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#216-Curtas (07)

Está acontecendo no Cine Íris (no Rio de Janeiro) a primeira edição do FIAE – Festival de Animação Erótica nos dias 6, 7 e 8 de outubro. O site Portacurtas disponibilizou uma seleção de doze curtas de dez países diferentes que estão participando do festival.

Os videos estarão disponíveis até o dia 13 de outubro, portanto é bom assistir enquanto pode! Todos tratam de temas como sexualidade e o erotismo. O Daiblog comentará sobre alguns destes curtas. Para acessar e também assistir, clique aqui.

Observação: videos indicados apenas para maiores de 18 anos..

Gummitwist

Curta bastante colorido sobre o relacionamento de dois ursinhos de plástico que lembram aquelas balinhas de goma. A animação é simples mas interessante, passando a idéia do sexo seguro.

Cotação do Dai: ⭐⭐⭐
Gummitwist – Animação De Bady Minck 2002 – 1 min

O Cueca Cor de Rosa do Brasil
Com cores fortes, ritmo frenético e história simples, o curta é sobre um salva-vidas que usa uma sunga cor de rosa. Isso gera uma série de comentários das pessoas que freqüentam a praia. Atenção para a engraçada música utilizada.

Cotação do Dai: ⭐⭐⭐
O Cueca Cor de Rosa do Brasil – Animação De Ramon Navarro 2004 – 1 min


Donkey Korno

Se você gosta de “Bonequicha, a boneca bicha”, “Havaiana de pau”, “Travesseiro de preda” e outras animações do gênero vai amar “Donkey Korno”. Com vozes alcoolizadas alucinadas e piadas do início ao fim, o curta é divertidíssimo!

Cotação do Dai: ⭐⭐⭐⭐
Donkey Korno – Animação De Ricardo Piologo, Rodrigo Piologo 2006 – 4 min

Respect Fantasies

Sofisticadíssima animação com cara de vinheta tecno-chique! Muito bem trabalhado cheio de efeitos que lembram “brushes” de Photoshop e música boa. Pouco erotismo e curto até demais, uma pena.

Cotação do Dai: ⭐⭐⭐
Respect Fantasies- Animação De Levent Yalgin 2005 – 1 min

Sex Life Of Robots

Teaser de uma obra norte-americana ainda em andamento, “Sex life of robots” (como o nome já diz, trata de sexo entre os robôs. Não apenas para o prazer, mas também para a reprodução, o curta mostra uma verdadeira orgia metálica cheia de engrenagens e momentos de vai e vem. Algumas cenas bem ousadas e críticas sobre uma sociedade totalmente padronizada.

Cotação do Dai: ⭐⭐⭐
Sex Life Of Robots – Animação De Michael Sullivan 2006 – 2 min



Erotomotto
Relacionamentos de pessoas dentro de um ônibus lotado. Amor e sexo vistos de uma forma diferente. Filme e animação muito bem mesclados numa produção cheia de estilo. Um ciclo que começa desde o nascimento, descobrimento da sexualidade e relações afetivas. Vale a pena ver!

Cotação do Dai: ⭐⭐⭐⭐
Erotomotto – Animação De Arturas Bukauskas 2005 – 9 min

Clique aqui para visitar o site oficial do Festival Internacional de Animação Erótica com a programação completa.

#215-Confissões de uma garota americana

Rena Grubb (Jena Malone, de “Orgulho e preconceito“) é uma adolescente que descobre estar grávida do namorado irresponsável. Mas é um namoro incomum, já que ele não admite que tem um caso com a garota. E também não quer assumir o filho, o que já é mais comum. Mesmo sem o apoio do parceiro, Rena quer ter o filho custe o que custar.

Brad Renfro (de “Camisa de força” e “Ruas selvagens“) interpreta o irmão de Rena. É um garoto que está descobrindo sua sexualidade e é mais um personagem que vive numa casa confusa. Junto com ele também moram a irmã Barbie (Alicia Witt, de “Lenda urbana” e “Vanilla sky“) e a mãe.
O pai de Rena (Chris Mulkey, de “Mistérios da carne“) foi preso e ela convence a família a visitá-lo no piquenique anual da prisão, na esperança de ter um reencontro familiar. Mas vários problemas do passado irão se revelar e a tarde no presídio vai ser muito mais turbulenta do que ela poderia imaginar. “Confissões de uma garota americana” é um filme bom. Surpreende por ser baseado numa história real. A adolescência já é um período complicado e esse filme conta a história de uma garota que tem uma família problemática. Apesar de todo drama e tentativas de suicídio, a trama reserva espaço para cenas de humor. É como se fosse uma mensagem esperançosa, que mostra que mesmo em situações extremas é possível ser otimista. Clifton Collins Jr (de “Capote“) também está no elenco, novamente no papel de um presidiário.
Cotação do Dai: ***

Observação: A sinopse escrita atrás do dvd está completamente errada!

American Girl (EUA. 2002/3) Dirigido por: Jordan Brady Com: Jena Malone, Harmony Blossom, Erik von Detten, Brad Renfro, Alicia Witt, Michelle Forbes, Clifton Collins Jr, Chris Mulkey…

#214-Hellraiser 3, inferno na Terra

Se Hellraiser fosse uma trilogia, esse seria o filme mais fraco. A história não é bem uma seqüência do segundo filme, mas ainda preserva o jeito que a história anterior terminou. Um homem dono de uma boate compra o Pilar das Almas, uma estranha escultura (que aparece no final do segundo filme). Mas ele não faz idéia que Pinhead e outros seres do inferno habitam o objeto.

Paralelamente a isso está Joey Summerskill, uma bonita jornalista americana que tem pesadelos com o falecido pai numa guerra. Um crime sangrento irá levar Joey até a boate. O roteiro deste filme possui algumas semelhanças com os anteriores, como o consumo de sangue para renascer e a relação do prazer com a dor.


A diferença principal é que a história de Pinhead é bem explicada, com detalhes que os outros filmes nem fizeram questão de citar. E é memorável também, como já se pode imaginar pelo título, que os cenobitas vão fazer a festa na Terra, matando muitas pessoas. A cena lembra bastante o massacre de “Carrie, a estranha“, com pessoas tentando fugir e portas sendo fechadas. Só que é mais violento e sádico, com ganchos puxando peles e outras barbaridades típicas dos filmes Hellraiser.
Os efeitos especiais são medianos, bem computadorizados. Na época era o máximo, hoje em dia são ultrapassados, apesar de ainda divertirem. A seqüência da perseguição na cidade, por exemplo, é muito boa. Filme bem anos 90 mesmo, com música tema da banda Motorhead. Novos cenobitas são apresentados e existe um clima de humor negro na história, bem mais evidente que nos outros filmes. Perto das outras produções da franquia Hellraiser, esse continua sendo um bom filme.
Cotação do Dai: ***

Hellraiser III: Hell on Earth (EUA, 1992) Dirigido por: Anthony Hickox Com: Terry Farrell, Terry Farrell, Lawrence Mortorff, Kevin Bernhardt, Paula Marshall…

Clique aqui para ver o trailer do filme Hellraiser 3, Inferno na Terra:

* * *
Literatura

Cem sonetos de amor
Pablo Neruda, vencedor do prêmio Nobel de literatura em 1971, escreveu esse livro dedicado para Matilde Urrutia. São realmente cem sonetos, todos relacionados ao amor. A obra é dividida em quatro partes: manhã, meio-dia, tarde e noite. A poesia chilena de Neruda fala de sentimento, paixão e é carregada de elementos da natureza. Leia abaixo um dos sonetos do livro.

Cotação do Dai: ***
LXVI
Pablo Neruda

Não te quero senão porque te quero
e de querer-te a não querer-te chego
e de esperar-te quando não te espero
passa meu coração do frio ao fogo.

Te quero só porque a ti te quero,
te odeio sem fim, e odiando-te te rogo,
e a medida de meu amor viageiro
é não ver-te e amar-te como um cego.

Talvez consumirá a luz de janeiro,
seu raio cruel, meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego.

Nesta história só eu morro
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero, amor, a sangue e fogo.

Pesquise os preços deste livro usando o Buscapé! O link está logo acima.

Leia também sobre outros livros já comentados aqui no Daiblog: “A reportagem“, “Jacob & Wilhelm Grimm“, “Timbuktu“.

#213-Hellraiser 2

O segundo filme continua exatamente onde o primeiro terminou. A sobrevivente Kirsty é internada numa clínica e considerada louca. Ninguém acredita na sua história, afinal não é nada comum entender tramas macabras que envolvem caixas com aberturas para o inferno, renascimentos e cenobitas que destroem corpos de humanos com ganchos e objetos afiados.

Mas na verdade nessa clínica existe o Dr Channard, que sempre pesqusou bastante sobre os segredos da caixa. Nesse filme descobrimos que não existe apenas uma única caixa e sim várias, todas com a mesma capacidade maligna de abrir portais. E nesse mesmo hospital existe uma autista loirinha chamada Tiffany (uma espécie de Carol Anne de “Poltergeist, o fenômeno“) que adora quebra-cabeça e vive montando e desmontando cubos e jogos de encaixe. E está mais do que claro que todos esses personagens vão se encontrar e novamente as portas do inferno serão abertas.
O roteiro dessa segunda parte certamente não é dos melhores. A diversão, entretanto, é garantida. O filme tem um ótimo ritmo e seqüências macabras, graças ao orçamento maior da produção. Grande parte do filme se passa no inferno, com cenários sombrios e situações imprevisíveis. A configuração do inferno lembra muitos alguns desenhos de M.C. Escher, com labirintos complexos.Existe uma cena que deixa bem clara a relação dos cenobitas com o sexo (veja a imagem abaixo). Muitas pessoas que abriram a caixa tiveram a curiosidade em descobrir os prazeres proibidos, referência óbvia ao sadomasoquismo (não consensual, é claro!). As roupas de couro preta e a relação do prazer com a dor também mostram isso. Esse filme é interessante porque explica um pouco a história de Pinhead e o inferno, além de apresentar o Leviatã. A trilha sonora novamente é de Christopher Young, garantindo a mesma qualidade do filme original.
Cotação do Dai: ***1/2

Hellbound: Hellraiser II (EUA, 1988) Dirigido por: Tony Randel Com: Clare Higgins, Ashley Laurence, Kenneth Cranham, Imogen Boorman, Sean Chapman, William Hope, Doug Bradley…
Veja aqui o trailer do filme Hellraiser 2:

#212-Hellraiser, renascido do inferno

Clive Barker foi o criador da série Hellraiser (série mesmo, afinal são muitos filmes!). Foi da cabeça dele que surgiu toda a trama dos assustadores cenobitas. Por isso que ele pode ser considerado um escritor de terror tão bom quanto Stephen King. Além de fazer o roteiro, Barker também dirigiu o primeiro filme.

O que você faria se soubesse da existência de uma misteriosa caixa capaz de revelar os maiores prazeres do mundo? Frank não só conhecia essa lenda como também encontrou a tal caixa. Pagou um alto valor por ela e se dedicou a abri-la. E esse foi o seu maior engano. A relíquia tem o poder de abrir as portas do inferno e quem abre a caixa está condenado a morrer com muita dor nas mãos dos Cenobitas, grupo de demônios liderados pelo frio Pinhead.

Após o estranho desaparecimento de Frank, seu irmão Larry e família se mudam para lá. Mas a casa está cheia de lembranças, principalmente para a infiel Julia, esposa de Larry e amante de Frank. Durante a mudança para o casarão, um acidente faz com que Larry se machuque com um prego e as gotas de sangue são absorvidas pelo chão, fazendo com que o corpo de Frank comece a se compor novamente.
Contar mais detalhes só iria estragar o resto do filme. Hellraiser é cheio de imagens nojentas (Frank se formando é repulsivo) e suspense. A história é muito boa, mas para gostar, é preciso ter a mente aberta para o fantástico. Os efeitos especiais, mesmo sendo do final da década de 80, são bons. É claro que a seqüência final poderia ser melhor, mas no geral é tudo muito gosmento e sangrento. Já a trilha sonora de Christopher Young é excelente e ajuda na construção de uma atmosfera de medo.

Para quem gosta de filmes de terror, Hellraiser é um clássico indispensável.
Cotação do Dai: ***1/2

Hellraiser (EUA, 1987) Dirigido por: Clive Barker Com: Andrew Robinson, Clare Higgins, Ashley Laurence, Sean Chapman, Oliver Smith, Robert Hines…

Veja aqui o trailer do filme Hellraiser, renascido do inferno.

#211-Zerofilia

Se você conhece o mangá (e também anime) Ranma 1/2, vai gostar de Zerofilia. Agora se você não conhece, vai se divertir ainda mais com a bizarrice da história deste filme. Assim como o personagem do desenho de Rumiko Takahashi, o protagonista de Luke tem a capacidade de mudar de sexo. Mas diferente de Ranma, Luke se transforma em mulher a medida que vai ficando excitado! Considerando que ele é um jovem e o filme tem um elenco atraente, é óbvio que muitas mudanças e situações constrangedoras estão garantidas!
Tudo acontece depois que Luke (Taylor Handley, de “O massacre da serra elétrica: o início“)descobre ser um Z, ou seja, um portador de zerofilia (um raro distúrbio genético). Assim, toda vez que ele se excita, seu corpo se modifica e fica cada vez mais feminino, de forma que ele se transforma em uma mulher quando chega ao orgasmo! E ele só volta a ser homem após um novo orgasmo!

Luke e seu amigo Keenan tentam encontrar uma solução para esse problema e recebem a ajuda da voluptuosa doutora Sidney, a melhor personagem da trama. Ela é especialista em zerofíliacos e, com seu jeito sexy de ser, está disposta a tudo para ajudar Luke. Muitos relacionamentos amorosos, confusões e situações engraçadas fazem de Zerofilia uma comédia muito divertida e inusitada, sobre os conflitos de um adolescente diferente!
A trilha sonora é cheia de músicas agradáveis e o roteiro ainda guarda espaço para um romance bonitinho na história. Se você se quiser ler mais sobre zerofilia, visite o site da Organização Internacional dos Zerofilíacos, clicando aqui.

Cotação do Dai: ****

Zerophilia (EUA, 2005) Dirigido por: Martin Curland Com: Gina Bellman, Marieh Delfino, Alison Folland, Taylor Handley, Kelly LeBrock, Chris Meyer, Kyle Schmid…

Veja abaixo o trailer do filme Zerofilia:

* * *O filme “Efeito borboleta 2“, já citado aqui no Daiblog em agosto no texto de “Terror em Silent Hill” (clique para ler), tem sua estréia marcada para amanhã, dia 29 de setembro. A censura será 14 anos e a distribuidora é a Playarte. Confira abaixo o pôster. Para ver o trailer do filme e a sinopse, clique aqui.

#210-Curtas (06)

O festival do Rio está acontecendo na cidade maravilhosa, mas você assistir de casa vários curtas. O site Portacurtas disponibilizou alguns filmes que estão nos dois programas da sessão Première Brasil. Leia agora a crítica de alguns dos curtas. Depos clique aqui para visitar o site e assistir de graça.

Observação: a maioria dos curtas ficarão disponíveis por tempo limitado, por isso é bom acessar o mais rápido possível para ter a chance de ver.

O Caderno Rosa de Lori Lamby
Garota de 8 anos relata as experiências sexuais no seu caderno rosa. Narrado em forma de diário, a menina conta como a mãe a prostitiu e detalha como satisfaz os clientes em troca de dinheiro. Apesar de não ser explícito e a atriz não ter 8 anos de idade, esse curta é chocante apenas pelo que sugere. Terrivelmente perverso, mas com final surpresa. E se você se interessa por prostituição infantil leia também “Maldito coração“.
Cotação do Dai: ***
O Caderno Rosa de Lori Lamby – Ficção De Sung Sfai 2005 19 min Com Iara Jamra, Mário César Camargo, Roney Facchini, Rosaly Papadopol, Fernando Petlinkar, Rentao Scarpin
* * *
Início do Fim
Com apenas um ator (Nilson Asp), esse dramático curta fala sobre um homem de idade que simplesmente desiste. A história é um pouco previsível, mas ainda interessante. Fotografia bem cuidada e trilha sonora eficiente. Bonito.
Cotação do Dai: ***

Início do Fim – Ficção De Gustavo Spolidoro 2006 6 min Com Nilson Asp

Joyce
Ela é uma garota pobre de 12 anos que cozinha em casa, cuida da irmã e ainda tem tempo de dançar axé na frente da televisão. Joyce gosta de um garoto e anda com a irmã pela periferia durante a noite. A iluminação (ou a falta de) mostra bem a realidade urbana, deixa tudo muito realista, quase documental. Mas, por outro lado, deixa o filme muitas vezes sem sentido e dificil de acompanhar. Terminado o curta, me perguntei qual foi o propósito dessa produção. Não gostei.

Cotação do Dai: ⭐
Joyce – Ficção De Caroline Leone 2006 14 min Com Edilaine Marques Goldim, José Trassi, Larissa Marques Goldim

Yansan
Yansan e Xangô vieram juntos ao mundo. Um pertence ao outro. Eles morrerão no mesmo dia“. Esse curta de animação foi narrado por Milton Gonçalves. É uma lenda africana sobre Yansan, Ogun e Xangô. Para deixar tudo ainda mais exótico, a animação computadorizada sofre influências dos animes e se passa num moderno Japão. A história é interessante e a qualidade da produção surpreende. Uma trilha sonora grandiosa supre a aparência mecânica dos personagem e deixa o curta emocionante.
Cotação do Dai: ⭐⭐⭐
Yansan – Animação, Concorrendo Fest De Carlos Eduardo Nogueira 2006 17 min

Alguns curtas que participaram do Festival de São Paulo estão participando agora do Festival do Rio e já foram comentados aqui no Daiblog. São eles: “Acossada” e “Alguma Coisa Assim” clique aqui para ler.

#209-Zona de risco

Zona de risco, mais conhecido como JSA – Joint Security Area, é um filme de Chan-wook Park (do ótimo “Oldboy“). Só a direção já dispensa comentários. Park também escreveu o roteiro mas, dessa vez, não tem nada de vingança, embora este também seja um daqueles filme que ficam na cabeça.

A história é sobre um crime que aconteceu na linha entre a Coréia do Norte e do Sul. Uma oficial coreana que cresceu na Suécia (interpretada por Yeong-ae Lee, a “Lady Vingança“) é enviada para investigar imparcialmente o ocorrido. Ela não precisa saber quem foi que matou, já que o acusado Byung-hun Lee (de “Três, extremos“) já se confessou. O principal interesse da missão é descobrir o porquê. E parece que isso é o mais difícil.
Esse drama socio-político prende a atenção por causa da história misteriosa. Os acontecimentos da noite sangrenta são mostrados em flashback, numa forma fragmentada que não deixa o filme ser apenas uma investigação parada. E o mais interessante é que, por mais que exista toda uma mensagem social do confronto comunismo/capitalismo das Coréias, o assunto principal é um dos sentimentos mais antigos conhecido pelos homens: a amizade.

Uma amizade que terminou de maneira trágica. Todos os atores principais já trabalharam em outros filmes de Chan-wook Park. Também estão no elenco Ha-kyun Shin e Kang-ho Song (do denso “Simpatia pelo Sr Vingança“) em interpretações fantásticas.
Cotação do Dai: ***1/2
Observação: Foi anunciado em 2005 que o filme será regravado pelos Estados Unidos, o que não surpreende em nada a respeito da falta de criatividade norte-americana. O roteirista David Franzoni, que já esteve envolvido em produções como “Rei Arthur“, “Gladiador” e “Amistad“, vai dirigir um remake de Joint Security Area. A trama, como se pode imaginar, não se passará na fronteira entre as Coréias e sim na linha que divide Estados Unidos e México (!).

Gongdong gyeongbi guyeok JSA (Coréia do Sul, 2000) Dirigido por: Chan-wook Park Com: Yeong-ae Lee, Byung-hun Lee, Kang-ho Song, Tae-woo Kim, Ha-kyun Shin…

Veja aqui o trailer do filme Zona de risco – JSA: (trailer alemão)

#208-Menina má.com



Tenso. Intenso. Perturbador. Cruel. Agoniante. “Menina má.com” é aquele tipo de filme que você assiste e não consegue esquecer tão facilmente. Com um roteiro que te fisga desde o princípio, o filme prende a atenção até o final (isso ficou redundante?) É sufocante e terrivelmente malvado. Se você quer ficar incomodado com um filme, assista. Não tem como passar desapercebido!

A história é aparentemente simples e banal. Uma garota de 14 anos (Ellen Page, a Lince Negra de “X-men: o confronto final“) tecla com um fotógrafo de seus trinta e poucos anos. Os dois batem papo na internet (por isso a referência .com no título brasileiro) e desenvolvem uma amizade maliciosa. Depois de um tempo decidem se encontrar pessoalmente. Mas nada é o que parece e contar mais só iria estragar as situações angustiantes do filme. Mas pelo título dá para saber que a garota não é nenhum anjinho. E as intenções de cada um são, no mínimo, imprevisíveis.
O filme inteiro é sustentado pela dupla, que interage e trabalha muito bem. O clima me lembrou bastante “A morte e a donzela“, filme de Roman Polanski. Só que “Hard Candy” é bem mais forte e perturbador. O que era para ser um simples encontro se transforma numa experiência aterrorizante, um verdadeiro pesadelo. Especialmente se você for homem.

O roteiro é tão intrigante e envolvente, que outros aspectos nem chamaram tanto minha atenção. Notei que a fotografia é cheia de cores primárias, da decoração casa do fotógrafo. Algo meio infantil e inocente (tipo um playground) mas ao mesmo tempo nauseante; principalmente com os movimentos de câmera giratórios e as repetições das mesmas cores diversas vezes. Mas o que incomoda mais é, sem dúvida, a história.
Provavelmente vai ser fácil encontrar sites e páginas que contam o assunto principal de “Menina má.com“, mas o melhor é assistir sem conhecer nada da trama. Só assim é possível se surpreender a cada cena. Um filme que não te deixa piscar os olhos. Incrível!
Cotação do Dai: ****
Hard Candy (EUA, 2005) Dirigido por: David Slade Com: Patrick Wilson, Ellen Page, Sandra Oh, Jennifer Holmes, Gilbert John…

Clique aqui para ver o trailer do filme Menina má.com:

#207-A colheita

Rapaz adotado recebe como herança uma fazenda abandonada desde os anos 30. Antes de saber se vale a pena vender o imóvel, ele viaja com a namorada e dois casais de amigos para conhecer o local. Só que um passado sangrento (que é mostrando no começo do flme) tornou a fazenda um lugar cheio de fantasmas-espantalhos que querem vingança a todo custo.

Ruim. Ruim. Ruim. Alguns filmes trash são até legais de se ver. A falta de técnica muitas vezes é superada por idéias criativas e situações legais. Mas isso não aplica a esse filme. É tudo muito tosco, mal feito mesmo. É impossível ter paciência vendo isso porque o roteiro é gelatinoso, as atuações são amadoras e o resultado é fraco.

O único ponto positivo é a duração. É um filme curto. O começo é até interessante, com uma narrativa em tom de documentário que prepara para…nada! Para se ter noção das falhas de “A colheita“, o filme inteiro tem uma iluminação assustadora e incompreensível. A turma entra na casa abandonada há mais de 70 anos (e que continua incrivelmente bem conservada) e, lá dentro, é mais claro do que o exterior! Isso mesmo, o ambiente interno é completamente iluminado, com direito a fortes sombras nas paredes. Colocaram um holofote gigante que deve ter sido usado durante o filme inteiro. Todos os ambientes fechados são extremamente claros, sendo muito difícil acreditar que aquilo se passou mesmo durante a noite.Os diálogos são todos mal escritos e os personagens não criam nenhum carisma. Numa cena chega a ser engraçado o trânsito de figurantes que andam da maneira mais artificial possível. Para piorar, a edição é fraquíssima, com cenas sendo utilizadas e reutilizadas até você não aguentar mais. Perto do final, por exemplo, você pode notar que colocaram duas vezes a mesma cena do incêndio, seguidas! Isso sem falar nos defeitos especiais, que são ridículos. Assista “A colheita” para saber o que nunca se deve fazer com um filme. Não sei como a Paris Filmes lançou isso no mercado nacional. Se tentou assustar, conseguiu!Cotação do Dai: *

Photobucket - Video and Image Hosting

Observação amendrontadora: Já existe “A colheita 2” e parece que a terceira parte também já está a caminho. Medo.
Dark Harvest (EUA, 2004) Dirigido por: Paul Moore Com: Don Digiulio, Jeanie Cheek, Jennifer Leigh, B.W. York, Jessica Dunphy, Amiee Cox…

Veja aqui o trailer do filme de “terror” A colheita:


* * *LEITURA:
Manual do podólatra amador
Glauco Mattoso (clique para visitar o site oficial) pode ser considerado um Gregório de Matos 2. Poeta, cego e bizarro, ele lançou o “Manual do podólatra amador: Aventuras & leituras de um tarado por pés” primeiramente na década de 80. Naquela época, o livro foi criticado por ser audacioso e nojento. Afinal ele escreveu sobre coisas que poucas pessoas costumam falar de uma só vez: chulé, sadomasoquismo, homossexualismo, tortura etc. Recentemente o livro foi relançado pela Casa do psicólogo. E o texto é, até hoje, forte e escrachado.

O manual é um livro auto-biográfico da vida de Glauco Mattoso. Mas não é só isso. Entre trechos de suas lembranças, ele intercala informações culturais sobre o seu maior fetiche: pés. Cita livros, filmes, seriados, revistas e o que mais esteja relacionado com os pés; o que reuniu uma extensa bibliografia. O livro é muito engraçado, cheio de trocadilhos infames. Mas não é para qualquer um. A verdade é contada de modo explícito, sem se preocupar se isso vai chocar alguém ou não. Um brilhante exemplo de literatura maldita. Leia se for capaz!
Cotação do Dai: ****
ISBN 85-99893-18-1
258 págs

Leia aqui um dos geniais poemas de Glauco Mattoso:

2 SPIK (SIC) TUPINIK [para Paulo Veríssimo] [1977]

Rebel without a cause, vômito do mito
da nova nova nova nova geração,
cuspo no prato e janto junto com palmito
o baioque (o forrock, o rockixe), o rockão.
Receito a seita de quem samba e roquenrola:
Babo, Bob, pop, pipoca, cornflake;
take a cocktail de coco com cocacola,
de whisky e estricnina make a milkshake.
Tem híbridos morfemas a língua que falo,
meio nega-bacana, chiquita-maluca;
no rolo embananado me embolo,
me embalo,soluço – hic – e desligo – clic – a cuca.

Sou luxo, chulo e chic, caçula e cacique.
I am a tupinik, eu falo em tupinik.