Em sua edição 2021, o 8 ½ Festa do Cinema Italiano além de trazer um foco especial ao trabalho das cineastas italianas, destaca também a obra de um dos mais longevos e prestigiados diretores em atividade na Itália: Gabriele Salvatores. Seu mais recente filme, Volare (Tutto il Mio Folle Amore), fez sua première mundial no Festival de Veneza 2020 e é estrelado pelo jovem Giulio Pranno e pelos experientes Claudio Santamaria e Valeria Golino.
Livremente inspirado no livro “Se eu te abraçar, não tenha medo”, de Fulvio Ervas, o longa conta a história de um pai ausente que um dia decide ir em busca do filho adolescente Vincent (Pranno), com Transtorno do Espectro do Autismo. Emocionante, Volare é um road movie pelas belas paisagens da Eslovênia e da Croácia, uma viagem de autodescoberta e a descoberta do amor entre pai e filho.
Sobre escolher mais um road movie, gênero pelo qual o diretor tem paixão e que já trouxe nos longas Mediterrâneo (1992) e Tournè (1990), o diretor afirmou que “é mais importante a estrada do que a chegada. O importante é o que a gente aprende em uma viagem, uma situação em que não estamos em casa, no nosso país, estamos mais frágeis, vulneráveis, expostos. Vulnerável no sentido de sermos mais porosos, mais abertos às emoções. Eu gosto de colocar meus personagens em locais não costumeiros para eles. Assim podem sentir coisas verdadeiras.”
Volare marca a estreia do jovem ator Giulio Pranno, que vive Vincent com paixão e surpreendeu a todos, vencendo o prêmio Premio Prospettiva 2020 por seu trabalho. Giulio havia sido reprovado no curso de atuação do prestigiado Centro Sperimentale di Roma quando foi contatado pelo diretor para que fizesse um teste. “Giulio nunca tinha feito nada profissionalmente. E o que me chamou atenção nele foi justamente sua exuberância, seu desejo de comunicar, a capacidade de se comunicar sem ser esquemático. Esta qualidade ele tem como pessoa. O fato dele ter sido reprovado no curso com certeza era sinal de que dentro ele havia uma grande insatisfação. E esta força nós usamos no filme.”
Giulio trouxe esta revolta e, ao mesmo tempo, a liberdade de trazer sua energia para o papel, além da experiência que adquiriu ao conviver com o personagem real do livro de Fulvio Ervas, o garoto Andrea Antonello, que inspirou o personagem Vincent.
Sobre retratar a questão do autismo de forma sutil, dando ao público uma grande liberdade de interpretação, o diretor afirmou: “Eu aprendi a entender o autismo, nós estudamos muito, conversamos com famílias e com pessoas que sofrem da síndrome do autismo. Diferentemente do livro, em que tudo é muito mais claro, no filme é mais sutil, mais sugerido. Giulio Pranno passou muito tempo com Andrea, eles se tornaram amigos. Sua interpretação é tão realista que muitas pessoas acharam realmente que ele sofria da síndrome do autismo. Ele é genial”.
Para Salvatores, o filme é, antes de tudo, uma ode à diversidade. “Não queríamos de forma alguma dar receitas ou soluções para uma questão tão complexa. Mas algo que me despertava curiosidade sobre o autismo é que o autista vive em um mundo próprio. A ideia de diversidade é a possibilidade de poder sair deste castelo particular e entrar em contato com alguém diferente. Isso era crucial para nós.” A conversa em que Salvatores fala deste trabalho vai ao ar às 19 horas no canal do Youtube do 8 ½ Festa do Cinema Italiano (www.youtube.com/festadocinemaitaliano) e Institutos Italianos de Cultura do Rio de Janeiro e de São Paulo.











