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Sucesso nos livros e nos cinemas, O Vendedor de Sonhos estreia no teatro

Augusto Cury representa um enorme sucesso na literatura brasileira. Como foi anunciado aqui no Cine61 – Cinema Fora do Comum, seu best-seller O vendedor de sonhos foi adaptado para os cinemas. Com direção de Jayme Monjardim (Olga, Maysa, O Tempo e O Vento), o longa-metragem foi estrelado por Dan Stulbach (Tempos de Paz, A Suprema Felicidade) e pelo ator uruguaio César Troncoso (O Banheiro do Papa, Hoje).

O Vendedor de Sonhos no cinema
A novidade é que o romance volta a emocionar o publico em uma versão para o teatro. Os brasilienses poderão assistir à peça de um dos livros mas vendidos na última década no Brasil no Teatro Unip, nos dias 22 e 23 de setembro. Uma obra que traz uma mensagem positiva, sobre valorização do ser humano e a capacidade que temos de nos reinventar. O psiquiatra e escritor paulista foi o responsável pela adaptação da obra para o teatro em parceria com Cristiane Natale e Erikah Barbin, o que garante maior fidedignidade ao texto original. A peça é dirigida por Cristiane Natale e o elenco conta com grandes nomes da dramaturgia, como Mateus Carrieri e Luiz Amorim e produção local pelo Grupo Mais Brasil Entretenimento.
O Vendedor de Sonhos no teatro
A peça estará em cartaz apenas neste fim de semana em Brasília, pois está em turnê pelo país. É uma oportunidade única para reviver ou descobrir facetas desse autor premiado internacionalmente. O livro chegou a mais de 70 países e possui versões em mais de 60 idiomas – um feito alcançado por poucos brasileiros. No romance, acompanhamos a história de Júlio César (interpretado por Mateus Carrieri), que está prestes a desistir de tudo. Antes da tragédia, Júlio é salvo pela intervenção do mendigo conhecido como “Mestre” (Luiz Amorim). Juntos eles partem em uma jornada para despertar as pessoas dos vários problemas que vivemos na atualidade. É um livro tocante que, em sua adaptação para os cinemas, fez muitas pessoas se emocionarem. Pela sensibilidade e força do texto original, a expectativa de que a peça toque e comova o púbico novamente é forte.
Serviço
O Vendedor de Sonhos
Dias: 22 e 23 de setembro de 2018
Horário: sábado às 21h e domingo às 20h
Endereço: 913 Sul – Asa Sul, Brasília – DF
Local: Teatro UNIP – 913 Sul 
Ingressos:
R$140,00 (inteira) | R$70,00 (meia)
Ingresso Social**:
R$80,00 (ingresso social já com desconto)** mais 1kg de alimento não perecível
Vendas pela internet (com taxa de serviço e pagamento por cartão de crédito): www.naoperco.com
*Pagamento somente em dinheiro. No dia do espetáculo, ingressos à venda também na bilheteria do Teatro a partir das 12h.
Acessibilidade: Sim
Não recomendado para menores de 14 anos

Metalinguagem poética marca o baiano Ilha

O longa baiano Ilha, de Glenda Nicácio e Ary Rosa, conquistou a plateia. A dupla já é tarimbada no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Em 2017, eles ganharam melhor filme pelo júri popular com Café com Canela. Merecidamente! Agora, voltam com uma obra metalinguística sobre cinema ainda mais sensível e original. O filme prende o espectador logo de cara. Isto porque já começa banhando-se na metalinguagem. Um suposto “bandido” rapta um diretor de cinema com a intenção de rodar um filme com ele. E tudo acontece com o filme rodando também do lado de lá da telona. Ou seja, um filme dentro do filme. 
O sequestro movimenta a trama. O jovem da periferia da Bahia que passa por sequestrador é Emerson, vivido pelo ator Renan Mota. Já o diretor é Henrique (Aldri Anunciação). Emerson terá a dura missão de convencer o cineasta de rodar com ele. Ou, como diria o personagem: “Vai rolar bala na cabeça se não aceitar!”. A série de ameaças e tentativas de convencimentos chegam a ser exaustivas – a ideia é esta – e até risíveis.
Mas é neste ponto que a produção dá uma reviravolta e é tomada por uma poética e originalidade que surpreendem. No desenrolar, a parceria de Emerson com Henrique vira pura poesia. Henrique, o cineasta, ganha uma câmera para revelar a parte ficcional da vida de Emerson. A outra (câmera) é manipulada por Thacle (Thacle de Souza), este responsável pela parte documental da história narrada dentro da história. 
E a vida de Emerson vai ganhando cores pela direção dos comparsas. A sua relação com a sofrida e submissa mãe (Valdinéia Soriano) e com o pai (Sérgio Laurentino) homofóbico e violento é traçada na câmera de lá e toca a de cá. Na mistura do real e ficcional, Emerson se mostra um artista. Artista que foi oprimido pelo pai em sua infância e adolescência, mas que agora quer sair da “casinha” e da comodidade.  Henrique, o já ultrapassado cineasta, embarca em sua proposta e nas cenas que mesclam desde poesia, até um forte sexo seguido de um momento sublime.  A obra consegue, assim, jogar uma intensa e até irônica carga reflexiva sobre o fazer cinematográfico e, ainda, transita em torno de temáticas sociais, dando voz às minorias. O negro, o gay, o interiorano ganham força na produção de uma forma peculiar. 
*Por Clara Camarano – contato@cine61.com.br

Aulas que Matei mostra drama de colégio da periferia

O Distrito Federal e a Bahia ganharam à telona do Cine Brasília na Mostra Competitiva do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, na sessão realizada na última quarta-feira (19/01). Por lá, a capital federal marcou presença com o curta-metragem Aulas que Matei, de Amanda Devulsky e Pedro B. Garcia.
A produção do DF, Aulas que Matei, retrata a rotina de alunos e professores dentro de uma escola da periferia da capital federal. As cenas são cotidianas e, infelizmente, rotineiras. Infelizmente porque a realidade revelada é revoltante. Salas vazias, professores indignados com maus-tratos dos próprios docentes para com seus estudantes, e uma triste batida policial em uma sala de aula que não aparenta nenhum perigo. O filme é de indignação e retrata a vida dentro destas escolas. Centros de ensinos expostos ao preconceito. 
Para dar um tom mais crítico a produção, uma cena de um policial levitando seguida por cadeiras dispostas no meio da rua de forma ordenada e, na sequência, desordenada, dá uma estocada no preconceito dos policiais para com os estudantes da periferia. O filme é até interessante, mas parece que falta algo. O tempo é pouco aproveitado e a crítica cai no clichê ao valer-se de metáforas previsíveis e batidas. Há recheio na mão. Mas falta colocá-lo no bolo. 
*Por Clara Camarano – contato@cine61.com.br

Luna questiona a banalização das redes sociais

O longa-metragem mineiro Luna, exibido na Mostra Competitiva do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, apresentou uma pegada diferente do curta Mesmo Com Tanta Agonia (SP), embora traga características semelhantes. O filme da noite se apresentou com uma produção madura, crítica e sensível. Alguns, poderiam dizer que o filme chega a ser feminista. Mesmo retratado pelo olhar masculino, – do diretor Cris Azzi -, a película entrou no universo feminino e da luta por maior respeito. Um ótimo gancho político e de protesto que combina com o período que antecede às eleições. 
Fotos: Gustavo Baxter
No centro da trama está Luana (Eduarda Fernandes), uma adolescente que está em fase de descobrimento da vida e da sua sexualidade.  É quando ela encontra no colégio uma adolescente mais madura. Ambas traçam uma relação de amizade e de descobrimento dos prazeres carnais. Tudo retratado com muita sutileza. A relação que parece lésbica, no fundo reflete mais o encontro de duas amigas que estão, juntas, desvendando o mundo e a fase da juventude. Em alguns momentos do filme, parece até que ele vai cair em uma orgia, mas não chega nem perto disto. É bem juvenil, assim como as meninas. O que combina com a proposta.
Apesar de tudo parecer uma curtição, um vídeo de Luana nua vaza na internet. É quando a menina terá que lidar com o machismo. A delicadeza, a bela e difícil relação com a mãe – que acaba se mostrando sua verdadeira –, a luta contra piadas grosseiras e o enfrentamento das cobranças internas são temas que recheiam a produção, que usa e abusa de tomadas surrealistas. A agonia da menina nos remete a um sonho, onde ficamos na dúvida do seu desfecho. Há ainda um protesto de várias mulheres contra o deboche juvenil dos garotos da escola. Esta cena é retratada de uma maneira simbólica. De fato, um filme comovente, que dá uma lupa na fase da adolescência e que grita pelo respeito às mulheres sem cair no clichê! Palmas!
*Por Clara Camarano – contato@cine61.com.br

Segundo longa de Gabriela Amaral Almeida está na competição

A Sombra do Pai, novo longa-metragem da diretora Gabriela Amaral Almeida (O Animal Cordial), terá estreia mundial na mostra competitiva do 51º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Um dos festivais de cinema mais antigos do Brasil, o Festival de Brasília acontecerá este ano entre os dias 14 e 23 de setembro. Protagonizado por Julio Machado (Joaquim) e Nina Medeiros (As Boas Maneiras), A Sombra do Pai conta a história de Dalva, uma menina de 9 anos às voltas com o silêncio do pai, o pedreiro Jorge (Machado), que fica mais e mais triste após perder o melhor amigo em um acidente. A irmã de Jorge, Cristina (Luciana Paes, de O Animal Cordial), administrava a vida de pai e filha desde a morte da mãe da menina, há três anos. Quando Cristina deixa a casa do irmão para se casar, Jorge e Dalva precisam enfrentar a distância que os separa.

O filme aborda as consequências da inversão de papéis entre um pai e uma filha, que enfrentam uma situação de exceção, através de uma narração realista, com toques de horror e fantasia, marcas registradas da diretora. Gabriela volta a apresentar um filme em Brasília, após ter sido premiada em duas ocasiões, como melhor roteirista pelos curtas A Mão que Afaga (2011) e Estátua! (2014). “O Festival de Brasília é precisamente o lugar onde eu quero estar com A Sombra do Pai: às vésperas de uma eleição que vai definir os rumos do país, falando e sendo ouvida do lugar sensível e potente que é o cinema. É uma honra”.

Ambientado em um bairro proletário da cidade de São Paulo, A Sombra do Pai conta a história de um pai e uma filha que não conseguem se comunicar. Fã de filmes de terror, Dalva acredita ter poderes sobrenaturais e ser capaz de trazer a mãe de volta à vida. À medida que Jorge se torna mais e mais ausente – e eventualmente perigoso –, a Dalva resta a esperança de que sim, sua mãe há de voltar. O roteiro de A Sombra do Pai foi premiado em diversas seleções nacionais e internacionais, entre elas a do SUNDANCE INSTITUTE (2014, EUA), onde Gabriela Amaral Almeida foi a única brasileira a participar dos laboratórios de Roteiro, Direção, Música e Desenho de Som. O projeto contou com a assessoria de Quentin Tarantino (Pulp Fiction), Marjane Satrapi (Persépolis), Ed Harris, Robert Redford (Butch Cassidy and the Sundance Kid), dentre outros. O filme também participou do Guadalajara Film Market (2014, México); Fundación Carolina – Curso de Desenvolvimento de projetos (2013, Espanha), entre outros.

A semana (20/9 a 26/9) no Espaço Itaú de Cinema

Veja a seguir os filmes que passarão esta semana no Espaço Itaú de Cinema, que fica no shopping Casa Park (Guará). A programação completa, com todos os horários, você encontra no site oficial da rede. Antes, confira os valores atualizados dos ingressos do Espaço Itaú de Cinema Brasília.


A Freira – Presa em um convento na Romênia, uma freira comete suicídio. Para investigar o caso, o Vaticano envia um padre atormentado e uma noviça prestes a se tornar freira. Arriscando suas vidas, a fé e até suas almas, os dois descobrem um segredo profano e se confrontam com uma força do mal que toma a forma de uma freira demoníaca e transforma o convento num campo de batalha.

Marvin – Marvin Bijou está em fuga: Primeiro de seu vilarejo em Vosges, depois da família, da tirania do pai, da renúncia da mãe e por último da intolerância, rejeição, humilhações as quais era exposto por tudo que faziam dele um rapaz ”diferente”. Fora de lá, ele descobre o teatro e aliados que, finalmente, vão permitir que sua história seja contada por ele mesmo.

Hotel Artemis – Num futuro próximo, no subsolo de um hospital em Los Angeles, os criminosos mais sinistros da cidade recebem cuidados especiais. A enfermeira (Jodie Foster), que controla o lugar, acaba descobrindo que um de seus pacientes está lá para cometer um assassinato.

O Mistério do Relógio na Parede
O Mistério do Relógio na Parede – Lewis (Owen Vaccaro), de apenas 10 anos, acaba de perder os pais e vai morar em Michigan com o tio Jonathan Barnavelt (Jack Black). O que o jovem não tem ideia é que seu tio e a vizinha da casa ao lado, Sra. Zimmerman (Cate Blanchett), são, na verdade, feiticeiros.

Buscando… – Após uma jovem de 16 anos desaparecer, seu pai David Kim (John Cho) pede ajuda às autoridades locais. Sem sucesso, após 37 horas, David decide invadir o computador de sua filha para procurar pistas que possam levar ao seu paradeiro.

Ferrugem – Assim como a maioria das meninas adolescentes Tati (Tiffanny Dopke) ama compartilhar sua vida nas redes sociais. Porém, quando menos espera, ela vai ter que amadurecer e lidar com as consequências de seus atos, depois que algo que ela não queria que se tornasse público é divulgado no grupo do WhatsApp de sua turma de colégio.


Benzinho – O primogênito de uma família de classe média é convidado para jogar handebol na Alemanha e lança sua mãe (Karine Teles) em uma espiral de sentimentos pois, além de ajudar a problemática irmã (Adriana Esteves), lidar com as instabilidades do marido (Otávio Müller) e se desdobrar para dar atenção ao seus outros filhos, ela terá de enfrentar sua partida antes de estar preparada para tal.



O Predador
O Predador – Um menino ativa o retorno dos predadores, agora mais fortes e inteligentes do que nunca, para a Terra. Ex-soldados e um professor de ciências se juntam para lutar contra essa ameaça e proteger o futuro da raça humana.
O Paciente – O Caso Tancredo Neves – Os últimos dias da vida de Tancredo Neves, o primeiro presidente civil, eleito pelo colégio eleitoral no Congresso Nacional, depois da ditadura militar. Toda a expectativa da população brasileira e a doença de Tancredo, que depois de 39 dias de internação, morreu no dia 21 de abril de 1985, nunca sendo empossado.

Bravestorm – O ano é 2050 e a humanidade foi extinta na Terra. Os últimos sobreviventes, cinco irmãos, planejam usar uma máquina do tempo e exterminar os alienígenas Killgis antes que eles invadam a Terra. Eles viajam para 2015 com um arquivo do robô dos Killgis, Black Baron, e seus acessórios: um aparelho para encontrar os aliens, trajes especiais de combate e poderes psíquicos. No presente, encontram um cientista que os ajuda a construir o robô Red Baron para salvar a humanidade.
Traffik – Liberdade Roubada – Brea (Paula Patton) e John (Omar Epps) estão nas montanhas com uns amigos para um fim de semana romântico, quando acabam se deparando com uma gangue de motoqueiros. Sozinhos, eles precisam se defender do grupo, que não mede esforços para esconder seus segredos.
O Retorno do Herói – Elisabeth é alinhada, séria e honesta. O capitão Neuville é covarde, desleal e sem escrúpulos. Ela o detesta. Ele a despreza. Mas fazendo dele um herói de opereta, ela se torna, sem querer, responsável por uma farsa que logo a arrebatará…
A Vida em Família
A Vida em Família – Em Disperata, uma pequena cidade no sul da Itália, o melancólico Filippo Pisanelli se sente terrivelmente incompetente em seu papel de prefeito. Somente seu amor pela poesia e sua paixão pelas leituras que faz aos detentos da região dão algum alívio a seu estado de depressão. Na prisão, ele conhece Pati, um ladrão de galinhas também nascido em Disperata. O ladrãozinho e seu irmão sonhavam em se tornar os chefes da máfia de Capo di Leuca, mas o encontro com a literatura muda tudo, e uma amizade incomum surge entre os três, potencializando escolhas corajosas. Um dos filmes mais bem acolhidos no Festival de Veneza 2017.
O Banquete – Fim da década de 80, Brasil. Apesar de ter retornado à democracia, o país ainda vive uma época de extrema instabilidade política e incerteza geral. Em meio a este clima de desconfiança, uma jornalista descobre segredos podres sobre o presidente do país, que ameaçarão ainda mais o frágil equilíbrio da nação.
Coração de Cowboy – Lucca (Gabriel Sater) é um cantor sertanejo conhecido por suas músicas “chicletes” compostas a partir das demandas de sua empresária, Iolanda (Françoise Forton), e não pelos seus sentimentos e gostos musicais. Depois de um desentendimento na gravação de seu novo disco, Lucca foge da cidade grande e volta ao interior, onde ele procura inspirações para voltar a compor canções mais autênticas e, assim, se reconectar com seu pai (Jackson Antunes). Na volta, Lucca também encontra uma antiga parceira de composições e amor de infância (Thaila Ayala) com quem vai tentar reatar laços.
22 Milhas – Depois de ser auxiliado por uma unidade de comando tático ultrassecreta, um agente da CIA (Mark Wahlberg) tem que transportar um informante da Indonésia do centro da cidade para refúgio em um aeroporto a 22 milhas de distância.
Camocim
Camocim – A jovem Mayara, 23 anos, organiza uma campanha honesta durante as eleições municipais de Camocim de São Felix para eleger o candidato e colega César. A cada quatro anos, a cidade no interior de Pernambuco tem sua tranquilidade interrompida pela euforia política do evento. Durante o processo, Mayara toma consciência da dificuldade em participar de uma disputa marcada por hierarquias, compras de votos e clientelismo.
Limites – Laura (Vera Farmiga) é uma mulher que busca viver uma vida tranquila e que faz o possível para ajudar as pessoas. No entanto, seus desejos e sua generosidade característica entram em conflito quando ela precisa levar Jack (Christopher Plummer), um homem que é seu pai e também é um criminoso, em uma viagem de carro do Texas até a Califórnia. Os dois e Henry, filho de Laura, que também vai junto, vão aprender da maneira mais confusa e difícil o que significa ser uma família.


Uma Questão Pessoal – 1943, durante a guerra de libertação nas Langhe, as colinas do sul do Piemonte, o militar Milton encontra-se dividido entre a luta contra os nazi-fascistas, a amizade com os companheiros do exército e seu amor clandestino por Fulvia. Paolo e Vittorio Taviani confrontam uma das obras mais importantes da literatura italiana, Uma questão pessoal, de Beppe Fenoglio. Este filme atesta a longa militância cinematográfica dos realizadores de Padre Padrone e de César Deve Morrer confirmando, simultaneamente, a juventude artística da dupla com uma obra de grande rigor filológico, mas capaz de surpreender o espectador.
Festival Remaster – Vai Trabalhar Vagabundo; O Homem da Capa Preta; Carmen Miranda: Banana Is My Business; Vidas Secas; Os Doces Bárbaros; República dos Assassinos; Assalto ao Trem Pagador; Luz del Fuego; 

Comentários sobre o curta Mesmo Com Tanta Agonia (SP)

A quarta noite da 51ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro lotou mais uma vez o Cine Brasília. Desta vez, São Paulo e Minas Gerais que ganharam a telona com produções que retratam o universo feminino com um quê de surrealismo e poesia. Os filmes do dia fizeram ainda uma crítica voraz à banalização das redes sociais. A começar pelo curta-metragem Mesmo Com Tanta Agonia (SP), de Alice Andrade Drummond, que mostra a rotina de uma jovem que tem sua viagem de metrô interrompida após uma pessoa ser encontrada nos trilhos do trem.
O filme começa com uma bela fotografia dentro da cozinha de um restaurante. Por lá, a jovem trabalha no preparo dos pratos para atender os clientes e troca figurinhas com as colegas de trabalho. Depois, ela sai e enfrenta a lotação cotidiana do metrô na cidade de São Paulo. É quando acontece uma tragédia. Mas sua vida não para. Em meio ao casos e a um vazio existencial, de repente são fatos menores que ganham o foco. Meninas que comemoram o aniversário de uma amiguinha e começam a gravar stories (Instagram) e vídeos sobre o acontecimento.
Nesta hora, o filme assume uma narrativa surrealista e sem nexo com o foco principal da história. As gargalhadas acompanham o nonsense e a festa das meninas nas redes em busca de mais curtidas e seguidores. Se era para fazer uma crítica, no entanto, o curta fica na superficialidade de acontecimentos que não se fecham e são apenas jogados para o espectador.

*Por Clara Camarano – contato@cine61.com.br

Mistério dos jovens desaparecidos marca Os Jovens Baumman

O filme Os Jovens Baumann, de Bruna Carvalho Almeida, ganha teaser inédito. O longa selecionado para a mostra caleidoscópio do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, será exibido nesta quarta-feira, 19 de setembro, ás 16h30.

Distribuído pela Vitrine Filmes e produzido pela Sancho&Punta, Os Jovens Baumann, conta a história de jovens que misteriosamente desapareceram após as férias de verão da família. A ficção reúne cenas de fitas VHS com registros caseiros de seus últimos momentos, além de gravações em HD. Através da junção dessas imagens, o filme reorganiza os fragmentos de um mistério até hoje sem solução.

A diretora do filme inova na linguagem diversificando as formas de realização do longa. “Eu tenho muita dificuldade com os termos mockumentary, ou falso documentário de arquivo, justamente por não gostar da palavra ‘falso’ para esse projeto. Enquanto eu fazia o filme, eu sempre tinha em mente que as narrativas se utilizam de determinados artifícios de linguagem para se contar. Nesse sentido, eu acredito que o VHS e o registro amador não servem para enganar o espectador quanto à sua veracidade, mas pra fortalecer e potencializar essa história”, conta.

Longa de Gustavo Vinagre na mostra Festival dos Festivais

Lembro Mais dos Corvos, o primeiro longa-metragem de Gustavo Vinagre, será exibido no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, na Mostra “Festival dos Festivais”, nesta quarta (19), às 14h30 e 19h. O filme, que teve sua estreia na Mostra Aurora do Festival de Tiradentes, em janeiro de 2018, teve sua protagonista Julia Katharine premiada com o troféu Helena Ignez. O filme é um monólogo de uma personagem em uma noite de insônia que mistura documentário, ficção e improviso.  O diretor e a atriz se se conhecem há dez anos e já fizeram três curtas-metragens juntos (Os cuidados que se tem com o cuidado que os outros devem ter consigo mesmos, Filme-catástrofe e o inédito Medo medo medo).

Lembro Mais dos Corvos é baseado em histórias da própria atriz e coisas que o diretor imaginava sobre sua vida. “Tem a ‘parte mágica’, que só acontece ali, naquele momento com a câmera ligada. O tempo cômico da Julia é algo que sempre me impressionou muito, e que eu ainda quero explorar numa comédia escrachada num futuro próximo”, explica Vinagre. “Ele me deu muita liberdade, em momento nenhum sentamos para escrever diálogos. Parecia que eu estava fazendo terapia, porque ficou eu e uma equipe muita pequena a noite toda juntos. Uma noite e sem segundo take”, conta Julia Katharine, a primeira atriz trans a ganhar um prêmio em Tiradentes. 
Ponto de destaque do filme é a mistura entre as linguagens ficcional e documental, característica de Vinagre. Com uma carreira de filmes que o torna um dos cineastas mais prolíficos do circuito independente brasileiro, o diretor também é conhecido pelo filme pornográfico Nova Dubai, um média-metragem que teve uma carreira extensa em festivais, mesmo com uma duração tão atípica. “Meus filmes mais ficcionais possuem uma tendência a ser mais corais, com muitos personagens. Já os mais documentais, geralmente são filmes de personagem, centrados em um só. É o caso de ‘Filme para poeta cego’, ‘La llamada’, ‘Mãos que curam’.
Vinagre ressalta ainda que em Lembro Mais dos Corvos há um exercício ainda maior de condensação, apesar de ser um longa. “Aqui, fui seduzido por reduzir isso a uma viagem pela imaginação através da fala de uma única personagem. Faço documentários sobre sonhos, anseios, desejos, fetiches. São documentários sobre as ficções mais íntimas dos personagens. Os sonhos são reais, portanto são documentáveis”, completa. Lembro Mais dos Corvos já foi exibido em vários festivais mundo afora, tendo sido premiado no 15º IndieLisboa, na 21ª Mostra de Cinema de Tiradentes, e no 40th Cinéma du Reel  e já está selecionado dos festivais de Viena, Hamburgo,  Mar del Plata e o Pink – Festival LGBT de Bruxelas.

A sustentabilidade no 51º Festival de Brasília

Na cidade de eixos e tesourinhas, os espaços urbanos terão uma ocupação diferente durante o 51º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Como forma de valorizar pessoas, economia e cultura local aliadas à preservação do meio ambiente e da vida, o evento realiza diversas atividades que incentivam a vivência sustentável na cidade. Com base na proposta de ocupação da entrequadra 106/107 Sul, o Festival trabalha em três pilares: produção consciente, educação para sustentabilidade e integração com a comunidade. Para executar a primeira base, a organização do evento é toda pautada pelas ações de redução e eliminação de produtos poluentes, campanhas de mobilidade, acessibilidade e inclusão. Não apenas a equipe do Festival, como também os fornecedores que participam do evento, trabalham com essas ideias para reduzir o impacto causado ao meio ambiente.
Fotos: Humberto Araújo
Para que as boas práticas adotadas funcionem, existem campanhas sendo trabalhadas pela organização do evento, tais como a carona solidária, a Vá de bike e a coleta de lixo eletrônico. Canudos, copos descartáveis e embalagens de isopor também foram retirados da praça de alimentação e foi criado um eco-copo do Festival de Brasília.
A comunidade que vive ao redor do Cine Brasília e o público que participa do Festival terá acesso a uma inédita feira de produtos orgânicos. Os alimentos, advindos de produtores da agroindústria familiar, serão vendidos nos sábados de Festival), das 8h às 13h. Entre os artigos da feira, estão também flores de artesanato rural. Tudo isso, somado a reflexões que serão divulgadas ao longo do evento propõem uma Brasília mais verde e sustentável para os próximos anos. A acessibilidade também é uma das importantes diretrizes assumidas pela produção do evento. Tradicionalmente, o Festival de Brasília conta com um espaço arquitetônico preparado para pessoas com deficiência, assim como trabalha com intérpretes de libras durante as apresentações de programação e audiodescrição dos filmes, ações que estão mantidas e serão amplamente divulgadas ao longo desta edição do evento.

Serviço
Festival de Brasília do Cinema Brasileiro – 51ª edição
Quando: 14 a 23 de setembro de 2018
Confira a programação completa no site: http://www.festivaldebrasilia.com.br/