim

Cine Jardim e o cinema como transformação

O Cine Jardim – Festival Latino-Americano de Cinema de Belo Jardim leva a sétima arte para o agreste pernambucano. O Cine61 – Cinema Fora do Comum foi convidado para cobrir o evento e se surpreendeu com a proposta apresentada. O município abraça a ideia e se engaja durante toda a programação, que inclui oficinas de formação e exibição de curtas e longas-metragens de qualidade. Tudo com entrada franca, para abarcar um público ainda maior.


Foto: Juarez Ventura

Com curadoria de Arthur Leite e Leo Tabosa, que também cuidam, respectivamente, da direção geral e produção executiva, o evento pela primeira vez abriu espaço para a o audiovisual latino-americano e conta com filmes de outros países, como Argentina e Colômbia. O festival teve início após a bem-sucedida execução da Mostra Curtas Vazantes – Cinema em Comunidade, que acontece no Ceará. A mostra, que busca levar o cinema para uma cidade menor, mostrou o poder de transformação da arte ao oferecer workshops e exibições de filmes para todos.

Foto: Tiago Calazans

Pensando nessa descentralização da cultura e na possibilidade de estimular e distribuir a arte, a empresa Moura, a mesma que faz as conhecidas baterias para carros, patrocinou o Cine Jardim na cidade onde começou suas atividades em 1957: Belo Jardim, em Pernambuco. A realização do Cine Jardim é da Pontilhado Cinematográfico e Instituto Conceição Moura, que desenvolve um bonito trabalho com o objetivo de promover uma transformação social. O instituto acerta ao acreditar que o cinema é uma importante ferramenta de educação e formação de cidadão, seja dentro ou fora do ambiente escolar.

*Por Michel Toronaga – micheltoronaga@cine61.com.br

O jornalista viajou a convite da organização do Cine Jardim

Oficinas fazem parte da programação do Cine Jardim

Complementando a programação do 4º Cine Jardim – Festival Latino-Americano de Cinema de Belo Jardim, em Pernambuco, estão oficinas com entrada franca. O professor Gabriel Petter, por exemplo, fará a Oficina Crítica de Cinema. O curso pretende abordar o cinema sob um viés crítico, analisando filmes sob uma perspectiva técnica e artística, levando o público a perceber as nuances das obras cinematográficas para além de um olhar passivo sobre as mesmas. A oficina irá formar o Júri Jovem do Festival que irá premiar o melhor curta-metragem.
A oficina Alternativas Audiovisuais para Futuros Realizadores, ministrada pelos professores Leonardo Cata Preta e Edna Vieira Silva, vai mostrar como, através de ferramentas simples, como os smartphones, tablets e notebooks, é possível produzir pequenos ciclos de ações narrativas (GIFs) realizadas pelos participantes em técnicas de captação direta (live action) ou animação.
Marcelo Quixaba e Carine Fiúza são os responsáveis pela oficina Fazendo Filmes Curtíssimos. O objetivo é proporcionar uma aproximação acerca da produção audiovisual de curtíssima duração no cinema independente, sobretudo quanto aos aspectos que caracterizam o formato do micro-metragem. Trabalhar sua apropriação como expressão artística e sua aplicabilidade no contexto cinematográfico. E realizar ainda durante o curso, um filme com duração de três minutos, pondo em prática o conteúdo da oficina. Como encerramento vão realizar uma exibição pública do filme finalizado.
Há também o 2º Anima Jardim – Cinema de Animação Stop Motion. O oficina busca apresentar o cinema de animação através da técnica do stop motion para adolescentes, afim de produzir um clipe de curta-metragem promovendo a construção de um produto através de uma proposta lúdica. De olho na tecnologia, o professor Breno Carvalho vai ministrar a oficina Prototipagem: Criando seu App. Durante cinco dias, na Escola Municipal Antenor Vieira, ele vai capacitar jovens e adultos na criação e construção de um App para uso em celular. A programação ainda inclui a oficina Animando os Bonecos, com o professor Quiá Rodrigues.

*Por Redação – contato@cine61.com.br

O jornalista viajou a convite da organização do Cine Jardim

Cine61 é convidado para compor júri do Concurso Cleto Mergulhão

Cine61 – Cinema Fora do Comum teve a honra de ser convidado para compor júri do Concurso Cleto Mergulhão, que faz parte do 4º Cine Jardim – Festival Latino-Americano de Cinema de Belo Jardim, em Pernambuco. A convite do cineasta e organizador do festival, Leo Tabosa, o site, representado pelo jornalista Michel Toronaga (que aqui escreve) teve a missão, ao lado do diretor e produtor Andy Malafaia, de escolher os melhores filmes do Concurso Cleto Mergulhão.

Com o tema “Minha cidade dava um filme”, as produções foram avaliadas seguindo os seguintes critérios: adequação ao tema proposto, criatividade, qualidade artística, qualidade técnica e inovação. O resultado do concurso será anunciado no último dia do evento, no próximo sábado (26 de maio). A premiação para os melhores inclui o Troféu Cleto Mergulhão mais R$ 3.000,00 (três mil reais) e prêmio de pós-produção da MISTIKA POST; R$ 2.000,00 (dois mil reais) e R$ 1.000,00 (hum mil reais) para os primeiro, segundo e terceiro lugares, respectivamente.

Cleto Mergulhão foi o primeiro presidente da Associação de Cineastas de Pernambuco, em 1979. Ele realizou a primeira e segunda Mostra de Filmes Super 8 de Belo Jardim e teve um trabalho muito importante no universo do audiovisual. Entre seus filmes está O Último Cangaceiro, iniciado por seu irmão, Carlos, e finalizado por ele em 1971.

*Por Michel Toronaga – micheltoronaga@cine61.com.br

O jornalista viajou a convite da organização do Cine Jardim

Programação do CineCosplay – Dia do Orgulho Nerd

Programação
CINECOSPLAY // 25 DE MAIO // PROGRAMAÇÃO
14h às 22h – Feira Geek / Exposição Cosplay / Artist’s Alley

CINECOSPLAY // 26 DE MAIO // PROGRAMAÇÃO
10h às 22h – Feira Geek / Exposição Cosplay / Artist’s Alley
14h às 18h – Estúdio Transformação Cosplay

PALCO PRINCIPAL
15h às 16h – Cine61 apresenta: Quadrinhos e cinema, com Saulo Cruz
16h às 17h – Bate Papo: Um Reles Potter
17h às 18h – Concurso Entrevista Cosplay
18h às 19h – Concurso CineCosplay
19h às 20h – Apresentação Musical Jukebox Club

Serviço 
Cine Cosplay – Dia do Orgulho Nerd
Dias 25 e 26 de maio (sexta-feira e sábado)
Horário: Das 14h às 22h.
Local: Shopping Pier 21 (Setor de Clubes Esportivos Sul Trecho 2)
Entrada franca
Classificação livre
Informações: www.centralcosplay.com e www.cine61.com.br

Lembranças de décadas estão no documentário Victor Vai Ao Cinema

O documentário Victor Vai ao Cinema, de Albert Tenório faz parte da Mostra Voo Livre, que integra o 4º Cine Jardim – Festival Latino-Americano de Cinema de Belo Jardim, em Pernambuco. Hoje, 23 de maio de 2018, o público poderá acompanhar uma série de filmes infantis Cine Teatro Cultura, às 14h. O Cine61 – Cinema Fora do Comum entrevistou o diretor, que falou sobre seu filme. A obra fala sobre o figurinista e cenógrafo Victor Moreira:
O que te levou a fazer um filme sobre Victor Moreira?
A ideia surgiu durante um curso de pós-graduação em cinema quando a produtora, figurinista e arquiteta Marina Pacheco, neta de Plínio Pacheco, idealizador do Teatro de Nova Jerusalém localizado (Fazenda Nova – PE), apresentou-me Victor Moreira e este contou suas centenas de histórias. Primeiramente, escrevi juntamente com Prof. Almir Guilhermino o roteiro de Procissão, que trata também da história de Victor Moreira, porém com uma abordagem mais ampla e profunda. Por limites financeiros e de produção decidi buscar uma das histórias de Victor Moreira que se relacionavam com o cinema e seu trabalho. Sabendo que seu avô foi um dos proprietários do Cine-Olinda, cinema de rua que continua desativado, ultrapassando décadas sem qualquer atenção do poder público, aproveitei para levá-lo lá. Há mais de 60 anos Victor não ia naquele cinema. E isso só foi possível graças a ocupação do Cine-Olinda por pessoas defendiam e ainda defendem a recuperação daquele antigo cinema. O filme traça uma ligação entre a vida de Victor Moreira e seu trabalho artístico com o cinema. A ideia de resistência veio espontaneamente, primeiro os poucos recurso que tivemos para realizar o filme. Temos vários editais, passávamos em algumas fases, mas nunca fomos agraciados. Além disso Victor Moreira é um forte, com mais de oitenta anos de idade. Continua lúcido e ainda trabalhando muito. Sem perder o bom humor.

Como foi o trabalho de pesquisa e resgate? 
Quando fui apresentado a Victor, ou Tio Victor, como gosto de chamá-lo, apesar de não ter qualquer parentesco. Nesse primeiro momento ele já revelou dezenas de coisas interessantes na trajetória de vida dele. E convidou para visitá-lo em sua residência. Marina Pacheco, como produtora, organizou o encontro e pude estar em um verdadeiro templo de histórias documentadas com recortes de jornais, fotografias, áudios de entrevistas, uma infinidade de desenhos, estampas, pastas, livros, cartas, etc… Tudo sobre a histórias de sua vida sob a perspectiva dos seus trabalhos artísticos. Além do arquivo vivo que é o próprio Victor Moreira. Tudo isso facilitou muito nossa pesquisa e resgate dos fatos.

Você trabalha como ator também, certo? Fez O Som ao Redor, a série Justiça, na Globo. Pode contar um mais da sua carreira? 
Sim, também sou ator e me profissionalizei há sete anos, mas faço teatro amador desde os 12 anos de idade. Na escola eu nunca buscava falar sobre ciência na feira de ciências. Queria mais as coisas lúdicas como teatro e música. Protagonizei duas peças de teatro na fase colegial. Passei um tempo sem atuar só me dedicando as estudos formais.  Fui estudar Engenharia em SP, mas desisti. Vi que minha área era humanas ou saúde. Assim, fui estudar Direito em Recife, onde busquei minha profissionalização como ator. E foi onde surgiram trabalhos como O Som ao Redor, de Kleber Mendonça Filho; Prometo Deixar um Dia Essa Cidade, de Daniel Aragão,  Baunilha, de Leo Tabosa; Repulsa, de Eduardo Morotó, uma série chamada de Fantásticos, de André Pinto e Henrique Spencer, entre outros…

Este é o seu primeiro filme como diretor? Por que escolheu um documentário? 
Sim, meu primeiro filme. Escolhi o documentário pelo fato de poder contar uma história real com o próprio personagem e fazer surgir uma história a partir de um passeio ao cinema que ele não ia há muito tempo. Por outro lado, no roteiro original tem uma mistura de ficção com documentário. Partes dramatizadas e outras com entrevistas diretas e indiretas, situações de improviso. Porém, a produção limitou tudo por não ter orçamento suficiente. Não gosto de rotular gêneros, mas o filme é totalmente identificável com o gênero documentário.  
O diretor e ator Albert Tenório
O filme foi uma produção independente. O que você tem em mente para o futuro? 
Sim, a produção é totalmente independente. Victor Vai ao Cinema custou no máximo 1800 reais. É tanto que nossas limitações técnicas (falta de correção de cor, mixagem) possivelmente deixe o filme de fora de alguns festivais onde a curadoria queria mais estética do que conteúdo. Até entendo isso, faz parte das avaliações. A Alastrado, coletivo que sou co-fundador com Tulio Vasconcelos, vem buscando recursos para dar continuidade nas produções com mais qualidade técnica. Contudo, isso não nos deixa parados. Estamos constantemente buscando o cinema de uma forma universal. Seja fazendo filmes ou discutindo sobre eles. Temos no forno alguns curtas-metragens com roteiros meus em tratamento e pelo menos dois longas em vista com roteiro de Almir Guilhermino. Por fim, agradeço pelo espaço e interesse em  nosso trabalho. Muito obrigado!!! Viva ao cinema!!!

*Por Michel Toronaga – micheltoronaga@cine61.com.br



O jornalista viajou a convite da organização do Cine Jardim.

O mal de Alzheimer é tema do curta Minha Mãe, Minha Filha

O mal de Alzheimer é o tema do curta-metragem Minha Mãe, Minha Filha, dirigido por Alexandre Estevanato. O filme foi selecionado para o 4º Cine Jardim – Festival Latino-Americano de Cinema de Belo Jardim, em Pernambuco. O Cine61 – Cinema Fora do Comum conversou com o cineasta. Leia a seguir:

O que te levou a fazer um filme sobre o mal de Alzheimer?
Minha avó paterna desenvolveu a doença de Alzheimer há cerca de cinco anos. Vivemos o drama de ver um ente querido sofrer com essa doença de perto e, não apenas ela, mas todos nós sofremos. É muito complicado saber o que fazer, manter a calma. Chega a ser desesperador em muitos momentos. A roteirista da Estevacine Filmes, Cintia Sumitani, minha esposa, acompanhou minha avó durante os três últimos anos e isso a motivou a querer levantar o diálogo acerca do assunto. Depois de escrever o roteiro e me apresentar, senti uma necessidade urgente de produzir o filme. Foi aí que se deu o start para iniciarmos a produção de Minha Mãe, Minha Filha.


Como foi trabalhar com Eva Wilma, uma das grandes atrizes do nosso país?
Tanto Eva Wilma quanto Helena Ranaldi foram extremamente profissionais. Aprendi muito com elas, houve uma entrega total das duas atrizes para suas personagens, foi incrível.
Você está com dois filmes selecionados. Este e Luiz. O mesmo aconteceu no Festival de Cinema do Paranoá! Como você se sente estando duplamente representado?
Trabalhamos com muito afinco para que nossos filmes toquem as pessoas e causem as mais diversas sensações e reflexões. Ter os dois filmes selecionados em festivais de grande prestígio, como tem acontecido, nos faz acreditar que estamos no caminho certo, aprendendo a cada dia, aperfeiçoando nossos trabalhos, buscando sempre assuntos de relevância que dialoguem com o grande público.

O tema é delicado, mas pode ser abordado com realismo. O que as pessoas podem esperar de Minha Mãe, Minha Filha?
Um filme delicado, emocionante, que apresenta uma triste realidade vivida por milhões de famílias espalhadas pelo mundo e, sobretudo, reflexões a respeito da vida, da família, sobre a valorização a pessoas que amamos.

Como foi a recepção do filme em outras praças? Conta um pouco da ação com a Associação Paulista de Medicina.
As exibições têm sido excelentes, sempre lotadas. O público se emociona muito e o mais interessante vem depois das exibições. Temos promovido debates em torno do assunto, sempre com profissionais renomados da área da saúde intermediando o bate-papo após as sessões. Tem sido muito enriquecedor.

Minha Mãe, Minha Filha, contou com uma campanha de financiamento coletivo para sua produção. Na página da campanha, a produção afirma que filme pretende permear entre a ficção e a realidade de pessoas que sofrem com essa doença que mutila não apenas o doente, mas que também ataca e deixa à flor da pele a família de quem sofre desse terrível mal. Veja o trailer do curta:



*Por Michel Toronaga – micheltoronaga@cine61.com.br

O jornalista viajou a convite da organização do Cine Jardim

Como foi a sessão de abertura do 4º Cine Jardim

O Cine61 – Cinema Fora do Comum foi convidado para cobrir o Cine Jardim – Festival Latino-Americano de Cinema de Belo Jardim, em Pernambuco. Na última segunda-feira (21/05), a cerimônia da abertura exibiu quatro curtas e um longa-metragem, totalizando quase duas horas de projeção. Dentro curtas, destaque para Flecha Dourada, de Cíntia Domit Bittar. O documentário mostra o reencontro de veteranos do catch catarinense. Com uma trilha sonora divertida e uma fotografia bonita, o filme recria cenas dos combates – agora com os lutadores na terceira idade – e surpreende ao emocionar o público por mostrar como a modalidade – tão famosa há 50 anos – marcou a vida de muitos. Com um ar de nostalgia mas sem soar melancólico, o filme é positivo e muito interessante.


Flecha Dourada

Também foi exibido Fantasia de Índio, de Manuela Andrade; Valentina, de Estevão Meneguzzo e André Félix; e o argentino Los dos Cines de Yody Jarsún, de Alejandro Bermúdez. O primeiro é um sensível relato sobre a tentativa da cineasta pernambucana de se reencontrar com suas raízes indígenas. Muito atual, apresenta o descaso das autoridades brasileira quando o assunto é a preservação da cultura indígena e revela, de modo muito mágico, a espiritualidade dos xukurus.

Los Dos Cines de Yody Yarsún

Valentina se passa na cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Lá, a protagonista trabalha cuidando de importantes películas. No drama, ela também precisa também cuidar de algo delicado que envolve seu companheiro. O curta argentino de Alejandro Bermúdez é uma verdadeira infantil sobre um menino que corre entre duas cidades para entregar um filme exibido em dois cinemas. Por fim, Kinopoéticas InArmónicas, de Pedro Dantas, é uma verdadeira colagem de imagens e sons sobre momentos históricos de países sul-americanos. Extremamente musical e com cenas intrigantes, o longa pode ter um lado documental, mas o que prevalece é seu experimentalismo na sobreposição das imagens e suas ressignificações, quando apresenta uma visão quase que caleidoscópica do mundo.


*Por Michel Toronaga – micheltoronaga@cine61.com.br
O jornalista viajou a convite da organização do Cine Jardim

A velha infância e a nostalgia do curta Luiz

O curta-metragem Luiz, de Alexandre Estevanato, faz parte da Mostra Passarinho, que integra o 4º Cine Jardim – Festival Latino-Americano de Cinema de Belo Jardim, em Pernambuco. Hoje, 22 de maio de 2018, a criançada poderá acompanhar uma série de filmes infantis Cine Teatro Cultura, às 10h. O Cine61 – Cinema Fora do Comum conversou com o cineasta, que falou sobre Luiz.

Nicette Bruno tem a simpatia e graça das melhores vovós. Como foi escolher essa atriz?
Quando decidimos produzir o curta-metragem Luiz, queríamos que o filme emocionasse o público por meio da história, da narrativa e, sobretudo, por meio das personagens. Ao pensarmos na personagem da Vó Laura, imediatamente veio a imagem da atriz Nicette Bruno. Depois de entrarmos em contato com ela e enviarmos o roteiro, ela nos retornou prontamente aceitando o papel. Foi maravilhoso dirigi-la no set de gravações. Um amor de pessoa, humilde, de um profissionalismo inigualável, aprendi muito.

Seu filme fala de infância e lembranças. Como você define Luiz?
Luiz é um filme que resgata sentimentos cotidianos que costumeiramente deixamos de lado no dia a dia. Fala sobre família e as vicissitudes da vida. É um filme inocente, que busca aproximar pessoas, despertar aquela vontade de ligar pra alguém que você ama e não conversa há algum tempo. 
Hoje em dia muitas crianças amadurecem cedo. Você acredita que ainda há espaço para a infância como a de antigamente?
Acredito muito na “velha infância”, aquela que vivi na década de 80, quando podíamos ficar até mais tarde na rua jogando “Bets” ou apenas conversando com os amigos. Aquela época que não havia celulares com jogos ou redes sociais e ainda era possível estabelecer o olho no olho durante longas conversas. Acredito na infância onde nossas maiores preocupações eram as provas de matemática e história, e não na infância de hoje em que a criança é logo diagnosticada com distúrbio de aprendizagem, TDAH ou hiperatividade.

 

As filmagens foram em São José do Rio Preto, certo? Comenta um pouco sobre as bucólicas locações.
As locações de Luiz foram escolhidas a dedo. A casa da Vó Laura tinha que ter aquele gostinho, aquele cheirinho de casa de vó, sabe? Tinha que ter um aconchego que, ao terminar o filme, o telespectador ficasse com vontade de continuar na casa dela. Acho que conseguimos! (risos) Sempre ouvimos depoimentos de pessoas que dizem ter sentido uma nostalgia deliciosa com o ambiente do filme. Mérito de nossa direção de arte que conseguiu aquele lugar fantástico, o Café da Colônia, na cidade de Uchôa-SP, pertinho de São José do Rio Preto. Transformamos um café colonial na casa onde a personagem da Vó Laura passara sua vida, criando uma ambiência digna de “casa de vó” (risos). E aquele por do sol? Ahh o por do sol… Visitamos a locação até encontrarmos o momento ideal do dia para gravarmos aquela cena, além do talento dos atores Gabriel Freire (Luis), Rafael dos Santos (amigo imaginário – Luiz) e Marcelo Matos (Luis Alberto) ganhamos de presente aquele maravilhoso por do sol para agraciar a cena. 

A música de Ana Vilela (Trem Bala) emociona e faz pensar. Seu filme também busca emocionar o público? De que forma?
Sim, buscamos emocionar o público, ao passo que a condução da narrativa provoca reflexões acerca de nossos entes queridos, da vida corrida que levamos sem nos darmos conta das pequenas coisas, pequenos atos que podem ser vistos como piegas, ou desnecessários, como um abraço, um “eu te amo” ou mesmo um sorriso. Sem maiores pretensões, esperamos que o filme atinja as pessoas de uma maneira sublime e delicada.

*Por Michel Toronaga – micheltoronaga@cine61.com.br

O jornalista viajou a convite da organização do 3º Cine Jardim