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#206-Feira das vaidades

Dirigido pela indiana Mira Nair e estrelado pela ganhadora do Oscar Reese Wistherpoon, “Feira das vaidades” é um filme com uma grandiosa produção. Os cenários são majestosos e figurinos requintados. A fotografia também não fica atrás, é belíssima. É aquele tipo de filme para se ver e aproveitar cada imagem. A história também é muito interessante, principalmente se você gostar de dramas de época como “Orgulho e preconceito“.

Becky Sharp (Reese Wistherpoon), é uma jovem disposta a crescer na vida. De origem pobre humilde, ela é uma “alpinista social”, cuja ambição é disfarçada pelo carisma e pela boa educação. Mas algumas pessoas percebem quais são as intenções da senhorita Sharp e ela vai descobrir que para subir socialmente é preciso pagar um preço.

A trama, baseada na obra clássica de William Makepeace Thackeray, é ambientada em Londres, em 1820. Época que as pessoas eram julgadas pela família e nível social (nada muito distante de hoje em dia). A reconstituição da época foi muito bem trabalhada e o elenco todo está bem. Em especial a queixuda Wistherpoon.
A história flui agradavelmente na maior parte do filme. Porém, depois de duas horas, o roteiro acelera o passo e o filme fica parecendo uma novela mexicana, com uma série de cenas melodramáticas e de forte impacto. Esse, sem dúvida, é um ponto negativo. A trilha sonora com uma música-tema aproveitada ao extremo também pode cansar um pouco o expectador, mas, mesmo com esses problemas, “Feira das vaidades” é um filme acima da média.
Cotação do Dai: ****

Vanity Fair (EUA, Reino Unido, 2004) Dirigido por: Mira Nair Com: Gabriel Byrne, Reese Witherspoon, Romola Garai, Tony Maudsley, Jonathan Rhys Meyers…
Dica: Mira Nair dirigiu um outro filme bem interessante, o sensual “Kama sutra“. Um filme que também conta com belas imagens e história dramática. A diretora sabe fazer com que a Índia pareça um lugar realmente mágico, com muitas cores e delícias exóticas. Em “Feira das vaidades” é possível perceber isso. Só que, diferente do que se pode imaginar, “Kama Sutra” não é pornô e nem uma lição de como praticar posições sexuais criativas e milenares. É um romance dramático cheio de músicas típicas. Cotação do Dai: ***

Veja aqui o trailer do filme Feira das vaidades:

Curiosidade: foi usado no final desse trailer a música “Nara“, de E.S. Posthumus. Essa mesma música também foi utilizada em outro trailer, do filme “Infidelidade“.

#205-De tanto bater, meu coração parou

Esse título curioso também chamou sua atenção?. Vale muito a pena assistir “De tanto bater, meu coração parou“! O filme conta a história de Thomas Seyr (Romain Duris, de “Albergue espanhol” e “Bonecas russas“), um jovem que trabalha com seu pai, no ramo de imóveis. Além de ficar num estressante escritório, ele faz serviços sujos, expulsando inquilinos e ameaçando inadiplentes com modos hostis. O futuro de Tom parece ser uma cópia de seu pai, ou seja, se tornar um homem envolvido com uma série de problemas.

Por outro lado, Tom tem a opção de seguir os passos de sua falecida mãe, que foi uma pianista. Depois de ficar 10 anos sem encostar num piano, Tom tem a oportunidade de retornar ao mundo da música. Com muito esforço, ele toma aulas com uma experiente chinesa e se prepara para uma audição. Seu talento pouco explorado pouco a pouco reaparece. Porém ele precisa escolher entre continuar na atual vida ou se dedicar à música.
E esse é o principal tema do filme: escolhas e destino. O rumo da sua vida só depende de Tom e cabe a ele tomar as decisões corretas. Pode parecer um roteiro estilo auto-ajuda, mas não é bem assim. E não é um filme lento, pelo contrário. A premiada fotografia é ágil e dinâmica e a trilha sonora, como se pode imaginar, é muito bonita.

Filme sensível e com final impactante. Vale a pena ver! 🙂
Cotação do Dai: ****

De Battre Mon Coeur S’Est Arrêté (França, 2005) Dirigido por: Jacques Audiard Com: Romain Duris, Niels Arestrup, Jonathan Zaccaï, Gilles Cohen, Linh Dan Pham, Mélanie Laurent…

Veja abaixo o trailer do filme “De tanto bater, meu coração parou“:

#204-Cinderella

Clássico Disney que provavelmente todo mundo já assistiu pelo menos uma vez na vida. A versão da história dos irmãos Grimm (clique para ler mais sobre a obra deles) foi editada para não impressionar as crianças. Isso quer dizer que nenhuma personagem corta o calcanhar ou outra parte do pé para calçar o sapatinho de cristal. Enquanto no original os pássaros são verdadeiros protetores da gata borralheira, inclusive guarda-costas, neste desenho eles são criaturas pacíficas e prestativas!

Na história, um bondoso pai decide se casar de novo para que a filha órfã receba um carinho de mãe. Mas, depois que o pai também morre, a garotinha vira criada e passa a trabalhar para a madrasta e suas duas filhas malvadas. A rotina de escrava de Cinderella tem seus dias contados quando ela participa de um glamouroso baile no palácio real. Com a ajuda de uma fada madrinha, ela descobre que tudo é possível quando se tem amor no coração e esperança de um futuro melhor. Amém.
A animação data de 1950 e até hoje surpreende pelo cuidado. É bem verdade que existem outros desenhos Disney bem mais interessantes, mas Cinderella ainda guarda seu encanto pela simplicidade da história. Mas assistindo novamente, pude notar que a história é esticada o máximo possível. E mesmo assim só tem pouco mais de uma hora!

Os primeiros 15 minutos são praticamente uma versão Disney de “Tom e Jerry“, com os ratinhos fugindo do gato Lúcifer. E na versão atual do dvd o diálogo criticado e acusado de ser maligno continua presente. É quando a heroína da história diz “Lúcifer também seu lado bom”. Enfim, é otimismo até demais porque durante toda a trama o felino apronta e faz maldades.
Vale a pena também ver no dvd uma canção inédita que não foi lançada na época, muito bonita. Depois de Cinderella, a Disney fez uma continuação em 2002 e está previsto o lançamento de Cinderella 3 para 2007. O assunto da terceira seqüência é interessante: o que aconteceria se a gata borralheira não tivesse calçado o sapatinho e nem ido ao baile? A história volta ao passado, com acontecimentos alternativos. Algo meio “Efeito borboleta” para as crianças! 🙂
Cotação do Dai: ****
Cinderella (EUA, 1950) Dirigido por: Clyde Geronimi, Wilfred Jackson, Hamilton Luske Com as vozes de: Ilene Woods, Helene Stanley, Eleanor Audley, Verna Felton…

Veja abaixo o trailer do desenho “Cinderella“:

* * *
E por falar em Cinderella, uma japonesa chamada Junko Mizuno fez um mangá chamado Cinderalla. Mas diferente do que se pode esperar, o roteiro guarda espaço para zumbis e espetinhos de frango. Para ler mais sobre essa obra bizarra clique
aqui.

O Daiblog completou 1 ano de existência. Parabéns! 🙂

#203-Ruas selvagens

Dirigido por Scott Kalvert (de “Diário de um adolescente“), “Ruas selvagens” é um filme que fala da rivalidade entre gangues no Brooklin no final da década de 50. Escrevendo assim parece chato, mas é um filme bom de se assistir. A história é narrada por Bobby (Brad Renfro, de “Camisa de força” e “Bully“), que é irmão de Leon (Stephen Dorff, o vilão de “Blade“), o líder da gangue dos Deuces. Eles travam uma guerra com outra gangue, os Vipers.

Os Vipers são barra-pesada, violentos e envolvidos com o tráfico de drogas. Querem vender tóxicos inclusive no território dos Deuces e esse é o principal motivo das guerras. A história não traz novidades, mas mesmo assim é interessante. Um drama do passado liga as duas gangues e, no presente, Bobby acaba se interessando por uma garota que é irmã de um membro dos Vipers.

Também estão no elenco Matt Dillon (de “Crash, no limite“) e Johnny Knoxville (do programa “Jackass“). “Ruas selvagens” é uma típica sessão da tarde, só que com um pouco mais de violência. Mas as lutas entre as gangues chegam a ser hilárias, graças a sonoplastia esquisita que conta com barulhos de video game nos sacos e golpes.
Apesar de ser um filme de época, continua bastante atual. Rivalidades entre grupos, vinganças e ameaças de morte estão mais pra realidade do que para a ficção. Nos dias de hoje existem gangues e as ruas, como é fácil saber, continuam selvagens.

Cotação do Dai: ***

Deuces Wild (EUA, 2002) Dirigido por: Scott Kalvert Com: Stephen Dorff, Brad Renfro, Fairuza Balk, Norman Reedus, Drea de Matteo, Frankie Muniz, Matt Dillon…

Veja aqui o trailer do filme Ruas selvagens:

#202-Vampiros do deserto

Kerr Smith (de “Segundas intenções 3“) é um rapaz que trabalha como editor de trailers de filmes de terror. Ele tira uma semana de férias para comparecer ao imperdível casamento da irmã. Mas acaba dando carona para um caçador de vampiros (Brendan Fehr, de “Premonição“) e logo se vê correndo perigo quando ajuda uma garota que foi mordida.

O filme foi dirigido por J.S. Cardone, que já dirigiu também “8mm 2“. No elenco está Johnathon Schaech (também de “8mm 2“), no papel do vampiro-chefão. Na trama, as pessoas viram vampiros pelas mordidas, como um vírus que entra na corrente sangüínea. Matando a nave-mãe, ou seja, o vampiro que contaminou, todos estariam livres. Original, não?


Road movie teen com elenco jovem e nada de original. A edição ainda reserva momentos no estilo video-clipe, com cenas aceleradas e flashes (de novo não!). Se era para ser filme de terror, faltou cenas assustadoras e mais suspense. É mais aceitável como uma aventura, com alguns bons momentos. Atenção especial para constantes cenas de nudez da polonesa Izabella Miko (foto acima), que aparece no pôster como se fosse uma personagem ativa e passa quase o filme todo muda, pelada e sangrando! Ela possui pouquíssimos diálogos, todos apenas no final do filme!
Cotação do Dai: **

The Forsaken (EUA, 2001) Dirigido por: J.S. Cardone Com: Kerr Smith, Brendan Fehr, Izabella Miko, Johnathon Schaech, Phina Oruche, Simon Rex, Alexis Thorpe…

Confira abaixo o trailer do filme “Vampiros do deserto“:

#201-Impulsividade

Não se engane achando que “Impulsividade” é uma comédia. Na verdade é um drama com momentos engraçados. A sinopse pode até parecer hilária: Justin é um garoto de 14 anos continua com a mania infantil de chupar o dedo (thumbsucker, do título original). Só que esse “problema” é lidado de uma forma séria. Os pais tentam controlar esse hábito, mas é mais complicado do que se imagina.

A mãe (interpretada por Tilda Swinton de “Pecados mortais“), vive um casamento água com açúcar e sonha com um cafona artista de televisão. Já o pai é um frustrado esportista com enorme senso de competição. O dentista de Justin (Keanu Reeves) banca o psicólogo, dando conselhos estranhos para ajudar o jovem. Mas a aparente solução para o problema é dada pelo professor (Vince Vaughn, o vilão de “Inimigo em casa“).
O filme mostra a adolescência de Justin, seu sonho em ser jornalista (ele tem bom gosto!) e planos de vida. A mensagem final da história é muito bonita. É um filme acima da média, sem dúvidas. Para assistir e pensar depois nos caminhos para se chegar até a felicidade. Falando assim até parece que o filme é de auto-ajuda, mas ele é sobre a felicidade. As coisas que fazemos para sermos felizes e as que deixamos de fazer por causa da sociedade competitiva ou dos valores que nos são impostos.

Boas atuações, principalmente do protagonista. Na agradável trilha sonora, The Polyphonic Spree e Elliott Smith.Cotação do Dai: ***1/2
Thumbsucker (EUA, 2005) Dirigido por: Mike Mills Com: Lou Taylor Pucci, Tilda Swinton, Vincent D’Onofrio, Keanu Reeves, Benjamin Bratt, Kelli Garner, Vince Vaughn…

Veja aqui o trailer do filme Impulsividade:

#200-Paranoia agent

Se você é uma daquelas pessoas que ainda acredita que animes são apenas desenhos infantis e todos os desenhos animados japoneses são iguais a “Pokémon“, guarde bem um nome dentro dessa sua mente distorcida: Satoshi Kon. Esse é o diretor de obras-primas internacionalmente reconhecidas como o eletrizante “Perfect blue” (um dia eu assisto de novo e escrevo aqui no Daiblog) e “Paranoia Agent“, que é o assunto do texto de hoje!
Paranoia Agent (Mousou dairinin, no original) é uma série de 13 episódios. Escrever sobre a trama é difícil porque a série não é bem o que parece ser. Mas não é difícil entender o universo que se passa a história porque é muito, muito realista. A série começa com imagens típicas de uma metrópole. Pessoas andando, engarrafamentos, celulares tocando, muitas vozes. E pessoas sempre dando desculpas, mentindo, sendo falsas, agindo de má fé. Nada mais verdadeiro que o mundo real. Alguns podem considerar um desenho depressivo, mas ele é realista. E mostra, de forma forte, verdades cruéis das sociedades pós-modernas. Por isso se você ainda acredita em Papai Noel, acha que a vida é cor de rosa e tem certeza que a Xuxa aterrissa a nave especial no Projac para gravar o programa infantil, passe longe desse anime.
Tsukiko Sagi é uma jovem que trabalha na criação de personagens. Ela criou um cachorrinho chamado Maromi que virou uma espécie de Pikachu no Japão, ficando rapidamente popular e estampado em diversos produtos imperdíveis e necessários para qualquer vítima consumista do capitalismo. Sagi sofre pressão no trabalho, pois precisa entregar o design de um novo personagem. Até que, depois de uma noite, a criadora de Maromi vira notícia nos telejornais, após ter sido atacada com um bastão de beisebol por um jovem de patins dourados.
A mídia rapidamente chama o agressor de “Shounen bat” e novos casos são relatados. A partir daí, os episódios da série contam a vida de personagens que sofreram ataques do menino do bastão. Todos possuem um drama particular e vidas interligadas por fatores incrivelmente detalhados. Roteiro bem caprichado, que costurou bem esses laços. Entretanto, contrariando qualquer esperança de se ver uma história comum, o anime muda o foco completamente depois de um certo episódio.

Daí, vemos alguns capítulos diferentes. Os personagens principais sequer aparecem, mas, no final, uma explicação é dada. Exatamente no último capítulo. Agora se essa explicação final é satisfatória, é uma pergunta de difícil resposta. Eu particulamente gostei, me fez pensar bastante. Agora não é o tipo de conclusão redondinha. Depois dos créditos finais, um personagem ainda brinca com o jeito que a história termina, já que muitas questões ainda ficaram em aberto.
Tem gente que diz que Satoshi Kon fez uma obra complexa até demais. Alguns até o comparam com David Lynch. E eu até já li por aí que ele pode ter se perdido no próprio roteiro, fazendo uma história tão complicada que nem ele soube explicar. Antes de assistir “Paranoia Agent“, perguntei como era para pessoas que já tinham visto. E todas as respostas foram parecidas: “É estranho!“. E é mesmo! O anime não tem uma mensagem principal simples. É uma análise da socidade atual, as cobranças da vida, anseios, fraquezas e dificuldade que todos vivemos. O estresse e a paranóia urbana, que não poupa nem crianças.
Cotação do Dai: ****1/2
Não comentarei os aspectos técnicos dessa série porque eles são todos bons e, com um roteiro tão legal, mesmo se fosse uma produção tosca ia valer a pena ver. Mas aproveitando que já comecei a escrever, a trilha sonora de Susumu Hirasawa é muito criativa e surpreendente.

Observação: se você gostou de “Serial Experiments Lain” e “Boogiepop Phantom“, assista Paranoia Agent. É mais ou menos no mesmo estilo de anime adulto. Ah sim, essa série está na programação do “Adultswim” do Cartoon Network norte-americano.

Mousou dairinin (Japão, 2004) Dirigido por: Satoshi Kon Com as vozes de: Mamiko Noto, Toshihiko Seki, Shouzou Iizuka, Kotono Mitsuishi, Toshihiko Nakajima…

Veja aqui a perturbadora e irônica abertura de Paranoia Agent:

Leia também outros textos de animes que já foram comentados aqui no Daiblog: Saikano, Elfen Lied, Koi kaze, Seikai no monshou, Kanon, Le portrait de petit Cossette, True love story, OVAs1 – Pale Cocoon, Kanojo to Kanojo no Neko e Boku wa Imouto ni Koi wo Suru, OVAs2 – Kakurenbo, I”s e Cat soup; “Boogiepop Phantom“; “Hanbun No Tsuki Ga Noboru Sora” ; “O castelo animado” e “Shinigami no ballad“.

#199-A névoa

Cansado dos meteoritos, Clark Kent sai de Smallville e decide se mudar para uma pequena ilha. Lá, vai enfrentar problemas com a namorada Shanon, que foi uma sobrevivente do vôo 815 da Oceanic Airlines. A garota tem um certo trauma em relação a ilhas, mas os dois irão superar as adversidades da vida.

Ok, ok. Não é nada disso! “A névoa” é uma regravação do filme “A bruma assassina”, de John Carpenter. O primeiro parágrafo foi uma brincadeira porque o remake é estrelado por Tom Welling (o Superboy de “Smallville“) e Maggie Grace (de “LOST“). Conta uma fantasmagórica história de vingança envolvendo leprosos e ganância. Durante a noite, uma densa névoa cobre uma ilha, matando algumas pessoas. A explicação romântica para esse acontecimento é dada lentamente com o passar dos minutos ou na capa do dvd (sim, na sinopse já diz!). Pelo que você pode ler em diversos sites, parece que é uma chacina, mas não é bem assim. O filme, por sinal, não tem uma gota de sangue. Tem até uma morte envolvendo cacos de vidros que simplesmente não tem sangue!

No elenco está também Selma Blair (de “Em boa companhia“), que é a única atriz que parece ter se importado com a produção. Os outros atores não trabalharam bem, principalmente Maggie Grace. Dirigido por Rupert Wainwright (de “Stigmata“), o filme começa bem, com um clima ameaçador. Você sabe que algo de ruim vai acontecer. O problema é que não convence, não satisfaz e não surpreende.Alguns efeitos especiais lembram aqueles fantasmas chatos de “A casa amaldiçoada” ou “A casa da colina“. Não recomendo. Apesar da originalidade da história, a diversão vai se dissipando e dissipando cada vez mais, até não sobrar nada. Nem névoa! E se o assunto é névoa eu recomendo “Casa de areia e névoa“, que é um excelente e imperdível drama!
Cotação do Dai: **
The Fog (EUA, 2005) Dirigido por: Rupert Wainwright Com: Tom Welling, Maggie Grace, Selma Blair, DeRay Davis…

Veja aqui o trailer do filme A névoa (legendado em português):

#198-Curtas (05)

O site Porta-curtas está disponibilizando mais de 40 curtas do Festival Internacional de Curtas de São Paulo. Eles estarão online por tempo limitado, portanto vale a pena acessar enquanto ainda existe a possibilidade de assistir. Clique aqui para visitar o site e ver os videos antes que eles sejam retirados da internet!

Dos indicados, três serão os vencedores do Prêmio Porta Curtas e estarão no site permanentemente. Hoje vou comentar sobre 8 curtas que assisti: “Amor“, “Acossada“, “Alguma coisa assim“, “As coisas que moram nas coisas“, “Ao norte“, “O monstro“, “Tabacaria” e “Tapa na pantera“.


Amor

Uma mulher presa na enlouquecedora rotina encontra um homem cego no bonde. A partir daí, sente que algo dentro dela mudou. Curta bem feito e com uma história interessante. De fato, hoje em dia todos não temos tempo para pensar e aproveitar a vida. E as vezes nem para amar.

Cotação do Dai: ⭐⭐⭐
Amor – Ficção De Henrique Andrade 2006 10 min Com Thelmo Fernandes, Marco André Nunes, Marília Martins, Leonardo Valor


Acossada

Esse curta foi feito em preto e branco é uma homenagem à Retomada, que foi um movimento do cinema nacional. O filme explica um pouco sobre o que foi a Retomada e ainda conta uma história envolvendo uma francesa que vai ao cinema e é atacada por mafiosos. Não entendi muito bem, mas gostei!

Cotação do Dai: ⭐⭐⭐
Acossada (Breathless) – Ficção De Karen Akerman, Karen Black 2005 7 min Com Karen Akerman, Karen Black, Ruy Guerra


Alguma coisa assim

A noite das baladas coloridas sobre o ponto de vista de dois adolescentes menores de idade. Caio e Mari entram numa boate e, depois disso, a vida de um deles nunca mais será a mesma. O curta começa simples, mas depois vai se desenvolvendo bem, com um drama psicológico de uma das personagens. Insegurança, fragilidade e segredos, típicos de teens.

Cotação do Dai: ⭐⭐⭐⭐
Alguma Coisa Assim – Ficção De Esmir Filho 2006 15 min Com André Antunes, Caroline Abras


As coisas que moram nas coisas
Três crianças filhas de catadores de lixo ficam imaginando histórias, com fantasias próprias da idade. Só que a vida real é bem diferente dos sonhos. A história chamou minha atenção, já que é filmes que retratam o univeso infantil são sempre bem vindos. Porém as atuações não são convincentes.

Cotação do Dai: ⭐⭐
As Coisas que Moram nas Coisas – Ficção De Bel Bechara, Sandro Serpa 2006 14 min Com Robson Emílio, Jesser de Souza, Raquel Scotti Hirson, Gabriel Fantini, Lucas Arruda, Luciana Arruda


Ao norte

Curta experimental e claustrofóbico. Um caminho quase sem fim entre paredes estreitas e texturas. Depois a liberdade, ou não. Intrigante!

Cotação do Dai: ⭐⭐⭐
Ao Norte – Experimental De Gabriel Mascaro 2006 3 min


O monstro

Um acidente de trem mata mais de 100 pessoas. Acreditam que a tragédia pode ter sido um atentado. Então um policial se dedica a descobrir quem foi o monstro que causou tamanho estrago. Começa bem, mas o roteiro não chamou minha atenção, apesar de ser irônico e original.

Cotação do Dai: ⭐⭐
O Monstro – Ficção De Eduardo Valente 2005 13 min – Com César Augusto, Sérgio Medeiros


Tabacaria

(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.) Fernando Pessoa – Tabacaria

Livremente baseado no poema (clique para ler completo!) “Tabacaria” de Fernando Pessoa, esse curta experimental foi feito por alunos da oficina da Mostra de Vídeos Catarinenses na cidade de Chapecó. Criativo, com uma trilha sonora marcante e audio bem elaborado.

Cotação do Dai: ⭐⭐⭐
Tabacaria – Experimental De Coletiva 2006 7 min

Tapa na pantera

Outro curta de Esmir Filho (o mesmo de “Alguma Coisa Assim”). O video foi amplamente divulgado na internet pelo site Youtube e já pode ser considerado um clássico. Pelo menos no número de acessos. “Tapa na pantera” é uma entrevista fictícia com uma senhora maconheira. Muito engraçado!

Cotação do Dai: ⭐⭐⭐⭐
Tapa na Pantera – Ficção De Esmir Filho, Mariana Bastos, Rafael Gomes 2006 3 min Com Maria Alice Vergueiro

#197-Criatura maligna

Angela Bettis (do remake “Carrie, a estranha“) é uma extravagante (para não repetir estranha) mulher que tem um fascínio por insetos. Sua vida lésbica anda de mal a pior porque ela não consegue encontrar parceiras que compreendam o amor que ela sente pelos bichinhos invertebrados. Mas, para a sorte de Ida, uma jovem e bonita garota parece se interessar por ela.

Enquanto rola um clima homo-romântico entre ambas, Ida recebe misteriosamente um pacote brasileiro vindo por “Correio de ar” (está assim no filme!). Ela abre e descobre que se trata de um inseto muito diferente. A nova criatura (que é maligna, é claro) passa a morar dentro da casa de Ida, que possui diversos aquários com outros bichos.

Mas como se pode imaginar, a criatura é maligna, e é claro que coisas estranhas começarão a acontecer. Enquanto a relação com a garota vai se apimentando, o inseto vindo Brasil faz a festa (no apê). Então Ida terá que lidar com o desaparecimento da criatura, com seu relacionamento e com a presença da homofóbica síndica do prédio (que também pode ser considerada outra criatura maligna!).
O filme é todo levado na base da comédia, sendo impossível levá-lo a sério. Interpretações exageradíssimas. O próprio inseto é muito mal feito! Dirigido por Lucky McKee (de “May, obsessão assassina“), esse é 10° episódio da série “Mestres do terror“. Com certeza existem outros diretores de terror que são bem melhores, mas o filme não afunda por já ser declarado trash logo no início. Então não espere ficar com medo ao ver e assista só se tiver já em mente que não é terror sério. O final é engraçado e sarcástico.

Cotação do Dai: ***

Leia mais sobre outros filmes da série “Mestres do terror” já comentados aqui no Daiblog: “Dança dos mortos” e “Lenda assassina” (que também pode ser considerado um terrir).

Sick girl (EUA, 2006) Dirigido por: Lucky McKee Com: Erin Brown, Angela Bettis, Jesse Hlubik, Marcia Bennett, Mike McKee…

Veja aqui o trailer do filme Criatura maligna:

* * *
LEITURA
Screwjack

Hunter S. Thompson inventou o jornalismo gonzo. Ele era um repórter maluco e criativo que escrevia matérias surpreendentes e inusitadas, contrariando tudo o que você imaginar quando vai ler uma reportagem! Nesse livro, estão reunidos três textos: “Mescalito“, “Morte de um poeta” e “Screwjack” (é óbvio).

Sem sombra de dúvidas o livro não é para qualquer um. O senso de humor negro é altamente corrosivo e as situações descritas são exóticas e bizarras (é essa a palavra certa!). A primeira crônica fala da experiência com uma droga chamada mescalina (sim, ele se drogou e escreveu). Já a segunda (e a minha favorita) fala sobre um amigo muito diferente com hábitos suspeitos e mórbidos. E o terceiro texto, título do livro, é uma romântica e absurda declaração de amor. Mas não espere nada convencional ou dentro dos parâmetros do “normal e saudável”. Demais!

Demais! Cotação do Dai: ****1/2
Editora: Conrad
ISBN: 8576160943
Ano: 2005
Edição: 1
Número de páginas: 78
Acabamento: Brochura