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Cine666 – Assista ao curta Cofre

Sinopse: Desde que o halloween se passou, a senhora das trevas continua vivendo naquele apartamento. Três minutos de horror feitos por Lotta Losten e eu.

Superficial, Por Trás da Linha de Escudos aborda polícia

Os ânimos estão à flor da pele.  A época no Brasil é de chumbo, de crise política e de uma polaridade extremista entre direita e esquerda, “coxinhas x petralhas”. Em meio às manifestações partidárias e apartidárias, os batalhões da polícia entram e ganham cada vez mais destaque nos noticiários. Agora, é nas lentes das câmeras que o Batalhão de Choque (força máxima) da Polícia Militar de Pernambuco será mostrado, mas sob um outro ângulo. Após passar pelo 8º CachoeiraDoc – Festival de Documentários de Cachoeira (BA), o documentário Por Trás da Linha de Escudos estreou na 50ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro com um relato que pretende mostrar os dois lados da moeda (policiais e manifestantes) e fugir da ideia de filme-denúncia.
 
O longa-metragem com pouco mais de 1h30 de duração tem direção do pernambucano Marcelo Pedroso, figura já reconhecida e prestigiada na capital. Na edição do festival de 2014, ele conquistou cinco prêmios – incluindo melhor direção e roteiro – com sua ficção Brasil S/A. Desta vez filmando a realidade, o cineasta adentra nos bastidores do batalhão de choque (acionado apenas em situações extremas) para mostrar o que há por trás dos escudos intimidadores.
No filme documental, o diretor assume à frente da câmera para entrevistar membros do batalhão e manifestantes. As entrevistas, no entanto, seguem uma linha fria, sem aprofundamento, já que os contratados do Estado revelam discrição e separam a vida íntima da profissional. São poucas as opiniões que saem do “Estamos servindo a lei e não podemos questionar”. Tomadas das manifestações no estado de Pernambuco, no entanto, são pontos fortes que tiram um pouco a produção do superficialismo. Este é o caso da cena do disparo de um spray de pimenta lançado contra um manifestante pacífico durante a operação feita para aniquilar o movimento Ocupe Estelita (2014), em Recife.
A partir deste momento, o longa consegue sair da frieza ao retratar a dor dos que ali estavam. Destaque também para a experiência do Bope e da própria equipe de filmagem de ter a visão e a respiração afetadas por tal substância. A sensação de asfixia contamina. Mesmo assim, Por Trás da Linha de Escudos fica na esfera de um documentário pouco impactante, pouco humano, afinal, outros tipos de tortura usados pelos policias (como bombas) não são mostrados, assim como a intimidade destes. Afinal, o que, de fato,  pensam tais policiais? Como eles reagem em sua casa, com sua mulher, mediante tanta violência?


*Por Clara Camarano – 
contato@cine61.com.br

Por Trás da Linha de Escudos (Brasil, 2017) Dirigido por Marcelo Pedroso.

Documentário abre espaço para reivindicações indígenas

A exibição do filme Damrõze Akwe, que ocorreu na quinta (21/09), durante o 50º Festival de Brasília de Cinema Brasileiro, foi marcada pelas mensagens do casal Durkwa e Sawidi Xakriabá, indígenas protagonistas do filme. Em discursos antes do filme, eles explicam que o filme é um resgate cultural do povo historicamente massacrado. Eles reivindicaram demarcações de terras indígenas. “Nós protegemos a mãe Terra, a Mãe Natureza. Demarcações já!”, protestaram. No debate após o filme, Durkwa também reinvindicou o “lugar enquanto um Xakriabá que, historicamente, é um povo de luta engajado em defender todos os indígenas”. Ele conta que muitos de seus antepassados tiveram a língua cortada para que se fosse obrigado a falar o português. “Estamos em um mundo que temos que fazer o que nos é imposto”, critica.
Fotos: Bruno Santa Rita
Ele ironizou que, na ida para o Cine Brasília, para a exibição do filme, ele e a esposa foram questionados se eram “indígenas de verdade”. Durkwa reclama que até hoje ainda são vistos por muitas pessoas como ornamentação. Além disso, durante o festival, uma mulher se surpreendeu com a presença dos indígenas e pediu uma foto com eles (o que foi recusado). O filme Damrõze Akwe, dirigido pelo jornalista Guilherme Cavalli, traz um resgate cultural do povo Xakriabá, povoado que ocupa terra próximo área no norte de Minas Gerais. A cerimônia do casamento de Durkwa e Sawidi, segundo eles, é o “maior resgate” feito nos últimos anos pelo seu povo. “Meu sonho era casar na minha cultura”, confessa Sawidi em trecho do filme.
“O casamento é fortalecimento para mostrar que temos o nosso mundo para viver e não um mundo imposto para nós”, explica Durkwa a respeito de costumes que foram incorporados ao povo Xakriabá. Ele questiona o fato dessas imposições terem tomado o lugar de alguns hábitos. Muito se questiona a respeito da pintura corporal usado na cerimônia. Quanto a isso, no debate, Durkwa explicou que as pinturas são uma representação espiritual que tem a ver com a sua emoção do momento. “Não é como a tatuagem. A pintura sai e dá lugar a outra, com outro significado. Temos pinturas para o casamento, para quando estamos tristes ou felizes”, comenta.


O documentário surgiu a partir de um convite que Guilherme recebeu para ir ao casamento dos indígenas como amigo. Ele conta que estava com a câmera e resolveu fazer umas imagens. “A ideia inicial era dar um vídeo de presente para eles”, concorda. Ele resolveu produzir o Trabalho de Conclusão de Curso em jornalismo, acabou decidindo voltar para a aldeia e produzir as entrevistas para completar o filme. A mais alta menção não foi o único resultado. O sonho virou filme. Cavalli se mostrou muito feliz com a oportunidade de poder exibir o filme em uma das maiores salas do país e lembra que é importante dar espaço para a população que está na margem de resgatar a sua cultura e de se reafirmar na sociedade.

*Por Bruno Santa Rita, da Agência UniCEUB

Comédia Jeitosinha estreia na Mostra Brasília

As pratas da casa novamente tiveram seu momento de brilhar na 50ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.  O tradicional cinema da capital – Cine Brasília – teve lotação máxima na última quarta-feira pelo público ansioso para assistir a estreia de Jeitosinha na Mostra Brasília. O longa-metragem dirigido por Johil Carvalho e Sérgio Lacerda é uma adaptação da cômica web-novela Jeitosinha, Mas Vagabunda (2001), escrita por Maurício Ricardo.
O roteiro desta produção é assinado pelo autor Paulo Halm. Para quem não conhece a história, Jeitosinha (Bianca Muller) é uma jovem diferente, conhecida por sua delicada e exímia beleza na cidade fictícia chamada Vila JK. Criada por uma família com princípios machistas, a menina descobre já na adolescência ser um garoto. Rejeitada e revoltada com os pais e irmãos, a protagonista foge de casa e começa a se aventurar por Brasília.
Cenas em um prostíbulo e tomadas bem características da capital federal fazem parte da produção de 1h30 de duração. Paralelamente à descoberta, Jeitosinha vive um grande amor. Ela se apaixona perdidamente pelo advogado de sua família, o doutor Bruno (Vinícius Zinn). A história envolve e tira boas gargalhadas. Afinal, a dupla de diretores optou por deixar a produção no tom do Teatro do Absurdo, com personagens bem caricatos. A exemplo do pai, o típico machão vivido por André Mattos.
O ator brasiliense Sérgio Sartório também se destaca como o irmão mais velho da garota. Alana Ferrigno também compõe o elenco na pele da prostituta Laura. Apesar de algumas manifestações de indignação devido ao assunto da transexualidade estar em voga, a mensagem não é de uma apologia contrária e negativa. Afinal, são os machistas que se dão mal no filme.  Vale a pena assistir e prestigiar as pratas da casa. Em breve, Jeitosinha vai estrear em circuito nacional.
 
*Por Clara Camarano – contato@cine61.com.br


Jeitosinha (Brasil, 2017) Dirigido por Johil Carvalho e Sérgio Lacerda. Com Bianca Muller, André Mattos, Vinicius Zinn, Carmem Moretzsohn, Sergio Sartorio, Adriano Siri, Tulio Starling, André Cezar Mendes, Alana Ferrigno, Ana Wolf…

Especial Festival de Brasília – 50 x Cinema

Um dos mais importantes eventos audiovisuais do país, o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro chega em 2017 à sua 50ª edição e homenageia o cineasta Nelson Pereira dos Santos, diretor de longas como Vidas Secas (1963), O Amuleto de Ogum (1974) e Memórias do Cárcere (1984). O festival, criado em 1965 e interrompido entre 1972 e 1974 por pressão da Ditadura Militar, já premiou com o prestigiado Troféu Candango produções como Xica da Silva (1976), A Hora da Estrela (1985) e Baile Perfumado (1996).

Para celebrar a história do evento e mostrar os acontecimentos que marcam a edição deste ano, a TV Brasil exibe neste sábado (23 de setembro), às 22h30, o programa Festival de Brasília – 50 x Cinema. A atração é apresentada pela jornalista Priscila Rangel e traz depoimentos de cineastas como os irmãos Walter e Vladimir Carvalho, Suzana Amaral, Cacá Diegues e Anna Muylaert, além de atores como Matheus Nachtergaele e Júlia Lemmertz.

Nos dias anteriores à exibição do especial, a emissora pública antecipa curiosidades sobre o Festival de Brasília com uma série de seis interprogramas que contam um pouco de cada década do evento. As peças resgatam os principais momentos do cinema brasileiro, atrelando sempre à própria história do festival. Cada peças é dedicada a uma das décadas do evento e traz um filme ganhador do Troféu Candango daquele período.

Adirley Queirós

O impacto do Regime Militar, o movimento do Cinema Novo, o surgimento e o fim da Embrafilme, a retomada do cinema nacional e o nascimento da Ancine são alguns dos episódios históricos lembrados. Ao combinar essa perspectiva histórica com uma abordagem factual, o especial “Festival de Brasília – 50 x Cinema” aborda ainda a efervescência desta edição, mostra os filmes que concorrem na Mostra Competitiva e as novidades do evento em 2017.

Walter Carvalho

Depoimentos

O especial da TV Brasil traz a participação de atores e diretores sobre o evento audiovisual de Brasília. Para Matheus Nachtergaele, o reconhecimento nessa premiação é diferente. “É um festival quente, vivo, importante e, para um filme de arte, é uma chancela ter um Candango”.

Suzana Amaral

A atriz Júlia Lemmertz, que durante anos apresentou o programa Revista do Cinema Brasileiro na TV Brasil, também fala com carinho sobre o evento. “O Festival de Brasília é de muita efervescência do público. É o meu festival preferido”. O cineasta Walter Carvalho resume. “É um lugar que converge a síntese da resistência do cinema nacional”.

Referência para profissionais do audiovisual e para o público, o evento surgiu numa época difícil da história do país. “O Festival de Brasília nasceu sob um fogo contrário, da ditadura, da perseguição e da falta de liberdade de expressão”, explica o cineasta Vladimir Carvalho. O também diretor de cinema e fotografia Walter Carvalho, irmão de Vladimir, completa ao ressaltar o contexto da época. “O grupo que fazia o Cinema Novo não sabia que estava mudando um pedaço da cultura brasileira”.

Vladimir Carvalho

Walter ainda aborda o trabalho de Eduardo Coutinho, saudoso documentarista que levou duas estatuetas do Troféu Candango com os filmes Peões (1999) e Santo Forte (2004). “A importância do cinema do Eduardo Coutinho é ímpar. É um cinema que norteia”. A cineasta Suzana Amaral fala sobre o seu perfil durante o especial da emissora pública. “Eu sou muito firme, não digo brava, mas sei o que quero e eu brigo por isso. Eu quero fazer aquilo que eu acho certo”, diz Suzana Amaral, diretora de A Hora da Estrela, primeiro filme realizado por uma mulher a ganhar o Festival de Brasília.

Mãe faz de tudo para resgatar o filho em O Sequestro

Em sua carreira marcada por altos e baixos, Halle Berry está de volta com O Sequestro. O longa-metragem tem direção de Luis Prieto e é um thriller daqueles que são reprisados inúmeras vezes na televisão aos sábados. Isso significa que o roteiro escrito por Knate Lee segue à risca todos aqueles clichês do gênero, o que pode gerar frustração em quem espera algo novo. Quem gosta de filmes com perseguição e suspense, contudo, pode aproveitar mais o título.

A trama representa uma situação aterrorizante: o sequestro de uma criança. Os créditos iniciais mostram o pequeno Frankie (Sage Correa) desde o nascimento, numa série de filmagens caseiras onde é possível ouvir os comentários da mãe, que derrete-se em elogios. A voz é de Berry, que interpreta Karla Dyson. Ela é uma garçonete divorciada que cuida do filho mesmo com o trabalho puxado. Por um descuido, ela acaba se perdendo de Frankie no meio de um parque.

Na verdade, a criança foi sequestrada em plena luz do dia. Karla consegue ver o filho sendo forçado a entrar em um carro muito suspeito e tem início uma implacável corrida entre os dois veículos. Tudo acontece de forma empolgante e dinâmica, pois a trama se desenvolve rápido, focando na ação. A partir daí, é possível ver a mulher fazer de tudo para recuperar o pequeno. A motivação do crime é algo que só é revelado no final.

Com alguns bons momentos, o filme consegue despertar interesse ao criar situações tensas. O curioso é que este parece ser um papel complementar ao que a atriz fez em Chamada de Emergência, de 2013. A diferença é que, desta vez, Hale Berry é quem está precisando de ajuda. Apesar de ser um trabalho facilmente esquecível que parece ter sido feito nos anos 90, é mais um exemplar que deve funcionar mais para os fãs de thrillers.

*Por Michel Toronaga – micheltoronaga@cine61.com.br


Veja aqui o trailer do filme O Sequestro:



 
Kidnap (EUA, 2017) Dirigido por Luis Prieto
. Com Halle Berry, Sage Correa, Chris McGinn, Lew Temple, Jason George, Christopher Berry, Arron Shiver…

Pendular equilibra os sentimentos com perfeição

Premiado no Festival de Berlim desse ano, o longa-metragem Pendular é um dos fortes concorrentes na mostra competitiva do 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. O filme dirigido por Júlia Murat (Histórias que Só Existem Quando Lembradas) estreia esta semana no circuito comercial e fala sobre arte e amor. E também sobre o amor pela arte e arte de amar. Raquel Karro interpreta uma dançarina, enquanto Rodrigo Bolzan vive um artista que faz exposições com suas esculturas. O público pode acompanhar a mudança do casal para um galpão que serve tanto para morar quanto para trabalhar.
Delicado, o filme mostra as sutilezas da vida a dois, com detalhes que soam extremamente verdadeiros. E aqui vale destacar a qualidade da atuação dos atores, que carregam um grau de intimidade e envolvimento nem sempre vistos na telona. Esse relacionamento sincero – que inclui cenas de sexo nuas e cruas – é um dos pontos fortes da produção. E o tom honesto do relacionamento provavelmente se deve ao fato do roteiro ter sido escrito tanto pela diretora Júlia Murat quanto pelo próprio marido, Matias Mariani.
A trama, que é dividida em capítulos, revela o cotidiano dos dois, que dividem sob o mesmo teto, sentem a mesma paixão pela cultura, mas não possuem necessariamente os mesmos planos. Na história, há espaço para a vida social, que inclui jogos com os amigos e festas. O foco, contudo, é a relação entre os protagonistas: seus segredos, seus passados, seus ensaios e processos criativos. Em Pendular, a dança representa, mais do que tudo, uma forma de expressão. Pelos movimentos do próprio corpo, Karro dá voz à sua personagem sem precisar abrir a boca.
Um trabalho belíssimo e muito bem realizado, que chama a atenção também pela parte técnica. A fotografia, a trilha sonora envolvente e todos os outros aspectos da produção funcionam com harmonia. O filme acaba, mas fica a vontade de saber mais da história. Murat tem o mérito de se aproximar tanto da realidade que o resultado é tocante e humano, o que significa expor tanto as qualidades quanto os defeitos das pessoas. Pendular mostra como o equilíbrio e a compreensão são necessários para qualquer relacionamento adulto. E como amar é uma verdadeira arte.


*Por Michel Toronaga – micheltoronaga@cine61.com.br

Veja aqui o trailer do Filme Pendular:


Pendular (Brasil / Argentina / França, 2017) Dirigido por Júlia Murat. Com Raquel Karro, Rodrigo Bolzan, Neto Machado …

Longa de Ceilândia concorre a melhor filme no festival

Uma nave aterrissa na capital federal. A bordo, um agente intergaláctico que recebeu uma missão peculiar em 1959. Ele devia descer à Terra e matar o presidente Juscelino Kubitschek no dia da inauguração de Brasília. Perdido no espaço por anos, o protagonista dessa história acaba caindo em Ceilândia, em 2016. Desnorteado, agora ele se encarrega da tarefa de “acabar com os monstros que tomaram o poder no Brasil”, como define o diretor Adirley Queirós, a mente por trás dessa ideia. Aos 47 anos — 40 vividos em Ceilândia —, o cineasta levará um retrato do momento político brasileiro à telona do Cine Brasília (106/107 Sul) durante o 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Representante do DF na mostra competitiva, Era Ema Vez Brasília trabalha a perspectiva política do País desde 2015.

Foto: Renata Araújo

Em cenários noturnos, com imagens documentadas das manifestações populares de 2016, o diretor apresenta uma construção que não segue uma narrativa temporal, mas com a realidade atual como base. “O Brasil pós-golpe vive um processo nebuloso, uma atmosfera apocalíptica. É isso que queremos materializar”, defende o goiano radicado no DF desde 1975. De acordo com ele, o cenário sombrio onde atua o elenco é uma forma de expressar a ideia de que o sol nunca mais nasceu no País. “Temos clareza sobre o movimento que ocorre no Brasil, em que os direitos das classes populares e da periferia são ceifados”, argumenta.

Era Uma Vez Brasília
A característica política da obra, no entanto, não tem pretensão de ser militante nem representa movimentos organizados ou de esquerda, como explica o diretor. “O que queremos é contar a história do contexto no qual estamos inseridos.” As gravações, que começaram em 2015, e a produção contaram com recursos de R$ 350 mil do Fundo de Apoio à Cultura (FAC). A linha de documentário fabular defendida por Queirós é um modelo de construção da realidade por meio de personagens ficcionais.

Eles são interpretados por atores de Ceilândia: Wellington Abreu, Andreia Vieira, Marquim do Tropa e Franklin Ferreira. “Propus a eles que criassem uma história para os personagens de forma livre”, destaca o diretor sobre o processo de criação. Será a terceira vez que Adirley Queirós disputa o Troféu Candango no Festival de Brasília. Em 2005, ele levou os prêmios principais dos júris oficial e popular com o curta Rap, o canto da Ceilândia. Em 2014, ele venceu na categoria principal do 47º Festival de Brasília com Branco Sai, Preto Fica (2014), seu segundo longa-metragem.

Veterano na competição, o cineasta considera a mostra local a mais importante do País. “O Festival de Brasília se distingue dos outros porque abre uma janela política, tem potência de agregar conhecimento e de se transformar em um espaço de reflexão.” A estreia mundial de Era Ema Vez Brasília ocorreu no Festival Internacional de Cinema de Locarno, na Suíça, onde recebeu menção especial do júri. No Brasil, a primeira exibição será em 22 de setembro, às 21h, no Festival de Brasília. 
*Por Gabriela Moll – da Agência Brasília

A semana (21/9 a 27/9) no Espaço Itaú de Cinema

Veja a seguir os filmes que passarão esta semana no Espaço Itaú de Cinema, que fica no shopping CasaPark (Guará). A programação completa, com todos os horários, você encontra no site oficial da rede: http://www.itaucinemas.com.br/ Antes, confira os valores atualizados dos ingressos do Espaço Itaú de Cinema Brasília.


Emoji: O Filme – Textopolis é a cidade onde os Emojis favoritos dos usuários de smartphones vivem e trabalham. Lá, todos eles vivem em função de um sonho: serem usados nos textos dos humanos. Todos estão acostumados a ter somente uma expressão facial – com exceção de Gene, que nasceu com um bug em seu sistema, que o permite trocar de rosto através de um filtro especial. Determinado à se tornar um emoji normal como todos os outros, eles vai encarar uma jornada fantásticas através dos aplicativos de celular mais populares desta geração – e no meio do caminho, claro, fazer novos amigos.

O Assassino: O Primeiro Alvo – Stan Hurley (Michael Keaton), veterano da Guerra Fria, recebe sua tarefa mais complexa enquanto agente de treinamento da CIA quando o seu superior ordena que Hurley treine um ex-soldado das forças especiais, cujo estado psicológico está devastado após a morte de sua noiva.

Feito Na América – Barry Seal (Tom Cruise) é um piloto que trafica drogas e armas para o mítico cartel de Medellín e, recrutado pela CIA, torna-se agente duplo.

O Sequestro – Uma mulher (Halle Barry), que tem seu filho sequestrado em um parque local, embarca numa corrida contra o tempo para salvá-lo.

Mãe!
Mãe! – Um casal tem o relacionamento testado quando pessoas não convidadas surgem em sua residência acabando com a tranquilidade reinante.



Columbus – Casey mora com sua mãe em uma pequena cidade assombrada pela promessa de modernismo. Jin, um visitante do outro lado do mundo, comparece para ver seu pai, que está morrendo. Sobrecarregados pelo peso do futuro, eles encontram refúgio um no outro e na arquitetura que os cerca.

Rodin – Em 1880, o escultor Auguste Rodin (Vincent Lindon) já é bastante conhecido, mas nunca conseguiu nenhuma encomenda do Estado. Esta oportunidade chega aos 40 anos de idade, com a escultura “La Porte de l‘Enfer”. Enquanto trabalha, ao lado da esposa Rose Beuret (Séverine Caneele), apaixona-se pela aluna Camille Claudel (Izïa Higelin), sua aprendiz mais talentosa, que se torna sua amante. Quando este relacionamento escondido acaba, Rodin muda radicalmente a forma de seus trabalhos.

Divórcio – O casal Noeli (Camila Morgado) e Júlio (Murilo Benício) leva uma vida humilde, até que os dois ficam ricos depois de criar um molho de tomate que virou sucesso nacional. Com o passar dos anos os dois vão se distanciando e um incidente é a gota d‘água para a separação. Enquanto vão em busca do melhor advogado para defender o patrimônio, os dois se envolvem num processo de divórcio complicado.

O Piano que Conversa
O Piano que Conversa – A relação entre músicos e seus instrumentos é ilustrada com encontros afetivos do pianista Benjamim Taunkin com diferentes costumes relacionados à música no Brasil, na Bolívia e na Coréia do Sul. O resultado desses encontros é uma reflexão sobre a diferença entre as relações em cada cultura, além de arranjos e uma cinebiografia não intencional.

Como Nossos Pais – Rosa (Maria Ribeiro), 38 anos, é uma mulher que se encontra em uma fase peculiar de sua vida, marcada por conflitos pessoais e geracionais: ao mesmo tempo em que precisa desenvolver sua habilidade como mãe de suas filhas, manter seus sonhos, seus objetivos profissionais e enfrentar as dificuldades do casamento, Rosa também continua sendo filha de sua mãe, Clarice (Clarisse Abujamra), com quem possui uma relação cheia de conflitos.

A Garota do Armário – Uma jovem de quatorze anos de idade que tem que experimentar trabalhar por uma semana como parte de um projeto escolar. Por isso, sua mãe arranja um estágio para a menina na companhia de seguros onde trabalha como executiva júnior. Porém, enquanto reorganiza um armário de armazenamento a jovem descobre alguns segredos desagradáveis que a empresa mantém escondido e que podem envolver sua mãe.

Polícia Federal – A Lei é Para Todos – Inspirado em fatos reais sobre a Operação Lava-Jato, uma série de investigações sobre a corrupção no Brasil, desde o início do processo até a condução coercitiva do ex-presidente Lula. Marcelo Serrado interpreta o juiz Sérgio Moro.

As Duas Irenes

As Duas Irenes – Irene (Priscila Bittencourt) é a filha do meio de uma família tradicional do interior, que um dia descobre que o pai (Marco Ricca) tem uma filha fora do casamento, também chamada Irene (Isabela Torres) e da mesma idade que ela. Revoltada com a descoberta, Irene passa a se aproximar de sua meio-irmã e da mãe dela, sem revelar sua identidade. É o início de uma cumplicidade entre elas, que passa também pela descoberta da sexualidade.


Bingo – O Rei das Manhãs – Cinebiografia de Arlindo Barreto, um dos intérpretes do palhaço Bozo no programa matinal homônimo exibido pelo SBT durante a década de 1980. Barreto alcançou a fama graças ao personagem, apesar de jamais ser reconhecido pelas pessoas por sempre estar fantasiado. Esta frustração o levou a se envolver com drogas, chegando a utilizar cocaína e crack nos bastidores do programa.

Pendular – Em um galpão abandonado, um casal de artistas contemporâneos observa a arte, a performance e sua intimidade se misturarem. A partir de sequentes contradições, eles vão aos poucos perdendo sua capacidade de distinguir o que faz parte dos seus projetos artísticos e o que nada mais é que a relação amorosa, criando até mesmo um conflito com seu passado.
It – A Coisa – Um grupo de sete adolescentes de Derry, uma cidade no Maine, forma o auto-intitulado “Losers Club” – o clube dos perdedores. A pacata rotina da cidade é abalada quando crianças começam a desaparecer e tudo o que pode ser encontrado delas são partes de seus corpos. Logo, os integrantes do “Losers Club” acabam ficando face a face com o responsável pelos crimes: o palhaço Pennywise.

Café com Canela ressalta o amor em sua simplicidade

O amor tem cor, cheiros, sabores e respiração. E não necessariamente este amor envolve um casal, mas pessoas que se inter-relacionam. Todos estes sentidos e sensações são explorados no filme da dupla mineira Ary Rosa e Glenda Nicácio, Café com Canela. O longa-metragem baiano marca a estreia da dupla no cinema e conta com uma produção universitária de primeira categoria. Estudantes da UFRB (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia) se envolveram na construção do cenário que dá vida ao filme que concorre, merecidamente, ao troféu Candango na Mostra Competitiva da 50ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.
O companheirismo, a solidariedade, os quitutes baianos e os trejeitos deste povo, tão alegre e receptivo, compõem a essência de Café com Canela. Aliás, em um enredo simples e com uma estética simples que não se apropria de grandes recursos de filmagem. E nem precisa. Em 1h40 de duração, o público se envolve no cotidiano de personagens solitários, mas rodeados pelos vizinhos e por amor. No cerne da trama está Violeta (Aline Brunne), uma moça que se casou jovem e anda diariamente em sua bicicleta para ganhar a vida vendendo coxinhas. Ela também cuida da avó doente.
Paralelamente, Margarida (Valdinéia Soriano) é uma senhora que se isolou da sociedade após a perda do seu filho Paulo. Em uma simbiose de tirar lágrimas, a dupla de protagonistas – duas mulheres negras – se reencontra. Margarida foi professora de Violeta na infância. Em cenas cotidianas, na troca de rosas e de carinhos (o nome das protagonistas não é à toa), estes encontros entre ambas são regados a cafés com canela. Dá até para sentir o cheiro do café fresquinho nas tomadas e na descrição da preparação da bebida.
 
Não bastasse esta bela pegada que dá voz às mulheres negras e aos detalhes, há espaço ainda para personagens como o casal homoafetivo formado pelo doutor Ivan (Babu Santana) e um homem mais velho, Adolfo (este vivido pelo ex-diretor da Companhia da Ilusão de Brasília, Antônio Fábio). Todos são vizinhos e, apesar das dores e problemas individuais, a parceria na comunidade e a aceitação recíproca, dão um colorido para a produção. Oxentes, músicas de umbanda e candomblé e este jeitinho baiano de ser e receber as pessoas ficam escancarados. De chorar pela sensibilidade, mas também de gargalhar. Afinal, o bom humor consegue transformar tragédia em leveza e até em comédia.

*Por Clara Camarano – contato@cine61.com.br

Veja o trailer do filme Café com Canela:




Café com Canela (Brasil, 2017) Dirigido por Ary Rosa e Glenda Nicacio.