Dizem que o mundo vai acabar em 2012, ou melhor, que a Terra vai passar uma grande mudança por causa do alinhamento dos planetas e outros fatores. Juntando a profecia da antiga civilização maia e outras previsões, o ano em questão está envolto de mistérios e especulações. Hollywood não iria perder a oportunidade de aproveitar o bafafá para criar um filme sobre o tema. Investiram muito dinheiro para criar efeitos especiais maravilhosos, mas parece que o roteiro, mais uma vez não foi prioridade.
A direção é de Roland Emmerich, que pode ser considerado um especialista em produções do gênero. Ele assinou O dia depois de amanhã e Independence day, por exemplo. Em 2012 o cineasta repete sequências de destruição em massa, com a diferença que a computação gráfica está ainda mais caprichada e realista. Já a história é a mesma, recheada de inúmeros clichês já vistos até a exaustão. E o que é pior: tudo isso com praticamente 3 horas de duração.
Situações forçadíssimas
John Cusack (1408, Ensinando a viver) interpreta Jackson Curtis, um homem separado que quer acampar com os filhos. Divorciado de Kate Curtis (Amanda Peet, de Arquivo X – Eu quero acreditar), ele pega as crianças no mesmo período que o fim da Terra está próximo. Se você se lembrou de Guerra dos mundos, precisa ver as cenas dentro do carro com a família fugindo de explosões.
“Corre que da tempo!”
Na trama, todos os governos do mundo sabem do que irá acontecer, mas não contam para a população por motivos econômicos. O grande problema de 2012 é a história que não possui nada de original. Os personagens não são bem desenvolvidos e existem apenas para justificar a correria e os desastres que aparecem. Sem dúvidas é tudo muito bem feito, mas a impressão que se tem é de estar revendo a reprise de algum filme catástrofe.
Inexpressiva família feliz
Pior do que os tsunamis e deslocamento da crosta terreste é ver um elenco mal aproveitado repetindo papéis e situações previsíveis. Isso sem falar no próprio desempenho da maioria dos atores, que não convencem em momento algum. A falta de emoção é tanta que da para imaginá-los atuando no chroma key (aquele fundo, geralmente verde, que depois é substituído por um cenário digital). Se a duração fosse menor, 2012 poderia ser uma experiência mais agradável.
Obs: um ponto que pode surpreender é a aparição do Rio de Janeiro (ou o que restou da cidade maravilhosa), durante uma cena. O Cristo Redentor desmorona, em uma imagem gentilmente cedida pela Globo News (!!!) onde pode-se ouvir um repórter brazuca exclamando sobre o que aconteceu com a “estátua de Cristo”. Cotação do Daiblog:
Outro filme sobre o assunto foi comentado anteriomente aqui no Daiblog. Clique para ler sobre 2012 – O ano da profecia.
2012 (EUA / Canadá, 2009) Dirigido por Roland Emmerich. Com John Cusak, Amanda Peet, Chiwetel Ejiofor, Thandie Newton, Oliver Platt, Thomas McCarthy, Woody Harrelson, Danny Glover, Liam James, Morgan Lily, Zlatko Buric, Beatrice Rosen, Alexandre Haussmann, Philippe Haussman, Johann Urb…
Veja aqui o trailer do filme 2012:
A atriz Emme, protagonista do filme “El niño pez”, da diretora Lucía Puenzo, está em Brasília e acompanha a sessão do filme de sábado, às 19 horas, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Ela apresenta o filme e realiza um debate com os espectadores, após a sessão.
“El niño pez” conta a história de uma adolescente (Lala) que mora em um bairro de classe alta de Buenos Aires. Ela se apaixona por Guayi, a empregada paraguaia que trabalha em sua casa. Elas sonham em fugir juntas para morar no Paraguai, à beira do lago Ypoá. Mas o assassinato do pai de Lala muda os planos.
Serviço: O que: XI Festival Internacional do Cinema de Brasília (XI FIC Brasília) Quando: De 4 a 15 de novembro de 2009 Onde: Academia de Tênis José Farani Quanto: R$ 14 (inteira) / R$ 7 (meia) Noite de Encerramento: R$ 30 (inteira) / R$ 15 (meia) Salas do CCBB: R$ 4 (inteira) R$ 2 (meia) Mais informações: www.ficbrasilia.com.br ou twitter.com/ficbrasilia
As obras de Eça de Queiroz foram diversas vezes adaptadas para o cinema e para a televisão. No Brasil pode-se citar a série Os Maias, da Rede Globo. E no cinema um bom exemplo é o drama O crime do padre Amaro, que ficou polêmico (e famoso) depois da negativa reação da igreja católica na época. Uma das mais recentes adaptações faz parte da programação desta edição do FIC (Festival Internacional de Cinema) de Brasília 2009.
Singularidades de uma rapariga loura é a versão cinematográfica de um conto do autor e tem direção do veterano Manoel de Oliveira. Com apenas pouco mais de 1 hora de duração, o filme mostra a história de amor de Macário (Ricardo Trêpa) pela bela Luísa Vilaça (Catarina Wallenstein). Todos os acontecimentos são apresentados na forma de flashback, com o protagonista contando como conheceu e se apaixonou pela mulher.
Uma aparente história de amor
Desde o princípio sabemos que algo deu errado. E é justamente por causa da singularidade da personalidade da moça, um detalhe que só é revelado no finalzinho da trama. O grande problema é que não é nada tão surpreendente ou interessante que justifique a existência do filme. Na época que o texto foi escrito pode ter sido algo que chamasse a atenção, mas hoje em dia a revelação não chega a espantar.
Cena do filme
O único susto que se tem é quando percebe-se que a projeção já terminou e aquilo era tudo. Manoel de Oliveira é considerado um grande nome do cinema português mas, neste caso, é preferível ler o conto do que assistir ao filme. E para quem e interessa em cinema da terra de Cabral fica a sugestão de Coisa ruim, uma produção de terror. Cotação do Daiblog:
Singularidades de uma Rapariga Loura (Portugal / França / Espanha, 2009) Dirigido por Manoel de Oliveira. Com Ricardo Trêpa, Catarina Wallenstein, Diogo Dória, Júlia Buisel, Leonor Silveira, Filipe Vargas, Miguel Seabra, Rogério Samora…
Veja aqui o trailer do filme Singularidades de uma rapariga loira:
Não é todo dia que você tem a oportunidade ver um filme da Guatemala no cinema, por isso que é uma boa pedida conferir Gasolina. O filme faz parte do FIC Brasília deste ano e conta a história de três adolescentes de classe média que não tem nada o que fazer. Quem conhece aquele ditado “mente vazia, oficina do diabo” já deve desconfiar que o tédio dos garotos não vai render bons frutos.
Eles roubam gasolina dos carros dos vizinhos e partem durante a madrugada. A viagem não tem bem um lugar definido e entende-se que eles querem apenas matar o tempo ou fugir dos problemas em casa. A maior parte do elenco do longa-metragem é formada por não-atores, fato que faz com que seja transmitida uma grande veracidade à história.
Adolescência e rebeldia
Existe um tom quase documental na noite dos amigos Gerardo, Nano e Raymundo. Os personagens são comuns o bastante para que exista uma identificação com os adolescentes brasileiros. E essa impressão fica mais clara com um acontecimento perto do final da história (muito curta, por sinal, com pouco mais de 70 minutos).
Road movie jovem
A história termina inconclusiva, de um jeito abrupto. Tem-se a impressão que parece um curta-metragem porque passa bastanta rápido e deixa aquela vontade de assistir mais. O roteiro tem bons momentos de humor, apesar da mensagem ser mais dramática do divertida. E agora uma crítica: A sessão do filme estava praticamente vazia (três pessoas, sendo que uma era responsável pelas legendas na tela), o que é uma pena. Muitos filmes do FIC já possuem distribuidoras e serão lançados nos cinemas em breve. Agora quando surge a oportunidade de conferir o cinema guatemalteco nem todo mundo aparece. Cotação do Daiblog:
Um dos destaques da programação do FIC Brasília deste ano é o filme considerado mais polêmico do ano. Anticristo realmente não é para qualquer um. E não apenas pelo sexo explícito ou pela violência gráfica (especialmente uma cena que nunca vai sair da minha cabeça), mas pela carregada e amargurada atmosfera que está presente em praticamente toda a trama. Diferente do que se pode imaginar de um dos fundadores do Dogma (aquele projeto que criou uma série de regras para se fazer um novo cinema), o filme é tecnicamente muito bem elaborado. Pode-se dizer que todas as cenas foram bem pensadas e trabalhadas, com uma bonita fotografia.
O prólogo da produção é ideal para exemplificar isso. Lars Von Trier criou uma das mais belas sequências da história do cinema contemporâneo, com uma cena de amor entre os protagonistas, vividos por Willem Dafoe (Ruas de fogo) e Charlotte Gainsbourg (Lemming – Instinto animal), porém a beleza das imagens é acompanhada por uma terrível tragédia: enquanto os pais fazem sexo, o pequeno filho cai da janela e morre.
O sexo…
A partir daí entende-se o porquê do filme ser considerado uma mistura de drama com terror. Inconsolável com a perda ao filho, a mãe entra em depressão e inicia um tratamento que parece não funcionar. O marido decide suspender a medicação (o que provoca crises de abstinências) e iniciar uma nova forma de cura. Como parte da terapia o casal viaja até uma cabana que fica em um lugar chamado Éden. O plano é fazer com que a esposa revivra as lembranças, aceite a perda e desrelacione a culpa com o sexo.
…e a culpaAnticristo é um filme com referências religiosas e mitológicas. Pouco a pouco o roteiro vai ficando cada vez mais aterrorizante até não poder ser definido em outro gênero senão o terror. É um longa-metragem difícil de ser visto não pela forma que foi filmado, mas pelos sentimentos que provoca. É uma mistura de compaixão com medo, uma experiência que poucos filmes conseguem transmitir. E a forma como a família desmonta e mergulha na loucura é impressionante e convincente. Não é a toa que Charlotte Gainsbourg foi premiada pela atuação. O diretor declarou que sofria de depressão quando filmava Anticristo. Esta pode ser uma explicação para o resultado desconcertante e imperdível. Cotação do Daiblog:
Antichrist (Dinamarca / Alemanha / França / Suécia / Itália / Polônia, 2009) Dirigido por Lars von Trier. Com Willem Dafoe, Charlotte Gainsbourg
Veja aqui o trailer do filme Anticristo legendado em português:
Diretor Ryuichi Hiroki no FIC BrasíliaNa edição passada do Festival Internacional de Cinema de Brasília (FIC Brasília), uma das presenças mais marcantes foi a do diretor Domingos de Oliveira. Contrariando uma forte gripe que contraindicava a viagem, ele chegou a Brasília no último dia do festival, para receber a justa homenagem que merece pelo trabalho prestado ao cinema nacional. Neste ano, o diretor homenageado é desconhecido do público brasileiro, pois os filmes do japonês Hyuichi Hiroki nunca alcançaram o circuito comercial daqui. Pela crítica que seu nome desperta, o público pode se preparar para conhecer um diretor irreverente e altamente criativo. Ele está presente no XI FIC Brasília para debater seus filmes com o público.
Hiroki iniciou sua carreira como assistente de direção na indústria pornográfica japonesa, conhecida como ”pinku eiga”. Tornou-se diretor e logo conseguiu alcançar o circuito comercial do Japão, inclusive com filmes produzidos em máquinas digitais. Foi em 2003, quando lançou o filme ”Vibrator” (2003), que sua carreira decolou. Além deste, que é seu maior sucesso, serão apresentados, dentro da Mostra Hyuichi Hiroki do XI FIC Brasília, os filmes ”April Bride” (2009), ”I am as+m Writer” (2000), ”Its Only Talk” (2005) e ”Your Friends” (2008).
Os ingressos para as demais sessões vão custar R$ 14 (inteira) e R$ 7 (meia). Os bilhetes podem ser comprados na bilheteria do Cine Academia. O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) é parceiro do XI FIC Brasília. De 4 a 15 de novembro, uma sala de cinema do CCBB recebe os filmes do festival. É uma boa oportunidade para quem quiser gastar menos. Os ingressos custam R$ 4 (inteira) e R$ 2 (meia).
Um dos destaques do FIC Brasília deste ano é El niño pez (O menino peixe, na tradução). Trata-se do mais recente trabalho de Lucía Puenzo (de XXY) – diretora que está presente no festival. Assim como no longa-metragem anterior, este também é estrelado por Inés Efron (Ninho vazio) e também conta uma história sobre sexualidade. Inés interpreta Lala, uma menina de família rica que mora com os pais em uma casa em Buenos Aires.
Ela mantém um relacionamento secreto com a empregada doméstica, a La Guayi (Mariela Vitale). A relação das duas é mantida sob sigilo não apenas por causa das duas serem mulheres. Existe ainda o preconceito social, já que a empregada é pobre e veio do Paraguai. O que poderia ser um simples filme sobre amor proibido ganha novos contornos quando a trama tem uma reviravolta causada por uma tragédia. Mais que amizadeO roteiro exige atenção por ir e voltar no tempo, mostrando cenas do passado com as do presente (a dica é acompanhar o cabelo da Lala para se situar melhor). Mas depois o recurso é deixado de lado e acompanhamos apenas em único tempo. A história recebe elementos de fantasia quando é citada uma lenda (que explica o título do filme) e desenvolve de uma forma original e inesperada. Planos para o futuroO roteiro (também da diretora) é interessante, com alguns bons diálogos. Fala de desigualdades sociais, sexuais e mostra que os problemas acontecem em todas as famílias, independente da renda. O drama, contudo, é inferior ao seu trabalho anterior. O melhor ponto da produção é, sem dúvidas, a atuação das protagonistas. No elenco também está Carlos Bardem (Zona do crime). Quem não conhece o trabalho de Puenzo e apreciar cinema argentino deve assistir. Cotação do Daiblog:
El niño pez (Argentina / França / Espanha, 2009) Dirigido por Lucía Puenzo. Com Inés Efron, Mariela Vitale, Carlos Bardem, Arnaldo André, Julián Doregger, Sandra Guida, Pep Munné, Diego Velázquez…
Quem está na dúvida no que assistir no FIC Brasília(clique para visitar o site oficial) pode acompanhar aqui no Daiblog algumas sugestões. E uma delas é o ótimo filme (500) dias com ela. A história de Tom Hansen (Joseph Gordon-Levitt, de Mistérios da carne) e Summer Finn (Zooey Deschanel, de Fim dos tempos e Sim senhor) é contada em longa-metragem que surpreende. Mas não podeser considerado bem um filme romântico. Na verdade é, mas não como todos estamos acostumado a ver e rever nos filmes. Ficou confuso?
O roteiro trabalha na contagem dos 500 dias que o protagonista passou com a bela Summer (verão em inglês, daí a possibilidade do título original ser interpretado também como 500 dias de verão). Entre indas e vindas no tempo, acompanhamos todos os estágios do relacionamento, ao mesmo tempo que um desenho mostra o ciclo de vida de uma árvore. Agora a história: Um casal como qualquer outroTom é um arquiteto que trabalha criando frases de efeito para cartões de datas festivas. Quando uma atraente secretária (Summer) passa a trabalhar no mesmo escritório, ele acredita que encontrou a mulher da sua vida. Com um realismo fantástico, a trama é fascinante e deliciosa. Transmite um romantismo ingênuo e convincente. Quem já se apaixou alguma vez vai se reconhecer no personagem e na forma que ele vê o mundo. Mas como todos sabem, nem tudo são rosas. Algo em comum: fãs da banda The SmithsA surpresa é como toda a narrativa é tratada, seja por não ser linear ou por entrar bem na mente dos personagens. Em um certo momento, por exemplo, a tela é dividida e mostra dois universos paralelos: o real (que está realmente acontecendo) e o das expectativas (algo muito idealizado). Enquanto a maioria dos romances batem sempre na mesma tecla, (500) dias com ela surpreende por mostrar que ainda é possível contar casos de amor sem cair na mesmice. E mesmo que no final das contas não seja tão original assim, a excelente trilha sonora e os diálogos compensam o ingresso. Cotação do Daiblog:Quer ver o filme 500 dias com ela? Clique aqui e pesquise onde tem o menor preço!
(500) Days of Summer (EUA, 2009) Dirigido por Marc Webb. Com Joseph Gordon-Levitt, Zooey Deschanel, Geoffrey Arend, Chloe Moretz, Matthew Gray Gubler, Clark Gregg, Patricia Belcher, Rachel Boston, Minka Kelly, Ian Reed Kesler, Darryl Alan Reed, Valente Rodriguez, Yvette Nicole Brown…
Veja aqui o trailer do filme 500 dias com ela:
Começa hoje o XI FIC BrasíliaComeça, nesta quarta-feira, o XI Festival Internacional de Cinema de Brasília (FIC Brasília). A partir das 20 horas, será servido um coquetel para os espectadores. Em seguida, o curta ”O Teu Sorriso”, de Pedro Freire, antecede a exibição do longa ”A Fita Branca”, de Michael Haneke, vencedor da Palma de Ouro em Cannes. A jornalista Renata Caldas e o ator Oran Figueiredo comandam a noite de abertura. O júri técnico deste ano é formado por Marco Ricca, Renato Barbieri e José Eduardo Belmonte.
Neste ano, os filmes estão divididos em seis mostras. A ”Mostra Primeira Visão” reúne apenas filmes inéditos em Brasília. A ”Mostra Competitiva” tem dez películas de diversas nacionalidades, que competem para ser o melhor filme desta edição do FIC Brasília. O ”Prêmio TV Brasil” é uma disputa somente para filmes nacionais, seis concorrem ao título de melhor filme brasileiro. Em homenagem ao Ano da França no Brasil, será exibida a ”Mostra de Cinema da França”. A ”Mostra de Filmes da Coreia do Sul” é uma comemoração aos 50 anos de relações diplomáticas com a República Brasileira. Por fim, tem a ”Mostra Ryuichi Hiroki”, uma homenagem ao diretor japonês que estará presente para debater sua obra com o público. A programação completa está disponível no endereço http://www.ficbrasilia.com.br/. Anticristo é uma das atrações do festivalVictoria Tate, Ryuichi Hiroki, Marco Ricca, Jean Thomas Bernardini, Tânia Montoro, Jo Takahashi, José Eduardo Belmonte, Renato Barbieri, Adrián Caetano, David F. Mendes, Elsa Amiel, Pedro Freire, Santiago Loza e Sebastian Hulk são as personalidades que já confirmaram presença. Ao longo do festival, é possível que mais artistas compareçam. O inusitado é uma constante no FIC Brasília.
”Esta edição foi preparada com muito cuidado. A rigorosidade do processo de seleção gerou uma programação de alto nível. As produções que serão exibidas nos próximos dias não devem em nada para as programações dos maiores festivais do mundo. Estou certo de que, neste ano, daremos mais um passo na consolidação do FIC Brasília como um patrimônio da cultura brasiliense”, frisa Marco Farani, diretor do FIC Brasília.
O encerramento do XI FIC Brasília acontece no dia 15 de novembro, às 20 horas. Será exibido o longa francês ”Coco Chanel & Igor Stravinsky”, de Jan Kounen. O filme conta a história de um romance que se passa na França de 1913.
Serviço O que: XI Festival Internacional do Cinema de Brasília (XI FIC Brasília) Quando: De 4 a 15 de novembro de 2009 Onde: Academia de Tênis José Farani Quanto: R$ 14 (inteira) / R$ 7 (meia) / Noite de Abertura: R$ 40 (inteira) / R$ 20 (meia) Salas do CCBB: R$ 4 (inteira) R$ 2 (meia) Mais informações: www.ficbrasilia.com.br ou twitter.com/ficbrasilia
02 – Notas sobre um escândalo – Professoras, desvie seus desejos por aquele aluno sexy e cheio de hormônios porque ele pode prejudicar sua vida pessoal e profissional.
03 – Sexta-feira 13, Sexta-feira 13 e praticamente todos da série – Se for adolescente e for acampar num lago não faça sexo.
04 – Meu nome não é Johnny – Vale a pena ser traficante porque você fica rico, famoso e depois de cumprir a pena ainda pode ser uma celebridade.
05 – Prazeres mortais – Não invente moda! Continue no papai e mamãe que é mais seguro mesmo.
Prazeres mortais – E não se esqueça da camisinha!
06 – O dia em que a Terra parou – Durante um invasão alienigena, fique tranquilo, eles só pousam nos EUA.
07 – Carrie, a estranha – Bullies de plantão: verifique com antecedência se a perdedora da sala possui poderes paranormais.
08 – Violência gratuita – Atenção redobrada se dois simpáticos adolescentes usando luvas entrarem na sua casa perguntando se você tem ovos.
10 – Quando um estranho chama – Veja se existe outro bico para trabalhar antes de aceitar ser babá em uma casa isolada.
11 – Velozes e furiosos 4 – Se o seu sobronome for um combustível, acelere no trânsito à vontade, desafie a gravidade e não se preocupe em ser acertado durante um tiroteio – você é invencível!
Turistas – Desce mais uma caipirinha para os gringos!
12 – Turistas – Muito cuidado com as caipirinhas que você toma na praia, principalmente se você for um gringo e achar que o Brasil é só festa.
13 – Desejo e reparação – Por favor, pare de inventar mentiras e diga sempre a verdade.
14 – O elevador da morte – As vezes não é apenas em caso de incêndios que é recomendado usar as escadas.
15 – O exorcista – Se você for possuído um demônio, favor não tomar creme de ervilha.
Mesmo quem não for da época do Chacrinha poderá gostar do filme Alô, alô Terezinha. Dirigido por Nelson Hoineff, o documentário certamente foge dos padrões com uma edição inusitada que não cortou detalhes dispensáveis – e engraçados. Erros como Elba Ramalho e Dercy Gonçalves cantando e se esquecendo da letra da música ou o cantor Byafra sendo atropelado por um parapente enquanto canta Sonho de Ícaro foram mantidos na versão final.
O resultado são cenas hilárias que entram em contraste com o clima de nostalgia provocado pelas lembranças do tema. O filme relembra o programa de Abelardo Barbosa (o Chacrinha) e conta com depoimentos de artistas (hoje consagrados) que chegaram ao estrelato graças ao apresentador. Uma das coisas que ficam evidentes é o poder que Chacrinha tinha de fazer alguém ficar famoso ou não.
Alô alô Terezinha
Além de procurar as ex-chacretes e mostrar como elas estão em hoje em dia, o longa acerta ao contar histórias de pessoas comuns que participaram da atração televisiva como calouros. Daí conhecemos anônimos que um dia já tiveram seu momento de glória e muitos que, mesmo recebendo a temida buzinada e o troféu abacaxi (oferecido quando a pessoa perdia), nunca desistiram do sonho da música e da fama.
Chacrinha e Wanderléia
Alô, alô Terezinha resgata a irreverência do programa com imagens recuperadas. Para a nova geração o filme soa como uma curiosidade superficial sobre o período. Hoineff não se preocupa em explicar a vida pessoal de Chacrinha, como ele morreu e outras informações. Tudo isso deixa entender que a produção foi feita mesmo para quem viveu na época e já conhece um pouco a história do apresentador. Cotação do Daiblog:
A expectativa em torno de Besouro é inevitável por ter sido anunciado como um filme de ação, gênero pouco explorado no cinema nacional. O fato do chinês Ku Huen Chiu (mais conhecido como Dee Dee) ter feito a coreografia das lutas também é uma grande promessa. O oriental, especializado em criar lutas aéreas, trabalhou em outras produções onde a pancadaria possui grande importância e destaque, como Kill Bill e O tigre e o dragão.
Baseado na história do capoeirista Besouro, o longa-metragem é ambientado no Recôncavo Bahiano dos anos 20. A escravidão oficialmente acabou, entretanto muitos negros continuando sendo tratados como tal. Apesar da capoeira ser proibida por lei, diversos praticantes preservam o costume e “jogam” escondidos. Quem lidera o grupo é o Mestre Alípio, que defende as tradições e quer a igualdade de direitos para todas as raças.
Poderes mágicos dos orixás
Mas esses ideais vão contra os interesses do Coronel Venâncio (Flavio Rocha, da série A pedra do reino), um rico fazendeiro que depende da mão-de-obra negra. Ele possui um fiel capanga que o ajuda a controlar a situação e impedir qualquer tipo de rebelião – Noca (interpretado pelo talentoso ator pernambucano Irandhir Santos, de Décimo segundo e Amigos de risco).
Besouro e Exú (no fundo)
Quando Mestre Alípio é covardemente assassinado, Besouro (Aílton Carmo) torna-se seu sucessor. Mas antes de iniciar uma vingança e uma transformação, o protagonista passará por uma trajetória de auto-descoberta e evolução. E esse processo inclui visões de alguns orixás, que lhe concederão poderes especiais. Daí vem a habilidade de voar, que rende boas (e aguardadas) sequências na trama.
Poderia ter mais lutas
Besouro se destaca pela qualidade da produção. A fotografia é bonita e a reconstituição de época bem feita. Uma sequência em especial chama a atenção: a que mostra os sentimentos de Besouro pela amiga de infância Dinorá. É uma cena bonita e sensual que mistura capoeira com o amor entre os dois. Porém, apesar dos aspectos positivos, o filme pode surpreender quem espera ver um filme de ação. Não são tantas lutas como o trailer promete. A simplicidade da história também pode incomodar quem espera algo mais elaborado. Mas mesmo assim vale a pena assistir pela riqueza cultural e histórica da época. Cotação do Daiblog:
Besouro (Brasil, 2009) Dirigido por João Daniel Tikhomiroff. Com Aílton Carmo, Anderson Santos de Jesus, Jessica Barbosa, Flavio Rocha, Irandhir Santos. Macalé, Leno Sacramento…
Veja aqui o trailer do filme Besouro na TV Daiblog:
João Daniel Tikhomiroff: Paixão à primeira vista por um mito brasileiro
Há mais de vinte anos, o cineasta e diretor de filmes João Daniel Tikhomiroff é referência no universo da produção publicitária mundial. Hoje, com 41 Leões conquistados no Festival Internacional de Publicidade de Cannes, é o segundo profissional mais premiado pelo evento mais importante da propaganda mundial. Presidente do grupo Etc… Participações, que integra as produtoras Mixer, Coffee Produções, CB Filmes e Pan Filmes, ele é o único diretor latino-americano citado entre os melhores do mundo no livro “The Commercial Book” do anuário inglês D&AD.
Apesar da sólida carreira publicitária, a formação de João Daniel Tikhomiroff é baseada no cinema de ficção. Filho de Daniel Michael Tikhomiroff, que foi diretor da Universal Pictures no Brasil, João cresceu praticamente dentro de uma sala escura. Mal saído da adolescência, já tinha no currículo a assistência de direção em vários longas brasileiros, e aos 19 anos, dirigiu ele mesmo seu primeiro documentário. Quis o destino, porém, que João enveredasse pela direção publicitária, deixando de lado por muitos anos o sonho de realizar seu primeiro longa-metragem. Sonho que ele finalmente realiza agora, com a produção de Besouro. Leia abaixo uma entrevista com o diretor:
Como surgiu a ideia de transformar as lendas de Besouro, até então um mito pouco conhecido da maioria dos brasileiros, numa superprodução de cinema? João Daniel Tikhomiroff – Besouro caiu no meu colo, literalmente. Eu estava vasculhando as prateleiras de uma livraria quando o livro “Feijoada no Paraíso”, do escritor carioca Marco Carvalho, me chamou a atenção. Era um livro fino, com uma seleção de contos baseados nas lendas do Besouro, de quem até então eu nunca tinha ouvido falar. Comprei o livro e li de um fôlego só. Na hora, fiquei apaixonado pelo personagem do Besouro. Ele me arrebatou. Cheguei a pensar em transformar sua história numa série de TV, mas foi o meu filho, Michel Tikhomiroff, quem me abriu os olhos para a possibilidade de transformar essa história no tema do meu primeiro longa-metragem, com o qual eu sonhava tanto. Dito e feito.
Seu filme é uma reprodução fiel das histórias do livro?
João Daniel Tikhomiroff – Não. Muito pelo contrário. O filme baseia-se no livro, mas não se prende a ele nem aos personagens reais que fizeram parte da vida de Besouro. Não se trata de um filme biográfico, nem histórico. É um filme de ficção, uma verdadeira fantasia, baseada nas lendas sobre um homem extraordinário. O filme tem personagens que não existiam no livro, por exemplo. Até porque, mesmo o que é supostamente verdadeiro sobre Besouro ninguém sabe exatamente como aconteceu de fato, porque sua história sobrevive em grande parte graças à tradição oral das músicas sobre ele. Mais que figura histórica, ele é um mito, uma lenda da capoeira e da luta dos negros por seu espaço na sociedade brasileira. Portanto, o que fiz foi dar a minha contribuição para a propagação desse mito, que merece sair do círculo da capoeira para se transformar num personagem conhecido no Brasil e no mundo.Pode-se dizer que “Besouro”é um filme sobre capoeira?
João Daniel Tikhomiroff – Não. “Besouro” não é um filme sobre capoeira. “Besouro” é um filme que reúne fantasia, romance, ação e aventura, e que tem na capoeira um de seus principais elementos. Mas é importante frisar que é um filme de ficção, e que até a capoeira nele contida também é, de certa forma, uma capoeira ficcional, uma capoeira inventada. Isso porque ela vem misturada com outros elementos de luta, necessários para o enriquecimento dramático dos embates entre os personagens. Na capoeira do filme, os personagens usam os braços, por exemplo, coisa que não se faz na capoeira tradicional. E há também a inclusão dos voos, já que uma das lendas sobre Besouro que o filme explora é justamente a sua capacidade mágica de voar.
Quem inventou essa capoeira para o filme? João Daniel Tikhomiroff – Nós trouxemos de Hong Kong o coordenador de cenas de ação chinês Huen Chiu Ku, especializado em lutas e, mais especificamente, em lutas aéreas. Ele e sua equipe foram muito importantes no trabalho de criar e filmar as coreografias de luta do filme, fazendo-as ao mesmo tempo espetaculares e críveis. Esse é um dos elementos mais fascinantes do filme, até porque quase tudo do que se verá na tela, em termos de luta, é feito pelos próprios atores, sem dublês. O que dá ainda mais realidade e emoção às cenas.
Que outro aspecto fascinante você diria que o filme possui?
João Daniel Tikhomiroff – A relação de Besouro com a natureza, com os Orixás. O filme valoriza muito o misticismo em torno da figura de Besouro, a lenda de que ele tem “corpo fechado”. Ora, quem tem corpo fechado é filho de Ogum, o orixá da guerra. Então era preciso trazer Ogum para o filme, bem como outros orixás que são, na trama, as entidades que fazem o Besouro entender seu papel de líder da luta de seu povo contra a opressão dos coronéis e o preparam para o embate. E a forma como trouxemos os Orixás para o filme também foi muito original, fruto de um profundo trabalho de pesquisa, para que a representação dessas divindades fosse a mais natural e livre de preconceitos possível. O resultado, a meu ver, ficou muito bom.
Besouro é um super-heroi?
João Daniel Tikhomiroff – Sim. Por que não? Um super-herói que luta contra a opressão imposta ao seu povo. E que para isso usa os poderes que a sua cultura e suas crenças lhe oferecem. Um autêntico super-herói brasileiro.