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Em 97 Era Assim é uma comédia sobre a iniciação sexual

O ano é 1997 e quatro amigos de 15 anos procuram perder a virgindade em meio às situações que envolvem a escola e a família. Ao ler essa frase sobre Em 97 Era Assim, do cineasta gaúcho Zeca Brito, podemos ser remetidos a uma trama ao estilo das melhores comédias americanas que há décadas fazem sucesso envolvendo jovens e sexo. A tríade humor, adolescência e sexo (mesmo que esse último seja em tentativas) está presente no longa-metragem que chegas às telas brasileiras no próximo dia 14 de junho, mas, segundo o diretor, a obra vai muito além em sua concepção. “É uma história que traz elementos que podem ser relacionados à clichês do cinema americano do gênero, porém não é uma comédia escrachada sobre descoberta da sexualidade. O mote principal é a amizade sincera entre esses garotos que buscam ter sua primeira vez em um ritual coletivo”, diz Zeca, afirmando ter tido como referência filmes alternativos sul-americanos que tem o universo adolescente e a amizade como tema, como o uruguaio 25 Watts, de Juan Pablo Rebella  e Pablo Stoll, e o argentino Buenos Aires 100 km, de Pablo José Meza.

O roteiro de Leo Garcia é ambientado na Porto Alegre daquela época, em uma caracterização impecável de cenários, mobiliário, objetos e figurino dos personagens, os amigos Renato (o narrador), Alemão, Moreira e Pilha, que pensam nas colegas de escola, em mulheres em geral, e na iniciação sexual. Para isso, o negócio é juntar dinheiro e recorrer a profissionais do assunto. A trilha sonora com hits do ano título é outro ingrediente fundamental, com bandas do rock  gaúcho, nacional e internacional, como Acústicos e Valvulados,  Raimundos e Supergrass, assim como as ”pérolas” musicais Segura o Tchan, do grupo É o Tchan, e Eu Sei Tudo, Professor, essa na voz da emblemática cantora paraguaia Perla.

“As canções foram um recorte para levar àquele tempo, assim como os outros elementos cenográficos. Mas o mais importante é que é uma ode à amizade, a ideia do juntos construiremos situações e viveremos emoções, o que pode se passar em qualquer década. Embora em 1997 não existia internet. E com a chegada dela muitos mistérios que eram mágicos se desfizeram”, completa Zeca, que nasceu em 1986 e em 1997 tinha 11 anos. “Vivi os anos 90 como pré-adolescente”.

Os protagonistas de Em 97 Era Assim são vividos pelos jovens atores Fredericco Restori, João Pedro Corrêa Alves, Pedro Diana Moraes e Julio Estevan, que estão ao lado de consagrados nomes da dramaturgia e do cinema realizado no RS. A destacar, a participação muito especial do mestre Jean-Claude Bernadet. A obra estreia no Brasil com uma trajetória de premiações em festivais nacionais e internacionais. O filme foi realizado com recursos do “Prêmio de Baixo Orçamento” do Ministério da Cultura e produzido pela gaúcha Panda Filmes, em coprodução com as também gaúchas Antifilmes e Coelho Voador.

Inscrições para a Mostra Brasília vão até o dia 24

Os realizadores do DF que desejam participar da tradicional Mostra Brasília do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e concorrer ao Troféu Câmara terão processo seletivo específico, coordenado pela Câmara Legislativa do DF. Em 2018, o processo estará aberto até 24 de junho de 2018. O resultado da seleção será divulgado pela CLDF até o dia 24 de julho de 2018 e os prêmios da Mostra Brasília somam R$ 240.000,00, além do Prêmio Petrobras de Cinema, no valor de R$ 100.000,00 em contratos de distribuição.
Foto: Toninho Tavares/Agência Brasília
Atividades que chamaram atenção da comunidade do audiovisual brasileiro em 2017 também serão mantidas na edição 2018. A Mostra Futuro Brasil, grande novidade nos 50 anos do Festival, ganha sua segunda edição. Vitrine para realizadores com filmes em finalização, os títulos serão exibidos para experts de grandes festivais internacionais. A Mostra Futuro Brasil é uma oportunidade de se ter um termômetro técnico e estético sobre a obra, antes mesmo de lançá-la.
Foto: Junior Aragão
Para tanto, o Festival de Brasília convida grandes nomes do cinema brasileiro, além de agentes do audiovisual internacional, para oferecer feedbacks aos realizadores dos seis longas-metragens selecionados. Para a Mostra Futuro Brasil, as inscrições ficarão abertas entre 31 de maio e 01 de julho de 2018, e também podem ser feitas através do site do Festival. O resultado da mostra será divulgado até 3 de agosto de 2018
Foto: Wilson Dias/Agência Brasil
Nos 50 anos do Festival de Brasília, o Ambiente de Mercado posicionou o Distrito Federal no epicentro negócios de cinema, envolvendo distribuidores, realizadores, canais de TV e outros agentes de fundamental importância para o cinema nacional. Nesta 2ª edição do Ambiente de Mercado, serão ampliadas oportunidades de conexão com os maiores players do mercado audiovisual brasileiro, em três dias de programação, no Museu Nacional.

Conheça a incrível animação brasileira Tito e Os Pássaros

O Festival D’Annecy de 2018, que acontece até sábado, tem o Brasil como país homenageado e recebe como forte candidato ao prêmio principal Tito e os Pássaros, longa que promete impactar tanto o público infantil quanto o adulto. Na aventura, Tito é um menino de dez anos que tenta combater uma epidemia de pânico que contagiou a megalópole. Na história, São Paulo é retratada em tons impressionistas e o surto geral é uma alegoria da neurose coletiva que nos aplaca em tempos tão alarmados quanto os atuais.
O argumento do longa, criado por Eduardo Benaim, nasce de uma pesquisa que ele havia feito sobre o círculo vicioso entre a cultura do medo, a segregação social e a indústria de segurança. Esta pesquisa gerou o polêmico documentário Violência S.A., que expõe as contradições destes temas no cotidiano da classe-média. Quando o produtor Gustavo Steinberg o convidou para criar uma história de animação para crianças, Benaim percebeu que uma boa provocação seria traduzir esta grave abordagem para o sábio e divertido olhar infantil. 
Ao longo do processo criativo, encarou também o desafio de guiar a narrativa pelo gênero de filme-catástrofe, raramente tratado pela perspectiva da puberdade. A corrida foi por encontrar, no olhar dos pequenos, uma saída para as nossas neuroses. E deu certo. No filme, as crianças apontaram um caminho diferente para encarar a loucura social em que vivemos.
Desde de seu terceiro tratamento – quando em 2013 ainda levava o título de O Surto, o roteiro de Tito e os Pássaros vem seduzindo os mercados de animação mundo afora (passou por Cannes e Annecy, entre outros) e agora chega o momento de mostrar o filme pronto – que já tem a comercialização internacional garantida pela Indie Sales – na competição principal do Festival d’Annecy. A mistura pouco provável de estilos gerou um filme tão tocante para as crianças, quanto surpreendente para os adultos – e, principalmente, impactante  para a criança que vive dentro do adulto.

Baronesa: a periferia de BH do ponto de vista de mulheres

Não é de hoje que o documentário está colocando elementos ficcionais nas tramas. O cineasta Adirley Queirós faz isso muito bem, como na trilogia A Cidade é uma Só?, Branco Sai, Preto Fica e Era Uma Vez Brasília. Assim como a temática periférica de Adirley, Baronesa se situa em uma periferia de Belo Horizonte. Mas o filme de estreia de Juliana Antunes vai além, causa um impacto no espectador, que pode se questionar se a realidade é ficção.
Baronesa ganhou prêmios em diversos festivais nacionais, além de internacionais, como na França, Chile, Espanha, Argentina e Cuba. O filme não está distante dos “favelas movies”, que abordam a periferia a partir de um ponto de vista da violência ou do tráfico. Essas questões no longa existem, mas são secundárias. O foco são os personagens e principalmente as mulheres. O longa aborda o dia a dia de duas vizinhas que moram na periferia de BH. Leid e os filhos esperam a volta do marido preso. E Andreia está construindo uma casa para se mudar. Essas mulheres são humanizadas e são as histórias delas que conduzem a trama. Tudo ao mesmo tempo em que precisam lidar com questões que não dizem respeito a elas, mas que as influenciam, como a guerra do tráfico.
A diretora Juliana Antunes teve diversos desafios, como rodar por dois anos os bairros de BH e encontrar moradoras para participarem do filme, além de se mudar para favela e morar por seis meses na região – foi uma das condições impostas pela moradora Andreia, personagem do filme, pois não conseguiria avisar com antecedência quando poderia gravar. A cineasta recebia visitas semanais da equipe para as gravações.
Mesmo trazendo essas mulheres para o protagonismo e mostrar uma periferia a partir do ponto de vista delas, a diretora teve outra dificuldade. Mão conseguiu acompanhar outras excelentes histórias, simplesmente porque os maridos ou as figuras masculinas relacionadas a essas mulheres não autorizavam a gravação. Com uma realidade crua e impactante, Baronesa, ao ir e vir entre ficção e realidade, é um ótimo filme, pois aborda a periferia a partir de um ponto de vista feminino. Traz a humanização das moradoras e não apresenta um tom de miséria ao abordar a vida dura dessas personagens.

*Por Vinícius Remer da Silva – contato@cine61.com.br

Veja aqui o trailer do filme Baronesa:




Baronesa (Brasil, 2017) Dirigido por Juliana Antunes.

Estão abertas as inscrições para o Festival Animage

Estão abertas as inscrições para a Mostra Competitiva de curtas-metragens da 9ª edição do Animage – Festival Internacional de Animação de Pernambuco. As inscrições devem ser feitas no site do festival – www.animagefestival.com – até 12 de julho. A mostra competitiva premia os melhores filmes selecionados nas categorias “Melhor Curta-Metragem – Grande Prêmio Animage”, “Melhor Curta Infantil”, “Melhor Curta Brasileiro” e “Prêmio do Público”, além de melhor Direção, Roteiro, Direção de Arte, Técnica e Som. A seleção recebe filmes nacionais e internacionais realizados a partir de 2017, que contemplem técnicas de animação e com duração máxima de 30 minutos.
O Brasil vive um momento importante para a animação brasileira, que acaba de completar 100 anos, e será o país homenageado no Festival de Annecy (França), considerado  o maior evento de cinema animação do mundo. Há nove edições, o Animage colabora na fomentação da animação nacional e internacional, e na formação de público. No ano passado, o Animage se expandiu e levou Mostras Especiais para as cidades de Camaragibe, Arcoverde e Triunfo. Em março, o Animage marcou presença em Portugal, levando uma Mostra Pernambucana para a Monstra – Festival Internacional de Animação de Lisboa, um dos mais tradicionais da Europa.
Em 2018, o Animage será realizado de 12 a 21 de outubro, com programação variada – gratuita ou a preços populares, que exibe uma ampla seleção de curtas e longas, a maioria inéditos e convida nomes importantes do cinema de animação. Além da Mostra Competitiva, oferece sessões e mostras especiais, longas metragens, oficinas, debates, masterclass, capacitação e promove iniciativas sociais e ambientais. Fanpage: https://www.facebook.com/FestivalAnimage/

Serviço:
Animage – 9º Festival Internacional de Animação de Pernambuco
Inscrições abertas até o dia 12 de julho de 2018
Pelo site www.animagefestival.com

A semana (14/6 a 20/6) no Espaço Itaú de Cinema

Veja a seguir os filmes que passarão esta semana no Espaço Itaú de Cinema, que fica no shopping Casa Park (Guará). A programação completa, com todos os horários, você encontra no site oficial da rede: http://www.itaucinemas.com.br/ Antes, confira os valores atualizados dos ingressos do Espaço Itaú de Cinema Brasília.

Jurassic World: Reino Ameaçado – Quatro anos após o fechamento do Jurassic Park, um vulcão prestes a entrar em erupção põe em risco a vida na ilha Nublar. No local não há mais qualquer presença humana, com os dinossauros vivendo livremente. Diante da situação, é preciso tomar uma decisão: deve-se retornar à ilha para salvar os animais ou abandoná-los para uma nova extinção? Decidida a resgatá-los, Claire (Bryce Dallas Howard) convoca Owen (Chris Pratt) a retornar à ilha com ela.
A Morte de Stalin – União Soviética, 1953. Após a morte de Josef Stalin (Adrian McLoughlin), o alto escalão do comitê do Partido Comunista se vê em momentos caóticos para decidir quem será o sucessor do líder soviético.
Oito Mulheres e um Segredo – Recém-saída da prisão, Debbie Ocean (Sandra Bullock) planeja executar o assalto do século em pleno Met Gala, em Nova York, com o apoio de Lou (Cate Blanchett), Nine Ball (Rihanna), Amita (Mindy Kaling), Constance (Awkwafina), Rose (Helena Bonham Carter), Daphne Kluger (Anne Hathaway) e Tammy (Sarah Paulson).
As Boas Maneiras
As Boas Maneiras – Ana (Marjorie Estiano) contrata Clara (Isabél Zuaa), uma solitária enfermeira moradora da periferia de São Paulo, para ser babá de seu filho ainda não nascido. Conforme a gravidez vai avançando, Ana começa a apresentar comportamentos cada vez mais estranhos e sinistros hábitos noturnos que afetam diretamente Clara.
Do Jeito Que Elas Querem – Nos arredores da Califórnia, quatro amigas de longa data estão na casa dos 60 anos e decidem ler no clube do livro mensal o romance Cinquenta Tons de Cinza. Esse não é o tipo de livro que elas leem normalmente, o que faz com que a vida dessas mulheres bem-sucedidas e inteligentes mude completamente.
Gnomeu e Julieta: O Mistério do Jardim – Gnomeu e Julieta chegam à Inglaterra, preocupados em preparar o jardim para a primavera e rever os amigos britânicos. No entanto, a dupla começa a perceber que os gnomos estão sendo sequestrados em toda a cidade. Eles recorrem ao gênio da investigação Sherlock Gnomes que, junto de seu fiel companheiro Watson, embarca numa aventura para solucionar o mistério. Sequência da animação Gnomeu e Julieta (2011).
Talvez Uma História de Amor
Talvez Uma História de Amor – Quando chega em casa, depois de mais um dia corriqueiro no trabalho, Virgílio (Mateus Solano) liga a secretária eletrônica e ouve um recado perturbador. É uma mensagem de Clara (Thaila Ayala), comunicando o término do relacionamento dos dois. Virgílio, contudo, não faz a menor ideia de quem é Clara. Perturbado devido ao seu jeito metódico e controlador, ele não se lembra de ter se relacionado com ninguém, mas todos ao seu redor pareciam saber do relacionamento dos dois, perguntando como ele está se sentindo com o término. Agora, ele precisa encontrar essa mulher misteriosa.
Sol Da Meia-noite – Katie (Bella Thorne) é uma jovem de 17 anos que vive protegida dentro de sua casa desde a sua infância. Confinada no local durante os dias, ela possui uma rara doença que faz com que a menor quantidade de luz solar seja mortal. Sua situação muda quando seu destino se cruza com o de Charlie (Patrick Schwarzenegger) e eles iniciam um romance de verão.
Anna Karenina: A História de Vronsky – Durante a guerra russo-japonesa, em 1904, Sergey Karenin (Kirill Grebenshchikov), o chefe de um hospital descobre que um dos oficiais feridos é o conde Vronsky (Max Matveev), a pessoa que arruinou sua mãe, Anna Karenina (Elizaveta Boyarskaya). Agora, ele procura informações sobre o amante da mãe, e o quê a levou a desistir da vida.
Paraíso Perdido – José (Erasmo Carlos) tem três filhos, sendo um deles adotivo, e é avô de um casal de jovens. Sua família, marcada por perdas e desencontros, tenta ser feliz numa antiga boate chamada Paraíso Perdido, onde cantam músicas populares e românticas.
Baronesa
Baronesa – Andreia e Lidiane são grandes amigas que moram em casas vizinhas na Vila Mariquinhas, na Zona Norte de Belo Horizonte. Elas trocam confidências, guardam sofrimentos e compartilham laços, mas quando uma guerra entre traficantes deixa o clima tenso, Andreia passa a cogitar ir embora da região.
Desobediência – Ronit (Rachel Weisz) precisa voltar para sua cidade natal após a morte de seu pai distante – um rabino. Mas ela causa um rebuliço no pacato local ao recordar uma paixão proibida pela melhor amiga de infância, que atualmente é casada com seu primo.
Em 97 Era Assim – Quatro garotos de 15 anos só pensam em uma coisa: perder a virgindade. Sem dinheiro para contratarem uma prostituta, os meninos fazem tudo para conseguirem economizar uma grana, enquanto encaram os compromissos do colégio e as tensões da adolescência. Mas, nessa jornada, o que eles realmente vão descobrir é o valor da verdadeira amizade.

Promoção para doadores de sangue no Espaço Itaú de Cinema

Uma boa iniciativa para incentivar a ajudar o próximo. Nesta quinta-feira, 14 de junho, o Espaço Itaú de Cinema, em parceria com o Movimento Eu Dou Sangue, presenteará todos os doadores que forem ao cinema com 50% de desconto para ele e mais um acompanhante (não cumulativo com outras promoções).
Dracula de Bram Stoker
A promoção é válida somente para as compras realizadas no dia 14, nas bilheterias de todas as unidades (não vale para compras realizadas pela internet), e é necessário apresentar um comprovante de doação. Solicite o seu no banco de sangue ou no hemocentro. Mais informações no site: www.itaucinemas.com.br

Baronesa mostra cotidiano de duas mulheres da periferia

O filme Baronesa, dirigido por Juliana Antunes, estreia nesta quinta-feira, 14 de junho. Após se mudar para Belo Horizonte, MG, em 2008, a diretora Juliana Antunes logo percebeu que a capital mineira tinha vários bairros com nome de mulher e a maioria deles levava para a periferia. Este foi o ponto de partida para a construção da história do filme, que chega aos cinemas pelo projeto Sessão Vitrine Petrobras.

O longa mostra o dia a dia de duas vizinhas e amigas que moram na periferia de BH. De um lado, Andreia começa a construir sua casa para se mudar. Do outro, Leid e os filhos estão à espera do marido, que está preso. Em comum, a necessidade de se desviar dos perigos da guerra do tráfico e a estratégia para evitar as tragédias trazidas como consequência.
“Quando me mudei para Belo Horizonte, recebi a seguinte recomendação: eu poderia pegar quase todos os ônibus azuis, mas não deveria pegar a linha vermelha. Comecei a pesquisar mais sobre os bairros, a história deles e, por fim, entrar nos ônibus a fim de conhecer um por um. Os anos foram se passando e o interesse de tornar tal experiência em filme se consolidou na matéria de documentário na universidade. Voltei aos bairros procurando por mulheres que estivessem interessadas em participar de um filme usando um método de abordagem clássico: saí, junto com mais duas amigas (Marcela Santos e Giselle Ferreira) pregando cartazes nas ruas com os dizeres: procuram-se mulheres interessadas em fazer um filme”, relata Juliana.
A abordagem inicial, no entanto, não funcionou, e a diretora precisou adotar uma nova tática: colar um cartaz estrategicamente ao lado de um salão de beleza. “Dois anos se passaram até encontramos um salão no bairro Juliana que era interessante e as donas estavam superabertas à ideia do filme. O ‘salão da Pâmela’ se tornou o meu ponto de partida para o roteiro que se baseava no cotidiano do salão e nos bairros vizinhos, Juliana e Jaqueline”, conta a diretora.
Andreia, uma das protagonistas do filme, no início se mostrou reticente com a ideia de participar do longa. Juliana, então, decidiu filmar o dia a dia de Pâmela e sua família e, para isso, mudou-se para casa da dona do salão junto com uma equipe de quatro mulheres. “Neste mês, Andreia resolveu nos dar uma cena na qual fazia as unhas da Pâmela. Depois disso, mostrei os brutos para ela, que topou fazer o filme com a seguinte condição: a de que eu me mudasse para a favela, pois ela não poderia me dar todo o seu tempo e nem saber com antecedência quando poderia gravar. Aluguei um barracão de 30m² para eu morar sozinha e lá fiquei por seis meses, com visitas semanais da equipe”.
Segundo Juliana Antunes, que também assina o roteiro do filme híbrido, a história era escrita diariamente, muito em função dos acontecimentos imprevisíveis da vida na periferia. “No exato dia da minha mudança, por exemplo, uma guerra entre traficantes locais se anunciou (a guerra segue até hoje) e mudou completamente os rumos do projeto”, revela.
Mas, ainda assim, a diretora conta que as maiores dificuldades não estavam nas locações em si, e sim, na necessidade de “autorização masculina”. “Maridos, irmãos, namorados tinham que concordar com filme para que as mulheres pudessem gravar. Perdemos a oportunidade de gravar várias outras mulheres pela misoginia. Infelizmente, o material bruto é repleto de ‘takes únicos’ de mulheres brilhantes que tiveram o processo interrompido por eles”. A guerra entre facções rivais também foi uma adversidade, prologando a conclusão do projeto por seis anos, com seis meses de filmagens espaçadas.


Por fim, Juliana acredita que Baronesa endossa o coro de movimentos que dão vozes às mulheres e lutam contra as desigualdades de cunho racial, social, regional e salarial. “O filme surgiu da união de várias mulheres em todas as suas etapas, desde amigas, como Marcela Santos e Giselle Ferreira, que fizeram a pesquisa, assistência de direção e som até as sócias Marcella Jacques e Laura Godoy, que são duas mulheres incríveis e talentosas. E o filme só foi possível por isso: pela nossa união, por acreditar em um projeto para lá de ousado e que sim, se pode fazer um filme, um livro, uma cidade, um país e uma lógica de mundo diferente. Basta colocar as nossas energias nisso e nos fortalecer”.

Conheça os destaques do Festival Varilux

O público terá a oportunidade de assistir aos mais novos trabalhos de cineastas, astros e estrelas consagrados e também de premiados jovens talentos que imprimem diversidade e originalidade ao cinema francês no Festival Varilux deste ano. Entre as produções, destacam-se três filmes da nova geração francesa de cineastas, designada várias vezes pela crítica de “nouvelle guarde”: Custódia, de Xavier Legrand, que acompanha a disputa entre um casal pela guarda do filho. O longa foi vencedor do Prêmio de Melhor Direção e Melhor Primeiro Filme no Festival de Veneza. A Excêntrica Família de Gaspard, de Antony Cordier, comédia melancólica sobre o adeus à infância, desejo e tempo. O Poder de Diane, de Fabien Gorgeart, em que uma mulher concorda em gerar o filho de um casal de amigos homossexuais, abordando com humor e ternura a temática dos novos modelos familiares.

A Excêntrica Família de Gaspard 

Também obras de jovens cineastas, dois filmes de gênero pouco comum na França têm como cenário uma Paris pós-cataclismo. Ao mesmo tempo uma sátira social e um filme de zumbis, o longa de Dominique Rocher A Noite Devorou o Mundo mostra a cidade invadida pelas criaturas, com um único ser humano tentando sobreviver. Na mesma veia, O Último Suspiro, do quebequense Daniel Roby, mostra uma família tentando se salvar após uma contaminação química, com Romain Duris no papel principal.

O Amante Duplo

Será apresentado o último filme de François Ozon: O Amante Duplo, um thriller exibido na seleção oficial do Festival de Cannes com a bela Marine Vacth em romance erótico com Jérémie Renier, que desempenha duplo papel na trama. O ator também estará no festival como diretor pois assina, ao lado do irmão Yannick Renier, a direção do suspense Carnívoras, sobre a relação conflituosa de duas irmãs atrizes. A criançada também não fica de fora, já que vai ter a oportunidade de assistir A Raposa Má, de Benjamin Renner e Patrick Imbert. Ganhador do César de Melhor Filme de Animação em 2018, o longa revela que o campo pode ser nada tranquilo com um coelho que pensa ser uma cegonha, um pato que deseja substituir o Papai Noel e uma raposa que acredita ser uma galinha.

Marvin

A cinebiografia Gauguin – Viagem ao Taiti, de Edouard Deluc, traz Vincent Cassel no papel do artista em seu autoexílio no Taiti, onde encontra sua musa Tehura, tema de suas mais importantes pinturas, e local no qual enfrenta solidão, pobreza e doença. Já o drama LGBT Marvin, mais recente longa de Anne Fontaine, conta com a atuação de Finnegan Oldfield, um dos jovens atores atuais mais cotados na França. No longa-metragem, ele ainda contracena com a consagrada atriz Isabelle Huppert, que interpreta ela mesma. O histórico Troca de Rainhas, ambientado em 1721, conta a história da troca de princesas entre França e Espanha para manter a paz entre os dois reinos e traz no elenco os emblemáticos atores franceses Lambert Wilson e Olivier Gourmet.

Orgulho

Pierre Niney, reconhecido especialmente por sua interpretação em Yves Saint-Laurent, poderá ser visto atuando como filho de Charlotte Gainsbourg no filme Promessa ao Amanhecer, adaptado do famoso romance do renomado escritor francês Romain Gary, que foi o único vencedor de dois Prêmios Goncourt. Um dos mais populares atores franceses, o veterano Daniel Auteuil está no longa Orgulho, de Yvan Attal, como um explosivo professor que aceita preparar uma aluna da periferia para um concurso de oratória. A protagonista Camélia Jordana, atriz e cantora, chamada na França de “Nova Madonna”, foi premiada com o César 2018 de Melhor Atriz Revelação por esse papel.


Outros dramas que também estão na programação deste ano focarão em questões humanas e sociais. É o caso de Primavera em Casablanca, que trata de intolerância e aceitação das diferenças, assinado pelo marroquino Nabil Ayouch; de A Aparição, de Xavier Giannoli, que investiga a crença e a manipulação de informações ao redor de uma moça que alega ter visto uma aparição da Virgem Maria. Não faltam ainda as comédias clássicas, dramáticas, românticas, todas com o inconfundível toque francês. Entre elas estão quatro longas-metragens. Ganhador de cinco prêmios Cesar, Nos vemos no paraíso é uma adaptação do romance de Pierre Lemaître, que conta sobre a amizade entre dois sobreviventes de guerra, que montam um plano para desmascarar um tenente corrupto. Já em 50 São os Novos 30, de Valérie Lemercier, a diretora também interpreta o papel protagonista de uma mulher que volta a morar com os pais aos 50 anos. O Retorno do Herói, de Laurent Tirard (O Pequeno Nicolau), traz o premiado ator Jean Dujardin como um covarde e desleal capitão, que se transforma em um herói a partir de uma grande mentira inventada por sua cunhada. Por último, De Carona Para o Amor, de Franck Dubosc, retrata a história de um galanteador mentiroso, que se passa por um deficiente para conquistar a amada.

Reveja nossa cobertura completa do 20º Fica!

O Cine61 – Cinema Fora do Comum foi convidado para cobrir a 20ª edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica), que acontece na Cidade de Goiás (GO). O jornalista Vinícius Remer Silva acompanhou a mostra competitiva, debates, mesas redondas, exposições e outras atrações da programação do evento. Veja a seguir a relação das matérias da nossa cobertura. Lembrando que você pode ler sobre demais festivais de cinema clicando na aba Festivais, no menu.