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Festa Contraplano, do FBCB, será no Estádio Nacional

Vem aí a Contraplano de onze anos, a festa oficial mais cinematográfica e concorrida de Festival de Cinema de Brasília. No sábado, 23 de setembro, a comemoração oficial do 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro será na Contraplano, o cenário ideal para as mais incríveis histórias de aventura, comédia, suspense e romance. Realizada anualmente pelas produtoras TMTA e Start Filmes, a festa reúne o melhor do audiovisual brasileiro com um elenco mais que especial, além de cineastas, realizadores, produtores, profissionais e amantes do cinema. Na Contraplano não tem coadjuvante!
A locação muda este ano para maior conforto do público: mais perto, maior e cinematográfico. O set montado para este ano será no Estádio Nacional, em diversos ambientes ainda inexplorados, com 3 grandes pistas de dança especialmente preparadas e cenografia/fotografia dignas de grandes produções. A trilha sonora conduzirá a imersão no fantástico mundo da produção cinematográfica, com o que há de melhor e mais expoente na cultura musical da cidade.
Banda Muntchako 
Dividida em três pistas, a trilha sonora desta edição contará com vários estilos, além de música ao vivo. A pista Contraplano será composta pelo DJS Lethal, Fibo (Festa Boogie), Tonny, Wash, Komka e Glaucia ++. A pista cinema terá como destaque a cantora Flora Matos discotecando, além do DJS A, Xamã, Batma, Donna, Chicco Aquino e Itin do Brasil (Festa Perde a Linha). A terceira pista, batizada de Festival será ocupada pelos curitibanos da banda Central Sistema de Som e os brasilienses dos grupos Munchako, além dos DJS Criolina (Pezão, Barata e Ops).
DJ Flora Matos
Como sempre, estrelando também os aniversariantes do mês de setembro: Nascidos entre os dias 18 a 27 de setembro são os convidados especiais. Entre em contato através do inbox da página da Contraplano.

LINE-UP CONTRAPLANO TAKE#11
Local: Estádio Nacional de Brasília
Data: 23 de setembro de 2017 (sábado), a aprtir das 22h
Ingressos
R$ 60,00 até 19 de setembro
R$ 80,00 até 23 de setembro e R$ 100,00 após (sujeito alteração sem prévio aviso)
Venda somente no site https://www.eventbrite.com.br/e/contraplano-take11-tickets-37271491033


PISTA CONTRAPLANO 
DJ Lethal
DJ Fibo (Festa Boogie)
DJ Tonny
DJ Wash
DJ Komka
DJ Glaucia ++





PISTA CINEMA
Flora Matos (DJ set)
DJ A
DJ Xamã
DJ Batma
DJ Donna
DJ Chicco Aquino
DJ Itin do Brasil (Festa Perde a Linha)

PISTA FESTIVAL
Banda Central Sistema de Som
Banda Munchako
Banda Passo Largo
Criolina (DJ Pezão e DJ Barata)
DJ Ops

Confirme presença no evento:
www.facebook.com/events/1892068041120667

Documentário do DF fala sobre casamento indígena

Este ano o Festival de Brasília de Cinema Brasileiro chega à sua 50ª edição. São nove longas-metragens e 12 curtas concorrendo ao troféu candango do festival . O festival também vai contar com a 22ª edição do Troféu Câmara Legislativa, que tem como um dos participantes o curta-metragem de 21 minutos e 39 segundos, Damrõze Akwe, do jornalista Guilherme Cavalli. O filme dele mostra um pouco de como é o ritual de casamento indígena do povo Xakriabá do norte de Minas Gerais. O troféu Câmara Legislativa conta com quatro longas e 13 curtas-metragens e distribui R$ 240 mil em prêmios.

Foto: Guilherme Cavalli

Guilherme presenciou a cerimônia pela primeira vez em dezembro do ano passado, quando produziu as imagens que, inicialmente, seriam apenas um presente para o casal Sawidi e Durkwa Xakriabá. “Fiquei uma semana entendendo como acontecia o ritual e captando as imagens”, conta. Algum tempo depois, o documentarista voltou para Minas para gravar os depoimentos dos indígenas.

Foto: Edgar Correa

Para o futuro, ele reserva surpresas. Não sabe ainda se vai continuar produzindo, mas garante que a paixão pela sétima arte é eterna. “Não sei se vem novas coisas por aí, mas acho que sempre tem a opção de trazer temáticas marginais para a sociedade com o cinema”, afirma. Ele explica que o tema surgiu em um dos debates de pauta na redação da Agência de Notícias UniCEUB. Guilherme gostou tanto do assunto que direcionou-o para o tema de seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).

*Por Bruno Santa Rita, da Agência UniCEUB

Comentários sobre os curtas O Peixe, Nada e Inocentes

Exibidos antes dos longas-metragens, os curtas da mostra competitiva do 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro mostram a diversidade de olhares e técnicas do audiovisual nacional. O Peixe, de Jonathas de Andrade, revela o costume de alguns pescadores pernambucanos. Após pescarem os animais, eles os abraçam, numa relação de respeito e carinho com os seres que morrem à medida que ficam fora da água.

O Peixe
Com belas imagens e nenhum diálogo, o filme é carregado por um clima dramático e promove a reflexão sobre a vida e a morte dos animais. Uma forma mais sentimental do que a pesca comercial ou o abate automatizado de outros animais em grandes frigoríficos. Poderia ser melhor se fosse mais enxuto. Os diversos personagens que aparecem no documentário fazem as mesmas sequências, o que acaba por tornar a projeção um tanto repetitiva.

Nada

Gabriel Martins mostrou o recorte de uma adolescente que não quer fazer nenhuma faculdade. No curta Nada, o público pode acompanhar Bia, uma jovem que gosta de rap e acredita que não se encaixa no sistema. Não se sente na obrigação de cursar o ensino superior, o que preocupa sua família. A produção mineira brilha por causa dos diálogos divertidos e realistas. É aquele tipo de filme que é fácil de se acompanhar e que já prende a atenção desde o início. Com momentos engraçados e outros com uma pitada de drama, o curta cumpre seu papel ao fazer o que os melhores curtas fazem: deixar a plateia querendo ver mais.

Inocentes
O diretor Douglas Soares se inspirou no fotógrafo Alair Gomes para fazer Inocentes. Brincando com imagens, tanto na fotografia estática quanto no cinema em movimento, o curta apresenta belas tomadas da praia de Ipanema e dos homens que a frequentam. Todo rodado em preto e branco e todo trabalhado na sensualidade, o filme é uma verdadeira homenagem ao artista, que clicou a figura masculina com um olhar voyeur repleto de desejo. Ressalta a fantasia fetichista de surfistas seminus através de lentes homoeróticas. Bem produzido, surpreende pelas imagens explícitas, todas filmadas com técnica e respeito. As imagens, assim como a fotografia, fazem um jogo da luz e da escuridão, assim como o permitido e o recriminado (tanto nos 70 quanto nos dias de hoje), resultando num delicado – e picante – trabalho. O Rio de Janeiro continua lindo!

*Por Michel Toronaga – micheltoronaga@cine61.com.br

Fotos históricas marcam exposição dos 50 anos do festival

Parte das comemorações de meio século do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, a exposição fotográfica Entre Olhares e Afetos pode ser visitada até 1º de outubro no Museu Nacional. A mostra apresenta fotos de atores, atrizes, cineastas e personalidades do cinema brasileiro em momentos do histórico festival e de seus bastidores. Uma delas, por exemplo, retrata Leila Diniz na piscina do Hotel Nacional. 
Fotos: Júnior Aragão
Os visitantes verão também imagens de diretores como Vladimir Carvalho, Márcio Curi e Geraldo Moraes. Fernanda Montenegro aparece em uma cena de seu primeiro filme, A Falecida. O acervo foi cedido pelo Arquivo Público do Distrito Federal.  
Com a exposição, foi lançada a publicação especial Entre Olhares e Afetos — 50 Festivais de Brasília do Cinema Brasileiro. Sob a organização da professora Rose May Carneiro, a obra traz textos de Sérgio Bazi e Sérgio Moriconi, jornalistas e críticos de cinema. Ela será distribuída para convidados e equipes concorrentes da 50ª edição.

Exposição Entre Olhares e Afetos
Até 1º de outubro (domingo)
No Museu Nacional (Setor Cultural Sul, próximo à Rodoviária do Plano Piloto)
Visitação: de terça-feira a domingo
Das 9 horas às 18h30
Entrada gratuita

*Por Larissa Sarmento, da Agência Brasília

Drama Vazante expõe o sombrio passado brasileiro

O longa-metragem Vazante estende a temática da exclusão e do preconceito para o período da escravidão e do racismo exacerbado sentido nas peles. Nas peles negras, brancas, pardas, dentre outras. A produção dirigida pela carioca Daniela Thomas (sua primeira direção solo após inúmeras parcerias com Walter Salles) adentra no século 19 e nas origens da escravidão e seus resquícios. O filme passou pela Mostra Panorama do Festival de Berlim deste ano e volta no Festival de Brasília para mostrar este retorno fidedigno ao tempo de “chumbos negros” – nos negros. Seja pelo figurino, pela opção da fotografia em preto e branco, o retorno é para um passado sombrio, seco, mórbido e voraz.
No interior de Minas Gerais, no município de Vazante, uma família habitante de uma fazenda colonial imponente, mas decadente, depara-se com os últimos dias do regime escravocrata. Brancos, negros nativos e africanos sofrem (sim, todos sofrem) com a amargura, inadequação para o período em que a escravidão começa a entrar em processo de abolição e, também, com a solidão e falta de comunicação, dentro e fora das etnias. No enredo, temos o protagonista Antônio (Adriano Carvalho), um homem que, ao perder a esposa em um trabalho de parto, resolve se casar de forma impositiva com a jovem e viril Beatriz (Luana Nastas). Retratos que, de fato, condizem com os costumes da época.
Esta trama central, no entanto, é quebrada pelo elenco de não atores escolhido pela diretora. Este time, aliás, é essencial para realçar a falta de comunicação explanada por um povo que mal sabe falar o português. Esta falta de compreensão é, ainda, acrescida por longas cenas propositais de silêncio. O clima se torna mais tenso e prova que o diálogo é o que menos importa em Vazante. Tal quanto os momentos de êxtases ou em sequências de violência.
A opção da diretora por cortes bruscos em cenas que poderiam causar um  maior reboliço é outro ponto forte. Cenas como a exploração de um negro transformam-se em uma rotineira reunião familiar para um almoço ou um jantar. É um “normal”, não normal criticado pelo absurdo. Além de todos estes requintes, destaca o trabalho do peruano Inti Briones pelo maravilhoso uso da fotografia. Imagens como a da chuva escorrendo por entre os tristes olhares dos negros, dos brancos, à delicadeza passada nos entreolhares de Beatriz com meninos negros revelam um mar de poesias e de amarguras que não precisam de tradução. Filme histórico, que mostra um drama que repercute no nosso século. Vale a pena assistir!


*Por Clara Camarano – 
contato@cine61.com.br

Veja aqui o trailer do filme  Vazante:



Vazante (Brasil / Portugal, 2017) Dirigido por Daniela Thomas. Com Adriano Carvalho, Luana Nastas, Sandra Corveloni, Juliana Carneiro da Cunha, Roberto Audio, Vinicius Dos Anjos…

Heloisa Passos estreia na direção em Construindo Pontes

Heloisa Passos, responsável pela direção de fotografia de mais de 20 títulos, entre os quais Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo; Mulher do Pai; Lixo Extraordinário e O Que se Move, é hoje membro da Academia de Artes e Ciência Cinematográfica de Hollywood e estreia na direção de longas com Construindo Pontes, selecionado para a competição do Festival de Brasília, onde será exibido no dia 19 de setembro. O documentário fala do embate político familiar e da relação afetiva entre a diretora e seu pai, engenheiro que trabalhou construindo pontes durante a ditadura militar. 

Construindo Pontes é um filme que não distingue a política da vida. As reminiscências são como a chegada inesperada de um trem: quando o forte tremor nos obriga a movimentar-nos para vislumbrar, mesmo no escuro, um outro horizonte. Na trama, Heloisa ganha de presente uma coleção de filmes em Super-8 com imagens das Sete Quedas, paraíso natural destruído no início dos anos 80 para a construção da maior usina hidrelétrica do mundo. Falar sobre a construção da usina, realizada no auge do regime militar brasileiro, desperta recordações de um passado imerso em um autoritarismo político e econômico. Projeções, mapas e fotos são usados como primeiras pontes para se chegar ao passado. Mas é o inevitável presente que golpeia Álvaro e Heloisa quando, diante da conturbada situação política do Brasil de hoje, cada um se coloca em um ponto oposto. 
A cineasta fala sobre seu longa: “O filme é conduzido pelas conversas que traço com o meu pai nos dias de hoje. Em busca de uma relação possível com ele, proponho idas ao passado através de projeções de fotos e filmes. Em jantares, na conversa quotidiana, entrelaçamos mundos. Mas o presente mostra suas garras: na televisão, o único tema é a perturbadora situação política do meu país que, menos de 30 anos depois do fim da ditadura, novamente tem o seu processo democrático sob risco. Esta, no entanto, é a minha visão. Para o meu pai, o futuro do Brasil está ligado a uma política autoritária. Proponho uma viagem, só nós dois. As fronteiras entre diretora e personagem foram borradas e estamos, ambos, pela primeira vez, abertos ao inesperado da vida – esta que, por algumas vezes, consegue ser mais inacreditável que a ficção.”

Januário Jr. fala de UrSortudo, que está na Mostra Brasília

Um dos destaques da Mostra Brasília do 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro é o curta-metragem UrSortudo. O filme que concorre ao 22º Troféu Câmara Legislativa e tem direção de Januário Jr., que é o idealizador da Mostra Curtas Paranoá. Na entrevista a seguir, o cineasta conversa um pouco sobre a sua obra.

Fala um pouco sobre a história do filme.
O filme UrSortudo, foi produzido com recursos do Edital Curta Afirmativo/2014, do Ministério da Cultura. É o único projeto do DF a ser contemplado na última edição do edital. Ao todo foram 33 projetos contemplados em todo Brasil. O curta retrata as consequências, físicas e psicológicas no âmbito social e familiar, sofridas por um dos milhares de casos de prisões e cumprimento de pena por engano no Brasil, e ilustra também a dificuldade dessas vítimas em reconstruir suas vidas dentro do ciclo social mais íntimo, após os “equívocos” da justiça. Em 2014, peritos da ONU visitaram algumas penitenciárias do país e constataram que, dos 550 mil detentos, cerca de 40% são presos provisórios, que ainda não receberam sentença. A maioria deles não tinham antecedentes criminais e foram alvos da regra de punir antes para averiguar depois. O drama no filme UrsSortudo é ficcional, mas desenha os efeitos irreversíveis daquilo que acontece na vida de quem já passou por essa situação: não conseguir emprego formal, conviver com o preconceito de carregar o título de ex-presidiário, não ter assistência para apagar as lembranças da barbárie na cadeia e ainda ter de provar repetidamente para a família, parentes e amigos que o preso por engano e vítima do sistema.

Não é a primeira vez que você aborda a temática da vida na periferia, não é?
Não. Minha carreira como realizador é concentrada e distribuída a partir da cidade do Paranoá, onde moro desde 2009. Me identifico muito com a cidade, com as histórias, com os dramas, com as vitórias e gosto daqui. Agora, sei que a periferia tem muitas histórias potenciais e incríveis para serem contadas. Sei porque vivencio isso todos os dias entre meus amigos, conhecidos e e pessoas da cidade. A questão é que o momento atual do Brasil, esse país de 2017 fortemente influenciado pelas trapalhadas políticas e seus poderes, pede um outro posicionamento e a periferia anseia por participar.

Você comentou que o curta é um drama com alívio cômico irônico. O que as pessoas podem esperar?
Teremos pessoas conflitando para defenderem suas ideologias e, no meio de tudo isso, a criatividade para trabalhar com o que se tem. Para resolver os problemas do cotidiano, acaba ajudando o protagonista e proporcionando algumas risadas.

Conte como foi feita a escolha do elenco.
O edital pedia que o elenco fosse predominantemente negro. Assim fizemos. Foram feitos dois testes de elenco, um na Faculdade Dulcina e outro aqui no Paranoá. Reforcei a parceria de trabalho com a internacional Silvia Paes e com meu parceiro de trabalho desde 2012, Jefferson Leão.

Quais suas expectativas em participar da Mostra Brasília?
Muito gratificado pelo 50º FBCB abrir espaço para discutir as consequências alarmantes do sistema de punição brasileiro, a partir da visão da periferia. Me parece que tem mais um filme sobre a temática. Acredito que será uma boa oportunidade para alimentar o debate. Principalmente, partindo do festival mais histórico e influente do país. Gratidão é a palavra.  

*Por Michel Toronaga – micheltoronaga@cine61.com.br

Aplicativo para votar nos filmes do Festival de Brasília

O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro completa 50 anos aliando inovação à tradição. Experimentando novas plataformas em sua edição histórica, o Festival lança aplicativo de celular para votação, garantindo que o público atue mais ativamente na escolha do filme vencedor da categoria Júri Popular nas mostras competitivas. O app, inédito, também facilitará o acesso à programação e oferecerá roteiros turísticos para quem visita a capital. Ao baixar o app e fazer o login – que será via cadastro ou vinculado a uma conta Google ou Facebook, o usuário terá acesso à programação dos 10 dias de evento, que acontece de 15 a 24 de setembro. 
Foto: Rômulo Juracy
Será por meio do aplicativo que o público irá escolher o melhor filme de longa-metragem para receber o Prêmio Petrobras de Cinema, que consiste em R$ 200 mil para o vencedor da Mostra Competitiva e R$ 100 mil para a Mostra Brasília, valores serão revertidos em contrato de distribuição. Já o ganhador da categoria de curtas recebe prêmios técnicos, fornecidos por parceiros do Festival. A votação só poderá ser feita no dia de cada sessão competitiva. Para votar, o usuário deve ter em mãos o ingresso que dá acesso ao cinema. Depois de efetuar o login, basta inserir o código que aparece no ingresso e dar notas para os filmes apresentados naquela noite. A nota, que pode variar de uma a cinco estrelas, precisa ser dada em até quatro horas a partir do horário de início da sessão, num raio de 400 metros do local de exibição. O Cine Brasília e as sedes de Taguatinga, Gama, Ceilândia e Sobradinho terão promotoras com tablets habilitados para a votação nesses pontos, seguindo as mesmas regras do app. Assim, quem não tiver acesso à internet ou ao aplicativo também pode participar. 
Troféu Candango. Foto: Pedro Ventura/Agência Brasília
Em parceria com o Experimente Brasília, laboratório criativo dedicado a moradores e turistas para a divulgação do potencial turístico da Capital, o aplicativo do Festival de Brasília vai oferecer, a preços especiais, duas experiências turísticas personalizadas. A primeira é a vivência “Experimente o estilo de vida autêntico dos brasilienses”, que mostra o estilo de quem vive em Brasília, uma cidade com asas e vista farta para o céu, onde se vive em blocos e desfrutam uma liberdade estética e utópica. A segunda tem o nome “Ampla, plana e cheia de ciclovias, Brasília é perfeita para o pedal. Vem com a gente, você vai amar!”, e apresenta a Capital aos interessados em um passeio de bicicleta. Quem se propor ao passeio, vai descobrir os segredos da arquitetura modernista brasileira nos lugares mais icônicos da cidade.

Música Para Quando as Luzes se Apagam conta história de jovem trans

O assunto está cada vez mais em voga. Mas, mesmo assim, a infeliz discriminação e a consequente matança ainda se fazem presente no Brasil. Estamos falando dos transsexuais, pessoas cuja a identidade de gênero se difere daquela designada no nascimento e que ainda sofrem preconceitos em pleno século 21. Sobre o tema, o escritor e cineasta gaúcho Ismael Caneppele entende bem e luta pela aceitação dos trans na sociedade. Autor da obra de sucesso Os Famosos e Os Duendes da Morte (2009) e de frases clássicas como “A homofobia permeia todas as esferas da nossa sociedade e contamina os comportamentos mais banais”, o militante abriu a mostra competitiva da  50ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro com seu novo longa-metragem.

Cativante, experimental e criativo, enfatiza esta temática  de uma forma lírica. O filme Música Para Quando as Luzes se Apagam, preparem-se, é de difícil entendimento. Mas a magia e a história o tornam atraente do início ao fim. Em uma mistura de documentário com ficção, a produção relata o cotidiano de Emelyn (Emelyn Fischer), uma jovem trans que vive a transição para a identidade masculina (Bernardo) no interior do Rio Grande do Sul. A narrativa não é de hoje. Ela surgiu de páginas soltas de um diário rasgado de uma transexual entregue a Caneppele há 10 anos atrás. O resultado foi o livro de mesmo nome: Música para Quando as Luzes se Apagam, de 2007. Agora, no cinema, o diretor adaptou o enredo, mas fez questão de percorrer os interiores do Rio Grande do Sul, como no livro, e de ressaltar inúmeras cenas poéticas que desenrolam a vida da protagonista.

Aliás, as cenas noturnas e iluminadas apenas por objetos cênicos são de uma beleza poética única, que  dá gosto de assistir. As filmagens também variam: Câmera digital, planos nítidos e desfocados, câmeras paradas e em mãos são assumidas e dão um tom criativo a produção. O diferencial da obra, além destes múltiplos coloridos, cabe à forma que a vida da trans é contada. Ela não tem inimigos. Muito pelo contrário. Apesar dos preconceitos e matanças diárias, aqui Caneppele optou por mostrar um jovem que é e será aceito pela sociedade como Bernardo. Tanto pela família, quanto pelos vizinhos.

Como em uma metalinguagem, uma personagem sem nome vivida brilhantemente pela atriz Júlia Lemmertz surge na história. Ela chega à cidade do menino para transformar a sua história em um filme. Também povoada por seu universo misterioso e pela busca da própria aceitação, Lemmertz vai descobrindo a lidar com seus próprios medos e preconceitos para consigo mesma. O envolvimento dela com Emelyn é um dos pontos mais fortes. Uma descoberta, em conjunto. Cenas de sexo, do amor juvenil mostram todo o esplendor deste filme. Fica a mensagem: todos nós, no fundo, estamos na busca da aceitação interna.

*Por Clara Camarano – contato@cine61.com.br

Veja aqui o trailer do filme Música Para Quando as Luzes se Apagam:


Música Para Quando As Luzes se Apagam  (Brasil, 2017) Dirigido por Ismael Cannepele. Com Julia Lemmertz, Emelyn Fischer…

Curta Tekoha – Som da Terra está em competição

O filme Tekoha – Som da Terra é o novo curta do diretor brasiliense
Rodrigo Arajeju, roteirista e diretor de ÍNDIOS NO PODER (DF, 2015, 21 min.) – finalista do
Grande Prêmio do Cinema Brasileiro 2017 na categoria melhor curta-metragem documentário. A indígena Valdelice Veron (Xamiri Nhupoty) assina o roteiro e a direção do filme, realizado em
processo intercultural colaborativo com as lideranças femininas do Tekoha Takuara e falado na
língua Guarani. Valdelice, também, é uma das protagonistas ao lado de anciãs e meninas
Guarani Kaiowa. O enredo revela três gerações de mulheres na luta pela retomada da terra
ancestral, enquanto aguardam a demarcação definitiva do território devastado pelo
agronegócio e sob a influência de uma usina de etanol da multinacional Raízen Energia S/A.

Na cosmovisão Kaiowa, Tekoha é a designação para as terras tradicionais e indica a
tradução de “o lugar ao qual pertencemos”. O Povo Guarani Kaiowa é a segunda maior
população originária em um único estado da federação, são mais de 43.000 indígenas no Mato
Grosso do Sul que enfrentam a crise humanitária contemporânea de maior gravidade no Brasil:
confinamento territorial; violação dos direitos humanos à alimentação adequada e ao acesso à
agua potável; mortalidade infantil acima da média nacional; nível epidêmico de suicídio;
contaminação por agrotóxicos nas terras indígenas intrusadas por extensos monocultivos
transgênicos; conflitos atribuídos a latifundiários e sindicatos rurais locais, com histórico de
ataques paramilitares marcados pela violência de gênero e por assassinatos de lideranças.

Valdelice Veron é filha do cacique Marcos Veron, executado por pistoleiros em 2003.
Ela integra o programa federal de proteção aos defensores de direitos humanos por sofrer
ameaças de morte, pois é porta-voz das demandas de seu Povo em estado dominado pelo
agronegócio e comandado por políticos ruralistas. Foi indicada para representar o filme na
estreia na 12ª Mostra de Cinema de Ouro Preto em julho, contudo, teve que cancelar a viagem
por motivo de conflito em seu território. Valdelice e as protagonistas Arami e Julia Veron, sua
filha e a avó, pretendem comparecer ao 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro para
acompanhar a sessão do filme e participar de debate na Faculdade de Comunicação da UnB.

O filme Tekoha – Som da Terra mostra a visão das mulheres Kaiowa sobre a luta na
retomada e o luto pela demarcação da terra com o sangue indígena. O alarmante índice de
execuções de lideranças Guarani Kaiowa, nos últimos anos, resultou na denúncia do Brasil à
Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA pelo crime de genocídio. Após a estreia
mundial no Vancouver Latin American Film Festival em agosto,
o filme concorre ao Troféu Câmara Legislativa no 50º Festival de Brasília do Cinema
Brasileiro nos prêmios a serem concedidos pelos júris oficial e popular. A sessão na Mostra
Brasília acontecerá no dia 18 de setembro, às 18h30, no Cine Brasília.

O curta é um dos resultados apresentados para a obtenção do título de mestre pelo
diretor Rodrigo Arajeju no Mestrado Profissional Junto a Povos e Terras Tradicionais do Centro
de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília (MESPT/CDS/UnB). Foi filmado
em Mato Grosso do Sul e Brasília em 2016, produzido com o protagonismo das mulheres do
Povo Kaiowa na retomada do Tekoha Takuara e realizado com recursos do Fundo de Apoio à
Cultura do DF (2014) – fomento da Secretaria de Estado de Cultura e do Governo de Brasília.