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Filhos da Baleia: um anime belo e triste

Filhos da Baleia (Kujira no Kora – 2017) é uma animação que impressiona pela beleza. A produção do estúdio J.C.Staff em parceria com a Netflix não só acerta no trabalho de arte como amarra uma história forte e personagens marcantes. Nesse mundo fantasioso, a pequena ilha de “Baleia de Lama” vive em completa paz e harmonia isolada de outras nações por quase um século, até ser encontrada por outra ilha flutuante.
Acompanhamos Chakuro, jovem escrivão responsável pelos registros oficiais da ilha, em seus embates sobre memória e saber histórico. Seu desejo ardente por novos conhecimentos o leva a descobertas que colocam em cheque tudo que acreditava de sua própria nação, ainda mais quando descobre segredos terríveis escondidos da maioria da população pelos anciões.
Mas não se deixe enganar pelo visual poético dessa animação. No universo ficcional de Filhos da Baleia nada vem sem um alto custo. A ilha, a liberdade, as emoções, o direito a memória ou as escolhas pessoais são moedas de troca para o funcionamento dessas sociedades. Em um exemplo dos diálogos complexos e brutais do enredo, é possível interpretar que um jovem soldado derrotado aceita ser castrado pelo prazer da vingança em uma guerra que nem era sua.
Chakuro talvez seja o melhor observador possível desse novo mundo de guerras e sofrimento. Enquanto todos parecem beirar a loucura, Chakuro se desenvolve como um ser poético. A série infelizmente é curta e os 12 capítulos são insuficientes para explicar diversos elementos ou aprofundar personagens importantes. Chegamos ao final com a sensação de falta, mas desejosos por uma segunda temporada.

*Por Túlio Villafañe – Especial para o Cine61 – contato@cine61.com.br


Veja aqui o trailer da animação Filhos da Baleia:

Cidades flutuantes no último dia da mostra competitiva

O último dia da Mostra Competitiva da 20º edição do Festival Internacional de Cinema Ambiental (Fica 2018) aconteceu no último sábado (09). O Cine61 – Cinema Fora do Comum acompanhou a sessão. O primeiro filme a ser exibido foi Água Mole, de Laura Gonçalves e Alexandra Ramires. É uma animação de Portugal. Na trama, os últimos habitantes de uma aldeia não querem cair no esquecimento. Em nome do progresso, resistem numa casa flutuante.
Água Mole
O segundo do dia, o documentário Nueva Venecia é uma produção do Uruguai, de Emiliano Mazza de Luca e Martha Orosco. Assim como Água Mole, aborda uma comunidade de pescadores de Nueva Venecia, uma pequena aldeia que existe sobre palafitas acima do Lago Tota, com casas, escolas e até um campo de futebol que flutuam.
Nueva Venecia
O longa representa o dia a dia da comunidade, como jovens cortando cabelo, crianças jogando futebol, médico atendendo pacientes e lojistas vendendo produtos. Após sofrerem um ataque de forças paramilitares, a aldeia precisou se reinventar. O diretor transmite, mesmo com o sofrimento, a alegria e a simplicidade dos moradores, com cenas positivas e líricas do cotidiano de Nueva Venecia.

*Por Vinícius Remer Silva – Especial para o Cine61 – contato@cine61.com.br

O jornalista viajou a convite da produção do festival

Conheça os vencedores do 20º Fica

A premiação do 20º Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica) aconteceu no Cineteatro São Joaquim. O júri de premiação, neste ano, contou com Ailton Krenak, Fábio Moreira, João Batista de Andrade, Laís Bodanzky, Mário Branquinho, Susan Wrubel e Susanna Lira. Confira a seguir a relação dos vencedores:
GRANDE PRÊMIO CORA CORALINA
Por unanimidade, o júri ficou comovido com a coragem da realizadora em expor uma relação pessoal, deixando evidente a urgência e necessidade de abrir diálogos, saber ouvir e não fugir dos conflitos. Na busca por unir olhares discordantes, o filme Construindo Pontes, de Heloísa Passos, propõe a reconciliação de uma família e talvez até de um país.
TROFÉU CARMO BERNARDES – MELHOR LONGA-METRAGEM
O júri definiu como melhor longa-metragem o documentário Coros do Anoitecer, de Nika Saravanja e Alessandro d`Emilia, por se tratar de um olhar para a Amazônia totalmente inesperado. Num mundo dominado pelo visual, o som se revela um instrumento poderoso de preservação e resistência.
TROFÉU ACARI PASSOS – MELHOR CURTA OU MÉDIA METRAGEM
O júri decidiu premiar a animação Plantae, de Guilherme Gehr, como melhor curta-metragem, pela estética deslumbrante aliada a um tema urgente, construído por uma narrativa lúdica e envolvente.
TROFÉU JOÃO BENNIO – MELHOR FILME GOIANO
O júri escolheu como melhor filme goiano o documentário DIRITI DE BDÉ BURÉ, de Silvana Beline, por relacionar o presente com o passado para criar e pensar o futuro. O filme projeta luz sobre a vida de uma mulher do povo Karajá que luta pela preservação de sua língua e modo de fazer de seu povo.
Diriti de Bdé Buré
TROFÉU – SEGUNDO MELHOR FILME GOIANO
Por lembrar da existência de uma humanidade que segue sonhando à margem, criando subjetividades, o documentário A viagem de Ícaro, de Kaco Olimpio e Larissa Fernandes, foi o escolhido pelo júri como segundo melhor filme Goiano.”

MENÇÃO HONROSA
O filme de ficção Penúmbria, de Eduardo Brito , recebe menção honrosa de melhor curta-metragem. O júri ficou provocado pela sofisticada narrativa que faz refletir sobre uma relação de amor e conflito entre o ser humano e a natureza.

PRÊMIO DO JÚRI JOVEM
Construindo Pontes, de Heloísa Passos, é premiado por ser um filme que parte da questão ambiental para refletir sobre como escolhas políticas determinam relações, tanto de âmbito nacional quanto no familiar. De forma performática e metalinguística, apresenta uma montagem corajosa que aborda questões que extrapolam as preocupações sociais que nos atravessam atualmente. Trata, portanto, da superação de nossos conflitos pessoais, políticos e ambientais, que dependem da nossa capacidade de combater a intolerância e construir diálogos, em busca de uma sociedade mais justa e sustentável.

TROFÉU JESCO VON PUTKAMMER – FILME ESCOLHIDO PELA IMPRENSA
Penúmbria, de Eduardo Britto

TROFÉU LUIZ GONZAGA SOARES – JÚRI POPULAR
Corp., de Pablo Polledri

*Redação do Cine61 – contato@cine61.com.br

Animações, política e experimentalismos na Mostra Competitiva

O penúltimo dia da Mostra Competitiva da 20º edição do Festival Internacional de Cinema Ambiental aconteceu na última sexta (08). O Cine61 – Cinema Fora do Comum acompanhou a sessão. O primeiro filme a ser exibido, Corp., é uma ótima animação argentina, de Pablo Polledri. O curta-metragem mostra de forma didática a exploração laboral, a poluição ambiental, a mais valia e a corrupção de grandes corporações, sempre visando o lucro no terrível universo do livre mercado.
Sub Terrae
Sub Terrae, um curta experimental da Espanha, de Nayra Sanz Fuentes, começa com imagens de cemitérios para logo em seguida cortar para catadores numa imensidão de lixo. Uma cena impactante para demonstrar a degradação humana e apresentar a reflexão de que a humanidade já está morta. O documentário brasileiro A Viagem de Ícaro, muito bem aplaudido após a exibição, é uma produção goiana, de Kaco Olímpio e Larissa Fernandes. No filme, Bazuca é um catador de materiais recicláveis que sonha voar de avião. O curta faz referência ao fato de pessoas em situações vulneráveis quererem alcançar posições melhores e muitas vezes são impossibilitadas por uma falência do Estado e da sociedade.
A Câmera de João
O destaque do dia fica para o brasileiro Construindo Pontes, de Heloisa Passos. Fortíssimo candidato ao Grande Prêmio Cora Coralina, de melhor filme da Mostra Competitiva. O filme, também muito aplaudido após a exibição, aborda a relação da própria diretora com a família. Um longa importante para os tempos que a sociedade brasileira vive e para o atual momento político do país, com polarizações e a falta de diálogo e empatia com o outro. 
Plantae
Os três últimos exibidos na noite da última sexta (8) são todos filmes brasileiros, Um Filme para Ehuana, de Louise Botkay, acompanha o cotidiano de uma jovem indígena; A Câmera de João, produção goiana de Thori Cardoso, aborda laços familiares a partir da fotografia; e Plantae, uma bonita animação brasileira de Guilherme Gehr, retrata com uma riqueza de detalhes a Floresta Amazônica na perspectiva do olhar de um madeireiro.

*Por Vinícius Remer Silva – Especial para o Cine61 – contato@cine61.com.br


O jornalista viajou a convite da produção do evento

“Fazer cinema é a ausência de glamour”, Laís Bodanzky

Na manhã desta sexta (8), o Cine61 – Cinema Fora do Comum, presente na cobertura da 20ª edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica 2018), acompanhou a mesa “As Mulheres no Cinema”, no jardim da Casa Cora Coralina. Com presença das diretoras Laís Bodanzky e Susana Lira, além da atriz Bruna Linzmeyer e a mediação da professora Ceiça Ferreira.
Laís Bodanzky
Na mesa, as mulheres abordaram os desafios de fazer cinema como diretoras e atrizes. Laís Bodanzky, diretora, roteirista e documentarista, lançou os filmes As Melhores Coisas do Mundo, Como Nossos Pais, entre outros. A paulista afirmou que o momento de reflexão sobre as mulheres não está acontecendo somente no cinema, mas em todas as áreas. “O imaginário é sempre ‘do diretor’. Essas imagens grudam no nosso consciente e dizem para gente que esse lugar não é nosso. Fazer cinema é a ausência de glamour”, ressalta Laís.
Bruna  Linzmeyer
Ao explicar sobre o trabalho Mulheres de Maio, que acompanhou as mães que perderam os filhos durante o massacre que matou mais de 500 pessoas em São Paulo, Susana Lira, diretora do filme, afirma que é importante desconstruir a imagem da mulher no cinema e como o audiovisual tem esse poder. “A mulher negra (no cinema) era sempre vista como perdedora. Como fazer um filme sobre perda e como transformar essa imagem negativa em algo positivo? Não é apenas contar uma história, o cinema tem mecanismos para quebrar essas imagens que estão enraizadas na sociedade”, comenta.
Crédito das fotos: Photo Agência
Diferente da Laís Bodanzky e Susana Lira, que mostraram os desafios das mulheres enquanto diretoras, a atriz Bruna Linzmeyer afirma que não é essa mulher que conta a história, mas a que recebe a história e, muitas vezes, são papéis desconectados da realidade. “A mulher, na maioria das vezes, não é humanizada. Quando essas personagens chegam para mim, são sempre infantilizadas. O conflito da mulher está sempre ligado ao homem”, lamenta.
*Por Vinícius Remer Silva – Especial para o Cine61 – contato@cine61.com.br


O jornalista viajou a convite da organização do evento

Animação revela o cotidiano de malabaristas de rua

A animação brasileira O Malabarista, de Iuri Moreno, integra a Mostra Competitiva da 20ª edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (FICA), na Cidade de Goiás, em Goiás. O Cine61 – Cinema Fora do Comum conversou com o cineasta, que falou sobre seu mais recente trabalho. O filme é um documentário sobre o dia a dia dos malabaristas de rua, que colorem a rotina dos entediantes centros urbanos.
O curta é uma animação sobre malabaristas de rua. Teve alguma pesquisa para entender o universo dessas pessoas que fazem arte na rua?
Sim, desde a minha graduação em Fotografia e Imagem pela Faculdade Cambury, em 2010, eu já comecei a pesquisar o universo dos artistas de rua, principalmente dos artistas circenses. Houve, inclusive, uma tentativa de realizar um documentário com o pessoal do Coletivo É Só Querê Fazê e Trupe Trip Trapo, com artistas como o Bulacha e o Saracura. Fhegamos a gravar várias coisas, mas infelizmente não conseguimos chegar a um produto final por inúmeros motivos. De lá pra cá, eu insisti, coloquei o projeto na Lei Goyazes e acabei aprovando. Nesse meio tempo também comecei a me interessar cada vez mais por animação, até que decidi unir as duas coisas: fazer um documentário sobre malabaristas de rua e realizado integralmente em animação. Desde a época da faculdade até o início do trabalho de animação, foram entrevistados mais de 15 artistas, sendo os últimos, que entraram no filme de fato, entrevistados durante a 18ª Convenção Brasileira de Malabarismo e Circo, que aconteceu em Goiânia ano passado e entrou como apoiadora do nosso filme.
Os malabaristas colorem o cinza de grandes centros urbanos, o Fica é voltado para questões ambientais. Existe algum tipo de reflexão nesse sentido? Da poluição dos carros (cinza) e o colorido dos malabares?
Essa é a reflexão que carrego comigo desde a primeira vez que pensei em fazer um filme com essa temática. Sou fascinado pelo circo desde criança e me encanta, principalmente, quando vejo essas cores invadirem um meio que não está preparado para recebê-las, mas que mesmo assim as recebe. A cidade se fecha num cinza constante e a arte, acompanhada do amor, traz alívio, leveza a um ambiente tão opressor.

Quais os processos utilizados na criação da animação?
O primeiro trabalho foi a pesquisa, seguida das entrevistas, que desde o princípio já estavam planejadas para entrar apenas na camada sonora do filme. Depois de conhecer o cotidiano dos malabaristas e entrar de cara nesse universo, criei um roteiro para a animação, com o objetivo de contar a história de um dia na vida de um malabarista de rua. Com o roteiro em mãos e entrevistas decupadas, convidei o animador Wesley Rodrigues para assinar a animação e direção de arte do filme. Trabalhamos à distância: ele na Argentina e eu aqui em Goiânia. Primeiro foi feito o storyboard, definimos a arte conceitual, o Wesley trabalhou nos cenários e em seguida partiu para a animação. Os cenários foram pintados a mão e a animação foi realizada digitalmente no formato 2D. Posteriormente o Thiago Camargo, da Mandra Filmes, trabalhou o som, e o Dênio de Paula, da Tambor Cantante, trabalhou a trilha musical. A música que encerra o filme, Paixão de Malabarista, é uma composição de um dos artistas que fizeram parte da pesquisa, Saracura do Brejo, que contou com a interpretação da musicista e também artista de rua, Flávia Carolina. A partir daí foi finalizar o filmes e começar sua distribuição.

Como foi a recepção do O Malabarista em outros festivais e qual a sua expectativa para o Fica?
A recepção em festivais está sendo incrível. Fomos selecionados para o 58º Zlín Film Festival, maior festival do segmento infanto-juvenil do mundo, entramos no Anima Mundi, no Guarnicê Festival de Cinema e recentemente conquistamos o prêmio de Melhor Filme Nacional e do CONNE (Centro-Oeste, Norte, Nordeste) no Anima Ceará. A expectativa para o Fica é grande. Será a primeira vez que verei o filme nas telonas e com a presença de um grande público, pois nos outros festivais eu ainda não tive a oportunidade de ir. Espero que todos gostem e que o filme represente nossos artistas de rua.

Seus trabalhos, como Lápis sem Cor, tratam do lúdico, do universo infantil. Seus próximos trabalhos continuaram abordando essas temática? Por que a preferência por esses temas?
Eu sempre me interessei por esse universo lúdico, sempre fui apaixonado por animações e live-actions que exploram essa temática. Com certeza meus próximos trabalhos continuarão nessa linha. Já tenho vários projetos de curtas, longas e séries, e todos permeiam esse universo. Não sei dizer ao certo o porquê, posso arriscar dizer que deve ser um refúgio dessa realidade assombrosa que vivemos, onde a intolerância, o egoísmo e o preconceito reinam. O fantástico e o lúdico me atraem mais.
*Por Vinícius Remer da Silva – Especial para o Cine61 – contato@cine61.com.br

O jornalista viajou a convite da produção do FICA

Produções nacionais dominam sessão da Mostra Competitiva

O segundo dia da Mostra Competitiva da 20º edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica 2018) teve forte presença de produções brasileiras, mas o destaque fica para o documentário italiano Sensible, de Alessandro Quadretti. Na tarde desta quinta (7), no Cine Teatro São Joaquim, o primeiro filme exibido foi Nanã, de Rafael Amorim. A ficção pernambucana retrata o drama da gentrificação em Suape, Pernambuco.
Sensible
O segundo exibido e o mais interessante do dia é a produção Sensible. O documentário mostra como pacientes sofrem com doenças controversas e pouco conhecidas, como a Sensibilidade Química Múltipla (MCS) e Hipersensibilidade Eletromagnética (EHS). No primeiro caso, a condição torna a pessoa intolerante à exposição a substâncias químicas. O segundo, aos campos eletromagnéticos.
Nanã
Não é a primeira vez que o assunto é abordado. Na série ficcional Better Call Saul, da Netflix, o personagem Charles McGill tem a Hipersensibilidade Eletromagnética, mas ela é sempre retratada com muito descrédito. Algo muito diferente de Sensible, que aborda o assunto de forma séria, com entrevistas de especialistas e de vários personagens que têm a condição ou as duas ao mesmo tempo. O filme impressiona ao mostrar como o impacto da tecnologia – em prol da modernidade – está causando doenças na sociedade.
O Diriti de Bdé Buré
O terceiro do dia, o documentário brasileiro Diriti de Bdé Buré, de Silvana Beline, é uma produção local da Cidade de Goiás e narra a vida de uma indígena mestra ceramista que faz a tradicional boneca Karajá. O curta transmite a ideia do conhecimento sendo passado de geração para geração.
Frequências
Frequências e Aracati foram os últimos da noite a serem exibidos e também são duas produções brasileiras. O primeiro, de Adalberto Oliveira, retrata o Farol de Olinda, em Pernambuco. Construído ainda na Segunda Guerra Mundial, o monumento age como um grande observador da cidade e das pessoas. Já o segundo, de Aline Portugal e Julia de Simone, segue a rota do vento Aracati, no Vale do Jaguaribe, no Ceará. E como o fenômeno se estabelece na relação dos homens e paisagem, além de ser um fator cultural para a região.
*Por Vinícius Remer Silva – Especial para o Cine61 – contato@cine61.com.br

O jornalista viajou a convite da produção do evento

Fica também tem filmes produzidos por povos do cerrado

Até domingo (10), a Cidade de Goiás recebe a 20ª edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental. São diversas mostras que estão acontecendo até o encerramento do evento e o Cine61 – Cinema Fora do Comum tem acompanhado diversas delas, como a Mostra de Cinema dos Povos do Cerrado. São produções realizadas por representantes de comunidades tradicionais e indígenas do cerrado brasileiro. Gabriela Lino, 16 anos, é um belo exemplo. Ela dirigiu o seu primeiro filme, o curta-metragem Tapuias do Carretão: Juventude em Ação, exibido na última quinta (07), no Cine Cora Coralina na UEG. A jovem cineasta contou com a ajuda dos colegas da comunidade Tapuia, dos municípios Rubiataba e Nova América, ambos localizados no estado de Goiás, na produção do filme.
Filmado a partir daquela máxima: “uma câmera na mão, uma ideia na cabeça”, o curta apresenta a própria comunidade Tapuia, localizada na Aldeia Carretão, e mostra as origens do povo, a cultura, a história e as plantas medicinais usadas pelos indígenas. Tudo a partir do olhar dos jovens da aldeia.
Gabriela conta que a produção do filme trouxe muito conhecimento, além de dificuldades, como a ausência de equipamentos apropriados. “Nosso povo foi dizimado e só sobraram duas mulheres, Maria Raimunda e Maria do Rosário. Elas que lutaram e a partir delas que voltou o nosso povo. Nós, jovens, não temos esse conhecimento e para mim foi muito gratificante. Fizemos o filme com o que tínhamos, com o celular”, conta.
A Mostra de Cinema dos Povos do Cerrado integra a III edição da Tenda Multiétnica. Um espaço para encontros, diálogos e manifestações culturais entre os diversos povos que compõem o Estado de Goiás, como os Iny, Avá Coneiros, Tapirapés, Kalungas, Povos Ciganos, entre vários outros. Para a organizadora da tenda, Rafaela Oliveira, a mostra é importante para levar informações para a sociedade sobre as dificuldades que os povos enfrentam. “Tem produções do povo Kalunga, de vários camponeses, que retratam tanto os problemas que eles enfrentam, como também a luta e a resistência deles”, diz Rafaela.
*Por Vinícius Remer Silva – Especial para o Cine61 – contato@cine61.com.br

O jornalista viajou a convite da produção do evento

Filmes mostram a relação entre a natureza e a cidade

A relação da natureza com as cidades deu o tom do primeiro dia da Mostra Competitiva do 20º Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica 2018). A temática esteve presente em todos os filmes, exceto no documentário italiano Coros do Anoitecer. O primeiro a ser exibido na tarde desta quarta (6) foi Pet Man. O curta de animação iraniano, de Marzieh Abrapaydar, narra a história de um negociante de animais preso na própria jaula dos bichos. Também aborda, de forma sucinta, como seria a vida nas cidades se os papéis de seres humanos e animais fossem trocados.
Coros do Anoitecer
Já a ficção mexicana Octubre Otra Vez, de Sofia Auza, mostrou a partir da relação de um casal todo o desperdício de comida nas cidades e como a sociedade está cada vez mais consumista. O brasileiro O Malabarista, de Iuri Moreno, com depoimentos reais de artistas de rua, é um documentário animado sobre o cotidiano dos malabaristas de rua, que levam cor e alegria para as estressantes metrópoles. O espanhol El Hombre de Água Dulce, de Alvaro Ron, apresenta uma cidade no meio do deserto da Califórnia que sofre com a seca. Uma menina de dez anos encontra a solução para o problema na figura do avô. O filme abusa de clichês norte-americanos, como a jornada do herói e o culto armamentista.
Pet Man
O destaque do dia fica para o impressionante Coros do Anoitecer, de Nika Saravanja e Alessandro D’Emilia. No documentário acompanhamos o compositor eco-acústico David Monacchi captou sons em 3D de florestas tropicais, como a Amazônica. A engenharia de som é muito bem feita e as “paisagens sonoras” presentes no filme são espetaculares. O longa, a partir dos sons, consegue transmitir a sensação de estar em uma floresta.
O  Malabarista
Os dois últimos do dia, Penúmbria, de Eduardo Brito; e Dia, de André Valentim, lidam com situações adversas causadas pela natureza. O primeiro apresenta uma cidade que se tornou inabitável graças ao clima da região. O segundo lida com o fim do mundo que pode acontecer pelos desastres naturais ou já está acontecendo pelas mãos dos seres humanos.
*Por Vinícius Remer Silva – Especial para o Cine61 – contato@cine61.com.br

O jornalista viajou a convite da produção do evento

Curta experimental aborda a vida corriqueira da juventude

O curta-metragem experimental D’Oklin, de Luciano Evangelista, tem sua estreia na 16ª Mostra ABD Cine Goiás. A mostra integra a 20ª edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (FICA), na Cidade de Goiás, em Goiás. O Cine61 – Cinema Fora do Comum conversou com o cineasta, que falou sobre o mais recente trabalho. O filme aborda a vida corriqueira de três jovens, que estudam e bebem juntos. O curta é fruto de um trabalho de estudantes egressos da especialização em Cinema e Audiovisual: Processos e Linguagens de Realização, da Universidade Estadual de Goiás (UEG).

O filme é realizado por egressos de especialização em Cinema e Audiovisual da UEG.  O que do universo de uma universidade, por exemplo, está presente no curta?
D’oklin é uma distribuidora de bebidas onde os integrantes da equipe se reuniam após as aulas. Das situações que vivemos ali é que surge a premissa do filme.

Sonhos não seguem uma linha narrativa usual, com começo, meio e fim. O curta aborda essa roda de conversa onde assuntos não terminam e temas vão sendo encaixados em outros temas, uma linha narrativa pouco comum. O experimentalismo do filme tem a ver com isso? Com cenas aleatórias para compor a narrativa desses personagens?
Acredito que a experimentação esteja mais ligada a intervenções na forma do filme do que ao desenvolvimento da narrativa. Há imagens e sons de outras mídias que atravessam as cenas, por vezes abruptamente, a fim de ressaltar certos estados emocionais dos personagens, ao mesmo tempo em que apontam também para outros significados.

Ao retratar esse universo de jovens se encontrando para beber, o filme pode representar uma crítica ao estilo de vida desenfreado desses personagens?

É certamente uma leitura possível, apesar de eu enxergar o filme de outra maneira. A proposta é trazer este entorpecimento como abertura para outras sensibilidades possíveis, para aquilo que não está dito, que está no mundo em outro campo que não o do lógico e racional. Ao mesmo tempo em que não existem grandes revelações ou mesmo uma finalidade no uso da bebida e da droga, é tudo do cotidiano, do derradeiro.

É um filme goiano em um grande festival de Goiás, qual a expectativa? E qual a importância de uma mostra dedicada unicamente a filmes de Goiás? 
A Mostra ABD Goiás é umas das principais janelas para os curtas goianos, as sessões ocorrem em bons horários e o público costuma encher a sala. Ainda, os prêmios são importantes ao injetar dinheiro no audiovisual goiano, estimulando os realizadores e as produtoras a fazer cinema. A expectativa é que o filme seja visto por muitas pessoas, que alguém fale alguma coisa.
E quais são os projetos futuros dos egressos? Toda a equipe é formada por pessoas que já trabalham com audiovisual há algum tempo, enquanto produtores, programadores, jornalistas, freelances ou à frente de produtoras. Espero que todos consigam seguir no ofício, que façam mais filmes. De minha parte, estou finalizando o curta-metragem Guará, que conta com algumas pessoas do D’oklin na equipe, gravado em setembro de 2017.

*Por Vinícius Remer da Silva – Especial para o Cine61 – contato@cine61.com.br

O jornalista viajou a convite da produção do FICA