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Mix Brasil – Crítica: Growing Up Coy é um documentário tocante

*Por Leonardo Resende – hashtagcinema@daiblog.com.br

Em 2013, o nome Coy Mathis ficou bastante conhecido, principalmente na imprensa norte-americana. Coy é uma menina de seis anos. Ela se tornou um símbolo emblemático para o ativismo transgênero. O diretor Eric Juhola reuniu diversos relatos, imagens da mídia e uma montagem única para compor o documentário Growing Up Coy, longa-metragem exibido na 24ª edição do Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade.

Coy é uma menina transgênero que vive com sua família no Colorado, nos EUA. A menina insistiu em apenas uma vontade: usar o banheiro feminino na escola em que estuda. Após a reprovação da instituição de ensino, seus pais, Jeremy e Kathryn, procuraram apoio judicial e midiático para o episódio tão retrógrado. O processo de Coy contra o Estado é um dos primeiros que luta pela igualdade transgênero e transexual.

Fugindo do óbvio, assim como o restante de filmes apresentados no festival, Growing Up Coy abandona toda aquela estrutura jornalística de documentário ativista. Dado o tema e atualidade, é impossível fugir de tal engajamento (ainda mais com o novo cenário político americano), porém a obra consegue tal feito. Existe toda uma construção de narrativa em que paira discussões, mas também há o lado humano. Juhola consegue equilibrar essa transição com muita habilidade.

Ao lado de Tomboy (2011), Growing Up Coy é de suma importância para o ativismo LGBTT e, assim como o filme citado aqui, a obra de Juhola transporta ao espectador toda aquela inocência de Coy e deixa diversos questionamentos: até quando o sonho de igualdade vai incomodar tanto?
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblogDaiblogDaiblog
Veja aqui o trailer do filme  Growing Up Coy:

24º Festival Mix Brasil anuncia os vencedores

O 24° Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade anunciou os vencedores da edição de 2016 em cerimônia realizada no CCSP (Centro Cultural São Paulo). Os ganhadores dos filmes nacionais e internacionais levaram o Troféu Coelho de Ouro e de Prata, além do Prêmio Canal Brasil de incentivo ao curta-metragem.


COELHOS DE OURO
Prêmio do Júri da Mostra Competitiva Brasil, que inclui também prêmios de incentivo oferecidos pela DOT CINE, CTAV e Cinecolor.
• Melhor Longa-Metragem Nacional: WAITING FOR B., de Paulo Cesar Toledo e Abigail Spindel.
• Melhor Curta-Metragem Nacional: OS CUIDADOS QUE SE TEM COM O CUIDADO QUE OS OUTROS DEVEM TER CONSIGO MESMOS, de Gustavo Vinagre

Waiting for B.

COELHOS DE PRATA

Prêmio do Júri da Mostra Competitiva Brasil para curtas-metragens

• Melhor Direção: Filipe Matzembacher e Marcio Reolon, por O ÚLTIMO DIA ANTES DE ZANZIBAR
• Melhor Roteiro: Daniel Ribeiro e Rafael Lessa, por LOVE SNAPS
• Melhor Interpretação: Maria Alice Vergueiro, por ROSINHA
• Menção Honrosa: A GIS, de Thiago Carvalhaes

Prêmio do Júri da Mostra Competitiva Brasil para longas-metragens 
• Melhor Direção: Claudia Priscila e Pedro Marques, por A DESTRUIÇÃO DE BERNARDET
• Melhor Roteiro: Carlos Juliano Barros e Maurício Monteiro Filho, por ENTRE OS HOMENS DE BEM
• Melhor Interpretação: Jean-Claude Bernardet, por A DESTRUIÇÃO DE BERNARDET
• Menção Honrosa: LAMPIÃO DA ESQUINA, de Lívia Perez

Prêmio do Público
• Melhor Curta-Metragem Nacional: A GIS, de Thiago Carvalhaes
• Melhor Curta-Metragem Internacional: TROUSER BAR, de Kristen Bjorn
• Melhor Longa-Metragem Nacional: ENTRE OS HOMENS DE BEM, de Caio Cavechini e Carlos Juliano Barros
• Melhor Longa-Metragem Internacional: STRIKE A POSE, de Ester Gould e Reijer Zwaag 

A Destruição de Bernadet

PRÊMIOS ESPECIAIS
• Prêmio Suzy Capó: a peça ANATOMIA DO FAUNO, de Marcelo D’Avilla e Marcelo Denny 

• Prêmio Canal Brasil de Incentivo ao Curta-Metragem: PISCINA, de Leandro Goddinho
• Prêmio Show do Gongo: O QUE NÃO DER NA KOMBI, EU BOTO FOGO, de Rafael Menezes 

• Menção Honrosa do Show do Gongo: COMO CONSTRUIR UMA CARREIRA DE ACROBATA GOSPEL DE SUCESSO, de Gia Láctea
• Prêmio Ida Feldman: Murray Bartlett

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Mix Brasil – Crítica: Theo e Hugo honra subgênero underground

*Por Leonardo Resende – hashtagcinema@daiblog.com.br 

Em seu título original, o filme Theo e Hugo, filme exibido na 24ª edição do Festival Mix Brasil da Cultura de Diversidade, expressa o significado de maneira mais literal do que a tradução sugeriu. “Théo et Hugo dans le même bateau” ou Théo e Hugo estão no Mesmo Barco é o longa-metragem que expande o acervo de películas LGBTTs em que a temática HIV é intensamente utilizada. Com o potencial cult, o filme de Olivier Ducastel e Jacques Martineau retrata certa realidade crua e ao mesmo tempo positiva do mundo gay.

Théo (Geoffrey Couët) e Hugo (François Nambot) se conhecem em uma festa gay de Paris. A quimíca entre eles é imediata e forte. Porém, ao saírem do local, os rapazes notam que praticaram sexo sem proteção. E o grande problema é que um deles é soropositivo.

O que não falta no cinema gay é a temática HIV. Desde Filadélfia, sempre que possível, a sétima arte retoma o tema. O hit mais recente é Holding the Man, disponível na Netflix. Mesmo que Theo e Hugo aproxime o assunto de modo melodramático, ele consegue se destacar entre dos demais títulos tanto pela sua narrativa isolada quanto pelos adereços técnicos.

Caso John Cameron Mitchell (Reencontrando a Felicidade e Hedwig and the Angry Inch) e Danny Boyle (Trainsportting – Sem Limites e 127 Horas) tivessem realizado uma parceria, com toda certeza, Theo e Hugo seria a consequência.

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Veja aqui o trailer do filme Theo e Hugo:

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Ator australiano Murray Bartlett é jurado do 24º Mix Brasil

O ator australiano Murray Bartlett, protagonista da série americana Looking e que voltará à cena na próxima série da Netflix Iron Fist e na série da CMT Nashville, desembarcou em São Paulo no dia 9 de novembro. Ele é um dos jurados e também apresentará seu último trabalho no cinema, Looking: o filme, na 24ª edição do Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade, maior festival LGBTQ da América Latina.

Barlett, que vive em Nova Iorque e recentemente ficou conhecido por seu papel como Dom na série da HBO Looking, estrelou diversos filmes, programas de TV e produções de teatro renomados em seu país, incluindo a turnê australiana de The Boy from Oz, ao lado de Hugh Jackman. Em 2002, fez uma participação especial na série Sex and the City. Entre 2005 e 2007, interpretou Cyrus Foley em Guiding Light, da CBS, e, de 2013 a 2016, ganhou destaque em Looking. Na TV americana ainda participou das produções The Good Wife, Damages, Flight of the Conchords, Crimes do Colarinho Branco e Limitless. Murray apareceu em vários filmes, incluindo Verão em LA e Minha Vida Dava um Filme.

Looking: o filme encerra a história de três amigos que moram em São Francisco e exploram as opções disponíveis para uma nova geração de homens homossexuais que procuram a realização no amor e na vida. No filme, Patrick retorna para a cidade pela primeira vez em quase um ano para celebrar um acontecimento importante com seus velhos amigos. No processo, ele deve enfrentar as relações não resolvidas que deixou para trás e fazer escolhas difíceis sobre o que é importante para ele.

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Mix Brasil – Crítica: Ótima minissérie O Ninho, dos diretores de Beira-mar

*Por Michel Toronaga – micheltoronaga@daiblog.com.br

Responsável pelo longa-metragem Beira-mar, a dupla Filipe Matzembacher e Marcio Reolon está de volta com a minissérie O Ninho, um dos destaques do 24° Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade. Assim como no filme, o trabalho é um drama sobre focado em questões familiares e que fala de amizade e sexualidade. Mas destaca-se por ser ainda melhor e mais maduro, o que prova que esses dois cineastas estão se aperfeiçando.

A trama fala de Bruno, um jovem que escapa do Exército e viaja até Porto Alegre com o objetivo de se reencontrar com o irmão, Léo. Existe algo no passado que os separou, um acontecimento que é revelado aos poucos durante os quatro episódios que formam a atração. Na cidade grande, Bruno procura por pistas do paradeiro do irmão. É quando conhece Stella, que teve uma história com ele.

Em uma jornada íntima em busca de respostas, o protagonista recorda momentos familiares e acaba se encontrando com um grupo de meninos alternativos. Eles frequentam uma boate e são quase que como o oposto do que Bruno aparentemente representa em matéria de regras e comportamento por servir às forças armadas. Com personalidades e roupas bem diferentes, eles acabam formando uma amizade – e, em alguns casos, algo a mais.

O Ninho melhora a cada episódio, acertando no equilíbrio ao contar uma história com muitos personagens. A temática homossexual está presente em todos os episódios, embora o roteiro seja reforçado por outros assuntos, como o amadurecimento, as responsabilidades e o bullying. Bem produzido e com uma trilha sonora ótima, é um notável drama que funcionaria também como um um longa para ser exibido nos cinemas.
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Veja aqui o trailer da minissérie O Ninho:

 

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A semana (17/11 a 23/11) no Espaço Itaú de Cinema

Veja a seguir os filmes que passarão esta semana no Espaço Itaú de Cinema, que fica no shopping CasaPark (Guará). A programação completa, com todos os horários, você encontra no site oficial da rede: http://www.itaucinemas.com.br/

Marias – O documentário aborda as diferentes devoções e representações religiosas das Marias através das festas padroeiras por toda a América Latina. Além disso, apresenta uma jornada pelo feminino, buscando todas as particularidades de cada culto que, mesmo destinados à mesma divindade, são bem distintos.
A Garota no Trem – Rachel, uma alcoólatra desempregada e deprimida, sofre pelo seu divórcio recente. Todas as manhãs ela viaja de trem de Ashbury a Londres, fantasiando sobre a vida de um jovem casal que vigia pela janela. Certo dia ela testemunha uma cena chocante e mais tarde descobre que a mulher está desaparecida. Inquieta, Rachel recorre a polícia e se vê completamente envolvida no mistério.
Trolls – Ramo parte para uma jornada de descobertas e aventuras ao lado de Poppy, líder dos Trolls. Inicialmente inimigos, conforme os desafios são superados eles descobrem que no fundo combinam.
Animais Fantásticos e Onde Habitam
Animais Fantásticos e Onde Habitam – O excêntrico magizoologista Newt Scamander chega à cidade de Nova York com sua maleta, um objeto mágico onde ele carrega uma coleção de fantásticos animais do mundo da magia que coletou durante as suas viagens. Em meio a comunidade bruxa norte-americana que teme muito mais a exposição aos trouxas do que os ingleses, Newt precisará usar suas habilidades e conhecimentos para capturar uma variedade de criaturas que acabam saindo da sua maleta.

O Mestre e o Divino – Como todo período histórico importante, a catequização indígena no Brasil envolve mitos e verdades. Em pleno século XXI, uma aldeia em Sangradouro, no estado do Mato Grosso, recebe a visita de dois cineastas, o alemão Aldalbert Heide e o Xavante Divino Tserewahu, que auxiliam na descoberta das origens de certas tradições da tribo.

O Contador – Christian Wolff é um homem que apresenta um quadro de Síndrome de Asperger, o que o faz ter mais intimidade por números do que por pessoas. Ele usa um escritório de contabilidade em uma cidadezinha pequena apenas como fachada para trabalhar como contador autônomo para algumas das mais perigosas organizações criminosas do mundo. 


O Plano de Maggie – A jovem Maggie tenta viver por conta própria na cidade que nunca dorme: Nova Iorque. A moça deseja ter um filho, criando-o por conta própria, mas quando ela se envolve romanticamente com John, um homem casado, as coisas podem se complicar e todo o equilíbrio dos planos de Maggie pode cair por terra.


Doutor Estranho

Doutor Estranho – Stephen Strange leva uma vida bem sucedida como neurocirurgião. Sua vida muda completamente quando sofre um acidente de carro e fica com as mãos debilitadas. Devido a falha da medicina tradicional, ele parte para um lugar inesperado em busca de cura e esperança, um misterioso enclave chamado Kamar-Taj. Ele logo descobre que o local não é apenas um centro medicinal, mas também a linha de frente contra a batalha de forças malignas que desejam destruir nossa realidade. Ele passa a treinar e adquire poderes mágicos, mas precisa decidir se vai voltar para sua vida comum ou defender o mundo.


Pequeno Segredo – Três histórias conectadas por um único segredo, abrangendo a primeira família brasileira a dar a volta ao mundo a bordo de um veleiro. Conhecidos por seus cruzamentos marítimos, os Schurmann guardaram por um longo tempo, a comovente história da adoção de Kat, falecida em 2006.


Festival Ópera na Tela – O Festival Ópera na Tela é uma mostra inédita, totalmente dedicada ao gênero da ópera, com exibição do melhor da temporada europeia recente, realizada em verdadeiros templos da ópera, tornando acessível a atualidade lírica mundial ao público brasileiro. Ópera : La Traviata
BR 176 – Na intensa boemia carioca nos anos 1960, o engenheiro e aspirante a escritor Felipe leva uma vida regada aos prazeres do álcool, em festas alucinantes realizadas num apartamento dado por seu pai, na famosa rua Barata Ribeiro, em Copacabana. Lá, ele e seus amigos desfrutam de tudo que a liberdade pode oferecer, mesmo em meio a um momento político complicado.
Elle
Elle – Michèle é a executiva-chefe de uma empresa de videogames, a qual administra do mesmo jeito que administra sua vida amorosa e sentimental: com mão de ferro, organizando tudo de maneira precisa e ordenada. Sua rotina é quebrada quando ela é atacada por um desconhecido, dentro de sua própria casa. No entanto, ela decide não deixar que isso a abale. O problema é que o agressor misterioso ainda não desistiu dela.

Snowden – Herói ou Traidor? – Filme de Oliver Stone sobre Edward Snowden, ex-funcionário da CIA que divulgou para a imprensa uma série de documentos sigilosos da Agência de Segurança Nacional dos EUA que comprovaram atos de espionagem do governo norte-americano.
Através da Sombra – A tímida Laura é contratada por um homem rico para cuidar de seus dois sobrinhos órfãos, que moram numa fazenda de plantação de café. Apesar de não se dar muito bem com o campo, ela aceita a tarefa, e logo estabelece uma amizade com a pequena Elisa, enquanto seu irmão é enviado a um internato, por razões desconhecidas. Aos poucos, com a presença dos escravos e da governanta Geraldina, Laura tem a impressão de que alguns segredos são escondidos naquela casa. Ela acredita inclusive ver algumas pessoas que ninguém mais vê…
Sob Pressão – Dr. Evandro e sua equipe, formada também pelos doutores Paulo e Carolina enfrentam um tenso dia no hospital em que trabalham quando têm que realizar três cirurgias muito complicadas: um traficante, um policial militar e uma criança. O que complica o caso é que os três foram feridos no mesmo tiroteio em uma favela próxima ao hospital.
Depois da Tempestade
Depois da Tempestade – O Japão está prestes a receber o 23o tufão do ano. A matriarca Yoshiko, uma mulher idosa que mora sozinha, recebe a visita de dois filhos que não costumam ir à sua casa: Ryota, um escritor fracassado que ainda sofre com o divórcio e se arrisca fazendo bicos de detetive, e a filha mais velha, que tenta passar por exemplo da família, mas também tem seus problemas. Juntos, eles aguardam a chegada do tufão e relembram a morte recente do pai e marido.
ESPM no Cinema – Neurociência e Marketing: da Ciência à Sedução – A Cinelive e a ESPM transmitem para os cinemas um calendário completo de sessões ministradas por professores renomados. O projeto ESPM no Cinema é inédito e terá a duração de quatro meses – de agosto a novembro de 2016 –, com exibições agendadas para todas as terças-feiras, às 20h, em salas de cinema de diversos estados do Brasil. O evento de lançamento, programado para 16 de agosto com o tema “Comunicação que Vende”, contará com a participação de Nizan Guanaes, sócio e co-fundador do Grupo ABC de Comunicação.
Um Estado de Liberdade – Durante a Guerra Civil Americana, o fazendeiro Newton Knight forma um grupo de rebeldes contra a Confederação. Ele é contrário à escravidão, mas também à secessão. Assim, reunindo pobres fazendeiros, o pequeno condado de Jones rompe com o grupo majoritário e forma um pequeno estado livre. Ao longo dos anos, Knight combate a influência racista do Ku Klux Klan e forma a primeira comunidade interracial do sul, casando-se com a ex-escrava Rachel.

Mix Brasil – Crítica: Lentidão atrapalha Tomcat

*Por Leonardo Resende – hashtagcinema@daiblog.com.br

No início, Moses, felino que nomeia o filme Tomcat, transita, alonga e observa lentamente a realidade de seus dois donos, Stefan e Andreas (interpretados por Lukas Turtur e Philipp Hochmair, respectivamente). Graças ao ponto de vista do gato, o espectador é convidado a presenciar essa realidade de Tomcat, trabalho dirigido por Klaus Händl exibido na 24ª Edição Mix Brasil da Cultura de Diversidade. Assim como os passos de Moses, o longa-metragem austríaco segue um ritmo monótono demais.

O casal Andreas e Stefan consegue levar uma vida tranquila. Juntamente com Moses, os rapazes moram em uma casa antiga nos arredores de Viena. Todo esse clima sereno sofre uma ruptura quando a violência ganha espaço na rotina deles. Independentemente da orientação sexual de um indivíduo, sua vida é composta por comportamentos complexos e muitas vezes incompreensíveis.

O que o diretor austríaco (que trabalhou como ator em A Professora de Piano) leva à tela é como essa combinação de personalidades multifacetadas pode ser fatal para qualquer relacionamento. O desgaste, o comodismo e todas aquelas inquietações são colocadas no filme com muita ponderação, mas não com um ritmo eficaz. A cada discussão dos rapazes, Klaus levanta questionamentos: quais razões são mais legítimas? Quem é o mais íntegro? E, infelizmente, ao responder essas indagações, o cineasta pesa excessivamente a lentidão da narrativa.

Moses, o gato do filme, como citado, é colocado como o espectador de Tomcat e, ao ver todo o desenrolar da violência do casal, não consegue fazer nada, exceto assistir e torcer para que todo conflito resulte em “algo bom”. Expressão que o cinema de arte europeu não gosta muito de empregar.

Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblog

Veja aqui o trailer do filme Tomcat:

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BIFF 2016 – Crítica: As Mãos Daquela Menina

*Por Clara Camarano – redacao@daiblog.com.br

A crueldade do ser humano e a submissão do sexo feminino e do homem, em geral, às suas tentações ganharam nuances artísticas. Uma mistura de desenho, pintura e cinema que deu certo, principalmente pelo enredo que contesta o papel das belas princesinhas dos contos de fada. Enaltecida já com o Prêmio Especial do Júri no Festival de Annecy – o maior no terreno de animação realizado na França – a produção francesa As Mãos Daquela Menina foi a grande premiada da mostra competitiva de ficção da 5ª edição do Brasília International Film Festival (BIFF).

A boa safra de filmes que ocupou a capital federal trouxe um pouco das culturas de diversos países, com foco no grande mal do século: a solidão. No entanto, foi a produção francesa inspirada nos clássicos contos dos irmãos Grimm que levou o troféu. Reconhecido desenhista e animador francês, o diretor Sébastien Laudenbach inovou no longa-metragem. 

Em um enredo simples, ele retratou a história de uma menina que é vendida por seu pai ao diabo. Um pobre moleiro que negocia, sem dó nem piedade, sua filha para sair da miséria e viver uma vida de riquezas e conforto. É quando ele próprio corta as mãos da pequena como se cortasse mais uma das tantas árvores que cortou na vida. 

A descrença e falta de confiança no próximo, até mesmo quando há laços de sangue, são expostos nesta crueldade absurda. Afinal, cortar as mãos significa cortar relações e impedir uma pessoa de atuar no mundo. Apesar do peso da história, a luta pela vida, o encontro de um  amor e a maternidade dão outro sentido para a menina, que se torna uma forte mulher e combate os preconceitos de fragilidade do sexo feminino. Ela é capaz de ir à luta, independentemente da falta de mãos e da sociedade e suas consequentes crueldades. Não há mãos, mas há pulso.  Pulso e pulsão de vida. 

Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblogDaiblogDaiblog

Veja aqui o teaser trailer do filme As Mãos Daquela Menina:

 

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Curtas brasileiros e programas especiais no Mix Brasil

Como já é tradição no Mix Brasil os curtas-metragens nacionais também concorrem ao Coelho de Ouro e Prata em diversas categorias. Este ano serão 15 filmes de 9 estados. Os títulos que estão na Mostra Competitiva são A Gis, de Thiago Carvalhaes (SP/Portugal); A Vez de Matar, A Vez de Morrer, de Giovani Barros (MS); Ainda Não lhe Fiz Uma Canção de Amor, de Henrique Arruda (RN); De Repente, de Bruno Caldas (DF); Diamante, O Bailarina, de Pedro Jorge (SP); Em Defesa da Família, de Daniella Cronemberger (DF); Horizonte de Eventos, de Gil Baroni (PR), Ingrid, de Maick Hannder Lima Porto (MG); Love Snaps, de Daniel Ribeiro e Rafael Lessa (SP); O Último Dia Antes de Zanzibar, de Filipe Matzembacher e Marcio Reolon (RS); Ocorridos do Dia 13, de Débora Zanatta e Estevan de la Fuente (PR); Os Cuidados que se tem com o Cuidado que os Outros Devem ter Consigo Mesmos, de Gustavo Vinagre (SP); Piscina, de Leandro Goddinho (SP); Rosinha, de Gui Campos (DF) e Rua Cuba, de Filipe Marcena (PE).

Os Cuidados que se tem com o Cuidado que os Outros devem ter Consigo Mesmos. Foto: Manoela Cezar

Para completar a programação de curtas, os programas especiais trarão os temas: À Flor da Pele, Ásia em Chamas, Corpo Cru, Cis & HT, Girl Play, Hardcore Boyz, Lacrações Periféricas, Mix Millennials e Trans Finíssimas. Vários convidados internacionais marcarão presença no 24° Festival Mix Brasil, como o ator australiano Murray Bartlett, protagonista da série americana Looking e que está confirmado para a 5° temporada de Nashville; Desiree Buford, Diretora de Programação do Festival Frameline, Ana David, dos festivais Queer Lisboa e Doclisboa, João Rui Guerra da Mata, Stephen Dunn, diretor de O Monstro no Armário, Eric Juhola, diretor de Growing Up Coy, entre outros.

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BIFF 2016 – Crítica: Romantismo e saudade em Cartas da Guerra

*Por Clara Camarano – redacao@daiblog.com.br

Uma narrativa amorosa no meio da Guerra Colonial Portuguesa, evento que levou milhares de pessoas a morte nas décadas de 60 e 70. No meio do conflito entre as Forças Armadas de Portugual e as forças organizadas pelos movimentos de libertação das antigas províncias de Angola, Guiné-Bissau e Moçambique, um médico e soldado recorda diariamente de sua mulher. E é neste puro amor exalado em inúmeras cartas que ele encontra um alívio para os dias trágicos e arrastados que passou na Angola, quando serviu na guerra de 1971 a 1973. 

A paixão ganhou flashes no filme Cartas da Guerra, do português Ivo Ferreira, e também na 5ª edição do  Brasília International Film Festival. Destaque da mostra competitiva de ficção, o filme português agradou a plateia. Não à toa, afinal, a sensível história baseada na obra D’este Viver Aqui Neste Papel Descripto: Cartas da Guerra, de Antônio Lobo Antunes, comove não apenas aos apaixonados que gostam das “ridículas cartas de amor” que, convenhamos, não têm nada de ridículas. 

Ao contrário de superproduções cinematográficas que exaltam as guerras com inúmeros efeitos especiais, o filme tem uma abordagem humanista, que mostra o dia a dia de soldados portugueses na busca de refúgio para se livrarem do tormento e do medo. O desejo de voltar para casa e para suas famílias é aliviado com pequenos passatempos e a espera por notícias do lado de lá. Tudo isso mostrado por meio de uma trabalhadíssima fotografia em preto e branco.

No foco do enredo está o soldado António (Miguel Nunes), autor e narrador das cartas que escreve para sua primeira mulher durante a guerra: Maria José, vivida pela atriz Margarida Vila-Nova. A ausência do seu grande amor, que está ainda grávida da primeira filha do casal, serve de inspiração para as eloquentes poesias. Na trama ainda se destacam personagens como o Capitão Melo Antunes (Ricardo Pereira). Cansado da guerra, o major pede para que o doutor justifique uma doença inexistente para retornar à sua moradia. Apesar de não ser adepta do gênero narrativo, que por vezes se mostra cansativo, a produção comove  pelo lirismo das cartas e por mostrar a dor particular dos que viveram a guerra. Mesmo sendo apenas do lado dos portugueses, afinal o recorte é de um português, o filme não exclui as tormentas do outro lado. 

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Veja aqui o teaser trailer do filme Cartas da Guerra:



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