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BIFF 2016 – Festival anuncia os filmes vencedores

Segue abaixo a lista de premiados no Brasilia International Filme Festival, que terminou no último domingo, dia 13 de novembro, no Cine Brasília e no Cine Cultura Liberty Mall, exibindo 16 filmes inéditos no Brasil.

Prêmio José Carlos Avellar – Estados Unidos pelo Amor, de Tomasz Wasilewski | Polônia

Prêmio da Crítica de Brasília – Exercícios da Memória, de Paz Encina | Paraguai

Júri Popular Mostra Competitiva Documentário – Em Busca de Sentido, Nathanaël Coste e Marc de la Ménardière | França

As Mãos Daquela Menina

Júri Popular Mostra Competitiva Ficção – As Mãos Daquela Menina, Sébastien Laudenbach | França

A cobertura do evento, entretanto, você continua acompanhando por aqui. Leia mais sobre o 5º BIFF – Brasília International Film Festival: 


BIFF 2016 – Festival anuncia os filmes vencedores

BIFF 2016 – Crítica: Albüm escancara o preconceito turco

*Por Clara Camarano – redacao@daiblog.com.br

O preconceito e o racismo, em suas inúmeras formas, foram destaques nos telões do Cine Brasília (106 Sul) e do Cine Cultura do shopping Liberty Mall durante o 5ª edição do Brasília International Film Festival. Um dos fortes concorrentes da mostra competitiva de ficção, Albüm lançou uma série destes temas vividos dentro da sociedade turca. O filme marcou sua estreia em longas-metragens do diretor Mehmet Can Mertoglu e arrebatou sete prêmios em festivais como Cannes, Jerusalém e Saravejo.

Antes conhecido apenas na ala dos curtas-metragens por Yokus (La Cuesta) e Fer (O Flash), Mehmet agora chegou com força no seu Albüm, uma verdadeira crítica à sociedade turca. No foco da história está  Bahar (Sebnem Bozoklu) e Cüneyt Bahtiyaroglu (Murat Kiliç), um casal de classe média que não consegue engravidar. Sem opções, eles decidem adotar às escondidas um bebê e falsificam uma suposta barriga em Cüneyt para evitar qualquer suspeita de adoção.

Para  manter o segredo, o casal falsifica ainda um álbum de fotografias e esbanja uma série de racismos no processo de escolha do filho. A negação de uma menina que parece descendente dos curdos é um dos retratos deste preconceito que choca  quem está assistindo.  Não apenas pelo fato dela ser mulher – a preferência é por um macho – , mais de possuir qualquer semelhança com os curdos, inimigos históricos da Turquia.

A frieza com que este casal se relaciona, a solidão, a rejeição e negação à própria capacidade de engravidar desaguam em um triste final. A produção é marcada ainda por cenas fortes, como a de uma vaca parindo no início do filme e de um terrível suicídio seguido do descaso da polícia e dos envolvidos. O que fica são as tristes mensagens sublimes, como a de que “mulher foi feita para reproduzir”. Merece palmas por abranger tantos preconceitos em um simples enredo. 

Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblogDaiblog

Veja aqui o trailer do filme Albüm:

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BIFF 2016 – Crítica: Albüm escancara o preconceito turco

Programação nacional e internacional no 24º Mix Brasil

No Panorama Internacional do 24º Festival Mix Brasil estão confirmados longas-metragens e documentários premiados recentemente em Festivais Internacionais de Cinema como Berlim, Locarno, Hong Kong, Cannes, Toronto, Sundance, entre outros. Destaques para É Apenas o Fim do Mundo, de Xavier Dolan (Canadá), vencedor do prêmio do Júri no Festival de Cannes; Quando Se Tem 17 Anos, de André Téchiné (França), vencedor de prêmio do Júri no Outfest; As Vidas de Thérèse, de Sébastien Lifshitz (França), vencedor da Queer Palm no Festival de Cannes; Absolutely Fabulous: O Filme, de Mandie Fletcher (Reino Unido/EUA); Kiki, de Sara Jordenö (Suécia/EUA), vencedor do Teddy de melhor documentário em Berlim; Quem Vai Me Amar Agora?, de Barak Heymann e Tomer Heymann (Israel/Reino Unido), vencedor do Panorama Audience Award no Festival de Berlim; O Monstro no Armário, de Stephen Dunn (Canadá), prêmio de Melhor Longa-Metragem Canadense no Festival de Toronto; Tomcat, de Händl Klaus (Áustria), vencedor do Teddy de melhor longa-metragem na Berlinale e Yes, We Fuck! (Espanha), de Antonio Centeno e Raúl de la Morena. 
O Monstro no Armário
Já no circuito nacional, o festival premiará com o Coelho de Ouro o melhor longa-metragem brasileiro. Os selecionados são A Cidade do Futuro, de Cláudio Marques e Marília Hughes (BA); A Destruição de Bernardet, de Claudia Priscila e Pedro Marques (SP); Antes o Tempo Não Acabava. de Sérgio Andrade e Fábio Baldo (AM/Alemanha); Divinas Divas de Leandra Leal (RJ); Entre os Homens de Bem. de Caio Cavechini e Carlos Juliano Barros (SP); Lampião da Esquina, de Lívia Perez (SP); O Ninho, de Marcio Reolon e Filipe Matzembacher (RS), serie com 4 capítulos,; e Waiting for B. de Paulo Cesar Toledo e Abigail Spindel (SP).

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Programação nacional e internacional no 24º Mix Brasil

BIFF 2016 – Crítica: A apatia bizarra de Sem Mover Os Lábios

*Por Clara Camarano – redacao@daiblog.com.br

Um homem frio, calculista, que mal abre a boca para falar. A não ser quando é obrigado a dar vida a bonecos em bares “pé sujos”. É neste cenário e com a ausência total de empatia e de qualquer tipo de afeição que o manipulador de fantoches Carlos (Giancarlo Chiappe) faz seu ganha-pão diário. No meio de beberrões e machões, o fantoche da história é ele.


Representante dos nossos vizinhos colombianos, o longa-metragem Sem Mover os Lábios, dirigido por Carlos Osuna, teve seu primeiro lançamento no Brasil na 5ª edição do Brasília International Film Festival (BIFF). A produção é a segunda do diretor colombiano, que assinou antes Gordo, Calvo e Baixo, de 2011. 
Com um estilo que recorre a personagens esdrúxulos e bizarros, Osuna volta agora no seu novo longa com uma pegada ainda mais irreverente ao focar no seu protagonista homônimo. Uma figura que, além de toda a frieza, é um tipão careca cheio de manias, que age com as pessoas de uma maneira fora do convencional. Sem emoção, inclusive ao lidar com a doença da própria mãe. 
E se é para falar de bizarro, o que não faltam são bizarrices na produção. O pai louco, a  mãe doente e carente, as estranhas mulheres com quem o protagonista transa de forma mecânica. Além das manias esquisitas e peculiares de cada um destes personagens. 

Se for pensar nestes traços de personalidades,  a trama até mostra bons ingredientes. Inclusive, ganha pontos positivos por criticar a efervescência do catolicismo no país e as ilusões provocadas pela mídia. No entanto, a crescente de acontecimentos sem fundamento e nexo acaba por desviar o roteiro para um verdadeiro show de horror trash.  Se a ideia era explorar o gênero surrealista, como aparenta, o exagero beirou  o grotesco.
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblog

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BIFF 2016 – Crítica: A apatia bizarra de Sem Mover Os Lábios

Mix Brasil – Crítica: O Monstro no Armário fala de aceitação

*Por Leonardo Resende – hashtagcinema@daiblog.com.br

Com o passar dos anos, mesmo que no cenário alternativo, o cinema LGBTT tem ganhado bastante espaço. Exemplos como: O Segredo de Brokeback Mountain, Azul é a Cor Mais Quente e o recente Carol. Os longas-metragens citados seguem histórias diferentes, mas todas têm a questão de aceitação pessoal como fio condutor. O premiado O Monstro no Armário, que marca a estreia do diretor e roteirista Stephen Dunn na sétima arte também usa esse quesito. O filme pode ser conferido na 24ª edição do Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade.

Um adolescente chamado Oscar (Connor Jessup) tem como maior sonho se tornar um maquiador de efeitos especiais, porém tem medo da reprovação do seu pai – tanto pela sexualidade quanto pela grande aspiração. Se apaixonar por Wilder (Aliocha Schneider) era a última circunstância que Oscar esperava. Um acontecimento que o faz reconsiderar seus receios em relação ao pai.

Mostrar a aceitação da homossexualidade nunca será demais para o cinema. Por mais que aparente ser algo cansativo, a temática – além de ser encantadora de assistir – é de suma importância para o ativismo LGBTT. Contudo, uma quebra de paradigmas é sempre bem apreciada. E O Monstro no Armário encaixa-se perfeitamente como um exemplo disso.

Alguns roteiristas retratam a homossexualidade (e a aceitação), às vezes, em tons muito secos e diretos. O filme Dunn aposta no caminho inverso. Ao expressar a sexualidade de Oscar, o roteiro dá ao personagem uma liberdade visual nunca vista no cinema gay. Todo esse adereço estético é contextualizado pelo sonho que tanto almeja. Apesar de pincelar alguns tons sombríos na película, Dunn retrata que, por trás de um medo, vive uma mente imaginativa onde um rapaz homossexual deseja aquilo que todo ser humano sonha: ser livre.

Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblogDaiblogDaiblog

Veja aqui o trailer do filme O Monstro no Armário:



Acompanhe a cobertura do 24° Festival Mix Brasil:
Mix Brasil – Crítica: O Monstro no Armário fala de aceitação
24º Mix Brasil – Crítica: Waiting for B. mergulha na mente de fãs
24° Festival Mix Brasil homenageia João Pedro Rodrigues

Mix Brasil – Crítica: Waiting for B. mergulha na mente de fãs

*Por Michel Toronaga – micheltoronaga@daiblog.com.br

Você passa na rua, vê várias barracas e pensa que são pessoas passando por necessidade. Ou então alguns manifestantes querendo chamar a atenção para alguma causa. A cena pode ser vista no documentário Waiting for B., um dos destaques do festival Mix Brasil deste ano. A questão é que o filme apresenta outra motivação para que vários brasileiros deixassem suas casas: o show da cantora Beyoncé em São Paulo.
De forma bem-humorada, o longa-metragem dirigido pela dupla Paulo Cesar Toledo e Abigail Spindel mostra os dramas e as aventuras dos fãs que acamparam dois meses antes da apresentação da atriz e cantora no Morumbi. Mais de 30 pessoas dividiram uma única barraca, fazendo um revezamento para não perder o lugar. O objetivo do grupo era ser o primeiro a entrar no estádio e ver o show o mais próximo possível, na grade.
Os cineastas revelaram o que passa na cabeça de garotos e garotas que levam o trabalho da artista extremamente a sério. E isso inclui rivalidades entre as tendas de outros fãs, ensaios da coreografia e outros detalhes. Poderia ser apenas um mergulho na realidade do admiradores da estrela, mas o filme se aprofunda em discussões que acabam surgindo entre os documentados. É o caso do racismo pela orientação sexual ou o preconceito pela cor da pele.
Waiting for B. também revela um grupo de fãs que faz cover da artista. O filme se destaca por mostrar também a “vida normal” dos personagens. Além do fanatismo (há um rapaz que vendeu o próprio apartamento para ir em todos os show da turnê nacional), são mostrados detalhes muito sinceros sobre o que a cantora representa na vida deles. O documentário tem momentos que lembram alguma produção de Bollywood, graças a animação e músicas que são cantadas a todo momento pelos personagens. Destaque para a engraçada cena de um desfile de moda conceitual usando a tenda e um relato sofrido sobre a homofobia.

Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblog

Veja aqui o trailer do filme Waiting for B.:

 

Acompanhe a cobertura do 24° Festival Mix Brasil:
24º Mix Brasil – Crítica: Waiting for B. mergulha na mente de fãs

A semana (10/11 a 16/11) no Espaço Itaú de Cinema

Veja a seguir os filmes que passarão esta semana no Espaço Itaú de Cinema, que fica no shopping CasaPark (Guará). A programação completa, com todos os horários, você encontra no site oficial da rede: http://www.itaucinemas.com.br/

Doutor Estranho – Stephen Strange leva uma vida bem sucedida como neurocirurgião. Sua vida muda completamente quando sofre um acidente de carro e fica com as mãos debilitadas. Devido a falha da medicina tradicional, ele parte para um lugar inesperado em busca de cura e esperança, um misterioso enclave chamado Kamar-Taj. Ele logo descobre que o local não é apenas um centro medicinal, mas também a linha de frente contra a batalha de forças malignas que desejam destruir nossa realidade. Ele passa a treinar e adquire poderes mágicos, mas precisa decidir se vai voltar para sua vida comum ou defender o mundo.

Indignação – Em 1951, Marcus, um jovem judeu de Nova Jersey, é uns dos recém chegados à Universidade Winesburg, em Ohio. Entre novas experiências, Marcus também sofrerá com repressões e violência na conservadora faculdade, onde lida com anti-semitismo e repressão sexual. Local também em que um breve momento sua vida converge com a brilhante filha de um ex-aluno.


Jonas – Em pleno Carnaval um rapaz sequestra a filha da patroa da sua mãe, por quem sempre foi apaixonado, e a mantém refém dentro de um carro alegórico em forma de baleia. Presos na “barriga” do animal, eles iniciam um romance.


Pequeno Segredo

Pequeno Segredo – Três histórias conectadas por um único segredo, abrangendo a primeira família brasileira a dar a volta ao mundo a bordo de um veleiro. Conhecidos por seus cruzamentos marítimos, os Schurmann guardaram por um longo tempo, a comovente história da adoção de Kat, falecida em 2006.

O Plano de Maggie – A jovem Maggie tenta viver por conta própria na cidade que nunca dorme: Nova Iorque. A moça deseja ter um filho, criando-o por conta própria, mas quando ela se envolve romanticamente com John, um homem casado, as coisas podem se complicar e todo o equilíbrio dos planos de Maggie pode cair por terra.

Cicero Dias, o Compadre de Picasso – O pintor pernambucano Cicero Dias criou uma arte inigualável para o mundo. Próximo de modernista e influenciado por artistas como Pablo Picasso, Fernand Léger e Joan Miró, ele marcou a história da arte brasileira.

Curumim – Os últimos dias e as últimas horas de Marco Archer, mais conhecido nas comunidades do surfe e da asa-delta pela alcunha de “Curumim”, o primeiro brasileiro a ser condenado à pena de morte por tráfico de drogas, após ser capturado pela polícia tailandesa em uma ilha nos arredores de Bali, um território indonésio localizado no Oceano Índico.

O Contador
O Contador – Christian Wolff é um homem que apresenta um quadro de Síndrome de Asperger, o que o faz ter mais intimidade por números do que por pessoas. Ele usa um escritório de contabilidade em uma cidadezinha pequena apenas como fachada para trabalhar como contador autônomo para algumas das mais perigosas organizações criminosas do mundo. 

Através da Sombra – A tímida Laura é contratada por um homem rico para cuidar de seus dois sobrinhos órfãos, que moram numa fazenda de plantação de café. Apesar de não se dar muito bem com o campo, ela aceita a tarefa, e logo estabelece uma amizade com a pequena Elisa, enquanto seu irmão é enviado a um internato, por razões desconhecidas. Aos poucos, com a presença dos escravos e da governanta Geraldina, Laura tem a impressão de que alguns segredos são escondidos naquela casa. Ela acredita inclusive ver algumas pessoas que ninguém mais vê…


Festival Ópera na Tela – O Festival Ópera na Tela é uma mostra inédita, totalmente dedicada ao gênero da ópera, com exibição do melhor da temporada europeia recente, realizada em verdadeiros templos da ópera, tornando acessível a atualidade lírica mundial ao público brasileiro. Ópera : O Navio Fantasma

Snowden – Herói ou Traidor? – Filme de Oliver Stone sobre Edward Snowden, ex-funcionário da CIA que divulgou para a imprensa uma série de documentos sigilosos da Agência de Segurança Nacional dos EUA que comprovaram atos de espionagem do governo norte-americano.

Invasão de de Privacidade

Invasão de Privacidade – Mike Ryan é um homem de negócios bem-sucedido, mas que possui um mal relacionamento profissional com um jovem consultor de informática. O rapaz começa a assediar a filha de Mike e passa a usar suas habilidades com a tecnologia para ameaçar os negócios, a família e a vida dele.


Canção da Volta – Julia e Eduardo formam um casal que se ama mas que precisa aprender a lidar com os problemas que surgem em seu caminho. O longo casamento dos dois é assombrado por fantasmas e é carregado com a responsabilidade que eles têm em criar seus filhos; ultrapassar os seus problemas só depende dos dois, mas essa pode ser a tarefa mais difícil.

A Garota no Trem – Rachel, uma alcoólatra desempregada e deprimida, sofre pelo seu divórcio recente. Todas as manhãs ela viaja de trem de Ashbury a Londres, fantasiando sobre a vida de um jovem casal que vigia pela janela. Certo dia ela testemunha uma cena chocante e mais tarde descobre que a mulher está desaparecida. Inquieta, Rachel recorre a polícia e se vê completamente envolvida no mistério.

BIFF 2016 – Crítica: Realismo é ponto forte em A Caridade

*Por Clara Camarano – redacao@daiblog.com.br

Uma família feliz no meio de uma festa de aniversário. Neste cenário, uma senhora se levanta para falar sobre a alegria que sente ao ajudar o próximo. É assim que começa a produção La Caridad (A Caridade), do diretor mexicano Marcelino Islas Hernández. Ajudar a quem precisa é caridade. Esta e a grande questão do filme. A sensibilidade ao tratar de temas como a compaixão, o envelhecer e a solidão são méritos deste longa, que teve sua estreia na América do Sul na 5ª edição do Brasília International Film Festival.

A caridade é retratada em diversos momentos do filme e, em alguns, se confunde com o sentimento de pena. O diretor trata de dramas reais, da busca de sentido da vida e da maneira peculiar de cada um lidar com o vazio existencial. São humanos, acima de tudo, com desejos e negações. É neste sentido que a trama vai sendo  traçada. No foco, o cineasta traz novamente personas da terceira idade. Geração que o motivou também nos longas Martha e La Castracíon, todos voltados para o tema do envelhecimento.
Agora são os conflitos do casal sessentão Angélica (Verônica Langer) e José Luis (Jaime Garza). Após 30 anos de casamento, uma reviravolta irá abalar o cotidiano dos dois. Ao sofrer um acidente de carro, José Luis tem uma perna amputada e se vê obrigado a se adaptar a uma nova realidade. Sem querer abrir mão da sua independência, o patriarca tenta se virar e criar uma nova rotina. Aliás, as longas tomadas de silêncio que mostram passo a passo do dia a dia de Luis e de Angélica são características do filme. Além da trilha sonora repetitiva, com músicas marcantes como Las Cerezas, de Los Hermanos Carrión.
É no meio deste emaranhado que os personagens mostram suas fragilidades. Perante as novas dificuldades, o filho do casal (Luis Alberti) e a matriarca Angélica tentam também seguir suas vidas, sem mostrarem grandes abalos com o acidente. É neste momento que todos se deparam com a solidão e com suas manias pessoais. José Luis tenta descobrir um novo sentido para sua vida ao conviver com a atraente e jovem enfermeira Eva (Adriana Paz). Já Angélica continua a trabalhar e passa a procurar prazeres fora de casa. A produção é realista ao mostrar conflitos corriqueiros. Sentimentos que, embora pareçam egoístas, não excluem a compaixão. Seja de Angélica com Luis e, vice-versa, seja do filho que se omite e muda para outra cidade, ou até mesmo da enfermeira.

Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblogDaiblog

Leia mais sobre o 5º BIFF – Brasília International Film Festival:
BIFF 2016 – Crítica  Realismo é ponto forte em A Caridade
BIFF 2016 – Crítica: Barash, O Amor Bate à Sua Porta

24° Festival Mix Brasil homenageia João Pedro Rodrigues

O 24° Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade, maior festival LGBTQ da América Latina, acontece de 9 a 20 de novembro na Capital Paulista. Na programação estão 113 filmes de 26 países, além de teatro, música, conferencia e o 1º MixLab. Em 2016, o Festival irá homenagear João Pedro Rodrigues, um dos maiores cineastas do cinema português, que tem presença confirmada no evento. O seu último filme, O Ornitólogo (Portugal/França/Brasil), inédito em São Paulo, abrirá o Mix Brasil no dia 9 de novembro numa sessão especial para convidados no Auditório Ibirapuera.
O Ornitólogo
Premiado no Festival de Locarno na categoria de melhor direção, o filme conta a história de Fernando, um ornitólogo solitário, que está à procura de cegonhas negras ao longo de um remoto rio nos confins de Portugal quando é arrastado pelas corredeiras. Resgatado por um casal de peregrinas chinesas, ele mergulha em uma floresta escura, misteriosa, tentando voltar às origens (e às cegonhas). Mas, diante de obstáculos inesperados e estranhos e pessoas que o colocam à prova, o protagonista logo é levado por ações extremas e transformadoras. 
Na programação estão mais 4 títulos do cineasta português: O Fantasma, primeiro longa de João Pedro Rodrigues, que este ano completa 16 anos e será exibido em 35mm,  foi selecionado para a competição oficial do Festival Internacional de Cinema de Veneza em 2000 e eleito o melhor filme no Festival de Cinema de Entrevues, e os curtas Parabéns!O Corpo de Afonso e O que Arde Cura – este último de direção de João Rui Guerra da Mata, seu companheiro e parceiro de projetos artísticos e coroteirista junto com João Pedro de O Ornitólogo, O curta conta com atuação de João Pedro Rodrigues. 

BIFF 2016 – Crítica: Barash, O Amor Bate à Sua Porta

*Por Clara Camarano – redacao@daiblog.com.br

5ª edição do Brasília International Film Festival chegou com fôlego e traz produções mundiais independentes. Oportunidade única para conferir os trabalhos e realidades de outros países. Um destaque é o filme israelense Barash – O Amor Bate À Sua Porta, que ainda será exibido nesta quarta-feira (9/11), às 19h, no Cine Brasília (106 Sul), e na sexta-feira (11/11), às 14h, no Cine Cultura do Liberty Mall (SCN QD 2), os dois grandes palcos do evento.  
A diretora israelense da cidade de Haifa, Michal Vinik, chega com Barash já com êxito após ganhar os prêmios de primeiro lugar em festivais de sua cidade e em Milão (Itália), onde também arrancou aplausos. O longa, que em breve terá lançamento oficial no país, é uma comédia dramática que trata da problemática de duas jovens adolescentes que buscam viver loucamente e descobrir os sabores e dissabores desta fase. Naama (Sivan Noam Shimon) é uma jovem de 17 anos à procura dos prazeres mundanos, de descobertas sobre sua sexualidade e de fugir da tensão familiar. No momento de transição para a vida adulta e do autoconhecimento, a adolescente começa a ir em festas, fumar, beber, matar aulas e fazer uso de drogas.  
É quando ela acha a parceira ideal para a realização dos seus desejos. A descolada Dana Hershko (Hadas Jade Sakori), uma adolescente considerada a frente de sua idade, que vive a vida como se não houvesse amanhã. A ainda ingênua Naama começa a se envolver com a amiga, que vira ponto de referência para o seu descobrimento, inclusive sexual. No ardor de uma paixão que começa a surgir entre elas, a protagonista muda sua postura perante a vida. No entanto, nem tudo, assim como a vida, será um mar de rosas.
Além de ser um filme que foca na fase da adolescência de uma forma bem verídica, Barash se destaca também pela sutileza ao envolver os reflexos da eterna guerra entre Israel e o mundo árabe. O conflito, neste sentido, pode ser observado dentro da casa de Naama. Seu pai, sua mãe e irmão começam a investigar, junto com ela, o desaparecimento da irmã mais velha. Ao descobrir que a irmã está envolvida com um árabe, a problemática é traçada de maneira interessante, capaz de tirar risadas nervosas do espectador. Cabem estas risadas ao personagem Gidon Barash (Dvir Benedek), o grotesco pai israelense que aponta defeitos em todos os árabes. Já a mãe Michel Barash (Irit Pashtan) é uma frágil mulher incapaz de ver a problemática dos filhos, além de ser submissa ao patriarca da casa. Aliás, palmas para os dois atores que conseguem viver e passar a densidade destas personas.

Um debate sobre o machismo, relações familiares, sexualidade e conflitos externos que refletem diretamente em problemáticas internas. Todas estas temáticas dão mérito à produção. Vale a pena assistir, até para ver que algumas coisas, relações e conflitos não mudam. Nem quando mudamos de país. 

Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblogDaiblog

Veja aqui o trailer do filme Barash – O Amor Bate à Sua Porta: