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Exposições resgatam os 20 anos do Fica

O Cine61 – Cinema Fora do Comum está presente na 20° edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica 2018). A Cidade de Goiás vai receber por seis dias, de terça (5) a domingo (10), uma intensa programação cultural, com cinema, shows, oficinas e exposição. Na tarde desta terça, o artista plástico Marcelo Solá, responsável pela tela 1999, um trabalho feito para homenagear a duas décadas de festival, esteve presente no Palácio Conde dos Anjos para abrir a exposição Artista Homenageado Marcelo Solá.
1999, de Marcelo Solá
Com o tema A Força de um Legado, o Fica 2018 convidou o artista goiano Marcelo Solá para desenvolver o trabalho e, a partir dele, foi criada toda a identidade da comunicação visual do evento. Na tarde desta terça, Marcelo, que participou de exposições coletivas em Madri (Espanha) e Estados Unidos, ressaltou que a tela 1999 faz referência “total” aos traços da cidade. “É um desenho de memória e não um desenho fotográfico. Esse trabalho trata da construção da cidade, da minha memória afetiva. É um registro arquitetônico da cidade”, pontuou.
Fotos: Sérgio Almeida
Além dos trabalhos de Marcelo Solá, está em cartaz no Cine Teatro Jardim, a exposição Fica 20 Anos A Força de um Legado, com os cartazes de todas as edições feitos por todos os artistas homenageados. Para Marcelo, o Fica é o momento que a Cidade de Goiás entra em “ebulição”. “Participei mais da primeiras edições do festival. (O Fica) é um momento de encontro entre artistas, turistas e moradores. É uma vivência”, afirma o artista plástico.
*Por Vinícius Remer da Silva – Especial para o Cine61 – contato@cine61.com.br

O jornalista viajou a convite da produção do FICA

Documentário Aracati mostra o vento como cultura de uma região

O documentário Aracati, das diretoras Aline Portugal e Julia De Simone, integra a Mostra Competitiva da 20ª edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (FICA), na Cidade de Goiás, em Goiás. O Cine61 – Cinema Fora do Comum conversou com a cineasta Aline, que falou sobre seu mais recente trabalho. O filme, produzido por seis anos, segue a rota do vento Aracati e aborda sua relação simbólica e invisível com os moradores da região do Vale do Jaguaribe, no Ceará.
O FICA é um festival voltado para questões ambientais. No filme Aracati existe algum tipo de reflexão sobre o meio ambiente? Como a importância do vento para gerar uma energia limpa, por exemplo.
Através da trajetória do vento Aracati, o filme pensa as transformações da região do Vale do Jaguaribe, no interior do Ceará. Foi uma região que nas últimas décadas passou por muitas modificações com a instalação de parques eólicos e também com a construção do açude do Castanhão, que removeu uma cidade inteira para a construção da represa. O documentário reflete sobre o meio ambiente a partir do impacto que as tecnologias, como aquelas de produção de energia e uso da água, têm sobre a paisagem e sobre os modos de vida locais.
Além da relação do vento e meio ambiente, como as diretoras conseguiram mostrar em cena a relação do vento com o ser humano? E todo o imaginário que o Aracati tem na vida das pessoas?
Esse vento é totalmente parte da cultura da região. Yodo mundo que encontramos pelo caminho sabe o que é o vento Aracati e muitas são as histórias relacionadas a ele. No filme, temos três personagens que possuem uma relação direta com ele. Um deles é profeta da chuva, que faz suas previsões meteorológicas através da observação da natureza, e um dos elementos que utiliza é o vento: a depender da época do ano em que ele começa, é sinal de chuva ou seca no próximo inverno. Outro personagem explica como o vento se forma, qual é o seu percurso, e comenta que ele varre as tristezas dos cearenses. Um terceiro personagem, que tem uma aparição mais performática, assobia para chamar o vento, como na música de Dorival Caymmi: “Vamos chamar o vento…”

Como algo invisível como o vento pode estar presente de uma forma tão forte na vida das pessoas? Que inclusive esperam a passada do vento Aracati todos os dias? 
O que nos interessa no invisível do vento é que para que seja possível vê-lo ou ouvi-lo é preciso que ele esteja sempre em relação. Seja a relação que estabelece com as massas de ar, ou com alguma superfície, esvoaçando cabelos, balançando as folhas das árvores, batendo portas e janelas. Para algumas pessoas da região essa relação é tão forte que elas costumam dizer que o vento tem personalidade, cada dia chega de um jeito: um dia está bravo, outro chega de mansinho, ou pode vir de forma travessa, levantando as telhas, por exemplo. Por ser um vento que adentra mais de 400 km pelo interior do estado, ele chega a lugares muito áridos e quentes, então a passagem do Aracati refresca, ameniza o clima. Esperar pelo vento com as cadeiras nas calçadas é também uma forma de estar junto, de conversar com os vizinhos enquanto se refresca ao final de um dia quente.

O filme foi produzido durante seis anos. Quais foram os desafios?
Os desafios foram muitos, tanto para a conceber o filme como para viabilizar a sua produção. Nesse período fomos até a região fazer pesquisa e lá rodamos um curta que lançamos em 2011 chamado Estudo Para o Vento, que foi uma primeira investida para entender de que maneira poderíamos filmar esse vento. A partir daí a nossa relação com o Ceará só se estreitou em diversos níveis, tanto que o filme é uma coprodução com a produtora cearense Alumbramento. Enquanto buscávamos financiamento, fomos mergulhando mais e mais nesse universo, e entendendo que ele estava passando por muitas transformações em diversos níveis, e que o filme precisava incorporá-las. E assim foi mudando também o nosso olhar para a região e redefinindo o recorte do filme.
E quais são os próximos desafios das diretoras?
Temos vários projetos em diferentes estágios, na Mirada e em parceria com outras produtoras. Nesse momento estamos escrevendo juntas o roteiro do filme Corte Real, um longa-metragem de ficção em coprodução com a Anavilhana, que vai ser dirigido pela Julia e filmado em meados do próximo ano. 



*Por Vinícius Remer da Silva – Especial para o Cine61 – contato@cine61.com.br


O jornalista viajou a convite da produção do FICA

Tem cinema de graça no festival Transepoéticas!

O 1º Festival de Brasília da Poesia Brasileira – Transepoéticas é um evento que reúne literatura, cinema e música em três dias de programação gratuita no Museu Nacional da República. Vai ter shows de Arnaldo Antunes, Rubi, Eduardo Rangel, performances, cinema, concursos, oficinas, debates, recitais, lançamentos de livros e muitos versos. E é claro que a sétima arte está envolvida, caso contrário não estaria aqui no Cine61 – Cinema Fora do Comum. Todos os dias, às 18h, serão exibidos filmes seguidos de debates.
Braxília
Na sexta-feira (8 de junho), a sessão Cinema e Literatura em Debate exibe Augusto dos Anjos – Eu, Estranho Personagem, dirigido por Deraldo Goulart. O debatedor será Maurício Melo Jr. No sábado, segundo dia, serão exibidos Wenceslau e a Árvore do Gramofone, de Adalberto Müller; e Viva Cassiano!, de Bernardo Bernardes. Adeilton Lima e Bernardo Bernardes comandam os debates. Já no domingo, também às 18h, será a vez do documentário Braxília, de Daniella Proença. E ninguém melhor para debater o filme que o próprio personagem: o poeta Nicolas Behr.
Viva Cassiano!
O 1º Festival de Brasília da Poesia Brasileira – Transepoéticas, idealizado por Adeilton Lima, tem o patrocínio do FAC – Fundo de Apoio à Cultura, da Secretaria de Cultura do Distrito Federal. A produção executiva é de Jorge Luiz, da Giral Projetos. Realização IPCB – Instituto de Produção Socioeducativo e Cultural Brasileiro.
1º Festival de Brasília da Poesia Brasileira – Transepoéticas, com Nicolas Behr, Arnaldo Antunes, Eduardo Rangel
De 8 a 10 de junho (sexta a domingo)
Local: Museu Nacional da República (Esplanada dos Ministérios)
Horário: A partir das 14h
Entrada franca
Classificação livre
Informações pelo site: www.transepoeticas.com.br

Bate-papo com Heloisa Passos, de Construindo Pontes

O documentário Construindo Pontes, de Heloisa Passos, integra a Mostra Competitiva da 20ª edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (FICA), na Cidade de Goiás, em Goiás. O Cine61 – Cinema Fora do Comum conversou com a cineasta, que falou sobre o mais recente trabalho. O longa aborda a relação da diretora com o pai, engenheiro que trabalhou construindo pontes na ditadura militar, além de retratar o embate político, familiar e a relação afetiva entre os dois. 
No FICA, um festival voltado para questões ambientais, Construindo Pontes foi selecionado para a mostra competitiva. O filme recorda como um paraíso artificial foi destruído para a construção de uma usina elétrica, em plena ditadura militar. Qual reflexão o longa levanta sobre o meio ambiente? 
O disparador do filme foram as Sete Quedas, a submersão de um patrimônio da natureza para construir a maior usina hidrelétrica do mundo em geração de energia. Destruir o antigo para construir algo novo é a força inicial do filme. As águas do Rio Paraná  percorrem o filme provocando uma reflexão do homem versus a  natureza e vice versa. Não vivemos mais num regime autoritário e dos anos 80 para os dias atuais, os biomas brasileiros continuam sofrendo ameaças. Depois de 30 anos desde o fim da ditadura, o processo democrático brasileiro ainda vive sob ameaça. São questões desanimadoras… Estou respondendo suas perguntas no oitavo dia de greve dos caminhoneiros. O que isso tem haver com a sua pergunta? Tudo! Estamos vivendo um momento tenebroso, um verdadeiro desmonte da frágil democracia que conquistamos nos últimos anos. O processo democrático brasileiro vive sob ameaça, não temos um projeto de governo que pense no brasileiro de forma social, cultural e ambiental. O projeto é político, os donos do poder administram o país com um único interesse, se manter no poder.

… Mas nesta “viagem” que você faz com seu pai em Construindo Pontes, a chegada é animadora?
A narrativa de duas pessoas que pensam diferente, se aceitarem e realizarem um filme juntos é uma viagem difícil, mas acima de tudo é um processo amoroso.
No mundo de hoje está mais fácil construir muros do que pontes. Na sua visão de diretora, por que é mais fácil isolar pessoas do que conectá-las?
Como cineasta, quero quebrar muros, construir pontes, fazer conexões. Quando decidi fazer Construindo Pontes, o meu  maior desafio era fazer com que um filme pessoal se convertesse em uma experiência coletiva. Estamos vivendo, no Brasil de hoje, um momento extremamente turbulento politicamente e a polarização tomou conta do nosso país, inclusive nas relações familiares. Ao me  debruçar na relação que tenho com meu pai, entendo que, através dos afetos, podemos compartilhar o aprendizado do diálogo e exercitar cotidianamente a prática da democracia.

Como foi a recepção de Construindo Pontes em outros festivais? E como você acha que o público do Fica vai receber seu longa?
O filme passou por Amsterdam (IDFA), Montevideo, Festival de Brasília, Mostra de São Paulo e acabei de chegar do Equador, do XVII Edición del Festival Internacional de Cine Documental – Encuentros del Otro Cine. A minha experiência presencial nesses festivais está sendo de troca. São vários os eixos temáticos do filme: relação pai e filha, memória afetiva, memória histórica, a nossa frágil democracia, destruir para construir, Brasil e Paraguai, usina hidrelétrica. Espero que o público do FICA entre no filme.
Quais são seus projetos futuros? Mais documentários? Mais política? Mais meio ambiente?
Mais documentário, mais política, mais meio ambiente, mais família, mais sociedade brasileira. Meu próximo filme chama: Somos o que Perdemos.
*Por Vinícius Remer da Silva – Especial para o Cine61 – contato@cine61.com.br

O jornalista viajou a convite da produção do FICA

Não perca a nossa cobertura especial do 20º Fica

O Cine61 – Cinema Fora do Comum prepara as malas para cobrir mais um festival de cinema. Isso porque a Cidade de Goiás recebe de 5 a 10 de junho a 20ª edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica 2018). Nos próximos dias, você poderá acompanhar a cobertura do evento. Após duas décadas de realização ininterrupta, o festival está consolidado como um dos mais importantes do mundo focado nas questões ambientais. Ao todo, serão oferecidos R$ 280 mil em prêmios. 
Fotos: Bruno Peres/Photo Agencia
Para a Mostra Competitiva, foram selecionadas as 22 melhores produções (sete longas-metragens, um média-metragem e 14 curtas-metragens), provenientes de nove países: Brasil (10 filmes), Portugal (3 filmes), Espanha e Itália (2 filmes, cada), Argentina, Irã, México, França/Suíça e Uruguai (1 filme, cada). Da seleção brasileira de filmes ambientais, cinco estados estão representados: Goiás (4 filmes), Rio de Janeiro e Pernambuco (2 filmes, cada) Paraná e Ceará/Rio de Janeiro (1 filme, cada). Este ano, a Mostra Competitiva recebeu a inscrição de 355 filmes, sendo 199 filmes estrangeiros e 156 filmes brasileiros.
Presidente do júri de seleção, Rodrigo Cássio explicou que as obras que concorrerão ao prêmio principal são marcadas pela diversidade de temas e gêneros. Rodrigo comenta que, como o conceito de filme ambiental é abrangente, integram a seleção desde obras que tratam de problemas ambientais até reflexões sobre questões políticas. Segundo o presidente do júri, o foco das escolhas foi na relevância cinematográfica e não em peças para outros meios, como a televisão. Em 2018, o festival traz o tema Fica 20 anos – a Força de um Legado, que simbolicamente trata da memória e celebra a trajetória do festival. A tela de Marcelo Solá, “1999”, foi feita especialmente para ilustrar as duas décadas do evento.

*Da Redação – contato@cine61.com.br

Quem brilha é o vilão em Os Vingadores: Guerra Infinita

Dirigido por Anthony Russo e Joe Russo, Os Vingadores: Guerra Infinita traz tudo o que o trailer promete: uma coleção enorme de personagens populares e ação que deixa qualquer um sem fôlego. Além disso, as cenas têm bastante humor, o que dá um divertido contraponto a momentos tristes e sem esperança. Isto não é novo no universo da Marvel – O primeiro filme dos Vingadores, em 2012, trazia muitas das características deste terceiro longa da franquia da Marvel (fora, claro, esta destruição generalizada). Porém, o que é bastante diferente é que a presença excessiva de personagens não permite o público focar em nenhum herói.
Há apenas um personagem que é central na narrativa: Thanos, o vilão. Claro, com tantos heróis e poucos vilões, isto naturalmente aconteceria. Porém, isto também traz problemas na narrativa. Não é que os diretores Russo falharam na sua tentativa de criar um universo bastante divertido e excitante. Ao contrário, é um grande feito que conseguiram dar unidade a uma obra que poderia ir a tantos lugares diferentes. Mas mesmo assim, fica claro que muitas das características que dão sucesso a uma obra artística, desde a literatura até o cinema, parecem estar diluídas no filme. Para começar, cada produção do universo Marvel até agora tem uma coleção de heróis com personalidades bastante diferentes. Uns são mais egoístas enquanto outros são mais nobres, uns querem salvar o planeta imediatamente enquanto outros tentam manter o status quo por mais tempo. Personagens diferenciados dão a dinâmica que uma obra precisa ter para que seja interessante.
Porém, a incrível quantidade de heróis em Os Vingadores: Guerra Infinita faz com que personalidades repetidas interajam em certos momentos, criando uma dinâmica menos interessante. Além disso, não há tempo para desenvolver nenhum destes relacionamentos de maneira completa. O resultado é que o longa usa o conhecimento que temos dos personagens em filmes passados para impulsionar a história. Às vezes isso se torna bastante repetitivo, como quando Tony Stark (O Homem de Ferro) acredita que Peter Parker (Homem-Aranha) não esteja pronto para lutar junto aos heróis adultos.
Além disso, Os Vingadores: Guerra Infinita parece sofrer por tentar agradar os fãs dos diversos heróis igualmente. Cada um recebe diálogos curtos e rápidos, o que ajuda nas cenas engraçadas, mas não no desenvolvimento de suas histórias individuais, que permanecem iguais aos títulos anteriores do universo da Marvel. O que importa é a atração principal, o vilão e a destruição que este traz. Vemos lugares e heróis serem destruídos pelo superpoderoso Thanos, que quer destruir metade do universo para trazer harmonia a este, num objetivo perverso. Porém, ele acredita estar fazendo algo nobre, o que o torna certamente cativante.
O foco no inimigo em histórias de super-heróis não é novidade nos quadrinhos, mas certamente é no cinema, especialmente quando a empresa por trás do filme é a Disney. Isso assume que o público quer ver os heróis queridos em situações desesperadoras. O fraco desenvolvimento de heróis, juntamente com cenas altamente trágicas, faz com que o longa pareça com uma série de televisão, como Game of Thrones, que foi reduzida a menos de três horas de duração. Mesmo assim, Os Vingadores diverte e termina com o seu intuito inicial, que é o de criar um clima desesperador que irá se resolver em produções seguintes (onde provavelmente tudo voltará ao normal). Afinal de contas, mesmo com todas estas diferenças, Os Vingadores: Guerra Infinita ainda é um filme de super-heróis.

*Por Daniel Bydlowski – Especial para o Cine61 – contato@cine61.com.br

Veja aqui o trailer do filme Os Vingadores: Guerra Infinita:
 

Avengers: Infinity War (EUA, 2018) Dirigido por Anthony Russo, Joe Russo. Com Robert Downey Jr., Chris Hemsworth, Mark Ruffalo, Chris Evans, Scarlett Johansson, Don Cheadle, Benedict Cumberbatch, Tom Holland, Chadwick Boseman, Zoe Saldana, Paul Bettany, Elizabeth Olsen…


Vingadores: Guerra Infinita
Título original: Avengers: Infinity War
Diretores: Anthony Russo e Joe Russo
Ano de lançamente: 2018
Duração: 2h 29min
Gênero: Ação, Aventura, Fantasia
Onde adquirir: Saraiva

Confira os vencedores do 4º Cine Jardim

Confira a seguir a relação dos vencedores do 4º Cine Jardim – Festival Latino-Americano de Cinema de Belo Jardim, em Pernambuco.
PREMIAÇÃO CURTA-METRAGEM

MELHOR CONCEPÇÃO DE SOM
Filme-Catástrofe, de Gustavo Vinagre

Flecha Dourada
MELHOR MONTAGEM
Flecha Dourada, de Cintia Bittar

MELHOR IMAGEM
El niño y la noche, de Claudia Ruiz

MELHOR ATUAÇÃO
Roberta Coppola, pela atuação no filme Vaca Profana

MELHOR DIREÇÃO
Nathália Tereza pela direção do filme De tanto olhar o céu gastei meus olhos.

PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI
Por revelar um país periférico e de resistência, por meio de uma mulher forte e inspiradora, em um retrato esperançoso e síntese da linha curatorial que pretendeu abrir as veias da América Latina, o prêmio vai para Real Conquista, de Fabiana Assis.

MELHOR CURTA-METRAGEM
Tentei, de Lais Melo
PREMIAÇÃO LONGA-METRAGEM

MELHOR TRILHA SONORA
Para Chico Pedro, Grupo La Revuelta, Martín Mirol e Orquestra Típica de Guapos, e Atahualpa Yupanqui, autores da trilha sonora do filme KINOPOÉTICAS INARMÔNICAS.

MELHOR CONCEPÇÃO DE SOM
Para Marcos Salazar e Marcelo Tupo, editores do som do filme KINOPOÉTICAS INARMÔNICAS.
Tentei
MELHOR MONTAGEM
Para Pedro Dantas, montador do filme KINOPOÉTICAS INARMÔNICAS.

MELHOR IMAGEM
Para FERNANDO LOCKETT, fotógrafo, e RENATA PINHEIRO, diretora de arte, pelo filme AÇÚCAR, de Renata Pinheiro.

MELHOR ATUAÇÃO
Pela força inimaginável, pela lealdade e amor ao outro e ao lugar onde se vive, o prêmio de melhor atuação vai para os militantes presos e torturados políticos da Ditadura Militar no Brasil, personagens do filme A NOITE ESCURA DA ALMA, que entregaram suas mentes e corpos na luta engajada pela liberdade.

MELHOR DIREÇÃO
Pela coragem da pesquisa e do confronto direto com temas extremamente cruéis e relevantes enraizados na história do nosso país – a tortura e a ditadura militar -, permitindo que estes se mantenham vivos, por meio do cinema, a ensinar às novas gerações que não devem jamais repeti-los, o prêmio de melhor direção vai para HENRIQUE DANTAS, de A NOITE ESCURA DA ALMA.
A Noite Escura da Alma
PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI
Pelo olhar poético lançado aos povos e ao território da América Latina, assim como à sua integração, por meio de uma narrativa experimental conduzida por sonoridades ameríndias, o Prêmio Especial do Júri vai para o filme KINOPOÉTICAS INARMÔNICAS, de Pedro Dantas.

MELHOR LONGA METRAGEM
Por conseguir fazer cinema com tão pouco, por escutar e dar a ver vidas e situações precárias e reveladoras de um cotidiano de semi-escravidão de trabalhadores que ainda perdura em pleno século 21 no Brasil, o prêmio de melhor longa-metragem vai para o filme MODO DE PRODUÇÃO, de Dea Ferraz.

PRÊMIO CLETO MERGULHÃO
O PRIMEIRO LUGAR RECEBERÁ TRÊS MIL REAIS, MAIS TROFÉU CINE JARDIM E, AINDA, O PRÊMIO MISTIKA POST, NO VALOR DE QUATRO MIL REAIS, EM SERVIÇOS DE PÓS-PRODUÇÃO. O FILME VENCEDOR É POR AMOR A ARTE, DE HELENO FLORENTINO.
O SEGUNDO LUGAR RECEBERÁ DOIS MIL REAIS, MAIS TROFÉU CINE JARDIM. O FILME VENCEDOR É VENTRE MORTO, DE DAVID HENRIQUE.
O TERCEIRO LUGAR RECEBERÁ HUM MIL REAIS, MAIS TROFÉU CINE JARDIM. O FILME VENCEDOR É JESUS TAMBÉM FOI MENINO, DE EDVALDO SANTOS E JÔ ALBUQUERQUE.
Edney
OUTROS PRÊMIOS
MELHOR CURTA-METRAGEM PELO VOTO POPULAR EDNEY, DE JOÃO CINTRA
MELHOR LONGA-METRAGEM PELO VOTO POPULAR A NOITE ESCURA DA ALMA, DE HENRIQUE DANTAS

O MELHOR CURTA-METRAGEM ESCOLHIDO PELO JÚRI JOVEM VACA PROFANA, DE RENÉ GUERRA.

PRÊMIO ELO COMPANY Tentei, de Lais Melo

Conheça os trabalhos do diretor Rafael Primot

Cineasta, roteirista, dramaturgo e ator. Formou‐se em Cinema na FAAP (SP) e pós-graduação em Psicologia aplicada a escrita na PUC. Estudou dramaturgia com Antunes Filho na primeira turma de Novos Dramaturgos do CPT (Centro de Pesquisa Teatral), atuando, dirigindo e escrevendo cenas da Jornada Pret‐a‐Porter, no Sesc Consolação. Participou também do processo de encenação do livro Os Sertões, de Euclides da Cunha, direção de Zé Celso Martinez Correa (A Terra e O Homem).

 

Dirigiu e roteirizou diversas obras audiovisuais dos mais variados gêneros e formatos. Entre elas, destacam-se: Todo Clichê de Amor (longa-metragem), com Maria Luisa Mendonça, Débora Falabella, Marjorie Estiano, entre outros – inédito, Gata Velha Ainda Mia (longa-metragem), com Regina Duarte, Bárbara Paz e Gilda Nomacce. O filme foi exibido em Londres, Nova York, Montevidéu, Buenos Aires e Miami, além de ter permanecido cinco semanas em cartaz na cidade de São Paulo; Doce Amargo, com Débora Falabella, foi exibido no Festival de Paulínia (prêmio melhor atriz) e do Rio, no Canal Brasil e no Sesc TV; Manual Para Atropelar Cachorro, curta-metragem vencedor de mais de 35 prêmios nacionais e internacionais, incluindo o de Melhor Curta de Ficção do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro. 

O filme também foi exibido no Canal Brasil e Universal; Produto Descartável, curta-metragem vencedor de 03 Kikitos – melhor roteiro, direção e atriz; Artifícios, curta-metragem exibido na abertura oficial do Festival de Cinema de Brasília e eleito um dos 10 melhores filmes do Festival de Curta-Metragens de São Paulo. Para o Canal Brasil, roteirizou e dirigiu o programas CURTA SP e Curta na Estrada. No teatro, é autor de 08 espetáculos teatrais e vencedor do Prêmio Shell de Teatro (melhor autor).

Mulheres cineastas buscam ampliar espaço no DF

Mulheres cineastas, embora tenham destaque na realização das produções locais, têm chamado a atenção para o espaço reduzido na cena cultural. Segundo a diretora de arte e pesquisadora de cinema Maíra Carvalho, que tem entre os trabalhos o premiado O Último Cine Drive-in,  afirma que a minoria dos filmes é dirigido por mulheres. “76% dos filmes são feitos por homens brancos. Não temos mulheres negras dirigindo filmes… zero. Homens negros também. Se produzirmos uma média de 150 de filmes por ano, temos 2% por homens negros, por mulheres 20%, e o resto por homens brancos. Então não há dúvidas de que a maioria é composta por homens”, afirma.


Foto: Bruno Rafael Silva
A diretora destaca que homens exercem um papel maior e mais alto quando o assunto é produção cinematográfica, o que acaba colocando em evidência a minoria feminina presente nessa área. Mesmo que homens e mulheres tenham as mesmas oportunidades, a voz masculina ainda fala mais alto. “Tenho que levantar a voz para ser escutada. Percebo que ainda temos que dar mais trabalho, talento e esforço para conseguir o mesmo que um diretor homem.”, disse Maíra. Dessa forma, ela defende que a mulher precisa se impor cada vez mais para ser aceita e respeitada nesse meio.
Segundo a cineasta Dácia Ibiapina, o campo de trabalho é amplo e tem espaço para ambos os gêneros, mas o homem ainda preenche a maioria das estatísticas quando o assunto é direção e produção de cinema. “Nós temos uma tradição patriarcal muito machista, mas estamos em uma luta intensa aqui no Distrito Federal e as mulheres continuam avançando na luta contra a desigualdade.”
Diretora Dácia Ibiapina
Ela considera que festivais que exaltam e premiam a mulher são janelas importantes e fundamentais, mas preocupantes por ficarem presos apenas em nichos de mulheres, pois são mulheres falando para mulheres. O fundamental seria a inclusão de mulheres em festivais no geral, não apenas os femininos, como acontece no Femina. Mesmo que pareça um futuro distante, a representatividade da mulher pode aumentar em festivais universitários e eventos nacionais. Dácia Ibiapina acabou levando dois prêmios para casa, sendo um de melhor diretora e outro pelo curta Carneiro de Ouro. “Como muitos filmes são feitos por homens, as histórias são contadas pelo olhar deles. Será que se esse filme fosse dirigido por uma mulher ele teria a mesma visão? O imaginário feminino que está sendo criado pelo cinema. Então, isso para mim é muito grave.”

*Por Maria Eduarda Nóbrega e Thalita Dias – da Agência de Notícias UniCEUB