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#527-Fôlego

Depois de assistir ao poético filme “O arco“, Kim Ki-Duk tornou-se um dos meus diretores favoritos. Embora muitas pessoas critiquem seu trabalho, sou um defensor de suas obras. “Fôlego“, longa-metragem mais recente do cineasta, segue a mesma linha das produções anteriores e não decepciona. Fala de dramas pessoais, sentimentos e usa o silêncio como principal forma diálogo dos personagens.
 


Assim como “Casa vazia” (também do diretor), o filme mostra Yeon, uma mulher casada (Ji-a Park, de “Primavera, verão, outono, inverno e… primavera“) que está insatisfeita com o casamento. A mulher mantém uma relação distante com o marido (Jung-woo Ha, de “Time, o amor contra a passagem do empo“), o que faz com que ela tenha uma vida sem emoções. Seus dias se resumem a cuidar da filha pequena e fazer esculturas.
 

Na televisão, o jornal passa as notícias de Jang Jin (Chen Chang, de “2046, os segredos do amor“, “Silk, o primeiro espírito capturado” e “Eros“) que recentemente tentou se matar. Ele está no corredor da morte e tem data da execução já marcada. O filme mostra o inusitado relacionamento que se cria entre a esposa infeliz e o presidiário que tem os dias contados.

O roteiro mantém mistério em relação ao que o criminoso fez para ser condenado. Além do trágico romance principal entre o presidiário e Yeon, o filme mostra também a relação afetiva entre Jang Jin e um dos presos com quem ele divide a cela. Sem nenhum diálogo, as cenas da prisão mostram o ciúmes e o amor entre os presos que convivem em um espaço pequeno enquanto aguardam a morte. “Fôlego” é um filme sensível e um drama acima da média. Concorreu à Palma de Ouro em Cannes no ano passado.
Cotação do Daiblog:
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Soom (Coréia do Sul / Alemanha, 2007) Dirigido por: Ki-duk Kim Com: Chen Chang, Jung-woo Ha, Ji-a Park….

Veja aqui o trailer do filme “Fôlego“:

#526-Antes que o diabo saiba que você está morto

O longa-metragem “Antes que o diabo saiba que você está morto” pode parecer mais um daqueles que falam de assaltos, mas não é. Dirigido por Sidney Lumet (“Armadilha mortal“), o filme garante o interesse em suas quase duas horas de duração. Além do premiado elenco, o jeito que a trama é contada é outro atrativo. No mesmo estilo de “Lost“, os acontecimentos vão e voltam no tempo, em um quebra-cabeça sempre voltado para um personagem em específico.
 


O filme não perde tempo e começa com um assalto, mas só depois que é explicado quem o planejou, executou e o porquê. É apresentado Andy (Philip Seymour Hoffman, de “Capote” e ” Missão impossível 3“, um homem viciado em drogas que precisa de dinheiro para sustentar o vício e se mudar para o Rio de Janeiro com a namorada Gina (Marisa Tomei, de “O jornal“).

Também com problemas financeiros está Hank, irmão de Andy, (Ethan Hawke, de “O senhor das armas“, “Antes do amanhecer” e “Roubando vidas“). Ele vive sem grana e não consegue nem pagar a pensão alimentícia da filha. A solução para conseguir dinheiro surge com uma idéia arriscada e tentadora para a dupla: assaltar a joalheria da família. O negócio é comandado pelo próprio pai dos irmãos: Charles (Albert Finney, de “A noiva-cadáver“).
Mas as coisas fogem do controle e Andy e Hank se encontram em uma terrível espiral de crimes e violência. Aliando ação com drama, “Antes que o diabo saiba que você está morto” surpreende a cada minuto. O ótimo roteiro de Kelly Masterson não perde o pique em momento algum e cria situações que reinventam a história do assalto que não dá certo. E mais do que isso, mostra que, de fato, o crime não compensa. Imperdível!

Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblogDaiblog

Before the Devil Knows You’re Dead (EUA / Reino Unido, 2007) Dirigido por: Sidney Lumet Com: Philip Seymour Hoffman, Ethan Hawke, Albert Finney, Marisa Tomei, Aleksa Palladino, Michael Shannon…

Veja aqui o trailer legendado em português do filme “Antes que o diabo saiba que você está morto“:

Daiblog

A Mostra Brasil Candango continua com seu bonito papel de levar a sétima arte para diversas comunidades do Distrito Federal e estados próximos. Hoje o cinema intinerante vai para Cabeceira de Goiás, que fica a 130 quilômetros de Brasília.
Serão exibidos os filmes “Pobre é quem não tem Jipe” e “Tapete Vermelho” (sexta-feira, dia 4 de julho); “O Lobisomem e o Coronel” e “ O Casamento de Louise” (sábado, dia 5); “Rádio Gogó” e “No Coração dos Deuses” (domingo, dia 6). Todas as exibições terão início às 19h e vão acontecer na Av. Central (Em frente a CELG).


A Mostra Brasil Candango vai até outubro e passará ainda por cidades de Brasília, Goiás e Minas Gerais. E a entrada para todas as exibições é franca. Uma ótima oportunidade para ter acesso à cultura sem gastar nada. Visite o site oficial e conheça as próximas paradas do projeto: http://www.mostrabrasil.org.br/

#525-Kung fu panda

Julho é o mês das férias escolares e os estudantes que não forem viajar podem aproveitar o tempo livre para conferir as estréias cinematográficas da semana. “Kung Fu Panda” mostra que a Dreamworks Animation continua com o bom trabalho quando o assunto é entreter os pequenos. O longa-metragem conta com uma história que atrai pela comédia e pelas cenas de luta.
 


O público infantil pode se divertir com as palhaçadas do protagonista trapalhão, mas o mesmo pode não acontecer com os pais que acompanharem o filme. O desenho é voltado especialmente para crianças e tem um senso de humor pastelão bem característico de desenhos animados. Quem quiser uma animação com mais conteúdo é melhor ver o filme de um pequeno robô, também em cartaz.

A aventura se passa na China antiga, lugar onde o urso panda Po vive. Ele trabalha com o pai em um restaurante que serve sopa de macarrão. Apesar de se dedicar no ramo gastronômico por causa influência familiar, ele se interessa mesmo por outra coisa: o kung-fu. E ninguém melhor para representar as artes marciais do que o grupo de lutadores conhecidos como os Cinco Furiosos: os mestres Garça, Tigresa, Louva-Deus, Víbora e Macaco. Todos foram treinados pelo mestre Shifu que, por sua vez, obedece o ancião Oogway (uma sábia tartaruga zen).

Po entra na turma dos lutadores quando Oogway o reconhece como um lendário guerreiro que poderá ler o misterioso Pergaminho do Dragão. Porém Po não sabe lutar nada e só pensa em comer biscoitos e outras coisas calóricas. Por isso ele enfrentará um treinamento difícil para aprender a arte do kung-fu. E ele não tem muito tempo para dominar a técnica. Quando o vilão da história (o leopardo Tai Lung) foge da prisão de segurança máxima, o Vale da Paz corre perigo de ser destruído para sempre.
Kung Fu Panda” investe na comédia. Po é desastrado e vive fazendo bobeiras do começo ao fim do filme. Ele cai, se machuca e tenta provocar risos pelas palhaçadas que faz. Por outro lado, os outros personagens são maduros o bastante para levarem a sério a proteção do Vale da Paz. O ponto mais engraçado da trama é o recurso de slow-motion usado em diversas cenas. Durante um golpe ou alguma cena mais movimentada, as imagens ficam em câmera lenta. O efeito lembra “Matrix” só que de uma forma bem humorada, já que o som fica distorcido e também devagar.
O filme é dos mesmos criadores de “Madagascar“, que por sinal ganhará uma continuação neste ano também. Um elenco de peso participa da dublagem original. Jack Black (“King Kong”, “O amor não tira férias”) empresta a voz para o panda lutador. Outros atores também dublaram como Jackie Chan, Dustin Hoffman (“Sob o domínio do medo”, “O quarto poder”), Angelina Jolie (“Roubando vidas, “A lenda de Beowulf”), Ian McShane (“Scoop, o grande furo”, “Nemesis game, jogo assassino”), Seth Rogen (“Ligeiramente grávidos”, “As crônicas de Spiderwick”), Lucy Liu (“As panteras”) entre outros. Aqui no Brasil entre os dubladores estão os Lucio Mauro Filho e Juliana Paes.
Cotação do Daiblog:

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Kung fu panda (EUA, 2008) Dirigido por: Mark Osborne e John Stevenson Com as vozes originais de: Jack Black, Dustin Hoffman, Angelina Jolie, Ian McShane, Jackie Chan, Seth Rogen, Lucy Liu, David Cross…

Veja aqui o trailer dublado em português do filme “Kung fu panda“:

#524-Trilha de sangue

O mais incômodo em “Trilha de sangue” é o estilo diferente que o filme tenta ter. A fotografia publicitária não consegue criar nenhum momento de tensão. Muitas cenas parecem ter sido retiradas de comerciais e o suspense ou terror que o gênero pede fica ausente durante toda a película. Para piorar ainda mais o resultado, as atuações não convencem em nenhum momento; um desastre.

A história começa com Anne, uma jovem que namora um rapaz chamado Chris. Os dois estão com o relacionamento abalado e, para fortalecer a relação, decidem passar um final de semana em um chalé. Como o casal é ciclista, eles acreditam que as coisas vão melhorar quando estiverem pedalando em lugares bonitos e cheios de natureza. Mas não é exatamente o que acontece porque Anne encontra um estranho ciclista.

Trilha de sangue

Flashbacks mostram um caso que a protagonista teve e a parte de terror da história se deve ao acontecimento. “Trilha de sangue” não começa bem e quem espera que o filme melhor vai terminar o dvd na vontade. Muitos personagens aparecem só para morrer e o roteiro nem tenta se aproximar de algo que se pareça com a realidade.

Trilha de sangue

A protagonista tem atitudes imbecis e faz exatamente o oposto do que uma pessoa normal faria naquelas situações. E para completar o fracasso, erros de continuidade imperdoáveis deixam claro que faltou cuidado na hora das filmagens. Anne aparece com o rosto todo sujo de sangue. Depois se molha, fica com o rosto limpo. Na cena seguinte volta a ficar suja. Como assim? Não entendeu? Eu também não.
Cotação do Daiblog: Daiblog

Blood Trails (Alemanha, 2006) Dirigido por: Robert Krause Com: Rebecca R. Palmer, Ben Price, Tom Frederic, J.J. Straub, Christian Heiner Wolf…

Veja aqui o trailer do filme “Trilha de sangue” legendado em português:

#523-Vermelho como o céu

A visão é um sentido que, como qualquer outro, é mais valorizado quando se perde. O drama italiano “Vermelho como o céu” conta uma tocante história baseada na vida de Mirco Mencacci. O jovem Mirco sempre foi interessado por cinema e, como uma criança comum, brincava com os amigos na rua. Porém um trágico acidente envolvendo uma espingarda muda sua vida para sempre.
   


Mirco perde boa parte da visão e, sem poder continuar os estudos em um colégio convencional, é deixado em uma escola especializada para deficientes visuais, em Gênova. Em regime de internato, ele conhece outros garotos que também não enxergam. Também conhece o valentão da turma e faz uma amizade escondida com a filha da faxineira do local.
  

O maior mérito de “Vermelho como o céu” é não cair no sentimentalismo barato. A história, triste por natureza, poderia servir de desculpa para uma série de cenas melodramáticas com o objetivo de levar os espectadores às lágrimas. Não que isto não aconteça, mas o roteiro trabalha a situação de forma madura e nada piegas.

A trama é ambientada nos anos 70, época que uma lei não permitia que deficientes visuais estudassem na mesma escola que outros estudantes. O filme transmite uma mensagem de inclusão social e mostra que a capacidade de cada pessoa independe do fato dela enxergar ou não. E o exemplo mostrado na película vale também para outras deficiências. Longa-metragem sensível e emocionante.Cotação do Daiblog:DaiblogDaiblogDaiblogDaiblog
Rosso Come Il Cielo (Itália, 2006) Dirigido por: Cristiano Bortone Com: Francesco Campobasso, Luca Capriotti, Patrizia La Fonte, Paolo Sassanelli, Simone Gullì…

Veja aqui o trailer do filme “Vermelho como o céu” legendado em português:

#522-Wall·e

Há muito tempo que filmes de animação não são mais sinônimo de produções voltadas especialmente para o público infantil. O grande dilema atual é contar uma história que agrade tanto as crianças quanto aos jovens adolescentes e adultos. “Wall·e“, nova produção da Disney e dos estúdios Pixar é um exemplo perfeito da possibilidade da fórmula dar certo. O filme vai cair no gosto de pais e filhos, embora cada público goste por um determinado motivo. Ainda que os pequenos possam não perceber as mensagens principais, quem observar com atenção vai notar que o longa é cheio de críticas e alertas.
 


Tudo começa na Terra, que mais parece um grande ferro velho. Cheio de poluição e lixo, o planeta foi abandonado pelos seres humanos que passaram a viver no espaço. O filme mostra apenas duas criaturas no ex-planeta azul: o robô Wall·e e uma barata (prova que estes insetos realmente sobrevivem em qualquer lugar). Wall·e é uma sigla cuja tradução significa Localizador e Coletor de Lixo Classe Terrestre. A função do pequeno robozinho movido a energia solar é juntar lixo e transformar em blocos compactados, que são organizados em montes que lembram edifícios.

Em uma vida solitária, Wall·e trabalha diariamente limpando a sujeira deixada pela humanidade. Os dias de trabalho terminam quando sua bateria fica fraca. Então Wall·e volta para seu esconderijo, onde assiste a um vhs do musical “Hello, Dolly!“. Mas as coisas vão mudar quando um novo robô for enviado para a Terra, a moderna Eva. Diferente de Wall·e, ela tem uma função bem definida e uma história de amor é criada tendo os dois robôs como protagonistas.
Pode parecer bobeira, mas não é. A relação entre os robôs cativa e convence graças aos carismáticos personagens. E a visão do futuro é assombrosa por não ser muito difícil de se acreditar. Seres humanos se comunicando apenas online, dependendo cada vez mais de máquinas e com um contato físico cada vez menor. Enquanto Wall·e é sentimental, a humanidade fica humanizada e este ponto de vista a respeito da tecnlogia é apenas um dos assuntos tratados no longa-metragem.
A qualidade da animação é indiscutível. As imagens bem feitas e produção impecável não decepcionam. Wall·e é dos mesmo criadores de “Os incríveis” e “Ratatouille”. A direção é de Andrew Stanton, de “Procurando Nemo”, enquanto na equipe de dublagem está a atriz Sigourney Weaver (“Heróis imaginários“). O filme merece uma conferida e é uma excelente opção de entretenimento por ter uma história inteligente e, ao mesmo tempo, divertida.
Cotação do Daiblog:

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WALL·E (EUA, 2008) Dirigido por: Andrew Stanton Com: Ben Burtt, Elissa Knight, Jeff Garlin, Fred Willard, John Ratzenberger, Kathy Najimy, Sigourney Weaver …

Veja aqui o trailer do filme “Wall·e” dublado em português:

Daiblog

O Daiblog esteve presente na pré-estréia de “Wall·e“, que aconteceu no shopping Pier 21 (em Brasília) no sábado passado. Confira abaixo agumas imagens da sessão. E um detalhe curioso: teve gente que não conseguiu segurar as lágrimas e saiu emocionado!

Crédito: fotos tiradas pela Nívea Linhares.


O cinema estava decorado especialmente para a pré-estréia.

Logo foi formada a fila de espectadores para conferir o filme.

Pessoas esperando o início da sessão.

Daiblog

Ok! Você leu o texto até aqui e ficou querendo ver o filme de graça, certo? Então participe da promoção do Daiblog! Além de ganhar cortesias duplas para assistir ao filme Wall·e você também concorre a lindas camisetas. Imperdível! Clique na imagem abaixo para acessar as promoções!

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#521-5 frações de uma quase história

Como o título explica, “5 frações de uma quase história” é composto de cinco tramas. Todas acontecem no estado de Belo Horizonte. Os diretores são estreantes, incluindo o jornalista Guilherme Fiúza (que escreveu o livro que deu origem ao longa “Meu nome não é Johnny“). O filme é um dos últimos trabalhos do ator Jece Valadão, que atua em um dos melhores segmentos no papel de um juíz corrupto que faz uma perturbadora proposta para um funcionário que trabalha com ele.
 


No elenco também está Leonardo Medeiros (“Nossa vida não cabe num opala“, “A vida ao lado” e “Não por acaso“), que interpreta um fotógrafo podólatra que não consegue se controlar em relação ao fetiche. Outra trama, mais abstrata, é a de um homem que se vê na programação de tv. Vivendo uma vida sem ânimo, ele se relaciona com pessoas em uma espécie de road-movie.

Outra história é a de Antônio (Cláudio Jaborandy, de “O céu de Sueli“), homem que descobre a traição da esposa. Ele trabalha como magarefe, ou seja, quem transporta a carne do frigorífico. Este trecho do filme mostra cenas de um matadouro e as imagens são asquerosas o bastante para mudar o hábito alimentar de muitas pessoas. A última história é a de Lúcia (Cynthia Falabella, de “Batismo de sangue“) . Ela é uma mulher que pretende se casar e conhece um homem através de um programa de rádio.
As histórias são de vários gêneros, indo da comédia até o drama. No final das contas “5 frações de uma quase história” se sai bem. A edição do longa lembra um video-clipe e a fotografia bem cuidada é um destaque a mais. Ainda que não inove na proposta, o resultado é um bom filme.
Cotação do Daiblog:DaiblogDaiblogDaiblog

5 frações de uma quase história (Brasil, 2007) Dirigido por: Armando Mendz, Cristiano Abud, Cris Azzi, Guilherme Fiúza, Lucas Gontijo e Thales Bahia Com: Luiz Arthur, Gero Camilo, Cynthia Falabella, Murilo Grossi, Claudio Jaborandy, Leonardo Medeiros, Jece Valadão…

Veja aqui o trailer do filme “5 frações de uma quase história“:

#520-Nossa vida não cabe num opala

O longa “Nossa vida não cabe num opala” foi baseado na peça teatral “Nossa vida não vale um Chevrolet”, escrita por Mário Bortolotto. A adaptação dos palcos para a telona foi assinada por Di Moretti. O longa recebeu um outro nome por causa da marca de carros que aparece no título original. Para evitar um processo por parte da General Motors, o diretor Reinaldo Pinheiro decidiu modificar o nome do filme.
 


Como Opala é um produto (não uma marca) e o automóvel está fora de linha, o novo título foi adotado. O motivo para que Chevrolet não fosse mantido é por causa da temática do filme: a desgraça de uma família após a perda de um parente. O filme é um drama verdadeiro e pesado. Transmite uma angústia, e é natural que a Volks não quer seu carro seja associado ao sentimento.

Depois de uma introdução feita em desenho animado, o filme começa com a rápida cena de um velório. O pai de uma família de classe média baixa morreu e o fato faz com que quatro irmãos percam o chão e a estrutura de suas vidas. O quarteto que fica órfão é formado por Monk (Leonardo Medeiros, de “A vida do lado” e “Não por acaso“), Lupa (Milhen Cortaz, de “Tropa de elite“, “Meu mundo em perigo“), Magali ( Maria Manoella, de “Crime delicado“) e Slide (interpretado por Gabriel Pinheiro, que atuou na peça original com o mesmo personagem). Eles ficam ainda mais peridos em relação ao futuro por causa da perda do pai.
A falta de expectativas fica clara logo no princípio. Morando em uma casa caindo aos pedaços, os quatro tentam juntar dinheiro para quitar as dívidas que o pai deixou. Monk, que lutava boxe nas ruas agora segue a profissão ilegal que o pai lhe ensinou e começa a roubar carros. Lupa segue o mesmo esquema, enquanto o caçula Slide quer entrar para o negócio da família. A única que tem uma profissão politicamente correta é Magali, frágil jovem que toca música em uma churrascaria decadente. Sofrendo assédios por parte dos clientes, ela tem a esperança que as coisas irão melhorar.
Alternando entre cenas mais leves e engraçadas com um drama denso, o longa-metragem termina com um gosto azedo. Um bom elenco participa da produção: Jonas Bloch, Maria Luisa Mendonça (premiada pela atuação), além de ótimas participações de Marília Pêra e Dercy Gonçalves, que está hilária. Se o longa é pessimista ou realista depende de quem for julgar, mas o Reinaldo Pinheiro conseguiu fazer uma obra que incomoda quem assiste. O filme é marcante, as vezes chega a quase chocar. e não é fácil de ser esquecido. Nas palavras do próprio diretor, “o destino é um beco sem saída”.
Cotação do Daiblog:

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Nossa vida não cabe num opala (Brasil, 2008) Dirigido por: Reinaldo Pinheiro. Com: Leonardo Medeiros, Paulo César Pereio, Milhen Cortaz, Gabriel Pinheiro, Maria Manoella…

Veja aqui um trecho do filme “Nossa vida não cabe num opala“:

#519-Agente 86

Um sapato que serve como telefone. Um discreto canivete que possui funções inusitadas como um lança-chamas potente. Todo mundo gosta de bugigangas úteis e os filmes de espionagem sempre se aproveitaram deste interesse para inventar objetos com modernos recursos tecnológicos. E aparelhos assim não faltam no filme baseado na série da década de 60. “Agente 86” é uma comédia dirigida por Peter Segal (da comédia romântica “Como se fosse a primeira vez“).
 


O longa-metragem é uma sátira aos filmes de espião e possui o mesmo clima das histórias do James Bond. Mas ao invés de ser sério, o roteiro simples não tem a intenção de surpreender ou demonstrar inteligência. É só um pretexto para criar situações absurdas envolvendo aparelhos eletrônicos como os que são usados pelo agente secreto 007.

A aventura começa com mais um dia na vida de Maxwell Smart (interpretado por Steve Carell, de “O virgem de 40 anos” e “Pequena Miss Sunshine“). Ele trabalha na CONTROLE, uma organização secreta que, assim como a CIA e o FBI procura proteger os Estados Unidos de invasões, terroristas e outras ameaças. O sonho de Max é se tornar um agente secreto para enfrentar vilões e receber todo o reconhecimento que só ganha quem salva o mundo. Só que ele nunca é chamado para entrar no grupo dos agentes e seu trabalho se restringe apenas a fazer investigações e apresentar complicados relatórios. Porém as coisas mudam de uma hora para outra e ele se vê no meio de uma arriscada missão.

Max se torna o Agente 86 e parte em uma investigação ao lado da linda Agente 99 (Anne Hathaway, de “O diabo veste Prada” e “O segredo de Brokeback Mountain“). Acompanhado da beldade, ele vai tentar descobrir o terrível plano que a organização criminosa KAOS armou para explodir os Estados Unidos. Com muitas cenas de ação, a película tenta criar um humor bem diferente do pastelão que pode ser visto em “Corra que a polícia vem aí 33 e 1/3“, filme do mesmo diretor. 

O resultado é uma produção que simplesmente não funciona como comédia. As cenas de aventura são mais eficientes do que as que deveriam ser engraçadas. Felizmente os perigos que a dupla corre durante o filme equilibram a história excessivamente esticada (o filme tem quase duas horas de duração). O gigante Dwayne Johnson (de “Treinando o papai“) também participa do filme no papel do exemplar Agente 23. Destaque também para os atores Masi Oka (o japonês Hiro da série “Heroes“) e o ator comediante Bill Murray, que faz uma pequena ponta na história. Mas não se iluda. Apesar do elenco bom, “Agente 86” é um comédia regular.
Cotação do Daiblog:
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Get Smart (EUA, 2008) Dirigido por: Peter Segal Com: Steve Carell, Anne Hathaway, Dwayne Johnson, Alan Arkin, Terence Stamp, James Caan …

Veja aqui o trailer do filme “Agente 86” legendado em português:

#518-Noites de terror

Mudar de casa não é uma coisa muito boa principalmente para quem gosta de onde vive e já se acostumou com o lugar. No cinema de terror, não é novidade quando uma família se muda para uma casa nova e ela é mal assombrada ou com algum segredo sombrio que pode colocar em risco a vida dos novos moradores. “Noites de terror” é uma refilmagem de um filme da década de 70 e começa dessa mesma forma.
    


Um casal se muda para o edifício Lusman, um prédio que ficou conhecido por ser um hotel para as estrelas de Hollywood. A protagonista é a esposa Nell Barrows (interpretada por Angela Bettis, atriz que tem experiência com o gênero e atuou em filmes como “Criatura maligna“, além de protagonizar o remake de “Carrie, a estranha“). Ela vai descobrir que terríveis crimes aconteceram naquele mesmo prédio que ela acabou de se mudar.

E como a intenção é assustar, é claro que um assassino estará disposto a fazer novas vítimas das formas mais inusitadas. O título original da produção é “Toolbox murders“, em referência às armas dos crimes. Tudo o que pode ser encontrado em uma caixa de ferramentas é usado para tirar vidas e um mistério em relação à identidade do criminoso só é revelado no finalzinho.
A direção do filme é de Tobe Hooper, cineasta imortalizado depois de fazer “O massacre da serra elétrica” e outros filmes de terror que marcaram história. Desde então, sua carreira tem sido repleta de altos e baixos. Dirigiu “Mortuária” e “Dança dos mortos“. “Noites de terror” não é seu melhor filme, mas também não é fraco. Agora está longe do que ele sabe fazer. Não confundir com “Noite do terror“, produção canadense que recebeu título semelhante aqui no Brasil.
Cotação do Daiblog:
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Toolbox Murders (EUA, 2003) Dirigido por: Tobe Hooper Com: Angela Bettis, Brent Roam, Marco Rodríguez, Rance Howard, Juliet Landau, Adam Gierasch, Greg Travis…
Veja aqui o trailer do filme “Noites de terror“:

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E por falar em terror, vem aí um dos filmes mais aguardados de quem gosta do gênero. Zé do Caixão está de volta com o longa-metragem “Encarnação do demônio”. O filme encerra a trilogia que teve início na década de 60 com “À Meia-Noite Levarei Sua Alma” e “Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver“. Na nova produção, José Mojica Marins interpreta um homem que ficou preso por 30 anos em uma clínica para doentes mentais.

Solto do hospital, ele continuará procurando a mulher que possa lhe gerar um filho perfeito. E várias pessoas serão vítimas da sua crueldade. O filme se passa em São Paulo e conta com repugnantes cenas envolvendo baratas, aranhas, porcos (!) e outras criaturas de verdade. Um detalhe curioso é a participação de Raymond Castile, que trabalha nos Estados Unidos como sósia do Zé do Caixão.

Para quem não sabe, o personagem possui uma legião de fãs nos EUA e no Japão. Nos dois países Zé do Caixão é conhecido como Coffin Joe. Aqui no Brasil “Encarnação do demônio” tem distribuição da Fox Filmes e entrará em cartaz no dia 8 de agosto deste ano. No exterior não existe um lançamento confirmado, embora o longa trilhe caminho em festivais de cinema. Para saber mais sobre o filme acompanhe o Daiblog e/ou clique aqui para visitar o macabro site oficial, lançado na última sexta-feira 13!

Confira abaixo o trailer e mais uma imagem do novo filme do Zé do caixão. Lembra cenas do filme “Mórbido silêncio“.