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Conflitos adolescentes em Lady Bird – A Hora de Voar

Greta Gerwig se tornou a quinta mulher a ser indicada pelo Oscar de melhor diretora com o filme Lady Bird – A Hora de Voar. O filme conta a história de Christine, interpretada por Saoirse Ronan, que também conseguiu a indicação como melhor atriz em 2018. Christine é uma adolescente que tenta se encontrar no mundo adulto. A personagem, assim como o longa, tem todo o estilo do filme independente do festival de Sundance. Ela é forte, teimosa, engraçada e excêntrica. Suas ações são repentinas e difíceis de prever. Por exemplo, ela quer que todos se refiram a ela pelo nome de Lady Bird, nome que ela deu a si mesma, afim de se afirmar no mundo adulto com decisões próprias. Isto também a alegra, já que vai contra o que sua mãe deseja.

Christine, ou Lady Bird, faz de tudo para se afastar de Marion McPherson, sua mãe controladora e interpretada por Laurie Metcalfe, também indicada ao Oscar, na categoria de melhor atriz coadjuvante. Não é somente em suas palavras ou comportamento que a garota indiretamente protesta as ações de sua mãe. Ela até mesmo se joga de um carro em alta velocidade de repente, assustando a mãe que estava dirigindo e que, até então, não parava de falar. Se Lady Bird quer se ver livre das regras de uma família conservadora, colegas de escola poderiam ser a ferramenta para conseguir tal objetivo. Porém, até mesmo estes são rodeados por segredos e mistérios que não deixam a vida da garota fácil.

A escola que frequenta é uma escola católica e é esperado que estudantes se conformem a regras de conduta e também de vestimenta. Assim, alguns destes estudantes, que não necessariamente conseguem se adequar a escola, acabam fingindo ser algo que não são e, consequentemente, tornando a complexa vida de uma adolescente ainda mais complicada. Além de tudo isso, Lady Bird demonstra ter afeto por arte, mesmo quando não pareça ter talento. O gosto pela arte também se confunde pela busca de um amor. Assim, Lady Bird quer ganhar uma competição de canto para entrar em uma peça de teatro e ficar mais próxima de sua paixão, Danny O’Neill (Lucas Hedges). Porém, o garoto tenta corresponder os sentimentos de Lady Bird já que quer esconder o fato de ser homossexual.

Isto machuca a garota, que encontra em Kyle Scheible (Timothée Chalamet) o antídoto para suas dores. Porém, até mesmo este a magoa já que finge ser virgem para “perder a virgindade” com ela. E quem é a pessoa que a consola quando isto acontece? Sua mãe. É exatamente este conflito em relação a uma mãe controladora, mas que sempre oferece sua ajuda nos momentos tristes da protagonista, que o filme explora eficazmente. De modo a deixar as cenas se desdobarem por mais tempo do que produções tradicionais, Greta Gerwig consegue trazer um olhar contemplativo para as dores de sua protagonista (que, segundo a própria diretora, é inspirada na sua própria vida).

*Por Daniel Bydlowski – Especial para o Cine61

Veja aqui o trailer do filme Lady Bird – A Hora de Voar:



Lady Bird (EUA, 2017) Dirigido por Greta Gerwig. Com Saoirse Ronan, Laurie Metcalf, Tracy Letts, Lucas Hedges, Timothée Chalamet, Beanie Feldstein, Lois Smith, Stephen Henderson, Odeya Rush, Jordan Rodrigues…

Perfil: os trabalhos do cineasta Paulo Morelli

O cineasta paulista Paulo Morelli é um dos criadores da produtora Olhar Eletrônico, referência na produção independente no anos 90 e um dos fundadores da O2 Filmes, junto com Fernando Meirelles e Andrea Barata Ribeiro.

No cinema, dirigiu cinco longas: Malasartes e o Duelo com a Morte; Entre Nós, escrito por ele e codirigido por seu filho Pedro Morelli (Melhor Roteiro no Festival do Rio de 2013); Cidade dos Homens (Exibido no London Film Festival e no Festival de Berlim); O Preço da Paz (Melhor Filme, Júri Popular do Festival de Gramado em 2003); e Viva Voz (Melhor Filme Internacional no New York Independent Film Festival). Seu primeiro curta foi Lápide, vencedor do prêmio de melhor filme nos festivais de Havana, Los Angeles, Rio de Janeiro e São Paulo.

Na TV, foi diretor geral da série Cidade dos Homens, da Globo, além de dirigir e escrever quatro episódios. Em 2015, dirigiu capítulos da série Felizes para Sempre, também exibida na Globo. Criou um software para escritores e roteiristas, o StoryTouch. Em 2017 lançou seu novo longa-metragem, Malasartes e o Duelo com a Morte, que conta com Jesuíta Barbosa, Isis Valverde, Leandro Hassum e Vera Holtz no elenco.

Dicas do que fazer na cidade de Belo Jardim (PE)

O Cine61 – Cinema Fora do Comum foi convidado para cobrir o 4º Cine Jardim – Festival Latino-Americano de Cinema de Belo Jardim, em Pernambuco. Além de assistir aos filmes, foi possível também conhecer um pouco a agradável cidadezinha. Com um temperatura amena no final da maio, o turista pode desfrutar de uma noite refrescante por causa do vento do agreste, que chega até a 20º. Menos calor que Recife, por exemplo. Confira agora as dicas:

Restaurante

Fotos: Michel Toronaga

Para comer, a dica é o Panela de Barro. Além de ter muitas opções gostosas, o restaurante fica localizado dentro de um verdadeiro paraíso natural que combina muito com o nome Belo Jardim. Em todo lado é fácil encontrar borboletas no jardim. Quem não come frutos do mar pode degustar também carnes vermelhas e uma ampla variedade de saladas. Fica na Estrada da Barragem, 885 Telefone: (81) 99943-9351.

Artesanato


O Centro de Artesanato Tareco e Mariola é o lugar ideal para comprar muitas coisas de decoração para casa sem gastar muito. Lá é possível ter acesso a uma infinidade de objetos feitos com argila, madeira, bordados e até a maravilhosa renda renascença com preços ótimos. Fica na BR-232, 785 – km 180 – KM 180, Belo Jardim. Telefone: (81) 3726-1419

Moda

A Nativa é uma confecção de Belo Jardim comandada por Verônica Ramos. Ela sempre está com novos tecidos e cria roupa íntima e moda praia para os clientes. Além de poder comprar o que já está pronto, é possível encomendar algo de acordo com a demanda. Os preços são justos, ainda mais quando estamos falando de algo exclusivo e com um bom acabamento. A gatinha Nina Simone, que vive entrando e saindo da loja, é uma atração a parte! A Nativa fica na Rua Marechal Deodoro, 45 Telefone: (81) 99656-9876.

Arte local

O Lissandro é uma artista de rua que faz colares, pulseiras, esculturas e uma série de coisas manuais. Ele fica próximo da praça principal da cidade. Entre os materiais usados estão pedras de verdade e conchas. Além de ser uma simpatia de ser humano, ele foi tema do documentário Pelo Amor à Arte, do jovem cineasta Heleno Florentino.

Geek

Quem disse que em Belo Jardim não tem espaço para o público geek? É possível achar action figures, mangás, pelúcias e várias outras coisas que deixarão os nerds, otakus e afins loucos para gastar e colecionar todos os itens. A loja Espaço Anima fica na Rua Eurico Napoleão, 85, no Centro. Telefone: (81) 99375-4877. Tem site também.

Centro cultural


A antiga fábrica de mariola (doce típico feito com goiaba) da cidade de Belo Jardim fechou, mas o espaço agora é utilizado como um centro cultural. Quem cuida é Instituto Conceição Moura. Preservando as antigas máquinas, é um lugar muito bonito e tomado pelo verde. Ótimo para tirar fotos e para apreciar as intervenções e instalações artísticas que acontecem no lugar! Fica ao lado Cine Teatro Cultura, no Centro.

*Por Michel Toronaga – micheltoronaga@cine61.com.br

O jornalista viajou a convite da organização do Cine Jardim

Mostra competitiva vai do sonho ao pesadelo

A última noite da mostra competitiva do  4º Cine Jardim – Festival Latino-Americano de Cinema de Belo Jardim, em Pernambuco, foi do céu ao inferno, com filmes extremos que provocaram de risos a sensações de choque e espanto. De Tanto Olhar o Céu Gastei Meus Olhos, de Nathália Tereza, fala sobre dois irmãos que recebem uma carta do pai ausente. Aparentemente arrependido, ele busca um reencontro, que não é aprovado pela irmã. Farol Invisível, de Bruna Callegari, é um documentário que mostra um farol misterioso que foi construído no meio de uma cidade de São Paulo.
El Niño y La Noche

Mariana Luiza trouxe a leveza com Casca de Baobá. O filme é uma troca de cartas entre mãe e filha. A mais nova está no Rio estudando, enquanto a mãe permanece no quilombo onde a família toda cresceu. O curta fala de saudade, a importância das raízes e como as nossas origens não podem ser esquecidas. Ainda mais em um país que não sabe valorizar boa parte dessa cultura. Já El Niño y La Noche, da argentina Claudia Ruiz, fez o público sorrir com a tenra história de um menino que visita a avó. Feito com a técnica stop motion, a animação relembra a infância com uma aventura muito criativa e emocionante. Um lindo trabalho capaz de encantar pessoas de todas as idades.

Casca de Baobá

A última produção exibida na sexta-feira foi o documentário A Noite Escura da Alma, de Henrique Dantas. O longa-metragem de 93 minutos é focado em depoimentos de sobreviventes da ditadura. Ainda que o tema tenha sido amplamente retratado na telona, pouco se sabe do que aconteceu na Bahia. E é sobre o período no estado que o filme foca. Intercalando performances e diálogos, o filme choca por revelar a série de barbáries que o país passou e como esses dramas ainda estão presentes. Um personagem diz que a ditadura acabou, mas a tortura não. Impactante, incômodo e necessário. Leia a crítica completa deste filme em breve no Cine61.

*Por Michel Toronaga – micheltoronaga@cine61.com.br

O jornalista viajou a convite da organização do Cine Jardim

Diversidade sexual nos curtas do 4º Cine Jardim

A noite da última quinta-feira do  4º Cine Jardim – Festival Latino-Americano de Cinema de Belo Jardim, em Pernambuco, trouxe como foco a diversidade sexual em seus quatro curtas-metragens. A começar por O Quebra-cabeça de Sara, de Allan Ribeiro. O diretor carioca fez um documentário sobre uma mãe que descobriu que a filha era lésbica. Filmado em preto e branco com uma fotografia intimista e repleta de detalhes, o filme é humano e verdadeiro.

Vaca Profana

Vaca Profana, de René Guerra, arrebatou o público ao contar a história de uma travesti que sonha em ser mãe. As atrizes Maeve Jinkings e Roberta Gretchen Coppola extrapolam talento neste sensível drama. Edney, de João Roberto Cintra, trouxe a delicadeza de um homem gay que concilia o trabalho num restaurante e outro na noite, quando canta músicas num clube noturno. Delicado, o curta mostra a contraditória situação do protagonista interpretado por Heraldo Carvalho – que voz!. Um artista nato que usa uma máscara no cotidiano.

Edney
Por fim, o último curta da noite foi Ainda Não, de Julia Leite. Na trama, Marina recebe a visita da mãe (Gilda Nomacce), que não sabe a verdadeira orientação sexual da filha. Após o curta, a noite foi fechada com Açúcar, de Renata Belo Pinheiro e Sérgio Oliveira. A produção pernambucana é um complexo retrato de como as raízes escravocratas permanecem na sociedade brasileira. No elenco, novamente Maeve Jinkings e Magali Biff. Aguarde uma crítica completa sobre este longa aqui no Cine61!

*Por Michel Toronaga – micheltoronaga@cine61.com.br

O jornalista viajou a convite da organização do Cine Jardim

Premiação para os vencedores do 4º CineCosplay

Os três melhores cosplayers do 4º CineCosplay receberão os seguintes brindes:

1º lugar – Troféu exclusivo Treco + R$ 150 em compras na loja colaborativa Espaço Haru + R$ 150 em consumação no Donburi Cozinha Nikkei + 2 sobremesas na Chocolateria Brasileira (Sudoeste) + 1 taça (a escolha) + Gelato na pedra grande no Stonia Ice Creamland + Kit Cine61 – Cinema Fora do Comum (ingressos e brindes de cinema)

Donburi – Cozinha Nikkei

2º lugar – R$ 100 em compras na loja colaborativa Espaço Haru + R$ 100 em consumação no Donburi Cozinha Nikkei  + 1 sobremesa na Chocolateria Brasileira (Sudoeste) + 1 Gateau (a escolha) no Stonia Ice Creamland + Kit Cine61 – Cinema Fora do Comum (ingressos e brindes de cinema)

3º lugar – R$ 50 em compras na loja colaborativa Espaço Haru + R$ 50 em consumação no Donburi Cozinha Nikkei  + 1 barra recheada na Chocolateria Brasileira (Sudoeste) + 1 gelato grande na pedra no Stonia Ice Creamland  + Kit Cine61 – Cinema Fora do Comum (ingressos e brindes de cinema)

Stonia Ice Creamland

O público no geral também poderá ganhar brindes durante todo o evento! No sábado, o Cine61 também distribuirá brindes e cortesias de cinema durante todo o evento em brincadeiras e desafios comandados por Miron de Lelis, mestre de cerimônias do site.

Espaço Haru

Cine61 Parceiros

O 4º concurso CineCosplay – Dia do Orgulho Nerd é uma realização do Cine61 – Cinema Fora do Comum e Central Cosplay. O evento tem o apoio do shopping Pier 21, Espaço Z, Stonia Ice Creamland, Donburi Cozinha Nikkei, Espaço Haru, Chocolateria Brasileira do Sudoeste, Treco e Baú Comunicação Integrada.

Serviço 
Cine Cosplay – Dia do Orgulho Nerd
Dias 25 e 26 de maio (sexta-feira e sábado)
Horário: Das 14h às 22h.
Local: Shopping Pier 21 (Setor de Clubes Esportivos Sul Trecho 2)
Entrada franca
Classificação livre

Entrevista: A Fabriqueta De Sonhos de Tiago Ribeiro

Dentro da programação do  4º Cine Jardim – Festival Latino-Americano de Cinema de Belo Jardim, em Pernambuco, está a Mostra Passarinho, voltada para o público infanto-juvenil. Um dos destaques exibidos foi o curta-metragem A Formidável Fabriqueta De Sonhos Menina Betina, de Tiago Ribeiro. O Cine61 – Cinema Fora do Comum conversou com o diretor para falar sobre sua obra. Sinopse: Quando nasce uma criança, inaugura-se uma fábrica de sonhos que tende a fracassar com o tempo. Betina está disposta a sempre buscar novos combustíveis para manter seu alto nível de produção.
De onde veio a inspiração para o roteiro de A Formidável Fabriqueta…?
Curiosamente veio do nome, do conceito. Eu estava falando com alguém pela internet e disse algo sobre uma “fábrica de sonhos”. Tinha algum significado naquele contexto mas que não me recordo. Estava de saída para a faculdade e, no caminho, comecei a matutar sobre isso: afinal o que seria uma fábrica de sonhos? E a resposta veio quase que instantaneamente na minha cabeça: “crianças!”. Todos nós fomos Fábricas de Sonhos. Os melhores de nós ainda são. Nos 20 minutos de caminhada a ideia se formou na minha cabeça. Eu tinha o trabalho final de Roteiro II pra entregar dali dois dias. Escrevi naquela mesma noite e enviei. Recebi o retorno da Cíntia Langie, uma das professoras que mais admiro dizendo que era “uma história emocionante e muito bem contada”. Mostrei pra outros dois colegas e eles amaram. Foi aí que eu vi que ali tinha algo que podia dar certo.

O Brasil recentemente tem se destacado com suas animações. Como você vê o mercado das animações por aqui?
Pois é, muito se fala do “fermento da animação brasileira” e não se chega a conclusão nenhuma. De fato a gente é um povo criativo, é só ver os memes. Aí junta a lei da TV paga, bons editais e profissionais com muita vontade de fazer coisa com a nossa cara e dá nisso. Nossas culturas são muitas e é legal ver isso aparecendo na TV, um caso interessante é o Irmão do Jorel, que é um grande sucesso aqui e nos vizinhos latinos. Atualmente, por exemplo, estou trabalhando em Belém do Pará em duas séries diferentes: uma com índias guerreiras estagiárias dos deuses como protagonistas e outra sobre crianças que viajam em busca de brincadeiras no interior do país, sendo essa primeira temporada a Expedição Amazônia. Estou aqui aprendendo que sei muito pouco sobre o meu Brasil e que talvez muito disso seja por ele não ter sido apresentado a mim pela mídia convencional, afinal, há 20 anos atrás a gente só via desenho americano na TV. Por outro lado, a gente empaca quando o assunto é animação brasileira no cinema. Tem se produzido uma quantidade razoável de longas-metragens mas que não fazem grande número de bilheteria. O Menino e o Mundo por exemplo, aquela obra-prima do Alê Abreu só chegou ao conhecimento de grande parte do público na época do Oscar, dois anos depois de ter sido lançado nos cinemas brasileiros. Nessa primeira estreia, quando fui assistir, o atendente da bilheteria chegou a me dizer “você sabe que esse filme é uma animação brasileira né!?” e não foi no bom sentido. Acho que o mais importante a essa altura do campeonato é formação de público e de profissionais. De um lado vejo muitos colegas que almejam a oportunidade de ir trabalhar fora do país porque aqui não tem tanto mercado e um público que ainda tem preconceito com o que é feito aqui. Essa equação não fecha. O que eu sempre falo pra essas pessoas é “aqui não tem mercado? Vamos criar. Mas é preciso saber que essas coisas não acontecem de um dia para o outro e não é indo para outro país que vamos conseguir fazer isso”.

Seu curta é o trabalho de conclusão do curso de Cinema de Animação da Universidade Federal de Pelotas, não é? Como está sendo ser selecionado por vários festivais de cinema?
É meio assustador na verdade. Eu sofro da famosa síndrome do impostor. Muitos professores na época do desenvolvimento do curta já apostavam muitas cartas nele, mas para mim era meio fora de cogitação. Eu queria fazer um bom trabalho porque realmente não me interessa fazer coisas que eu não me orgulhe, entretanto não imaginava que seria assim. Meus colegas de trabalho acreditavam mais. Todos ficamos muito felizes quando fomos selecionados para o primeiro festival, mas para eles não foi muita surpresa. Eu fiquei incrédulo. Enfim, grandes expectativas, maior ainda o medo e toda vez que eu vejo o filme junto com plateia é como se fosse a primeira vez. É surreal nosso filminho de TCC já ter entrado em 15 festivais e ganhado 7 prêmios. Toda vez que eu falo isso eu fico meio chocado real. O que eu posso concluir é que valeram a pena os quase 3 anos dedicados à Menina Betina.

Com o avanço da tecnologia, as animações 3D ganharam muito espaço. Para você, como é trabalhar com a animação 2D ?
Olha, eu era bem mais temeroso a isso antes. Eu achava que a animação 2D estava perdendo espaço para o 3D, mas não está não. O cinema de animação blockbuster é na sua maioria 3D, não dá para negar, mas a esmagadora maioria das séries e grandes filmes de arte são 2D, econômica ou não. Na época da Betina mesmo, a gente resolveu cometer a insanidade de fazer de uma forma bem tradicional, no papel, grafite e mesa de luz  porque essa poderia ser nossa única oportunidade de trabalhar desse jeito, mas vi ontem mesmo que o Marcelo Marão, grande nome da animação brasileira está fazendo um longa metragem no papel. A Rosana Urbes, uma gênia, faz seus filmes de uma forma quase artesanal também. Trabalhar com 2D para mim é muito mais divertido e stopmotion tbm. É tangível, sabe? Pegar os cenários do filme pintados a mão, os quase 4 mil desenhos em papel A4, fora que me parece muito mais próximo do espectador. Uma criança que vê O Menino e o Mundo reconhece ali o desenho, a técnica que ela faz em casa; quando ela vê Frozen isso não acontece, é distante dela. Pra mim, o 2D inspira mais e  inclusive é mais bonito. Quer dizer, animação é uma área grande demais e com possibilidades praticamente infinitas. Achar que uma técnica pode escantear a outra é um pensamento atrasado (como o meu há 5 anos atrás). E no mais tudo é cíclico né? As pessoas hoje em dia ouvem vinil, tiram fotos analógicas e usam pochete…



Quais são suas inspirações quando o assunto é animação?
Ah, eu sou Disneymaníaco e não dá pra negar. Branca de Neve e os Sete Anões é um filme de 1937 e é uma das coisas mais lindas que já foram feitas até hoje! Acho que eles têm isso de inspirar as pessoas e isso para mim é o que define algo que é genial. Aqui no Brasil eu sou louco pelo Alê Abreu, pela Rosana Urbes, pela Rosária e pelo Wesley Rodrigues. Fazem trabalho de autor de uma forma sublime. Quero ser que nem eles quando eu crescer. Assisto a muitas séries também, Irmão do Jorel, Incrível Mundo de Gumball e As Meninas Superpoderosas são minhas preferidas, mas vira e mexe eu tô assistindo séries dos anos 90 no YouTube, tipo Doug, As Trigêmeas, O Fantástico Mundo de Bobby, Cãezinhos do Canil etc, porque essas eu consigo desligar o olho de animador que fica procurando falhas de rigg, reparando enquadramentos, referências, poses, expressões, etc, etc, etc e apenas contemplar…

*Por Michel Toronaga – micheltoronaga@cine61.com.br

O jornalista viajou a convite da organização do Cine Jardim

Crianças aprovam sessões infantis da Mostra Passarinho

Dedicada aos pequenos, a Mostra Passarinho do 4º Cine Jardim – Festival Latino-Americano de Cinema de Belo Jardim, em Pernambuco, trouxe a sétima arte para inúmeras crianças de escolas do agreste nordestino. Para muitas delas, foi a primeira experiência de ver algo na telona. Elas puderam ver inúmeros curtas infantis no Cine Teatro Cultura, num importantíssimo trabalho de formação cultural. Nas fotos e no vídeo a seguir, de Juarez Ventura e Tiago Calazans, é possível ver o encantamento da criançada. A edição ficou por conta de Alexandre Mapa. 






Fotos:  Juarez Ventura
Vale a pena lembrar que a empresa Moura, a mesma que faz as conhecidas baterias para carros, patrocinou o Cine Jardim na cidade onde começou suas atividades em 1957: Belo Jardim, em Pernambuco. A realização do Cine Jardim é da Pontilhado Cinematográfico e Instituto Conceição Moura, que desenvolve um bonito trabalho com o objetivo de promover uma transformação social.

*Por Michel Toronaga – micheltoronaga@cine61.com.br

O jornalista viajou a convite da organização do Cine Jardim

Desapropriação é tema de filmes na mostra competitiva

A dramática questão das pessoas que perdem suas casas por causa da desapropriação e demais situações pautou o segundo dia do Cine Jardim – Festival Latino-Americano de Cinema de Belo Jardim. A mostra competitiva exibiu curtas e longas que, no geral, falavam sobre a temática. A começar pela produção pernambucana Nanã, dirigida por Rafael Amorim. A ficção é baseada na história real do complexo portuário de Suape, uma construção que expulsou inúmeras famílias.


Nanã
O documentário Real Conquista, de Fabiana Assis, mostra, do ponto de vista de uma sobrevivente, como foram as violentas ações da polícia goiana ao destruir uma comunidade já então consolidada. Com depoimentos emocionantes de Eronilde da Silva Nascimento, o curta apresenta uma visão muito mais realista e humana da tragédia que apareceu de forma até mesmo discreta na mídia. Um crime que até hoje está impune.
Real Conquista
Um Corpo Feminino, de Thaís Fernandes, é uma coletânea de entrevistas com mulheres de várias idades. As perguntas versam sobre o ser mulher e sua posição na sociedade. Com inúmeros personagens interessantes, o curta traz uma série de visões sobre o gênero. Antes da apresentação, a cineasta comentou que o projeto não acabou no filme e continuará na internet. A sessão terminou com Bandeira de Retalhos, de Sérgio Ricardo. Inspirado num caso real, o filme é sobre a mobilização de moradores do morro do Vidigal (RJ), que impediram a derrubada de suas casas. Repleto de músicas, o longa derrapa pela forma que foi realizado, claramente com baixo orçamento e um roteiro que poderia ser melhor aproveitado.

*Por Michel Toronaga – micheltoronaga@cine61.com.br

O jornalista viajou a convite da organização do Cine Jardim

Cine Jardim revela a força o cinema das mulheres

O trabalho feito por mulheres ganhou destaque no 4º Cine Jardim – Festival Latino-Americano de Cinema de Belo Jardim, em Pernambuco. E a prova disso foi a quantidade elevada de filmes dirigidos pelas cineastas. Em uma sessão com temática tensa, a mostra competitiva da quarta-feira trouxe produções que falavam sobre assuntos atuais e preocupantes.
Maria Adelaide
Maria Adelaide, de Catarina Almeida, é sobre uma nordestina que se muda para o Rio de Janeiro. Ela trabalha em um bar da família e, na cidade grande, acaba se redescobrindo. Com uma ótima atuação de Kika Farias, o filme é um projeto de conclusão do Curso de Cinema da Universidade Estácio de Sá e consegue uma façanha que apenas os melhores curtas conseguem: deixar o público querendo ver mais.

Tentei

Produção totalmente encabeçada por mulheres, a ficção Tentei, de Laís Melo, traz a crueza e a dor de um tema atual e que merece ser discutido: a violência contra a mulher. Leia mais sobre o curta. Em seguida, Mañana, drama colombiano dirigido por Camilo Obregón, abordou também o assunto. O curta fala de uma grávida que sofre abusos físicos e emocionais do companheiro e, numa consulta médica, é surpreendida com a oportunidade de mudar de vida.

Filme-catástrofe
Filme-catástrofe, de Gustavo Vinagre, trata também de questões femininas. Estrelado pela Gilda Nomacce e Julia Katharine, que tem uma forte presença, o curta transforma uma situação cotidiana (a troca de uma fechadura) em um drama que versa sobre relacionamentos e como é importante a empatia na superação de problemas sentimentais. O filme é poderosíssimo. Por fim, Modo de Produção, de Déa Ferraz, é um soco no estômago de 75 minutos. O documentário expõe as injustiças e dificuldades financeiras que trabalhadores rurais passam no Brasil. Gente que trabalha desde os 13 anos cortando cana e vive uma vida de necessidades, sem nem compreender seus direitos trabalhistas. Uma triste realidade vivida por muitos no país.

*Por Michel Toronaga – micheltoronaga@cine61.com.br

O jornalista viajou a convite da produção do Cine Jardim