A história, pasmem, é real. Fato que a torna ainda mais macabra. Estamos falando de Annabelle, uma boneca possuída pelo mal que teve seu primeiro relato em 2013, no filme Invocação do Mal. Logo após, em 2014, a boneca demoníaca foi retratada de forma solo na produção que levou seu nome: Annabelle, dirigida por John R. Leonetti. Quem assistiu ao primeiro filme sabe que ali tínhamos um casal de protagonistas que, com a chegada da primeira filha, compra para ela uma boneca sem saber que a mesma acabaria com a vida dos três dali para frente.
No entanto, o longa-metragem não agradou tanto os espectadores por não ter uma linha narrativa que levasse ao verdadeiro assombro. Desta vez nas mãos de David F. Sandberg, de Quando as Luzes se Apagam, a pegada é outra. O diretor acertou ao assumir Annabelle 2 – A Criação do Mal. O filme de 1h50 tem uma conduta crescente atraente e não é uma sequência do primeiro. Embora a boneca volte muito mais aterrorizante (ela ganhou até formas maiores e olhos mais bizarros), a sinopse gira em torno do casal Samuel (Anthony LaPaglia) e Esther Mullins (Miranda Otto) que, ao contrário do primeiro filme, perde uma filha ainda muito nova em um brutal acidente.
Samuel é artesão de bonecas e guarda em sua casa Annabelle, trancada no quarto da então falecida filha. Após a tragédia, eles acolhem dezenas de meninas e uma freira em sua misteriosa moradia rural, que vira um orfanato. É quando começa o pesadelo, já que as crianças incitam o espírito do mal de Annabelle junto com a perturbadora presença da filha, que retorna deformada. As pequenas assumem então o protagonismo ao perceberem que há algo de errado na casa. Seja por Esther, que vive trancada dentro de um quarto sem acesso, seja pelo semblante maléfico de Samuel e, mais ainda, por serem vetadas de entrar no quarto da menina já morta.
Aliás, vale destacar a brilhante interpretação de Talitha Bateman e Lulu Wilson. Elas ganham a história como Janice e Linda, órfãs e irmãs de alma que prometem sempre continuar juntas. Na sequência de mistério acentuada pelos cenários frios, figurinos esplêndidos, tomadas de close-up e trilha contaminante, o susto não é grátis. Ele é conduzido e provoca agonia, especialmente nos 20 minutos finais, quando não há tempo para respiro. Apenas para Annabelle, que só consegue ser espantada pela luz. O que falta, no entanto, é justamente a luz.
*Por Clara Camarano – contato@cine61.com.br
Veja aqui o trailer do filme Annabelle 2:
Annabelle: Creation (EUA, 2017) Dirigido por David F. Sandberg. Com Stephanie Sigman, Miranda Otto, Lulu Wilson, Anthony LaPaglia, Talitha Bateman, Alicia Vela-Bailey…
Janela da Alma, Vermelho Como o Céu e Hoje Eu Quero Voltar Sozinho. O que esses filmes possuem em comum? Acertou quem respondeu que todos estão relacionados com a cegueira. Você já teve ter observado que as postagens atuais do Cine61 possuem agora um player logo no alto. Este recurso possibilita que os conteúdos do site sejam transformados em áudio, sendo uma alternativa para que deficientes visuais possam escutar as críticas, notícias e demais textos do site.
Hoje Eu Quero Voltar Sozinho
A startup Audima foi criada por dois irmãos brasileiros que sempre preferiram aprender através do áudio. “Percebemos que artigos online, apesar de serem extremamente relevantes nos dias de hoje, não são facilmente acessados por grande parte da população brasileira com dificuldades na visão, de leitura ou que não tem tempo para ler por exemplo. A missão da Audima é democratizar o acesso a conteúdos digitais inspiradores e úteis através do áudio”, comenta Luiz Eduardo. Essa ideia é apoiada pelo Cine61, que preocupa-se com a inclusão. Afinal, a cultura merece ser compartilhada para todos.
Ensaio Sobre a Cegueira
Apesar de começar nos Estados Unidos, o objetivo da equipe do Audima sempre foi oferecer a ferramenta para o público brasileiro, já que 19% da população tem alguma deficiência na visão, tais como cegueira, visão subnormal ou com dificuldade permanente de enxergar, ainda que usando óculos ou lentes, 30% apresenta presbiopia, também conhecida como vista cansada, e 25% são analfabetos ou semi-analfabetos. Portanto a opção de escutar os textos pode ser uma boa opção para vários leitores.
Vermelho Como o Céu
Com o recurso, os artigos do site são convertidos para versões em áudio. Ao final do áudio, o ouvinte é automaticamente redirecionado para o próximo post. Dessa forma, ele pode continuar consumindo o conteúdo sem interagir com o aparelho (por exemplo, fazendo exercícios).
Veja a seguir os filmes que passarão esta semana no Espaço Itaú de Cinema, que fica no shopping CasaPark (Guará). A programação completa, com todos os horários, você encontra no site oficial da rede: http://www.itaucinemas.com.br/ Antes, confira os valores atualizados dos ingressos do Espaço Itaú de Cinema Brasília.
João, o Maestro – Quando criança, João Carlos Martins foi considerado um prodígio do piano. Aos poucos, sua fama ganhou os noticiários e levou o músico à Europa e a outros países da América do Sul. Estabelecido como pianista de sucesso, na fase adulta, sofre um acidente que prejudica o movimento da mão direita. João tenta se reestabelecer e, enquanto isso, apresenta-se em concertos para uma mão só. No entanto, um segundo acidente retira os movimentos da mão esquerda. João reiventa-se mais uma vez, como maestro.
Dunkirk– Na Operação Dínamo, mais conhecida como a Evacuação de Dunquerque, soldados aliados da Bélgica, do Império Britânico e da França são rodeados pelo exército alemão e devem ser evacuados durante uma feroz batalha no início da Segunda Guerra Mundial.
Lady Macbeth – Katherine (Florence Pugh) está presa a um casamento de conveniência. Casada com Boris Macbeth (Christopher Fairbank), a jovem agora se vê integrante de uma família sem amor. É só quando ela embarca em um caso extraconjugal com um trabalhador da propriedade do marido que as coisas começam a mudar. Ela só não contava que isso iria desencadear vários assassinatos.
Corpo Elétrico
Corpo Elétrico – Elias (Kelner Macêdo) é o jovem criador de uma fábrica de confecção roupas no centro de São Paulo. Ele mantém pouco contato com a família na Paraíba, e passa seus dias entre o trabalho e os encontros com outros homens. Enquanto reflete sobre as possibilidades de futuro, começa a ficar cada vez mais próximo dos colegas da fábrica, e vê os amigos seguirem caminhos diferentes dos seus.
O Estranho que Nós Amamos – Virginia, 1864, três anos após o início da Guerra Civil. John McBurney (Colin Farrell) é um cabo da União que, ferido em combate, é encontrado em um bosque pela jovem Amy (Oona Laurence). Ela o leva para a casa onde mora, um internato de mulheres gerenciado por Martha Farnsworth (Nicole Kidman). Lá, elas decidem cuidá-lo para que, após se recuperar, seja entregue às autoridades. Só que, aos poucos, cada uma delas demonstra interesses e desejos pelo homem da casa, especialmente Edwina (Kirsten Dunst) e Alicia (Elle Fanning).
O Reino Gelado – Fogo e Gelo – O raro talento de se meter em problemas é o legado da família de Kai e Gerda. O que mais você poderia esperar de quem foi criado em montanhas nevadas por trolls? Crescidos, os irmãos se metem em um desastre de proporções globais, tudo para encontrar seus pais que estão desaparecidos após serem levados pelo Vento do Norte.
Annabelle 2
Annabelle 2 – A Criação do Mal – Anos após a trágica morte de sua filha, um habilidoso artesão de bonecas e sua esposa decidem, por caridade, acolher em sua casa uma freira e dezenas de meninas desalojadas de um orfanato. Atormentado pelas lembranças traumáticas, o casal ainda precisa lidar com um amendrontador demônio do passado: Annabelle, criação do artesão.
Planetas dos Macacos: A Guerra – Humanos e macacos cruzam os caminhos novamente. César e seu grupo são forçados a entrar em uma guerra contra um exército de soldados liderados por um impiedoso coronel. Depois que vários macacos perdem suas vidas no conflito, César luta contra seus instintos e parte em busca de vingança. Dessa jornada, o futuro do planeta poderá estar em jogo.
Afterimage – Wladyslaw Strzeminski (Boguslaw Linda), é um artista de vanguarda polonês que superou todas as dificuldades impostas pelas suas deficiências físicas – ele não possuía uma perna e um braço – e também o ódio, a indiferença e a crueldade dispensados pelas autoridades de seu país para se tornar um dos artistas mais reverenciados do século vinte, uma verdadeira força da natureza que batalhou com todas as forças para construir seu progressista e genial programa artístico.
Gatos
Gatos– Centenas de milhares de gatos vagam pela metrópole de Istambul livremente. Durante milhares de anos eles entraram e saíram da vida das pessoas, tornando-se uma parte essencial das comunidades que tornam a cidade tão rica. Não reivindicando nenhum dono, esses animais vivem entre dois mundos, nem selvagens nem domesticados – e trazem alegria e propósito para as pessoas que eles optam por adotar. Em Istambul, os gatos são os espelhos para as pessoas, permitindo-lhes refletir sobre suas vidas de maneiras que nada mais poderia.
Uma Família Feliz – Emma, a mãe da família Wishbone, está tentando de todas as formas salvar a relação com seus familiares, que não é nada amigável. Já que nenhum deles se dá muito bem e a paz e tranquilidade são quase impossíveis, ela planeja uma noite de diversão fora de casa. Mas a confusão começa quando, inesperadamente, uma bruxa os transforma em monstros.
O Filme da Minha Vida – O jovem Tony (Johnny Massaro) decide retornar a Remanso, Serra Gaúcha, sua cidade natal. Ao chegar, ele descobre que Nicolas (Vincent Cassel), seu pai, voltou para França alegando sentir falta dos amigos e do país de origem. Tony acaba tornando-se professor, e vê-se em meio aos conflitos e inexperiências juvenis.
Valerian e a Cidade Dos Mil Planetas – Século XXVIII. Valérian (Dane DeHaan) é um agente viajante do tempo e do espaço que luta ao lado da parceira Laureline (Cara Delevingne), por quem é apaixonado, em defesa da Terra e seus planetas aliados, continuamente atacados por bandidos intergaláticos. Quando chegam no planeta Alpha, eles precisarão acabar com uma operação comandada por grandes forças que deseja destruir os sonhos e as vidas dos dezessete milhões de habitantes do planeta.
Os Meninos que Enganavam Nazistas – Durante um período de ocupação nazista na França, os jovens irmãos judeus Maurice (Batyste Fleurial) e Joseph (Dorian Le Clech) embarcam em uma aventura para escapar dos nazistas. Em meio a invasão e a perseguição, eles se mostram espertos, corajosos e inteligentes em sua escapada, tudo com o objetivo de reunir a família mais uma vez.
Imagine um objeto mágico capaz de realizar qualquer desejo. Realmente parece ser algo tentador, mas o problema é quando você não entende exatamente quais são as regras para que suas vontades virem realidade. Ainda mais quando não se trata de uma animação musical da Disney e sim um longa-metragem de terror. A obra em questão se chama 7 Desejos, que tem direção de John R. Leonetti, mesmo cineasta responsável pelo sucesso Annabelle.
Na trama, Clare Shannon (Joey King, de Invocação do Mal e Despedida em Grande Estilo) é uma adolescente que ganha uma misteriosa caixa oriental. Mesmo estudando chinês, ela não consegue entender totalmente o que está escrito no objeto. Mas sabe que é algo relacionado com desejos. Ao perceber que a caixa realmente tem um poder inexplicável, a jovem percebe que pode mudar de vida. E isso inclui desde se livrar de uma inimiga na escola até conseguir um namorado.
A parte negativa, contudo, é como aquela parte escrita com letras minúsculas nos contratos. E a surpresinha é que cada desejo deve ser pago com sangue. Assim, a protagonista descobrirá que nada sai de graça e que as mortes de pessoas próximas não são simples coincidências. A temática da responsabilidade por trás de cada vontade não é algo novo e já foi tratada em outros títulos de horror, como O Mestre dos Desejos e o ótimo Trocas Macabras.
No elenco também estão Ryan Phillippe (Segundas Intenções) como o pai de Clare e Jerry O’Connell (Joe e as Baratas) numa participação minúscula. Do ponto de vista do terror, as mortes lembram muito as da franquia Premonição. Aparentemente são acidentes esquisitos e que não parecem assassinatos provocados por uma força maligna. A narrativa é ágil, com um ritmo bom e uma história muito simples de ser entendida. Um filme divertido, bem fácil de ver e se esquecer logo em seguida.
*Por Michel Toronaga – micheltoronaga@cine61.com.br
Veja aqui o trailer do filme 7 Desejos:
Wish Upon (EUA / Canadá, 2017) Dirigido por John R. Leonetti. Com Oey King, Ryan Phillippe, Ki Hong Lee, Mitchell Slaggert, Shannon Purser, Sydney Park, Elisabeth Röhm…
Com distribuição nacional Paris Filmes, Amityville: O Despertar ganha trailer e cartaz nacionalizados. O trailer recém-divulgado apresenta a jovem Belle (Bella Thorne) disposta a desvendar os mistérios que envolvem a mítica casa para qual se mudou com sua família. Com o destino de sua mãe e seus irmãos em jogo, o bem e o mal colidem numa atmosfera de suspense onde apenas Belle é capaz de defender sua família de uma força sobrenatural.
Como estreia nacional agendada para 31 de agosto, o elenco reúne ainda a jovem atriz Mckenna Grace, que estampa o cartaz oficial da produção, além de Cameron Monaghan, Jennifer Jason Leigh, Jennifer Morrison, Thomas Mann e Kurtwood Smith. Veja o vídeo a seguir:
“Cuba é um grande caldeirão porque é como uma panela grande que todo mundo deixa alguma coisa. E, de repente, sai como um sopão gostosíssimo de um monte de coisa”. Esta e outras frases interessantes ditas pelos próprios cubanos, os maiores conhecedores do seu país, conseguem colocar uma pitada de humor, mas também de seriedade no documentário Cuba Jazz. A produção é brasileira e retrata uma ilha que, de fato, se isolou após o bloqueio comercial imposto pelos Estados Unidos, em 1962, e que perpetuou durante todo o governo de Fidel Castro. Restrições que não impediram que houvesse alegria e muita arte no país.
Quem dá voz ao povo cubano são os diretores tupiniquins Max Alvim e Mauro di Deus, que adentraram nesta cultura para mostrar como é a vida daqueles que vivem de arte por lá. A música se exala e o jazz está em foco. Aliás, este ritmo cheio de misturas, hibridismos e improvisos ganha um toque único de quem faz uma produção séria. A singularidade e a interpretação dos músicos são mostradas, demonstradas e servem de exemplo desta rica cultura que não recebia incentivos. Afinal, em Cuba não era possível nem ter acesso à cordas de violão. Mesmo assim, os artistas se viravam como podiam e usavam fios de telefones para tirar um som. E dos bons!
Apesar dos entraves, o sonho falou sempre mais alto e eles tocam, arranjam, cantam, compõem e se sobressaem ao fazer uma música que é para quem não precisa de outro estímulo, a não ser o amor. Inspirado neste belo contexto, Cuba Jazz contesta, apresenta as peculiaridades artísticas e expõe dezenas de entrevistas sensíveis dos cubanos, além de nos fazer caminhar pelas ruas do país. O orgulho nacionalista é aqui outro ponto que merece destaque por se contrastar com a reclamação pela restrição comercial e a falta de acesso à arte por anos a fio.
Sem estreia oficial prevista por todo o Brasil, o documentário já foi exibido no Cine Brasília (106 Sul) e selecionado para o Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo deste ano. Dá gosto de assistir, mas falta um aprofundamento maior nas entrevistas. Os personagens são interessantes e quem assiste ao filme fica querendo saber mais sobre suas histórias. Mesmo assim, vale aguardar para conferir e descobrir que Cuba, esbanja sim, um jazz único.
*Por Clara Camarano – contato@cine61.com.br
Veja aqui o trailer do documentário Cuba Jazz:
Cuba Jazz (Brasil, 2016) Dirigido por Max Alvim e Mauro di Deus.
Foi nas novelas da Globo, em especial em Meu Pedacinho de Chão (2014), que Selton Mello notou a atuação emocional e o perfil anguloso do ator Johnny Massaro. Johnny foi sua escolha para viver o protagonista Tony Terranova, jovem professor que descobre o cinema e o amor enquanto procura saber sobre o paradeiro do misterioso pai em O Filme da Minha Vida. Nos próximos meses, Johnny ainda estará no filme Partiu Paraguai, de Daniel Lieff; e Todas as Razões para Esquecer, de Pedro Coutinho. Em setembro, estreia na Globo a série Filhos da Pátria, em que atua ao lado de Alexandre Nero e Fernanda Torres. E vai filmar Dez Vezes Quim, de Esmir Filho e Vera Egito.
Johnny Massaro em Meu Pedacinho de Chão
Como veio o convite para fazer O Filme da Minha Vida? Eu tinha ouvido do meu antigo empresário que o Selton ia fazer um filme e gostava de mim. Isso ficou na minha cabe- ça, mas como algo bem distante. Como era uma escolha muito delicada, o Selton se deu bastante tempo para pensar. Eu estaria fora do Brasil durante dois meses, e mandei vídeos de teste para a minissérie Amorteamo e para o Selton. Para a série, fiz algo muito simples, no celular. Já o Selton me mandou tanta informação sobre o filme que eu pirei. Fiquei uma semana em Nova York andando, filmando coisas. Mandei um curta de nove minutos, super elaborado, no dia do Natal. No fim, ele gostou mais do vídeo curto que eu mandei para a série, e começou a conversar com o pessoal de lá para acertar todas as datas.
Como você viu na sua cabeça o personagem do Tony? Não sei responder direito – e já não me cobro mais saber responder (risos). Às vezes a gente quer dar sentido a coisas que são muito simples. Lembro que cheguei no Sul em um domingo e comecei a filmar já na terça. Não tive muito tempo de preparação. Eu e o Selton sabíamos que seria assim, o que não foi necessariamente perigoso. Você trabalha na confiança de que vai dar certo, e eu me entreguei para o que o Selton pensava que deveria ser. Entendi que O Filme da Minha Vida é muito sobre ele também. Quando se escolhe dirigir algo, é porque dialoga com alguma coisa sua. Tentei ficar o mais poroso possível para as direções dele. Foi quase um trabalho inconsciente da minha parte. Como filmamos fora de ordem, tive que fazer uma cronologia do personagem bem marcada na minha cabeça, tentando galgar com sutileza essa escadaria da maturidade do Tony.
Que tipo de diretor é o Selton? É diferente ser dirigido por outro ator? Isso é muito incomum; foi a primeira vez que tive essa experiência de trabalhar com um diretor que também é ator. É brilhante para alguém como eu, que me formei em cinema e tive algumas experiências rasas com direção, e talvez queira ser diretor um dia. Ver isso acontecer foi muito especial e simbólico. O Selton é um grande exemplo bem-sucedido de alguém que consegue dirigir e atuar. Ele consegue aliar algo muito racional e muito emocional, sem que o emocional seja piegas ou melodramático. Tudo o que ele faz é genuíno. Ele é capricorniano como eu e com ascendente em Virgem, não tem como fugir disso (risos). Esses dois extremos precisam estar juntos, porque só com a razão ou só com a emoção não se chega a lugar nenhum. Todos os nossos momentos de filmagem eram sobre achar o tom justo, não cair no melodrama. Isso foi algo que o Cassel nos trouxe muito, alertando para evitar o melodrama que a televisão nos impõe. Uma falsa necessidade da lágrima, do chorar, que é bonito, mas não é como na vida.
Esta é a quarta parceria sua com a Bruna Linzmeyer, depois de A Frente Fria Que a Chuva Traz e as novelas Meu Pedacinho de Chão e A Regra do Jogo. Como é o trabalho com ela? É algo maravilhoso. Tem uma questão de idade, mas também uma certa coincidência. Não é sempre que você trabalha tanto com a mesma pessoa, ou mesmo que sim você não necessariamente cria uma relação com ela. Eu e a Bruna sempre tivemos uma relação muito forte, na frente e atrás das câmeras.
Você chegou a aprender um pouco de francês para viver o Tony? Tive um professor de francês para as cenas específicas. E havia um poema francês do Victor Hugo que estudei muito, o Vincent [Cassel] gravou o poema para eu escutar. ilmei a cena com o professor olhando, foi tudo OK. Muito tempo depois, o Selton me liga para dizer que a cena não rolou, avisando que essa parte foi cortada. Mas eu tentei (risos). Antes, eu tinha feito um ano de francês, e o professor disse que eu tinha facilidade.
Todos os filmes selecionados para as mostras competitivas do 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro receberão Cachê de Seleção, nos valores de R$ 15 mil para filmes de longa-metragem em Competição Oficial; de R$ 10 mil para longas na Sessão Especial Hors Concours; de R$ 5 mil para curtas em Competição Oficial; e de R$ 3 mil para longas programados em mostras paralelas.
Foto: André Borges/Agência Brasília
No próximo dia 15 de agosto, será divulgada a programação completa do festival, ocasião em que serão anunciados os filmes que integram as mostras especiais, sessão hors concours, filmes de abertura e encerramento, além de seminários.
Fotos: Junior Aragão
O Júri Oficial de cada categoria das mostras competitivas será constituído por cineastas, críticos, pesquisadores e artistas com comprovada experiência, designados até 15 dias antes do início do Festival. O Júri Oficial indicará os vencedores para as seguintes categorias do Troféu Candango: categoria de longa-metragem (Melhor Filme de longa-metragem, Melhor Direção, Melhor Ator, Melhor Atriz, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Roteiro, Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte, Melhor Trilha Sonora, Melhor Som, Melhor Montagem); categoria de curta-metragem (Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Ator, Melhor Atriz, Melhor Roteiro, Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte, Melhor Trilha Sonora, Melhor Som, Melhor Montagem.
Esta 50 a edição homenageia o diretor Nelson Pereira dos Santos, que receberá a medalha Paulo Emílio Salles Gomes pela grande contribuição ao cinema brasileiro. Além das categorias selecionadas pela Júri Oficial, o público irá selecionar os premiados pelo Júri Popular, que receberão o Prêmio Petrobras de Cinema, no valor de R$ 200 mil, destinado à distribuição comercial do filme. Este ano, pela primeira vez, o público poderá opinar por meio do aplicativo oficial do Festival de Brasília.
A programação do 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro tem novos confirmados. Conheça agora os filmes que compõem a Mostra Brasília. São os 4 longas e 13 curtas-metragens brasilienses concorrendo ao 22º Troféu Câmara Legislativa do Distrito Federal que integram a mostra. Dos 86 inscritos, eis os selecionados:
Filmes de longa-metragem
• UM DOMINGO DE 53 HORAS, de Cristiano Vieira (doc)
• O FANTÁSTICO PATINHO FEIO, de Denilson Félix (doc)
• JEITOSINHA, de Johil de Carvalho e Sérgio Lacerda (ficção)
• MENINA DE BARRO, de Vinícius Machado (ficção)
UrSortudo
Filmes de curta-metragem
• 1X1, de Ramon Abreu (ficção)
• AFRONTE, de Marcus Azevedo e Bruno Victor (doc)
• CARNEIRO DE OURO, de Dácia Ibiapina (doc)
• O CÉU DOS TEUS OLHOS, de Danilo Borges e Diego Borges (ficção)
• DAMRÕZE AKWE – AMOR E RESISTÊNCIA, de Guilherme Cavalli (doc)
• HABILITADO PARA MORRER, de Rafael Stadniki (ficção)
• A INVIOLÁVEL LEVEZA DO SER, de Júlia Zakarewicz (ficção)
• A MARGEM DO UNIVERSO, de Tiago Esmeraldo (ficção)
• O MENINO LEÃO E A MENINA CORUJA, de Renan Montenegro (ficção)
• TEKOHA – SOM DA TERRA, de Rodrigo Arajeju e Valdelice Veron (doc)
• URSORTUDO, de Januário Jr. (ficção)
• O VÍDEO DE 6 FACES, de Maurício Chades (ficção)
• VILÃO, de Webson Dias (doc)
A Mostra Brasília contará com uma programação de 600 minutos. Os filmes serão exibidos de 18 a 22 de setembro, no Cine Brasília.