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Curtas: entre o documental e o experimentalismo

*Por Leonardo Resende – hashtagcinema@daiblog.com.br

Acompanhado de uma música, videoclipes podem usar imagens repetitivas intercaladas. Raramente elas necessitam de uma narrativa coerente. Entretanto, usar esse tipo de linguagem em um curta-metragem simplesmente não funciona. Confidente, de Karen Ackerman e Seabra Lopes é um filme produzido no Rio de Janeiro que faz o uso intenso dessa montagem esquizofrênica, Foi exibido neste domingo na Mostra Competitiva do 49º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Na seqüência da programação, Procura-se Irenice foi o documentário que fez a dor de cabeça deixada por Confidente ser curada.

Foto: Junior Aragão

Com uma sinopse poética em que o ator André Dahmer tenta mostrar quem ele é, o curta-metragem de 12 minutos de duração mistura filmagens analógicas (extremamente aleatórias) de pessoas e paisagens do Rio de Janeiro. Em um trecho o narrador reflete: “Se não germinei, se fiquei por florescer, é porque me envenenaram as raízes. Eu sei que é falso, um erro provocado, mas… este sou eu, este sou eu, este sou eu…”

Confidente

Confidente pode fazer jus ao seu título quando o narrador relata seu lirismo, mas do que adianta tanta força com a poesia sendo que o espectador não consegue acompanhar nenhuma imagem em tela? Aliás, epilépticos, passem longe de Confidente, tanto pelo barulho ensurdecedor e desnecessário quanto as imagens repetitivas. A equipe do filme chegou a avisar sobre a recomendação para os que sofrem de epilepsia antes da sessão.

Procura-se Irenice

Ao contrário de Confidente, Procura-se Irenice, de Marco Escrivão e Thiago B. Mendonça, se apropria de diversos elementos criativos ao contar a história de uma atleta que foi silenciada durante a ditadura militar. O primeiro adereço espetacular é sua filmagem completamente em preto e branco. Todo o tom documental ganha uniformidade visual quando as imagens da época de Irenice se mesclam com os relatos atuais.

Procura-se Irenice

Mesmo que seja triste acompanhar a história de uma atleta negra silenciada, o documentário não utiliza princípios melodramáticos. Algumas descrições de quem era Irenice de fato emocionam, simplesmente pelo carinho que os diretores usam para reviver uma guerreira. Vide uma cena em que uma atriz interpreta que Irenice tenta gritar e falar é calada por uma fita e amarrada com uma bandeira do Brasil. Se Confidente deixou o público do festival com dor de cabeça, Procura-se Irenice foi o alívio emocional e terapêutico.

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Curtas: entre o documental e o experimentalismo
Polêmicos curtas abordam a diversidade sexual
Crítica: O pseudo-luto de ritmo lento de Elon

Polêmicos curtas abordam a diversidade sexual

*Por Michel Toronaga – micheltoronaga@daiblog.com.br 

Muita coisa mudou desde que o cineasta Daniel Ribeiro exibiu Café com Leite no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, em 2007. Quando seu curta passou na telona, foi possível escutar comentários e pessoas resmungando ao ver a cena inicial com dois homens se beijando. No último domingo, a segunda sessão da mostra competitiva do mesmo evento contou com produções ainda mais ousadas, por assim dizer.

Bodas de Papel, de Breno Nina e Keyci Martins, polemizou com cenas de nudez frontal e um conteúdo que beira a pornografia. Na trama, um homem pede uma pizza e decide assediar a entregadora. O que ele não contava era que ela podia estar preparada para se defender de uma forma bem específica. O título do curta antecipa o jogo de interpretações da dupla, o que não tira o impacto da fantasia sexual explícita que foi exibida. Na plateia, um único espectador vaiou a produção, que foi aplaudida pela maioria. Um curta divertido e provocador.

Demônia

A dupla Cainan Baladez e Fernanda Chicole foi responsável por Demônia – Melodrama em 3 Atos, que pegou o público de surpresa com uma história de traição que vira pauta de um programa de televisão sensacionalista. A comédia começa quando uma evangélica descobre quem era a “demônia” que estava tendo um caso com o seu marido. A terceira parte do curta brinca com memes e os remixes criados no YouTube quando um vídeo viraliza. Profano, atual e engraçadíssimo!

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Polêmicos curtas abordam a diversidade sexual
Crítica: O pseudo-luto de ritmo lento de Elon

Crítica: O pseudo-luto de ritmo lento de Elon

*Por Leonardo Resende – hashtagcinema@daiblog.com.br

Filmes que envolvem a temática de desaparecimento sempre são complicados. O diretor deve ter consciência de um fator: o ritmo. Caso não seja uma trama de luto, a obra deve seguir uma construção de suspense. Infelizmente, Elon Não Acredita na Morte é uma exceção a regra e é montado de maneira lenta. O filme foi exibido neste sábado Mostra Competitiva do 49º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

Para entender o sumiço de sua esposa, Elon enfrenta uma jornada a procura de Madalena. Transitando entre as lembranças da esposa e a realidade crua, ele tenta não perder sua sanidade. O longa-metragem é protagonizado por Rômulo Braga e Clara Choveaux, que interpretam Elon e Madalena, respectivamente.

Como citado, caso fosse um filme sobre o luto, o ritmo arrastado seria justificável. Entretanto, por ter acolhido uma montagem monótona, Elon Não Acredita na Morte falha ao tentar envolver o espectador. Exceção pela narrativa fria, tecnicamente o filme de Ricardo Alves Jr. é extremamente bem cuidado. A direção de arte é que mais se enquadra neste quesito. Ao montar os locais sombrios da cidade, Diogo Hayashi enriquece a tela com mínimos detalhes. O mesmo pode ser dito da fotografia cinzenta, fator que combina com o humor de Elon.

Com essa narrativa arrastada, Elon Não Acredita na Morte pode ser enquadrado como um pequeno retrocesso em questões de montagem cinematográfica. Pouco adianta um diretor tentar contar uma história sendo que ele é o único que está se divertindo.

Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblog


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Crítica: O pseudo-luto de ritmo lento de Elon

Produções garantem espaço para protestos na telona

*Por Clara Camarano – redacao@daiblog.com.br

O racismo, o preconceito retratado na exclusão do povo indígena e a homofobia, foram temas que tiveram bandeiras de protestos levantadas nas produções da segunda sessão, às 21h30, da mostra competitiva do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro no último sábado. Filmes do Nordeste e do Norte do país revelaram a força destas regiões para falar de assuntos ainda tão polêmicos no Brasil. A começar pelo curta-metragem pernambucano Abigail, dirigido por Isabel Penoni e Valentina Homem.

Foto: Junior Aragão

Tomadas fortes, uma câmera adentrando sobriamente em uma casa cheia de memórias. A religião candomblé se mistura e conecta-se com o indigenismo. O documentário Abigail mescla estes elementos para retratar as lembranças de Abigail Lopes, a conhecida como Tipizari ou “a dona das panelas” pelos índios Xavantes de Goiás.

Abigail
Uma mulher forte de Rondônia, que perdeu cedo a mãe e foi abusada sexualmente pelo pai. Casou-se com o indigenista Chico Meireles, com o qual teve duas filhas que cresceram entre os índios.  Por ele, foi traída. Em 2008, esta mulher foi encontrada vivendo só em uma casa labiríntica na periferia do Rio de Janeiro, onde mantinha um candomblé em seu interior. A sensível história de Abigail é tratada com delicadeza pelas diretoras. Em um curto tempo, precisamente 17 minutos, o filme consegue entrar neste universo misterioso da casa, das memórias e da religião desta guerreira. Enxuto e profundo, sem precisar de mais.
Antes o Tempo Não Acabava
Já na sequência, o longa-metragem Antes o Tempo Não Acabava veio para representar o Norte, a Amazonas que teve o orgulho de estar em Brasília com a ousada produção dirigida por Sérgio Andrade e Fábio Baldo. Festas, funk, brancos convivendo com índios e índios convivendo com brancos. As diferenças preconceituosas, até mesmo dentro das próprias tribos, onde os índios também mantém um preconceito com o lado de lá.

Antes o Tempo Não Acabava
É neste ambiente que o jovem indígena Anderson convive e entra em conflito com os líderes de sua comunidade, na periferia de Manaus. As tradições mantidas por sua tribo chocam com a vida que ele leva junto aos brancos. O desacordo com pontos da religião indígena e também o receio da convivência com os brancos levam este jovem a um momento de autoafirmação. Autoafirmação esta também sexual.


O ator e também personagem real Anderson Tikuna busca seu autoconhecimento na capital da Amazonas.  A perda de sua filha, o descobrimento de sua sexualidade, uma forte cena de sexo homossexual, a boemia e a trilha sonora com direito a até Single Ladies, de Beyoncé, traçam muito bem esta dualidade entre as tradições  indígenas e o convívio  com a  moderna sociedade. Palmas para a  irreverente produção.

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Produções garantem espaço para protestos na telona

Crítica: Mundo de angústias em O Delírio é a Redenção dos Aflitos

*Por Leonardo Resende – hashtagcinema@daiblog.com

Para que um diretor consiga compor uma cena, ele precisa de referência visuais. Fellipe Fernandes, diretor de O Delírio é a Redenção dos Aflitos, curta­-metragem exibido na mostra competitiva do 49º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, imprime todas as possíveis inspirações ao colocar seus atores em tela.

A história da obra descreve a vida de Raquel, uma moradora de um prédio com o risco de desabamento. A grande angústia dela é mudar o mais rápido possível para conseguir a segurança de sua família. Nash Laila (Amor, Plástico e Barulho) é a grande força do curta-­metragem. Sua dor, que as vezes é convertida em desistência, é aumentada a cada problema.

Para mostrar a rotina de Raquel, Fellipe usa da complexidade de um mundo sem esperança. Seu caminhar mecânico pela cidade é filmado com muita realidade. Mesmo que ela conte seu delírios imaginários, Fellipe não abandona a câmera documental e tremida. O Delírio é a Redenção dos Aflitos expressa a angústia de muitos usando Raquel como porta-­voz de um Brasil em crise.

Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblogDaiblog

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Crítica: Mundo de angústias em O Delírio é a Redenção dos Aflitos
Crítica: O Brasil sem esperança de Estado Itinerante
Crítica: O Último Trago: boas ideias, péssima execução
Filmes candangos estão na Mostra Brasília
Crítica: Conhecendo o estranho com Solon
Filmes retratam a sensibilidade das produções mineiras
Programação para a criançada no Festivalzinho
Crítica: A crueldade sem filtros é vista em Martírio
Curtas: Regresso soteropolitano e animação dramática
Crítica: Rifle tem clima de faroeste no sul do Brasil
Festival de Brasília começa com tom politizado
Mostra Cinema Agora no Festival de Brasília
Curta de Lauro Escorel abrirá o Festival de Brasília
Cinema Novo na abertura do Festival de Brasília
A Destruição de Bernardet no Festival de Brasília
Curtas e médias do 49º Festival de Brasília

Longas selecionados para o 49º Festival de Brasília

Crítica: O Brasil sem esperança de Estado Itinerante

*Por Leonardo Resende – hashtagcinema@daiblog.com.br

Manter um mistério dentro de um filme não é muito difícil. Basta o diretor retirar alguns elementos, poucas imagens e deixar o restante com a imaginação do espectador. Este é o caso do curta-­metragem Estado Itinerante, exibido na Mostra Competitiva do 49º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro no último sábado. O curta de Minas Gerais foi produzido e dirigido por Ana Carolina Soares.

Sabemos que Vivi quer se separar por viver um relacionamento abusivo. Dia após dia, procurar um novo lar é algo mais rotineiro do que seu próprio trabalho como cobradora de ônibus. Além desse desejo imenso de se libertar, a personagem tem que aprender a lidar com a vida monótona. Interpretada por Lira Ribas, a protagonista conduz o filme inteiro com uma atuação carregada.

Assim como o filme O Delírio é a Redenção dos Aflitos (também exibido no festival), Estado Itinerante também coloca personagens em um cenário de difícil convivência, onde sua grande provação é enfrentar um trauma. Às vezes filmado com tons oníricos e hipnotizantes, vide cena que Vivi dança a música Don’t Cry, da banda Guns n Roses, Estado Itinerante também expressa um país desesperançoso e cinzento.
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblog

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Longas selecionados para o 49º Festival de Brasília

Crítica: O Último Trago: boas ideias, péssima execução

*Por Leonardo Resende – hashtagcinema@daiblog.com.br 

Alguns diretores conseguem a façanha de trabalhar com dois gêneros dentro de um filme. Porém, para fazer a transição, é necessária uma habilidade de narrativa espetacular. O Último Trago, de Luiz Pretti, Pedro Diogenes e Ricardo Pretti, não pode ser usado como exemplo. O filme, que foi exibido  na Mostra Competitiva do 49º Festival de Brasília de Cinema Brasileiro, tem boas ideias, mas não sabe o que fazer com elas.

Em seu prólogo, o filme mostra um rapaz socorrendo uma garota violentada. Após a descoberta da vítima, um dono de um bar começa investigar o motivo de uma de suas funcionárias presenciar o espírito de uma índia guerreira. Entretanto, não é esperado que o filme tenha tantas reviravoltas místicas e inesperadas (no sentido negativo)

Se existe uma transição que os diretores conseguem fazer bem, é entre o amadorismo e o profissional. Algumas cenas – principalmente aquelas que necessitam retratar uma figura mística – são colocadas em tela da maneira mais pífia possível. Caso a passagem de gênero fosse tão eficaz quanto a de técnica, O Último Trago poderia ser tão bom quanto ele deseja.
Cotação do Daiblog:DaiblogDaiblog

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Longas selecionados para o 49º Festival de Brasília

Filmes candangos estão na Mostra Brasília

Este ano, 12 filmes – de um total de 57 inscritos – estão concorrendo aos prêmios do Legislativo local: seis curtas e seis longas. A programação da Mostra Brasília faz parte da programação do 49º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Além do Troféu Câmara, as produções da cidade disputam prêmios adicionais concedidos pela CiaRio Brasília, para a locação de equipamentos de iluminação, acessórios e maquinaria.
A Repartição do Tempo

As produções serão avaliadas em 11 categorias pelo Júri Oficial e duas pelo Júri Popular. O anúncio dos vencedores acontecerá na solenidade de premiação do Festival de Cinema de Brasília, em 27 de setembro, a partir das 19h, no Cine Brasília. Todos os filmes da Mostra Brasília serão reprisados nos dias 26 e 27 (segunda e terça), às 10h, às 14h e às 16h, no auditório da CLDF. As exibições também serão gratuitas. 

Entre os destaques da programação está o novo trabalho do diretor Santiago Dellape. A Repartição do Tempo, seu primeiro longa-metragem, faz uma homenagem ao cinema de aventura e fantasia que marcou os anos 80. A sinopse chama a atenção: Num rincão esquecido da vasta burocracia brasileira, um chefe psicótico usa uma máquina do tempo para duplicar seu quadro de funcionários e aumentar a produtividade da repartição.

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Curtas e médias do 49º Festival de Brasília

Longas selecionados para o 49º Festival de Brasília

Crítica: Conhecendo o estranho com Solon

*Por Leonardo Resende – hashtagcinema@daiblog.com.br

Há quem diga que o filme Sob a Pele (2014), de Jonathan Glazer, foi realizado além de seu tempo. Existem pessoas que também apoiam que foi uma influência plena para a ficção científica. Solon, de Clarissa Campolina, se apega intensamente a essas referências no curta-metragem que abriu a primeira sessão da sexta-feira do 49º Festival de Brasília de Cinema Brasileiro.

Com imagens filmadas com muito lirismo, o filme de Clarissa retrata a vida de um ser num planeta inóspito, onde a poeira, a lama e o fogo dominam superfícies e preenchem a tela. O curta-metragem mostra o deslocamento deste indivíduo com muitos sons e efeitos sonoplásticos.

Essa estranheza do habitante é passada quase instantaneamente ao espectador. Todos os gestos e sons somados às paisagens desérticas destacam Solon como um dos melhores curtas-metragens do festival. Por mais que seja grande a quantidade de ruídos e imagens desconexas da obra, ver aquele indivíduo locomover em todos os cantos do desconhecido é algo espetacular.
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblogDaiblogDaiblog

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Curta de Lauro Escorel abrirá o Festival de Brasília
Cinema Novo na abertura do Festival de Brasília
A Destruição de Bernardet no Festival de Brasília
Curtas e médias do 49º Festival de Brasília

Longas selecionados para o 49º Festival de Brasília

Filmes retratam a sensibilidade das produções mineiras

*Por Clara Camarano – redacao@daiblog.com.br

Duas produções sensíveis, que falam de encontros, reencontros e das maneiras peculiares de cada um lidar com a vida e seus anseios.  O segundo momento da mostra competitiva do 49º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, que começou às 21h30 desta sexta-feira foi permeado por dois comoventes filmes das terrinhas mineiras. Aplausos não faltaram para o curta-metragem Constelações, do diretor mineiro Maurílio Martins, e para o longa-metragem que encerrou a noite com chave de ouro, A Cidade Onde Envelheço, de Marília Rocha.

Foto: Junior Aragão
Uma estrada, um caminho escuro percorrido durante a madrugada por dois estranhos que não falam a mesma língua. No meio desta viagem, um carro de polícia atrapalha o percurso e causa indignação tanto dos personagens, quanto da plateia, que se identifica com os métodos invasivos das blitz. Este é o mote para Constelações, produção de 25 minutos que consegue passar  uma forte mensagem em um simples roteiro.

Constelações
Na condução da trama, estão os atores Renato Novaes e a atriz Stine Krog-Pedersen. De países e idiomas distintos, eles travam um diálogo no meio do “nada”, de uma estrada vazia. Ou melhor, da solidão. Apesar das dificuldades da comunicação verbal, Renato e Stine se identificam pelas frustrações e coincidências de vida.

Constelações
A história vai se desenrolando neste diálogo diferente, porém próximo. Aliás, o mais surpreendente do filme cabe exatamente neste e em outros detalhes. Como o momento em que a personagem de  Stine Krog-Pedersen começa a cantar Ursinho Pimpão, propositalmente em português. A música cantada na mesma língua do parceiro de estrada  traduz a identificação entre ambos.

A Cidade Onde Envelheço
Já na sequência, a diretora mineira Marília Rocha chegou com a história de duas jovens portuguesas que se reencontram na capital Belo Horizonte.  Em 99 minutos, A Cidade Onde Envelheço comoveu a plateia com um enredo leve, simples, poético. A solidão e a saudade da terra natal, traçam uma linha comum entre duas amigas de infância que saíram de Lisboa para tentar a vida na capital mineira.

A Cidade Onde Envelheço

Francisca, de uma personalidade a princípio mais desapegada e contida, já mora há algum tempo em Belo Horizonte. Após anos de separação, de distância entre Brasil e Portugal, Teresa resolve imitar a amiga e parte para o Brasil para morar com ela.   Com uma personalidade totalmente diferente da sua colega, Teresa expande alegria e um jeito próprio de lidar com a cidade, com a vida e com as relações amorosas.

No entanto, mal sabem as pessoas que elas são mais parecidas do que nunca.  Aliás, este é exatamente o ponto que a produção merece aplausos. E de pé. Embora as jovens aparentem ser tão diferentes,  a solidão, a inquietação entre o “ir” e “vir”, “ficar” ou “partir”, a insatisfação seja do lado de cá do Atlântico ou do de lá são linhas em comum não apenas entre estas personagens. Há uma discussão filosófica embutida no filme: o convívio com a liberdade. Liberdade esta tão desejada, mas ao mesmo tempo tão difícil de ser encarada. De fato, mais um aplauso para o delicado olhar de Marília Rocha sobre o universo feminino.