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#066-O espinafre de Yukiko

Esse curioso título me despertou a atenção. Saber que é um mangá erótico feito por um francês também me deixou curioso. Quando vi algumas imagens, fiquei impressionado. Não deu outra: comprei e adorei!

Frédéric Boilet, apesar de ser francês, faz bastante sucesso no Japão. Neste livro, lançado pela editora Conrad (que também lançou Ero-guro, de Suehiro Maruo), vemos o romance do próprio autor com uma japonesa, Yukiko. Obs: Boilet mora no Japão.

A história é contada de um jeito incrível: vemos o que parece ser um verdadeiro filme e páginas de agenda escritas com anotações e informações do que estava se passando. É como um relato real do que se passou. Se é ficção, eu não sei, mas o roteiro, apesar de simples é delicioso.
A arte é um dos principais atrativos. O que vemos parecem ser fotos editadas, tamanha é a perfeição da obra. E não duvido que foram usados muitos efeitos de computador para alcançar tamanho realismo. É desaconselhado para menores de 18 anos por conter trechos de nudez e sexo, tudo muito bem desenhado. Mas apesar da trama se tratar uma atração carnal, não é pornográfico. Algumas imagens são explícitas, mas tudo é tão natural e belo que, de modo algum, se pode dizer que é de mal gosto.

O título é bem interessante e seria maldade explicar aqui, pois de trata de uma brincadeira divertida. Recomendo a leitura. E se você quiser conhecer melhor os trabalhos de Boilet, acesse o site oficial clicando aqui. Agora resta a editora Conrad lançar outros títulos de Boilet! Cotação do Dai: ****

#065-Coisas belas e sujas

Audrey Tautou é linda, carismática e talentosa. Se você encontrar algum filme com ela, pode assistir! Dessa vez ela interpreta Senay, uma turca que vive em Londres. Seu maior sonho é se mudar para Nova Iorque e ela está disposta a tudo para alcançar o sonho. Sim, é verdade que isso lembra uma novela global, mas o resultado é bem diferente, ainda bem.

Apesar dela estar na capa, quem aparece mesmo é Okwe, um nigeriano que está ilegalmente no país e trabalha sem parar, para conseguir juntar dinheiro. Excelente atuação do ator Chiwetel Ejiofor.

Como se não bastasse uma turca e o nigeriano, a história ainda tem um chinês e um latino, numa mistura interracial que mostra Londres como o refúgio ideal para aqueles que fogem de seus países de origem em busca de uma situação melhor. Mas a imigração ilegal não é o único tema do filme. Okwe trabalha num hotel e acaba descobrindo um sórdido esquema de tráfico de orgãos.

Coisas belas e sujas” é um filme bem feito e bem elaborado. O elenco inteiro está bom, mas o resultado é mais um drama do que um suspense, como propõe o dvd. É impossível não se comover com os personagens, com seus próprios dramas do passado. A história é bem realista e choca por tratar os polêmicos temas de um jeito bastante frio e cru. Tem a coragem de mostrar as coisas sujas, que todo mundo sabe que existe, mas que ninguém costuma falar. O roteiro foi indicado ao Oscar em 2004.

Esse foi o primeiro filme que Audrey Tautou (O fabuloso destino de Amélie Poulain) atuou em inglês. Como ela é uma atriz francesa que interpreta uma turca, o sotaque que a personagem exigia fez com que sua pronúncia fosse muito carregada. Mas no dvd podemos ver nos extras, uma entrevista sobre o filme, onde o inglês não está com tanto sotaque. Um filme corajoso e interessante! 🙂


Dirty Pretty Things (Reino Unido, 2002) – Dirigido por: Stephen Frears. Com: Chiwetel Ejiofor, Audrey Tautou, Sergi López…

Veja aqui o trailer do filme “Coisas belas e sujas“:
Atualmente Tautou está participando da esperada versão cinematográfica do livro de Dan Brown, “O código Da Vinci”. Apesar de não ter tingido os cabelos de ruivo (ufa!), ela interpreta a personagem Sophie Neveu. No elenco, também está Tom Hanks (na foto acima, com ela) e Jean Reno, de Rios Vermelhos (clique para ler a crítica)

#064-A marcha dos pingüins

Um documentário francês sobre pingüins está fazendo sucesso no mundo todo. Essa afirmação pode soar estranha, mas acredite, “A Marcha dos Pingüins” não é apenas um documentário. As imagens são todas reais, mas o ciclo da vida dos pingüins imperadores é tão interessante que é até espantoso acreditar que tudo é natural.

A diferença deste para outros diversos documentários é o jeito que ele é apresentado. Não ouvimos um narrador contando detalhes técnicos sobre os pingüins e sim dois narradores principais, que falam como se fossem os pingüins. E não é infantil. É tudo muito bonito e, acredite se quiser, dramático!

A história é muito emocionante e a narração deixa tudo ainda mais comovente. A figura dos pingüins andando lembra muito a de pessoas e a comparação é muito bem sucedida. É claro que as vezes esse recurso pode parecer exagerado e até piegas, mas o resultado é positivo. É inovador e cativante, como uma fábula, só que real.

O documentário ainda possui imagens lindas. As paisagens são espetaculares e em alguns momentos até parecem ser de computação gráfica, tamanha é a perfeição (estou me referindo principalmente à cena dos pingüins nadando) e é muito agradável assistir. Se você ainda não gosta de pingüins, espere para virar fã desses bichanos! 🙂

E ainda um ponto que merece, com certeza, ser destacado: a trilha sonora. Ela ficou por conta de uma cantora francesa chamada Émile Simon, que dá conta do recado com belíssimas músicas cantadas e instrumentais que permeiam a história, fazendo com que o filme fique sendo um documentário musical com tons de fábula! As canções se encaixam perfeitamente nas cenas e são belíssimas.

Apesar de cantadas em inglês, as músicas não estão na versão americana do filme. Lá, a trilha sonora ficou por conta de outro compositor e é Morgam Freeman (!) que narra a história. Isso quer dizer que destruiram por completo a idéia original do filme, deixando com cara de apenas mais um documentário. O que não é verdade. “A marcha dos pingüins” é muito mais do que isso e merece ser visto, com certeza. Aqui no Brasil, a versão nacional foi dublada por Patrícia Pillar e Antônio Fagundes. Mas é possível encontrar a versão original em francês, com cópias legendadas eletronicamente! 🙂
La Marche de L’Empereur (França, 2005) – Dirigido por: Luc Jacquet Com as vozes de: Charles Berling, Romane Bohringer e Jules Sitruk.
***

Meus agradecimentos ao leitor e amigo Adrian Potter que me forneceu a trilha sonora do filme! As músicas são fantásticas. E a seguir, a letra de “All is white”:All Is White
Emilie Simon

All is white
I think it snowed
In the night
Everything is cold
So cold outside

I listen to the wind
All alone
I know it means
A storm will come

I want to live
In paradise
I want to live in the south
I want to live
In paradise
At the south of the earth tonight

All is white
I know it snowed
In the night
Everything is cold
So cold outside

I try to calm
It’s a lonely trip
Listen to my eyes
Listen to my lips

At the south of the earth tonight
I want to live in paradise
I want to live in paradise

Veja aqui o o trailer do filme “A marcha dos pingüins”:

#063-Amor obsessivo

O filme se chama Enduring Love, baseado no livro de Ian McEwan que possui o mesmo título. Porém aqui no Brasi, apesar do livro ter chegado como Amor para sempre, o filme foi lançado com dois títulos diferentes: Amor para sempre e Amor Obsessivo. Os dois pôsteres estão aí para quem tiver dúvida. Se você espera ver um filme romântico, tenha cuidado. O título condiz com a trama, mas não é bem o que você está pensando.

A história é original. O casal Joey e Claire estão fazendo um piquenique, quando todo o clima de romantismo é quebrado por um imenso balão vermelho que voa, desgovernado. Um homem tenta pará-lo, já que uma criança está dentro da cesta, sem poder sair. Mas o vento parece não contribuir para isso. Então muitas pessoas acabam envolvidas no acontecido, que termina de maneira trágica.
O começo da história é realmente incrível. É uma cena bastante exótica e de forte impacto visual. Passa até a impressão que algo sobrenatural contribuiu para que tudo terminasse do jeito que terminou. Depois disso, a história vai tomando rumos estranhos quando Jed, um rapaz que estava no dia do acidente com o balão, passa a perseguir Joey. Falar mais só iria estragar o filme, mas essa mórbida relação entre ambos vai ficando cada vez mais complicada, colocando em risco o relacionamento de Joey com Claire. E se o título do filme ainda não faz sentido para você é só repensar um pouco! 🙂

A trilha sonora, assim como o filme, chama a atenção pela originalidade. As câmeras balançam bastante e também podemos ver alguns bons enquadramentos, fruto de uma fotografia moderna. Um filme indicado para quem não quer ver uma coisa comum. “Amor para sempre” foi dirigido pelo diretor de Um Lugar Chamado Notting Hill, Roger Michell. Favor não confundir este com Eterno amor, de Jean-Pierre Jeunet.

Enduring Love (Reino Unido, 2004) – Dirigido por: Roger Michell Com: Daniel Craig, Samantha Morton, Rhys Ifans…

A imagem do Daiblog.net (o logotipo) mudou, como você deve ter percebido. O detalhe é que o leitor Trasmutter fez um video promocional para o Daiblog, usando as imagens do mangá Candy Candy e a arte do Daiblog. O resultado ficou muito bonito e vale a pena você ver! A música usada foi “Is this love?” da Ayumi Hamasaki. Valeu, Transmutter! 🙂

#062-Kanon

Essa série de 13 capítulos foi feita baseada num jogo de mesmo nome. O que eu posso dizer sobre isso? Fiquei seduzido pelo traço bonitinho e pelo que muitas pessoas dizem a respeito desse anime: é lindo, é romântico, é uma das melhores histórias do mundo e tal. Não é tudo isso!

Kanon não é um anime perfeito. Ele realmente fica muito interessante nos capítulos finais, mas, até lá, você tem que agüentar pelo menos 8 capítulos de histórias tão sem graça que nem dá vontade de assistir a continuação. É tudo muito simples, bem água com açúcar… Mas se você conseguir suportar os primeiros capítulos vai gostar do final!

A história: Yuuichi é um jovem que volta para a cidade onde passou a infância, há sete anos. Lá ele irá morar com a prima Nayuki e sua tia, a sempre prestativa Akiko. Na escola, Yuuichi conhecerá novas pessoas e começará a se relembrar do passado. Então diversas personagens (a maioria garotas bonitas) irão surgir na sua vida e ele descobrirá que já teve alguma ligação com elas.

No jogo original, você joga como se fosse Yuuichi e pode namorar com qualquer uma dessas meninas. No anime nós temos a mesma impressão. Apesar de não ficar muito explícito, todas as garotas são simpáticas os bastante para se apaixonar. Cada uma com seu drama pessoal e sua história “interessante” com mistérios que são revelados em doses homeopáticas!

Um ponto surpreendente, e que eu não gostei, é do fator sobrenatural da história. Apesar de muita coisa ser explicada, a história inesperadamente toma rumos fantasiosos com alguns elementos mágicos. Sem falar nas belas lições do tipo: acredite no amor, não perca as esperanças, quem faz o milagre é você, etc. E isso, apesar de combinar com as demais personagens (que são super padronizadas), entra em contraste com o personagem principal, que é o mais humano de todos. Mas é uma história bonitinha e de amor, não poderia ser diferente, não é?
O traço, como eu já disse, é muito fofo. Os olhos são imensos, vemos belas imagens e situações românticas ao extremo. Existe um clima todo poético durante a série, o que eu achei bem legal. A história se passa no inverno, então o que mais vemos são divagações sobre a neve, sobre a infância, o passado e as lembranças de promessas infantis…

Não recomendo Kanon por causa do problema do desenvolvimento. Demora muito para a série “funcionar”! São só 13 capítulos, mas só fica bom mesmo lá para o episódio 9. Se você tiver paciência, aceite o desafio! :p Algumas cenas finais são realmente emocionantes!

Kanon (Japão, 2002) – Dirigido por: Takamichi Ito Com as vozes de: Kisaichi Atsushi, Horie Yui, Iizuka Mayumi…
Confira agora o video da abertura da série:

#061-O pesadelo

Criança que teve o pai morto pelo Bicho-papão cresce com medo do escuro, de armários e portas. Anos depois, com a morte da mãe, o jovem decide passar uma noite na sua antiga casa onde todos seus traumas aconteceram para tentar se recuperar (?) e se livrar desse medo. Resumindo para quem não quiser ler mais: não assista nunca!

Filme fraquíssimo que não assusta ninguém. Com cara de videoclipe (câmeras ágeis, flashes, movimentos acelerados) “O pesadelo” é realmente um pesadelo porque você assiste esperando que vá acontecer alguma coisa boa e não acontece nada. A história em si não é das melhores e não desenvolve, com cenas paradas e chatíssimas. O pior filme de terror do ano, simplesmente por não ser filme de terror! Repito: não veja!

A história de medo do escuro me lembrou outros filmes como #01 “No cair da noite” (onde a Fada dos dentes é uma bruxa malvada que ataca todo mundo que fica no escuro), #02 “A sétima vítima” (filme com um toque espanhol onde o terror está justamente no escuro) e #03 “Habitantes da escuridão”, (protagonizado pela ótima loirinha de “O olho que tudo vê”) que fala também de criaturas que atacam no escuro.

De todos os citados, Habitantes da escuridão (They, no original) é o melhorzinho, com os monstros marcando as pessoas para buscá-las de noite! Mas como esse texto é para falar de “O pesadelo”, vai novamente a recomendação: não assista. O filme parece ter sido feito para crianças ficarem com medo porque chega a ser infantil. Muito sem graça. O único ponto positivo são os pouquíssimos efeitos especiais, que não ajudam em nada no filme mas são legais, especialmente o da cena da banheira.

Boogeyman (EUA, 2005) – Dirigido por: Stephen T. Kray Com: Barry Watson, Emily Deschanel, Skye McCole Bartusiak…
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Algumas mudanças foram feitas no Daiblog e muitas ainda serão feitas futuramente. Como usuários do Firefox não enxergavam os corações das cotações, por causa da configuração desse navegador, agora as novas cotações serão com astericos, seguindo o mesmo esquema de antes. *(fraco), **(regular), ***(bom), ****(muito bom) e *****(excelente)

No final de cada texto também colocarei algumas informações sobre o filme ou livro (diretor, elenco e título original) Alguns dados para que fique mais detalhado! Essa mudança começou desde o texto anterior, do filme Brigada 49.

Mais novidades estão por vir! Gostaria que quem visitasse o blog, também comentasse! 🙂

#060-Brigada 49

Eu sempre achei que ser bombeiro é ser um herói. Não é todo mundo que se arrisca para salvar a vida de um desconhecido. E quando isso se torna uma profissão, é mais do que um jeito de ganhar um salário. É um estilo de vida, é uma prova da coragem que poucos possuem. Brigada 49 fala justamente sobre bombeiros. Especialmente da história da vida do bombeiro Jack Morrison, interpretado pelo ótimo Joaquin Phoenix (Os contos proibidos do marquês de Sade). 🙂

Apesar de aparentar ser um filme de ação, Brigada 49 é um drama. Existem muitas cenas de incêndio, explosões e correria, mas é tudo encarado de uma forma mais real. E o roteiro reserva maior parte do filme para a vida pessoal dos bombeiros. Com o foco no personagem Jack, desde que era um novato até quando passou a salvar vidas, em perigosos resgates (como você pode ver na foto abaixo)

John Travolta também aparece no elenco, no papel do capitão do esquadrão. Mas quem brilha mesmo é Joaquin Phoenix. A trilha sonora desse filme não é nada original, mas consegue transmitir emoção. Não espere ver Homem-aranha, X-men nem nada disso. É um filme acima da média sobre os heróis do cotidiano.

Ladder 49 (EUA, 2004) – Dirigido por: Jay Russell. Com: Joaquin Phoenix, John Travolta, Jacinda Barrett…

Veja aqui o trailer do filme “Brigada 49”:

#059-King Kong

Superprodução que conta a história que todo mundo já conhece: equipe vai filmar numa ilha desconhecida onde existe um macaco gigante e, como se não bastasse, todo o tipo de criaturas malignas e infernais dispostas a destruir qualquer ser humano. E se você não sabe o resto dessa comovente história eu não irei contar porque talvez você possa se surpreender e emocionar com o desfecho.

Felizmente, os efeitos especiais modernos permitiram que o King Kong ficasse muito mais realista. Os dinossauros também, com a pele com texturas incríveis. Um banquete para os olhos. E por falar em banquete, chega a ser cômico o número de perigos e situações forçadas de desespero que os personagens sofrem. Naomi Watts é cobiçada por diversos animais da floresta, que lutam para saborear a mocinha. Durante boa parte do filme, o que vemos é uma mistura estranha e divertida de “O parque dos dinossauros” com “Indiana Jones“! É como se fosse um jogo de video game.

O filme é muito clichê. Os diálogos são todos previsíveis, assim como os personagens. Mas quem vai ver King Kong não espera encontrar algo tão original assim. Apesar de toda essa fraqueza, a parte estética do filme está muito caprichada. As cenas são muito bonitas, apesar de absurdas. É um filme para ser assistido com a mente bem aberta, sem se perguntar muito. Até porque se você vai ver um macaco gigante que escala prédios não pode reclamar muito das mentiras e exageros que são exibidos, não é mesmo?

Resumindo: achei King Kong um filme mediano, mas para o que ele propõe, é muito bom! O importante é que ele diverte, por isso vale a pena ver pelo nível da produção e das cenas. A cena do gelo, por exemplo, é inesquecível. Além de Naomi Watts (Cidade dos sonhos), também está no elenco Adrien Brody (O pianista) e Jamie Bell (o eterno Billy Elliot) e nenhum se destaca, infelizmente…

King Kong (EUA, Nova Zelândia, 2005) Dirigido por: Peter Jackson Com: Naomi Watts, Jack Black, Adrien Brody, Thomas Kretschmann, Colin Hanks, Jamie Bell, Andy Serkis…

Clique aqui para ver o trailer do filme “King Kong“:

Obs: os nativos da Ilha da Caveira são mais assustadores do que o King Kong.

#058-Kairo

Kiyoshi Kurosawa dirigiu Kairo, filme conhecido também como Pulse. Se você nunca ouviu falar nisso, leia com atenção. Os americanos já compraram os direitos e em breve estará pronto mais um remake, que deve aparecer por aqui. A regravação se chamará Pulse (que é o mesmo título que Kairo teve quando foi lançado internacionalmente)

Kairo é um filme de terror que é bastante dramático. Apesar de ter momentos aterrorizantes, o que você sente ao assistir é um mal-estar e uma profunda reflexão sobre estar vivo e estar morto (não, eu nunca estive). E também uma mensagem sobre a solidão e a distância das pessoas. Quem morre fica sozinho? Os fantasmas não têm amigos? (pelo amor de Deus, não pensem em Gasparzinho!) Kairo é um filme de fantasmas, mas é muito mais do que isso. Ele cria um clima realmente estranho e pesado. Tudo o que vemos é um grande e longo pesadelo de 2 horas.

A fotografia contribui para eses clima. As imagens de ambientes internos são todas amarelas, com uma iluminação fraca, que transmite a insegurança de saber o que existe no escuro. Muitos tons amarelados dão a impressão de imagem antiga, um sonho. E essa tonalidade tende a se espalhar por todo o filme, inclusive nos ambientes externos. E isso é bem perceptível nas belas e impressionantes tomadas finais. E repare também na cor vermelha!

No filme, um grupo de amigos fica surpreso quando o colega suicida. Então, percebem que ele tenta se comunicar, sempre pedindo socorro. Seja por telefone ou pelo computador, esse contato
sobrenatural acaba fazendo com que mais pessoas simplesmente desapareçam! É como se o fantasma não tivesse mais lugar para ir, sendo condenado a viver sempre num mesmo local… (numa tela de computador com imagens estranhas, por exemplo)

A partir daí, a história se desenvolve de maneira inesperada, surpreendendo aquele que assiste e espera ver uma coisa convencional: eu. Duas tramas paralelas são mostradas e em ambas existe o mesmo tipo de acontecimento do além, culminando num desfecho…abrangente!

Gostei muito da trilha sonora, que é bastante versátil. As músicas das cenas de suspense são ótimas, cheias de uivos e sussuros fantasmagóricos, para que ninguém tenha dúvida que são fantasmas (você poderá conferir vendo o trailer, logo abaixo!) E músicas mais dramáticas também estão presentes, todas bem compostas e adequadas.

Agora se Kairo tem falhas é por não se definir entre o drama e o terror. Fica nem uma coisa nem outra, algo como um suspense dramático-sobrenatural, se é que esse gênero existe. As cenas dos fantasmas são realmente dignas de terror (com efeitos especiais bem utilizados), agora as reflexões dos personagens, bem como o modo que o roteiro se desenvolve, é digno de um grande drama. E o clima de perigo é quebrado com longas cenas “paradas”.
Kairo (Japão, 2001) Dirigido por: Kiyoshi Kurosawa Com: Haruhiko Katô, Kumiko Aso, Koyuki, Kurume Arisaka, Masatoshi Matsuo, Shinji Takeda, Jun Fubuki…

Veja aqui o trailer do filme “Kairo”:

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Kourei (conhecido também como Seance ou Sessão espírita) também foi dirigido por Kiyoshi Kurosawa. Para mim, apesar de ser uma produção bem modesta, feita para a televisão (e com efeitos especiais limitadíssimos) foi melhor. Também fala de fantasmas e de drama humano, mas tem um humor negro que é muito incômodo e malvado. São poucos os filmes que conseguem me deixar revoltado e eu valorizo muito os que conseguem essa façanha, essa interação! “Dançando no escuro” ou “Dogville” (ambos de Lars Von Trier), por exemplo, são filmes ótimos que servem de exemplos disso. O que dá vontade é entrar no meio das cenas e falar: “-Björk, Nicole, por favor, não sejam assim!” Hehehehe! 🙂 Aí do lado você confre a capa de Kourei.

Para finalizar o texto de hoje, gostaria de deixar um link para você assistir o trailer do remake. Clique aqui para visualizar. Pelo que eu pude ver, eles parecem ter seguido o original. Apesar de ter algumas cenas novas, vemos várias que são iguais a Kairo. Provavelmente eles devem ter alterado a mensagem original do filme, deixando mais ação e sustos e menos conteúdo-reflexão sobre o que aconteceu. Uma coisa que me deixou intrigado foi uma cena do filme original no trailer da regravação! Como pode?

#057-Ero-guro – erótico grotesco

Para quem não conhece, Suehiro Maruo é um desenhista de mangá underground mais conhecido do Japão. Este é o segundo mangá que a editora Conrad lança. O primeiro foi “O vampiro que ri”, que é muito bom. Diferente do lançamento anterior, Ero-guro tem nove histórias. E elas não são necessariamente de horror e sim de sexo… bizarro!

Essas são as histórias, na ordem: Noite podre; O garoto da latrina; Uma temporada no inferno; Receita para uma sopa de merda; O grande masturbador; Noite podre / O corvo de Édipo; O paraíso do garoto da latrina; O voyeur do sótão; A cidade que sucumbe.

As histórias falam de apenas de perversões sexuais. Adolescentes que comem excrementos, o jovem com tesão pela avó que está morrendo e outros temas estranhos. O último conto (A cidade que sucumbe) é o maior de todos e é sobre um anão que persegue uma mulher casada. Se o objetivo é chocar, esse foi o que mais conseguiu porque têm cenas violentas e um clima muito sombrio e pesado! Terrível! Me lembrou bastante um conto dos irmãos Grimm chamado “O junípero” Por ser o maior, foi o mais bem trabalhado e os personagens foram desenvolvidos melhor!

O traço de Suehiro Maruo é diferente do padrão mangá. Os olhos não são imensos e reluzentes. Os personagens são desenhados como se fossem humanos mesmo e é bem realista. Considero bem trabalhado porque é cheio de detalhes e muitos símbolos. Ero-guro é uma obra forte e polêmica. A edição da editora Conrad está de parabéns, muito bem feita. Cotação do Dai: ***1/2