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Viva um filme de terror no Taguatinga Shopping

Outubro é o mês das bruxas e o cinema se aproveita da data para lançar filmes assustadores. Agora quem quiser levar alguns sustos e se sentir dentro de uma verdadeira produção de horror pode aproveitar a atração que o Taguatinga Shopping criou: a Cidade do Terror. Em cartaz até o dia 3 de novembro, fica disponível para visitação das 16h às 23h, no Estacionamento A1 – Piso Térreo, próximo à entrada da Drogasil.

São quatro cenários arrepiantes: Labirinto Macabro, Castelo do Terror, Manicômio e Monga. A ambientação ganha toque especial com efeitos sonoros, fumaça e iluminação diferenciada. Comece a aventura desvendando enigmas no Labirinto Macabro, cheio de criaturas horripilantes. No Castelo do Terror, fique atento aos truques da mente com muitos efeitos especiais. Logo ao lado, médicos e enfermeiros malucos esperam pelos seus primeiros visitantes. Vai encarar? Para terminar, o cenário da Monga, uma linda garota que se transforma num terrível gorila, promete sustos inesperados nos corajosos de plantão.

A Cidade do Terror fica ainda mais misteriosa com carros velhos pelo caminho, árvores secas e um cemitério abandonado. Para deixar a experiência ainda mais realista, os visitantes serão recepcionados por personagens de terror como zumbis, monstros e até mesmo o temido Jason. Eles também estarão por todo o complexo da atração e prometem horrorizar os visitantes. Durante todo o passeio, monitores estarão disponíveis para auxiliar os visitantes.

SERVIÇO
Cidade do Terror no Taguatinga Shopping
Quando: Até 3 de novembro de 2019
Horário: Das 16h às 23h
Local: Estacionamento A1 – Piso Térreo, próximo à entrada da Drogasil
Ingressos: De segunda a quarta-feira – R$30 (inteira) e R$15 (meia entrada); De quinta a domingo – R$40 (inteira) e R$20 (meia entrada).
Classificação indicativa: Crianças a partir dos 8 anos, somente acompanhadas dos pais.
*A atração não é recomendada para cardíacos e pessoas com labirintite.
Informações no site ou pelo telefone 3451-6000.

Hebe reforça o pioneirismo e coragem da apresentadora

Para o público mais jovem, Hebe Camargo pode parecer apenas uma senhora de idade que tinha um programa na televisão. Mas ela foi muito mais do que isso. O longa-metragem Hebe – A Estrela do Brasil mostra uma parte da trajetória da popular artista, que se destacou por seu jeito irreverente e pensamento moderno. Com direção de Maurício Farias (O Coronel e o Lobisomem), o filme tem roteiro assinado por Carolina Kotscho, que escreveu outra cinebiografia de sucesso: 2 Filhos de Francisco: A História de Zezé di Camargo & Luciano.

Hebe começou a carreira no rádio, mas o filme foca na sua vida apenas durante a década de 1980. É quando, já madura, usava seu programa ao vivo para falar de assuntos considerados polêmicos e de causas importantes. Andrea Beltrão vive a protagonista, uma mulher com voz e forte personalidade. A atriz interpreta bem a entonação e os jeito espalhafatoso da apresentadora. Beltrão usou figurinos originais de Hebe, tudo com muito brilho e exagero. Ela, contudo, não procurou fazer uma imitação. Sua atuação é correta, como uma versão encantadora da artista.

O mais incrível é traçar um paralelo do Brasil do passado com o atual, o que comprova o pioneirismo e coragem da loira. Por exemplo, hoje o governo cria mecanismos para esconder minorias e produções audiovisuais que retratem a diversidade sexual. Naquela época, Hebe convidava para os palcos performers e celebridades trans, como a modelo Roberta Close, que já foi considerada a mulher mais bela do país. Isso num período que o assunto gay era tabu. Contra a censura, Hebe usou e abusou do seu espaço na telinha para criticar o governo, dando voz às indignações dos brasileiros. A corrupção, que existia e ainda existe hoje, é retratada de forma leve, embora seja possível dizer que o tema principal do filme seja a força de Hebe como comunicadora e formadora de opinião.

A produção também abre espaço para a vida pessoal de Hebe, mostrando seu segundo casamento e sua relação com o filho. São momentos não muito divulgados e que também merecem atenção. No elenco do filme também estão Danton Mello, Marco Ricca, Gabriel Braga Nunes e Daniel Boaventura, como Silvio Santos. Andrea Beltrão se destaca do início ao fim, com o carisma e o brilho que o papel exige. O resultado é um trabalho com um ótimo propósito: fazer um registro e homenagem sobre a importância dessa imortal figura televisiva na sétima arte.

Abominável traz uma sensível lição sobre perda e superação

A lenda do Yeti inspirou a animação PéPequeno no ano passado e, em 2019, ganha uma nova releitura novamente nas telonas. Estreia hoje nos cinemas o emotivo e eletrizante Abominável, dirigido por Jill Culton (O Bicho Vai Pegar). Nova produção da Dreamworks, o filme é uma coprodução Estados Unidos-China que apresenta alguns pontos interessantes. A começar pela sua ambientação: toda a história se passa na Ásia. É na cidade de Xangai que um Yeti consegue escapar de um laboratório e se esconder no telhado de um prédio.

O lugar é frequentado pela protagonista Yi, uma jovem menina que perdeu o pai e se dedica a trabalhar bastante para seguir um sonho. Vivendo de luto, ela acaba por se distanciar da mãe e da avó, consolando-se apenas com a música, por meio do violino deixado pelo falecido pai. Ao encontrar a criatura foragida ferida no telhado, Yi perccebe que ela observa atentamente uma publicidade turística do Everest. Então ela decide arriscar tudo para levar o monstro de volta para o famoso monte gelado.

A jornada até a casa da criatura não será fácil, pois o Yeti é perseguido por inúmeros agentes do laboratório que trabalham para um poderoso idoso e uma pesquisadora bem determinada. A fuga conta conta ainda com a ajuda dos amigos Peng e Jin. O primeiro é uma criança divertida. Já Jin é um típico exemplo da geração Z: vaidoso, todo preocupado com selfies, tecnologia e com o status de ser popular. A viagem faz com que todos se aproximem e se conheçam mais, se tornando pessoas melhores.

Se por um lado Abominável chama a atenção por se passar na China e apresentar locações belíssimas, por outro traz um roteiro não muito original. Mas esse não é necessariamente um problema, uma vez que a mensagem do filme é muito bonita e emociona. Com momentos de melodrama, a animação se esforça para conseguir arrancar lágrimas ao lidar de temas humanos com sensibilidade. A questão do luto é desenvolvida ao mesmo tempo que se intensifica a amizade por um ser mágico. O Yeti, apelidado de Everest, tem a capacidade de controlar a natureza, sendo responsável por momentos lúdicos e lições ecológicas. Abominável é o tipo de trabalho para ser visto na tela grande por causa de cenas esteticamente incríveis.

Torre das Donzelas é manual sobre como viver em tempos sombrios

O diretor ceilandese Adirley Queirós criou um novo jeito de filmar documentários: a fábula documental, que mescla personagens e histórias reais com a ficção. No documentário Torre das Donzelas, não de Adirley, mas com direção e roteiro de Susanna Lira, existe um pouco da fábula documental inventada por Adirley.

O documentário aborda um lado da história brasileira que, para alguns, não existiu: a ditadura militar. Com depoimentos de mulheres que foram presas na década de 1970 durante o regime, detidas no Presídio Tiradentes, em São Paulo, o doc sai do lugar-comum em relação aos filmes que tratam do mesmo tema. O filme explora outro lado: o que as presas políticas faziam para suportar o dia a dia dentro do cárcere.

A fábula vem com as mulheres recriando a prisão a partir de desenhos. O cenário imaginado por elas é criado e o cárcere cenográfico é montado dentro de um estúdio onde o filme foi rodado. As cenas contadas pelas mulheres também são revividas por atrizes. Com esses recursos, o documentário não é sisudo como outros do gênero e cria uma experiência imersiva, não só para quem assiste, mas para os próprios depoimentos das mulheres, que conseguem se emocionar e resgatar os momentos vivendo no cárcere. O filme conta com depoimentos como o da ex-presidente do Brasil, Dilma Rousseff.

O documentário também foge do lugar-comum de outros filmes que tratam do assunto ditadura militar. As torturas que as presas sofreram são contadas, mas não são o tema principal do doc. O que as presas faziam no dia a dia, como organizar grupos de leitura, jogar, cozinhar e analisar conjunturas mostram outro lado do cárcere: aquele que resiste aos tempos sombrios.

*Por Vinícius Remer – contato@cine61.com.br

CineFest bate recorde no número de inscrições

As inscrições para a 11ª Edição do CineFest terminaram no último domingo, dia 15 de setembro, com um marco histórico em relação às últimas edições: foram 729 curtas inscritos procedentes de 26 estados brasileiros sendo que São Paulo, foi o que mais inscreveu, totalizando 255 curtas, seguido do Rio de Janeiro com 113 e Paraná com 52. Da região Norte e Nordeste o estado com mais inscritos foi Pernambuco com 38 curtas (o que reforça o estado, como um dos maiores polos de cinema no Brasil), seguido da Bahia com 34. Já na região centro oeste, o Distrito Federal foi o estado com mais inscrições totalizando 27 filmes, seguido de Goiânia, com 21. A região de Sorocaba (que entra nos 255 filmes inscritos do Estado de São Paulo) teve 38 inscrições.

Dos 729 curtas, 56% são de ficção, 27% são documentários, 11,7% falam sobre a temática ambiental, 8,9% se incluem como Videoclipe e 8,1% são animações. “Com mais de 700 filmes inscritos, vindos de todas as regiões do País, pudemos identificar uma grande conscientização e preocupação dos realizadores, iniciantes na grande maioria, com relação aos diversos temas que estão em discussão na atual sociedade brasileira. Sob essa ótica, e pela grande quantidade de filmes inscritos, mais uma vez o CineFest prova a sua força dentro do audiovisual brasileiro” afirma Marcelo Domingues, curador do CineFest.

O festival que ocorrerá entre os dias 18 a 30 de novembro, na cidade de Votorantim, interior de São Paulo será dividido nas seguintes mostras: Mostra Pindorama (nacional), Mostra Cachoeira (regional), Mostra Raízes (ambiental), Mostra Musical (vídeo clipes), todas essas em caráter competitivo, além das outras mostras paralelas que são: Mostra Paralela (curtas-metragens nos bairros), Mostra Inclusiva (exibição audiovisual com áudio e vídeo descrição direcionada ao público com deficiência auditiva e visual) e Mostra Um Minuto (exibição de vinhetas criadas por alunos da rede pública de ensino).

Para mais informações sobre o CineFest é só acessar o site: www.cinefest.com.br

A Música da Minha Vida é leve e positivo

Um país dividido, milhões de desempregados e manifestações da extrema-direita destilando ódio, intolerância e preconceito. Parece o Brasil de hoje, mas na verdade é a Inglaterra de 1987. É neste período que se passa o longa-metragem A Música da Minha Vida, que estreia hoje nos cinemas. Mas apesar da contextualização complicada, a diretora e roteirista Gurinder Chadha tomou um caminho alegre, o que resultou em uum filme otimista e alto astral, inspirado na história verdadeira de um jovem paquistanês chamado Javed (Viveik Kalra). Morando numa pequena cidade, ele sonha em conhecer o resto do país.

Parte desse desejo se dá pela sua família, que é extremamente rígida e presa aos costumes típicos do Paquistão. O maior antagonista de Javed não são os fascistas que ameaçam os imigrantes e sim seu próprio pai. Ele controla a casa com punhos de ferro e quer que o filho estude muito para não se tornar mais um taxista da cidade. Apesar de ser cheio de boas intenções, o pai faz com que o protagonista viva triste por ter que manter em segredo sua verdadeira paixão: a escrita. E é justamente por causa das letras que ele fica fanático pelo cantor Bruce Springsteen.

O artista norte-americano nem estava tão em alta naquele momento nas terras inglesas, mas Javed se identifica totalmente com as canções e enxerga, nas melodias, sua inspiração para seguir seu próprio caminho. A Música da Minha Vida traz uma série cenas que já foram vistas antes, mas o carisma de Javed supera a sensação de déjà vu. O roteiro trabalha seu amadurecimento, seja nas amizades ou até no seu primeiro relacionamento amoroso. Tudo isso em meio a uma trilha sonora repleta de clássicos de Springsteen.

Todo mundo que já foi fã de algum cantor ou banda irá se identificar com a empolgação do adolescente. O maior mérito do filme é conseguir trazer esse frescor da juventude e uma mensagem positiva em meio a um cenário político-social não muito favorável. Mesmo com tantos elogios, vale ressaltar que o filme poderia ser mais enxuto, talvez reduzindo alguns minutos de números musicais. Embora empolguem na maioria das vezes, as sequências acabam por esticar a projeção, que tem praticamente duas horas de duração.

Corra agora mesmo para ver Bacurau no cinema

Cineasta que se destacou desde seus primeiros curtas-metragens, Kleber Mendonça Filho mostra que está cada vez melhor em seu novo trabalho. Codirigido com Juliano Dornelles, Bacurau é um longa corajoso e audacioso, que transita entre diversos gêneros e, exatamente por isso, surpreende a cada cena. Não apenas o teaser, como também o trailer, não deixam claro a sinopse da trama. E é justamente para evitar o spoiler e aumentar as surpresas que aqui também não será comentado o principal tema da produção. O conselho é: assista e seja pego de surpresa!

É possível dizer, contudo, que trata-se de um filme repleto de influências cinematográficas (da trilha sonora excelente a movimentos da sétima arte, como o Cinema Novo e até mesmo a estética de Quentin Tarantino). E essa salada não apenas diverte, como também faz pensar. E muito. Ambientado numa pequena cidade do Nordeste, o título causa a estranheza por se passar num “futuro próximo” talvez perto demais com os dias de hoje. Há um ar de Black Mirror pela tecnologia meio futurista. Apesar de Bacurau ser uma cidade localizada bem no interior e distante de tudo, a população, por exemplo, possui acesso à internet e sabe identificar o que é um drone.

Acompanhamos o enterro de Dona Carmelita, uma senhora importante na cidadezinha. E é a partir daí que algumas mortes assombram a comunidade, até então pacífica. É como uma grande família fortalecida que os moradores, que naturalmente são próximos e engajados, precisarão compreender e revidar contra os perigos de uma ameaça externa. Não faltam elogios ao filme. É engraçado, dá medo (as sequências de suspense são impressionantes), é chocante e provoca diversas reações. É impossível ver e ficar imune. Evoca um nacionalismo urgente, visto que não tem como não reconhecer o Brasil atual na telona.

Com um grande elenco, que inclui Sônia Braga, o filme, sob a liberdade artística da ficção, toca em questões extremamente reais e contemporâneas, como a paixão por armas de fogo, o descaso com a educação, a corrupção de políticos, a ganância das pessoas e a patética noção de superioridade geográfica que existe dentro do próprio país. Várias metáforas podem ser observadas e elas versam sobre a importância dos livros, a liberdade de pensamento e, sobretudo, a valorização das nossas origens e da nossa própria História. Brasileiríssimo e orgulhosamente nordestino, Bacurau é um tiro de escopeta bem no meio da cara da ignorância de muitos. Um resultado lindo do poder da arte e da cultura para servir de inspiração de resistência em momentos sombrios.

Produtores do filme Greta se manifestam após corte

O Cine61 – Cinema Fora do Comum recebeu uma nota escrita pela equipe do aguardado longa-metragem Greta, que foi mais uma produção audiovisual brasileira prejudicada pelo atual governo. Leia a seguir:

“Recebemos surpresos, através da coluna de Lauro Jardim no jornal O Globo, a informação da rescisão de apoio financeiro para dois filmes brasileiros que participariam do Festival Internacional Queer Lisboa. Greta e Negrum3, os filmes atingidos, abordam temas que o governo parece não querer ver nas telas: homossexualidade e negritude.

Assim nós, produtores do filme Greta, temerosos de estarmos sendo censurados, procuramos a ANCINE e soubemos que a Agencia sofreu um contingenciamento de 24% no orçamento, o que significou um corte de 13 milhões nas despesas. Quando o corte atingiu o Programa de Apoio à Participação em Festivais Internacionais, a diretoria optou por cumprir com os apoios publicadas no DOU referentes a filmes que já estavam no exterior e cancelar os apoios já aprovados e publicados referentes aos dois filmes citados.

O ponto difícil de aceitar nessa resolução da Agência, sem entendê-la como censura, é que o nosso apoio foi aprovado há 3 semanas, a decisão retroativa poupou os projetos que participaram dos festivais de Toronto e Veneza, entretanto recaiu sobre dois filmes com temática LGBTQI+ inviabilizando a representação do Brasil num dos maiores festivais do gênero no mundo.

Recebemos com confiança as justificativas dadas pela ANCINE, mas não podemos deixar de manifestar nossa profunda preocupação em face aos notórios casos de censura e perseguição à atividade artística e à liberdade de expressão, uma vez que a intenção de controle sobre o conteúdo produzido pelo setor audiovisual é pauta recorrente nos pronunciamentos do governo em relação a ANCINE.

Quem Você Pensa Que Sou aborda relacionamentos virtuais

Selecionado para última edição do Festival de Berlim e exibido no Brasil no Festival Varilux de Cinema Francês, Quem Você Pensa Que Sou, de Safy Nebbou, traz Juliette Binoche no papel de Claire, uma professora na faixa dos 50 anos, solitária e desacreditada de seu relacionamento. O filme, que estreia em circuito comercial com distribuição da Califórnia Filmes, tem ainda no elenco François Civil e Nicole Garcia.

Quem Você Pensa Que Sou é uma adaptação do romance homônimo de Camille Laurens. O diretor conta que logo que leu a obra ficou impressionado com a história e, apoiado pelo produtor Michel Saint Jean, começou a trabalhar no roteiro em parceria com Julie Peyr. “O desafio era altamente estimulante, pois o romance de Camille Laurens é complexo e inexorável, muito parecido com a estrutura de um relógio; uma narrativa sequencial. Mentir, enganar, verdade, manipulação e amor são os deliciosos ingredientes que esculpem o labirinto dessa narrativa”, explica.

Na trama, Claire está desconfiada de seu parceiro e para vigiá-lo cria um perfil falso numa rede social com o nome de Clara, uma jovem de 24 anos. “Ela procura resolver seu conflito tornando-se outra pessoa”, comenta Nebbou, que pensou em Juliette Binoche para o papel enquanto ainda trabalhava no roteiro. “Quando enviei para ela, em três horas ela leu e respondeu ‘sim’. Juliette tem um ponto de vista ao mesmo tempo abrangente e extremamente nítido, ela propõe ideias incessantemente, é generosa e nunca parece ter medo de se expor. Ela enfrenta sua idade honestamente e esta é a razão pela qual é tão radiante e porque foi um prazer tão extraordinário filmar com ela”.

Binoche conta que participar do filme foi ingressar num universo com o qual ela não estava acostumada: “eu não estava muito familiarizada com o Facebook e suas possibilidades. A estrutura do roteiro me permitiu entrar gradualmente no estado emocional e psicológico do meu personagem ao embarcar nesta aventura”, explica.

Enquanto utiliza seu avatar falso para conhecer pessoas, Claire, sob o codinome de Clara, acaba despertando o interesse de Alex, amigo de seu companheiro. Conforme as trocas de mensagens se acentuam, ela percebe que também está apaixonada por ele. E, apesar do ambiente virtual, os sentimentos são reais e Claire terá que lidar com essa mentira. “Claire se atreve a ser a conquistadora: ela pode sentir sua força, seu poder e seu prazer. Mas, quando é forçada a voltar para o beco sem saída de sua mentira, ela tem que encenar o suicídio dessa ilusão”, reflete Binoche.

Como pano de fundo, Quem Você Pensa Que Sou aborda as mídias sociais, os relacionamentos virtuais e as ligações perigosas que podem dela surgir. “Eu também fui enganado por uma mulher nas redes sociais! E isso aconteceu comigo enquanto eu estava escrevendo o roteiro do filme. Não é incrível isso?”, finaliza Nebbou.