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Cineasta fala sobre o documentário O Diriti de Bdé Burê

O documentário O Diriti de Bdé Burê, de Silvana Belini, integra a Mostra Competitiva da 20ª edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica), na Cidade de Goiás, em Goiás. O Cine61 – Cinema Fora do Comum conversou com a cineasta sobre o filme, que retrata a vida de uma indígena mestre ceramista que trabalha fazendo a famosa boneca Karajá, ofício que é um patrimônio cultural brasileiro.
Você é doutora em Sociologia e seus estudos são referentes às questões sociais, como as relações de gênero. O Diriti de Bdé Burê traz como protagonista uma indígena mestra ceramista. Qual a importância dessa mulher para seus estudos e como isso se estabelece no curta?
Ao colocar em discussão questões como relações de gênero, cidadania, direitos humanos das mulheres e ecofeminismo, por refletirem sempre a dinâmica das relações sociais e estruturas do poder vigente, sempre discussões acaloradas são suscitadas. A questão se torna ainda mais problemática quando se coloca junto a estas, a questão indígena e o meio ambiente. Na realidade, Diriti de Bdé Buré é reflexo de um longo processo de maturação e pesquisas no campo de gênero, mas, sobretudo, de preocupações com a temática dialogal entre gênero e etnia. Não se trata apenas de uma mulher, indígena, ceramista, mas da própria forma de protesto contra a violação dos direitos destas categorias e da necessidade de formas de resistência nas suas mais variadas formas.
O Fica é um festival voltado para questões ambientais. Os indígenas sofrem com o avanço de ruralistas, desmatamentos e a não-demarcação dos seus territórios. Qual a reflexão o curta traz sobre esse grupo?
Diriti vive em Bdè Burè, uma aldeia urbana às margens do rio Araguaia e que sofre os impactos da influência da cidade onde há um turismo gerador de incidência excessiva de barcos e destruição ambiental. Cabe lembrar que a apreensão com os problemas ecológicos e ambientais aumenta consideravelmente com o passar do tempo e, desde a década de 1970, a destruição do meio ambiente tem sido discutida por feministas que a associam à formas de dominação e opressão às mulheres no panorama de ampliação da política capitalista. A relação entre gênero e desenvolvimento sustentável na questão das mulheres indígenas na qual Diriti está inserida busca levantar aspectos inerentes à situação que se estabelece entre a necessidade de subsistência e os atributos culturais e ecológicos da sustentabilidade. Traz a urgência de políticas públicas de estado que preservem a cultura de um povo que está sofrendo os efeitos devastadores da exploração da natureza e, claro, a compreensão que isso não ocorrerá se não houver uma inserção da sociedade nesse processo.
Ao abordar a vida dessa protagonista ceramista, como foi a recepção dela ao filme e quais as características mais interessantes você absorveu da cultura dela?
O filme tinha por objetivo mostrar como a feitura da Ritxoko pela indígena Diriti e pode ser identificada como possibilidade de manutenção da cultura de um povo juntamente com a subsistência das mulheres, e a proposta foi aceita com bastante tranquilidade por ela. Ficando bastante claro como esta indígena a partir do ato de fazer a boneca mantém sua cultura numa lógica do reconhecimento ao mesmo tempo em que prescinde da redistribuição.

Como foi a recepção do curta em outros festivais e qual a sua expectativa para o Fica?
Tivemos a grata satisfação de ser aceito e apresentado no Fronteira Festival no qual teve uma excelente recepção, e agora selecionado na Mostra Abd e também no Fica. Nossa expectativa é que pela grandeza e respeitabilidade que o Fica adquiriu nacional e internacionalmente,o filme tenha a possibilidade de mostrar sua principal proposta que é a de dar visibilidade a questão de como uma mulher indígena idosa moradora de uma aldeia urbana continua com a feitura da boneca Karajá sua trajetória de luta por sua própria subsistência na medida em que busca manter viva a cultura Karajá.
Quais os desafios na produção do curta? A língua falada pela indígena, como foi a comunicação entre vocês?
Nosso maior desafio foi realmente o fato de Diriti não ter um total domínio da língua portuguesa. Questão que foi minimizada pela tradução do Karajá por seu filho Cacique Tohobari.
*Por Víncius Remer Silva – Especial para o Cine61 – contato@cine61.com.br


O jornalista viajou à convite da organização do festival

Luiz Bolognesi: plataformas digitais e o olhar antropológico

O diretor Luiz Bolognesi esteve presente na Mostra de Abertura do Fica 2018 com seu mais recente trabalho, o documentário Ex-Pajé. O Cine61 – Cinema Fora do Comum acompanhou o minicurso “Roteiros Para Novas Plataformas Digitais” ministrado pelo cineasta na manhã da última quarta-feira (6), na UEG – Unidade Universitária Cora Coralina, e aproveitou a oportunidade para fazer perguntas para o roteirista de Bingo – O Rei das Manhãs, Como Nossos Pais, Elis, As Melhores Coisas do Mundo, Bicho de Sete Cabeças, entre outros trabalhos.
Fotos: Sérgio Almeida
Luiz revelou durante o minicurso que trabalha muito como roteirista para outros diretores e atualmente está escrevendo um filme sobre o Ayrton Senna. O diretor afirmou que as novas plataformas digitais estão colocando o Brasil num novo patamar. “A gente está vivendo no audiovisual o oposto do que o Brasil está vivendo com a crise. (O país) se tornou bom e barato, por isso os executivos estão no Brasil querendo fazer série”. Mesmo com o investimento e o interesse estrangeiro, para o cineasta, “falta formação de profissionais do setor”.
O roteirista também afirmou que as plataformas digitais estão colocando a audiência em contato com uma qualidade bem superior aos formatos da novela, por exemplo. O Brasil é hoje o segundo maior assinante da Netflix no mundo. “As novas plataformas tiveram que ganhar a audiência americana – saturada com os formatos – e investir na qualidade. A característica não é repetir clichês e sim criar novas formas narrativas, (a série) Game of Thrones é de uma originalidade absurda. O mercado está interessado na ruptura (dos formatos).
Ao final do minicurso, Luiz Bolognesi abriu para as perguntas e o Cine61 – Cinema Fora do Comum não perdeu a oportunidade.
Ex-Pajé
Você é antropólogo e no filme Ex-Pajé tem muito do seu olhar enquanto antropólogo, esse olhar de observação. O que esse olhar reflete na construção dos seus roteiros? E uma curiosidade sobre o filme: dentro da igreja que o índio frequentava tinha esse homem branco, que quando a câmera está nele, ele parece muito bravo, com muita raiva. Não sei se ele estava assim realmente. Isso aconteceu mesmo de ele estar com raiva por ser filmado?
Vou responder de trás para frente. Ele é o pastor daquela igreja. Ele não é ator. As cenas da igreja são filmadas como um documentário. Pedi para filmar o culto dele e ele perguntou o porquê de filmar o culto. Falei que os índios dizem que é importante e eu estou filmando a vida dos índios. Filmamos o culto dele tentando com a câmera entender o que é importante. O que mais me chamou atenção é que o Perpera (o pajé) se tornou o zelador da igreja evangélica e estava super humilhado naquela situação. Ele abre a igreja, varre a igreja, fecha a igreja. Aquilo tudo massacra. Eu notei que ele ficava na porta como zelador, mas de costas para o pastor, conectado com a mata, isso é o centro do filme. Tanto que essa cena vem várias vezes. Quando vi isso acontecendo pensei “a gente tem que filmar essa atitude do cara”. Ele não ouve o pastor, ele fica viajando nos insetos, nos mosquitos, na formiga, pelo som ele liga narrativas. Filmamos os atos mais impressionantes do pastor, ele era um homem velho. Ele é um cara europeu. Não o vejo como bravo, mas tem uma certa arrogância. Uma certa coisa de “eu sei que vocês índios têm que aprender”. Isso incomoda a gente, essa atitude dele meio arrogante. A antropologia é uma ferramenta muito importante para mim dentro da dramaturgia. A ferramenta da antropologia é que quando você vai estudar uma cultura, você não pode apresentar os seus valores naquela sociedade. Esquece os teus valores e vai entender que sentido isso faz na cultura deles. Qual a lógica de pensamento que faz com que eles sejam assim. Estudar o outro tentando entender a mecânica e a lógica do outro, não impondo a sua lógica para o outro. É isso que eu faço nos meus roteiros. Quando faço um filme sobre bailes da terceira idade, não chego lá projetando o que eu acho, procuro fazer uma pesquisa antropológica do que eles acham, do que significa namorar para eles, o que é dançar para eles, disso eu faço a minha matéria-prima.



*Por Vinícius Remer Silva – Especial para o Cine61 – contato@cine61.com.br


O jornalista viajou a convite da produção do festival

A Câmera de João e a fotografia como resgate do passado

O curta-metragem A Câmera de João, de Tothi Cardoso, integra a Mostra Competitiva da 20ª edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (FICA), na Cidade de Goiás, em Goiás. O Cine61 – Cinema Fora do Comum conversou com o cineasta, que falou sobre o mais recente trabalho. O filme retrata o Bairro de Campinas, em Goiânia, a partir do olhar do garoto João, que descobre a fotografia pelo avô, um fotógrafo saudosista que coleciona registros da cidade. 

No curta, João descobre a fotografia a partir da figura do avô. Qual o impacto da fotografia nesses personagens e qual relação se estabelece entre neto, avô e fotografia?
Tenho que o filme, antes de tudo, pretende servir as relações familiares, memórias e compartilhamento de sensações. Ele se desloca e descobre. Revela lugares, coisas, lembranças e pessoas através da fotografia, desejo comum entre os personagens. A figura do avô como mentor e incentivador permite que o neto absorva um conhecimento que atribuo como sabedoria ancestral dentro do contexto da narrativa. O velho, ao ser colocado naquela posição de usar da oralidade instrutiva para passar conhecimento, usando como fonte do desejo, uma caixa de memórias e sentimentos íntimos, desperta a sensibilidade, já presente  nos olhos naquela criança. E ao perceber o universo contido ali, e conseguir decodificar o valor da fotografia como herança, ao ser recebida,  reafirma o elo entre  avô e neto, e seus respectivos tempos. Isso num contexto de cidade, especificamente, o Bairro de Campinas, em Goiânia,  alcançar referências do passado e interpretar  o presente, como faz João, através da sensibilidade ao ouvir e ver fragmentos sobre as memória do avô e suas experiências, e a partir dali buscar suas próprias vivências.

O curta foi selecionado para o FICA, um festival voltado para questões ambientais. A Câmera de João busca alguma reflexão nesse sentido?
Antes é importante que tenhamos claro que a perspectiva de cinema ambiental se constitui de diversas outras possibilidades, inclusive na subjetividade das propostas, assim destoando da associação mais direta que pode nos remeter apenas ao meio ambiente constituído de natureza (fauna e flora). O filme se passa em meio urbano e acompanha as ações e efeitos das intervenções humanas ao longo do tempo naquele fragmento de cidade, o que é comum em capitais em função da demanda de otimização dos espaços motivados pelo progresso, sobretudo pelo regime econômico ao qual estamos inseridos. A princípio, a história não foi desenvolvida por este viés ambiental, a medida que o roteiro foi sendo trabalhado, as questões sobre a transformação do espaço urbano foram ficando  mais evidentes. Ao evoluirmos na pesquisa sobre o antigo bairro de Campinas, principalmente por acessar fotografias das décadas de 40 a 70 do fotógrafo Hélio de Oliveira, que apontavam para um bairro com clima mais amistoso e harmônico entre moradores, espaços de convivência e lazer, onde muitos já não existem mais, ou foram derrubados, transformados ou adaptados para outras funcionalidades. Estas ações, praticamente relegou ao bairro apenas a função comercial de sua avenida principal e entorno aproximado, mas que ainda preserva um certo contraste por existir construções particulares e marcos arquitetônicos que resistem e preservam o tempo antigo nas ruas.
Para o filme, se tornou importante trazer essa reflexão sob a perspectiva de mudança do espaço através dos registros antigos, reproduzindo-os sob o olhar de uma criança em tempo presente, gerando um novo documento atualizado do bairro, bem como seus símbolos arquitetônicos. A fotografia, tem na essência a capacidade primitiva do registro, e essa função social de demarcação de tempo e espaço.

A representatividade está em alta nos “blockbusters”, como Pantera Negra. Você integra o selo “Filmes de Preto” e A Câmera de João é seu primeiro curta na direção e traz o negro como protagonista. Qual tipo de discussão seu curta levanta sobre essa temática?
Acredito que muito antes de Pantera Negra, várias outras ações afirmativas e discussões sobre representatividade da mulher e do homem negro(a) no cinema, tanto nas produções nacionais independentes, quanto as de fora. As figuras do realizador/autor  e atores protagonistas em tela já foram propostas em tantas  outras produções tão significativas, ou mais que Pantera Negra (que se tornou um marco recente, dada a sua estratégia global de distribuição e divulgação massiva). Estas questões efetivas que demarcam o momento atual estão relacionadas também a outros elementos que se encontram e desdobram, como a essa nova dinâmica de difusão e acesso as informações e conteúdos, via internet. Que é essencial fazer uso desses suportes. Importante citar as recentes estratégias nacionais de investimento público a grupos específicos – mulheres, negros e indígenas –  que possibilitam aumento da produção e divulgação destes novos produtos audiovisuais que reivindicam este espaço se apropriando do direito de propor histórias que reflitam as perspectivas de vida do nosso povo. Aqui no Brasil, temos Adélia Sampaio e Zózimo Bulbul como referências de uma vanguarda representativa, e da nova geração, Yasmin Thayná, André Novais, Gabriel Martins e uma galera que vem chegando pesado para fortalecer este momento que é de se firmar e consolidar a visão. A Câmera de João é mais uma produção que se posta significativa por se inspirar nesse movimento anterior e evolutivo de como me representar e representar meu povo numa condição natural de vida. Com direito a tudo. Isso fez com que me apontasse para a importância de criar um universo onde uma criança preta e sua família seja recebida pelo espectador de maneira integral, dotada de todas as capacidades sociais e criativas.

A Câmera de João também apresenta a sua relação afetiva de fazer cinema. Como isso está representado no curta?
A Câmera de João foi meu primeiro projeto como autor, assumindo roteiro e direção. Desde a faculdade fui iniciado em arranjos de produção menos complexos, vaidosos e estratificados entre funções, as decisões eram mais inclusivas entre a equipe, mesmo  havendo a estrutura padrão de formação de funções. Devo minha capacitação também ao coletivo audiovisual universitário Dafuq Filmes que passou a existir nesse movimento, e hoje é uma produtora com organização simplificada.  De certa maneira isso me proporcionava mais intimidade em fazer cinema. Isso foi se transformando um pouco a medida que fui caindo pro mercado e suas necessidades formatadas, imprimindo outro ritmo, mais rígido, inclusive, no que diz respeito a hierarquia  e disposição de recursos para produzir. O João, por exemplo é reflexo dessas minhas passagens todas até aqui. Ele foi produzido com recurso e grande estrutura, porém, pude contar com vários colegas da minha formação universitária na equipe, isso proporcionava um ambiente de trabalho de certa forma mais afetuoso. De maneira mais direta e determinante, aposto nas ações intuitivas  que despertam e refletem em decisões a longo prazo, que me permito influenciar. Ser autor é diferente de ser realizador, quando se permite libertar das convenções impostas sob demanda para produzir arte, ali no trato fino da obra. As questões afetivas  que podem ser percebidas no filme, desde o roteiro, a psicologia dos personagens, o espaço da casa e a maneira que são filmados, podem ser atribuídas ao meu hábito de filmar minha família dentro de casa em suas ações cotidianas. Há mais de cinco anos registro meus avós, minha mãe, irmã e sobrinho, que inclusive é homônimo do protagonista e serviu como total inspiração para a traçar o perfil do garoto do filme.



Em 2017, o curta também participou do FICA pela Mostra Cine ABD Goiás  e levou o prêmio de melhor som. Agora, A Câmera de João integra a Mostra Competitiva. Qual a expectativa?
A mostra ABD Goiás,  pra mim, é a janela mais representativa  dentro do recorte de produções locais. É o panorama mais inclusivo do que se faz por aqui. Foi lá a primeira participação do João no circuito de festivais. Voltar com o filme este ano, dentro da mostra principal do FICA, só reforça que a narrativa se relaciona bem com suas potências e possibilidades ao trazer referências sobre os tempos, pessoas e espaço. A maior surpresa deste ano é que o filme terá sua primeira exibição com acessibilidade. Numa mostra paralela dentro da programação do festival, será exibido com audiodescrição  para pessoas portadoras de deficiência visual. A Câmera de João completa seu primeiro ano de exibições em festivais, justamente na mesma cidade que o projetou em primeiro. Isso é significativo para mim, pois até hoje foi a primeira e única vez que o vi naquelas dimensões de cinema, e agora verei novamente.

*Por Vinícius Remer da Silva – Especial para o Cine61 – contato@cine61.com.br


O jornalista viajou a convite da produção do FICA

Animação Plantae retrata em detalhes a Floresta Amazônica

A animação Plantae, de Guilherme Gehr, integra a Mostra Competitiva da 20ª edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (FICA), na Cidade de Goiás, em Goiás. O Cine61 – Cinema Fora do Comum conversou com o cineasta, que falou sobre seu mais recente trabalho. O curta animado demandou uma grande quantidade de processos e foi produzido em 14 meses.

Plantae toca em temas importantes, como o desmatamento da Floresta Amazônica, presente na figura do madeireiro. Existe algum tipo de “despertar” do madeireiro sobre o desmatamento? E como isso é abordado no curta?
Eu nasci em Joinville, Santa Catarina e, a partir dos quatro anos, fui criado no Paraná. E sempre tive apreço pela natureza da região. As montanhas, o mar, os rios. Mas em viagens, sempre notei que a maior parte dos trajetos, eu passava entre plantações, e não por florestas. Quando eu estava grande o bastante para compreender as coisas, sentia que não havia muita natureza remanescente por onde eu passava. Isso só se confirmou quando vi pela primeira vez uma fotografia de satélite do Sul do Brasil, onde era possível notar que o verde da região serrana era absolutamente mais intenso e escuro do que todas as demais áreas, e que o Parque das Aves, no Oeste do Paraná, única área “urbanizável” ainda preservada no Estado, é uma região minúscula diante da devastação que os humanos causaram com o seu progresso. O filme Plantae nasceu do sentimento de perda por esta região, mas se passa na emblemática região da Amazônia por uma questão prática. O madeireiro nesse caso, desperta como eu despertei, notando que a perda consequente é arrasadora. Para mim, ele passa por uma fugaz mas profunda experiência de compreensão que pode transformar sua vida. Assim, os fenômenos que se passam após o corte da árvore podem ser vistos como a marcha dessa compreensão.
O curta inicialmente ia trazer traços simples para animação, mas, posteriormente, surgiu a necessidade de representar a Floresta Amazônica com mais detalhes. Qual foi o motivo dessa mudança?
Quando escrevi as primeiras ideias que acabaram culminando em Plantae, eu pensava em um filme maior, com uma compilação de situações fantásticas onde a natureza revida de forma  surpreendente aos abusos que cometemos. Assim, pela dimensão que eu previa para o projeto, sendo um filme independente, eu só poderia fazer uso de uma técnica bem simples. O que eu imaginava nesse momento, era que o filme não teria cores, a imagem não teria qualquer traço de paralaxe sendo bastante bidimensional, e os movimentos de personagens seriam bastante restritos. A mudança veio quando eu optei por selecionar apenas uma das situações do roteiro original para ser um curta inteiro. A fim de mostrar o que posso fazer com as ferramentas que conheço, mostrar o estilo de animação e pintura que faço, resolvi enriquecer a estética para chegar a um nível que nunca havia chegado antes.
A animação do curta se baseou em vários processos, qual foi o maior desafio?
Pergunta difícil. Foram quatorze meses para produzir a parte visual do filme – desde os primeiros esboços até a geração do arquivo final. Como foram muitos processos, eu não sei dizer o que foi mais difícil. Prefiro mencionar que todos foram deliciosos e exigiram criatividade para buscar soluções. A título de exemplo, um momento difícil foi animar de trás para frente, no caso do último plano do filme, porque eu precisava de um início maior para algo que já tinha, então tive que desenhar um movimento reverso partindo da primeira pose que havia. Também foi curioso fazer as serragens de madeira que caem do corte da árvore. A solução bastante simples possibilitou que eu incluísse no filme a minha singela homenagem ao filme Fantasia, da Disney, que foi uma das animações que marcaram a minha infância. 
O curta captou sons de animais. Existiu alguma imersão da equipe na Floresta Amazônica? Como foi a experiência? 
Tanto eu quanto o Breno (desenhista de som), já havíamos passado por uma espécie de imersão antes da produção do filme. Ambos estivemos na Floresta Amazônica. Ele, inclusive, está lá novamente, gravando. Aprendemos com isso e incluímos no filme coisas que descobrimos também em pesquisas. Quando eu tinha cerca de três anos, junto com meu pai, irmão e mais algumas pessoas, fiquei perdido numa montanha no município de Garuva durante uma noite. Para me manter aquecido, meu pai me colocou para dormir em seu peito e todos queimaram suas meias. De quase nada lembro, claro, mas em certo momento houve uma quantidade tão inusitada de vaga-lumes que a imagem disso ficou gravada na minha cabeça até hoje. De fato, as sensações na mata, quando se perde o medo são incríveis. Se ouve muito mais, e nota-se que na mata, durante a noite, os insetos é que comandam o espetáculo.
Como você espera que o público do FICA vai receber Plantae? E os próximos projetos? Alguma nova animação?
Infelizmente não poderei acompanhar todo o festival, mas estarei presente nos últimos dias. O público do filme, em especial as crianças, têm demonstrado bastante curiosidade pelo filme. Isso me deixa muito feliz. Era isso o que eu queria, captar a imaginação e fazer com que as pessoas voltem sua atenção, mesmo que momentaneamente, para as consequências do nosso progresso. Creio que no FICA, o público já esteja afiado para esse exercício, e estou ansioso para ver isso. No momento estou sem tempo para me dedicar a novos projetos. Uma ideia que tenho e que precisarei de muita pesquisa e ajuda, é um filme aparentemente sem enredo, onde live action e animação se misturam para colocar em paralelo as diferentes fases da evolução biológica no planeta. Uma espécie de documentário lúdico sobre a força que eu chamo “de manutenção e transformação” que mantém ou muda os fenômenos da vida.

*Por Vinícius Remer da Silva – Especial para o Cine61 – contato@cine61.com.br


O jornalista viajou a convite da produção do FICA

Índio transita entre dois mundos no filme Ex-Pajé

O documentário Ex-Pajé, dirigido por Luiz Bolognesi, foi o escolhido para abrir a 20ª edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica). O filme realmente reflete sobre as questões postas pelo diretor antes da exibição. Ex-Pajé apresenta uma aldeia “tecnológica”, com celulares, câmeras fotográficas, máquina de lavar e uma série de ferramentas “modernas”. Mas o interessante é que, mesmo que as crianças indígenas prestem mais atenção no celular do que na sabedoria dos mais velhos, essa tecnologia não afastou o povo da etnia Paiter Surui da consciência e do respeito com a natureza.
Na trama, o ex-pajé Perpera Suruí passa a questionar sua fé após o contato com os brancos que julgam a religião dele como demoníaca. Perpera transita entre os dois mundos: o do seu povo e o dos brancos, como o seu dia a dia com o grupo que vive e as idas ao banco ou ao supermercado. Mas esse viver entre os dois lados entra em xeque quando a morte está ameaçando a aldeia de Perpera.
Mesmo com as poucas falas de Perpera durante o filme, o diretor conseguiu construir muito bem o ir e vir do ex-pajé entre esses mundos distintos. Conseguiu demonstrar sutilmente para qual lado o indígena balança mais. O detalhe e o barulho das moscas são muito simbólicos. O cineasta também ressalta o avanço do desmatamento, como o corte ilegal de árvores por madeireiros em terras indígenas e como a tecnologia pode ser útil ao denunciar essas ilegalidades. Acompanhe a cobertura completa do Fica 2018 no Cine61 – Cinema Fora do Comum!

Veja o trailer de Ex-Pajé a seguir:



*Por Vinícius Remer da Silva – Especial para o Cine61 – contato@cine61.com.br

O jornalista viajou a convite da produção do FICA

Curta Nanã expõe o drama da gentrificação

Rafael Amorim, diretor de Nanã, conversou com o Cine61 – Cinema Fora do Comum sobre seu curta-metragem. O filme será exibido hoje na Mostra Competitiva da 20ª edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (FICA), que acontece na Cidade de Goiás, em Goiás. Leia a seguir a entrevista com o realizador:

Seu filme fala sobre o processo de gentrificação. Você já presenciou isso de verdade?
Durante a pesquisa do filme presenciei uma ação da milícia que atua na região em nome do complexo portuário de Suape. É um grupo de uma empresa de segurança privada que atua aterrorizando a população, chegando ao extremo de “confiscar” materiais de construção até demolir casas. Ainda em 2016 na comunidade da “guarita”, presenciei a Milícia colocando materiais de construção em um carro oficial da empresa Suape em evidente contra vontade de um morador. Me aproximei do local já filmando e perguntando o nome dos funcionários o que estava acontecendo. Um deles insinuou que eu não poderia estar filmando aquela ação. A situação ficou mais tensa quando eu me neguei a parar de filmar. A cena que mais lembro nesse dia foi quando um deles começou também começou a me filmar com um celular e as câmeras ficaram frente e frente, numa postara simbólica de enfrentamento. Em pouco tempo eles entraram no carro e foram embora. No dia seguinte recebi uma ligação de um morador me informando que eles tinham voltado ao local completaram de retirara o material de construção e ainda derrubaram uma casa em construção. No dia 6 de dezembro de 2017, na Câmera de Vereadores do Cabo de Santo Agostinho foi realizada uma audiência pública com tema, “Ação de Milícias no entorno do Complexo de Suape”. Expondo ilegalidades e arbitrariedades sofridas pela população neste território. Nesta audiência ficou entendido que esse tipo de “confisco“ de material, que presenciei, além de ilegal podia ser tipificado como roubo, pois não seguia os ritos jurídicos necessários para esse tipo de procedimento. Um dos vídeo que produzimos durante a pesquisa foi um relato de Seu Biu, o último morador resistente da ilha de Tatuoca. Nesse vídeo, Biu denúncia como a Milícia de Suape junto com a Polícia Militar derrubaram sua residência. Meses depois recebemos uma intimação para prestar esclarecimento em uma delegacia sobre o vídeo. A empresa Suape entrou com uma queixa de calúnia pelo uso do termo “Milícia” na descrição do vídeo. Uma tentativa clara de tentar nos calar.

Cineastas pernambucanos, como Kleber Mendonça Filho, falam sobre a especulação imobiliária em Pernambuco. Essa é uma realidade no seu estado? Pode citar algum exemplo?
Vejo como uma realidade brasileira comum nos centros urbanos, para além de Pernambuco. Aqui temos o exemplo recente com a construção da Arena para copa junto com a ideia de se construir a “cidade da copa”.

Por que o filme se chama Nanã?
Nanã é um orixá ancestral, um dos mais antigos. É representado como a avó, a grande mãe. A memória de um povo. Rainha da lama da qual surgiu todo o ser humano. E a analogia estão nesses pontos, em um território de mangue que nasce e morre todos os dias. Uma consciência de luta e transformação constante.

Você acredita que o cinema – ou a arte no geral – tem força para provocar reflexões acerca de situações da vida real? Seu filme pretende fazer o público pensar também?
Vejo várias formas de se pensar e fazer filmes. Todos eles são uma ação política, que pode ser guiado por uma postura de enfrentamento/posicionamento sobre um tema ou, pela escolha de não se falar sobre um tema. O cinema é mais um espaço de disputa da informação. Um debate muito claro hoje no Brasil quando se entende o poder que um grupo de famílias ainda detém como um monopólio da comunicação. Ainda de forma muito limitada, o cinema faz parte dessa disputa para provocar reflexões para o público. Limitada pela “bolha” burguesa de quem faz cinema e quem assiste cinema. A minha intensão com o Nanã, foi fazer um filme denúncia. Uma narrativa que usa a ferramentas do cinema para apresentar ao público uma realidade do território de Suape. Uma realidade que não é exclusiva de Suape. Ao contrário é uma lógica comum de “ Desenvolvimento” em locais que recebem grandes investimentos. Uma lógica perversa que atente aos interesses financeiros do “mercado” em detrimentos do povo.

Como foi filmar em Suape? Qual foi o maior desafio da produção?
Existia um receio com possibilidade da Milícia interferir de alguma forma negativa no processo, mas não existiu nenhum problema com isso. Traçamos uma estratégia de comunicação para conseguir filmar dentro o porto que foi alcançada com êxito. O maior desafio foram as filmagens dentro do mangue e o deslocamento de equipe e equipamento de barco para chegar às ilhas. Com o “detalhe” que escolhemos filmar em um período de chuva. Uma escolha que deu muita dor de cabeça para a produção, mas que possibilitou sequências únicas.

*Por Michel Toronaga – micheltoronaga@cine61.com.br

Festival Varilux de Cinema Francês 2018

A maratona de filmes franceses já tem data marcada. De 7 a 20 de junho, cinemas de 63 cidades brasileiras recebem o Festival Varilux de Cinema Francês de 2018 com seus 21 filmes participantes, sendo 20 longas-metragens da nova safra da cinematografia francesa e um clássico: o famoso Z, de Costa-Gavras. Além dessas cidades, graças a uma parceria estratégica com o SESC Nacional, 15 longas da programação serão exibidos em 29 unidades culturais do SESC, com entrada franca, entre junho e julho, levando o Festival a municípios onde geralmente o cinema francês não chega.

O Amante Duplo

Outra novidade importante: o festival contará com uma delegação de profissionais franceses reconhecidos nos ramos da produção, da distribuição e da TV e organizará pela primeira vez o Encontro Franco-Brasileiro de Cinema nas três cidades, discutindo temas como o da atualidade das coproduções franco-brasileiras, do financiamento, da regulamentação e dos mercados do cinema na Europa e no Brasil (distribuição, VOD, vendas internacionais etc).

A Excêntrica Família de Gaspard

O evento, que conquistou o ranking de maior festival francês do mundo e levou 180 mil pessoas aos cinemas apontando um crescimento de 15% em relação ao ano anterior, segue em expansão. O diretor do festival, Christian Boudier, comemora: “A parceria com o SESC Nacional permite que o Varilux alcance um público que não costuma ter acesso à cinematografia francesa, reforçando nosso trabalho de democratização do Festival e formação de plateia no país”. A produção é da Bonfilm, e o evento conta com patrocínio principal da Essilor/Varilux, Ministério da Cultura por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, Secretaria de Estado de Cultura, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro, Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e Secretaria Municipal de Cultura por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura.

Conheça o tradicional Cine Teatro São Joaquim

Casa e berço de inúmeras manifestações artísticas na cidade de Goiás (GO), passando do teatro à dança, da música ao cinema, o Cine Teatro São Joaquim é palco da 20ª edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica 2018). O espaço recebe diversos filmes durante o festival. Em 1857, às margens do Rio Vermelho, foi inaugurado um teatro na cidade de Goiás, por iniciativa dos comerciantes da antiga capital. Após uma grande enchente, esse teatro deixou de existir e a cidade recebeu, já na década de 1920, um novo aparelho cultural, o Cine Anhanguera. Apesar dos esforços do poder público em manter o local, suas instalações eram deficientes e foram demolidas para a construção de um novo imóvel, de feição funcional, mas sem considerar o seu entorno, que é marcado pelas características da arquitetura vernacular dos séculos XVIII e XIX. 
Na década de 1990, ele então voltou a receber o primeiro nome, como Cine Teatro São Joaquim, e, mesmo depois de passar por várias reformas e perder as relações estéticas com o projeto inicial, consolidou-se como palco de importantes apresentações culturais para a cidade. Ainda hoje, as canções, as cores e as letras de Goiás percorrem os becos e se encontram logo depois da ponte da Casa de Cora Coralina, em frente à Cruz do Anhanguera, meio do caminho entre o Museu de Arte Sacra e a Igreja do Rosário. Coração da cidade, o Cine Teatro São Joaquim é o quinto espaço a receber investimentos do PAC Cidades Históricas na antiga Vila Boa, em um total de seis ações. Além dele, já foram concluídas a Restauração da Escola de Artes Veiga Valle, a Recuperação da Ponte da Cambaúba, a Restauração do Mercado Municipal e a Instalação do Arquivo Diocesano de Dom Tomás Balduíno.
Em 2017, o prédio passou por uma grande obra de requalificação, realizada com investimentos de R$10,09 milhões do PAC Cidades Históricas. Isso porque, apesar de consolidado como espaço de referência em Goiás, o edifício do Cine Teatro São Joaquim estava em estado precário e possuía uma arquitetura que destoava do conjunto da cidade, além de equipamentos e instalações que não atendiam à demanda dos eventos culturais que eram sediados ali. Executada pela Prefeitura Municipal de Goiás com recursos do Governo Federal, a obra de requalificação foi iniciada em julho de 2015 e teve, entre seus desafios, a busca por uma solução arquitetônica que melhor contextualizasse o edifício em relação a seu entorno. Além disso, a ação atendeu às condições de acessibilidade universal e reequipou o Cine Teatro com novos sistemas de cênica, luminotécnica, acústica, projeção, refrigeração, prevenção de incêndio, subestação de energia e gerador, além de ampliação do backstage, área técnica, camarins e administração. 
A requalificação do Cine Teatro São Joaquim chega para marcar um processo de transformações pelas quais a cidade vem passando nas últimas décadas, incluindo o melhor desempenho nas ações do PAC Cidades Históricas em todo o país. Para além das ruas de pedras e do casario, que ainda hoje são a marca do conjunto que é protegido pelo Iphan e reconhecido como Patrimônio Cultural Mundial pela Unesco, a cidade resiste e se renova por meio de uma valiosa produção cultural e artística.
*Da Redação, com informações do Iphan – contato@cine61.com.br

Como foi a noite de abertura do Fica 2018

O Cine61 – Cinema Fora do Comum foi convidado para cobrir a 20ª edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica 2018), na Cidade de Goiás. Na noite da última terça (5), aconteceu no Cine Teatro São Joaquim a Mostra de Abertura do Fica 2018, com a presença de convidados e a exibição do filme Ex-Pajé, de Luiz Bolognesi. Na cerimônia de abertura estiveram presentes o secretario da Secretaria de Educação Cultura e Esporte (Seduce) Marcos das Neves, a prefeita de Goiás, Selma Barbosa, e o governador de Goiás, José Eliton. Marcos falou sobre o legado de 20 anos do Fica e da importância do festival para o meio ambiente. “São 20 anos batendo na mesma tecla e cada vez mais forte: a da sustentabilidade”.
Fotos: Sérgio Almeida
O governador de Goiás também ressaltou o apelo ecológico do festival. “Como seria o debate ambiental no âmbito do Estado sem a presença do Fica? (O festival) trouxe personalidades do Brasil e do mundo para esse debate importante para o hoje e para o amanhã”. 
Antes da exibição do documentário de longa-metragem Ex-Pajé, subiu ao palco o diretor do filme, Luiz Bolognesi. O cineasta explicou sobre o trabalho e ainda destacou a importância do festival. “É uma honra estar passando o filme neste festival, no meio do cerrado, num bioma que ainda resiste. (Ex-Pajé) é um retrato do que acontece na Amazônia. Um reflexo contemporâneo do que acontece nas aldeias indígenas, muito diferente da nossa idealização romântica”.

*Por Vinícius Remer da Silva – Especial para o Cine61 – contato@cine61.com.br

O jornalista viajou a convite da produção do FICA

Exposições resgatam os 20 anos do Fica

O Cine61 – Cinema Fora do Comum está presente na 20° edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica 2018). A Cidade de Goiás vai receber por seis dias, de terça (5) a domingo (10), uma intensa programação cultural, com cinema, shows, oficinas e exposição. Na tarde desta terça, o artista plástico Marcelo Solá, responsável pela tela 1999, um trabalho feito para homenagear a duas décadas de festival, esteve presente no Palácio Conde dos Anjos para abrir a exposição Artista Homenageado Marcelo Solá.
1999, de Marcelo Solá
Com o tema A Força de um Legado, o Fica 2018 convidou o artista goiano Marcelo Solá para desenvolver o trabalho e, a partir dele, foi criada toda a identidade da comunicação visual do evento. Na tarde desta terça, Marcelo, que participou de exposições coletivas em Madri (Espanha) e Estados Unidos, ressaltou que a tela 1999 faz referência “total” aos traços da cidade. “É um desenho de memória e não um desenho fotográfico. Esse trabalho trata da construção da cidade, da minha memória afetiva. É um registro arquitetônico da cidade”, pontuou.
Fotos: Sérgio Almeida
Além dos trabalhos de Marcelo Solá, está em cartaz no Cine Teatro Jardim, a exposição Fica 20 Anos A Força de um Legado, com os cartazes de todas as edições feitos por todos os artistas homenageados. Para Marcelo, o Fica é o momento que a Cidade de Goiás entra em “ebulição”. “Participei mais da primeiras edições do festival. (O Fica) é um momento de encontro entre artistas, turistas e moradores. É uma vivência”, afirma o artista plástico.
*Por Vinícius Remer da Silva – Especial para o Cine61 – contato@cine61.com.br

O jornalista viajou a convite da produção do FICA